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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Faz tu também o dia de alguém




 Ao fim da tarde de domingo, encontrei, com os Deolinda, em Loulé, esta música e esta letra e o desafio de "fazer o dia de alguém" ou que alguém nos faça o dia a nós.


Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também

Esse bom dia que dás é outro dia que nasce
É acordar mais bonita
Trabalhar com vontade
É estar no dia com pica
É passar com a vida e desejar-te um bom dia também
Um bom dia para ti
Não que apenas passa não que pesa e castiga
Não que esqueças mais tarde
Mas o dia em que me digas
Ao ouvido baixinho ai tu fizeste o meu dia também tão bom também
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também
Um bom dia para ti
E para o estranho que passa
Para aquele que se esquiva
Para quem se embaraça e se cala na vida
Mesmo que não o diga
Ai tu fizeste o meu dia também tão bom também
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Mais 28 mil novos processos de crianças e jovens em risco



Mais de 28 mil novos processos de crianças e jovens em risco foram registados este ano. O número, que ainda não está fechado, corresponde a casos acompanhados pelas 308 comissões espalhadas pelo país. Muitos casos estão relacionados ao direito da educação, violência doméstica, mas também há sinalizações porque a família não tem rendimentos.

À Renascença, o presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco lembra que as causas da sinalização não são novas: a crise económica associada, às vezes, à negligência, à violência doméstica, sobretudo a violência vicariante que envolve os pais e a que os filhos assistem. Mas também há o direito à educação, ou seja, o direito de concluir a escolaridade obrigatória até ao 12º ano.

Armando Leandro fala numa mudança cultural. “Há um aumento de sinalizações, que na nossa perspectiva não corresponderá provavelmente a um aumento de casos de perigo, mas a uma maior sensibilização para o dever de sinalizar. Não como um acto de denúncia, mas como um acto de amor às crianças”.

Existem ainda uma nova problemática ligada aos divórcios e às responsabilidades parentais – o conflito dos pais coloca em risco os filhos e obriga à intervenção dos técnicos.

Mas este responsável deixa um alerta: faltam meios às comissões. Os 175 técnicos anunciados no início do ano nunca chegaram e os que lá estão precisam de tempo para o exercício das suas funções.

Até meados deste mês de Dezembro, as comissões registaram 28. 387 novos processos a que se juntam os mais de 37 mil que transitaram do ano passado.

Segundo Armando Leandro, há casos de famílias referenciados durante vários anos, o que não devia ser assim, e outros que não deviam estar nas comissões de protecção mas sim nas entidades da primeira linha, da rede social, a acompanhar as famílias.

Armando Leandro está à frente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco há nove anos, mas assume estar pronto para ceder o lugar, em prol da reforma que está a ser discutida, a qual assenta na defesa da qualidade da infância.

FONTE: RR

domingo, 30 de novembro de 2014

A solidão dos sem família

 
 
"A Bíblia (....) recorda-nos que deveremos deter este isolamento e abrir a solidão a um contacto, a uma comunhão, a um encontro. É sugestivo que as casas do passado tinham as portas abertas para o pátio, onde as pessoas se cruzavam, dialogavam, murmuravam.
Pelo contrário, o emblema dos nossos condomínios anónimos é a porta blindada que separa totalmente do exterior, ao ponto de uma pessoa só poder morrer e durante semanas os vizinhos não darem conta.
O léxico bíblico da família impele-nos, por isso, a impedir o isolamento no medo, por vezes até legítimo, na solidão, na indiferença recíproca. «Ai do solitário que cai», adverte Qohélet/Eclesiastes (4,10), não tem outro para o levantar».
No isolamento subsiste também o risco do egoísmo, como brutalmente clamava o escritor francês André Gide: «Famílias, odeio-vos! Lares herméticos, portas trancadas, ciumenta possessão da felicidade!».
Reencontrar a vocação da família a ser a célula de um corpo mais vasto, um horizonte aberto que acolhe e se expande: é este o espírito de base da verdadeira comunidade familiar".
 
Card. Gianfranco Ravasi 
In "Famiglia Cristiana" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 27.11.2014 SNPCultura

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

domingo, 10 de agosto de 2014

A crise mundial atual e o distributismo


Quando se fala em propriedade privada vêm-me logo à cabeça 2 formas diferentes de a encarar : o comunismo e o capitalismo. Na primeira, não há propriedade privada e tudo é de todos. Na segunda , o mercado e a lei dos mais fortes prevalecem numa atitude de puro individualismo egoísta. Ambas falharam. Mas nunca a obsessão pela propriedade esteve tão na ordem do dia, sobretudo se olharmos para a origem de uma parte significativa dos conflitos em tribunal, no Médio Oriente ou no leste da Ucrânia. Em todos eles verifica-se um denominador comum: o da a ganância pelo domínio e pela propriedade.

No passado dia 5 de Agosto, o Patriarca Caldeu do Iraque, numa carta desesperada dirigida ao mundo, a propósito do avanço dos selvagens extremistas islâmicos dizia o seguinte " Há que destacar que a motivação para todas estas matanças é a luxúria por tudo quanto existe no subsolo, tal como o petróleo e o gás”.

 
No estado da evolução humana, já devíamos estar há muito na posição da supremacia e instrumentalização da propriedade a favor da humanidade e não à patética e cretina situação da supremcia e instrumentização da humanidade em função da propriedade.

Vale a pena matar crianças e semear a morte e a destruição por dinheiro ?

As empresas que lucram com o comércio internacional de armas, extracção de  petróleo e gás e que manipulam e financiam o terrorismo religioso com vista à sua especulação mercantil acham que si.

Não sejamos hipócrita, o dinheiro, a produção de riqueza e o bem estar não são só, de per si, maus. O que é mau é a forma gananciosa como os proprietários gerem os seus bens. E é triste ver que até mesmo os jovens ou as pessoas mais humildes, quando têm algum dinheiro, torram-no rapidamente em futilidades consumistas e isto já para não falar nos comunistas burgueses ou na chamada “esquerda caviar” dos que defendem os ideais de Marx e Engels mas depois actuam como capitalistas da pior espécie.

Há, porém, alternativas a estas visões extremas de ver a propriedade. Dessas destaco a da chamada função social da propriedade privada e o distributismo. Em ambas defende-se o direito à propriedade privada e à livre iniciativa, mas defende-se também que a propriedade privada deve estar, sempre que possível, ao serviço da comunidade.

Com diz  Miguel Nogueira de Brito, no seu livro "Propriedade privada: Entre o privilégio e a liberdade", da colecção "Ensaios da Fundação" Francisco Manuel dos Santos "(...)o princípio da comunidade corresponde ao ponto a partir do qual a função social da propriedade deixa de incumbir ao legislador e passa a constituir um imperativo ético individual" (Pág. 128).

Por esta via, qualquer pessoa que tenha dinheiro, casas, carros, etc.. deve colocá-los ao serviço de colegas, amigos e vizinhos que, por motivo de contexto pessoal, profissional ou familiar não o têm. Isto pressupõe um enorme sentimento de desprendimento que é muito raro encontrar.

Já o distributismo, tendo a mesma raíz da função social da propriedade privada, vai mais longe e defende a sua adopção como sistema económico global, mas parte também da constatação de que tem sido a ganância pelos bens materiais que, ao longo da história, tem vindo a destruir famílias tanto nos tribunais como nos campos de batalha. Não deixa de ser significativo que um dos seus arautos G.K. Chesterton tenha escrito um livro denominado “What’s wrong with the world”.

Uma coisa é certa, há que promover uma revolução que passe 1º por uma mudança de mentalidades. Poderá demorar gerações, mas há que começar já !

domingo, 20 de julho de 2014

Estar-se a "marimbar"



No atual contexto de crise que ainda vivemos, aqui no Algarve (e provavelmente em outras zonas do país) é chocante ver a quantidade de gente que se está a completamente a "marimbar" para quem passa mal.

Não falo só do abandono de idosos nos lares, sem visitas e sem que alguém da sua família mostre interesse e carinho. Falo também do alheamento da esmagadora maioria das pessoas, em particular, daquelas que, fruto do seu trabalho ou de heranças, têm mais possibilidades financeiras e mais poderiam ajudar quem mais sofre com o desemprego, a falta de comida para alimentar os filhos, de dinheiro para pagar rendas, a água, luz, uma botija de gás, etc.”O que é que interessa!” pensam aqueles a quem vida corre bem.

Não têm nada a ver com isso! Cada um que saiba de si! O Estado que se endivide mais para lhes dar subsídios e apoios! Uma parte da população são autênticos monstros indiferentes que só se preocupam com o seu umbiguinho, as suas viagens, o seu bem estar, os seus programinhas e o resto é lá com eles.

É engraçado que muitas  histórias de heróis e grandes façanhas, verdadeiras ou de ficção, começam com um dilema moral. Falam-nos de pessoas normais, objectivamente sem grandes meios humanos ou materiais que, a dada altura são "importunadas" por alguém com quem se cruzam e alguém que os desperta para desafios e realidades que até aí lhes eram completamente alheias. E estando numa situação acomodada, aburguesada, com projetos de bem estar e conforto são abanadas e atraídas a sair da sua concha. Alguém lhes atira um balde de água fria à cara e lhes pede que compliquem a sua vida, deixem de olhar só para o seu umbigo, os seus bens e os seus programas para se meterem em assuntos e pessoas que nada têm a ver com a sua vida: gente que não é da sua familia, nem sequer sua amiga ou do seu país ou região; gente que, pelas mais variadas razões, são oprimidas, passam mal e são vítimas de injustiça.

E este dilema moral está lá sempre presente: “borrifo-me ou preocupo-me” ?

Estou-me a lembrar dos Alentejanos que, em 1384, D.Nuno Alvares Pereira desesperadamente tentava convencer a participar na futura (e aparentemente suicida) batalha de Atoleiros, tendo inclusive apanhado alguns a meio da noite a desertar.

Estou-me a lembrar de Bilbo Baggins e do seu sobrinho Frodo que resistiram ao apelo de Gandalf e dos anões para viajarem a terras distantes e desconhecidas, quebrando o aparente ciclo de felicidade do Shire onde estavam comodamente instalados.

Estou-me a lembrar da estudante universitária norte americana Jean Donovan que, desafiada pelo capelão da sua Universidade, lançou-se no interior de El Salvador, acabando assassinada, em 1980, de forma brutal e que antes de partir para a América do Sul, perguntava-se a si mesmo “Porque é que eu não posso ser apenas uma insignificante dona de casa dos subúrbios ?”

Estou-me a lembrar do sr Scrooge  do “Conto de Natal” de Charles Dickens, o milionário ávaro, mal disposto contra o mundo e contra todos.

Infelizmente o que se vê à nossa roda, é a esmagadora maioria das pessoas metidas em si mesmas e nas suas coisas, querendo gozar tudo o que de bom a vida tem para dar, encolhendo apenas os braços pela má sorte de outras pessoas menos afortunadas. Alguns parece que querem levar o dinheiro para a cova. São casos quase patológicos.

Como diz o Papa Francisco "Ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências. Esta é uma desculpa frequente nos ambientes académicos, empresariais ou profissionais, e até mesmo eclesiais () Ninguém se pode sentir demitido da preocupação pelos pobres e pela justiça social” “Evangelii Gaudium 201”.
Menos indiferença, menos alheamento!
Quem mais tem, tem que se sentir responsabilizado !                                 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ninguém está isento de ajudar os pobres !!!



Ponto 201
Exortação Apostólica "A Alegria do Evangelho"

 "Ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências.
Esta é uma desculpa frequente nos ambientes académicos, empresariais ou profissionais, e até mesmo eclesiais. Embora se possa dizer, em geral, que a vocação e a missão próprias dos fiéis leigos é a transformação das diversas realidades terrenas para que toda a atividade humana seja transformada pelo Evangelho171, ninguém pode sentir-se demitido da preocupação pelos pobres e pela justiça social: «A conversão espiritual, a intensidade do amor a Deus e ao próximo, o zelo pela justiça e pela paz, o sentido evangélico dos pobres e da pobreza são exigidos a todos.»172
 
Temo que também estas palavras sejam objeto apenas de alguns comentários, sem verdadeira incidência prátic
201. Ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências. Esta é uma desculpa frequente nos ambientes académicos, empresariais ou profissionais, e até mesmo eclesiais. Embora se possa dizer, em geral, que a vocação e a missão próprias dos fiéis leigos é a transformação das diversas realidades terrenas para que toda a atividade humana seja transformada pelo Evangelho171, ninguém pode sentir-se demitido da preocupação pelos pobres e pela justiça social: «A conversão espiritual, a intensidade do amor a Deus e ao próximo, o zelo pela justiça e pela paz, o sentido evangélico dos pobres e da pobreza são exigidos a todos.»172 Temo que também estas palavras sejam objeto apenas de alguns comentários, sem verdadeira incidência prática. Apesar disso, tenho confiança na abertura e nas boas disposições dos cristãos e peço-vos que procureis, comunitariamente, novos caminhos para acolher esta renovada proposta.
a. Apesar disso, tenho confiança na abertura e nas boas disposições dos cristãos e peço-vos que procureis, comunitariamente, novos caminhos para acolher esta renovada proposta".
 
 
Papa Francisco

sábado, 10 de maio de 2014

Dar e Receber

projeto "Dar e receber.pt"
 
Hoje em dia, a internet é um dos principais veículos de partilha. Toda a gente tem alguma coisa para partilhar, seja uma opinião, um momento, uma fotografia, uma música, entre muitas outras coisas.
Portugal atravessa um período de grave crise económica que tem deixado muitas famílias em situação de vulnerabilidade e pobreza. Um momento como este exige uma resposta urgente, mais alargada e eficaz; porque não são já suficientes as soluções que as entidades da Economia Social, de forma isolada, conseguem oferecer com os recursos disponíveis. É necessário mobilizar toda a sociedade para a intervenção. O contributo de cada um, seja em alimentos, tempo, bens ou serviços é precioso e deve ser aproveitado.
É também necessária uma resposta que permita articular os esforços de todos, fazendo chegar o mais rapidamente possível a ajuda adequada a quem precisa, quando precisa e onde. Eliminando o desperdício e a sobreposição de iniciativas, rentabilizados os recursos existentes e melhorados os processos. Para que o amor possa fluir, dando tempo e resposta adequada a quem mais precisa.
O projeto “Dar e Receber” é isso mesmo:
1) um ponto de encontro entre quem tem alguma coisa para dar (tempo, bens, talentos) e quem precisa de receber;
2) um sítio na internet para encaminhar situações de necessidade para instituições que, no terreno, podem assistir ou acolher os mais pobres ou quem se encontra numa situação vulnerável.
A Entreajuda e a Cáritas Portuguesa unem-se de forma a congregar os seus recursos para implementar um movimento que visa essencialmente aumentar a intervenção da sociedade civil, junto dos que mais precisam. Terá por base uma plataforma informática que reúne soluções de caráter social que já existem, mas que atualmente se encontram dispersas, e visa mobilizar equipas informais das paróquias que já atuam no terreno, para que promovam a sua utilização de forma eficaz e mobilizem o cidadão comum a intervir.
Este projeto só seria possível através das sinergias criadas pela parceria Entrajuda - Cáritas Portuguesa: duas entidades com uma intervenção diferenciada, mas complementar, com forte implementação no território nacional e cuja atividade abrange, direta e indiretamente, um número elevado de pessoas carenciadas.
Em suma, podemos constatar que:
- existe um número elevado de pessoas em situação de necessidade que aumentou nos últimos anos, em função de um acréscimo de desemprego e da crise económica que o país atravessa;
- as respostas das entidades não se encontram articuladas e são insuficientes para cobrir as necessidades; há respostas dispersas que podem convergir e tornar-se mais eficazes;
- existem pedidos de ajuda apresentados a pessoas ou grupos informais das comunidades paroquiais que procuram responder, mas que não dispõem da preparação necessária.
Mais do que apenas um sítio na internet, trata-se de uma oportunidade para as instituições que apoiam os mais necessitados verem potenciado o trabalho que desenvolvem.
No fundo, “Dar e Receber.pt” é um sítio de partilha, onde partilhar é uma verdade que faz todo o sentido, porque fazemos parte uns dos outros, sendo corresponsáveis pelo bem comum.
 
Este artigo integra a edição n.º 21 do “Observatório da Cultura”.
 
Isabel Jonet
Presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome
© SNPC | 09.05.14

terça-feira, 6 de maio de 2014

Os políticos comprometem o nosso futuro

 
 
"No mesmo dia, a CPCJ de Santarém dá a conhecer a necessidade urgente de uma "valência de apoio familiar e aconselhamento parental" para estudar e prevenir situações de risco e apoiar os jovens e as famílias, para quebrar um ciclo de repetição de comportamentos e de situações disfuncionais. Também na semana passada, num semanário nacional, Luís Cabral publica um artigo intitulado “De pequenino se ...torce o destino” em que, ao analisar a eficácia dos investimentos em matéria de política educativa, chama a atenção para a inultrapassável necessidade de trabalhar as famílias e com as famílias para promover o desenvolvimento sadio e o bem-estar das crianças.
(...) Em Portugal, não há uma visão integrada de intervenção na área da infância e da família, e como tal, não há visão estratégica nem planos de intervenção a prazo que garantam uma acção consistente de promoção do bem-estar e do desenvolvimento das crianças, apesar de dispormos de um quadro legal recente que o permitiria. A ausência de projecto e de vontade política nesta área, para além de representar uma violação dos direitos das crianças, compromete o seu e o nosso futuro".

 Maria do Rosário Carneiro Página 1 de 6/05/2014

Bom artigo de Maria do Rosário Carneiro que chama à atenção para a necessidade de acompanhamento quase permanente das famílias em situação de exclusão social.
Verifica-se em muitas delas uma carência gritante de competências básicas e sociais que as tornam incapazes (a si e aos seus filhos) de sair do poço.
O CPCJ, o sistema de Segurança Social, Educativo e Judicial funcionam apenas como um "apaga-fogos" só atuando em casos de produção de efeitos ou risco iminente.
Esquece-se a formação, a monitorização, a integração, por exemplo, das crianças em ocupações dos tempos livres saudáveis.
As famílias em exclusão social encontram-se social e fisicamente imobilizadas e, na sua maioria, "fisicamente imobilizadas" mesmo do ponto de vista literal, sem possibilidade de transportar os seus filhos para uma escola melhor, sem a possibilidade de se deslocarem à praia, sem a possibilidade de irem a uma entrevista de emprego, sem a possibilidade de irem a uma consulta, etc.etc. Isto são coisas que acontecem no dia a dia.
Bastava uma carrinha de 9 lugares para fazer muitas famílias saírem do poço da pobreza, do insucesso escolar, do desemprego e da exclusão social.
Enquanto o futuro do país vai-se hipotecando com famílias incapazes e jovens desmotivados, sem habilitações e competências para enfrentar o seu devir, os senhores deputados do PS e do PSD estão muito ocupados a legislar sobre....barrigas de aluguer.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Decálogo da Quotidianeidade

 

Ângelo Giuseppe Roncalli
SÃO JOÃO XXIII

i - Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez. 

ii - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.

iii - Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.

iv - Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.

v - Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

vi - Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi a ninguém.

vii - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

viii - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado, talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei, e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão.

ix - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.

x - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.


posso bem fazer por doze horas
aquilo que me atormentaria
se pensasse ter que fazê-lo por toda a vida

quinta-feira, 10 de abril de 2014

domingo, 9 de março de 2014

Nova geração de líderes precisa-se!

“A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”, afirmava Nelson Mandela.
A frase, sobejamente conhecida, serve para dar o mote ao artigo que se segue, escrito por Christopher Gergen, CEO da Forward Impact, professor de Inovação e Empreendedorismo na Duke University e membro do Center for Creative Leadership e por Lyndon Rego, director global do Center for Creative Leadership’s Leadership Beyond Boundaries, uma iniciativa que tem como objectivo conferir uma maior escala ao desenvolvimento da liderança no mundo.
“O que é possível fazer para desenvolver uma nova geração de líderes competentes e com espírito empreendedor nas nossas escolas? São muitas as palavras ocas que utilizamos ao serviço de ideias como a “aprendizagem do século XXI” ou o “desenvolvimento da liderança empreendedora”, mas a realidade é que a vasta maioria das escolas não prepara, de forma adequada, os seus estudantes para liderarem e colaborarem entre si de forma a criar uma mudança positiva no mundo. Felizmente, existem exemplos brilhantes de escolas com as quais é possível aprender – escolas que chamam a si a responsabilidade de preparar todos os seus alunos para virem a ser líderes ‘fazedores da mudança’.
Um exemplo destas escolas reside em Ahmedabad, na Índia. Um grupo de alunos do 5º ano da Riverside School trabalha numa fábrica, enrolando, de forma entediante, os paus de incenso tradicionais, ao longo de oito horas. E isto não é uma forma de trabalho escravo, mas uma importante lição curricular idealizada pela escola para ensinar empatia. As crianças deixam a fábrica exaustas, mas também despertas para as necessidades do mundo e, muitas vezes, sentindo o peso de se comprometerem em fazer algo sobre o trabalho infantil.
Em Joanesburgo, na África do Sul, líderes emergentes de todo o continente participam em sessões laboratoriais na African Leadership Academy, onde lhes é ensinado os princípios do “design thinking”, ao mesmo tempo que apreendem, de forma aprofundada, as necessidades das suas comunidades locais e desenvolvem e implementam soluções sustentáveis através do Student Enterprise Program que a escola oferece.
Saltando para um outro continente, na Ravenscroft School, em Raleigh, Carolina do Norte, os estudantes entre os 5 e os 18 anos são expostos a lições ou experiências nas quais treinam as suas competências de trabalho em equipa e colaboração, inovação e execução, capacidades inventivas e persistência adaptativa, enquanto se empenham a colocar os seus projectos de mudança em acção.
Na WeSchool e na iFEEL, uma escola de negócios sedeada em Bombaim, na Índia, um programa de sete meses denominado Global Citizen Leader oferece, como trabalho aos seus alunos do primeiro ano, uma compreensão aprofundada no que respeita à vida dos pobres e a co-criação de soluções para o alívio da pobreza. Uma avaliação formal realizada no final do programa comprovou que 92% dos alunos afirmaram sentir uma consciencialização social muito maior, bem como níveis de empatia muito mais elevados. Adicionalmente, 80% destes mesmos estudantes indicaram ter disponibilidade para abordarem desafios sociais sentindo, ao mesmo tempo, que tinham adquirido capacidades para criarem a mudança.
Os esforços pioneiros destas escolas estão, propositadamente, a incorporar a liderança ‘fazedora de mudança’ na jornada educativa de todos os seus estudantes através da implementação de uma estratégia integrada, profunda e sistémica, a qual, ao envolver todos os estudantes, os prepara para serem líderes motivados e movidos pelos ‘resultados’. Adicionalmente, estas mesmas escolas reconhecem que preparar os estudantes para se tornarem líderes efectivos e esclarecidos é crucial para as suas possibilidades futuras de emprego, para terem vidas plenas de significado e para oferecerem o seu contributo efectivo para uma sociedade que vive tempos crescentemente difíceis.

© DR
A necessidade de se pensar diferente no que respeita a preparar os mais novos para o futuro é estimulada por um conjunto de grandes forças. Uma é a da própria geração millenial. Cerca de metade dos habitantes actuais do planeta têm menos de 30 anos. Estas centenas de milhões de jovens nascidos na era digital são os mais informados e mais relacionados/interligados de sempre. Habituaram-se a viver numa era de democracia disseminada, com expectativas de liberdade e igualdade. Têm consciência e sentem-se angustiados devido ao estado ambiental, económico e político em que se encontra o mundo. A mudança é algo que ocupa significativamente a sua mente: o mundo que temos não é aquele que desejam. O interesse dos jovens em contribuir para a mudança está expresso no “surto” de programas de empreendedorismo social que existem em muitas universidades e no facto de irem, em massa, para as ruas, defendendo causas diversas: contra a disparidade económica no movimento Occupy nos Estados Unidos, pela representação política na Primavera Árabe, contra a corrupção em Lokpal Bill na Índia e pela educação acessível no Movimento Estudantil Chileno. Estes movimentos representam a prontidão dos jovens em se organizarem e vocalizarem as suas preocupações.
Todavia, e apesar de estes jovens desejarem e esperarem mais, as suas oportunidades são elusivas. O crescimento do emprego não está a acompanhar o ritmo das escolas e dos alunos com estudos superiores. O estado actual do desemprego jovem é igualmente dramático face à recessão económica que caracteriza muitos países europeus, com taxas de desemprego [jovem] superiores a 50% na Espanha e na Grécia, por exemplo.
A inexistência de empregos é agravada pela ausência de competências entre aqueles que têm bons níveis de educação. Os empregadores declaram, a nível global [veja o artigo no VER – Como sair do vale do desemprego – que se concentra exactamente nesta questão] que as instituições educativas não estão a preparar, de forma adequada, os jovens com as competências necessárias e exigíveis pelos empregos que se encontram disponíveis. E este défice é mais aprofundado na área das soft skills [também no VER, o artigo “O desencontro entre a oferta e a procura” foca também esta temática]. Em “Expanding the Leadership Equation”, um inquérito realizado pelo Center for Creative Leadership sobre as competências da força laboral, os executivos nomearam a automotivação, a comunicação, a agilidade na aprendizagem, o autoconhecimento e a adaptabilidade como as competências essenciais exigidas para o sucesso no ambiente laboral da actualidade. Adicionalmente, 90% dos entrevistados indicam que o desenvolvimento das competências de liderança deverá ser iniciado antes dos 18 anos.
Existe assim uma necessidade urgente de os jovens desenvolverem estas competências práticas exigidas pelos empregadores. Nas instituições educativas já mencionadas – tal como a Riverside School, a African Leadership Academy, a Ravenscoft e a WeSchool, - o enfoque é exactamente na agilidade em termos de aprendizagem e a aplicação prática dessa mesma aprendizagem. Mais importante ainda é o facto de estas escolas privilegiarem o envolvimento social como um meio de desenvolver a criatividade, a colaboração, a comunicação e a resiliência. Para os próprios estudantes, a “auto-clareza”, o relacionamento e a capacidade de colocar ideias em acção para uma mudança sustentável e positiva são as competências de que precisam para viverem uma vida bem direccionada e com significado.
Precisamos que mais escolas – ou melhor, que todas as escolas – se afastem dos modelos tradicionais de ensino “de cima para baixo”, com poucas oportunidades de experimentação de solução de problemas, autodescoberta e co-criação colaborativa. Precisamos de um novo futuro no qual o desenvolvimento de uma liderança empreendedora esteja integrado em qualquer que seja a faceta de aprendizagem, e para todos os alunos. As exigências do mundo são demasiado grandes para que se evite esta mudança. Temos já modelos que estão a funcionar bem. É tempo agora de interligar este trabalho e começar a implementá-lo, em grande escala e globalmente

Fonte: VER

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O valor da ágape

A reciprocidade é a lei de ouro da socialidade humana. Mais do que qualquer outra palavra – como sejam indignação, vingança ou intermináveis ações em tribunal – a reciprocidade traduz muito melhor a gramática fundamental da sociedade. O ADN do animal político é uma hélice que entrelaça dar e receber. Mesmo o amor humano é essencialmente uma questão de reciprocidade desde o primeiro instante ao último, em que, muitas vezes, se deixa esta terra apertando a mão de alguém que se ama; ou, se ausente, apertando-a dentro com as últimas energias da mente e do coração. Esta dimensão de reciprocidade do amor, com a qual se ama quem nos ama, foi expressa de vários modos e com muitas palavras pelas diferentes culturas.

Na Grécia as mais conhecidas eram eros e philia, duas formas de amor diversas, mas que têm em comum a reciprocidade, a necessidade fundamental da resposta do outro. O eros é uma reciprocidade direta, biunívoca, exclusiva, na qual o outro é amado porque nos preenche uma indigência, nos sacia, reacendendo um desejo vital. Na philia grega (que se assemelha ao que hoje chamamos amizade), a reciprocidade é mais elaborada: tolera-se a falta de resposta do outro, não se fazem sempre contas de dar e haver, e pode-se perdoar muitas vezes. É por isso que, enquanto o eros não é uma virtude, a philia pode sê-lo, porque requer fidelidade ao amigo que, de tempos a tempos, trai ou não responde ao amor. Mas o amor–philianão é um amor “incondicional”, já que termina quando o outro ou outra me faz entender com a sua não–reciprocidade que já não quer ser meu amigo.

O eros e a philia são essenciais e esplêndidos para toda a vida boa, mas não bastam. A pessoa é grande porque não lhe basta a já grande reciprocidade; quer o infinito. Assim, a um certo ponto da história, quando o tempo se tornou maduro, nasceu a necessidade de uma outra palavra para dizer uma dimensão do amor não limitada naquelas duas semânticas do amor, já ricas e elevadas. Esta nova palavra foi agape, não inteiramente inédita no vocabulário grego, mas novos foram o uso e o significado que lhe foi atribuído por "aqueles da via", o primeiro (belíssimo) nome dos cristãos. Mas o agape não foi uma invenção; foi a revelação de uma dimensão presente, em potência, no ser de toda a pessoa, mesmo quando sepultada e à espera de alguém que lhe diga “vem para fora”.
O agape não é uma forma de amor que começa quando terminam as outras, não é o não–eros ou a não–philia, porque é a sua presença que torna pleno e maduro todo o amor. Porque é o agape que doa ao amor humano aquela dimensão de gratuidade que não é garantida pela philia, e muito menos pelo eros; e que, abrindo-as, cumpre (assim) todas as virtudes, que na sua ausência não passam de subtil egoísmo. Também por esta razão quando os latinos traduziram o agape, escolheram charitas, que nos primeiros tempos se escrevia com h, uma letra que é tudo menos muda, porque dizia muitas coisas. Para começar, dizia que aquela charitas não era nem amor nem amicitia, era algo diverso. Depois, que aquela charitas já não era acaritas dos mercadores romanos, que a usavam para exprimir o valor dos bens (o que custa muito, que é “caro”). Mas aquele h queria também recordar que charitasreportava ainda a uma outra grande palavra grega: charis, graça, gratuidade (”Ave Maria, cheia de charis”). Não existeagape sem charis, nem charis sem agape. Então, a philiapode perdoar até sete vezes, o agape até setenta vezes sete; a philia doa a túnica, o agape doa também a capa; aphilia percorre uma milha com o amigo, o agape duas, e fá-lo também com o não–amigo. O eros suporta, espera, cobre pouco; a philia cobre, suporta, espera muito; o ágape espera, cobre e suporta tudo.

A forma de amor do ágape é também uma grande força de ação e de mudança económica e civil. Todas as vezes que uma pessoa age para o bem, e encontra na ação mesma e dentro de si recursos para andar para diante mesmo sem reciprocidade, entra em ação o ágape. O ágape é o amor típico dos fundadores, os iniciadores de um movimento, de uma cooperativa, que não podem contar com a reciprocidade dos outros, e cuja ação exige fortaleza e perseverança em longos períodos de solidão. O ágape não condiciona a escolha de amar à resposta do outro mas, quando tal resposta falta, sofre porque o ágape é pleno na reciprocidade («dou-vos um mandamento novo: amai-vos!»); mas não fica incomodado a ponto de interromper o seu amor não amado.
A plenitude da reciprocidade agápica exprime-se também numa relação ternária: A doa-se a B, e B doa-se a C; uma transitividade do ágape que não está presente nem naphilia, nem, ainda menos, no eros. Aliás, esta dimensão de “ternariedade” e de abertura é essencial para que se dê ágape. Até mesmo o amor materno e paterno para com um filho não seria agápico, e portanto maduro e pleno, se se esgotasse na relação A =» B, B =» A, sem a dimensão B =» C …, que ultrapassa as tentações de amor incestuoso ou narcisista. Esta necessidade de reciprocidade, o avançar ainda que não exista resposta, tornam o agape uma experiência relacional simultaneamente vulnerável e fértil. O ágape é uma ferida fecundíssima. É o ágape que transforma as comunidades em lugares acolhedoras e inclusivas, com portas escancaradas e que nunca se fecham, que desmonta hierarquias sacrais, ordens e castas, e toda a tentação de poder.
O ágape, além disso, é essencial para todo o Bem comum, porque conhece também um tipo de perdão capaz de anular o mal recebido. Quem quer que tenha sido vítima do mal, de qualquer mal, sabe que esse mal feito e recebido não pode ser plenamente compensado ou reparado com penas e indemnizações civis. Continua a operar, é uma ferida que permanece; a menos que um dia se encontre com o perdão do agape que, diferentemente do perdão do eros e da philia, tem a capacidade de sanar todas as feridas, ainda que mortais e de as transformar na aurora de uma ressurreição.

Existe, porém, uma tese que atravessou a história da nossa cultura. O ágape – diz-se – não pode ser uma forma de amor civil porque, devido à sua vulnerabilidade, tal não seria prudente. Poderá ser vivida apenas na vida familiar, espiritual, talvez no voluntariado; mas na praça pública e nas empresas teremos que nos contentar apenas com os registos do eros (incentivos) e, na melhor hipótese, daphilia. Uma tese muito radicada, porque se baseia sobre a evidência histórica de muitíssimas experiências nascidas do ágape que retrocederam depois para mera hierarquia ou comunitarismo.
É a história de tantas comunidades que começaram com o ágape e que diante das primeiras feridas se transformaram em sistemas muito hierárquicos e formalistas. Ou experiências que nasceram abertas e inclusivas e que, após os primeiros fracassos, fecharam as portas expulsando os diversos. A história é também o repetir destes “retrocessos” que, porém, não reduzem o valor civil do ágape e que deveria impelir-nos a introduzir mais ágape, não a retirá-lo, na política, nas empresas, no trabalho. Porque sempre que o ágape surge na história humana – mesmo se por pouco, pouquíssimo, tempo – não deixa nunca o mundo como estava. Eleva para sempre a temperatura do humano, crava um novo prego na rocha, e quem amanhã retomar a escalada partirá um metro, ou centímetro, mais acima.

Nenhuma gota de ágape se perde na terra. O ágape abre o horizonte de possibilidades de bem do humano, é o fermento e o sal de todo o bom pão. O mundo não morre, e a vida recomeça cada manhã, porque existem pessoas capazes de ágape: «Agora existem três coisas: fé, esperança, e ágape. A maior de todas é o ágape».
 
Luigino Bruni
In Avvenire

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Não há solidariedade sem sobriedade

 
É assim que imagino - trata-se da verdade mais bela e exigente - a sobriedade: uma via privilegiada que me conduz à solidariedade, à partilha verdadeira e concreta, à partilha do pão. Por «pão» entendo tudo o que é necessário para viver, para viver segundo a dignidade humana, que é de todos, sem nenhuma discriminação. A sobriedade não só não se opõe à solidariedade, mas é a sua alma, a sua força, o seu apoio, aquilo que lhe permite durar e crescer.
 
Não poderemos ser solidários se não formos sóbrios; de outro modo, apenas se partilhariam as sobras do máximo das minhas ou das nossas necessidades.
Pelo contrário, quem é sóbrio, em todas as coisas se deixa interpelar pela necessidade alheia; considera-a atentamente, encarrega-se dela e, tendo-a por base, decide o que lhe poderá bastar. Não é uma dobragem mesquinha sobre si mesmo; mas, pelo contrário, uma atitude de responsabilidade para com os outros! Por isso, só quem é sóbrio é que também poderá ser solidário.
 
Até onde poderá aventurar-se a solidariedade que nasce da sobriedade? Até dar o seu supérfluo? Ou também além do supérfluo? É aqui que aposta toda a sua força moral e espiritual a verdadeira sobriedade: mesmo indo além do supérfluo! Por isso, estamos diante de uma solidariedade que se torna maior, radical e extrema.
 
(...)
A sobriedade cria os espaços. Na mente, no coração, na vida, na nossa casa... , a sobriedade abre aos outros, porque diminui a importância que damos a nós mesmos, aos nossos compromissos, às escolhas que nos parecem absolutamente indispensáveis e que, um instante depois de as termos realizado, nos desiludem, a tudo o que nos preocupa e nos cria ansiedades inúteis. Sim, a solidariedade abre aos outros, porque se interroga a partir dos outros.
Por sua vez, a solidariedade preenche estes mesmos espaços. E pode enchê-los até ao bordo: não só através do amor, da compreensão, da ternura e da misericórdia, mas também, se necessário, através da partilha de bens materiais.
 
Como se vê, a sobriedade prepara o terreno para a solidariedade, afastando exageros, excessos e tudo o que egoisticamente fecha o homem, centrando-o e amarrando-o a si mesmo.
 
Assim, a solidariedade pode esforçar-se por fazer crescer, neste terreno de essencialidade, novos compromissos de se encarregar do outro, de partilhar com ele.
Aliás, se a sobriedade é exercício de responsabilidade - pessoal e comunitária -, a solidariedade faz avançar um tipo particular de responsabilidade, a responsabilidade partilhada, a corresponsabilidade, isto é, a capacidade de responder com a totalidade de nós próprios, com tudo o que somos e temos, às exigências de todos os outros e, ao mesmo tempo, não só por nós próprios ou apenas em relação a alguns dos outros.
 

Card. Dionigi Tettamanzi
Arcebispo emérito de Milão
In Não há futuro sem solidariedade - A crise económica e a ajuda da Igreja, ed. Paulinas

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Colabore com o Banco Farmacêutico

Pelo sexto ano consecutivo, o Banco Farmacêutico leva a cabo a Jornada de Recolha de Medicamentos na qual os voluntários têm um papel muito importante pois são o rosto da gratuidade e da partilha.



Para o dia da Jornada - 8 de Fevereiro - precisamos de voluntários para as Farmácias, principalmente para os concelhos de Lisboa, Cascais, Oeiras, Sintra, Almada, Setúbal e Barreiro....





Para se inscrever basta que preencha a ficha de inscrição disponível no nosso site em http://www.bancofarmaceutico.pt/node/2, até dia 31 de Janeiro.





Visite também a nossa página no facebook em Banco Farmacêutico Portugal.



Solicito divulgação.



--
Luís Mendonça
Presidente da Associação para a
Assistência Farmacêutica
Tel.: 918 340 686


http://www.bancofarmaceutico.pt/node/24

domingo, 12 de janeiro de 2014

Contra a desigualdade do aborto

Se uma criança tiver sido concebida numa família estável e/ou economicamente integrada dificilmente será abortada.
 
Mas se uma criança tiver sido concebida numa família desintegrada e/ou economicamente fragilizada, poderá ser abortada e sofrer a forma mais violenta de exclusão social que pode haver, isto é, ser-lhe negado o direito a nascer e a uma existência.
 
Combatamos esta violação grosseira do princípio da igualdade, o que só pode acontecer se vivermos uma maior fraternidade social e se o Estado e as IPSS atuarem no apoio às famílias mais carenciadas e desintegradas



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Desempregados podem auferir 419,22€ em troca de trabalho social

Desempregados há mais de um ano, que integrem família monoparental ou com cônjuges também sem trabalho vão passar a estar abrangidos por programas ocupacionais do IEFP.
 
A partir do final deste mês, milhares de desempregados inscritos nos centros de emprego que não aufiram qualquer subsídio poderão passar a desempenhar "trabalho socialmente necessário", em troca de 419,22 euros por mês