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sábado, 29 de novembro de 2014

Comunicado da APFN sobre o Orçamento de Estado de 2015

 
O orçamento de Estado acabado de aprovar enferma de dois graves problemas em matéria de IMI: por um lado, ignora todos os filhos a partir do terceiro para cálculo da modulação do imposto; por outro lado, não dá às autarquias a liberdade para escolherem o modelo que mais se adeque à sua própria realidade, correndo-se o risco da não aplicação do princípio.  
 
A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) considera corretos, à partida, os pressupostos que levaram às alterações introduzidas em sede de IMI (Imposto Municipal Sobre Imóveis), nomeadamente (1) a consideração do número de pessoas a viver numa casa para o cálculo do IMI a pagar e (2) a delegação desta competência para as autarquias. 

  
No entanto, a APFN considera inadequada a forma como esta delegação de competências é feita, uma vez que não dá às autarquias a liberdade para escolherem o modelo mais conveniente, antes lhes apresenta um modelo fechado para aplicação: diminuição de 10% de IMI para quem tem um filho; 15% para quem tem dois filhos e 20% para quem tem três ou mais filhos.

  
Refletindo-se diretamente nos orçamentos dos municípios, muitos deles que adeririam ao princípio com modulações diferentes, poderão não aderir de todo ao modelo dada a sua configuração fechada, mantendo a discriminação negativa relativamente às famílias com filhos nos seus municípios.

  
Por outro lado, e igualmente grave, é a não consideração dos filhos a partir do terceiro para cálculo do IMI, como se uma família de nove pessoas pudesse viver no mesmo espaço e com a mesma qualidade do que uma família com cinco pessoas, pagando o mesmo imposto.
A APFN denuncia como profundamente injusta a não consideração dos filhos a partir do terceiro para cálculo de qualquer imposto.

  
Esse pressuposto penaliza diretamente as famílias com mais filhos e reduz a liberdade aos casais de terem os filhos que entenderem, para além do terceiro.
Num país onde a taxa de natalidade é a menor da Europa e não chega a 1,2 filhos por mulher, o impacto resultante da consideração de todos os filhos (a partir do terceiro) para fins de imposto seria diminuto e daria ao País um sinal muito positivo.
 
APFN, 28 de Novembro de 2014
 

sábado, 1 de novembro de 2014

Reforma do IRS dá sinais positivos às famílias






A APFN congratula-se com a reforma do IRS, que pela primeira vez tem em consideração não só o rendimento dos sujeitos passivos, mas também o número de pessoas que vivem desse rendimento. É uma reforma que consideramos dar sinais positivos às famílias, por refletir a sua realidade, embora ainda longe do que consideramos justo e desejável.

A introdução do quociente familiar de 0,3 é uma medida positiva porque se têm em conta os dependentes na consideração da taxa de imposto, sobretudo se se vier a cumprir a intensão expressa de alargar este número para 0,4 por dependente em 2016, e 0,5 em 2017, bem como os limites a aplicar.

A situação que as famílias vivem nos nossos dias parece estar, ao menos em parte, refletida fiscalmente, pela consideração dos idosos a cargo e dos filhos até aos 25 anos. O mesmo diga em relação aos vales sociais, ao aumento das deduções na saúde, e à consagração, pela primeira vez, de deduções para “despesas familiares”.

Para além de vir introduzir mais justiça no sistema fiscal, a APFN considera esta reforma pode ser um primeiro passo para a inversão da tendência demográfica suicida que se verifica em Portugal, onde regista a menor taxa de natalidade da Europa (1.18 filhos por mulher, em 2013).

De facto, num inquérito recente desenvolvido pelo INE e pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a maioria das inquiridas afirmaram que teriam mais filhos se houvesse um “aumento real dos rendimentos das famílias com filhos”, o que se consegue através de um sistema fiscal mais favorável (vide). 

Acreditamos que, se sinais idênticos forem dados de forma transversal noutras áreas (saúde, educação, transportes, habitação, etc.), a inversão dessa tendência poderá ser uma realidade.

Para consultar o simulador APFN para o novo IRS: http://www.apfn.com.pt/simuladorirs.php

APFN, 18 de Outubro de 2014

 



Sobre a APFN – Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
A APFN foi formalmente constituída em 1999 e integra famílias com três ou mais filhos. Acredita e defende os valores da família, contando atualmente com mais de 10.000 associados. A APFN pretende, com a sua actividade, mudar as mentalidades e as políticas relativamente à família e  transformar o actual cenário de inverno demográfico que, se não for alterado, continuará a conduzir à insustentabilidade económica e social do país. A APFN acredita na família como a solução do futuro e enquanto resposta histórica em todos os momentos de crise. Está convicta que o país precisa de mais crianças e jovens mas também precisa que essas crianças e jovens possuam as competências suficientes para enfrentar os desafios do Futuro. O lema da APFN é “Apostar na Família é construir o Futuro”. 
 
 
GABINETE DE APOIO À IMPRENSA: 
Ana Mira, Assessoria de Comunicação APFN 
Contactos: 217552603 | 916079548 
 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

PORTUGAL – COESÃO SOCIAL EM RISCO

 
 
 
VII Congresso Europeu de Famílias Numerosas encerrou, dia 20 de setembro, em Cascais
 
 
 
Portugal está na cauda da Europa não só na taxa de natalidade de 1.2 filhos por mulher, bem longe dos 2.1 necessários para a reposição das gerações. Portugal está também na cauda da Europa nas transferências do Estado para as famílias, com 1,5% do PIB, contra 2,3% da média europeia.
Este cenário conduziu a um défice atual de um milhão e 400 mil crianças, uma difícil situação tendo em vista não só a sustentabilidade do modelo social português como também da própria coesão social.
Estas são as principais conclusões de um estudo apresentado no VII Congresso Europeu das Famílias Numerosas, realizado pelo Gabinete de Estudos da APFN, baseado numa análise alargada e comparativa de 15 países europeus.
Em representação do Primeiro-Ministro, o secretário de Estado Pedro Lomba reconheceu “os infernos” pelos quais as famílias têm que passar, “mesmo em coisas tão simples como encontrar uma creche para os seus filhos”. O mesmo responsável frisou que “o governo lançou uma estratégia nacional para a natalidade, como corolário da liberdade e da justiça social” deixando a promessa de que “o governo saberá transformar em medidas concretas os vossos trabalhos e as vossas conclusões”.
Clara Gaymard, Presidente da GE France e mãe de nove filhos, referiu que, neste momento, “o que importa é tornar o futuro possível”, frisando que a sua opção de mãe e profissional só foi possível “pelo contexto francês de apoio abrangente às famílias, em especial as famílias numerosas”.
Livia Oláh, investigadora de demografia na Universidade de Estocolmo, apresentou os vários modelos de organização social da Europa, demonstrando que, em matéria de família, os países nórdicos e França são aqueles que, objetivamente, conseguiram manter padrões equilibrados de natalidade e coesão. Esses países registam um investimento importante nas políticas de família como um todo – natalidade, conciliação, sistema fiscal, abono de família, infraestruturas, etc.
Martin Werding, economista e consultor do governo alemão para as questões da Família, insistiu na urgência de se ter em conta que cada criança representa um investimento de retorno económico e social incontornável para a sustentabilidade global das sociedades.
O VII Congresso Europeu das Famílias Numerosas decorreu em Cascais nos dias 19 e 20 de setembro, contado com a participação de centenas de pessoas, oriundas de 14 países europeus.
Estiveram presentes no evento a Ministra da Hungria para a Família e a Juventude, o Presidente da Câmara de Cascais, os secretários de Estado Pedro Lomba e Cardoso da Costa, os deputados Elsa Cordeiro (PSD) e José Ribeiro e Castro (CDS).
 APFN, 21 de Setembro de 2014
 

Sobre a APFN – Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

A APFN foi formalmente constituída em 1999 e integra famílias com três ou mais filhos. Acredita e defende os valores da família, contando atualmente com mais de 10.000 associados. A APFN pretende, com a sua actividade, mudar as mentalidades e as políticas relativamente à família e  transformar o actual cenário de inverno demográfico que, se não for alterado, continuará a conduzir à insustentabilidade económica e social do país. A APFN acredita na família como a solução do futuro e enquanto resposta histórica em todos os momentos de crise. Está convicta que o país precisa de mais crianças e jovens mas também precisa que essas crianças e jovens possuam as competências suficientes para enfrentar os desafios do Futuro. O lema da APFN é “Apostar na Família é construir o Futuro”.

 

domingo, 21 de setembro de 2014

Os pais devem aproveitar melhor o pouco tempo que passam com os filhos

 
 
A terapeuta familiar Margarida Cordo diz que os casais devem aproveitar melhor o pouco tempo que passam com os filhos.
(...)
Margarida Cordo admitiu que as dificuldades por que passam muitas famílias roubam-lhes muito tempo. “Se nós não podemos estar muito tempo, estamos bem quando estamos. Se nós não podemos juntar-nos todos nas diferentes circunstâncias do quotidiano criamos situações em que esse estar é por inteiro”.
(....)
“Quando a pessoa emigra por ambição está a esquecer-se que só temos uma vida para viver, que se estão a perder momentos únicos na vida uns dos outros porque nos afastamos de quem fica e que o ter não pode, de maneira nenhuma, ser um factor mobilizador que justifique este afastamento sistemático”, acrescentou.
Para a terapeuta familiar, as modas, o facilitismo perante o divórcio e o aborto, o desprezo pelos mais velhos, a falência dos valores e dos princípios e a vida de aparências são as principais ameaças que a família enfrenta.
 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Notas da APFN sobre a proposta de reforma do IRS


A proposta da Comissão para a reforma do IRS apresenta como um dos eixos principais do seu mandato a proteção das famílias com filhos a cargo – o garante do futuro –.

Esta opção contribui para remover as penalizações que atualmente recaem sobre as famílias com filhos e, em particular, sobre as mais numerosas. É também um sinal importante no sentido de reconhecer que a dimensão da família tem impacto na sua capacidade contributiva.

De facto, como afirma a Comissão, as “correções ao imposto, por motivo dos encargos familiares não se qualificam como benefícios fiscais” mas “correspondem a um tratamento o mais equitativo possível”.

Neste contexto, algumas medidas merecem um comentário destacado.

A introdução de um Quociente familiar, em substituição do atual quociente conjugal, representa uma alteração de princípio essencial que concretiza o reconhecimento de cada filho, da sua importância para a família e para o país, e do aumento de encargos que lhe está associado.

No entanto, a implementação deste princípio deve considerar que o processo que permite acolher mais filhos sem que o rendimento se altere resulta de alterações dos padrões de consumo das famílias – em particular dos pais e das mães – à medida que vão tendo mais filhos e não de “economias de escala” como refere a Comissão. O poder de compra é redirecionado para as necessidades dos filhos.

A APFN defende que cada filho, cada pessoa, deve contar como um cidadão como sinal do seu valor social e do reconhecimento de idêntica dignidade, e que este princípio deve estar refletido no cálculo do Quociente familiar, considerando que cada filho vale 1.

Também neste sentido, a APFN considera essencial que o limite para o Quociente familiar seja definido por pessoa, para não anular o seu efeito sobre as famílias numerosas.

É também positiva a inclusão, no cálculo deste quociente, dos filhos até aos 25 anos que ainda não possuam rendimento, como resposta a uma realidade que se tem efetivamente generalizado de desemprego jovem; mas seria desejável que o mesmo acontecesse com as situações de dependência do mesmo rendimento por ascendentes e com os casos de dependentes com deficiência ou doenças crónicas.

Outra medida importante é o alargamento do âmbito dos Vales sociais de educação, que consubstancia o apoio do Estado às despesas com educação das famílias com filhos, respeitando a sua liberdade. No entanto, é desejável estender a idade limite, para facilitar o acesso ao ensino superior, e abranger outras categorias de despesas relacionadas com a educação e sustento dos filhos.

Anexo: Parecer da APFN sobre o anteprojeto da reforma do IRS

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Lisboa 12 de setembro de 2014​

Sobre a APFN – Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

A APFN foi formalmente constituída em 1999 e integra famílias com três ou mais filhos. Acredita e defende os valores da família, contando atualmente com mais de 10.000 associados. A APFN pretende, com a sua actividade, mudar as mentalidades e as políticas relativamente à família e  transformar o actual cenário de inverno demográfico que, se não for alterado, continuará a conduzir à insustentabilidade económica e social do país. A APFN acredita na família como a solução do futuro e enquanto resposta histórica em todos os momentos de crise. Está convicta que o país precisa de mais crianças e jovens mas também precisa que essas crianças e jovens possuam as competências suficientes para enfrentar os desafios do Futuro. O lema da APFN é “Apostar na Família é construir o Futuro”.

 

 

GABINETE DE APOIO À IMPRENSA:

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Para mais informações

Consulte: www.apfn.com.pt






sábado, 26 de julho de 2014

Famílias monoparentais afectam desenvolvimento das crianças

 
 
ROMA, 17 de Julho de 2014 (Zenit.org) - Um novo relatório prevê que, em 2020, metade dos jovens de 16 anos da Grã-Bretanha terão famílias monoparentais. 
O estudo "Breakthrough Britain 2015", descobriu que, mesmo hoje, apenas 57 por cento dos adolescentes vivem com o pai.
O relatório acrescenta ainda, conforme a suposição comum, que as crianças cujos pais são separados têm significativamente mais probabilidade de falhar na escola, têm baixa auto-estima, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades de comportamento e ansiedade ou depressão. A notícia foi publicada esta semana no Daily Telegraph.
"Por muito tempo neste país a desagregação da família tem sido incontestada - apesar do impacto devastador sobre a adultos, crianças e comunidades", disse Christian Guy, diretor do Centro para a Justiça Social, que realizou o estudo.
A Dra. Samantha Callan, uma das co-autoras do relatório, disse que a "norma social" de ter filhos fora do casamento precisa mudar a fim de reverter o número crescente de famílias sem pais. "Existe uma visão predominante na sociedade que, quando as coisas não vão bem em um relacionamento, isso significa que o fim está próximo", disse ela. "Mas todos os relacionamentos estão sob pressão; você precisa ter um compromisso como o casamento para que você saiba que não vai fugir".

terça-feira, 15 de julho de 2014

Natalidade. Comissão propõe menos IRS e trabalho "part-time" pago a 100%



Reduzir em 1,5% a taxa de IRS para o primeiro filho e 2% para o segundo filho e seguintes, trabalhar em part-time durante um ano a receber a totalidade do salário e baixar o imposto sobre veículos para famílias com três ou mais filhos. São algumas das medidas do relatório sobre a natalidade encomendado pelo PSD.
O trabalho – cujas conclusões foram apresentadas esta terça-feira, no Porto – foi desenvolvido durante quatro meses por uma comissão com 11 personalidades de várias áreas, coordenada pelo professor universitário Joaquim Azevedo. E faz um diagnóstico preocupante da natalidade em Portugal, propondo várias soluções para resolver o problema.
Portugal tem um dos índices de natalidade mais baixos da Europa. O relatório "Por um Portugal amigo das crianças, das famílias e da natalidade (2015-2035): remover os obstáculos à natalidade desejada" (em PDF) dá conta de um número de nascimentos abaixo das projecções mais negativas – um cenário “insustentável” se não forem tomadas medidas.
Mais filhos, menos impostos
Reduzir em “1,5% a taxa de IRS para o primeiro filho e 2% para o segundo filho e seguintes”, em todos os escalões de rendimentos, e alterar a forma de apuramento das deduções à colecta de IRS, tendo em conta as despesas suportadas por cada membro do agregado familiar, são algumas das propostas.
A comissão defende que as despesas de educação e de saúde suportadas pelos avós possam ser deduzidas no IRS.
Propõe-se ainda que o IMI sofra alterações para “permitir aos municípios reduzir a taxa que é aplicada anualmente, tendo em conta o agregado familiar”.
Reduzir o imposto sobre veículos para famílias com três ou mais filhos faz ainda parte das medidas apresentadas, um projecto também apresentado pelo PSD na Assembleia da República, em Outubro do ano passado.
Estas medidas terão impacto necessariamente orçamental, mas a comissão não o quantifica. Fazer essas contas, diz o documento, está “nas mãos dos serviços do Estado” e é uma tarefa para os governos que quiserem aplicar as ideias sugeridas.
“Os governos legítimos deverão estimar esses impactos e o gradualismo com que pretendem aplicar as medidas”, lê-se.
Mais tempo para a família
Um dos pontos essenciais apontados pela comissão para a promoção da natalidade é a capacidade de “conciliar o trabalho com a família”.
Como? Permitindo à mãe trabalhar em “part-time” durante um ano e receber a totalidade do salário, 50% pela empresa e 50% a cargo do Estado. O valor que a empresa deixa de pagar à mãe passaria, neste caso, a ser recebido por um trabalhador desempregado contratado pela empresa.

Seria uma forma, dizem os autores do relatório, de "minorar custos e potenciar benefícios a todos os intervenientes", possibilitando-se que a mãe continue a receber o ordenado na totalidade, a empresa mantenha um trabalhador a tempo inteiro sem custos adicionais e seja aberta uma oportunidade de trabalho para desempregados. Desta forma, o Estado promoveria a natalidade "com custo baixo, ou mesmo nulo".

Como o afastamento dos pais do local de trabalho pode levar a penalizações, esta comissão defende que a licença parental possa ser partilhada pelos pais. Por exemplo, o pai passa a trabalhar 20 horas por semana e a mãe outras 20.
Propõe-se ainda a criação de condições para reduzir, entre duas a quatro horas, o horário laboral de trabalhadores com filhos até os seis anos de idade, e apoiar a contratação de mulheres grávidas ou com filhos até aos três anos, isentando as empresas do pagamento da Taxa Social Única (TSU).
ATL e “babysitting“
No relatório há ainda uma sugestão para que as empresas distribuam vales sociais, isentos de IRS e TSU, que se destinem ao pagamento das despesas com os filhos, tais como creches e escolas.
E como este é um trabalho que tem de envolver toda a comunidade, a comissão direcciona um capítulo às autarquias e instituições de solidariedade social, apelando a um aumento de oferta de serviços de “babysitting” e estruturas de apoio às famílias durante as férias escolares.
Os ATL devem ser dinamizados em horários desencontrados com os das creches e de preferência ao fim de semana, enquanto o horário das creches deve ser flexível e ter custos mais reduzidos, comparticipados pelo Estado de acordo com a dimensão da família, propõe a comissão.
Defende ainda que a tarifa da água deve ter em conta o agregado familiar, que se dê prioridade nas escolas para os irmãos, evitando escolas distintas, e que devem ser criadas condições vantajosas para a compra dos passes sociais e manuais escolares.
Referindo-se ainda aos manuais, propõe-se uma revisão da validade e durabilidade dos livros e a criação nas próprias escolas de bancos de manuais.
Comparticipação de medicamentos para infertilidade
Todas as grávidas devem ter médico de família, alerta o relatório pedido por Pedro Passos Coelho.
É necessário alterar a condição de recursos para ter isenção da taxa moderadora e aumentar os apoios em situações de infertilidade, por exemplo, comparticipando a 100% os medicamentos.

O alargamento da idade de tratamentos para infertilidade para os 42 anos na mulher é outra das propostas.

Fonte RR

sábado, 12 de julho de 2014

ONU aprovou histórica resolução a favor da proteção da família

 
 
GENEBRA, 30 Jun. 14 / 09:52 am (ACI/EWTN Noticias).- O Conselho de Direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em seu 26° período de sessões, aprovou a resolução de “Proteção à Família”, que reconhece a família como o núcleo “natural e fundamental da sociedade, e tem direito a proteção por parte da sociedade e o Estado”, o que representou uma verdadeira derrota do lobby gay.
Na resolução, aprovada por 26 votos contra 14 neste 25 de junho, com seis abstenções, o Conselho de Direitos humanos da ONU reconhece também “que a família tem a responsabilidade primária de nutrir e proteger as crianças da mesma forma em que as crianças, para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, devem crescer em um ambiente familiar e em uma atmosfera de felicidade, amor e entendimento”.
Em declarações a ACI Imprensa, o Dr. Carlos Beltramo, do Instituto Cultura e Sociedade (ICS) da Universidade da Navarra, assinalou que a resolução do organismo da ONU “foi um interessante passo adiante no reconhecimento da natureza da família em um foro tão importante das Nações Unidas”.
“Esta é uma boa oportunidade para relançar a educação da pessoa dentro da família, que é o melhor caminho para o futuro da humanidade”, indicou.
Beltramo assinalou que “dar formação às famílias e animar a que as famílias eduquem suas crianças é um meio fundamental para fortalecer sociedades saudáveis que permitam que todos superem até mesmo situações difíceis como as que tivemos que viver”.
O organismo da ONU decidiu ainda criar um painel por motivo do 20º aniversário do Ano Internacional da Família, assim como promover referências à família de uma forma positiva para reverter uma tendência dos últimos tempos de tratar a família como o centro dos conflitos, dos problemas e das violações de direitos humanos.
Em declarações recolhidas pelo site BuzzFeed, Austin Ruse, presidente do Instituto Família Católica e Direitos humanos, com base nos Estados Unidos, assinalou que a resolução do Conselho de Direitos humanos da ONU é uma “derrota” do lobby gay.
“A derrota (do conceito) de vários tipos de família demonstra que a ONU está cansada deste tipo de debates”, assinalou.
Austin Ruse assegurou que “a maioria de estados membros queria avançar para temas que preocupem o mundo e não só as elites no (hemisfério) norte”.
Os países que apoiaram com seus votos a resolução de proteção da família são foram a Argélia, Benin, Botswana, Burkina Faso, China, Congo, Costa do Marfim, Etiópia, Gabão, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Quênia, Kuwait, Maldivas, Marrocos, Namíbia, Paquistão, Filipinas, Federação Russa, Arábia Saudita, Serra Leoa, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Vietnã.
Os estados que se opuseram a esta histórica resolução a favor da família foram Áustria, Chile, República Tcheca, Estônia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Montenegro, República da Coréia, Romênia, Reino Unido e Estados Unidos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Empresas obrigam mulheres a não engravidar: outro tipo de aborto

 
Há empresas que estão a obrigar as suas funcionárias a assinar por escrito o compromisso de que não vão engravidar nos próximos cinco anos. A denúncia foi feita por Joaquim Azevedo, o líder da comissão multidisciplinar que o PSD encarregou de apresentar um plano de promoção da natalidade e cujas propostas deverão ser conhecidas no final deste mês. O professor universitário da Católica não revelou, no entanto, o nome de nenhuma das empresas que praticam este ilícito.
“É preciso criar condições aos empresários para que aqueles pelo menos se vão consciencializando que isto [promoção da natalidade] é importante e, sobretudo, para que os outros não coloquem obstáculos de monta, nomeadamente obrigando mulheres a assinar declarações de que não vão engravidar nos próximos cinco ou seis anos”, denunciou Joaquim Azevedo, numa entrevista à Antena 1. Questionado pela mesma rádio, um responsável da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego confirmou ter conhecimento de situações deste tipo mas alega não ter recebido quaisquer queixas formais.
As declarações do professor universitário surgem no mesmo dia da reunião dos grupos de trabalho da Comissão Permanente de Concertação Social sobre natalidade e conciliação da vida profissional e familiar que se realiza hoje, em Lisboa.
Também esta quarta-feira, no Parlamento, os Verdes vão apresentar um projecto de resolução em que recomenda ao Governo que garanta “com minucioso rigor que nenhuma mulher é despedida, estando grávida ou sendo puérpera”. A reposição dos níveis salariais, o reforço do abono de família e uma política que “gere gratuitidade de acesso para as crianças e jovens” na educação, saúde e transportes são outras das propostas dos Verdes.
Por seu turno, o projecto-lei do PCP que também será discutido esta tarde no Parlamento propõe igualmente a consagração na lei “e na contratação colectiva da salvaguarda de direitos laborais de trabalhadoras grávidas, puérperas e lactantes e a proibição de discriminações e penalizações laborais”.
No mesmo projecto, os comunistas propõem que a licença de parentalidade seja sempre paga a 100% da remuneração de referência, independentemente de a opção dos pais recair nos 150 ou nos 180 dias. Ao mesmo tempo, o PCP recomenda a criação de uma licença específica de prematuridade, com duração do período de internamento hospitalar do nasciturno, e que aos dez dias de licença obrigatória dos pais se somem 20 dias facultativos, em vez dos actuais dez. Tal faria com que o pai pudesse passar em casa o mês que se segue ao nascimento do filho.
Numa outra proposta que também vai ser discutida hoje, o PCP alarga as condições de acesso e atribuição do abono de família, recordando que em 2010, por causa das alterações então efectuadas nos escalões, cerca de 650 mil crianças perderam aquele subsídio e cerca de um milhão e 75 mil beneficiários sofreram um corte de 25%. Os comunistas recordam ainda que, no ano passado, 54,5% das crianças viviam em famílias com rendimentos agregados inferiores a 628 euros e mais de 13 mil crianças estavam sinalizadas nas escolas com carências alimentares graves.
Portugal insustentável
Estes números adquirem nova relevância, se nos lembrarmos que, no inquérito à fecundidade divulgado há meses pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses apontavam as dificuldades económicas como principal razão para não terem os filhos que desejariam.  
Numa altura em que as projecções do INE apontam o risco de Portugal chegar a 2060 reduzido a 6,3 milhões de habitantes, bastando para isso que a natalidade se mantenha nos níveis actuais e que os saldos migratórios continuem negativos, Joaquim Azevedo é taxativo quando afirma que “Portugal vai ser insustentável daqui a 40 ou 50 anos”, se nada for feito para inverter a actual situação.
Nas estimativas da população residente divulgadas segunda-feira, o INE admitiu que no ano passado a população portuguesa se tenha reduzido em cerca de 60 mil habitantes. Na base desta diminuição está um saldo natural negativo em menos 23.756 pessoas. É que, apesar de ter morrido menos gente ao longo dos 12 meses de 2013, nasceram ainda menos bebés: 82.787 (menos 7,9% do que em 2012), o que baixou o número médio de filhos por mulher para 1,21. Para garantir a substituição das gerações, cada mulher teria de ter 2,1 filhos em média.
O saldo migratório, também negativo em menos 36.232 pessoas, que se explica pelo facto de haver muitos mais portugueses a sair lá para fora do que estrangeiros a entrar, é outro dos factores que ajudam a explicar aquilo que é, no entender de muitos especialistas, a “grave crise demográfica” em que o país mergulhou.
 
 
Fonte: Público

terça-feira, 6 de maio de 2014

Os políticos comprometem o nosso futuro

 
 
"No mesmo dia, a CPCJ de Santarém dá a conhecer a necessidade urgente de uma "valência de apoio familiar e aconselhamento parental" para estudar e prevenir situações de risco e apoiar os jovens e as famílias, para quebrar um ciclo de repetição de comportamentos e de situações disfuncionais. Também na semana passada, num semanário nacional, Luís Cabral publica um artigo intitulado “De pequenino se ...torce o destino” em que, ao analisar a eficácia dos investimentos em matéria de política educativa, chama a atenção para a inultrapassável necessidade de trabalhar as famílias e com as famílias para promover o desenvolvimento sadio e o bem-estar das crianças.
(...) Em Portugal, não há uma visão integrada de intervenção na área da infância e da família, e como tal, não há visão estratégica nem planos de intervenção a prazo que garantam uma acção consistente de promoção do bem-estar e do desenvolvimento das crianças, apesar de dispormos de um quadro legal recente que o permitiria. A ausência de projecto e de vontade política nesta área, para além de representar uma violação dos direitos das crianças, compromete o seu e o nosso futuro".

 Maria do Rosário Carneiro Página 1 de 6/05/2014

Bom artigo de Maria do Rosário Carneiro que chama à atenção para a necessidade de acompanhamento quase permanente das famílias em situação de exclusão social.
Verifica-se em muitas delas uma carência gritante de competências básicas e sociais que as tornam incapazes (a si e aos seus filhos) de sair do poço.
O CPCJ, o sistema de Segurança Social, Educativo e Judicial funcionam apenas como um "apaga-fogos" só atuando em casos de produção de efeitos ou risco iminente.
Esquece-se a formação, a monitorização, a integração, por exemplo, das crianças em ocupações dos tempos livres saudáveis.
As famílias em exclusão social encontram-se social e fisicamente imobilizadas e, na sua maioria, "fisicamente imobilizadas" mesmo do ponto de vista literal, sem possibilidade de transportar os seus filhos para uma escola melhor, sem a possibilidade de se deslocarem à praia, sem a possibilidade de irem a uma entrevista de emprego, sem a possibilidade de irem a uma consulta, etc.etc. Isto são coisas que acontecem no dia a dia.
Bastava uma carrinha de 9 lugares para fazer muitas famílias saírem do poço da pobreza, do insucesso escolar, do desemprego e da exclusão social.
Enquanto o futuro do país vai-se hipotecando com famílias incapazes e jovens desmotivados, sem habilitações e competências para enfrentar o seu devir, os senhores deputados do PS e do PSD estão muito ocupados a legislar sobre....barrigas de aluguer.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Portugal com menos 1,4 milhões de habitantes !?

Em 2013 nasceram pouco mais de 83 mil crianças em Portugal – o número mais baixo desde que há registo – e morreram quase 107 mil pessoas, o que faz com que o número de óbitos tenha ultrapassado o de nascimentos em 23.741, de acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os dados, agora publicados no Boletim Mensal de Estatística de Fevereiro, mostram que Portugal tem vindo, desde 2007, a reforçar a tendência para apresentar saldos naturais negativos, uma situação que acontece sempre que a mortalidade ultrapassa a natalidade e que se tem acentuado com a queda de nascimentos e com a tendência de envelhecimento da população. Porém, a diferença nunca tinha sido tão elevada.
Desde o início do século XX que as estatísticas de nascimento ultrapassavam as de óbitos, apenas com excepção para o ano de 1918, em que a gripe pneumónica (também conhecida como gripe espanhola) matou milhares de pessoas. O ano de viragem no comportamento destes números aconteceu em 2007, ano em que morreram em Portugal 103.512 pessoas, enquanto o número de nascimentos não foi além dos 102.492, o que faz uma diferença de mais de mil pessoas.
Em 2008 a tendência foi revertida, com 104.594 nascimentos e 102.492 óbitos. Porém, no ano seguinte, o saldo natural voltou a ser negativo e tem-se mantido desde essa altura. Aliás, o ano de 2009 foi o primeiro em que os nascimentos ficaram pela primeira vez abaixo da fasquia dos 100 mil (99.491 bebés nascidos, contra 104.434 óbitos e um saldo negativo de quase cinco mil pessoas).
Em 2010 os nascimentos ultrapassaram de novo os 100 mil, mas mesmo assim o valor não foi suficiente para superar os quase 106 mil óbitos. Em 2011 o saldo foi negativo em quase 6000 pessoas, com o número de bebés a ficar-se pelos 96.856, contra 102.848 óbitos. Em 2012 houve um novo recorde com um saldo negativo de quase 18 mil pessoas, com 89.841 nascimentos e 107.612 mortes.
Quanto às principais causas de morte, os dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que foram quase 34 mil os óbitos atribuídos às chamadas doenças do aparelho circulatório, mais de 14 mil registados nas doenças cerebrovasculares e quase 12 mil que se incluem nas doenças do aparelho circulatório. Houve ainda quase 50 mil pessoas a morreram por tumores benignos e malignos, com uma distribuição quase igual entre ambos. Dentro dos tumores malignos destacam-se os da laringe, traqueia, brônquios e pulmões, que mataram mais de 4000 pessoas, seguidos pelos tumores do cólon (com 2650 pessoas) e os tumores do estômago (com 2323 pessoas).
Em Março, o INE já tinha divulgado projecções que apontam para um fortíssimo envelhecimento demográfico. De acordo com o pior cenário, se a natalidade não aumentar e os saldos migratórios continuarem negativos, Portugal poderá chegar a 2060 reduzido a apenas 6,3 milhões de habitantes. Dessa forma, o actual índice de 131 idosos por cada 100 jovens aumentaria para os 464 idosos por 100 jovens. O recuo dos actuais 10,5 milhões para os 6,3 milhões é o mais pessimista dos cenários projectados pelo INE. Numa projecção mais moderadamente optimista, aquele instituto admite que Portugal possa chegar a 2060 reduzido a apenas 8,6 milhões de habitantes, sendo que, neste caso, passaria a haver 307 idosos por cada 100 jovens. 

Fonte: Público

quarta-feira, 19 de março de 2014

A crise da Natalidade em Portugal


 
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O papão do casal são as tarefas domésticas





Os casais são tão frágeis… até um simples bebé, inocente, coitadinho, consegue mandar abaixo essa instituição bipolar com dois berros e um cocó.
Há mesmo casais que finaram a sua relação no desenrolar de uma briga com uma fralda de cocó a voar na direção da cabeça do outro. (...)
É que quando um casal entra na categoria dos pais, tanto pode vir a comemorar bodas de ouro no baile do Mercado da Ribeira, como vir a enterrar a sua conjugalidade sem direito a coroa de flores. Crescer com os pais juntos já não é tradição e hoje depende, e muito, da saúde mental da relação à data do nascimento do bebé.
Porque viver sozinho já é difícil. Agora aturarmo-nos é um aborrecimento atroz, pelo que precisamos de partilhar esta tarefa. Quando encontramos um inocente disposto a ajudar, eis que viver a dois se torna um desafio ainda mais tramado. E viver a três é um feito que não é para todos. Portanto, quem vive a dois e passa a três ou mais, e consegue fazê-lo com felicidade, é uma família digna de um Nobel da Paz.
Ao casal que diz “Vamos ter um filho!”, apetece logo perguntar se já atingiu a maioridade mental. Para além da idade maioritária e da idade reprodutora, há ainda a idade mental que é muito relevante na decisão de cuidar, educar e aturar um ser humano que vai depender de nós por 30 anos.
Se a coisa correr bem. E que pode não ter a nossa cara. Ou até não ser muito esperto. Convém, por isso, haver muito amor. Não, não é amor ao sofá branquinho nem à camisa de cetim. É mesmo amor-próprio, amor ao inocente que baba a nossa almofada todos os dias do resto da vida, amor para dar como se não houvesse amanhã.
Coisa que, geralmente, só damos despojadamente após uns árduos anos de maturidade mental.
Acontece que quando a responsabilidade desce aos nossos ombros, os nervos galopam à cabeça. Nasce o bebé e começa a festa! “Embala tu que eu dou colinho. E faz a papa ou a sopa, agora com borrego, depois com peixe, mas não abuses da beterraba que faz cocó vermelho. Já trocaste a fralda? É que eu vou ali abaixo à farmácia. Mas onde é que está a chucha? Qual? Sei lá, qualquer uma das cinco que espalhei pelo berço… Vais lá tu ou vou lá eu? É a tua vez. Mas eu é que fiz a noite! E eu dei-lhe banho. Desconfio que lhe está a nascer um dente. Vou ao supermercado. Então, traz iogurtes e papaia para a menina. Sim, depois temos de arrumar os brinquedos. Hum, a ver se ainda ponho a roupa para lavar. Mudas para o canal dos bebés? O quê? Não te ouço! Disse para ires para o raistaparta, ouviste agora ou tens mais cera nos ouvidos que a miúda? Ah, é assim? Então o banho morninho é para o bebé, tu levas com um balde de água fria e enche-o tu!”
Isto é o quotidiano conjugal dos recém-papás. Que além deste diálogo profundo, trabalham muito e arfam que nem cães para chegar a horas a todo o lado. Mas, inexplicavelmente, quando têm uma folga desta rotina parental e olham babados o seu bebé: “É igualzinho a nós, que amor! Vamos fazer outro?”
Dizem que o índice de satisfação do casal cai no primeiro ano de vida do bebé. O resultado daquela grande paixão, o bebé, vem reivindicar espaço, atenção e amor, de forma tão absorvente que são raros os casais que não tremem os joelhos, que não fazem xixi pelas pernas baixo, que não acordam assustados com terrores nocturnos. Buu!
É que, agora, este bebé e casal são de carne e osso. Dá para beliscar que dói. E são ambos uma realidade ligeiramente diferente da imaginada. No sonho, idealizado nos nove meses de gestação, não havia som, a cozinha não estava permanentemente no cenário, a fralda trocada não tinha cheiro, o bebé não tinha a cabeça torta e a mãe e o pai estavam de banho tomado. Porque o nosso cérebro sonha limpinho e com recurso ao photoshop. Como?
Estava só a comentar o que toda a gente sabe: que a realidade é diferente dos sonhos. E então?
Então que me apercebi desta banalidade, que os filhos nascem e muitos dos pais entram em crise. Aliás, crise é recorrer a falinhas mansas, o lar vira mesmo é estado de sítio. Vejo à minha volta muitos casais com filhos pequenos que andam à luta com o novo quotidiano familiar. Bolsam impropérios para as paredes. Todos a estoirar, a postos para enfiar o raio do babete no pescoço do outro e apertar muito bem até esganarem e babarem as palavras que estavam atravessadas. As tréguas são os cinco minutos a sós na casa-de-banho e até mesmo ir ao supermercado é válido para desanuviar.
Podemos culpar as novas identidades, a adaptação, o sono e o cansaço que geram tolerância zero, é tudo verdade. Mas cá para mim, desconfio que a razão principal é bastante mais quotidiana e menos profunda: o bicho papão do casal são as tarefas domésticas. Porque a vida conjugal pós-bebé é tarefeira que se farta. E ser mãe e pai é bom, muito bom. Tarefas à parte. No final, é como diz a frase do poeta: a vida é tudo o que acontece fora do planeado.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Pais e Mães



Numa época em há mais mulheres do que homens nas universidades, em que os quartéis estão apinhados de mulheres militares, em que os homens cozinham e lavam a loiça e em que toda a gente tem uma opinião sobre o sacerdócio das mulheres, há que dar um esclarecimento no que diz respeito aos pais.

É assim: os pais são diferentes das mães. Aqui, meus senhores, não há igualdade de género. Sei que parece absurdo, mas é um facto que um pai e uma mãe são géneros completamente diferentes. Os filhos olham para os pais de uma maneira, e para as mães de outra. Eles discriminam-nos vergonhosamente. Para eles, cada um tem o seu lugar, a sua função, e são completamente diferentes. 


Os filhos, por mais liberais, bloquistas ou anarquistas que sejam, são absolutamente segregadores em relação aos pais. Não há cá igualdades neste domínio parental. Em tudo o resto até pode haver. Eles podem até achar que, entre o cão e os irmãos, as diferenças são ténues, mas os pais não. Para eles, os pais são de espécies diferentes.

A grande clivagem tem a ver com o respeitinho. Não é o respeito, é o respeitinho.

Por mais megera e severa que seja uma mãe, os filhos têm sempre mais respeitinho pelos pais. Com eles, não fazem farinha, não levantam a crista e não medem forças com o à-vontade com que o fazem com as mães. As mães acabam sempre por ceder e por se deixarem levar pelo mítico amor de mãe.

Os nossos filhos são os nossos meninos. Coitadinhos. E os nossos meninos fazem o que querem de nós. É assim desde que existem pais e filhos.

Os pais, não. Os pais até podem querer ser iguais às mães mas, por mais que se esforcem, não conseguem. Não conseguem ser suficientemente vulneráveis com os filhos nem suficientemente racionais com as filhas. 

Desde o dia em que nascem que os filhos, sabendo isso, fazem o jogo diplomático tipo Israel para sobreviverem aos pais. Eles sabem que a mãe fica doente se eles ficam doentes e que o pai fica desnorteado quando o termómetro passa os 37 graus; sabem que a mãe irá sempre chatear com a sopa e que o pai irá sempre chatear com o lixo que não foi despejado e com as luzes acesas; sabem que o pai não se zanga com coisas parvas e que a mãe perde a cabeça só por ver umas cuecas no chão; sabem que os pais têm uma tolerância bastante previsível e que a tolerância das mães depende de 351 factores externos e diários; sabem que os pais não gostam de decidir sozinhos e que as mães gostam de decidir por todos. 

Eles sabem que pai é pai e que mãe é mãe só pelo simples facto de serem de sexos diferentes.

Os pais querem que os filhos sejam homens responsáveis, corajosos, profissionalmente competentes ou jogadores de futebol com sucesso. As mães só querem que os filhos continuem a ser os seus meninos. 

As mães choram quando os meninos saem de casa, os pais transformam o quarto do filho num escritório sem um pingo de sensibilidade. É verdade que, com as meninas, as coisas não são tão óbvias mas, ainda assim, as diferenças são abissais.

As filhas não levam os pais a sério. Elas não lhes reconhecem competência para as educar. Gostam deles, respeitam-nos mas, tal como as mães, não confiam totalmente no seu discernimento no que diz respeito às crianças. Os pais brincam com as filhas, levam-nas às cavalitas, mimam-nas, protegem as suas meninas, mas não percebem as filhas.

Para um pai, uma filha é uma equação atómica. É um dos mistérios mais indecifráveis da natureza humana, uma filha.

Os pais têm medo de as magoar, que as magoem, de não as entenderem ou de as ofenderem sem querer; por isso, entregam a gestão da filha à mãe. As filhas são coisas de mulheres; já os filhos são coisas dos dois.

Os filhos têm perfeita noção de que os homens são diferentes das mulheres e sabem, desde o dia em que nascem, que os pais vieram de Marte, as mães vieram de Vénus e eles são os únicos não-extraterrestres da casa.
 
Inês Teotónio Pereira
 
in ionline

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O valor do trabalho doméstico familiar

Trabalhadora multitasking, perita em muitas tarefas
e fundamental nas dinâmicas familiares.

Muito se falou já sobre o papel da mulher que
trabalha em casa, mas agora houve quem calculasse
o valor, a preços de mercado, desta actividade profissional:
quase 7 mil euros por mês, cerca de 83 mil euros anos.


Foi o que fez o site salary.com, e foi noticiado
pelo jornal La Reppublica.
O cálculo foi feito após entrevistar mais de 6.000 mulheres
e avaliando as competências que elas aplicam diariamente,
e que cobrem uma dezena de funções: cozinheira, motorista,
professora, psicóloga, contabilista, gestora, técnica de limpeza,
técnica de manutenção, lavandaria, babysitter.

A dona de casa média, estima-se, cozinha 14 horas semanais
a 10 euros/hora. Faz de motorista, para crianças grandes
e pequenas, 8 horas semanais a 10 euros/hora. Dá 13 horas
de explicação por semana, ao mesmo valor. Não só isso.
Para resolver as várias crises familiares transforma-se em
psicóloga pelo menos 7 horas por semana, a 28 euros à hora,
e gestora a 40 euros à hora, organizando os dias dos filhos
mais novos e gerindo toda a casa.
 
As donas de casa italianas, segundo os dados do instituto de
estatísticas italiano, são 4 milhões e 879 mil. Em percentagem,
é um dos países que tem mais.

Oficialmente um sector improdutivo da sociedade,
na realidade um recurso, mas que ainda não tem qualquer
reconhecimento ou protecção.
 

sábado, 25 de janeiro de 2014

O direito a um pai e uma mãe

 
 
Nenhum homem pode ser mãe, nem nenhuma mulher pode ser pai e cada criança precisa tanto de uma mãe como de um pai
A questão da co-adopção pelo parceiro, do mesmo sexo, de um filho menor, regressou à praça pública e poderá ser, em breve, objecto de um referendo nacional. Entre outros argumentos a favor da referida co-adopção, diz-se que as uniões de duas pessoas do mesmo sexo, sendo uma delas progenitora de filhos à guarda de ambas, são uma realidade que o direito não pode ignorar.
É verdade que o ordenamento jurídico deve conhecer a realidade social que pretende regular e que duas pessoas do mesmo sexo podem ser excelentes educadoras de um filho menor de uma delas. Também é certo que a lei não deve obedecer a preconceitos discriminatórios, nem a exigências religiosas, mesmo quando a sociedade se reconhece maioritariamente cristã. Mas destes princípios não decorre a absoluta autonomia do direito em relação à ordem natural, nem a sua subserviência em relação a qualquer fenómeno social emergente.
A lei não cria a realidade, mas ordena-a para o bem comum, segundo os princípios da justiça social. Não é o ordenamento jurídico que cria o ser humano, tão-só verifica a sua existência e devia reconhecer-lhe os direitos e deveres inerentes. A geração é um processo natural, pelo qual uma mulher e um homem se tornam pais de um filho. O direito deve reconhecer essa filiação e pode, pela adopção, imitar esse procedimento, dando uma mãe e um pai a quem os não tem.
A condição de progenitor é pessoal, não extensiva ao cônjuge, nem a um seu parceiro em união de facto, seja esta entre duas pessoas do mesmo ou de diferente sexo. Só o ser feminino pode ser mãe, seja ela progenitora ou adoptante; como só pode ser pai o ser masculino, progenitor ou adoptante.
Cada criança só tem, verdadeiramente, um pai e uma mãe, naturais ou adoptivos. Que realidade fundamentaria a aberrante noção jurídica de ‘segunda mãe’, ou de ‘segundo pai’?! Que o direito atribua a maternidade e a paternidade a um casal que não é progenitor do menor, mas que o quer adoptar, é razoável, porque essa mulher e esse homem têm, respectivamente, uma aptidão natural e, portanto, jurídica, para a maternidade e para a paternidade. Também é aceitável que se atribua ao cônjuge do pai, sendo mulher, a condição de mãe adoptiva, ou madrasta; ou ao cônjuge da mãe, sendo homem, o estatuto legal de pai adoptivo, ou padrasto. Mas nenhuma mulher pode ser pai ou padrasto, nem nenhum homem pode ser mãe ou madrasta, nem há lugar, na natureza ou no direito, para uma segunda mãe, ou um segundo pai, em simultâneo, que necessariamente seriam uma falsa mãe e um falso pai.
Alegam os defensores da pretendida co-adopção que a existência, ainda que muito minoritária, de uniões de pessoas do mesmo sexo, que coabitam com os filhos de uma delas, é uma realidade a que o direito não pode ser alheio. A verdade, porém, é que nem tudo o que é deve ser como é. A maternidade de algumas adolescentes e o incesto são também reais. Mas tais realidades não tornam razoável a antecipação da idade exigida para o matrimónio, nem a legalização do casamento entre parentes próximos. Se o direito permitisse tais uniões precoces ou incestuosas, não só estaria a reconhecê-las como estaria, sobretudo, a promovê-las, atento o pressuposto de que a lei é um referencial ético. Há gravidezes de mães jovens e uniões incestuosas, mas é justo que o direito as não legitime, principalmente porque os filhos dessas uniões, prematuras ou consanguíneas, seriam as principais vítimas do reconhecimento jurídico dessas indesejáveis realidades sociais.
Mais do que qualquer outro princípio, interessa ao direito a defesa dos mais necessitados, ou seja, das crianças. É sobretudo por elas e pelo seu bem que não se pode permitir esta co-adopção. Não está em causa a bondade, certamente excelente, dos eventuais co-adoptantes, mas o superior interesse das crianças. Não se consinta que os menores, que sofrem a infelicidade de não ter mãe e/ou pai, sejam também privados do amor materno e paterno, que só uma mulher e  um homem, respectivamente, lhes podem dar. 


Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada
Fonte "i"

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Fazer filhos como coelhinhos

Fala-se muito da Irlanda, da "saída à irlandesa" e não sei quê,
da forma como Portugal deve imitar os indicadores macro
não sei das quantas de Dublin, mas ainda ninguém falou do óbvio:
nós só teremos salvação se começarmos a imitar a taxa de natalidade
dos irlandeses (2,05, a mais alta da Europa).

Os irlandeses fazem bebés como coelhinhos diabólicos
e nós temos de encontrar maneira de replicar essa fuçanga reprodutora.

Porque a grande conversa da nossa geração é só uma:
se os bebés não começarem a cair dos céus,
o corte nas pensões actuais continuará por tempo indeterminado
e as pensões do futuro terão a consistência de um gambozino.

Não é uma questão de vontade, é uma questão demográfica, empírica, factual.

Soluções? Políticas de família? Ok, muito bem.

Sucede que as políticas de famílias implicam
um divórcio temporário entre a mulher e o emprego,
e este assunto ainda levanta ansiedades em Portugal.


No ano passado, numa grande reportagem do Diário de Notícias
 ("Porque é que os Suecos têm mais filhos?"), a jornalista Céu Neves
 ouviu um casal sueco típico: "não é um risco ter filhos.
E isso é bem visto por todos incluindo os patrões.
O que é mal visto é uma mulher de 30 anos procurar emprego,
porque se espera que tenha filhos e esteja com eles nos
primeiros anos de vida".


Ora, se um homem português dissesse publicamente
que as mulheres devem ficar em casa dois anos
a tratar dos filhos, o Carmo e a Trindade cairiam no dia seguinte.


O sujeito seria acusado de machismo, de salazarismo.
Se uma mulher portuguesa dissesse a mesma coisa,
o Carmo e a Trindade cairiam duas vezes.

A senhora seria acusada de subserviência,
seria queimada nos autos-de-fé das brigadas da linguagem. 

Moral da história? Se as suecas vivem bem com a ideia
de ficarem dois anos em casa com os filhos,
muitas e muitas portuguesas vêem isso como um
sinal de subserviência e retrocesso.

Mas eu percebo a reacção. As suecas não tiveram até 1974
um regime que consagrava legalmente o marialvismo.
A minha mãe nunca aceitaria ficar em casa, precisava de um emprego,
a sua identidade dependia dessa consagração pública
.

A geração da minha mulher não é muito diferente.
As portuguesas ainda sentem necessidade de mostrar
que não são as dondocas dos bordados.

Além disso, vivem debaixo do grande medo:
acham que serão despedidas se assumirem a gravidez
e um largo período de licença.

O medo não é descabido: se o patrão sueco vê a maternidade
com bons olhos, o patrão tuga nem por isso
. Mas, verdade seja dita,
este ambiente laboral é apenas o espelho do ambiente caseiro.

Na Suécia, não há tradição da empregada, porque os homens
também ajudam nas tarefas domésticas. Perdão: esqueçam o
"também ajudam". Na Suécia, os homens e as mulheres
dividem as tarefas domésticas.

Políticas de natalidade? Oferecer aventais aos marialvas da pátria.  

sábado, 28 de dezembro de 2013

O Natal e a Família

 
 
O Natal não é sentimental mas dramático: é o início de um novo ordenamento de todas as coisas. Não uma festa de bons sentimentos, mas o juízo sobre o mundo, a conversão da história. A grande roda do mundo tinha sempre girado num único sentido: de baixo para o alto, do pequeno para o grande, do frágil para o forte.
Quando Jesus nasce, ou melhor, quando o Filho de Deus é dado à luz por uma mulher, o movimento da história bloqueia-se por um instante, e depois começa a fluir no sentido oposto: o omnipotente faz-se frágil, o eterno faz-se mortal, o infinito está no fragmento.
A sorte do mundo decide-se no interior de uma família: um pai, uma mãe, um filho, o nó da vida, o eixo do futuro.
O que é decisivo – hoje como então – acontece dentro das relações, coração a coração, na coragem quotidiana de uma, de muitas, de infinitas criaturas enamoradas e generosas que sabem tomar consigo a vida de outros. 
P. Ermes Ronchi