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domingo, 2 de novembro de 2014

Casar é estar disposto a trabalhar as suas próprias dificuldades



Numa era em que o problema já não é só o divórcio, mas o facto de muitos já nem se quererem casar, o psicólogo dinamarquês diz que a chave está em ensinar aos jovens, mesmo durante os namoros, a resolver os seus conflitos para que percebam que o compromisso é possível desde que encontrem uma pessoa disposta a trabalhar as suas próprias dificuldades.

Peter Damgaard Hansen
Psicólogo

sábado, 18 de outubro de 2014

A luz que de noite resplandece



 
 
Declaração final do Sínodo Extraordinário dos Bispos (18 de Outubro de 2014)

 

Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar.

Assiste-se, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício.

 Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência.

Pensemos no sofrimento que pode aparecer num filho portador de deficiência, numa doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que lhes é doada e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.

Pensemos às dificuldades económicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas.

Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.

Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões.

Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade.

“A cultura do bem-estar anestesia-nos e (...) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54).

(…..)

Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém.

(….)

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas.

Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, acende-se com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Génesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, numa “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca.

O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo.

É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua...eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Lealdade e fidelidade

Ao longo de séculos empresas e instituições viveram de um património de lealdade que era produzido pelos valores, pelo esforço e pelo modo de fazer de famílias, igrejas e comunidades; e era alimentado pelas grandes narrativas, da arte e da literatura. Nas últimas décadas deixámos de produzir intencionalmente estes valores e modos de fazer; mas a necessidade de lealdade continua a existir e aumenta.
Há alguns decénios, então, pensou-se ser possível substituir a lealdade por incentivos, pagando e controlando trabalhadores e dirigentes; esperava-se com isso torná-los «leais» quando «não há ninguém em casa» (Génesis 39,11) a ver e a controlar. Pena é que  – estamos a verificá-lo – esta substituição só funciona para as coisas simples; mas é nociva quando se trata de gerir situações importantes e críticas. Uma fragilidade radical do nosso sistema económico-social deriva de uma grave carência da virtude da lealdade; seria já um grande passo se tomássemos coletivamente consciência desse facto.
(...)A lealdade (...) tem sempre um custo e traduz-se frequentemente em "não fazer
"; o que é também motivo para que seja difícil de ver.
Sendo a lealdade virtude silenciosa e invisível na sua parte mais profunda e verdadeira, não pode então contar com os típicos prémios e aplausos que sustentam e reforçam muitas virtudes "públicas". A recompensa pelos custos enfrentados para ser e permanecer leal é totalmente intrínseca; por isso, quem não tiver vida interior de onde brota a única recompensa não poderá tornar-se ou continuar a ser leal. Para que o mundo e as instituições de amanhã sejam mais leais, é necessário suscitar uma nova corrente de vida interior e de espiritualidade. Sem lealdade ninguém pode manter-se fiel: a pactos e promessas primários da vida, antes de mais; mas tampouco a contratos, logo a seguir.
Por fim, como a lealdade, por sua natureza, é dificilmente observável, então no mundo em geral e nas pessoas que nos querem bem existe muito mais lealdade de quanta somos capazes de ver. Se pudéssemos olhar mais em profundidade, os nossos amigos, esposas, maridos haveríamos de descobrir como por detrás do seu amor fiel e dos seus olhos bons se escondem, invisíveis e silenciosos, muitos atos de lealdade que deram fundamento sólido a estes relacionamentos fortes.
Esta lealdade-fidelidade decisiva oferecemo-la reciprocamente nos últimos instantes da vida, como a herança mais preciosa que deixamos; outras formas, talvez ainda mais belas e certamente mais dolorosas, não podem ou não conseguem ser contadas e morrem connosco; mas todas dão muito fruto e tornam mais belo e digno o mundo em que vivemos.

Luigino Bruni 
In Avvenire, 29.6.2014 
Trad.: P. António Bacelar, José Alberto BF 
Publicado em 08.10.2014 em SNP Cultura
 
 

sábado, 9 de agosto de 2014

Não se promete, dá-se !

 
 
Cada um de nós é aquilo que for capaz de ir construindo de firme e duradouro a cada dia por entre todas as tempestades da vida
Há uma distância fundamental entre as palavras e os gestos de cada homem. As palavras prometem mundos, os gestos constroem-nos. As palavras esclarecem pouco, os gestos definem quase tudo.
O amor é um projeto, uma construção que necessita de ser realizada a cada dia. Sem grandes discursos. Qualquer hora é tempo de amar. Se o amor é verdadeiro, não há tempos de descanso, porque o silêncio no coração dos que buscam lutar contra as trevas dos egoísmos é a paz mais profunda e o maior descanso... ainda que se cravem espinhos na carne, ainda que não sarem as feridas antigas, ainda que a esperança tenha pouco mais onde se apoiar do que nela própria.
Cada um de nós é aquilo que for capaz de ir construindo de firme e duradouro a cada dia por entre todas as tempestades da vida.
Há muito quem sonhe e passe o tempo a desejar o que não é... esperam e desesperam por algo que lhes há de chegar de fora... rejeitando quase tudo quanto são, quando, na verdade, é com o que temos e somos que devemos ser felizes, por pouco e por pior que seja... somos nós. Mas nós não somos quem somos só para nós mesmos. Eu sou quem sou, mas só o serei se for capaz de me encontrar com os outros. Ser humano é ser relacional. Ser é sempre ser com o outro. Ninguém se vê só a si quando se olha por um espelho. Ser é amar. Dar-se... sem grandes sonhos ou promessas, com pequenos gestos, na heroica coragem de acreditar que não são nem as palavras nem os desejos que nos devolvem ao céu.
Encarcerados nunca seremos autênticos, devemos pois libertar-nos de tudo quanto nos pesa, de forma especial das coisas materiais, romper com as teias dos sonhos que nos inebriam e incapacitam de sair de nós mesmos para o mundo, de criar mundo... sem esperar nada, a não ser conseguirmos chegar ao melhor de nós mesmos...
Este desprendimento não será prudente aos olhos do mundo, mas é essencial confiar e seguir adiante, até porque as coisas e as pessoas são o que são, independentemente da forma como os olhos do mundo as veem, sentem ou pensam...
Aos sonhos falta existirem de facto, realizarem-se, ou melhor, serem realizados por alguém. A existência é um dos mais belos e decisivos atributos para que algo se faça determinante da nossa felicidade. Por isso a realidade mais pobre é, ainda assim, mais bela que o sonho mais magnífico...
Quase todos os egoísmos têm nome de amor. Conscientes do que são, escondem-se. Normalmente juntam-se aos pares... fazem pouco, falam muito, prometem tudo.... entrelaçam as suas necessidades de ter mais, de estar melhor, sem cuidarem que cada homem é muito mais do que aquilo que tem ou do que forma como está... nós, humanos, não somos deste mundo... somos do lugar de onde chegámos quando nascemos e do lugar para onde havemos de ir depois da morte... um mundo de onde este faz parte, mas muito maior, muito melhor... muito mais profundo.
É pois importante procurar a vontade do outro, e encontrarmo-nos nela, sermos o melhor que ele pode receber e merecer...
Amar é arriscar tudo, sem garantia alguma. Apenas com a fé de que, no amor, nos cumprimos... Amar é desprender-se e perder-se... abrir-se e abandonar-se à vontade de ser feliz.
Só o amor permite que se cumpra a mais essencial de todas as promessas da existência: Uma vida com valor e verdade.
Quem ama não promete... dá.

Jornal "i"
Por José Luís Nunes Martins
http://www.ionline.pt/iopiniao/amor-nao-se-promete/pag/-1

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Fidelidade ao amor



Maxine e Don Simpson são verdadeiramente um exemplo de amor eterno. Aquela promessa feita em cada casamento foi para o casal californiano uma realidade vivida durante 62 anos. “Até que a morte nos separe”, e foi exatamente assim: eles morreram de mãos dadas. Como foram na vida, da mesma forma foram no leito de morte: inseparáveis. Ela tinha câncer, e ele tinha fraturado o quadril. Don tinha consciência de que a mulher morreria. Foram juntos, como gostariam, e de mãos dadas, com a distância de poucas horas um do outro (Caffeina Magazine, 4 de agosto).

Tudo começou na metade do último mês de julho, quando Don Simpscon, ex-engenheiro civil, natural do Norte de Dakota, quebrou o quadril caindo em casa. Os dias passavam, mas ao invés de melhorar, sua saúde só piorou. Ao mesmo tempo as condições da mulher, Maxine, complicaram-se devido ao câncer.

A família decidiu colocá-los juntos em recuperação, mas não em um triste e asséptico quarto de hospital, e sim em um quarto de um parente. “Suas camas estavam uma ao lado da outra”, explicou a neta Melissa Sloan. “Em um certo momento minha avó acordou e viu que ao seu lado estava meu avô. Pegou na sua mão e deu o último suspiro”.




Após a retirada do corpo de Maxine, a neta entrou para ver como estava o avô, foi quando percebeu que também ele havia parado de respirar. Naquele momento faziam apenas quatro horas que a avó tinha falecido.

Don Simpson tinha conhecido Maxine em um boliche quando estava por um tempo em Bakersfield (Califórnia), onde o casal depois viveu toda a vida. Após o casamento, que aconteceu em 1952, adotaram dois filhos. “Faziam sempre tudo juntos”, disseram entre lágrimas os parentes. “Nunca se separaram e nem mesmo a morte os separou. Foi realmente uma grande história de amor” (Lettera43, 4 de agosto).

terça-feira, 17 de junho de 2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O cônjuge ideal

 
 
O cônjuge ideal será aquele que se sinta tão seguro de si mesmo que nunca considere o outro seu rival, mas que, pelo contrário, seja possível viverem os dois para sempre como companheiros leais, dedicados a uma causa comum.
Um cônjuge que estabeleça um tal espaço de liberdade, que tudo o que disser seja pura transparência, de tal maneira que o outro não sinta temor de lhe manifestar tudo o que sente no seu interior, porque sabe que não se ofenderá.
Um cônjuge que seja capaz de remover as pedras do caminho, de tal modo que os dois juntos possam caminhar ao sol com a mesma alegria das crianças, quando constroem castelos de areia na praia.
Um cônjuge que saiba que o prazer do encontro sexual é a canção da liberdade, como quando as suas asas se estendem ao sol. Eles sabem que maré alguma poderá apagar as pegadas dos seus pés, porque num certo dia venturoso encontraram-se num mesmo sonho.
O cônjuge ideal será aquele que tiver consciência da fortaleza e da debilidade do outro, sem que nunca lhe ocorra aproveitar-se delas. Os seus braços serão refúgio para os momentos de desânimo do outro; e a fortaleza de um, trincheira aberta para os combates do outro.
Um cônjuge que sabe que não se podem apanhar as tempestades com uma rede, e que serão livres quando os seus dias e as suas noites estiverem isentas de perturbação, pois nesse dia serão como torre levantada no cume de um alto monte.
Um cônjuge que saiba respeitar e reconhecer os carismas pessoais do outro e os seus quadros de valores, para que juntos, possam edificar, sobre eles, um sonho antigo.
O cônjuge ideal é aquele que não teme entrar no recinto da ternura, não cora ao confessar-se débil nem se envergonha de pedir ao outro o estímulo para a luta de cada dia.
Um cônjuge que não interprete o amor como debilidade: que, porque ama, pense que o outro é o vencedor, ou, pelo contrário, se sinta superior pelo facto de ser tão amado.
Um cônjuge que seja um manto de proteção para o outro, frente aos ataques do exterior, mas que também o proteja de si mesmo.
Um cônjuge que conhece os erros do outro e os aceita sem recriminar, e caminha a seu lado a fim de os corrigir.
Um cônjuge que sabe que o amor sempre cantará, sem necessidade de dar explicações.
Um cônjuge que em cada amanhecer alimenta o amor com um novo favo de mel; e que, antes de nascer o sol, se dirige ao jardim interior para cortar um cravo coberto de orvalho, e o oferece ao outro sem dizer palavra.
O cônjuge ideal é aquele que sabe que o matrimónio é como um mar dilatado e que os dois são navegantes que todos os dias saem para o mar alto, à descoberta de novos mundos em águas desconhecidas.
Um cônjuge que sabe que a realidade do outro não reside naquilo que ele revela, mas naquilo que não pode ser revelado.
Um cônjuge que sabe e aceita que, para descobrir a verdade, são necessárias duas pessoas: uma para dizê-la e outra para escutá-la.
Um cônjuge que sabe que, quando se voltam as costas ao sol (do outro cônjuge) só se veem sombras.
O cônjuge ideal é aquele ser capaz de vibrar, como as cordas de um alaúde, frente à beleza e ao êxtase da vida, porque a vida é mesmo assim: é possível silenciar a cítara soltando as cordas, mas, quem poderá silenciar as andorinhas do céu?
Um cônjuge que tenha os olhos abertos para o mistério geral da vida, aceitando com igual serenidade tanto a dor como a alegria, sem se assustar com a marcha ziguezagueante do espírito humano.
Um cônjuge que, sentado à sombra de uma fortaleza, se mantenha imutável frente às adversidades, sem se deixar abater pelos fracassos, transformando os contratempos em estímulos, e erguendo-se uma e outra vez sobre as cinzas do orgulho.
Um cônjuge, enfim, capaz de responder com todo o peso da doçura, quando, de repente, surge o gesto azedo, que nunca resvala pela encosta da ironia nem da ofensa, e que em cada dia amanhece oferecendo uma aurora, sem nunca permitir que as correntes se enrolem à cintura da liberdade.
E assim, enquanto as estrelas dormem, silenciosas, na escuridão da noite, vão navegando até àquela praia distante com que sempre sonharam.
 
Ignacio Larrañaga
In O matrimónio feliz, ed. Paulinas

sábado, 17 de maio de 2014

O compromisso e a fidelidade do amor conjugal

 
 
O compromisso do casamento:
Prometo amar e respeitar na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe... ...

"Ele tem 80 anos de idade e insiste em tomar o pequeno almoço com sua esposa.

Quando eu perguntei: "Por q...ue sua esposa está no lar?"
Ele disse: "Porque ela tem alzheimer (perda de memória)".

Então eu perguntei: "A sua esposa espera para compartilhar o pequeno almoço?"
Ele respondeu: "Ela não se lembra, não sabe quem eu sou, há cinco anos atrás já não me reconhece."

Admirado, eu disse: "Ainda continua a fazer o pequeno-almoço com ela todas as manhãs, mesmo que ela não te reconhece!".

O homem sorriu, olhou para os meus olhos e apertou minha mão.
Em seguida, disse: "Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ela é."
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quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Amor mais e menos

 

 

 

Mais e menos

No amor, regras que contem,
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã
E eu num fado que isso guarde
Também acrescentaria
Amo-te mais cada tarde
Do que amei nascendo o dia
E cada vez muito mais
Do que antes, mas tais requintes
São muito menos, ver vais
Do que nos dias seguintes
Com resultados tão plenos
Como somar dois e dois:
Muito mais e muito menos
Conforme "antes" e "depois"
No amor, regras que contem
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã
Vasco G. Moura

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Por vezes, no casamento, voam pratos

 
 
O Papa Francisco, na audiência de hoje (dia 2-4-2014)  indicou que “é verdade que na vida matrimonial há tantas dificuldades, tantas; seja o trabalho, seja que o dinheiro não basta, seja que as crianças tenham problemas. Tantas dificuldades. E tantas vezes o marido e a mulher se tornam um pouco nervosos e discutem entre si. Discutem, é assim, sempre se briga no matrimônio”.

“Mas também, algumas vezes voam até os pratos. Mas não devemos ficar tristes por isto, a condição humana é assim. E o segredo é que o amor é mais forte que o momento no qual se discute”.

Segundo informou a Rádio Vaticana, Francisco assinalou que “por isto eu aconselho aos esposos sempre: não terminem um dia no qual tenham discutido sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham pra casa fazer a paz. É suficiente um pequeno gesto, um carinho, um olá! E amanhã! E amanhã se começa uma outra vez. E esta é a vida, levá-la adiante assim, levá-la adiante com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grande, é belo!”.

sábado, 15 de março de 2014

Amar sem medida



 



«Amar sem medida quer dizer:
sacrificar-se sem lamentos,
dar sem recompensa,
perdoar sem rancor,
ajudar sem olhar ao descanso».

Josefina de J C | 1894 - 1948
Autobiografia, p. 639

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O papão do casal são as tarefas domésticas





Os casais são tão frágeis… até um simples bebé, inocente, coitadinho, consegue mandar abaixo essa instituição bipolar com dois berros e um cocó.
Há mesmo casais que finaram a sua relação no desenrolar de uma briga com uma fralda de cocó a voar na direção da cabeça do outro. (...)
É que quando um casal entra na categoria dos pais, tanto pode vir a comemorar bodas de ouro no baile do Mercado da Ribeira, como vir a enterrar a sua conjugalidade sem direito a coroa de flores. Crescer com os pais juntos já não é tradição e hoje depende, e muito, da saúde mental da relação à data do nascimento do bebé.
Porque viver sozinho já é difícil. Agora aturarmo-nos é um aborrecimento atroz, pelo que precisamos de partilhar esta tarefa. Quando encontramos um inocente disposto a ajudar, eis que viver a dois se torna um desafio ainda mais tramado. E viver a três é um feito que não é para todos. Portanto, quem vive a dois e passa a três ou mais, e consegue fazê-lo com felicidade, é uma família digna de um Nobel da Paz.
Ao casal que diz “Vamos ter um filho!”, apetece logo perguntar se já atingiu a maioridade mental. Para além da idade maioritária e da idade reprodutora, há ainda a idade mental que é muito relevante na decisão de cuidar, educar e aturar um ser humano que vai depender de nós por 30 anos.
Se a coisa correr bem. E que pode não ter a nossa cara. Ou até não ser muito esperto. Convém, por isso, haver muito amor. Não, não é amor ao sofá branquinho nem à camisa de cetim. É mesmo amor-próprio, amor ao inocente que baba a nossa almofada todos os dias do resto da vida, amor para dar como se não houvesse amanhã.
Coisa que, geralmente, só damos despojadamente após uns árduos anos de maturidade mental.
Acontece que quando a responsabilidade desce aos nossos ombros, os nervos galopam à cabeça. Nasce o bebé e começa a festa! “Embala tu que eu dou colinho. E faz a papa ou a sopa, agora com borrego, depois com peixe, mas não abuses da beterraba que faz cocó vermelho. Já trocaste a fralda? É que eu vou ali abaixo à farmácia. Mas onde é que está a chucha? Qual? Sei lá, qualquer uma das cinco que espalhei pelo berço… Vais lá tu ou vou lá eu? É a tua vez. Mas eu é que fiz a noite! E eu dei-lhe banho. Desconfio que lhe está a nascer um dente. Vou ao supermercado. Então, traz iogurtes e papaia para a menina. Sim, depois temos de arrumar os brinquedos. Hum, a ver se ainda ponho a roupa para lavar. Mudas para o canal dos bebés? O quê? Não te ouço! Disse para ires para o raistaparta, ouviste agora ou tens mais cera nos ouvidos que a miúda? Ah, é assim? Então o banho morninho é para o bebé, tu levas com um balde de água fria e enche-o tu!”
Isto é o quotidiano conjugal dos recém-papás. Que além deste diálogo profundo, trabalham muito e arfam que nem cães para chegar a horas a todo o lado. Mas, inexplicavelmente, quando têm uma folga desta rotina parental e olham babados o seu bebé: “É igualzinho a nós, que amor! Vamos fazer outro?”
Dizem que o índice de satisfação do casal cai no primeiro ano de vida do bebé. O resultado daquela grande paixão, o bebé, vem reivindicar espaço, atenção e amor, de forma tão absorvente que são raros os casais que não tremem os joelhos, que não fazem xixi pelas pernas baixo, que não acordam assustados com terrores nocturnos. Buu!
É que, agora, este bebé e casal são de carne e osso. Dá para beliscar que dói. E são ambos uma realidade ligeiramente diferente da imaginada. No sonho, idealizado nos nove meses de gestação, não havia som, a cozinha não estava permanentemente no cenário, a fralda trocada não tinha cheiro, o bebé não tinha a cabeça torta e a mãe e o pai estavam de banho tomado. Porque o nosso cérebro sonha limpinho e com recurso ao photoshop. Como?
Estava só a comentar o que toda a gente sabe: que a realidade é diferente dos sonhos. E então?
Então que me apercebi desta banalidade, que os filhos nascem e muitos dos pais entram em crise. Aliás, crise é recorrer a falinhas mansas, o lar vira mesmo é estado de sítio. Vejo à minha volta muitos casais com filhos pequenos que andam à luta com o novo quotidiano familiar. Bolsam impropérios para as paredes. Todos a estoirar, a postos para enfiar o raio do babete no pescoço do outro e apertar muito bem até esganarem e babarem as palavras que estavam atravessadas. As tréguas são os cinco minutos a sós na casa-de-banho e até mesmo ir ao supermercado é válido para desanuviar.
Podemos culpar as novas identidades, a adaptação, o sono e o cansaço que geram tolerância zero, é tudo verdade. Mas cá para mim, desconfio que a razão principal é bastante mais quotidiana e menos profunda: o bicho papão do casal são as tarefas domésticas. Porque a vida conjugal pós-bebé é tarefeira que se farta. E ser mãe e pai é bom, muito bom. Tarefas à parte. No final, é como diz a frase do poeta: a vida é tudo o que acontece fora do planeado.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O valor da ágape

A reciprocidade é a lei de ouro da socialidade humana. Mais do que qualquer outra palavra – como sejam indignação, vingança ou intermináveis ações em tribunal – a reciprocidade traduz muito melhor a gramática fundamental da sociedade. O ADN do animal político é uma hélice que entrelaça dar e receber. Mesmo o amor humano é essencialmente uma questão de reciprocidade desde o primeiro instante ao último, em que, muitas vezes, se deixa esta terra apertando a mão de alguém que se ama; ou, se ausente, apertando-a dentro com as últimas energias da mente e do coração. Esta dimensão de reciprocidade do amor, com a qual se ama quem nos ama, foi expressa de vários modos e com muitas palavras pelas diferentes culturas.

Na Grécia as mais conhecidas eram eros e philia, duas formas de amor diversas, mas que têm em comum a reciprocidade, a necessidade fundamental da resposta do outro. O eros é uma reciprocidade direta, biunívoca, exclusiva, na qual o outro é amado porque nos preenche uma indigência, nos sacia, reacendendo um desejo vital. Na philia grega (que se assemelha ao que hoje chamamos amizade), a reciprocidade é mais elaborada: tolera-se a falta de resposta do outro, não se fazem sempre contas de dar e haver, e pode-se perdoar muitas vezes. É por isso que, enquanto o eros não é uma virtude, a philia pode sê-lo, porque requer fidelidade ao amigo que, de tempos a tempos, trai ou não responde ao amor. Mas o amor–philianão é um amor “incondicional”, já que termina quando o outro ou outra me faz entender com a sua não–reciprocidade que já não quer ser meu amigo.

O eros e a philia são essenciais e esplêndidos para toda a vida boa, mas não bastam. A pessoa é grande porque não lhe basta a já grande reciprocidade; quer o infinito. Assim, a um certo ponto da história, quando o tempo se tornou maduro, nasceu a necessidade de uma outra palavra para dizer uma dimensão do amor não limitada naquelas duas semânticas do amor, já ricas e elevadas. Esta nova palavra foi agape, não inteiramente inédita no vocabulário grego, mas novos foram o uso e o significado que lhe foi atribuído por "aqueles da via", o primeiro (belíssimo) nome dos cristãos. Mas o agape não foi uma invenção; foi a revelação de uma dimensão presente, em potência, no ser de toda a pessoa, mesmo quando sepultada e à espera de alguém que lhe diga “vem para fora”.
O agape não é uma forma de amor que começa quando terminam as outras, não é o não–eros ou a não–philia, porque é a sua presença que torna pleno e maduro todo o amor. Porque é o agape que doa ao amor humano aquela dimensão de gratuidade que não é garantida pela philia, e muito menos pelo eros; e que, abrindo-as, cumpre (assim) todas as virtudes, que na sua ausência não passam de subtil egoísmo. Também por esta razão quando os latinos traduziram o agape, escolheram charitas, que nos primeiros tempos se escrevia com h, uma letra que é tudo menos muda, porque dizia muitas coisas. Para começar, dizia que aquela charitas não era nem amor nem amicitia, era algo diverso. Depois, que aquela charitas já não era acaritas dos mercadores romanos, que a usavam para exprimir o valor dos bens (o que custa muito, que é “caro”). Mas aquele h queria também recordar que charitasreportava ainda a uma outra grande palavra grega: charis, graça, gratuidade (”Ave Maria, cheia de charis”). Não existeagape sem charis, nem charis sem agape. Então, a philiapode perdoar até sete vezes, o agape até setenta vezes sete; a philia doa a túnica, o agape doa também a capa; aphilia percorre uma milha com o amigo, o agape duas, e fá-lo também com o não–amigo. O eros suporta, espera, cobre pouco; a philia cobre, suporta, espera muito; o ágape espera, cobre e suporta tudo.

A forma de amor do ágape é também uma grande força de ação e de mudança económica e civil. Todas as vezes que uma pessoa age para o bem, e encontra na ação mesma e dentro de si recursos para andar para diante mesmo sem reciprocidade, entra em ação o ágape. O ágape é o amor típico dos fundadores, os iniciadores de um movimento, de uma cooperativa, que não podem contar com a reciprocidade dos outros, e cuja ação exige fortaleza e perseverança em longos períodos de solidão. O ágape não condiciona a escolha de amar à resposta do outro mas, quando tal resposta falta, sofre porque o ágape é pleno na reciprocidade («dou-vos um mandamento novo: amai-vos!»); mas não fica incomodado a ponto de interromper o seu amor não amado.
A plenitude da reciprocidade agápica exprime-se também numa relação ternária: A doa-se a B, e B doa-se a C; uma transitividade do ágape que não está presente nem naphilia, nem, ainda menos, no eros. Aliás, esta dimensão de “ternariedade” e de abertura é essencial para que se dê ágape. Até mesmo o amor materno e paterno para com um filho não seria agápico, e portanto maduro e pleno, se se esgotasse na relação A =» B, B =» A, sem a dimensão B =» C …, que ultrapassa as tentações de amor incestuoso ou narcisista. Esta necessidade de reciprocidade, o avançar ainda que não exista resposta, tornam o agape uma experiência relacional simultaneamente vulnerável e fértil. O ágape é uma ferida fecundíssima. É o ágape que transforma as comunidades em lugares acolhedoras e inclusivas, com portas escancaradas e que nunca se fecham, que desmonta hierarquias sacrais, ordens e castas, e toda a tentação de poder.
O ágape, além disso, é essencial para todo o Bem comum, porque conhece também um tipo de perdão capaz de anular o mal recebido. Quem quer que tenha sido vítima do mal, de qualquer mal, sabe que esse mal feito e recebido não pode ser plenamente compensado ou reparado com penas e indemnizações civis. Continua a operar, é uma ferida que permanece; a menos que um dia se encontre com o perdão do agape que, diferentemente do perdão do eros e da philia, tem a capacidade de sanar todas as feridas, ainda que mortais e de as transformar na aurora de uma ressurreição.

Existe, porém, uma tese que atravessou a história da nossa cultura. O ágape – diz-se – não pode ser uma forma de amor civil porque, devido à sua vulnerabilidade, tal não seria prudente. Poderá ser vivida apenas na vida familiar, espiritual, talvez no voluntariado; mas na praça pública e nas empresas teremos que nos contentar apenas com os registos do eros (incentivos) e, na melhor hipótese, daphilia. Uma tese muito radicada, porque se baseia sobre a evidência histórica de muitíssimas experiências nascidas do ágape que retrocederam depois para mera hierarquia ou comunitarismo.
É a história de tantas comunidades que começaram com o ágape e que diante das primeiras feridas se transformaram em sistemas muito hierárquicos e formalistas. Ou experiências que nasceram abertas e inclusivas e que, após os primeiros fracassos, fecharam as portas expulsando os diversos. A história é também o repetir destes “retrocessos” que, porém, não reduzem o valor civil do ágape e que deveria impelir-nos a introduzir mais ágape, não a retirá-lo, na política, nas empresas, no trabalho. Porque sempre que o ágape surge na história humana – mesmo se por pouco, pouquíssimo, tempo – não deixa nunca o mundo como estava. Eleva para sempre a temperatura do humano, crava um novo prego na rocha, e quem amanhã retomar a escalada partirá um metro, ou centímetro, mais acima.

Nenhuma gota de ágape se perde na terra. O ágape abre o horizonte de possibilidades de bem do humano, é o fermento e o sal de todo o bom pão. O mundo não morre, e a vida recomeça cada manhã, porque existem pessoas capazes de ágape: «Agora existem três coisas: fé, esperança, e ágape. A maior de todas é o ágape».
 
Luigino Bruni
In Avvenire

O matrimónio feliz



O cônjuge ideal é aquele que em cada amanhecer alimenta o amor com um novo favo de mel; e que, antes de nascer o sol, se dirige ao jardim interior para cortar um cravo coberto de orvalho, e o oferece ao outro sem dizer palavra.
O cônjuge ideal é aquele que sabe que o matrimónio é como um mar dilatado e que os dois são navegantes que todos os dias saem para o mar alto, à descoberta de novos mundos em águas desconhecidas.
Um cônjuge que sabe que a realidade do outro não reside naquilo que ele revela, mas naquilo que não pode ser revelado.
Um cônjuge que sabe e aceita que, para descobrir a verdade, são necessárias duas pessoas: uma para dizê-la e outra para escutá-la.
Um cônjuge que sabe que, quando se voltam as costas ao sol (do outro cônjuge) só se veem sombras


Ignacio Larrañaga

domingo, 26 de janeiro de 2014

O fim de um casamento

 
 
«Acabou!»
Com essa breve observação, muitas pessoas descrevem o final de seu casamento. Por trás desse verbo há crises, sofrimentos, desabafos e, não poucas vezes, discussões infindas.
 Em que lugar foram enterrados os sorrisos do dia do casamento e as promessas de fidelidade «até que a morte nos separe»?
Em que fase da vida se desvaneceu a certeza de que «ninguém será mais feliz do que nós dois»?
Como entender a amargura que tomou conta de um relacionamento que parecia tão feliz?...
Nenhum casamento termina “de repente”. Especialistas matrimoniais constatam que, normalmente, o caminho da desintegração tem quatro etapas, profundamente interligadas – isto é, cada etapa prepara e praticamente condiciona a seguinte.
Na primeira, começam a surgir comentários negativos, um a respeito do outro. Mais do que queixar-se do esposo ou da esposa (a queixa refere-se a um comportamento específico), multiplicam-se críticas que são sempre abertas, indeterminadas, gerais: «És um chato!»; «estás cada vez mais insuportável!». Há aqueles (ou aquelas) que sofrem calados: não aceitam o comportamento do companheiro, mas não verbalizam isso. O problema é que vão acumulando raiva no seu coração. Quando resolvem falar, não medem as palavras. As agressões – verbais ou de facto – parecem ser de inimigos mortais. Agora, o importante é humilhar o outro, para ficar claro que não há mesmo possibilidade alguma de reconciliação.
Para não se chegar a esse ponto, é preciso cultivar o diálogo. Mais do que escutar o outro, é importante ter a capacidade de se colocar no lugar dele, para ver o problema “do outro lado”. Um casal confidenciou-me que, quando se casaram, tomaram uma decisão que marcou as suas vidas: prometeram um ao outro que jamais dormiriam sem, antes, solucionar os problemas que pudessem ter surgido entre eles durante o dia. “Solucionar”, no caso, significava cultivar o perdão como atitude habitual. O perdão será menos difícil se cada um, em vez de atacar o outro de forma generalizada, chamar a atenção para erros concretos e para comportamentos que precisam de ser corrigidos.
Na segunda etapa, cresce o desprezo pelo outro. Desprezar é uma forma de ignorar, de insultar, de ferir. O desprezo é  sempre acompanhado da implicância, dos insultos, da ridicularização. O objetivo a alcançar é a destruição do outro. O importante é sair vencedor.
Só se supera essa fase quando ao menos um dos dois aceita não ver o outro como um inimigo, e passa a acreditar que não precisa provar que é o mais forte.
 
Na terceira etapa, quem foi vítima de desprezo começa a defender-se. Impõe-se a ideia de que a melhor defesa é o ataque. Ninguém mais escuta ninguém. Acabou-se a comunicação.
Consegue-se cortar essa situação somente com a disposição de escutar o outro, de prestar atenção a ele, demonstrando que é importante.
Na quarta etapa, domina o mutismo. Um dos dois passa a ficar em silêncio, talvez até com o desejo de não piorar a situação. Mas, nessa fase, não é por aí que se soluciona o problema. É preciso, sim, deixar claro que se está a escutar o outro. Ninguém consegue ficar indiferente diante de uma pessoa que lhe dá atenção. Escutar e prestar atenção com um coração pronto a acolher é uma maneira de criar pontes – pontes de diálogo e de perdão, pontes de comunhão.
Na terceira etapa, quem foi vítima de desprezo começa a defender-se. Impõe-se a ideia de que a melhor defesa é o ataque. Ninguém mais escuta ninguém. Acabou-se a comunicação.
Consegue-se cortar essa situação somente com a disposição de escutar o outro, de prestar atenção a ele, demonstrando que é importante.
Na quarta etapa, domina o mutismo. Um dos dois passa a ficar em silêncio, talvez até com o desejo de não piorar a situação. Mas, nessa fase, não é por aí que se soluciona o problema. É preciso, sim, deixar claro que se está a escutar o outro. Ninguém consegue ficar indiferente diante de uma pessoa que lhe dá atenção. Escutar e prestar atenção com um coração pronto a acolher é uma maneira de criar pontes – pontes de diálogo e de perdão, pontes de comunhão.
 
Murilo Krieger

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Não há nada melhor para as crianças que a estabilidade que se encontra no matrimónio

 
 
Sir Paul Coleridge, juiz do Tribunal Superior de Justiça de Inglaterra e Gales e fundador da Marriage Foundation (Fundação do Matrimónio), assinalou que não há nada melhor para as crianças que a estabilidade que se encontra no matrimónio.

Um estudo recente da Marriage Foundation revelou que as crianças cujos pais não estavam casados eram duas vezes mais propensas a sofrer de divisões familiares, que aquelas cujos pais estavam casados.

Em declarações ao jornal britânico The Daily Telegraph, Coleridge advertiu que existe um "alto nível de ignorância", no sistema político sobre os benefícios do matrimónio.

Para o juiz britânico, o problema não é que os políticos e outras autoridades estejam "atemorizados" para falar a favor do matrimónio, mas é que muitos pensam que esta instituição e a coabitação são equivalentes.

"Existe esta ideia de que não faz nenhuma diferença coabitar ou casar", lamentou, indicando que "uma tende a durar e a outra tende a não durar".

"E quando se considera o que é o melhor para as crianças, a estabilidade é o nome do jogo".

Sir Paul Coleridge advertiu que não tem a intenção de "pregar moral", mas "a realidade da família é muito simples".

"Se a relação existente for suficientemente estável para enfrentar os rigores de criar uma criança, então deve-se considerar seriamente acrescentar a proteção do matrimónio à relação".

Por outro lado, assinalou o magistrado, "se a relação não for o suficientemente estável para assumir a criação das crianças, não deveria nem tê-las. O casal tem uma responsabilidade, não tem nenhum direito a ter crianças, tem apenas a responsabilidade".

Coleridge disse que em tribunal, "as pessoas falam sobre os seus direitos. Ninguém tem direito quando se trata de crianças… o que tem são responsabilidades e deveres de fazer o melhor possível para eles".

"Não acho que os casais deveriam ter crianças até que estejam certos de que relação entre eles é o suficientemente estável para enfrentar o estresse e as tensões".

Por sua parte, Christian Guy, diretor do Centro para Justiça Social, disse que "muita gente não se dá conta de que a coabitação prolongada com crianças é extremamente estranha. A maioria de pessoas com filhos que ainda estão juntas depois de muitos anos estão casadas".

"Os resultados em longo prazo mostram que há algo diferente por estar casado, é mais estável. As pessoas estão vinculadas quando estão casadas, de uma forma que não acontece quando apenas estão vivendo juntas", assinalou.

(Fonte: 'ACI Digital' com adaptação)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A entrega no casamento

 
 
Casamento e vida familiar dão-nos constantes oportunidades para nos negarmos a nós mesmos pelo bem de outros.
Ainda assim, a abnegação não é uma máscara de desprezo por si próprio, mas o meio necessário para alcançar o autodomínio; este torna possível a nossa entrega e realização pessoal. Pecado não é querer demais, mas aceitarmos muito pouco, é ficarmos pelo contentamento de nós próprios em vez de nos sentirmos preenchidos em entrega total ao outro.
Scott Hahn em “Swear to God: The Promise and Power of the Sacraments” (pp. 128-129) – 'Sob juramento perante Deus: A Promessa e o Poder dos Sacramentos' (tradução de JPR)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Alimentar o amor



Começar é fácil.
Acabar é mais fácil ainda.
Chega-se sempre à primeira frase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.
Em Portugal quase tudo se resume a começos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. À mínima comichão aparece uma «iniciativa», que depois não tem prosseguimento ou perseverança e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.
É por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores não nos faltam. Chefes não nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Heróis não nos faltam. Valtam-nos guardiões.

É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos.

O nascimento e a morte não têm valor — são os fados da animalidade.
Procriar é bestial.
O que é lindo é educar.
Estou um pouco farto de revolucionários. Sei do que falo porque eu próprio sou revolucionário. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princípios, não suporto a autoridade.

 (....)

Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer.

Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»?
É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. É por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi à sombra dela.
Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'