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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Um ombro amigo



Para além da saúde, pede-se “dinheiro, paz, amor, felicidade”… Será que alguém traçou como objetivo mudar a atitude perante a sua família, perante os seus colegas, perante o seu chefe, perante os seus amigos, perante os outros indivíduos de modo geral?!

A alimentação é mais que uma necessidade fisiológica, come-se para festejar mas também se come para compensar tristezas portanto há que pensar naquilo que se pode melhorar e que está diretamente relacionado com as relações interpessoais.

Eis a história de uma mãe que pergunta ao filho qual será a parte mais importante do corpo humano. Ele responde que são os ouvidos mas ela logo lhe explica que não porque existem muitas pessoas que são surdas mas vivem muito bem. Passou-se algum tempo e ela fez-lhe a mesma pergunta. Ele pensou então que seriam os olhos. E a resposta foi muito idêntica, pois há muitas pessoas que não têm olhos e vivem muito bem. Ao longo do tempo a mãe ia-lhe perguntando mas ele nunca acertou na resposta.

No dia em que o avô dele morreu todos estavam a chorar muito tristes e nessa altura a mãe olhou para o filho e perguntou-lhe se já sabia qual era a parte mais importante do corpo. Ele ainda ficou mais confuso por ser naquele momento, então a mãe disse-lhe que a parte mais importante do corpo era o ombro. Mas ele sem perceber nada perguntou-lhe se era porque sustentava a cabeça. Então a mãe fez questão de lhe dizer: “não meu filho ele é importante porque pode dar apoio à cabeça de um amigo ou de alguém que está ao nosso lado quando chora”. Ainda acrescentou: “eu espero que tenhas bastante amor e amigos e que encontres sempre um ombro para chorar quando precisares. As pessoas esquecem-se do que tu disseste, esquecem-se dos teus feitos mas nunca se esquecem de como as fizeste sentirem-se”.

É certo que cada individuo é único e tem determinados comportamentos que nem sempre são sentidos pelo outro como os mais adequados ao momento considerando-os até mesmo injustos mas às vezes é mesmo isso que o torna tão especial, sentindo-se num patamar muito acima tendo como base a ideia de que “faz aos outros aquilo que gostarias que te fizessem a ti mesmo”.

Ter um ombro amigo sempre disponível para oferecer poderá ser um forte objetivo para este ano pois “existem momentos na nossa vida em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e por mais que se pense numa forma de as empregar elas parecem não servir, então não dizemos nada apenas sentimos”. E como alguém disse “ embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

 

 

anabelaviegasconceicao@gmail.com

Psicóloga Clínica

 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Governo Espanhol lança medidas para acelerar adoção de crianças e reduzir tempo de institucionalização

El Gobierno quiere reducir al mínimo la cifra de 13.400 pequeños que están en residencias o centros de acogida. Representan el 38% de los que están tutelados por el Estado. La Ley de la Infancia que aprobó ayer el Consejo de Ministros establece una serie de medidas para agilizar y facilitar los trámites de custodia y adopción, y otras medidas para proteger a los más pequeños. La idea es favorecer que los pequeños estén con familias en vez de en instituciones.
Adopción abierta. Esta medida consiste en que los pequeños adoptados podrán, en algunos casos, mantener contacto con miembros de su familia biológica. La decisión la tomará un juez después de oír a las tres partes interesadas (el menor y ambas familias). Ha sido vista con recelo por el Consejo General del Poder Judicial (CGPJ)
Permiso paternal. Cuando un pequeño haya sido declarado en situación de desamparo podrá ser adoptado a los dos años sin que haga falta el permiso de los padres biológicos si en ese periodo estos no han tomado medidas para revertir la situación.
Convivencia previa. Cuando un pequeño sea considerado candidato a ser adoptado, podrá empezar a convivir con la familia que la entidad pública que le custodia considere idónea antes de que el proceso legal se realice. De esta manera se acorta el tiempo que los niños deben pasar en centros esperando a ser recibidos por una familia, y comenzará antes el proceso de adaptación entre el adoptante y sus padres legales.
Derecho a saber. Los pequeños adoptados tendrán derecho a conocer sus orígenes. Para ellos, las Administraciones públicas deberán mantener registros durante al menos 50 años.
Guardia voluntaria. Las familias con problemas económicos o de otro tipo, pueden entregar a sus hijos para que sean tutelados por la Administración en un proceso denominado como de guardia voluntaria. Con la nueva ley este periodo solo podrá durar dos años, a partir del cual las Administraciones puden decidir entregar el niño en acogimiento o adopción a una familia. Con ello se quiere evitar que el proceso se perpetúe y el menor nunca salga del centro.
Desamparo. Los padres solo podrán revertir la situación de desamparo declarada de un menor (por malos tratos, inducción a la mendicidad, por ejemplo) durante los dos primeros años. Luego será el Ministerio Fiscal el único que podrá impugnar la declaración.
Permisos. Los futuros padres y madres de adopción o acogida tendrán derecho a permisos laborales para asistir a las sesiones formativas que necesiten.
Violencia. Los hijos de mujeres víctimas de violencia de género serán considerados, asimismo, víctimas de estos malos tratos. Los jueces deberán decidir las medidas que sobre ellos se tomen, y se prevé que estos niños puedan permanecer con sus madres.
Fonte: EL PAÍS

    quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

    Legalizar a prostituição ?

    Por Pe. John Flynn, L. C.
    ROMA, segunda-feira, 2 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A prostituição legalizada tem sido um assunto frequente nos últimos anos. Os defensores da ideia dizem que é melhor regulamentá-la para evitar os abusos e torná-la mais segura, focando na minimização de riscos.

    Por outro lado, estudos recentes na região de Camberra, capital da Austrália, indicam que a legalização está longe de ser a solução perfeita. A prostituição foi legalizada no Território da Capital Australiana (TCA) em 1992, mas, em 2008, a morte por overdose de uma prostituta de 17 anos, Janine Cameron, suscitou grande polêmica.
    A assembleia legislativa do território promoveu um estudo que resultou em 50 documentos escritos e uma série de audiências públicas agora em curso.
    "Não dá para ter relações sexuais com 10 ou 15 homens diferentes por dia sem se afetar, sem abalar a própria valorização, a valorização do sexo e o próprio jeito de construir uma intimidade com outro ser humano", afirmou Julie, pseudônimo de uma das entrevistadas.
    Julie começou a trabalhar em um bordel aos 17 anos (ABC News, 8 de abril). Saiu depois de 18 meses, mas conta que não foi fácil mudar de vida e se livrar de uma indústria em que existe muito crime e corrupção. "Foi muito difícil conseguir ter uma relação íntima normal depois".
    Violação da dignidade humana
    Em documento apresentado após o estudo, a arquidiocese católica de Camberra explica que a Igreja considera a prostituição como uma violação da dignidade humana. As prostitutas prejudicam a sua dignidade porque se reduzem a instrumentos do prazer sexual, enquanto quem paga pelos seus serviços comete uma grave ofensa.
    O documento aponta uma série de argumentos sobre o dano causado pela prostituição.
    - As prostitutas são alvos fáceis de crimes violentos e correm risco permanente de agressão.
    - Muitas mulheres estão na prostituição para sustentar seu vício em drogas ou levantar dinheiro para outras necessidades desesperadas.
    - Práticas sexuais sadomasoquistas, que incluem a violência contras as mulheres, são especialmente degradantes para elas.
    - A prostituição aumenta notavelmente os riscos graves para a saúde das mulheres, particularmente os de DSTs como aids, herpes e hepatite C.
    - A prostituição é ligada à escravidão e ao tráfico sexual de mulheres.
    - Quando se legaliza ou se descriminaliza a prostituição, cria-se uma cultura da prostituição, que tem efeitos prejudiciais não só na vida das mulheres que se prostituem, mas na de todas as mulheres que vivem nessa cultura.
    - A prostituição prejudica as relações heterossexuais e as famílias. A esposa ou namorada de um homem que utiliza serviços sexuais é notavelmente afetada. Se o homem guarda em segredo o uso desses serviços, quebra os fundamentos da confiança e da honestidade na sua relação. Se os usa abertamente, pode levar à ruptura da sua relação.
    - A indústria da prostituição prejudica o ideal das relações igualitárias entre homens e mulheres e tem impacto negativo na família e na sociedade em geral.
    - A prostituição não pode ser separada da questão da dignidade das mulheres. A legalização da prostituição significa que o governo e a sociedade em geral estão dispostos a aceitar a desumanização e a coisificação das mulheres.
    O caso da Suécia
    Uma das recomendações do documento da Igreja católica apresentado à comissão é a adoção do modelo sueco. Em 1998, a Suécia aprovou uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de serviços sexuais. As mulheres e crianças vítimas da prostituição não correm o risco de sanções legais, mas a compra desses serviços é um delito penal.
    Esta proposta recebeu o respaldo de um informe oficial, publicado em 2 de julho de 2010, avaliando a legislação sueca desde o seu início em 1999 até 2008.
    O relatório revelou que as mudanças atingiram o efeito desejado e mostrou que a penalização da compra de sexo foi um instrumento importante tanto na luta contra a prostituição quanto contra o tráfico de pessoas para fins sexuais.
    Segundo o documento, a prostituição de rua na Suécia caiu pela metade após a adoção da nova lei. Antes dessa legislação, a prostituição de rua era mais ou menos igual nas capitais da Noruega, Dinamarca e Suécia. Depois de 1999, porém, a prostituição de rua na Noruega e na Dinamarca aumentou de forma dramática. Em 2008, o número de pessoas que se prostituíam nas ruas norueguesas e dinamarquesas era o triplo do caso sueco.
    "Considerando as grandes semelhanças que existem entre esses três países, econômica e socialmente, é razoável assumir que a redução da prostituição de rua na Suécia é resultado direto da penalização", conclui o informe.
    É importante observar que a prostituição não mudou de local em decorrência das mudanças na Suécia: ela de fato diminuiu. O relatório aponta que a prostituição resultante de contatos na internet é mais frequente nos países vizinhos. A proibição da prostituição de rua na Suécia, portanto, não a transferiu para a internet.
    Por outro lado, o relatório assinala que não há sinais de que a prostituição em salas de massagem, clubes de sexo e em restaurantes e discotecas tenha aumentado nos últimos anos. Não há provas que sugiram que as prostitutas exploradas antes nas ruas agora estejam envolvidas em prostituição em locais fechados.
    O relatório diz também que, segundo a Polícia Criminal do país, a proibição contra a compra de serviços sexuais atua como um desmotivador para os traficantes de pessoas e os aliciadores que se estabelecem na Suécia. 
    A informação da experiência sueca reforça também o que muitos tinham dito tanto neste tema como em outros debates sobre a legalização de práticas polêmicas. Deixa claro que proibir a compra de serviços sexuais teve um efeito normativo e que, após a legalização, houve uma mudança relevante na atitude do público com a compra de serviços sexuais. Significou um elemento eficaz de dissuasão para quem compra sexo.
    Opressão
    Outro documento submetido à investigação de Canberra vinha do ‘Collective Shout’, que se descreve como “um movimento com campanhas nas ruas preocupado com a coisificação das mulheres e a sexualização das jovens na mídia, publicidade e cultura popular”.
    Eles observam que, em nome da minimização dos danos, foram legalizados na década de 90 alguns setores da indústria sexual na Austrália e em países como Holanda e Alemanha.
    Não se alcançou, no entanto, o efeito desejado, e o documento apresentado à Comissão afirma que há evidências claras, tanto de estudos acadêmicos como dos governos, de que a postura de minimização dos danos é em si mesma errônea, ao tentar regular a indústria sexual.
    Um exemplo claro disso está na relação com o uso de menores na indústria da prostituição. Victoria foi o primeiro Estado australiano a legalizar a prostituição. 
    Um estudo, que examina a informação de 471 organizações governamentais e não governamentais que trabalha com crianças na Austrália mostra que mais de 3.100 crianças australianas entre 12 e 18 anos tinham tido relações sexuais em troca de dinheiro para sobreviver. Victoria tinha a cifra mais alta da nação, com 1.200.
    Outro ponto apresentado foi que muitas mulheres prostituídas tinham sofrido abusos sexuais na infância, abusos físicos, violência doméstica e uso de drogas.
    “O modelo de minimização dos danos – ou legalização da prostituição – permite, em essência, a exploração das pessoas mais vulneráveis da sociedade”, afirma ‘Collective Shout’. "É o momento de reconhecer que a ‘profissão mais antiga do mundo’ é atualmente a ‘opressão mais antiga do mundo’”.

    terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

    A neurociência provou que a pornografia está literalmente a tornar o cérebro do homem mais infantil

     
    Junto com outros negócios orientados para o sexo, a pornografia é com freqüência classificada como entretenimento “adulto” – algo para públicos “maduros”. Se isso significasse que esses tipos de entretenimento não são “apropriados para crianças”, então poucos levantariam alguma objeção.
    Dito isto, seria estúpido usar isso como um argumento de que a pornografia é própria para adultos. Heroína e metanfetaminas também não são “apropriadas para crianças”, mas isso não significa, ipso facto, que elas sejam saudáveis para pessoas com mais de 18 anos.
    Os defensores da pornografia gostam muito de dizer (“gostar muito” é uma suavização – eles repetem isso como um mantra) que a pornografia é um entretenimento sofisticado e maduro próprio para adultos responsáveis. Eles tentarão fazer com que você acredite que a pornografia é aquilo que verdadeiros cavalheiros apreciam – como queijo azul, um bom uísque e Dostoievski. Como o infame Ron Jeremy está sempre pronto para dizer: “A pornografia é sexo consensual entre adultos que estão em consenso, para ser assistida consensualmente por adultos.”
    O que nos leva à pergunta: O que exatamente constitui um comportamento “adulto” ou “maduro”? Seria apenas um comentário a respeito da idade do participante? Ou seria algo mais? Estipular definições adequadas é complicado porque hoje esses termos são freqüentemente usados como sinônimos de mídia erótica – que é o tópico que estamos tentando dissecar.
    Usamos o termo “maduro” quando falamos sobre atingir um estágio final ou desejado. Falamos “vinho maduro” como o vinho que atingiu seu pico de fermentação e está pronto para ser consumido. Também usamos a palavra “maduro” para falar de alguém que “cresceu” em seus comportamentos ou atitudes – essa pessoa não mostra a impetuosidade ou a ingenuidade da juventude. É exatamente isto o que os patronos de clubes de strip-tease estão fazendo ao chamarem esses estabelecimentos de “clubes de cavalheiros”: estão insinuando que as atividades que ocorrem lá são parte de comportamentos varonis e refinados.
    A dopamina e o cérebro
    Pergunte qualquer neurocientista como é um cérebro humano “maduro” e ele ou ela provavelmente falará sobre uma região do cérebro conhecida como córtex pré-frontal. Ela está localizada bem atrás da testa e serve de centro administrativo do cérebro. Ela é responsável por nossa força de vontade, pela regulação do nosso comportamento, e pela tomada de decisões com base na sabedoria e em princípios. Quando as emoções, impulsos e desejos surgem do mesencéfalo, os lóbulos do córtex pré-frontal estão lá para exercerem “controle executivo” sobre eles. Por volta dos 25 anos, essa região do cérebro atinge a maturidade, o que quer dizer que o nosso raciocínio torna-se mais sofisticado e que podemos regular nossas emoções mais facilmente.
    Por que colocar a neurociência na equação? Porque estão sendo feitas pesquisas fascinantes sobre o impacto da pornografia nessa região do cérebro.
    O cérebro foi projetado para responder ao estímulo sexual de determinado modo. Ondas de dopamina são liberadas durante uma relação sexual –  e, sim, também quando se tem contato com pornografia -, dando à pessoa um aguçado senso de foco e uma consciência do desejo sexual. A dopamina ajuda a registrar memórias no cérebro, de modo que da próxima vez que o homem ou a mulher sentem desejo sexual novamente o cérebro lembra-se aonde deve retornar para experimentar o mesmo prazer: seja a outra pessoa uma esposa amável ou um laptop no gabinete de trabalho.
    Porém, cientistas estão percebendo agora que a exposição contínua à pornografia causa no cérebro uma euforia artificial – algo que ele literalmente não pode suportar – e eventualmente o cérebro se exaure. O professor de anatomia e fisiologia Gary Wilson observa que esse é o mesmo padrão identificado quando há abuso de drogas: o cérebro fica dessensibilizado. Mais doses da droga ou drogas mais pesadas são necessárias para atingir a mesma euforia, e a espiral descendente começa. Wilson afirma que isso provoca mudanças significativas no cérebro – tanto para os viciados em droga quanto para os usuários de pornografia.
    Uma dessas mudanças é a erosão do córtex pré-frontal –  aquele importantíssimo centro de controle executivo. Quando essa região do cérebro enfraquece, quando o desejo por pornografia aparece, há pouca força de vontade presente para regular o desejo. Os neurocientistas chamam esse problema de hipofrontalidade, quando a pessoa perde lentamente o controle sobre os impulsos e o domínio sobre suas paixões.
    O ponto é o seguinte: Aquilo que, no cérebro, é a marca da idade adulta e da maturidade é a coisa que é destruída quando vemos mais pornografia. É como se o cérebro estivesse retrocedendo, tornando-se mais infantil. O entretenimento “adulto”, na verdade, nos torna mais infantis.
    A brilhante mentira de Hugh Hefner
    A tentativa de transformar o desvio sexual em algo cavalheiresco me parece nada mais do que a tentativa de enfraquecer os homens para justificar um comportamento indecente. Desde que o primeiro número daPlayboy chegou às bancas de jornal em 1953, a estratégia de Hugh Hefner teve duas dimensões: para os distribuidores, ele vendeu a revista como pornografia leve, mas para o público alvo ele a vendeu como uma “revista sobre estilo de vida” masculino para homens em ascensão. O sociólogo Gail Dines explica como a Playboy fez seu próprio marketing, dando início então à mudança da imagem pública da pornografia:
    “Quando os editores se dirigiam ao leitor, as imagens eram apenas uma das muitas atrações, e não a atração. O leitor era convidado não a se masturbar diante da fotografia central, mas antes a entrar no mundo da elite cultural, a discutir filosofia e consumir comidas associadas à classe média alta. As marcas de uma vida de classe abastada, que aparecem causalmente como reflexões (coquetéis, hors d’oeurvre e Picasso), foram colocados deliberadamente para mascarar a revista com uma aura de respeitabilidade de classe média alta.”
    Assim como certamente a Playboy teria morrido sem as mulheres nuas enchendo suas páginas, a revista também teria morrido sem seus artigos e propagandas, que deram permissão ao homem norte-americano auto-definido como classe média a viciar-se em pornografia.
    Por que as lojas para adultos têm entradas pelos fundos? Seria porque sua clientela é composta por revolucionários incompreendidos que estão tramando o fim de sociedade sexualmente reprimida? Ou será que é algo muito mais simples que isso? Não seria porque eles sabem que tal comportamento é errado?
    Quando alguém considera as opções, qual atividade soa mais “madura” e adulta: ter uma vida conjugal por toda a vida com uma mulher de carne e osso a quem você está ansioso para servir e estimar, apesar de todos os seus erros e defeitos (e apesar dos seus próprios), ou fugir à noite para navegar na internet, trocando de mulher a cada momento, de um vídeo de 30 segundos a outro, ininterruptamente, buscando o prazer enquanto você se vincula a pixels numa tela?
    Matt Fradd
     

    Sobre a legalização das drogas leves

     
     
    A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, defendeu recentemente, numa entrevista à TSF, a legalização da venda de drogas leves em Portugal e a sua venda nas farmácias. De acordo com a sua argumentação, os ganhos para os cidadãos seriam alcançados graças à diminuição de outros crimes.
    Infelizmente,  a sra. ministra parece desconhecer que  as designadas “drogas leves” não são, na realidade, assim tão leves, já que podem provocar danos gravíssimos a quem as consome. Tomemos como exemplo o cannabis. Esta droga muito popularizada e consumida na nossa sociedade, inclusivamente por jovens, pode contribuir para o aparecimento de várias doenças psiquiátricas.
    O consumo de cannabis (excluindo, obviamente, a utilização restrita dos seus derivados para alguns fins terapêuticos) aumenta o risco do aparecimento de psicoses, que impedem uma pessoa de pensar adequadamente e interferem negativamente, entre outros fatores, com o rendimento cognitivo (a memória, concentração, etc.), prejudicando gravemente o funcionamento profissional e escolar.
    Já há muitos anos que existem inúmeros estudos científicos que associam o consumo de cannabis à esquizofrenia. Por exemplo, em 2011, o psiquiatra holandês Jim Van Os publicou um estudo longitudinal com a duração de dez anos, tendo comprovado que o consumo regular desta droga aumenta o risco de desenvolvimento de sintomas psicóticos. Além disso, o consumo de cannabis tem sido associado a um aumento do risco de: comportamentos antissociais, ideação suicida, dificuldades no relacionamento interpessoal, consumo de outras drogas ilícitas, designadamente drogas injetáveis, etc..
    Por inúmeras razões, intoxicou-se a sociedade com a ideia falsa de que as “drogas leves” não causam danos à saúde. Existe ainda uma ideologia que defende a liberalização das drogas, vendo o consumo das mesmas como um exercício de liberdade individual; o direito de qualquer um de nós fazer o que quer relativamente à sua saúde e à sua própria vida, designadamente, destruindo-a. Acontece que ninguém sofre sozinho nesteprocesso de autodestruição, já que há pais, filhos, irmãos, amigos, etc., que também sofrem com a escolha deste caminho. Um homem não pode usar a sua liberdade para abdicar dela e se converter num escravo de uma droga que o vai destruindo. Seria, portanto, um sinal errado se o Estado promovesse a legalização e a venda nas farmácias de drogas que “matam devagarinho”.
    Devemos desconfiar sempre de um Estado que, com o falso argumento da liberdade individual, deixe de ser regulador, criando na lei alguns limites, devidamente justificados, aos comportamentos individuais; devemos desconfiar de um Estado que, sob o disfarce de um paternalismo permissivo, rejeita a ciência, nega irresponsavelmente a realidade de um mal e evoca critérios errados para justificar políticas que facilitam a autodestruição do ser humano.
    Na verdade, se a sra. ministra deseja realmente introduzir medidas que tragam benefícios para os cidadãos, então deve promover campanhas de esclarecimento, informando com rigor científico que as “drogas leves” afinal são “pesadas”. Esta medida seria muito bem vista pelos pais, professores e por muitos daqueles profissionais de saúde que lutam diariamente há décadas neste país para retirar milhares de pessoas da escravidão das drogas.
    A droga não se vence passando o tráfico das ruas para a venda legal nas farmácias. Esta medida seria um sinal de fraqueza e um gesto de falsa compaixão. A verdadeira compaixão assenta em salvar pessoas, ajudando-as a recuperar o impulso natural do homem, que o leva a agarrar-se à vida, sem drogas.
    Pedro Afonso
    Médico Psiquiatra
    in jornal Público
    17.02.2015

    A gravidez na Bíblia

     
    Todas as culturas, grandes e modestas, celebraram sempre com respeito e amor a gestação. Leiam-se, por exemplo, as extraordinárias estrofes do Salmo 139 que cantam a misteriosa ação de Deus: «Tu modelaste as entranhas do meu ser/ e formaste-me no seio de minha mãe./ Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras./ Quando os meus ossos estavam a ser formados,/ e eu, em segredo, me desenvolvia,/ tecido nas profundezas da terra,/ nada disso te era oculto./ Os teus olhos viram-me em embrião./ Tudo isso estava escrito no teu livro./ Todos os meus dias estavam modelados,/ ainda antes que um só deles existisse» (13-16). As imagens são as do tecelão e do oleiro.
    Job, noutra estrofe de grande sugestão, imagina que Deus é, além de tecelão e oleiro, no ventre da mãe como um pastor que modela uma forma de queijo: «Foram as tuas mãos que me formaram e modelaram […]. Não me espremeste como o leite, coagulando-me como quem faz queijo? De pele e de carne me revestiste, de ossos e de nervos me consolidaste» (10, 8-11).
    De acordo com a curiosa ciência médica do tempo, pensava-se que o embrião fosse a simples coagulação do sémen masculino, favorecida pela menstruação da mulher – o óvulo feminino só foi identificado em 1827 por Karl Ernst von Baer. Com efeito, o livro bíblico da Sabedoria coloca na boca de Salomão estas palavras: «No ventre de uma mãe fui feito carne. Durante dez meses [lunares] fui ganhando corpo no sangue, a partir do sémen do homem e do prazer conjugal» (7, 1-2).
    Em Maria, a gravidez adquire um carácter absolutamente único, que se exprime pelas palavras do anjo Gabriel: «Hás de conceber no teu sei o e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo» (Lucas 1, 32).
     
    Card. Gianfranco Ravasi 
    Biblista, presidente do Pontifício Conselho da Cultura 
    In "Famiglia Cristiana" 
    Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
    Publicado em 15.02.2015

    domingo, 15 de fevereiro de 2015

    Nova petição para alterar regulamentação do aborto

     
     
    Vai ser apresentada, na próxima semana, na Assembleia da República, uma iniciativa legislativa que pede a revisão da lei da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, revelou Isilda Pegado, coordenadora da Federação Portuguesa pela Vida, ao Observador.
    Entre 2007 e 2013, realizaram-se 122.470 interrupções voluntárias de gravidez em Portugal. E, desde 2011, que se mantém a tendência de redução, o que é interpretado como um sinal positivo pela Associação para o Planeamento da Família (APF). Mas várias pessoas e organizações pró-vida discordam desta perspetiva. Nesta quarta-feira, comemora-se o oitavo aniversário do referendo e da vitória do “sim”.
    Na iniciativa legislativa que vai ser apresentada na próxima semana, “não estará a penalização do aborto” em causa, mas a inclusão de outras cláusulas “protetoras da vida humana”, conta Isilda Pegado, em declarações ao Observador. A chamada Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade – Do Direito a Nascer (que é possível consultar aqui) quer que o pai seja chamado ao processo decisório de interrupção da gravidez, que o Estado passe a disponibilizar “meios de ajuda efetiva” para mulheres em dificuldades sociais e que as mulheres que abortem deixem de poder gozar licenças de parentalidade pagas a 100% pela Segurança Social.
    “Estamos a viver uma crise de natalidade. Em oito anos, vimos mais de 150 mil vidas serem eliminadas. Fazem muita falta ao país”, defende Isilda Pegado. “Temos conhecimento de que há milhares de mulheres que ficam destruídas [após o aborto]”, acrescenta. Para a coordenadora da Federação Portuguesa pela Vida, uma lei “fraturante”, como é o caso da descriminalização do aborto, “é lamentável que ainda não tenha sido reavaliada” desde que foi instaurada.
    Cerca de 23,63% das mulheres que interromperam a gravidez, em 2013, em Portugal, fizeram-no por opção própria e estavam desempregadas, sendo que este número não inclui as estudantes, que representam mais 17% dos casos. Dar apoio a todas estas pessoas não seria um gasto muito maior para o Estado do que as licenças de paternidade? “A riqueza de uma nação é o seu capital humano. As pessoas são o motor de desenvolvimento de qualquer país”, responde.
    E é por isso que Isilda também discorda da interpretação do número de interrupções de gravidez feita pela Associação para o Planeamento da Família.“A taxa de aborto deve ser vista em função do número de gravidezes em Portugal”, defende, argumentando que o número de nascimentos também devia fazer parte desta conta.
    A opinião de José Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS e uma das vozes mais conhecidas pró-vida, vai no mesmo sentido daquela que é defendida pela coordenadora da Federação Portuguesa pela Vida. “É preciso confrontar o número de abortos com o número de nascimentos”, afirma, justificando que “não se pode dizer que o número de abortos tem baixado”, quando os números de nascimentos também.
    E defende que existem “dois aspetos na lei que devem ser corrigidos”: a não existência de regulamentação adequada sobre a primeira consulta e o tempo de reflexão que as grávidas têm de cumprir antes de abortarem; a inexistência de estatísticas do que se passa na primeira consulta, para avaliar o sucesso desse procedimento. Outro ponto que José Ribeiro e Castro lembra é a exclusão de profissionais de saúde que são objetores de consciência da consulta de aconselhamento. “Não tem a menor justificação. Não devia haver nenhuma discriminação de saúde”, afirma.
    Fonte: Observador

    Preservativo não protege contra gravidezes indesejadas nem contra DST's

     
     
    Na semana passada, o presidente da APF- Associação para o Planeamento Familiar, Duarte Vilar, a propósito do aniversário do referendo do Aborto de 2007, disse o seguinte:
     
    «"este número nunca vai ser zero, pois temos de contar os acidentes, com os “erros humanos”, lembra. Um preservativo que rebenta durante o ato ou “comportamentos de risco” são situações que vão continuar a existir»
     
    Afinal, o preservativo também é falível !
     
    A este propósito, veja-se um artigo recentemente divulgado no ACI
     
    Mente para a população quem diz que o preservativo evita a transmissão sexual do vírus da AIDS”, afirma o especialista americano na transmissão da AIDS, Dr. Richard Smith.
    No estudo “The Condom: Is it really safe sex?”, ele afirma que a relação sexual com camisinha é como uma “roleta russa”.
    Ele apresenta seis grandes falhas do preservativo, entre as quais a deterioração do látex devido às condições de transporte e  embalagem. “O tamanho do vírus HIV é 450 vezes menor que o espermatozóide. Estes pequenos vírus podem passar entre os poros do látex tão facilmente em um bom preservativo como em um defeituoso”, alerta.   
    “Todos os preservativos têm poros 50 a 500 vezes maiores que o vírus da AIDS”, afirma a Rubler Chemistry Technology, Washington, D.C., junho de 1992. Um outro artigo do Dr. Robert C. Noble, condensado de “Newsweek” de Nova Iorque, também mostra como é ilusória a crença no “sexo seguro”  com a camisinha. A pesquisadora Dra. Susan C. Weller, no artigo “A Meta-Analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV”, publicado na revista Social Science and Medicine, (1993, vol. 36, issue 12, pp. 1635-1644), afirma: “Presta desserviço à população quem estimula a crença de que o condom (camisinha) evitará a transmissão sexual do HIV. O condom não elimina o risco da transmissão sexual”.
    As pesquisas também indicam que o condom é 87% eficiente na prevenção da gravidez. Quanto aos estudos da transmissão da AIDS, indicam que o condom diminui o risco de infecção pelo HIV aproximadamente em 69%, o que é bem menos do que o que normalmente se supõe”. Isto significa que, em média, três relações sexuais com camisinha têm o risco equivalente a uma relação sem a camisinha. A estatística revela um alto risco, já que a AIDS não tem cura.
    Se a ‘camisinha’ falha para prevenir a AIDS em 10% e se expõem ao perigo 100.000 adolescentes temos 10.000 infectados. Se a propaganda para o uso do preservativo aumenta o índice de atividade sexual em 15%, se exporão ao perigo 115.000 adolescentes: 11.500 infectados.
    Nesse tempo de Carnaval, quando milhões de pessoas são levadas a fazer em quatro dias coisas das quais vão se arrepender nos dias seguintes, é importante tomar conhecimento dessas comprovações científicas que mostram que a camisinha não previne 100% o contágio da AIDS.
    No final dessa matéria, uma pergunta é necessária: Se uma pessoa descobrisse que seu possível parceiro sexual tem AIDS, qual seria a sua decisão? Faria sexo com camisinha?

    Fonte: ACI Digital

    Estudo demonstra que educação em ambiente homossexual é prejudicial às crianças

    Fresh research has just tossed a grenade into the incendiary issue of same-sex parenting. Writing in the British Journal of Education, Society & Behavioural Science, a peer-reviewed journal, American sociologist Paul Sullins concludes that children’s “Emotional problems [are] over twice as prevalent for children with same-sex parents than for children with opposite-sex parents”.
    He says confidently: “it is no longer accurate to claim that no study has found children in same-sex families to be disadvantaged relative to those in opposite-sex families.”
    This defiant rebuttal of the “no difference” hypothesis is sure to stir up a hornet’s next as the Supreme Court prepares to trawl through arguments for and against same-sex marriage. It will be impossible for critics to ignore it, as it is based on more data than any previous study -- 512 children with same-sex parents drawn from the US National Health Interview Survey. The emotional problems included misbehaviour, worrying, depression, poor relationships with peers and inability to concentrate.
    After crunching the numbers, Sullins found opposite-sex parents provided a better environment. “Biological parentage uniquely and powerfully distinguishes child outcomes between children with opposite-sex parents and those with same-sex parents,” he writes.
    As he points out, this has immense implications for public policy. The Elton John/David Furnish model of lavishing love and licorice on the offspring of surrogate mothers won’t do. Throwing down the gauntlet before supporters of same-sex marriage, Sullins contends that “the primary benefit of marriage for children, therefore, may not be that it tends to present them with improved parents (more stable, financially affluent, etc, although it does this), but that it presents them with their own parents.”
    The Ultima Thule of same-sex marriage, legal and social recognition of gay and lesbian partnerships, will not reduce the risk of emotional problems. “The two family forms will continue to have fundamentally different, even contrasting effects on the biological component of child well-being, to the relative detriment of children in same-sex families.”
    Past research 
    Until recently nearly all studies of same-sex parenting were very small. In a survey of 49 studies in 2010, one researcher found that their mean sample size was only 39 children. Only four of these were random samples; the others had been selected by contacting gay and lesbian groups. An ambitious 2012 study by Mark Regnerus, of the University of Texas at Austin, identified only 39 young adults who had lived with a same-sex couple for more than three years out of 2,988 cases.
    For researchers, it’s a conundrum. The number of children being raised by same-sex couples is so small – 0.005 percent of American households with children -- that capturing them in a random sample is like finding a needle in a haystack. So the figure of 512 children, while still relatively small, makes Sullins’s study a major contribution.
    Sullins examines whether other factors could explain the difference in emotional welfare. According to his analysis, none of them does.
    One factor could be instability. Children do not flourish in unstable environments. Gay and lesbian parents tend to rent rather than to own their own houses, which involves the trauma of pulling up stakes and resettling. This may also indicate parents are less settled in their relationship.  Parental psychological distress is also associated with children’s increased risk of emotional problems. Neither of these explained the differences.
    The most widely-accepted explanation of poor emotional and behavioural results amongst children in same-sex households is homophobia. Supporters of same-sex parenting attribute poor emotional well-being to stigmatization. These kids are damaged, it is said, because they have been singled out, teased and bullied. If their peers were less homophobic, things would be different.
    But Sullins dismisses this. “Contrary to the assumption underlying this hypothesis, children with opposite-sex parents are picked on and bullied more than those with same-sex parents.”
    This sounds surprising, but in another paper, published last year in the British Journal of Medicine and Medical Research and based on the same data, Sullins found that children of same-sex parents are more at risk of ADHD. And if they had ADHD, they were over seven times more likely to suffer stigmatization because of their impaired interpersonal coping skills. In other words, if kids from homes with same-sex parents are bullied more, it’s because they lack interpersonal skills, not because their parents are gay or lesbian.
    Bullying is toxic, but it’s important to find out whether kids are being bullied because they’re different or because their parents are different.
    What comes next? 
    What is the implication of Sullin’s study?
    It is not that all children in same-sex homes will be emotionally damaged. Sullins is quite emphatic about this. “Most children in most families achieve a level of psychosocial function that is not characterized by serious emotional problems.” However, even if most kids are all right, more of them are all right in intact marriages with their biological parents.
    Sullins’s concluding suggestions for further research are eye-openers. In the media and in the courts, fine-grained studies have been few and far between. What about studies of girls who have no fathers and boys who have no mothers? Does same-sex parenting affect younger children differently than teenagers? Do adopted children fare are well as children from IVF or surrogate mothers?
    These are obvious questions; who will be brave enough to ask them?
    Paul Sullins must be a gutsy guy. When Mark Regnerus attacked the “no difference” hypothesis, his career was almost destroyed by trolls who trashed his data, his competence and his integrity. As a professor at Catholic University of America, and a married Catholic priest with three children (he used to be an Episcopalian), Sullins has to be ready to go all 15 rounds. 
    Michael Cook is editor of MercatorNet. 
    - See more at: http://www.mercatornet.com/articles/view/the_no_difference_theory_is_dead#sthash.EjCIcaOg.dpuf

    http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2500537

    quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

    8 anos de aborto em Portugal

    José Maria Duque
    Nós, os poucos, 2015.02.11

    Cumprem-se hoje 8 anos sobre o referendo que liberalizou o aborto em Portugal. Para assinalar a data, o Observador publicou um artigo com o título <>

    A peça é toda ela uma obra de publicidade à Associação de Planeamento Familiar, uma instituição declaradamente pró-aborto. No artigo são produzidas várias afirmações sobre como o número de abortos não são dramáticos e de como as mulheres ficam aliviadas depois de abortar, sem que haja espaço para qualquer contraditório ou seja fornecido algo mais do que a opinião da APF e do seu presidente. O único dado objectivo fornecido no texto é o número de abortos realizados em Portugal. Mesmo este dado só é dado para sustentar a afirmação de que o aborto no nosso país está a diminuir.

    Antes de mais não posso deixar de falar da falta de qualidade jornalística do artigo em questão. Nada que me espante, porque este é o nível a que o Observador nos tem vindo a habituar, provando que a capacidade dos seus jornalistas é inversamente proporcional à dos colunistas.

    Há dois claros exemplos disto. O primeiro é o tratamento dado ao número de abortos. De facto, nos últimos dois anos o número total de abortos tem vindo a diminuir. Depois de um aumento constante entre 2008 e 2011, em 2012 e 2013 o número diminui. Contudo este facto, isolado, não quer dizer nada. 

    O número de mulheres em idade fértil tem vindo a diminuir (envelhecimento da população). Por isso, para se saber se o aborto realmente diminuiu, é preciso saber se, no universo de mulheres grávidas, a percentagem daquelas que escolheu abortar é ou não menor. Isso é possível com três dados: o número de abortos, o número de abortos a pedido da mulher e o número de nados-vivos.

    E o que de facto se constata, como refere José Ribeiro e Castro no comentário que faz a este artigo na página do Observador, é que a percentagem de mulheres grávidas que aborta tem vindo sempre a aumentar desde 2008. Ou seja o que diminuiu em Portugal foram as gravidezes. O aborto continua a aumentar.

     
     
    O segundo exemplo da falta de seriedade do trabalho do Observador é uma perigosa afirmação feita pelo presidente da APF no fim do artigo: «Mas, "no estrangeiro, muitos estudos falam que depois da culpa da interrupção [de gravidez] surge uma sensação de alívio. Faz sentido"». Esta afirmação é perigosa porque parece ignorar os efeitos traumáticos que o aborto tem na mulher, que levam em muitos casos a depressões profundas. Este facto é confirmado não só por variadíssimos estudos como por inúmeras associações que trabalham no terreno a apoiar mulheres que já abortaram. Reproduzir esta frase sem assinalar que é controversa ou sem qualquer contraditório demonstra o desconhecimento do jornalista sobre o tema, assim como a ausência de qualquer investigação. De facto, mais do que uma notícia, o jornalista escreveu um anúncio à APF e à sua apologia do aborto.

    Mas a incompetência e parcialidade do jornalista do Observador não é para mim o mais grave desta notícia. É triste e demonstra o estado do nosso jornalismo, mas não é o mais grave.

    O mais grave é a forma banal como se fala do aborto. Como se fosse uma coisa boa. Como se o problema do aborto fosse criado pelo "estigma" que a sociedade lhe atribui. Como se o aborto fosse algo normal. Isto é o mais grave.

    Porque se transformou o mal em algo de banal. Já não é preciso um monstro para o fazer: é fornecido pelo Serviço Nacional de Saúde de forma gratuita. E é de tal forma banal que o número total de abortos praticado desde 2007 (122.479) é apresentado como se fosse uma coisa boa. Afinal não foram assim tantos! De facto os pró-vida são uns alarmistas! Foram só cento e vinte e duas mil quatrocentas e setenta e nove crianças que foram eliminadas, gratuitamente e sem nenhuma razão, desde 2007.

    É esta mentalidade que é preciso combater, é esta cultura. Porque o drama maior não é que haja uma lei que permite o aborto, mas que 21% das mulheres que engravidam em Portugal abortem.

    Essa luta faz-se de muitas maneiras. Uma delas é criando leis que promovam uma cultura a favor da vida por nascer e eliminem as causas que levam ao aborto. É esse o grande objectivo da Iniciativa Legistativa: Pelo Direito a Nascer que recolheu em menos de quatro meses mais de quarenta mil assinaturas e que se prepara para dar entrada na Assembleia da República. 

    Os deputados que vão ser chamados a votar esta iniciativa tem agora dois caminhos: ajudar a criar uma mentalidade que defenda a vida ou então continuar a deixar que em Portugal o mal se mantenha de tal maneira banal que permaneça um direito