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domingo, 12 de abril de 2015

O consumo de pornografia na adolescência



"Não procuro a pornografia na net só por si. Procuro no contexto de masturbação. Vou ver o que há e escolho o que é mais agradável." David, 17 anos, morador na zona de Lisboa, lembra-se de ter tido o primeiro contacto com a pornografia online aos 14, com amigos que foram a sua casa e lhe mostraram, no seu computador, onde encontrar. "Talvez tivesse visto pela primeira vez a passar canais na TV, mais ou menos na mesma altura. Os meus amigos já conheciam, eu nunca tinha andado à procura. Não me lembro de ter tido um impacto muito grande. Achei curioso, um pouco estranho. E fiquei surpreendido de ser tão fácil." Filho de uma doméstica de 49 anos e de um gestor de 48, nunca mencionou o assunto aos pais. Nem sequer fala sobre isso com o irmão mais novo, de 14. "Tenho a certeza de que sabe da existência, mas não sei se vê diariamente." Ele, que certifica consumir "uma média de quatro vezes por semana, e geralmente à noite", faz uma pausa. "A pornografia é um tabu, não é algo de que se fale. Pelo contrário: é algo que se tenta manter em privado."
Roberto, 19 anos, foi mais precoce. "Tinha uns 12, 13 anos quando comecei a usar mais a net. Acho que me dei conta através de publicidade não solicitada no mail e pop-ups [janelas que se abrem em determinados sites com links para outras páginas]. Fiquei um bocado espantado." Também Roberto, que habita "no litoral Oeste", não comentou o assunto com os pais. "Achava um bocado estranho falar sobre isto com os meus familiares e mesmo com os amigos. Mas não me admiraria se os meus colegas também vissem." Sobre a influência que a pornografia teve em si, é franco. "Como nunca tinha tido relações sexuais, fiquei com uma imagem do que é. E acho que, sabendo separar o fictício do real, não há motivo para ser prejudicial, até é saudável. Aliás, quando penso em sexo e masturbação não recorro sistematicamente à pornografia."
Confessando que ainda não teve sexo com alguém - "Nunca encontrei a pessoa certa, quero que isso aconteça quando estiver apaixonado." -, Roberto não tem receio de que o consumo de pornografia lhe tenha de alguma forma "viciado" as expectativas. "Compreendo que haja a possibilidade de haver pessoas influenciadas pelo jogo de papéis que há na pornografia, os homens dominadores, as mulheres submissas, a ideia do sexo sem contexto, dos corpos como objetos, mas isso é para quem não consegue separar a realidade da ficção. Eu sei que a realidade é diferente, que aquilo é feito com atores." Ainda assim, admite que pode ter sido algo influenciado pela forma como, naquele universo, as coisas se passam, até em termos do tipo de atos sexuais encenados: "Em certas coisas, sim. Mas deve haver partes em que é como ali e outras que não."
Parece para já não haver estudos sobre consumo de pornografia por adolescentes em Portugal. O mais próximo será "Eu e a pornografia: a exposição de jovens adultos à pornografia e a sua sexualidade", de Andreia Matias e Nuno Nodin (2004). Com base em informação recolhida junto de portugueses entre os 20 e os 30 anos, permitiu concluir que 40% deles tiveram o primeiro contacto - em TV e vídeos - entre os 8 e os 10 anos, 40% entre os 11 e os 13 e 20% entre os 14 e os 16. Na era da internet, porém, o acesso só pode ser ainda mais precoce e generalizado. E até sem querer.
Que o diga Ondina Freixo, 50 anos, professora de Biologia/Geologia do Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira (Viseu). "Os miúdos têm acesso desde muito cedo, e em simples pesquisas, o mais inocentes possível, na net. (...)." Mas apressa-se a certificar que não na escola: "Esse tipo de conteúdos, e até o Facebook, estão bloqueados na nossa escola, e acho muito bem. Mas uma vez quis mostrar um vídeo num contexto de educação sexual e não conseguia por causa desse bloqueio." Ri-se. "Mas sabemos que eles acedem em casa ou noutros locais. Aliás, isto não é novo. Antes apanhávamos aos miúdos revistas porno, agora já não, para que hão de gastar dinheiro? É tudo grátis na net. E, claro, aos 13 ou 14 anos sabem coisas que, caramba, nós não imaginávamos na idade deles. Não podemos pôr a cabeça na areia. A nossa sexualidade foi diferente da dos nossos pais e a deles (miúdos) é completamente diferente da nossa. E já não existe aquela dicotomia cidade/interior. É a aldeia global."
(....)
E que acharia Ondina Freixo de, como defendeu recentemente um dos mais proeminentes sexólogos dinamarqueses, Christian Graugaard, as aulas de Educação Sexual incluírem visionamento de pornografia, para ajudar os estudantes a serem "consumidores conscientes e críticos, capazes de discernir a diferença entre aquilo que se vê nesse tipo de conteúdo e a realidade das relações que incluem sexo? "A minha proposta é discutir criticamente a pornografia com alunos dos 8.º e 9.º anos [a partir dos 15 anos, a idade legal do consentimento na Dinamarca - em Portugal é 14] como parte de uma estratégia didática sensata desenvolvida por professores treinados", explicou este professor da Universidade de Aalborg ao jornal britânico The Guardian. "Sabemos pelos estudos feitos que a esmagadora maioria dos adolescentes [há inquéritos escandinavos que indicam que aos 16 anos 99% dos rapazes e 86% das raparigas já viram filmes porno] começou a ver pornografia muito cedo, portanto não se trata de lhes mostrar isso pela primeira vez. Devemos fortalecer a capacidade deles de distinguir entre a representação do corpo e do sexo na pornografia e nos media e a vida normal de um adolescente." Ondina reflete: "Tudo o que tenha a ver com esclarecimento, contribuir para uma educação sexual melhor e uma vida mais saudável, sou a favor. Por esse motivo, faz-me sentido falar disso. Mas nunca mostrar imagens. Isso não. Tenho muito à-vontade com as minhas filhas, mas era incapaz de ver um filme desses com elas."
Ana, uma lisboeta de 17 anos, tende a concordar. "No 9.º ano, que é aquela idade mais da adolescência, os rapazes falavam imenso disso, de pornografia. Riam, falavam das posições... Lembro-me de no 7.º ano ter começado a ouvi-los comentar e ficar espantada, não sabia nada." Porquê essa diferença entre os rapazes e as raparigas? "Somos meninas, não é? Não temos tanta curiosidade, acho. E é aquela coisa do segredo, do mistério... E da vergonha, também. Quando os nossos amigos nos falavam daquilo percebiam com certeza que não percebíamos nada, que éramos completamente burras."
Apesar de alertadas, ela e as amigas, garante, nunca foram ver. "Faço uma ideia do que é pornografia. Devo ter apanhado do ar, ou talvez ao passar canais na TV. Mas ver ver nunca vi, porque realmente estar a olhar para um ecrã onde estão duas pessoas a fazer algo que não me diz nada não é produtivo. Acho aquilo muito animalesco, não me parece muito positivo, é só sexo sem mais nada por trás. Banaliza imenso, acho." Algo que, pensa, pode estar relacionado com haver rapazes "que têm namorada e andam com 30 outras raparigas. O que é o sexo para eles? É só aquilo?"


A psicóloga Margarida Gaspar de Matos, professora na Universidade de Lisboa e coordenadora nacional dos estudos sobre comportamentos de saúde em jovens em idade escolar, no âmbito da Organização Mundial da Saúde, sorri. "Há quem defenda que o cérebro emocional só está desenvolvido aos 25 anos, que o melhor é proibir tudo. Mas eu acho que a sexualidade está muito mais natural agora do que no tempo dos nossos avós. Pôr os males todos na época contemporânea é uma coisa estranha."
A recordação sobre a forma como tradicionalmente, até há poucas décadas, os rapazes eram "iniciados" no sexo, sendo levados a frequentar prostitutas, e as raparigas mantidas (idealmente) virgens "até ao casamento", em rígida atribuição de papéis sexuais que conformavam as relações e as expectativas de forma muito mais artificial que a de hoje, permite colocar em perspetiva a atual polémica sobre o acesso precoce a imagens sexuais. "O frisson para ver uma fulana mais despida ou um tipo mais despido é natural, e não vale a pena fazer uma grande história com isso. Mas para quem nunca teve relações sexuais, a pornografia pode fixar uma bitola que não é real. As pessoas nas primeiras vezes estão sempre inseguras e pior ainda quando têm um modelo que não corresponde à realidade. Pode pensar-se que aquilo é que é sexo, que aquilo é que são pénis, que aquilo é que são corpos. E há a possibilidade de perda do que é "bonito" na descoberta e das fases do namoro e do envolvimento amoroso e do seu tempo e ritmo. O mais perigoso, porém, pode ser a formatação de modelos, o associar do sexo à violência e à desvalorização das mulheres." E, claro, a possibilidade de desenvolvimento de comportamentos aditivos.
Há casos reportados na literatura científica, mas, certifica o presidente do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e um dos pioneiros da sexologia em Portugal, Luís Gamito, não é frequente surgirem na clínica, em Portugal, adolescentes com dependência da pornografia. "Só aparecem se houver uma situação crítica, se houver falência das outras dimensões da vida porque o jovem só consegue pensar naquilo, não tem tempo para as outras matérias. A dependência é isso, ter a mente inundada por pensamentos relacionados com a pornografia. Um dos sinais é fechar-se no quarto horas e horas, a família ter dificuldade em falar com ele." Casos raros, segundo a literatura científica, e que Gamito associa a personalidades com tendência para dependências patológicas e perturbação obsessivo-compulsiva.
A pornografia, então, como o jogo, o álcool e outras substâncias passíveis de causar dependência, capaz de viciar quem seja de vícios (...)

F. Câncio Diário de Notícias 11/04/2015

 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mais 2.500 casos de jovens em risco no ano passado

 
 
 
Enquanto os governos e os deputados continuarem a promover a degenerescência da família bi-parental estável, a Segurança Social continuará a ser massacrada e o país continuará pobre e em crise permanente

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Contra a anomia, marchar, marchar !!!



Anomia. Será que alguém sabe o que significa “Anomia”?

A anomia é uma palavra generalizada por Émile Durkheim, a propósito do suicídio e significa um estado de desorientação, de falta de objetivos, de identidade e motivação.

É o oposto da resiliência e da pro-atividade. Há uns dias atrás, numa visita de estudo de estudantes do Ensino Secundário, contavam-me que um rapaz com cerca de 17 anos, ao pequeno-almoço, no hotel ficava parado e não se mexia. Um dos professores, intrigado, apurou que a mãe desse aluno é que lhe prepara tudo e, por isso, ele não sabia cortar um pão, barrar a manteiga, preparar um café com leite. Chocante, mas verdadeiro.

A Juíza Beatriz Borges, com quem já tenho participado em várias sessões no Tribunal de Família de Faro em Março de 2011, numa conferência para pais e professores, aludiu à problemática do adulto infantilizado em que a imaturidade dos pais apresenta repercussões na capacidade de contenção dos filhos, quer ao nível do consumo de bens supérfluos, quer no cumprimento de regras básicas de saúde, educação e convivência que se espelha em aspetos tão básicos como a falta de pontualidade e assiduidade na escola”.

Continuou a Magistrada Judicial, “Assistimos a uma regressão do estado adulto em que os pais se comportam como adolescentes ao invés de se apresentarem como um modelo para as crianças e em que desculpabilizam os comportamentos desadequados dos filhos imputando a terceiros (incluindo a escola) a falta de educação dos seus descendentes”, criticou.

Um dos pontos concretos onde isso se nota muito é a forma como os jovens não ajudam em casa. Chegam a casa, atiram um sapato para um lado, as meias para o outro, deixam a mochila no chão e deitam-se a jogar playstation ou a enviar mensagens nos seus smartphones. Os pais, seus criados, é que preparam as refeições, limpam os pratos, lavam-lhes a roupinha e dão-lhes dinheiro para o tabaco e as borgas à noite.

Há que obrigá-los a ajudar em casa, a colocarem os talheres na mesa, a limparem os seus pratos depois das refeições, a ajudarem a estender a roupa, a guardar a loiça lavada, a arrumarem a sua roupa, etc.etc..

A nossa vontade, já de si, por natureza, é mole, como um pudim. Se a essa moleza, se confere e lhe dá mais moleza ainda, é um desastre quer ao nível profissional, quer ao nível familiar.

Por exemplo, aplicando o conceito de anomia ao nível da saúde sexual, dizia há uns anos um conhecido médico infectologista brasileiro David Uip, director do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo que as coisas acontecem de forma não planeada e meramente institiva, isto é, sem um enquadramento próprio. Segundo, estes especialista, a prevenção das doenças (neste caso das DST) está na educação do impulso e da vontade. Não está na mera informação acerca da prevenção. Dizia este especialista, numa entrevista, “O que determina o comportamento é o impulso”. E vai mais longe “O impulso é maior que o medo”. Por isso, diz ele, “Comportamento você não muda com campanha, com informação. Você tem uma chance com a educação continuada, desde a fase pré-adolescente”. Por isso, remata, A família precisa conversar. Mas trabalhamos muito, temos pouco tempo, o que cria distanciamento. Entendo que é difícil estabelecer uma forma de abordagem. Isso vai muito da maturidade do pai e da mãe, do convívio, da cumplicidade. Essa é a palavra-chave. Primeiro tem que aprender a conversar com o filho. E, antes, tem que aprender a ouvir. O grande truque é saber ouvir o que não está falado. Isso requer um treinamento. Humildade”. Um desafio, diga-se, nem sempre fácil de levar à pratica. .

Contra a (nossa) anomia (e a deles), marchar, marchar, marchar !

Miguel Reis Cunha

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os pais e as saídas dos adolescentes


 

Por vezes o entendimento entre pais e filhos adolescentes não é fácil. O problema é antigo, embora se possa talvez colocar agora com mais frequência ou de forma mais aguda, pela rápida evolução que carateriza a sociedade atual. Em certas ocasiões, o problema surge ao abordar-se o uso do tempo livre durante os fins-de-semana e em horários noturnos

As diversões noturnas preocupam cada vez mais os pais. É o tempo preferido pelos jovens para o descanso e a diversão, constitui um negócio que oferece múltiplas possibilidades – por vezes, não isentas de riscos para a saúde – e movimenta muito dinheiro. Bastantes pais estão de acordo em que é difícil manter a paz e a disciplina em casa ao tratar deste tema; as discussões sobre o horário das saídas do fim-de-semana podem degenerar em batalha e não é fácil encontrar argumentos convincentes para manter uma hora razoável de regresso a casa; como consequência, a autoridade paterna pode debilitar-se. Diante deste panorama, alguns pais procuram aumentar o controlo sobre os filhos; mas não tardam em comprovar que esta não é a solução. Controlar não é educar.

Os filhos, ao chegar à adolescência, reclamam com veemência quotas de liberdade que por vezes não são capazes de gerir com equilíbrio. Isto não significa que se tenha de os privar da autonomia que lhes corresponde; trata-se de algo mais difícil, é preciso ensinar-lhes a administrar a sua liberdade responsavelmente, a que aprendam a dar razão do que fazem. Só então serão capazes de conseguir uma abertura de horizontes que lhes permita aspirar a objetivos mais elevados do que a mera diversão a qualquer preço. Por isso precisamente, educar os filhos em liberdade significa que os pais, em certas ocasiões, hão-de estabelecer limites aos filhos e impedir com firmeza que os ultrapassem. Os jovens aprendem a viver em sociedade e a ser verdadeiramente livres, aprendendo o sentido dessas regras, e explicando-lhes claramente que há pontos – deveres – “não negociáveis”.

É possível e não há que ficar surpreendido ao surgirem conflitos de obediência nos anos em que se forma de modo especial o caráter e a vontade e se afirma a própria personalidade.

Em todo o caso, é importante fazer-lhes perceber que os direitos que tantas vezes reivindicam – justamente, por outro lado, em muitos casos – vão precedidos e acompanhados do cumprimento dos deveres correspondentes

 

A educação dos jovens, principalmente no que se refere à diversão, requer que se lhes dedique tempo, atenção, falar com eles. No diálogo, aberto e sincero, afectuoso e inteligente, a alma descobre a verdade de si mesma. Poder-se-ia dizer que a pessoa humana se “constitui” através do diálogo; também por isso, a família é o lugar privilegiado onde o homem aprende a relacionar-se com os outros e a compreender-se a si mesmo. Nela experimenta-se o significado de amar e de ser amado e esse ambiente gera confiança. E a confiança é o clima onde se aprende a amar, a ser livre, a saber respeitar a liberdade do outro e a valorizar o caráter positivo das obrigações que se têm para com os outros. Sem confiança, a liberdade cresce raquítica.

Esse ambiente de serenidade permite que os pais possam falar com os filhos de uma forma aberta sobre o modo como empregam o tempo livre, mantendo sempre um tom de interesse verdadeiro, evitando o confronto, ou a criação de situações incómodas frente ao resto da família. Evitarão assim abandonar-se à retórica do “sermão” – que é pouco eficaz – ou a uma espécie de interrogatório – habitualmente desagradável – ao mesmo tempo que semeiam «os critérios de juízo, os valores determinantes, os pontos de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida»[2], que permitem fundar uma vida plena. Não faltarão ocasiões que permitam reforçar as boas condutas; e pouco a pouco conhecerão em que ambientes se move cada um dos filhos e como são os seus amigos.

Quando se cultivou a confiança com os filhos desde a infância, o diálogo com eles é natural. O ambiente familiar convida a entabulá-lo, mesmo quando não haja acordo sobre algumas questões, e é normal que o pai ou a mãe se preocupe com as coisas do filho ou da filha. É oportuno recordar as palavras de São Josemaria: dedicar tempo à família é o melhor negócio. Tempo quantitativo, feito de presença, aproveitando – por exemplo – as refeições; e tempo qualitativo, interior, feito de momentos de intimidade, que ajudam a criar harmonia entre os componentes da casa. Dedicar tempo aos filhos desde pequenos facilita, na adolescência, manter conversas de certa profundidade.

 

Sem dúvida, é preferível antecipar dois anos as soluções do que querer resolver os problemas um dia depois: se se educaram as virtudes dos filhos desde pequenos, se estes experimentaram a proximidade dos pais, é mais simples ajudá-los quando se apresentam os desafios da adolescência. No entanto, não faltam pais que pensam que “não chegaram a tempo”. Independentemente das causas, não conseguem propor um diálogo construtivo ou que os filhos aceitem certas normas. E se acontecesse isto e se caíssem no desânimo? É o momento de recordar que o trabalho de ser pais não tem data limite de caducidade, e convencer-se de que nenhuma palavra, gesto de carinho ou esforço, orientado para esse fim – a educação dos filhos – cairá em saco roto. Todos – pais e filhos – queremos e necessitamos de segundas, terceiras e mais oportunidades. Poder-se-ia dizer que a paciência é um direito e um dever de cada membro da família: que os outros tenham paciência com os defeitos de cada um; que cada um tenha paciência com os dos outros.

Para introduzir na família uma cultura inspirada na fé não basta, no entanto, o diálogo. É também importante dedicar tempo à vida de família, planificando atividades que se possam fazer em conjunto durante os fins de semana e nas férias.

Às vezes pode tratar-se, por exemplo, de praticar algum desporto com os filhos; outras, de organizar excursões e festas com outras famílias, ou de envolver-se em atividades – culturais, desportivas, artísticas, de voluntariado – organizadas por centros de formação, como são os clubes juvenis. Não se trata de lhes entregar tudo resolvido, mas de fomentar a iniciativa dos filhos, tendo em conta as suas preferências.

 

Passear num centro comercial, comprar alguma roupa da moda, jantar num restaurante de comida rápida e ir ao cinema é um itinerário de atividades muito habitual entre os jovens de hoje. A oferta de ócio é dominada atualmente pela lógica do consumo. Se esse modo de se divertir se torna habitual, é fácil que fomente hábitos individualistas, passivos, pouco participativos e nada solidários. As indústrias da diversão e do descanso correm o perigo de limitar a liberdade individual e desumanizar as pessoas, mediante «manifestações degradantes e a vulgar manipulação da sexualidade hoje tão preponderante». Na realidade, este fenómeno é totalmente contrário à essência do lazer, que é precisamente um tempo libertador e enriquecedor para a pessoa.

É muito aconselhável não dar aos filhos muitos meios económicos, ensinando-lhes o valor do dinheiro e a ganhá-lo por si próprios.

Hoje em dia, é relativamente fácil que os jovens trabalhem, pelo menos em parte das férias. Convém animá-los a que o façam, mas não só para ganhar dinheiro para as suas diversões, mas também para poderem contribuir para as necessidades da família ou para ajudar o próximo

 

J. Nubiola, J.M. Martín

sábado, 28 de setembro de 2013

Os novos "velhos" adolescentes

 
 
Once upon a time, it was normal for young people to achieve adult things like settling down, getting married, and having kids from the age of 18.These days? Turns out we’re in need of a little more time.
As pointed out by a recent BBC News article, new guidance for psychologists will have them treating people as adolescents up until the age of 25, rather than 18. This is as a result of scientific research which shows that brain development continues into our twenties, instead of dwindling out a couple years shy of 20.
According to the article, researchers use this information to explain why young people these days are living longer in their parents’ homes and living a kind of “passive dependence” when they could be asserting their independence. They think that these generational characteristics reflect neuroscience, rather than cultural shifts.
This is where I, and Professor Furedi (the sociologist interviewed in the article), beg to differ. He feels that since we are more overprotective of our kids, their adolescence is extending into their twenties, making them more immature and less self-assured about making a life for themselves.
Agreed! Many kids these days are given everything on a silver platter – from education to the latest gadgets, clothes and so on – without being taught the character values that could balance that privilege out. They may be able to navigate the latest software, but do they even make their own beds in the mornings? Those are the types of things that are going to get you through life!
So what’s to be done? A bit more of demanding of kids (nothing massive, just the basics) and lots less mollycoddling! As mentioned in the article: “The solution … is not sending them out of the home, it's making them do their own washing, pay their own way, pay towards the rent, pay towards the bills, to take responsibility for cleaning up their bedroom and not waiting on them hand and foot…”
 
- See more at: http://www.mercatornet.com/family_edge/view/12841#sthash.0hKtHISU.dpuf

sexta-feira, 12 de julho de 2013

5 coisas que deve dizer ao seu filho

(...) o trabalho de criar um filho é uma tarefa nobre e importante.

Infelizmente, é um trabalho que muitos homens desleixam, abrindo caminho
ao que agora se vê como uma crise de grandes proporções no nosso país:
a crise da paternidade. 



Por isso, gostaria de apontar 5 coisas que todo filho precisa ouvir do pai;



1. Gosto de ti 



Sem essa afirmação, um homem carrega feridas profundas
que afetam os seus relacionamentos mais importantes.

Encontrei homens de todas idades que sonham ouvir essas
palavras mágicas que significam bem mais quando vêm do pai:
gosto de ti.


2. Estou orgulhoso de ti 



Ando a aprender que é importante para nós, pais, sermos firmes 

com os filhos de muitas maneiras (ver abaixo), mas nunca devemos
negar a nossa aprovação. 


Claro, às vezes eles vão decepcionar e temos de lho fazer saber e sentir.

E, no entanto, é importante não sermos como senhores
que, ao tentar motivar os nossos filhos para a grandeza,
omitimos o maior condimento que pode facilitar o êxito: a confiança



3. Tu não és um choninhas, és um soldado



Hoje a cultura apresenta uma imagem confusa da masculinidade. 

Deus não fez o seu filho, ou o meu filho, para ser um indolente, 
mas para ser um soldado. 

Por favor, não se ponham nervosos com a palavra "soldado". 

É bom para encorajar os filhos a serem masculinos. 

Há uma visão de masculinidade na Bíblia, de nobreza e força, 
de coragem e sacrifício. Um homem de verdade luta por aquilo que ama. 
Um homem de verdade valoriza a mulher que Deus lhe dá. Não se serve dela. 



4. O trabalho duro é um dom, não é uma maldição 



Ócio, preguiça e indecisão são as melhores ferramentas do diabo
para arruinar as vidas dos homens jovens. 



Eles precisam de perceber que o trabalho é mais duro por causa da queda original, 
mas em última análise foi dado por Deus para saborear o seu beneplácito. 
Ficar com as mãos sujas no esforço, na luta, no cansaço – tudo isto é bom, não é mau. 

Vamos mostrar-lhes que o trabalho traz alegria. 
O trabalho honra a Deus. O trabalho bem feito dá glória ao Criador.



5. Tens talento, mas não és Deus 



Vamos embeber os nossos filhos num sentimento de confiança, 

de aprovação, de dignidade. Mas vamos lembrar-lhes que, 
embora agraciados pelo Criador, eles não são Deus. 

Temos de lhes ensinar que a masculinidade genuína não se envaidece. 
Inclina-se. Pega numa toalha e lava os pés dos outros. 



Esta humildade alimenta a compaixão e vai permitir-lhes perdoar 
àqueles que os hão-de ferir duramente. 

 

Daniel Darling

domingo, 30 de junho de 2013

Adquirir bons hábitos

 
 
As virtudes humanas ― diz-nos o Catecismo no número 1804 ― são atitudes firmes, disposições estáveis que regulam os nossos actos segundo a razão e a fé. Conferem facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. A pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.
Educar possui uma estreita relação com ajudar a usar bem a liberdade ― ensinar a alcançar virtudes. Por isso, na educação das crianças e dos jovens a adquisição de bons hábitos possui uma enorme importância. Antes de nascermos, recebemos uma natureza biológica. No entanto, no caso do ser humano, além dessa natureza necessitamos da educação para desenvolver todas as nossas capacidades.
A educação dos nossos pais e professores ― desde a mais tenra idade ― levou-nos à repetição dos mesmos actos que foram construindo o nosso modo de ser. Fomos moldando o nosso carácter e afinando o nosso temperamento ― na medida das nossas possibilidades e com as nossas limitações.
A liberdade, dom que possuímos de um modo real mas limitado, oferece-nos tanto a possibilidade de desenvolvermos uma conduta digna e lógica, como de seguirmos um comportamento indigno e patológico.
Assim, diz-nos Aristóteles, com o passar do tempo uns homens tornam-se justos e os outros injustos. Uns trabalhadores e os outros preguiçosos. Uns seguem o caminho da responsabilidade e os outros o da irresponsabilidade. Uns são amáveis e os outros violentos. Uns amam a verdade e os outros preferem as facilidades da mentira. Uns são constantes no seu trabalho e os outros optam por viver ao sabor do vento.
Toda a repetição de actos bons pressupõe uma certa força de vontade. No entanto, hoje em dia, a educação da vontade é vista com uma certa desconfiança. Insistir na necessidade de fortalecer a vontade parece um ataque à liberdade.
É manifesto que a liberdade é um grande dom. Porém, perguntemo-nos: que acontece se a liberdade vai unida a uma fraca força de vontade?
Se uma criança não adquire hábitos positivos ― virtudes que facilitam a prática do bem ― a sua personalidade fica ao sabor da lei do gosto. Lei que, diga-se de passagem, é bastante caprichosa.
Adquirir hábitos virtuosos, como diz J. Ayllón, esbarra com um obstáculo permanente: por uma misteriosa incoerência, nenhum ser humano é como gostaria de ser. Por exemplo: quem fuma quando sabe que não o deveria fazer, quem não respeita uma dieta que entende que é para o seu bem. Essas pessoas contradizem-se livremente. Não é que lhes falte liberdade. Faltam-lhes forças!
Esse querer e não querer ao mesmo tempo não tem outro remédio que o esforço por vencer-se em cada caso. Essa debilidade constitutiva do ser humano torna necessário o treino da própria vontade. E esse treino inclui necessariamente o esforço, a capacidade de sacrifício e a sabedoria de, de vez em quando, saber dizer que não a si mesmo
 
Rodrigo Lynce de Faria

segunda-feira, 17 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

Em tempos de exames, como se deve estudar e comer



Debitar uma resposta memorizada, em vez de apostar na capacidade de pensar pela própria cabeça, não é uma boa solução.
Peça-se num exame que os alunos identifiquem com um "v" de "verdadeiro" as afirmações, entre várias apresentadas numa lista, que sustentem uma determinada hipótese. E é quase certo que vários identificarão com um "v" todas as afirmações que consideram verdadeiras - independentemente de apoiarem ou não a hipótese apresentada. E assim se falha uma resposta. O exemplo serve para ilustrar um dos erros frequentes dos estudantes quando fazem exames: não lêem a pergunta até ao fim. Ganham minutos, mas perdem pontos.
A duas semanas de começarem os exames nacionais do básico e do secundário, pedimos a professores de diferentes áreas que nos ajudassem a fazer uma lista de erros frequentes. Alguns são fáceis de adivinhar. Outros, mais surpreendentes. Há quem aconselhe umas boas horas de desporto vigoroso na véspera da prova.
1. Não estudar com tempo
É bom que cada um encontre a sua própria forma de optimizar o tempo de estudo e de ser eficaz, nota José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Mas a verdade é que o tempo que os alunos dedicam a preparar-se para as provas é, muitas vezes, insuficiente.
"Uma parte significativa não se prepara com a antecedência devida", diz Miguel Barros, vice-presidente da Associação de Professores de História (APH). Muitos deixam para a véspera das provas o estudo das matérias obrigatórias, continua Paula Gonçalves, professora de Filosofia e coordenadora do centro de explicações Ás de Saber. "Revelam um estudo pouco sistemático, mal organizado, sem a elaboração prévia de resumos, os quais, quando realizados ao longo do ano lectivo, simplificam muito a preparação mais específica e intensiva que antecede os exames", afirma.
O local de estudo também pode fazer a diferença. Miguel Barros nota que "muitos alunos não estudam em ambientes propícios à concentração - não desligam a televisão, a Internet ou os telemóveis, por exemplo".
2. Stress a mais
"Quando iniciam o estudo, é frequente entrarem em pânico face à enormidade da tarefa, o que os leva a situações de stress e, no limite, ao uso de fármacos que, supostamente, os auxiliarão a concluir com sucesso o que se pretende", diz o dirigente da APH. Eis outro erro frequente. José Morgado sublinha a importância de se tentar "lidar de forma serena com a pressão ou expectativas que, muitas vezes, pais, professores ou os próprios colocam - e que, para alguns alunos, podem tornar-se parte do problema".
À medida que o exame se aproxima, os nervos aumentam. E, no dia da prova, ainda pior - sendo que, tendencialmente, os mais pequeninos são mais sensíveis, explica Fernando Nunes, ex-presidente da Associação de Professores de Matemática.
O excesso de tensão, diz este professor, é um grande inimigo. Leva os alunos a cometer erros, sobretudo se no exame se confrontam com algo "novo", uma pergunta feita de forma diferente daquela que é habitual, por exemplo. O último relatório disponível do Gabinete de Avaliação Educacional, sobre os exames, confirma esta ideia: em 2011, nos exames de Matemática do 9.º e do 12.º ano, por exemplo, os alunos revelaram dificuldades na interpretação de algumas questões, sobretudo quando estas envolviam "estratégias não habituais".
3. Ter excesso de confiança
Muitos alunos consideram que não precisam de fazer uma preparação "mais específica e direccionada" para os exames porque julgam que já conhecem a matéria, diz Paula Gonçalves. Acham, portanto, que não precisam de praticar. Mas atenção ao excesso de confiança: "A realização contínua de exercícios permite fazer um levantamento dos próprios erros procurando superá-los e, além disso, obriga a analisar os critérios de correcção dos exames procurando responder à questão "em que é que eu não posso falhar?"."

4. Ler só resumos
Cada vez mais se nota que os alunos não lêem as obras integrais que são obrigatórias, notam alguns professores. Isto vale, nomeadamente, para quem está a preparar-se para o exame de Português. Os resumos das obras não chegam!

5. Ir de directa
Ir para o exame com uma noite mal dormida é um erro frequente. "Metade da nota consegue-se com estudo, a outra metade com os neurónios em actividade máxima... o que implica uma cabeça fresca!", diz Paula Canha, professora de Biologia e Geologia. "Aconselho os meus alunos a praticarem desporto vigoroso no final do dia anterior ao exame, pelo menos oito horas de sono e uma refeição decente antes do exame. Assim, a concentração e a capacidade de raciocínio estarão no seu máximo."
6. Não ler as perguntas
Até que chega aquele momento em que o professor distribui o exame. "Às vezes nem lêem o enunciado completo!" O desabafo é de Paula Canha, mas é partilhado por vários professores. "Dizem que a meio já achavam que tinham percebido o que era para responder, mas afinal... Exemplo: uma pergunta de V/F [Verdadeiro/Falso] em que é para indicar as afirmações que apoiam uma determinada hipótese. Eles partem do princípio que é para assinalar as frases como verdadeiras ou falsas, ignorando o segundo requisito do enunciado", continua a professora de Biologia.
Não dedicar o tempo necessário à leitura das perguntas leva a erros de interpretação, diz também Miguel Barros. Sem compreender bem o que é pedido, dificilmente se dá a resposta certa, e isto é verdade para todas as disciplinas, diz Paula Gonçalves.
7. Não planear as respostas
Para além de compreender as perguntas é preciso "preparar e planear as respostas", diz José Morgado. "A resposta imediata pode ser desajustada ou "ao lado"." É importante avaliar o que é mesmo "essencial", referir e o que é "acessório" - sendo que o acessório também se pode incluir, e até pode ser relevante, em questões de "desenvolvimento".
8. Debitar o que se decorou
"Muitos alunos desenvolvem na sua cabeça a resposta certa, mas como não confiam na sua capacidade de raciocínio, preferem procurar na memória alguma coisa que tenham ouvido na aula ou estudado no manual e que possa colar-se àquela situação", diz Paula Canha. Miguel Barros dá o exemplo do que se passa na sua área científica: "Apesar de nos exames de História se privilegiar a interpretação de fontes, devendo a informação recolhida nessas fontes ser integrada, de forma crítica, nas respostas, um número significativo de alunos continua a achar que o que interessa é "decorar a matéria" e "despejá-la" nas respostas. Isto dá origem a erros de análise - vêem nas questões aquilo que querem ver, dando origem a respostas longas mas que ficam muito aquém daquilo que se pretende."
9. Não ser assertivo
Ser objectivo e assertivo dá pontos, diz Paula Gonçalves. "Muitos alunos têm tendência para o excesso de informação numa resposta, tornando-a pouco assertiva. A objectividade é muito bem cotada num exame."
10. Não gerir o tempo
O exame deve ser visto como um todo, diz Miguel Barros. Mas a maioria dos alunos não é assim que lida com o enunciado da prova. "Como não olham para o exame como um todo, mas antes como uma lista de questões, não planeiam com cuidado o tempo de que vão necessitar. Perdem, frequentemente, demasiado tempo com questões de nível mais elementar (do tipo refere, enumera...), que são menos pontuadas, acabando por não ter tempo suficiente para responder a questões mais complexas, que implicam uma maior reflexão."
Mas isto de gerir o tempo não é coisa fácil. Ficar "bloqueado" numa resposta que parece supercomplicada também pode acabar por significar que não se tem tempo para responder a outras eventualmente mais fáceis, lembra José Morgado.
Fernando Nunes lembra que o "tempo" não é, geralmente, um factor muito valorizado no processo de ensino-aprendizagem - mais cinco minutos, menos cinco minutos, o que interessa aos professores na sala de aula é que os jovens acabem por conseguir resolver o problema. No exame, tudo é diferente. Fica a sugestão: "Se acham que estão a levar demasiado tempo com uma pergunta que não estão a conseguir responder, passem para outra, porque elas não têm todas o mesmo grau de dificuldade."
11. Não rever as respostas
É fundamental voltar a reler as respostas do exame para perceber se existe coerência no que foi exposto e poder detectar erros e falhas.
12. Não usar as tabelas
Textos, tabelas, gráficos e exemplos não servem para embelezar o exame, diz Paula Gonçalves. Muitos alunos ignoram o recurso a estes documentos de apoio que constam de alguns enunciados e que muito podem valorizar uma resposta.

FONTE: Público e ainda "Em tempos de exames o que se deve comer"

sábado, 25 de maio de 2013

Temperamento e caráter

 
 
O que é o temperamento?
 
São as qualidades inatas das pessoas. Todos nascemos possuindo uma forma de ser, um "jeitão", um modo de ser. Mesmo que duas pessoas sejam gêmeas, elas nunca serão iguais, pois apresentam diferenças de temperamento. Dentro do temperamento se incluem as qualidades inatas da personalidade, as aptidões e as limitações. Ele leva consigo a facilidade para fazer determinadas coisas e a dificuldade para realizar outras.
 
O que é o caráter?
 
São as qualidades e os defeitos que as pessoas adquirem ao longo da vida. O caráter vai moldando o temperamento. O temperamento é como a base da personalidade. O edifício é construído por meio do caráter. O caráter nos diz que podemos trabalhar a nossa personalidade tanto positivamente, adquirindo virtudes, quanto negativamente, adquirindo defeitos.
 
Dessa forma, todas as pessoas podem "trabalhar" sua personalidade.
 
Portanto, quando o marido, a esposa, o irmão, o filho dizem que são assim mesmo e nunca vão mudar, não é verdade. Todas as pessoas podem mudar, desde que queiram, desde que se disponham a mudar.
 
Claro que há algumas limitações nesse desejo de mudança. Vejamos algumas delas:
1) Limitações do temperamento
Por exemplo, a inteligência. Uma pessoa nasce com a capacidade intelectual que tem. Nunca será mais inteligente do que a sua capacidade. Poderá adquirir mais conhecimentos, mais sabedoria, treinar a memória, mas a sua capacidade intelectual permanecerá praticamente a mesma.
2) Tendências muito arraigadas do temperamento
 
Todo temperamento tem tendências mais arraigadas e menos arraigadas. As mais arraigadas são muito difíceis de mudar. Podemos trabalhar essas tendências, mas a vitória sobre elas é um processo lento. Por exemplo: uma pessoa que é, por temperamento, muito irascível, muito explosiva e tem esse traço muito arraigado em seu temperamento. Será difícil eliminar por completo essa tendência. Poderá melhorar razoavelmente, mas não será nada fácil.
 
Tirando as limitações do temperamento, que nunca serão eliminadas, e as suas tendências muito arraigadas, que podem ser mudadas lentamente, o resto podemos melhorar muito. Podemos adquirir muitas e muitas virtudes.

Paulo Ramalho

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ouvir e Dialogar

s índices de violência crescem de forma alarmante: a violência contra a mulher, contra o homem, contra as crianças. Calcula-se que já chega a 800.000 o número de crianças obrigadas a serem soldados e treinados para matar. O cidadão comum, que só participa na política quando chegam as eleições e é constantemente bombardeado através da televisão e imprensa com notícias de morte e violência de uns contra outros, sente-se imponente perante esta situação. Gostaria de “fazer alguma coisa” mas o quê?
A violência é como a água que desce por uma montanha. Começa como um pequeno riacho, mas à medida que vai encontrando mais água, vai tomando mais corpo, até ser um rio cuja força de arraste é imensa. A torrente é mais fácil de parar quando se coloca um dique no momento do nascimento. O mesmo acontece com a violência. Quantos conflitos que acabaram em sangue não teriam ocorrido se tivesse havido um esforço real para começar um primeiro diálogo! E para haver diálogo temos que educar o ser humano a ter uma atitude mais simples: temos que aprender a ouvir. Este dique pode ser pequeno… mas pode evitar cataratas de dor.
E isto sim pode fazer qualquer cidadão comum, não? Quando alguém é realmente ouvido, serena. Assim como dizem que a música amansa as feras, ouvir apazigua o coração humano, início de qualquer surto de violência. Temos que aprender a ouvir.
Como aprender a ouvir os outros? Primeiro é querer ouvir, mas mesmo tendo este desejo, há conselhos simples que se podem dar:
  • Acreditar que o outro pode dizer-nos algo que nos interesse e nos interesse muito. “A minha existência sem ti está vazia; fica comigo, fala-me sem palavras, fala-me sendo simplesmente tu”.
  • Procurar o outro , dar-lhe tempo, e tempo de qualidade. Dar-lhe espaço na agenda do nosso coração e depois transmitir-lhe com serenidade esta mensagem: “Tenho todo o tempo do Mundo para ti; não há pressas, eu quero estar contigo ”. Talvez não haja necessidade em dizer: a postura, os gestos do rosto; tudo lhe dá a entender que estamos felizes por ter tempo para ele.
  • Olhar o outro com gratidão sincera. É um olhar que recebe sem exigir nada, para que possamos fazer parte da sua vida nesse momento. É um olhar que não julga e que diz “digas-me o que disseres, para mim é importante porque é importante pra ti”.
  • Perguntar com interesse sincero, chegando a sentir pela resposta muito mais que curiosidade, mas uma verdadeira preocupação. Perguntar com carinho e inteligência, vivendo interiormente o seu drama, a sua alegria, o seu entusiasmo ou o seu lamento.
  • Dar confiança e ajudar para que o outro expresse os seus sentimentos, sem vergonha e com a certeza de que não vai ser julgado: expressar o medo, a insegurança, o entusiamo secreto… Quantas vezes esses sentimentos alimentam a alma como um balão de gás que chega a explodir em forma de agressão quase inconsciente!
  • Valorizar o outro na sua totalidade: a sua pessoa, as suas respostas, as suas ideias fantásticas, a sua forma diferente de ver a vida, as suas decisões, os seus gostos originais… Quem assim valorizamos e admiramos nunca será nosso inimigo. A admiração nasce de um olhar limpo que descobre o bom, o belo, o humano no outro e é capaz de… se assombrar
  • Agradecer , agradecer, agradecer a oportunidade de ouvir, de nos enriquecermos com o que disse. E fazê-lo com o coração. O agradecimento consegue-se pela humildade. Só quem se conhece é capaz de admirar o outro e valorizá-lo na sua justa medida.
Por que é que não começamos a ouvir já hoje e agora quem divide conosco o caminho da vida? Talvez ao nosso marido, homem de poucas palavras; ou à nossa mulher, que não para de falar; ou o nosso filho adolescente, que sente que é odiado pelo mundo inteiro… Se ouvirmos um pouco hoje, talvez dê coragem ao outro para optar também por ouvir.
Quando se ouve o outro, dá-se o primeiro passo para amar; e quando se ama alguém, com que gosto o ouvimos!
Nieves García
Daqui

quarta-feira, 8 de maio de 2013

8 razões para não ver pornografia


Trust me, you don’t want to look at pornography.
Preparing the final for my Mass Communications class, I thought I should share some of what we studied about one of the biggest players in the media today: pornography. Let’s count the reasons you don’t want to look at pornography.
1. You don’t want to be addicted.
A brief look, especially for guys, opens hormonal valves that make it hard to stop, because it dumps chemicals in your brain that demand more and more (the excellent “Fight the New Drug” website explains.)
Deciding to take a quick look at pornography is like deciding to open an airplane window for a second. To do so yanks you out of your world into its world.
2. You don’t want to support the pornography industry.
The pornography industry is an unhappy place. Look at the statistics: Women in pornography are much more likely to have been child victims of sex abuse and from foster care situations than the general population. They are more often depressed, more often in abusive relationships, more often the victims of sexual assault in adulthood, and more likely to be living in poverty.
“I work in this business and I know how many girls end up in the hospital suffering from brutal scenes,” wrote one man on an adult DVD industry website. “I know how many of these teenage girls have to go to an emergency room or a 24-hour clinic with chronic [e-coli-like] infections.”
Do you think it’s wrong for the industry to take advantage of people this way? Well, it’s just as wrong for you to take advantage of them through the industry.
3. You don’t want to kill your soul.
Let’s say it: Sin is a real thing, and it really kills your soul. “Mortal sin is a radical possibility of human freedom, as is love itself,” says the Catechism, No. 1861. “If it is not redeemed by repentance and God’s forgiveness, it causes exclusion from Christ’s kingdom and the eternal death of hell, for our freedom has the power to make choices for ever, with no turning back.”
For a sin to be mortal you need three things, says the Catechism: The act must be gravely wrong, and you must choose it with “full knowledge” and “complete consent.” Pornography is a “grave offense.” When you supply the other two conditions, it’s mortal.
4. You don’t want to be unable to form lasting bonds with real people.
Pornography users have a much harder time forming real, lasting, mutually satisfying bonds with real human beings. Patrick Fagan’s excellent research showed that.
As Pope John Paul put it, the opposite of love is use. To use another human being to please yourself is worse than hating them — and the more you use human beings to please yourself, the more incapable of love you become.
5. You don’t want to be creepy.
Men who are habitual users of pornography stop seeing people: They see parts. The pornography use trains them to think of people in a creepy way. They become creepy in ways that bother them, driving their self-esteem downward.
Davy Rothbart’s R-rated New York magazine piece demonstrates that.  The headline says it all about the porn addict: “He’s Just Not That Into Anyone.” But the quotes in it — for instance from John Mayer — make it clear that pornography brings people to a very creepy place.
6. Women, increasingly, hate it.
As Rothbart’s piece demonstrates, there may be a bit of a generation gap here — some women imitate pornography. Many also use it, as Patrick Fagan’s research points out. But in religious circles, a wife’s discovery that her spouse is using pornography is psychologically just as damaging as a wife’s discovery that her spouse is involved in an affair. Peter Kleponis, who works a lot with pornography addicts and assists dioceses in fighting the addiction, explained to me the “trust wound” they feel.
In Iceland, feminists are behind a push to ban online pornography and the sex industry. Feminist Gail Dines explains that especially now, pornography is far from empowering to women. Pornography increasingly is not about showing women enjoying themselves, but showing behaviors that are debasing; Gail Dines’ presentations are not for the weak-hearted.
7. You don’t want to change to suit your pornography habit.
Pornography draws users into stranger and stranger places, according to the studies Pat Fagan cites.  It also makes them less committed to their spouses, more likely to have lenient views of rape, and, as several news stories pointed out recently, makes them more open to redefining marriage.
It makes sense. As my students learn: We imitate what we see. And we are what we choose.
8. Pornography is the opposite of beauty.
Beauty is ennobling. It draws you toward goodness and truth. It inspires you to be better than you were, more loving, more caring. Pornography apes the appeal of beauty, but  — since its appeal is chemical, not spiritual — it twists it and warps it.
A friend of mine says it’s only a matter of time before the Left, which currently is accepting of pornography, turns against it. Oprah has. Salon, along with lots of pro-pornography articles, occasionally publishes pieces that ask questions like, “Did Porn Warp Me Forever?”
So, you don’t want to look at porn. You want to look at beauty. Here is a place to start: I consider this video (which includes a non-pornographic naked guy briefly) the very opposite of pornography. Let it teach you how to appreciate the vast wide world outside your computer screen.
For more information …
www.FighttheNewDrug.org is a great, dynamic site with lots of facts and testimonials.
Tom Hoopes

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Aprender a estudar

 
 
Saber estudar é fundamental para o percurso académico de todas as crianças e deve ser ensinado desde cedo. Em casa, os pais podem desempenhar um papel importante. Aqui ficam alguns conselhos úteis para pôr em prática no início deste ano escolar.




“Estudar, como se faz?”, “Valerá a pena aplicarmos os métodos do antigamente ou do agora é que é bom?”, “Até que ponto ajudar a estudar?”, “E em que condições: com a televisão aos berros ou em silêncio sepulcral?”… No prefácio do livro Ensina o teu filho a estudar, o pediatra Mário Cordeiro enumera uma série de questões que surgem necessariamente aos pais com filhos em idade escolar. Renato Paiva, o autor do livro, baseou-se na sua vasta experiência como formador e orientador escolar, para passar aos pais um conjunto de pistas e informações úteis, sobre um tema por vezes negligenciado, mas absolutamente necessário. Eis algumas das mais importantes.


  • Criar hábitos de estudo

Os alunos devem estudar com frequência e antecedência. Incite o seu filho a estudar com regularidade (o que permite ir acompanhando a matéria, não a deixando acumular) e de forma atempada, possibilitando reforços de aprendizagem e esclarecimento de dúvidas. Renato Paiva alerta: “Não obrigue o seu filho a estudar. Incentive-o a estudar. Demonstre-lhe que o estudo faz parte de ser estudante e que contribui para o seu sucesso”. No entanto, não é possível que os alunos estudem apenas quando lhes apetece, por isso a criação de uma rotina de estudo é fundamental. É comum ouvirem-se os alunos dizer: “Esta semana não preciso de estudar porque não tenho testes”. “Um tremendo engano!”, na opinião deste pedagogo. “É precisamente nessas alturas que o estudo se torna mais produtivo”.



  • Planear e diversificar

Evite que o seu filho estude apenas aquilo de que gosta. Deve estudar de forma equilibrada as diferentes disciplinas e não estudar de seguida temáticas semelhantes, como duas línguas ou Matemática logo após Físico-Química, ou História a seguir a Geografia. Diferentes disciplinas privilegiam diferentes estratégias, fazendo com que o estudo não seja tão monótono. O aluno deve iniciar o estudo pelas matérias nas quais sente uma dificuldade intermédia, seguidas das mais difíceis e terminar com as mais fáceis.

Saber estudar implica saber parar. Faça com que o seu filho dedique cerca de um terço do tempo para descansar. Cerca de 15 minutos por cada 45, é o ideal. Nesse descanso, deixe-o fazer o que lhe apetecer. Repartir o esforço por vários momentos traz melhores resultados.



  • Ler, explicar e praticar

Estudar é muito mais do que ler e memorizar! Numa primeira fase, o aluno de facto deve ler com atenção as fontes de informação, sublinhando o que lhe parece ser mais importante. Mas, de seguida, é muito importante que reproduza a matéria por palavras suas. Que faça resumos, apontamentos, esquemas, simule que é o professor e explique a matéria a alguém. “A melhor maneira de aprender é ensinar”, defende Renato Paiva. E ilustra o papel que os pais podem aqui assumir: “Verificarem se falta informação, fazerem algumas perguntas para perceberem se a criança consegue explicar, pedirem pormenores e exemplos, ou mesmo dizerem que não perceberam para que o filho seja mais explícito ou tente uma diferente explicação”. Numa terceira fase, o estudo implica a realização de muitos exercícios, para o aluno conseguir demonstrar o que sabe e para tomar contacto com diferentes tipos de perguntas que lhe podem ser colocadas. Em termos de alocação do esforço do aluno, é aconselhada a regra 20-40-40: 20% para apreensão de conhecimentos, 40% para a concretização por palavras suas do que aprendeu, 40% para a resolução de exercícios.



  • Local de estudo

Além de ser muito importante, o ambiente de estudo é um dos fatores que os pais mais podem influenciar. O local escolhido deve ser calmo, com boa luminosidade, temperatura agradável e boa ventilação, ter espaço suficiente para todo o material necessário e ser livre de ruídos perturbadores. A evitar locais de passagem, onde possa ser interrompido constantemente. Renato Paiva é perentório: “Música e televisão só causam distração! E evitem que os alunos estudem com o telemóvel ao pé. As solicitações permanentes, como os SMS, perturbam, causam paragens e desvios de atenção”. E até deixa algumas dicas de iluminação e ergonomia, como colocar um foco de luz do lado oposto à mão com que o aluno escreve, para que não provoque sombra sobre o que está a escrever. Este pequeno pormenor evita esforços suplementares que podem provocar cansaço e até dores de cabeça. Quanto à posição relativa entre a mesa e a cadeira, deve permitir que o aluno tenha o tronco direito, os pés apoiados no chão e que tenha um encosto para uma postura correta e confortável
 
Fonte: Pais e Filhos

terça-feira, 26 de março de 2013

O valor da paciência

Para ser sincero, há momentos em que a minha admiração converge toda para a impaciência. Por alguma razão, a mim misteriosa, nunca me pareceu um peso lidar com os impacientes (fossem os outros ou eu próprio). Facilmente se ativa o meu humor perante alguém que ferve em menos água do que aquela que tem um oceano. E, da mesma maneira que me comove a reverência verdadeira, admiro os irreverentes, aprendo com os que se empenham em contrariar indefinidas esperas, agradeço aos que sacodem a estabilidade preguiçosa dos nossos tiques, procuro balançar os motivos dos que dizem “não estou para isso”.
Contudo, acho que descubro sempre mais que a paciência é uma preciosa estação interior na qual todos precisamos maturar.
Quando penso na paciência, ancoro muitas vezes na imagem da semente, no desprendimento e na lentidão da semente que aceita a escuridão da terra como condição para florescer. Tanto os que semeiam os campos, como os que depositam sementes nos corações, deveriam primeiro ter formado a alma na paciência. Pois a paciência, ao revelar o escondido processo de germinação da vida, também torna claro que é essa a única forma de cuidar bem dela, de a entender até ao fim, de acompanhá-la, passo a passo, com esperança.
É curiosa a etimologia da nossa palavra “paciência”. Deriva de “passio”, isto é, paixão, no sentido de coisa a suportar, a padecer ou no sentido de resistir.
A paciência faz-nos mergulhar, como se vê, no âmago da vida. Deve, é claro, ser ensinada às crianças, mas é uma tarefa para ser levada a cabo por um coração adulto.
A paciência pede que apreendamos a complexidade de que somos tecidos, que nos debrucemos sobre esta íntima narrativa tecida de esforço e de graça, de sede e de água, de noite e de riso. Não nos deixa esbracejar à tona do tempo, num simplismo atropelado e ofegante.
A paciência pede e dá-nos tempo, dilatando as provisórias metas e juízos que equivocadamente erigimos em absolutos.
Há uma harmonia secreta, há um suculento sabor que só colhe da vida aquele que abraça com confiança a demora, a lentidão e a espera. São estas frequentemente as ferramentas da paciência, os instrumentos com que ela transforma a nossa agitação epidérmica em expectação serena e criativa.
No fundo, a paciência prova-nos como se provam os metais de valor, averiguando o seu (o nosso) grau de autenticidade. 
 
 
José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira)
15.02.11