segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Aborto químico tem mesmos riscos que cirúrgico

As mulheres que abortam com medicamentos ou através de cirurgia correm os mesmos riscos de desenvolver gravidezes extra-uterinas ou sofrer abortos espontâneos, conclui um estudo que contraria outros que atribuem mais risco aos fármacos, noticia a Lusa.

Publicada pelo The New England Journal of Medicine, a investigação avaliou o impacto do misoprostol, mifepristona e metotrexato - os três fármacos aprovados para a interrupção da gravidez - na gestação imediatamente seguinte a um aborto, não tendo identificado maior risco de complicações associadas ao uso destes medicamentos.

Estudos anteriores apontavam que as mulheres que recorriam a qualquer um destes fármacos para abortar tinham mais hipóteses de desenvolver gravidezes ectópicas (fora do útero), ter abortos espontâneos, partos prematuros ou bebés com baixo peso.

A investigação analisou o primeiro trimestre de gravidez de 12 mil mulheres dinamarquesas a seguir a um aborto, feito com recurso a medicamento ou através de cirurgia, entre 1999 e 2004.

Entre os casos analisados registaram-se 274 gravidezes ectópicas, 1.426 abortos espontâneos, 552 partos prematuros e 478 recém-nascidos com baixo peso com incidência semelhante entre as mulheres que usaram fármacos e as que seguiram o processo cirúrgico.

Segundo os investigadores, não existem diferenças significativas na concepção e evolução do feto entre mulheres que se submeteram a um aborto químico e as que fizeram aborto cirúrgico.

«Não encontrámos nenhuma prova de que um aborto com fármacos, quando comparado com um cirúrgico, aumente o risco de abortos espontâneos, extra-uterinos, partos prematuros ou recém-nascidos com peso menor que o normal», concluem os investigadores.

Os especialistas destacam ainda a importância de esclarecer este assunto porque os abortos com medicamentos são «cada vez mais frequentes em todo o mundo».

«Apesar da cada vez maior tendência da realização de abortos químicos existe uma informação muito limitada sobre os efeitos deste procedimento em gravidezes posteriores», defendem os investigadores.

O estudo não compara, contudo, a taxa de complicações surgida em mulheres que se submeteram a qualquer tipo de aborto e as que nunca abortaram.

A investigação teve apenas em conta a primeira gravidez após o aborto.

Em Portugal, são usados o misoprostol e o mifepristone que, quando combinados, são 98 por cento eficazes na interrupção de gravidezes até às nove semanas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Fonte: Portugal Diário

Ver mais aqui, aqui e aqui.

Sem comentários: