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sábado, 21 de março de 2015

Pais querem que professores “puxem” pelos seus filhos com trissomia 21

 
 
Há crianças e jovens com trissomia 21 a quem, nas escolas, não é pedido que façam trabalhos de casa e que não recebem qualquer reparo por não os fazer, alguns não têm cadernos, não fazem testes. O grupo Pais 21 diz que nas salas de aula os seus filhos são muitas vezes “invisíveis”. Lançaram esta sexta-feira, Dia Internacional da Trissomia 21, uma campanha nacional de sensibilização em que pedem aos professores que “puxem” por eles.
“Dantes estas crianças não iam à escola, depois passaram a ir, para estarem socialmente incluídas. E agora? Eles também aprendem”. “Se não aprenderem a ler, escrever, contar estão-se a criar jovens que vão ser subsidiodependentes”, diz Marcelina Souschek, uma das fundadoras deste grupo de pais, amigos e técnicos criado em 2008.
"Leonor, 11 anos, aluna com trissomia 21. Obrigada professora por puxar por mim”, lê-se num dos mupies que vai estar espalhado por Lisboa e Porto, acompanhado com anúncios televisivos e radiofónicos.
A iniciativa do Pais 21 acontece porque muitos  pais sentem que, muitas vezes, os seus filhos “estão nas salas de aula mas não estão lá a fazer nada”, explica a responsável. “O professor tem muitos outros alunos, este não incomoda, não diz nada, fica ali. É um aluno invisível”. É preciso que digam, tal como fazem com os outros, “já fizeste a ficha? Já acabaste? Fizeste os trabalhos de casa. Se não fez tem de se assinalar”.
Dá o exemplo de técnicas que podem ser adaptadas a estas crianças.  Um exemplo: em vez de os deixarem sem fazer testes, podem antes dar-lhes testes em que os conhecimentos são avaliados com o preenchimento de cruzes em vez de ser por extenso. “É preciso ir além do diagnóstico e dar oportunidades de eles mostrarem as suas capacidades, de serem exigentes com eles.  Para que a criança saiba que tem de levar aquilo a sério”. “Não é possível deixar a criança com trissomia a 21 sem aprender, sem caderno, sem livro, sem trabalhos de casa “.
Marcelina Souschek, mãe de uma menina de trissomia 21 com 12 anos, diz que “nas escolas há um avanço enorme, de adaptação, com o uso técnicas que permitem que eles acompanham as matérias”, mas “é preciso muito mais”. Por exemplo, o que acontece em algumas escolas é que os professores de educação especial apenas “tiram o miúdo da sala 1 a 2 horas por semana”, em vez de dotar os outros professores de estratégias para chegar a estas crianças e jovens. O espírito que prevalece é muitas vezes o “não vale a pena”
A campanha nacional também será acompanhada pelo lançamento de um livro Bebés com Trissomia 21 – Novo Guia para Pais, um livro que já era oferecido em inglês num kit com informações que a Pais 21 oferecia nas maternidades às mães com crianças com esta deficiência e que agora está à venda traduzido para português.
Marcelina Souschek diz que não se sabe ao certo quantas crianças com trissomia 21 existem em Portugal, mas que “são cada vez menos”. Tendo por base a distribuição de kits no ano passado estima que nasçam no país uns 90 meninos com este problema. Calcula que 90% das grávidas que fazem diagnóstico pré-natal e a quem é detectado esta anomalia façam Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).
“Não aponto o dedo a ninguém”, mas diz que “há uma pressão dos profissionais de saúde, empurram para a IVG”. Quando teve a sua filha Vera, os testes não revelaram qualquer risco de trissomia 21. “Chorei muito quando a minha filha nasceu”. Não sabe o que teria feito na altura se tivesse sabido que ia ter um bebé com este problema. A responsável diz que a Pais 21 “não quer iniciar uma discussão sobre o aborto. O que defendemos é que as pessoas sejam conscientes na sua decisão”. É preciso que percebam que “eles crescem, aprendem, conseguem ser autónomos, são mais-valias. Vale a pena”
 

sábado, 15 de novembro de 2014

Dignidade da Vida versus Qualidade de Vida by P.Francisco

 
 
O Papa disse este sábado no Vaticano que o aborto, a eutanásia e a “produção” de filhos mostram uma “falsa compaixão” que põe em causa a dignidade da pessoa, pedindo que nenhum ser humana seja uma “cobaia”.
 
“O pensamento dominante propõe, por vezes, uma falsa compaixão, a que considera como ajuda à mulher favorecer o aborto, como um ato de dignidade procurar a eutanásia ou como conquista científica ‘produzir’ um filho”, disse, num discurso proferido durante a audiência que concedeu à Associação de Médicos Católicos Italianos.
 
Francisco criticou também a utilização de vidas humanas “como cobaias de laboratório para, supostamente, salvar outras”.
 
O Papa explicou que desde os tempos de sacerdote ouviu várias objeções sobre o aborto, considerando que não se está diante de um “problema religioso” ou “muito menos filosófico”.
“É um problema científico, porque ali está uma vida humana e não é lícito deixar fora uma vida humana para resolver um problema. ‘Mas não, o pensamento moderno…’
Ouçam, no pensamento antigo, no pensamento moderno, a palavra matar significa o mesmo”, assinalou, num tom coloquial.
Segundo Francisco, o mesmo princípio se aplica à eutanásia, incluindo a “eutanásia “escondida” que se dirige aos idosos. “Também existe a outra [eutanásia], não? Isso é dizer a Deus: ‘Não, o fim da vida sou eu que decido, como eu quiser. É um pecado contra Deus criador: pensai bem nisso”, advertiu.
 
O Papa observou que para muitos a qualidade de vida está ligada, sobretudo, “às posses económicas, ao bem-estar, à beleza e ao gozo da vida física, esquecendo outras dimensões mais profundas da existência”.
 
Francisco sublinhou que à luz da fé e da razão “a vida humana é sempre sagrada” e tem sempre “qualidade”.
 
A intervenção encorajou a ação dos médicos católicos, em “fidelidade ao Evangelho da vida” e ao seu respeito “como dom de Deus”, o que exige por vezes “escolhas contracorrente e corajosas” que podem chegar à “objeção de consciência”.
 
Falando de improviso, o Papa alertou para o perigo de “experimentar com a vida”, de “fazer filhos em vez de os acolher como dom”, de “jogar com a vida”.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Lealdade e fidelidade

Ao longo de séculos empresas e instituições viveram de um património de lealdade que era produzido pelos valores, pelo esforço e pelo modo de fazer de famílias, igrejas e comunidades; e era alimentado pelas grandes narrativas, da arte e da literatura. Nas últimas décadas deixámos de produzir intencionalmente estes valores e modos de fazer; mas a necessidade de lealdade continua a existir e aumenta.
Há alguns decénios, então, pensou-se ser possível substituir a lealdade por incentivos, pagando e controlando trabalhadores e dirigentes; esperava-se com isso torná-los «leais» quando «não há ninguém em casa» (Génesis 39,11) a ver e a controlar. Pena é que  – estamos a verificá-lo – esta substituição só funciona para as coisas simples; mas é nociva quando se trata de gerir situações importantes e críticas. Uma fragilidade radical do nosso sistema económico-social deriva de uma grave carência da virtude da lealdade; seria já um grande passo se tomássemos coletivamente consciência desse facto.
(...)A lealdade (...) tem sempre um custo e traduz-se frequentemente em "não fazer
"; o que é também motivo para que seja difícil de ver.
Sendo a lealdade virtude silenciosa e invisível na sua parte mais profunda e verdadeira, não pode então contar com os típicos prémios e aplausos que sustentam e reforçam muitas virtudes "públicas". A recompensa pelos custos enfrentados para ser e permanecer leal é totalmente intrínseca; por isso, quem não tiver vida interior de onde brota a única recompensa não poderá tornar-se ou continuar a ser leal. Para que o mundo e as instituições de amanhã sejam mais leais, é necessário suscitar uma nova corrente de vida interior e de espiritualidade. Sem lealdade ninguém pode manter-se fiel: a pactos e promessas primários da vida, antes de mais; mas tampouco a contratos, logo a seguir.
Por fim, como a lealdade, por sua natureza, é dificilmente observável, então no mundo em geral e nas pessoas que nos querem bem existe muito mais lealdade de quanta somos capazes de ver. Se pudéssemos olhar mais em profundidade, os nossos amigos, esposas, maridos haveríamos de descobrir como por detrás do seu amor fiel e dos seus olhos bons se escondem, invisíveis e silenciosos, muitos atos de lealdade que deram fundamento sólido a estes relacionamentos fortes.
Esta lealdade-fidelidade decisiva oferecemo-la reciprocamente nos últimos instantes da vida, como a herança mais preciosa que deixamos; outras formas, talvez ainda mais belas e certamente mais dolorosas, não podem ou não conseguem ser contadas e morrem connosco; mas todas dão muito fruto e tornam mais belo e digno o mundo em que vivemos.

Luigino Bruni 
In Avvenire, 29.6.2014 
Trad.: P. António Bacelar, José Alberto BF 
Publicado em 08.10.2014 em SNP Cultura
 
 

domingo, 5 de outubro de 2014

A alegria do dom da vida



“A alegria do dom da vida”: esse é o segredo, e essa é a descoberta que nem todos, infelizmente, têm a possibilidade de fazer…

É que muitas vezes levam-nos a confundir a alegria com a gargalhada e a distração, senão mesmo com a inconsciência. Basta ver um pouco daquilo que é a Lisboa nocturna do fim de semana – e damo-nos conta dela quando, na manhã seguinte, acordamos e saímos antes dos carros do lixo passarem, e vemos no chão os copos e garrafas, senão mesmo alguém que por ali ficou, não por ter falta de tecto mas simplesmente porque não foi capaz de se erguer para regressar. E dizem que isso é fruto da alegria de viver…

Incapazes de enfrentar a vida com as dificuldades e sofrimentos que ela sempre traz, procuramos tantas vezes esquecer, voltar-lhe as costas, viver num mundo que alguém ou nós próprios imaginámos, criámos, numas horas de inconsciência vazia.

Isto para já não falar de tantos outros dramas que quase parecem não ter solução. E não terão nunca, enquanto aquele que os vive não descobrir que a vida é um dom, uma realidade que nos foi dada; melhor: uma realidade que nos é dada em cada momento que passa. Perceber que Deus não se limitou a criar-nos num qualquer dia longínquo, mas que, mesmo no meio do sofrimento, o seu amor por nós é eterno e concreto, infinito.

É essa vida que nos é dada, cheia de sentido a ser descoberto e partilhado – sentido para nós, para os outros e com todos – que vale a pena ser vivida, bem vivida até ao fim. Num caminho cada dia mais intenso. É por ela e nela que vale a pena caminhar.
D.Nuno Brás

 in Voz da Verdade

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O indíviduo está permanentemente a ser julgado




Numa sala cheia de ouvintes, um grande orador fazia questão de repetir mais que uma vez: “Não é à toa que nós nascemos chorando, é porque sabemos a “barra” que vamos enfrentar na vida. Aqui temos momentos felizes e momentos menos felizes, como se fosse uma montanha russa. Momentos em que estamos muito bem e outros em que não estamos por isso temos que pensar que quando estamos mal vai melhorar, assim como se tiver muito bem não vai demorar muito tempo porque passará a estar mal”. É importante que se saiba como resistir nos momentos menos bons que segundo William “ao que tudo indica, o sucesso é apenas uma questão de continuar a andar quando os outros desistiram”.

Para se chegar ao topo da escada é necessário subir degrau a degrau com cuidado não vá um deles partir-se e provocar a inevitável queda. Caso isso aconteça só restam duas hipóteses: desistir ou voltar a subir. E aqui reside a diferença enquanto uns recomeçam com a mesma motivação, outros simplesmente desistem.

Eis a história de um Delegado de Informação Médica que vivia no Brasil mas queria ir trabalhar para os Estados Unidos. Para ocupar o cargo teve que se submeter a oito entrevistas mas todas com sucesso. Só lhe faltava a última que iria ser feita pelo Presidente que vinha de prepósito de outro país.

Eis que chegou o grande dia como tal teve o cuidado de vestir a melhor camisa, o melhor fato, a melhor gravata, os melhores sapatos, enfim, tudo perfeito para finalmente atingir o seu grande sonho. Quando chegou junto do prédio onde ia ser entrevistado, ao estacionar o seu carro, outro condutor estacionou e ele abriu o vidro e fez um gesto menos correto.

Depois de estacionar apresentou-se junto da administrativa para a entrevista e aguardou pela hora marcada. Ao entrar na sala acompanhado da mesma imagine-se quem estava do outro lado da secretária?! O Presidente da empresa, aquele a quem ele tinha acenado com o tal gesto. Resultado, não foi admitido e desenvolveu um cancro de estomago acabando por morrer pouco tempo depois.

Ele ficou muito mal porque era o seu grande sonho e fez tudo para o conseguir, só faltava aquela entrevista e por causa de um simples gesto foi embora. Levou oito segundos para destruir aquilo que tinha conseguido em oito anos.

Este é um dos muitos casos que acontece diariamente. Os indivíduos têm determinadas atitudes perante os outros porque pensam estar num patamar mais acima, e mesmo que estejam, esquecem que num instante podem descer e os outros passam por eles.

Ainda que não se aperceba o individuo está permanentemente a ser julgado pelo que faz, pelo que diz e como diz o que diz. Como o provérbio Chinês refere “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flexa lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

anabelaviegasconceicao@gmail.com

Psicóloga Clínica

 

 

 

 

 

domingo, 10 de agosto de 2014

A crise mundial atual e o distributismo


Quando se fala em propriedade privada vêm-me logo à cabeça 2 formas diferentes de a encarar : o comunismo e o capitalismo. Na primeira, não há propriedade privada e tudo é de todos. Na segunda , o mercado e a lei dos mais fortes prevalecem numa atitude de puro individualismo egoísta. Ambas falharam. Mas nunca a obsessão pela propriedade esteve tão na ordem do dia, sobretudo se olharmos para a origem de uma parte significativa dos conflitos em tribunal, no Médio Oriente ou no leste da Ucrânia. Em todos eles verifica-se um denominador comum: o da a ganância pelo domínio e pela propriedade.

No passado dia 5 de Agosto, o Patriarca Caldeu do Iraque, numa carta desesperada dirigida ao mundo, a propósito do avanço dos selvagens extremistas islâmicos dizia o seguinte " Há que destacar que a motivação para todas estas matanças é a luxúria por tudo quanto existe no subsolo, tal como o petróleo e o gás”.

 
No estado da evolução humana, já devíamos estar há muito na posição da supremacia e instrumentalização da propriedade a favor da humanidade e não à patética e cretina situação da supremcia e instrumentização da humanidade em função da propriedade.

Vale a pena matar crianças e semear a morte e a destruição por dinheiro ?

As empresas que lucram com o comércio internacional de armas, extracção de  petróleo e gás e que manipulam e financiam o terrorismo religioso com vista à sua especulação mercantil acham que si.

Não sejamos hipócrita, o dinheiro, a produção de riqueza e o bem estar não são só, de per si, maus. O que é mau é a forma gananciosa como os proprietários gerem os seus bens. E é triste ver que até mesmo os jovens ou as pessoas mais humildes, quando têm algum dinheiro, torram-no rapidamente em futilidades consumistas e isto já para não falar nos comunistas burgueses ou na chamada “esquerda caviar” dos que defendem os ideais de Marx e Engels mas depois actuam como capitalistas da pior espécie.

Há, porém, alternativas a estas visões extremas de ver a propriedade. Dessas destaco a da chamada função social da propriedade privada e o distributismo. Em ambas defende-se o direito à propriedade privada e à livre iniciativa, mas defende-se também que a propriedade privada deve estar, sempre que possível, ao serviço da comunidade.

Com diz  Miguel Nogueira de Brito, no seu livro "Propriedade privada: Entre o privilégio e a liberdade", da colecção "Ensaios da Fundação" Francisco Manuel dos Santos "(...)o princípio da comunidade corresponde ao ponto a partir do qual a função social da propriedade deixa de incumbir ao legislador e passa a constituir um imperativo ético individual" (Pág. 128).

Por esta via, qualquer pessoa que tenha dinheiro, casas, carros, etc.. deve colocá-los ao serviço de colegas, amigos e vizinhos que, por motivo de contexto pessoal, profissional ou familiar não o têm. Isto pressupõe um enorme sentimento de desprendimento que é muito raro encontrar.

Já o distributismo, tendo a mesma raíz da função social da propriedade privada, vai mais longe e defende a sua adopção como sistema económico global, mas parte também da constatação de que tem sido a ganância pelos bens materiais que, ao longo da história, tem vindo a destruir famílias tanto nos tribunais como nos campos de batalha. Não deixa de ser significativo que um dos seus arautos G.K. Chesterton tenha escrito um livro denominado “What’s wrong with the world”.

Uma coisa é certa, há que promover uma revolução que passe 1º por uma mudança de mentalidades. Poderá demorar gerações, mas há que começar já !

domingo, 3 de agosto de 2014

Pais pagam a mãe de aluguer mas escolhem filho sem defeito

Escabroso o que dá as "barrigas de aluguer". É como ir ao supermercado e fazer escolhas à "la carte"...



Aqui

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Fui à pesca !!!!

(…) O melhor é ficar por aqui, pegar no que resta da nossa sanidade mental e ir pescar, desaparecer, física ou mentalmente, e não ser visto durante um par de dias ou semanas. Pode ser que se encontre alguma sereia e se possa ‘sushializar’, criando uma nova geração de contribuintes já preparados para serem taxados ao abrigo do novo regime contributivo para a economia do marPOR NUNO GASPAR OLIVEIRA
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Nuno Gaspar Oliveira
Doutorando em Gestão Estratégica
para a Sustentabilidade,
Instituto Superior Técnico
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Nos bons velhos tempos dos negócios unipessoais em pequenas cidades de província (como os tempos mudam…), os proprietários davam-se ao luxo de, quando a coisa estava muito parada ou lhes apetecia ir arejar, fechar a porta por um dia (ou dois, ou três…) colocar um cartaz a dizer simplesmente “volto em breve” ou então, a fabulosa indicação de “fui pescar”. Nem sempre iam mesmo, mesmo pescar mas, para todos os efeitos, é como se fossem, iam espairecer, tratar de qualquer assunto pessoal ou, simplesmente, abandonar a realidade por umas horas, quiçá mais. 
Hoje a pesca é outra, a procura da alienação de uma vida que nem sempre faz (qualquer) sentido e a partida em busca de uma realidade alternativa nem sempre se dá com uma cana de pesca e um balde de isco nas mãos, rumo a uma escarpa solitária para lutar com sargos e robalos. Muita gente está cá mas não “está cá”. Vivem numa espécie de limbo absentista presencial. Depois de um período que parece infindável de austeridade depressiva e, segundo diz a boa gente do FMI e Comissão Europeia, desnecessária, abusiva, desumana, inconsequente e profundamente demagógica, muita gente ficou à deriva, sem porto de abrigo, fustigada por ventos de incerteza e marés de angústia. Mas nem a pescar uma pessoa está sossegada. Ao que parece agora além de taxas e contribuições extraordinárias e sustentavelmente solidárias e uma brutal dose de impostos directos, indirectos e mais ou menos explícitos, temos mais um dever para com a nação que mais parece uma daquelas casquinhas de noz sempre à beira de tombar do convés e mergulhar no abismo azul. Diz que temos que ter filhos, mais e em boas condições, de preferência. Diz que é preciso aumentar a natalidade, que somos poucos, que não vai haver quem pague a nossa reforma, que isto assim é uma desgraça e que filhos é alegria, muitos e sorridentes, com ou sem dentes, de crescimento rápido e viçoso tipo eucalipto. 
Não interessa se os pais e avós daqueles a quem agora se implora que desatem a procriar foram esmagados, enganados e se sentem incapazes de ajudar mais os jovens descendentes, quer financeiramente, quer porque ainda tem mais 5 ou 6 anos de trabalho pela frente e não podem ajudar a tomar conta da criança.

Não interessa que a geração mais qualificada de sempre tenha sido apelidada de lamurienta e lhes tenha sido dito claramente “emigrem!” e se tenham exportado mais de 300 mil jovens ‘reprodutores’. 
Não interessa que um casal com idades à volta dos 40 anos e com dois filhos e rendimentos mensais sofríveis tenha perdido violentamente parte do seu poder de compra e tenha que pagar IRS na casa das centenas ou milhares de euros, sendo incapaz de poupar. Não interessa que milhares de jovens a entrarem na casa dos 30 não tenham a mais pequena possibilidade (ou desejo….) de constituir família sem correrem o risco de ficarem endividados por 40 ou 50 anos, quando as perspectivas de emprego são débeis. 
Não interessa. Estamos em perigo, o sistema precisa de vocês. Crescei e multiplicai-vos. Se fossemos peixes ao menos podíamos desovar uns 100 ou 200 de uma vez, e mesmo com uma taxa de sobrevivência na ordem dos 15-20% a coisa compunha-se em meia dúzia de anos. Mas não, logo por azar não só somos humanos como somos pessoas. Pior, cidadãos! E já estou a imaginar Barry White a tocar nas repartições da segurança social para o pessoal se inspirar enquanto aguarda horas na fila a ver se consegue manter a sua única fonte de rendimentos, ou a servirem as refeições nas cantinas universitárias com um pouco de extra malagueta para aquecer o sangue jovem, ou quiçá, a baixar o IVA dos motéis de beira de estrada e das ‘lojas de malandrices’. E, como coelhos (má analogia…), rapidamente encheríamos novamente o território de jovens e saltitantes crias. 
O território todo?
Não, há uma enorme faixa do país que resiste cada vez mais ao invasor, chama-se ‘interior’ e não é povoada por gauleses irredutíveis, mas sim, despovoada de creches, escolas, centros de saúde, hospitais, empresas e, cada vez mais, de gente com esperança. O que me parece realmente uma falta de visão dos ‘lamurientos’, com tanto município a dar 500€ ou até 1000€ por cada recém-nascido, o que cobre logo os custos dos primeiros 3 ou 4 anos de cuidados, não se percebe por que não há mais casais a migrar para o nordeste trasmontano, o baixo Guadiana ou o pinhal interior. Não se percebe. Se calhar, é porque não tem dinheiro para as portagens e a gasolina para lá chegar…
Então, o melhor é ficar por aqui, pegar no que resta da nossa sanidade mental e ir pescar, desaparecer, física ou mentalmente, e não ser visto durante um par de dias ou semanas. Pode ser que encontrem alguma sereia e possam ‘sushializar’, criando uma nova geração de contribuintes já preparados para serem taxados ao abrigo do novo regime contributivo para a economia do mar. 
Que os ventos mudem e se renovem as marés, até breve.
Gone fishing!
Nuno Gaspar de Oliveira
(Pescador de sonhos)
 
Fonte: VER

sábado, 26 de julho de 2014

Famílias monoparentais afectam desenvolvimento das crianças

 
 
ROMA, 17 de Julho de 2014 (Zenit.org) - Um novo relatório prevê que, em 2020, metade dos jovens de 16 anos da Grã-Bretanha terão famílias monoparentais. 
O estudo "Breakthrough Britain 2015", descobriu que, mesmo hoje, apenas 57 por cento dos adolescentes vivem com o pai.
O relatório acrescenta ainda, conforme a suposição comum, que as crianças cujos pais são separados têm significativamente mais probabilidade de falhar na escola, têm baixa auto-estima, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades de comportamento e ansiedade ou depressão. A notícia foi publicada esta semana no Daily Telegraph.
"Por muito tempo neste país a desagregação da família tem sido incontestada - apesar do impacto devastador sobre a adultos, crianças e comunidades", disse Christian Guy, diretor do Centro para a Justiça Social, que realizou o estudo.
A Dra. Samantha Callan, uma das co-autoras do relatório, disse que a "norma social" de ter filhos fora do casamento precisa mudar a fim de reverter o número crescente de famílias sem pais. "Existe uma visão predominante na sociedade que, quando as coisas não vão bem em um relacionamento, isso significa que o fim está próximo", disse ela. "Mas todos os relacionamentos estão sob pressão; você precisa ter um compromisso como o casamento para que você saiba que não vai fugir".

Exemplo da aberração que são as "Barrigas de Aluguer"

 
 
A Ana e a Tatiana são filhas do Sr. Pedro e da D. Odete. Duas irmãs muito amigas. A Ana casou-se e, passado algum tempo, teve um problema de saúde e, na cirurgia, retirou o útero. O João, seu marido, tinha pena de não ter um filho, mas depois da doença da Ana estava conformado. A vida realizava-se de muitas outras formas.
Porém, a lei da “gestação de substituição” foi aprovada e a Tatiana estava solteira, não pensava casar-se, e tinha 38 anos. Foram os pais Odete e Pedro quem sugeriu à Tatiana que num acto de generosidade se oferecesse à irmã e ao cunhado para lhes gerar um filho. A Tatiana primeiro disse que não. Mas, após as conversas dos pais (de que fugia), começou a pensar que esta sua recusa era um egoísmo. Afinal, ser “mãe portadora” seria um altruísmo. E nove meses até passam depressa. Além disso, fazia a experiência da maternidade... por nove meses. Nesse seu “voluntarismo” ofereceu-se à irmã, que também já tinha colocado essa hipótese. Iniciaram então o processo de fecundação.
A Ana foi submetida a estimulação hormonal ovária durante alguns meses, e o João foi várias vezes à clínica para recolha de sémen. O João quis desistir deste processo tão violentador da intimidade do casal. Mas não falava, para não magoar a Ana. Após várias penosas tentativas falhadas, como aliás é normal nestes processos de PMA [procriação medicamente assistida], um embrião foi finalmente implantado no útero da Tatiana.
A Tatiana, embora inicialmente sentisse que tudo lhe era estranho, a certa altura (a partir das seis ou sete semanas) começou a ter vómitos, muito sono e o corpo a modificar-se. Ia ao médico com a irmã e o cunhado. Vibrava com cada ecografia que ia fazendo. Mas ao olhar para a cara da Ana via nela uma tristeza que não sabia explicar. A protagonista era a Tatiana. A Ana era a espectadora e expectante da maternidade... A Tatiana fazia a medicação recomendada, aguentava as constipações sem “aspirina”, tinha a pele com manchas...
A dada altura, feito um exame colocou-se a hipótese de o bebé ter uma malformação congénita muito incapacitante. A Ana e o João disseram “se o médico recomenda a IVG [interrupção voluntária da gravidez], o melhor é seguir o conselho de quem sabe...” A Tatiana durante uns dias não foi vista, nem atendeu o telemóvel. E, quando confrontada, disse: “Eu não sou capaz de fazer mal a este bebé, seja o que for, virá!” A discussão foi acesa, porque o João e a Ana diziam que aquele bebé era fruto do sémen e do óvulo deles e não pertencia à Tatiana. Foram dias muito duros de desentendimento entre as duas irmãs, que tinham sido tão amigas. E, discussões entre a Ana e o João que imputavam um ao outro esta situação. Os avós (do bebé) choravam amargamente a situação a que também tinham dado causa.
Valeu a toda esta situação uma boa notícia vinda com a repetição dos exames médicos – afinal o bebé não sofria do tal problema ou, se existisse, era curável.
Entretanto, a Tatiana nessas últimas semanas afeiçoou-se cada vez mais ao bebé que tinha dentro de si. Era a única que o defendia. Mas... tudo voltou ao previsto. O bebé seria da Ana e do João.
A Ana fazia o enxoval. E a Tatiana contava o que sentia – as modificações do seu corpo, os “desejos” de “beterraba” ou de “sardinhas”... Era sempre com a cara no chão que a Ana ouvia estes relatos. A  maternidade era da irmã e não sua.
A partir de certa altura, a Tatiana deixou de relatar os pontapés do bebé, o bebé que se mexe, os sonhos com o bebé, etc., etc. Deixou de se queixar das varizes nas pernas, das estrias na barriga, dos quilos que não controlava, etc., etc. Foi fazer ginástica para grávidas e, ali, junto das outras grávidas estava feliz, era a mãe daquele bebé, aqui partilhava esta sua nova vida.
O bebé nasceu. Era um belo rapaz – André, assim chamado.
A Tatiana tinha muito leite, mas a Ana e o João decidiram que o bebé não seria amamentado a peito. Agora, o André era deles. Só deles.
A Tatiana teve de “secar o leite” num processo clinicamente orientado. Com muitas dores (físicas e da alma) conseguiu livrar-se ao fim de dois meses de alguns caroços que ficaram no peito. Os (nove) quilos que lhe sobraram da gravidez exigiram longos meses de ginástica. E as estrias e as varizes que agora aos 39 anos tinha ficaram para toda a vida. Qual “coroa de glória” ou “fel de um acto” que chorava diariamente. O André era seu. Não o esquecia. De cada vez que olhava para um daqueles sinais (varizes, estrias, gordura) era o André que lhe vinha à cabeça. Corria para junto do sobrinho, mas a irmã hostilizava-a – “agora deixa-nos viver”.
O André não foi um bebé fácil. Noites difíceis, algumas doenças, médicos, banco de hospital, etc., etc. O João estava exausto. A mulher só tinha olhos para o filho. E ele, pai, cada vez mais cansado, foi-se afastando, até que quando o André tinha 15 meses o João pediu o divórcio. Afinal todos somos livres e tinha encontrado “outra pessoa”. Cumpriria com as suas obrigações de pai. Mas...
A Ana, agora divorciada, e afrontada pela presença da irmã que procurava o André, decidiu, ao fim de dois anos, emigrar para um país longe. Tinha o André quatro anos.
Foram reguladas as responsabilidades parentais e o menino vinha a Portugal no Verão, no Natal e na Páscoa. Nesses tempos, o André só queria estar com a tia e mal a via saltava-lhe para o colo, como não fazia com mais ninguém.
Foi sempre uma criança problemática, teve acompanhamento psicológico, pedopsiquiátrico, etc., etc. A adolescência foi muito revoltada com a mãe, com o mundo e com tudo o que o rodeava. A Tatiana ia sabendo das tristes notícias, com amargura.
Aos 18 anos, o André deixou a mãe no país estrangeiro e veio para Portugal, para casa dos avós maternos, para tentar acabar o secundário. Os avós, por vezes quando o olhavam, perguntavam – “Porque terão feito 'aquela lei'? Que drama nos bateu à porta? Quem imaginaria que as nossas duas filhas hoje não se possam ver? Porque está a Ana sozinha nos EUA, militante de uma ONG que 'luta contra as barrigas de aluguer e a favor dos direitos da mulher'?"
E o André cantava, de vez em quando, uma famosa cantiga de resistência ao Estado Novo, “Que eu nem sequer fui ouvido, no acto de que nasci”...

Artigo de Isilda Pegado, advogada, sobre Barrigas de Aluguer no Público 

 
 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Incentivar a natalidade e patrocinar o aborto ao mesmo tempo?



Três anos depois de ser eleito, e depois de ter criado uma “comissão para a natalidade”, o nosso governo percebeu o seguinte silogismo:

- O Estado social precisa de ser sustentado pelas novas gerações;
- A taxa de natalidade em Portugal é a mais baixa da Europa, cerca de 1,2 filhos por mulher em idade fértil (muito longe nível de substituição de 2,1);
- Se isto continua assim Portugal pode dizer adeus ao Estado social porque não vai haver ninguém para pagar as contas.

Mesmo que não fosse a coisa mais óbvia do mundo, este panorama já tinha sido anunciado há muito tempo, e repetido até à exaustão na campanha contra a legalização do aborto, em 2007.

Para tentar remediar esta previsível catástrofe, o governo deverá brindar os progenitores com uma vasta panóplia de (pequenas) vantagens económicas por gerarem descendência, esperando que sirvam como um incentivo à natalidade.

Qualquer incentivo fiscal que ajude as famílias, especialmente as que generosamente têm mais filhos, é de salutar. O problema é que estas medidas são “peaners”.

O desenvolvimento económico ocidental que nos acompanha, mais crise menos crise, desde o fim da segunda guerra mundial foi incentivando o consumo privado, privilegiando o “ter de ter”, o materialismo, o individualismo, em última análise o egoísmo.

Com o Maio de 68, e a “revolução sexual”, patrocinada pelo aparecimento da pílula anticoncepcional, sexo e casamento deixaram de andar juntos, passou a ser sempre que se quisesse, com quem se quisesse.

O casamento foi totalmente menosprezado e o seu valor diminuído, começando a entrar em crise, com cada vez menos pessoas a querer casar-se, e um aumento constante na taxa de divórcio. Generalizou-se o “viver junto” e a “união de facto”.

O aborto começou a ser visto como um direito, e legalizado praticamente em todos os países, onde se matam hoje em dia milhões de bebés por ano.

Os mesmos que atacaram o casamento até passar a ser visto como uma “tradição sem sentido” exigiram que duas pessoas do mesmo sexo se pudessem casar, dizendo que sem isso não haveria igualdade. Com um lobby poderosíssimo conseguiram o seu intento em tempo recorde, dando mais uma machadada na já frágil instituição casamento.

Isto tudo para dizer que a falta de filhos não existe por causa da crise, mas provém da mentalidade anti-família que se foi instalando na sociedade ocidental. Um dos grandes culpados pela propagação desta doutrina em Portugal foi o governo de José Sócrates, que conseguiu a proeza de legalizar o aborto, aprovar o divórcio-expresso e sem culpa, e o “casamento gay”.

Enquanto nada disto mudar, o governo bem pode arranjar umas promoções jeitosas, que vão apenas fazer ricochete e o problema de fundo irá continuar. É uma questão de mentalidade, de maneira de encarar a vida e o que andamos cá a fazer, e isso não se muda com descontos no IRS.

João Silveira
 

domingo, 20 de julho de 2014

Estar-se a "marimbar"



No atual contexto de crise que ainda vivemos, aqui no Algarve (e provavelmente em outras zonas do país) é chocante ver a quantidade de gente que se está a completamente a "marimbar" para quem passa mal.

Não falo só do abandono de idosos nos lares, sem visitas e sem que alguém da sua família mostre interesse e carinho. Falo também do alheamento da esmagadora maioria das pessoas, em particular, daquelas que, fruto do seu trabalho ou de heranças, têm mais possibilidades financeiras e mais poderiam ajudar quem mais sofre com o desemprego, a falta de comida para alimentar os filhos, de dinheiro para pagar rendas, a água, luz, uma botija de gás, etc.”O que é que interessa!” pensam aqueles a quem vida corre bem.

Não têm nada a ver com isso! Cada um que saiba de si! O Estado que se endivide mais para lhes dar subsídios e apoios! Uma parte da população são autênticos monstros indiferentes que só se preocupam com o seu umbiguinho, as suas viagens, o seu bem estar, os seus programinhas e o resto é lá com eles.

É engraçado que muitas  histórias de heróis e grandes façanhas, verdadeiras ou de ficção, começam com um dilema moral. Falam-nos de pessoas normais, objectivamente sem grandes meios humanos ou materiais que, a dada altura são "importunadas" por alguém com quem se cruzam e alguém que os desperta para desafios e realidades que até aí lhes eram completamente alheias. E estando numa situação acomodada, aburguesada, com projetos de bem estar e conforto são abanadas e atraídas a sair da sua concha. Alguém lhes atira um balde de água fria à cara e lhes pede que compliquem a sua vida, deixem de olhar só para o seu umbigo, os seus bens e os seus programas para se meterem em assuntos e pessoas que nada têm a ver com a sua vida: gente que não é da sua familia, nem sequer sua amiga ou do seu país ou região; gente que, pelas mais variadas razões, são oprimidas, passam mal e são vítimas de injustiça.

E este dilema moral está lá sempre presente: “borrifo-me ou preocupo-me” ?

Estou-me a lembrar dos Alentejanos que, em 1384, D.Nuno Alvares Pereira desesperadamente tentava convencer a participar na futura (e aparentemente suicida) batalha de Atoleiros, tendo inclusive apanhado alguns a meio da noite a desertar.

Estou-me a lembrar de Bilbo Baggins e do seu sobrinho Frodo que resistiram ao apelo de Gandalf e dos anões para viajarem a terras distantes e desconhecidas, quebrando o aparente ciclo de felicidade do Shire onde estavam comodamente instalados.

Estou-me a lembrar da estudante universitária norte americana Jean Donovan que, desafiada pelo capelão da sua Universidade, lançou-se no interior de El Salvador, acabando assassinada, em 1980, de forma brutal e que antes de partir para a América do Sul, perguntava-se a si mesmo “Porque é que eu não posso ser apenas uma insignificante dona de casa dos subúrbios ?”

Estou-me a lembrar do sr Scrooge  do “Conto de Natal” de Charles Dickens, o milionário ávaro, mal disposto contra o mundo e contra todos.

Infelizmente o que se vê à nossa roda, é a esmagadora maioria das pessoas metidas em si mesmas e nas suas coisas, querendo gozar tudo o que de bom a vida tem para dar, encolhendo apenas os braços pela má sorte de outras pessoas menos afortunadas. Alguns parece que querem levar o dinheiro para a cova. São casos quase patológicos.

Como diz o Papa Francisco "Ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências. Esta é uma desculpa frequente nos ambientes académicos, empresariais ou profissionais, e até mesmo eclesiais () Ninguém se pode sentir demitido da preocupação pelos pobres e pela justiça social” “Evangelii Gaudium 201”.
Menos indiferença, menos alheamento!
Quem mais tem, tem que se sentir responsabilizado !                                 

sábado, 5 de julho de 2014

Um saco de plástico vazio a voar errático ao sabor do vento

Uma tentação diária que nos afeta a todos
Um saco de plástico vazio a voar errático ao sabor do vento
Perder o norte, o sentido ou a motivação, ainda que por breves horas, minutos ou segundos com prejuízos para os outros e para nós próprios

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Empresas obrigam mulheres a não engravidar: outro tipo de aborto

 
Há empresas que estão a obrigar as suas funcionárias a assinar por escrito o compromisso de que não vão engravidar nos próximos cinco anos. A denúncia foi feita por Joaquim Azevedo, o líder da comissão multidisciplinar que o PSD encarregou de apresentar um plano de promoção da natalidade e cujas propostas deverão ser conhecidas no final deste mês. O professor universitário da Católica não revelou, no entanto, o nome de nenhuma das empresas que praticam este ilícito.
“É preciso criar condições aos empresários para que aqueles pelo menos se vão consciencializando que isto [promoção da natalidade] é importante e, sobretudo, para que os outros não coloquem obstáculos de monta, nomeadamente obrigando mulheres a assinar declarações de que não vão engravidar nos próximos cinco ou seis anos”, denunciou Joaquim Azevedo, numa entrevista à Antena 1. Questionado pela mesma rádio, um responsável da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego confirmou ter conhecimento de situações deste tipo mas alega não ter recebido quaisquer queixas formais.
As declarações do professor universitário surgem no mesmo dia da reunião dos grupos de trabalho da Comissão Permanente de Concertação Social sobre natalidade e conciliação da vida profissional e familiar que se realiza hoje, em Lisboa.
Também esta quarta-feira, no Parlamento, os Verdes vão apresentar um projecto de resolução em que recomenda ao Governo que garanta “com minucioso rigor que nenhuma mulher é despedida, estando grávida ou sendo puérpera”. A reposição dos níveis salariais, o reforço do abono de família e uma política que “gere gratuitidade de acesso para as crianças e jovens” na educação, saúde e transportes são outras das propostas dos Verdes.
Por seu turno, o projecto-lei do PCP que também será discutido esta tarde no Parlamento propõe igualmente a consagração na lei “e na contratação colectiva da salvaguarda de direitos laborais de trabalhadoras grávidas, puérperas e lactantes e a proibição de discriminações e penalizações laborais”.
No mesmo projecto, os comunistas propõem que a licença de parentalidade seja sempre paga a 100% da remuneração de referência, independentemente de a opção dos pais recair nos 150 ou nos 180 dias. Ao mesmo tempo, o PCP recomenda a criação de uma licença específica de prematuridade, com duração do período de internamento hospitalar do nasciturno, e que aos dez dias de licença obrigatória dos pais se somem 20 dias facultativos, em vez dos actuais dez. Tal faria com que o pai pudesse passar em casa o mês que se segue ao nascimento do filho.
Numa outra proposta que também vai ser discutida hoje, o PCP alarga as condições de acesso e atribuição do abono de família, recordando que em 2010, por causa das alterações então efectuadas nos escalões, cerca de 650 mil crianças perderam aquele subsídio e cerca de um milhão e 75 mil beneficiários sofreram um corte de 25%. Os comunistas recordam ainda que, no ano passado, 54,5% das crianças viviam em famílias com rendimentos agregados inferiores a 628 euros e mais de 13 mil crianças estavam sinalizadas nas escolas com carências alimentares graves.
Portugal insustentável
Estes números adquirem nova relevância, se nos lembrarmos que, no inquérito à fecundidade divulgado há meses pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses apontavam as dificuldades económicas como principal razão para não terem os filhos que desejariam.  
Numa altura em que as projecções do INE apontam o risco de Portugal chegar a 2060 reduzido a 6,3 milhões de habitantes, bastando para isso que a natalidade se mantenha nos níveis actuais e que os saldos migratórios continuem negativos, Joaquim Azevedo é taxativo quando afirma que “Portugal vai ser insustentável daqui a 40 ou 50 anos”, se nada for feito para inverter a actual situação.
Nas estimativas da população residente divulgadas segunda-feira, o INE admitiu que no ano passado a população portuguesa se tenha reduzido em cerca de 60 mil habitantes. Na base desta diminuição está um saldo natural negativo em menos 23.756 pessoas. É que, apesar de ter morrido menos gente ao longo dos 12 meses de 2013, nasceram ainda menos bebés: 82.787 (menos 7,9% do que em 2012), o que baixou o número médio de filhos por mulher para 1,21. Para garantir a substituição das gerações, cada mulher teria de ter 2,1 filhos em média.
O saldo migratório, também negativo em menos 36.232 pessoas, que se explica pelo facto de haver muitos mais portugueses a sair lá para fora do que estrangeiros a entrar, é outro dos factores que ajudam a explicar aquilo que é, no entender de muitos especialistas, a “grave crise demográfica” em que o país mergulhou.
 
 
Fonte: Público

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Especialistas afirmam "vício da pornografia é tão grave como o vício das drogas"

 
 
A recent article in The Telegraph reports that a former lawyer, Chris Sevier, recently sought a marriage license to marry his Mac-book computer.  In trying to argue his case, Sevier explained that he had become addicted to pornography via his computer, and so, “over time, [he] began preferring sex with [his] computer over sex with real women.”

The Telegraph reports Sevier as trying to make a case against the legalization of gay “marriage.”  Sevier stated in court: “If there is a risk that is posed to traditional marriage and children, both man-man couples and man-machine couples pose it equally.”  And he went on to say that “[in] considering the equal protection clause, there are no fewer policy reasons for preventing man-machine couples from marrying than there are for same-sex couples.”

While it might not be clear whether Sevier really wanted to marry his computer, or was just trying to prove a legalistic point, Sevier cites other cases where people succeeded in marrying inanimate objects or animals: One case where a woman “married” a dolphin, and another where a Chinese man “married” a cardboard cut-out of himself.

In addition to Sevier’s use of gay “marriage” to motivate legalizing machine “marriage,” recent research tells us how pornography can make romantic relationships with others less satisfying.  Given what habitual pornography viewing can do to one’s brain, it shouldn’t be surprising that porn-addicted men like Sevier prefer to be sexually stimulated by his computer over women.
The New Research - Porn: like taking drugs
It is time to start thinking about addiction to pornography—a destroyer of marriages—the same way we think about addiction to illegal drugs. So argue two neurosurgeons from the University of Texas Health Science Center at San Antonio.
In surveying “the medical implications of pornography” in light of “current evidence supporting an addictive model,” the two Texas scholars report that, like other addicts, those addicted to pornography suffer from “various manifestations of cerebral dysfunction collectively labeled hypofrontal syndromes. In these syndromes, the underlying defect, reduced to its simplest description, is damage to the ‘braking system’ of the brain.” Thus, like other addicts, pornography addicts suffer “a dysfunction of the mesolimbic reward centers of the brain.” More particularly, these addicts experience “reduced cellular activity in the orbitofrontal cortex, a brain area . . . [relied upon] . . . to make strategic, rather than impulsive, decisions.” The pornography addict may, in fact, manifest “decreased interest in pursuing goal-directed activities central to survival.”

Nor is it just a matter of medical science when pornography disrupts normal brain functions. The two scholars adduce evidence indicating that pornography use affects “sexual behavior in adolescents” and “does indeed cause harm in humans with regard to pair-bonding.” What is more, researchers have uncovered evidence that pornography may prime users for “actual sexual relations with children” and may foster “violent attitudes toward women.”

 (Source: Bryce J. Christensen and Robert W. Patterson, “New Research,”  The Family in America Vol 25 Number 1, Spring 2011. Study: Donald L. Hilton Jr. and Clark Watts, “Pornography Addiction: A Neuroscience Perspective,” Surgical Neurology International 2.1 [February 21, 2011]: 19.)
This article has been republished with permission from The Family in America, a publication of The Howard Center. The Howard Center is a MercatorNet partner site.
- See more at: http://www.mercatornet.com/family_edge/view/14288#sthash.glMde7yZ.dpuf