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sábado, 5 de julho de 2014

Um saco de plástico vazio a voar errático ao sabor do vento

Uma tentação diária que nos afeta a todos
Um saco de plástico vazio a voar errático ao sabor do vento
Perder o norte, o sentido ou a motivação, ainda que por breves horas, minutos ou segundos com prejuízos para os outros e para nós próprios

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Nascer todas as manhãs

Nascer Todas as Manhãs

Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in "Diário (1982)"

sábado, 18 de agosto de 2012

Fogo de Artifício

Uma música alegre, optimista e com uma letra muito positiva e motivadora.
A vida vale a pena ser vivida, apesar de tudo o de mal que ela e nós temos !

Você já se sentiu
Como um saco plástico
Flutuando pelo vento
Querendo começar de novo?

Você já se sentiu,
Com um papel bem fino
Como um castelo de cartas
A um sopro de desmoronar?

Você já se sentiu
Como se estivesse enterrado ao fundo
Gritando sob seis palmos
Mas ninguém parece ouvir nada?

Você sabe que ainda
Há uma chance para você?
Porque há uma faísca em você

Você só tem
Que acendê-la
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como no dia da independência

Porque, baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "Ah, ah, ah!"
Enquanto você é atirado pelo céu "Ah, ah!"

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "Ah, ah, ah!"
Você vai deixá-los dizendo "awe, awe, awe"

Você não tem que se sentir
Como um desperdício de espaço
Você é original,
Não pode ser substituído
Se você soubesse
O que o futuro guarda
Depois de um furacão
Vem um arco-íris.

Talvez a razão pela qual
Todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve
Para a estrada perfeita
Como um relâmpago,
Seu coração vai brilhar
E quando chegar a hora, você saberá

Você só tem que
Acender a luz
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como o dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "Ah, ah, ah!"
Enquanto você é atirado pelo céu "Ah, ah!"

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "Ah, ah, ah!"
Você vai deixá-los dizendo "awe, awe, awe"

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Sempre esteve dentro de você, você, você
E agora é hora de deixá-lo sair

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "Ah, ah, ah!"
Enquanto você é atirado pelo céu \"Ah, ah!\"

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "Ah, ah, ah!"
Você vai deixá-los dizendo "awe, awe, awe"

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua

sábado, 28 de abril de 2012

O suicídio e a actual crise económica

De acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística, em 2010 as mortes por suicídio em Portugal ultrapassaram pela primeira vez, os óbitos provocados por acidentes rodoviários.
Neste caso, ocorreram no nosso país 1101 óbitos por suicídio, mais 86 do que as mortes registadas em acidentes nas estradas durante o mesmo período.
Desde a “grande depressão”, com início em 1929 nos EUA, que se conhece a relação entre a crise económica e o aumento do número de suicídios. Ora, considerando o crescimento da taxa de desemprego para cerca de 15%, as dificuldades económicas da população e o consequente acréscimo dos casos de depressão, existem sérios riscos de ocorrer no nosso país um aumento exponencial do número de suicídios.
Um estudo publicado em 2009, na revista Lancet, revelou que na UE cada aumento de 1% do desemprego está associado a uma subida de 0,8% de suicídios. Além disso, verificou-se que um aumento superior a 3% na taxa de desemprego encontra-se associada a um acréscimo de 4,5% de suicídios.
Mas será que este aumento do número de suicídios poderá ser evitado?
Existem pelo menos dois países da UE que conseguiram alcançar este objectivo. Na Suécia, o desemprego aumentou de 2,1% para 5,7 % entre 1991 e 1992, mas apesar disso a taxa de suicídios diminuiu.
Por sua vez, na Finlândia, o desempre
go aumentou de 3,2% para 16,6% entre 1990 e 1993 e as taxas de suicídios diminuíram ano após ano. Este sucesso pode ser em grande parte explicado pelo facto de ambos os países disporem de um forte modelo de protecção social e terem implementado programas de estímulo à procura e criação de emprego, a par de possuírem bons cuidados de saúde mental.
O aumento das doenças psiquiátricas associadas à crise económica é um problema que terá de ser monitorizado pelo governo, devendo ser tomadas algumas medidas que podem salvar vidas. Por exemplo, os serviços de saúde devem acompanhar as situações mais dramáticas, como são os casos em que ambos os elementos do casal estão desempregados, ou quando existem filhos menores que podem sofrer graves carências com o empobrecimento dos pais.
De resto, umas das maiores humilhações que o ser humano pode sofrer é não conseguir garantir a alimentação dos seus próprios filhos. Sabendo que a crise veio para durar, já não se trata de solicitar aos portugueses que façam alguns sacrifícios, trata-se de lhes pedir que acatem resignadamente uma vida servil de constante provações, exigindo por vezes que ultrapassem os limites do suportável da sua saúde mental.
Talvez por isso é que tomo cada vez mais consciência do sentimento de impotência perante muitos casos de depressão e sinto uma força irreprimível de escrever a palavra “fome” no diagnóstico psiquiátrico da ficha de observação.
O pior sinal que poderíamos dar actualmente ao mundo seria o de uma sociedade que se resigna perante o sofrimento dos mais fracos e que permanece impassível face à sua própria destruição.
A indiferença política diante do aumento do número de suicídios, no contexto da presente crise económica, pode tornar-se perigosa, pois corrompe o tecido social e exprime a renúncia a um importante compromisso: o compromisso com o futuro.
In jornal SOL 27.04.2012
Pedro Afonso Médico Psiquiatra

segunda-feira, 14 de março de 2011

Eutanásia e suicídio assistido: Sete razões para contrariar a sua legalização


Luke Gormally
Tradução de Maria José Figueiredo


1. A «justificação» da eutanásia voluntária pressupõe a rejeição de um princípio que é fundamental para um justo enquadramento das leis numa sociedade.


A eutanásia voluntária consiste em matar um paciente a seu pedido, na convicção de que a morte constitui um benefício para esse paciente e de que, por essa razão, se justifica matá-lo. Mas o simples facto de uma pessoa afirmar, de sua livre vontade, que deseja ser morta não constitui, em si mesmo, razão para um médico achar que a morte será um benefício para essa pessoa. Nenhum médico acederia a satisfazer uma solicitação deste género, por muito que lhe parecesse que o paciente a fazia de livre vontade, se achasse que este tinha perspectivas de uma vida com valor.

Ora, afirmar que a vida de uma pessoa é desprovida de valor é o mesmo que negar valor a essa pessoa, dado que a realidade de uma pessoa de maneira nenhuma se distingue da sua vida. Assim, pois, na base das mortes por eutanásia está um juízo quanto ao valor de determinadas vidas humanas.


Uma legalização da morte cuja justificação assenta na convicção de que há certas vidas que não têm valor é contrária a qualquer sistema legal que afirme proteger e promover uma ordem social justa. Porquê? Porque, para que a justiça vigore numa sociedade, é necessário encontrar uma forma não arbitrária e não discriminatória de identificar os sujeitos dessa mesma justiça. Mas a única maneira de evitar a arbitrariedade na identificação dos sujeitos da justiça é presumir que todos os seres humanos, pelo simples facto de serem humanos, têm direito a ser tratados de forma justa e são sujeitos de determinados direitos humanos básicos. Por outras palavras, a dignidade e o valor que se reconhecem aos seres humanos resultam directamente da sua humanidade. Pelo contrário, esta dignidade e este valor não podem constituir um título para a reclamação de um tratamento justo por parte de terceiros se se considera que os seres humanos podem ser privados deles. A dignidade e o valor são, por assim dizer, características não elimináveis da nossa humanidade.

A morte por eutanásia, mesmo quando é feita a pedido, pressupõe a negação do valor da vida das pessoas que são consideradas possíveis candidatos à eutanásia. Trata-se, pois, de um tipo de morte que não pode ser integrada num sistema legal que tem como um dos seus fundamentos o valor e a dignidade de todos os seres humanos.

É de importância crucial para todos os estados manter um corpo de leis consistente com o respeito pela dignidade e pelo valor de todos os seres humanos. É nomeadamente importante não legalizar a morte dos inocentes, porque uma das tarefas fundamentais das autoridades civis é proteger os inocentes. Ora, quando recorre à tese segundo a qual a vida de determinada pessoa é desprovida de valor para tornar legal a morte dessa pessoa, o Estado deixou de reconhecer que os inocentes têm o direito de ser protegidos. Mas, se o Estado considera que estes direitos são nulos, como pode então reclamar para si aquela autoridade que deriva justamente da necessidade que os cidadãos têm de ser protegidos de ataques injustos?

2. A legalização do suicídio assistido também é inconsistente com o mesmo princípio fundamental de um sistema legal justo.

A descriminalização do suicídio (e, portanto, das tentativas de suicídio) faz sentido quando temos em consideração as dificuldades por que teriam de passar as pessoas que fossem sujeitas a um processo judicial depois de terem tentado suicidar-se. Mas esta descriminalização – motivada pelo desejo de não dificultar ainda mais a vida destas pessoas – não implica que a lei tinha uma visão neutral da opção pelo suicídio. As pessoas que tentam suicidar-se são manifestamente motivadas por uma convicção (pelo menos passageira) de que a sua vida deixou de ter sentido. Ora, dado que as disposições legais justas assentam na convicção de que toda a vida humana tem um valor que não é possível eliminar, a lei tem de rejeitar a razoabilidade de uma opção que tem como base a motivação inversa.

Assim, a lei tem igualmente de se recusar a aceitar o comportamento das pessoas que sancionam com os seus actos a opção pelo suicídio, porque os referidos actos assentam na tese segundo a qual a vida daquele que estão a ajudar deixou de ter valor. Dizer que estas pessoas agem «movidas pela amizade», ou «movidas pela compaixão», não explica suficientemente o seu comportamento. Com efeito, como é possível descrever como «amizade» ou «compaixão» as motivações de uma pessoa que colabora num suicídio, quando tais motivações têm por base a convicção de que aquele que estão ajudar está melhor morto? Se achassem que esta pessoa podia continuar a ter uma vida com valor, ajudá-la a morrer dificilmente poderia ser considerado um acto de amizade.

Há, pois, boas razões para resistir à legalização do suicídio assistido, razões que são tão fundamentais como a primeira razão atrás apresentada para resistir à legalização da eutanásia.
3. Se a eutanásia voluntária for legalizada, terá sido abandonada a razão mais premente para resistir à legalização da eutanásia não voluntária.

Muitas das pessoas que apoiam a legalização da eutanásia voluntária opõem-se à legalização da eutanásia não voluntária. Contudo, se a única maneira de justificar a tese segundo a qual a eutanásia é um benefício para a pessoa que vai morrer é recorrer à tese de que a vida da referida pessoa deixou de ter valor, então os que apoiam a eutanásia voluntária estão, sem disso se aperceberem, a comprar um pacote bastante maior do que pensavam. Porque, se é possível beneficiar uma pessoa matando-a, será razoável privar as pessoas desse benefício pelo simples facto de elas não terem a capacidade de solicitar que as matem? E, se nos espanta (e é muito razoável que nos espante) a tese de que alguém pode beneficiar com a própria morte, podemos pelo menos aceitar a tese de que, quando a vida de uma pessoa deixou de ter valor, não estamos a prejudicá-la privando-a dessa mesma vida.

Na realidade, os defensores mais activos e mais lúcidos da legalização da eutanásia voluntária também são defensores da legalização da eutanásia não voluntária. Do ponto de vista destas pessoas, os seres humanos não têm uma «categoria moral» (que é o equivalente àquilo a que, neste artigo, se designa por «dignidade básica») em virtude do qual gozem de direitos humanos básicos; por este motivo, não se está a cometer nenhuma injustiça contra eles quando a motivação para os matar é, muito simplesmente, a conveniência dos seres humanos que têm «categoria moral». O exercício que consiste em distinguir os seres humanos que têm «categoria moral» daqueles que a não têm é totalmente arbitrário. Os defensores da legalização da eutanásia, como os filósofos Peter Singer e Helga Kuhse, que aderem a esta arbitrariedade, fazem-no sem uma preocupação evidente pela subversão dos fundamentos da justiça que a referida arbitrariedade pressupõe.

4. A legalização da eutanásia voluntária ajudaria a promover a prática da eutanásia não voluntária, sem os benefícios da legalização.

O processo dar-se-ia por duas vias: em primeiro lugar, tem-se verificado que as pessoas que começam por afirmar que desejam limitar a prática da eutanásia à eutanásia voluntária acabam por chegar à conclusão de que, quando esta é permitida, deixa de haver razões válidas para proibir a eutanásia não voluntária, pelo que começam imediatamente a planear a prática sistemática da eutanásia não voluntária. Trata-se de um fenómeno facilmente detectável, por exemplo, no comportamento da Real Associação de Médicos Holandeses ao longo dos últimos quinze anos. Depois de terem promovido a aceitação daquilo que afirmavam ser a «prática controlada» apenas da eutanásia voluntária, promovem actualmente a aceitação da prática da eutanásia não voluntária.

Em segundo lugar, porque os critérios para a delimitação da prática da eutanásia a pedido do cliente são irremediavelmente imprecisos. A experiência holandesa demonstrou a verdade daquilo que os críticos afirmavam acerca da aprovação legal da eutanásia voluntária (fosse por decreto legal ou por decisão judicial), a saber, que ela conduziria à prática alargada da eutanásia não voluntária. Os dados disponíveis mostram, com base em estimativas feitas por baixo, que, em 1990, cerca de uma em cada doze mortes ocorridas na Holanda o foram por eutanásia (10.558 casos), e mais de metade destas sem solicitação explícita.

5. A eutanásia debilita das disposições que exigimos aos médicos, sendo por isso destrutiva da prática da medicina.

A prática da medicina só pode florescer quando os médicos têm uma disposição tal, que inspiram confiança nos doentes, muitos dos quais se encontram em situações extremamente vulneráveis. Mas os médicos só inspiram confiança quando os doentes têm a certeza de que eles não estão dispostos a matá-los, de que não sentem inclinação para considerar se vale a pena cuidar de um doente, mas se dispõem imediatamente a considerar que tipo de tratamento poderá ser preferível para cada caso.

Ora, a prática da eutanásia debilita sistematicamente ambas as disposições, porque dispõe os médicos a matar alguns dos seus doentes, ao mesmo tempo que inculca neles a ideia de que há doentes cujas vidas não têm valor. Mas, visto que não há critérios não arbitrários para determinar quais são as vidas que têm valor e as que não têm, uma pessoa que não renuncie por princípio a esse género de considerações discriminatórias cairá facilmente na tentação de categorizar as pessoas mais difíceis ou mais desinteressantes como pessoas cuja vida não tem valor.

Um dos mais importantes deveres do Estado é manter um quadro legal tal, que uma profissão tão essencial como a medicina funcione bem, e no interesse dos cidadãos. O Estado não estaria a cumprir esse dever se permitisse que os médicos tivessem comportamentos corrosivos da relação médico-doente.

6. A legalização da eutanásia debilita o ímpeto destinado a desenvolver atitudes verdadeiramente compassivas para com os doentes e os moribundos. A expressão mais adequada da compaixão são os cuidados de saúde, motivados por um sentimento mais ou menos intenso de simpatia para com as pessoas que sofrem. Não se pode cuidar das pessoas matando-as.

É muito importante ter em consideração que um dos elementos fundamentais dos debates contemporâneos relativos à legalização da eutanásia é a necessidade de reduzir os custos com os cuidados de saúde. E um dos perigos mais óbvios resultantes da sua legalização é que, dentro em breve, a eutanásia passe a ser vista como uma «solução» conveniente para as enormes necessidades de certo tipo de pacientes. Se tal acontecesse, a medicina ficaria privada do incentivo para a procura de soluções genuinamente compassivas para as dificuldades suscitadas pelos referidos pacientes. Os impulsos humanitários que sustentaram o desenvolvimento dos hospitais seriam postos em causa, porque a eutanásia passaria a ser considerada por muitos uma solução mais barata e menos exigente em termos pessoais.


7. Três comissões criadas por legislaturas anglófonas com a missão de analisarem propostas de legalização da eutanásia recomendaram que não fosse legalizada.

No decurso de 1994-95, foram publicados os relatórios das comissões criadas pela Câmara dos Lordes do parlamento britânico, pela Comissão de Análise à Vida e à Lei do estado de Nova Iorque e pelo Senado do parlamento canadiano, todas elas constituídas por pessoas com pontos de vista muito diferentes acerca da moralidade intrínseca da eutanásia; contudo, todas elas se mostraram claramente contrárias à sua legalização. Por exemplo, a comissão da Câmara dos Lordes contava entre os seus membros com várias pessoas que tinham defendido publicamente a eutanásia; no entanto, depois de terem passado um ano a ouvir testemunhos, a ler um conjunto muito alargado de dados e a discutir internamente as questões, os membros desta comissão decidiram por unanimidade recomendar que a eutanásia não fosse legalizada.

Há nos três relatórios muito material digno da atenção da Comissão Legislativa Legal e Constitucional do Senado do parlamento federal australiano. Baste a seguinte citação do relatório da Comissão da Câmara dos Lordes como epítome da sensatez das três comissões: «A proibição da morte intencional […] é a pedra angular das relações legais e sociais. Trata-se de uma proibição que nos protege de forma imparcial, encarnando a convicção de que somos todos iguais. Não queremos que tal protecção seja fragilizada, pelo que recomendamos que não se proceda a qualquer alteração na lei, com o fim de permitir a eutanásia. […] A morte de uma pessoa afecta a vida de outras pessoas, muitas vezes de maneiras imprevisíveis. É nossa convicção que a questão da eutanásia é uma daquelas em que os interesses do indivíduo não podem ser separado dos interesses da sociedade como um todo.»

O autor deste artigo tem a esperança de que, após a devida consideração dos factos, os membros da Comissão Legislativa Legal e Constitucional partilhem da sensatez moral e política que esta citação exemplifica.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Textos desta semana da rubrica da rádio Costa D'Oiro



Semana: 13/04/10 a 19/04/10

Dia 13 - É imprescindível que os pais se formem no sentido de estarem mais bem preparados para educar os seus filhos. Neste processo, é saudável que possam ter a oportunidade de pensar e reflectir sobre os estilos parentais que são, normalmente, apontados como três: o autocrático, o permissivo e o democrático.
Pais autocráticos são aqueles que desrespeitam as suas crianças, criticam-nas permanentemente e culpam-nas; ignoram os seus direitos; passam o tempo a dar sermões e ordens; tomam todas as decisões e castigam sistematicamente.
Por sua vez, os pais permissivos são o oposto: permitem o desrespeito, ignorando até os seus próprios direitos; são servos dos filhos e acarretam em si todos os problemas; tornam-se suplicantes dos filhos, e deixam-nos fazer o que querem.
Ninguém é perfeito e todos sabemos o quão complicado e difícil é educar hoje em dia, mas os pais têm também eles de aprender a gerir o melhor possível as situações de modo que possam ser aquilo a que mais comummente se designa de pais democráticos. Estes são aqueles que têm em conta os direitos das crianças, mas também os seus próprios direitos. Isto acontece, pois respeitam as crianças e aceitam-nas tal como elas são, encorajando, assim, o mútuo respeito. Os pais democráticos permitem a escolha, deixando que os filhos se responsabilizem pelos seus próprios actos e erros. Estes pais ouvem e envolvem os filhos nas tomadas de decisão, deixando que experienciem as consequências dos seus actos, desde que isso não comprometa, obviamente, a sua vida, mas que permita aprenderem saudavelmente.
Apoiado em: Don Dinkmeyer e Gary D. McKay, Raising a responsible child

Dia 14 – O suicídio recente de uma criança e de um professor, fruto da violência em meio escolar, leva-nos a ter de enfrentar este preocupante fenómeno. Já não é só a violência “às claras” que nos deve inquietar, mas a violência psicológica, subtil, que se apodera de nós todos os dias, sobretudo dos mais jovens, ao ponto de os transformar em vítimas e em agressores.
Que condições reunirá a sociedade em que vivemos, assim como os novos modelos de vida, para que nos tornemos mais violentos, de tal modo que a violência no meio escolar chegue ao ponto de gerar mortes?
Não podemos deixar de atender à incoerência dos modelos de educação. À família cabe o primeiro lugar na educação de uma criança, pelo que pai e mãe devem estar de acordo com o tipo de educação a dar aos seus filhos, agindo como figuras de referência. Se isso não acontece, acrescentando-se-lhe a violência explícita na televisão e na internet, gera-se confusão na criança ou no jovem. Crianças expostas a ambientes de famílias disfuncionais estão mais propensas à violência e a reproduzi-la noutros contextos.
Também a insegurança vivida à escala mundial, o secularismo ou o relativismo de valores esbateram a consciência moral; e a culpa, a noção de bem/mal foram-se esbatendo também, não havendo limites muito claros para o agir humano. O individualismo parece ter-se tornado na moeda de troca mais comum nas relações sociais, o que é preocupante.
Família e consciência moral: pensemos como os transformámos ou antes deformámos. Serão a ponta do iceberg de um fenómeno que recusamos enfrentar? Pensemos nisto.

Dia 15 – “Na vida preocupamo-nos em educar os nossos filhos o melhor possível, ensinando-lhes regras, dando-lhes conselhos, acompanhando-os nas suas diversas actividades e alertando-os constantemente para eventuais perigos. A Internet entrou nas nossas vidas e veio para ficar, passando a fazer parte delas. Mas tal como acontece com outras coisas nas nossas vidas, a Internet comporta alguns riscos com os quais temos de aprender a lidar para podermos preparar os nossos filhos para mais esta nova realidade.” SeguraNet
No site http://www.seguranet.pt/, pais, alunos e professores encontram Actividades Interactivas e informações sobre a utilização segura da Internet.
Todos podemos assim aprender de forma divertida e testar os conhecimentos sobre Segurança na Internet!

Dia 16 – Os Leigos para o Desenvolvimento são uma Organização não Governamental para o Desenvolvimento de cariz católico.
Como Associação, os Leigos para o Desenvolvimento são dotados de personalidade jurídica canónica e civil, e reconhecidos como uma Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento.
Os voluntários são leigos, com serviço desenvolvido, desde 1988, que, por um ou mais anos, põem as suas capacidades pessoais e profissionais ao serviço da promoção humana, em áreas como as da Educação, da Saúde, da Promoção Social e da Pastoral. Estão em África (Angola, Moçambique e S. Tomé e Príncipe), em Timor Leste e em Portugal, no Centro de Apoio Escolar S. Pedro Claver.
A Associação oferece a quem o desejar a possibilidade de ser útil ao Outro, através de projectos de cariz humano; todas as condições materiais para desenvolver um trabalho em prol do desenvolvimento; e acompanhamento espiritual e material ao longo de todo o caminho, desde a formação até ao regresso de Missão. De forma mais concreta, o voluntário Leigo deve ter entre 21 e 40 anos, assim como formação académica ou profissional.
Os Leigos para o Desenvolvimento são, antes de mais, uma proposta de caminho para quem escolhe não ser indiferente à realidade complexa e desigual do Mundo. Mobilizam-nos os valores da solidariedade e da justiça social, que os levam a tentar responder às necessidades dos mais carenciados. Estão disponíveis mais informações em
Sobre os Leigos para o Desenvolvimento em www.ecclesia.pt/leigos.

Dia 19 - Um dos grandes problemas do aborto é não haver pessoas que o testemunhem, mas Gianna Jessen foi abortada… e sobreviveu. Eis o que ela nos diz, num depoimento feito perante a Constitution Subcommittee of the House Judiciary Committee, em 22 de Abril de 1996:
"O meu nome é Gianna Jessen e tenho 19 anos. Nasci na Califórnia mas actualmente vivo no Tennessee.
Fui adoptada e tenho paralisia cerebral. A minha mãe verdadeira tinha 17 anos e estava grávida de sete meses e meio quando decidiu fazer um aborto por solução salina. Eu sou a pessoa que ela abortou. Mas em vez de morrer sobrevivi.
Felizmente para mim, o abortador não estava na clínica quando eu nasci com vida, pelas 6 horas da madrugada de 6 de Abril de 1977. Eu fui precoce: a minha morte não estava prevista para antes das 9 horas, altura em que o abortador deveria começar a trabalhar. Tenho a certeza de que não estaria aqui hoje no caso de o abortador estar na clínica, uma vez que o seu trabalho é matar: não é salvar. Algumas pessoas disseram que eu sou um aborto de carniceiro, um aborto falhado.
Houve muitas pessoas que presenciaram o meu nascimento: a minha mãe e outras raparigas novas que estavam na clínica à espera que os seus bebés morressem. Disseram-me que isto foi um momento de histeria. Próximo estava uma enfermeira que aparentemente chamou a emergência médica e eles transferiram-me para um hospital.
Ali fiquei, mais ou menos, três meses. No princípio não havia muita esperança pois eu pesava somente 900g. Hoje, já sobreviveram bebés mais pequenos do que eu.
Uma vez um médico disse-me que eu tinha um grande desejo de viver e que eu lutava pela minha vida. Acabei por sobreviver e sair do hospital sendo entregue a uma ama. A minha paralisia cerebral foi atribuída ao aborto.
Disseram à minha ama que era muito duvidoso que eu chegasse a gatinhar ou andar. Na altura eu não me conseguia sentar sem ajuda. Graças às orações e à dedicação da minha ama e, mais tarde, de muitas outras pessoas, acabei por aprender a sentar-me sozinha, a gatinhar e a ficar de pé. Comecei a andar com muletas pouco antes dos 4 anos. Fui legalmente adoptada pela filha da minha ama, Diana De Paul, alguns meses depois de começar a andar. O Department of Social Services não me permitia ser adoptada antes disso.
Continuei a fisioterapia por causa da minha deficiência e, depois de quatro intervenções cirúrgicas, posso agora andar sem ajuda. Nem sempre é fácil. Algumas vezes caio, embora depois de cair durante 19 anos tenha aprendido a cair graciosamente.
Estou contente por estar viva.”

sexta-feira, 12 de março de 2010

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de Setembro)


Ver mais informações aqui (OMS).
Imagem aqui.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Está um belo dia !

Esta música foi escrita pelos U2, a propósito do suicídio do vocalista dos INXS; destaca a letra que, apesar de, em certas alturas da vida, tudo nos pareça correr mal, o mundo-natureza é demasiado belo para ser desperdiçado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Crimes proibidos pela Igreja Católica

QUE PROÍBE O QUINTO MANDAMENTO?
O quinto mandamento proíbe como gravemente contrários à lei moral:
- O homicídio directo e voluntário e a cooperação nele;
- O aborto directo, querido como fim ou como meio, e também a cooperação nele, crime que leva consigo a pena de excomunhão, porque o ser humano, desde a sua concepção, deve ser, em modo absoluto, respeitado e protegido totalmente;
- A eutanásia directa, que consiste em pôr fim à vida de pessoas com deficiências, doentes ou moribundas, mediante um acto ou omissão duma acção devida.
- O Suicídio e a cooperação voluntária nele, enquanto ofensa grave ao justo amor de Deus, de si e do próximo: a responsabilidade pode ser ainda agravada por causa do escândalo ou atenuada por especiais perturbações psíquicas ou temores graves.
In CIC nº 470

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Suicídio


Alguns apontamentos interessantes sobre suicídio aqui, dos quais destaco os seguintes:


"(...) é fulcral não subestimar a existência de alguns sinais de alerta que podem ser mais do que suficientes para uma intervenção adequada, nomeadamente: manifestação de pensamentos ou conversas sobre suicídio, morte ou violência; material escrito ou expressão artística que revele preocupação com temas como a morte ou o suicídio; oferta de objectos pessoais significativos; pensamentos ou conversas sobre agressões ao próprio ou a outros; adopção de comportamentos arriscados, mais precisamente, comportamentos de auto-agressão (por exemplo: auto-mutilações); comportamento invulgar ou rebelde (aumento da agressividade, agitação e irritabilidade, fugas de casa, consumo de álcool ou drogas); uma queda importante do rendimento escolar/ocupacional normal para o indivíduo em questão; mudança na aparência (desleixo, negligência com a roupa e aparência geral); apresentar tristeza constante e afastamento ou isolamento social, sonolência, falta de atenção/concentração e falta de empenho; dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo"

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Todos temos momentos menos bons

Ainda a propósito destas notícias sobre suicídios colectivos ou individuais que abalaram o país, lembrei-de de algumas músicas que abordam a questão do "dar a volta por cima".

Lembrei-me do "It's a beautiful Day" dos U2, escrito em memória do vocalista dos INXS, Michael Hutchence, amigo pessoal de Bono Vox.

Lembrei-me também do "It's a wonderful world" do inefável Louis Amstrong.

Porém, acabei por optar por postar aqui o "Everybody hurts" cantada pelos The Corrs, apesar do original ser dos R.E.M.



A letra desta música que pode ser consultada aqui fala de momentos bons e maus, da necessidade de prosseguir e de aguentar.

Ninguém disse que a vida é perfeita e que só vivemos na plenitude quando temos em simultâneo saúde, felicidade, êxito profissional, estabilidade financeira e/ou emocional, paz de espírito, descanso, férias, etc.

Só muito raramente é que coincidem todas essas circunstâncias favoráveis. Todos temos momentos bons e maus, fruto de condições exógenas ou endógenas, não interessa.

O que interessa, em qualquer dos casos, é seguir sempre em frente, adiante, a puxar o carro.
É isso que devemos tentar fazer e transmitir aos nossos filhos.

Adolescentes, suicídio, auto-mutilação e cultura de morte




As recentes notícias acerca de tentativa de suicídio e auto-mutilação protagonizada por adolescentes mostra, mais uma vez o tipo de sociedade em que estamos metidos.




Há cerca de 1 ano atrás, ficou celebre um editorial de José António Saraiva, no qual, a propósito do referendo a favor da liberalização do aborto que se aproximava, aquele director do semanário "Sol" denunciava a existência de uma cultura de morte.




Essa cultura de morte é um facto incontornável na nossa sociedade, com um governo que promove o aborto; com gente a tentar legalizar a eutanásia; com distribuição de seringas aos toxicodependentes, inclusive nas próprias prisões em vez de apostarem na prevenção e no tratamento; uma sociedade que promove a concorrência selvagem a todos os níveis; a poluição; a vulgarização do divórcio; o abandono, falta de atenção e carinho de muitos pais em relação aos filhos etc, etc.




Ontem, no Jornal da Noite da SIC, uma pedopsiquiatria dizia que a causa deste comportamento dos jovens está relacionado com o comportamento dos adultos.


Nós adultos, dizia, não transmitimos esperança aos nossos filhos adolescentes. O futuro para eles é uma incógnita e nada há no futuro que os deixe entusiasmados.


Eu pessoalmente, em pouco menos de 2 meses, soube, no Sotavento Algarvio, de 2 casos, 1 de auto-mutilação e outro de tentativa de suicídio.


Ambos, tinham um denominador comum; famílias destruídas, falta de comunicação entre gerações, lacunas afectivas e desorientação dos adolescentes.


Há que dar luzes e alternativas construtivas a estes jovens.


Deixo aqui um modesto contributo com 2 pistas:


- Promover o voluntariado junto destes jovens, fazendo-lhes ver que eles podem ser úteis a outras pessoas, mostrando que as suas vidas podem ter um sentido útil.


- Promover algo que foi recentemente falado e proposto pela APFN: acolhimento de jovens em risco por famílias voluntárias ou pura e simplesmente, como acontece já com uma instituição de acolhimento em Portimão, o acompanhamento por parte e famílias voluntárias aos fins de semana de crianças e jovens em risco.


Entretanto, quem anda a apagar os fogos são os psicólogos das escolas frequentadas por estes miúdos...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Suicídio

O país ficou mais uma vez em estado de choque com uma nova notícia chocante de suicídio (aqui e aqui), motivada por motivos de saúde.
Quem sofre de cancro, com muita frequência pensa no suicídio.
Mas não só.
Pessoas com depressão.
Agora, cada vez mais, jovens e até crianças.
Muitos, até pessoas famosas, como recentemente o actor cómico Owen Wilson.
A forma como os media tratam estes casos, infelizmente, também não ajuda muito e pode contribuir para um efeito multiplicador de imitação.
Dirão alguns que a legalização da eutanásia, alargada a casos de depressão, seria uma forma "higienizada" de resolver o problema. Mas essa, à semelhança do aborto por opção, seria uma forma simples, cobarde e hipócrita de lidar com a situação.
A família tem que estar mais atenta aos sinais do que se passa à sua roda, embora existam casos muito complicados que, quantas vezes, não se conseguem detectar a olho nú.
Para além de apoio institucional onde, entre vários, destaco a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, lembro-me sempre do filme "Do Céu caíu uma estrela" (no original, "It's a wonderful life"), de Frank Kapra.
Aí um homem afectado pelo fracasso profissional e financeiro decide suicidar-se, atirando-se de uma ponte.
Antes, porém, é-lhe dada a possibilidade de ver como seria o mundo, os seus amigos e familiares, caso nunca tivesse vivido.
Seria uma forma muito humana e simples de evitar estas decisões de desespero.
Aqui fica um excerto do filme.