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sábado, 14 de março de 2015

Quando o Amor fala mais alto


O mês de Fevereiro é vivido com certa nostalgia pois assinala-se o dia dos namorados que está associado ao amor. Mas para além desse tipo de amor existem outros e o de pais para com os filhos é indescritível.

            “Numa cidade distante morava um casal que fazia os preparativos para a chegada do primeiro filho. Neste caso tratava-se de uma menina e o homem ficou muito dececionado assim que soube porque queria muito um rapaz. Mas pouco tempo após o nascimento da filha deixou-se levar pelo seu sorriso lindo. Foi então que começou a amá-la verdadeiramente. Quase sem se aperceber lá estava ele a fazer planos para o futuro da filha, pois tudo seria para ela.

            Numa tarde, estavam os três quando ela perguntou ao pai qual seria o presente que teria quando fizesse quinze anos. Ele um pouco atrapalhado respondeu-lhe que ainda era muito nova, pois tinha sete anos, até aos quinze ainda faltava muito tempo.

            Mas o tempo passou muito rápido e esta criança era a alegria da casa em especial do pai. Já tinha catorze anos e num domingo quando iam para a igreja ela escorregou mas o pai agarrou-a para não cair. Já sentados no banco da igreja ia perdendo as forças e quase desmaiou. O pai levou-a de imediato para o hospital onde permaneceu dez dias internada. Foi então que lhe disseram que ela tinha um problema grave no coração. Os dias foram passando e o pai deixou de trabalhar para ficar ao seu lado contrariamente à mãe que não aguentava ver tanto sofrimento como tal refugiava-se no trabalho.

A criança apercebendo-se que não estava bem, perguntou ao pai se os médicos diziam que ela ia morrer mas de imediato o pai lhe disse “Não meu amor, Deus que é tão grande não permitiria que eu perdesse a pessoa que mais tenho amado neste mundo”. Curiosamente continuava a perguntar-lhe: “Quando morremos vamos para algum lugar? Pode-se ver a família do céu? Será que um dia se pode voltar?” O pai bastante emocionado respondeu-lhe: “Bem filha ainda ninguém voltou para contar porém se eu morrer não te deixarei só terei sempre uma forma de comunicar contigo. Não sei como mas sei que se morrer sentirás que estou contigo quando um vento suave roçar o teu rosto e uma brisa fresca beijar a tua face.” Nesse mesmo dia foram informados que a filha precisava de um transplante de coração caso contrário só teria vinte dias de vida.

O sofrimento destes pais era enorme, precisavam de encontrar um dador mas onde?! Nesse mesmo mês ela completaria os seus quinze anos e foi numa sexta-feira à tarde que conseguiram um dador. Foi operada e tudo correu bem. Permaneceu quinze dias no hospital mas o pai não a visitou uma única vez. Teve alta e foi para casa. Assim que chegou gritou ansiosamente pelo pai. A mãe saiu do seu quarto com os olhos encharcados e entregou-lhe uma carta deixada por ele. “Filha neste momento já deves ter quinze anos e se os médicos não me enganaram já terás um coração forte batendo no teu peito. Lamento não poder estar a teu lado. Quando soube que morrerias decidi dar-te a resposta à pergunta que me fizeste quando tinhas sete aninhos e para a qual não pude responder. Decidi dar-te o presente mais bonito que ninguém te daria, dou-te de presente a minha vida inteira sem nenhuma condição para que faças com ela o que quiseres, vive filha, te amo com todo o coração.”

 No dia seguinte a menina foi ao túmulo do pai chorar como ninguém poderia chorar: “Pai agora compreendo o quanto me amavas. Eu também te amo mas agora compreendo a importância de te dizer AMO-TE”. De repente” um vento suave roçou no seu rosto e uma brisa fresca beijou sua face”, ela olhou para o céu limpou as lágrimas e voltou para casa.”

Chega-se ao fim deste relato com um misto de sentimentos mas cabe a cada qual refletir e ter a coragem de admitir que talvez esteja a seguir pelo caminho errado e porque não optar por outro, por aquele que algum dia foi o que o levou até onde ele chegou! Se foi o melhor ninguém sabe mas de certeza que foi o do amor. Os pais sacrificam a própria vida pelos filhos mas fazem-no incondicionalmente, porém nos momentos menos bons será que estes estão a seu lado não por obrigação mas por amor?!

Como alguém disse “ Jamais deixes de dizer AMO-TE pois não saberás se será a última vez.”

 
anabelaviegasconceicao@gmail.com

Psicóloga Clínica

 

 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Estudo demonstra que educação em ambiente homossexual é prejudicial às crianças

Fresh research has just tossed a grenade into the incendiary issue of same-sex parenting. Writing in the British Journal of Education, Society & Behavioural Science, a peer-reviewed journal, American sociologist Paul Sullins concludes that children’s “Emotional problems [are] over twice as prevalent for children with same-sex parents than for children with opposite-sex parents”.
He says confidently: “it is no longer accurate to claim that no study has found children in same-sex families to be disadvantaged relative to those in opposite-sex families.”
This defiant rebuttal of the “no difference” hypothesis is sure to stir up a hornet’s next as the Supreme Court prepares to trawl through arguments for and against same-sex marriage. It will be impossible for critics to ignore it, as it is based on more data than any previous study -- 512 children with same-sex parents drawn from the US National Health Interview Survey. The emotional problems included misbehaviour, worrying, depression, poor relationships with peers and inability to concentrate.
After crunching the numbers, Sullins found opposite-sex parents provided a better environment. “Biological parentage uniquely and powerfully distinguishes child outcomes between children with opposite-sex parents and those with same-sex parents,” he writes.
As he points out, this has immense implications for public policy. The Elton John/David Furnish model of lavishing love and licorice on the offspring of surrogate mothers won’t do. Throwing down the gauntlet before supporters of same-sex marriage, Sullins contends that “the primary benefit of marriage for children, therefore, may not be that it tends to present them with improved parents (more stable, financially affluent, etc, although it does this), but that it presents them with their own parents.”
The Ultima Thule of same-sex marriage, legal and social recognition of gay and lesbian partnerships, will not reduce the risk of emotional problems. “The two family forms will continue to have fundamentally different, even contrasting effects on the biological component of child well-being, to the relative detriment of children in same-sex families.”
Past research 
Until recently nearly all studies of same-sex parenting were very small. In a survey of 49 studies in 2010, one researcher found that their mean sample size was only 39 children. Only four of these were random samples; the others had been selected by contacting gay and lesbian groups. An ambitious 2012 study by Mark Regnerus, of the University of Texas at Austin, identified only 39 young adults who had lived with a same-sex couple for more than three years out of 2,988 cases.
For researchers, it’s a conundrum. The number of children being raised by same-sex couples is so small – 0.005 percent of American households with children -- that capturing them in a random sample is like finding a needle in a haystack. So the figure of 512 children, while still relatively small, makes Sullins’s study a major contribution.
Sullins examines whether other factors could explain the difference in emotional welfare. According to his analysis, none of them does.
One factor could be instability. Children do not flourish in unstable environments. Gay and lesbian parents tend to rent rather than to own their own houses, which involves the trauma of pulling up stakes and resettling. This may also indicate parents are less settled in their relationship.  Parental psychological distress is also associated with children’s increased risk of emotional problems. Neither of these explained the differences.
The most widely-accepted explanation of poor emotional and behavioural results amongst children in same-sex households is homophobia. Supporters of same-sex parenting attribute poor emotional well-being to stigmatization. These kids are damaged, it is said, because they have been singled out, teased and bullied. If their peers were less homophobic, things would be different.
But Sullins dismisses this. “Contrary to the assumption underlying this hypothesis, children with opposite-sex parents are picked on and bullied more than those with same-sex parents.”
This sounds surprising, but in another paper, published last year in the British Journal of Medicine and Medical Research and based on the same data, Sullins found that children of same-sex parents are more at risk of ADHD. And if they had ADHD, they were over seven times more likely to suffer stigmatization because of their impaired interpersonal coping skills. In other words, if kids from homes with same-sex parents are bullied more, it’s because they lack interpersonal skills, not because their parents are gay or lesbian.
Bullying is toxic, but it’s important to find out whether kids are being bullied because they’re different or because their parents are different.
What comes next? 
What is the implication of Sullin’s study?
It is not that all children in same-sex homes will be emotionally damaged. Sullins is quite emphatic about this. “Most children in most families achieve a level of psychosocial function that is not characterized by serious emotional problems.” However, even if most kids are all right, more of them are all right in intact marriages with their biological parents.
Sullins’s concluding suggestions for further research are eye-openers. In the media and in the courts, fine-grained studies have been few and far between. What about studies of girls who have no fathers and boys who have no mothers? Does same-sex parenting affect younger children differently than teenagers? Do adopted children fare are well as children from IVF or surrogate mothers?
These are obvious questions; who will be brave enough to ask them?
Paul Sullins must be a gutsy guy. When Mark Regnerus attacked the “no difference” hypothesis, his career was almost destroyed by trolls who trashed his data, his competence and his integrity. As a professor at Catholic University of America, and a married Catholic priest with three children (he used to be an Episcopalian), Sullins has to be ready to go all 15 rounds. 
Michael Cook is editor of MercatorNet. 
- See more at: http://www.mercatornet.com/articles/view/the_no_difference_theory_is_dead#sthash.EjCIcaOg.dpuf

http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2500537

domingo, 30 de novembro de 2014

A solidão dos sem família

 
 
"A Bíblia (....) recorda-nos que deveremos deter este isolamento e abrir a solidão a um contacto, a uma comunhão, a um encontro. É sugestivo que as casas do passado tinham as portas abertas para o pátio, onde as pessoas se cruzavam, dialogavam, murmuravam.
Pelo contrário, o emblema dos nossos condomínios anónimos é a porta blindada que separa totalmente do exterior, ao ponto de uma pessoa só poder morrer e durante semanas os vizinhos não darem conta.
O léxico bíblico da família impele-nos, por isso, a impedir o isolamento no medo, por vezes até legítimo, na solidão, na indiferença recíproca. «Ai do solitário que cai», adverte Qohélet/Eclesiastes (4,10), não tem outro para o levantar».
No isolamento subsiste também o risco do egoísmo, como brutalmente clamava o escritor francês André Gide: «Famílias, odeio-vos! Lares herméticos, portas trancadas, ciumenta possessão da felicidade!».
Reencontrar a vocação da família a ser a célula de um corpo mais vasto, um horizonte aberto que acolhe e se expande: é este o espírito de base da verdadeira comunidade familiar".
 
Card. Gianfranco Ravasi 
In "Famiglia Cristiana" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 27.11.2014 SNPCultura

sábado, 18 de outubro de 2014

A luz que de noite resplandece



 
 
Declaração final do Sínodo Extraordinário dos Bispos (18 de Outubro de 2014)

 

Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar.

Assiste-se, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício.

 Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência.

Pensemos no sofrimento que pode aparecer num filho portador de deficiência, numa doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que lhes é doada e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.

Pensemos às dificuldades económicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas.

Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.

Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões.

Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade.

“A cultura do bem-estar anestesia-nos e (...) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54).

(…..)

Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém.

(….)

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas.

Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, acende-se com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Génesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, numa “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca.

O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo.

É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua...eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).

domingo, 21 de setembro de 2014

Os pais devem aproveitar melhor o pouco tempo que passam com os filhos

 
 
A terapeuta familiar Margarida Cordo diz que os casais devem aproveitar melhor o pouco tempo que passam com os filhos.
(...)
Margarida Cordo admitiu que as dificuldades por que passam muitas famílias roubam-lhes muito tempo. “Se nós não podemos estar muito tempo, estamos bem quando estamos. Se nós não podemos juntar-nos todos nas diferentes circunstâncias do quotidiano criamos situações em que esse estar é por inteiro”.
(....)
“Quando a pessoa emigra por ambição está a esquecer-se que só temos uma vida para viver, que se estão a perder momentos únicos na vida uns dos outros porque nos afastamos de quem fica e que o ter não pode, de maneira nenhuma, ser um factor mobilizador que justifique este afastamento sistemático”, acrescentou.
Para a terapeuta familiar, as modas, o facilitismo perante o divórcio e o aborto, o desprezo pelos mais velhos, a falência dos valores e dos princípios e a vida de aparências são as principais ameaças que a família enfrenta.
 

sábado, 26 de julho de 2014

Familia com 18 filhos



A Rosa Pich le gusta citar el dicho catalán que dice “si vols estar ben casat, busca-la en el veïnat” (si te quieres casar bien, búscala en el vecindario). Sin embargo, a esta barcelonesa no le fue nada mal casarse a los 23 años con un vecino de Cantimpalos. Dan fe de ello sus 16 hijos. Los Postigo Pich forman la familia numerosa con más hijos escolarizados de España.

Aunque no se acaba de sentir cómoda con el interés mediático que suscita su caso, necesita contarle al mundo que existen, “mucha gente no se lo cree, pero nosotros hemos dicho sí a la vida” afirma

¿He oído bien? Usted tiene 16 hijos.

18. Dos de ellos murieron siendo bebés. Nacieron con una malformación cardiópata severa. Donamos sus corazones a la ciencia. Hemos dicho sí a la vida y a la ciencia. El día que me vaya al cielo, descubriré por qué Dios se los llevó. Debió ser muy duro. Los médicos nos recomendaron no tener más hijos. ¡Pero nosotros queríamos tener una familia numerosa!

¡Su deseo se cumplió!

Así es, porque la decisión de tener cada uno de nuestros hijos ha sido de mi marido y mía: nadie, ningún sacerdote, familiar, o congregación, nos ha dicho cuántos hijos teníamos que tener.

¿De qué ha dependido cada una de las decisiones?

Hemos tenido en cuenta las condiciones psicológicas, físicas y económicas de cada momento.

No quiero pensar su presupuesto mensual en comida…

Hago la compra por Internet mensualmente y le aseguro que no gasto más que una familia con tres o cuatro hijos. Compro marca blanca. Y mis hijos saben que en casa no hay coca-cola, ni carne de primera, ni pescado fresco, solo atún enlatado. Eso sí: el chico de reparto del supermercado coloca en la despensa cada mes 240 litros de leche y 1.300 galletas María.

¿Siguen una dieta equilibrada?

Mis hijos comen en el colegio y están bien alimentados. En casa sólo se cena y se desayuna leche, y pan con mermelada o embutidos.

Siguen sin salirme los números.

Un kilo de pasta cuesta 50 céntimos. Lo mismo que un sobre de sopa. Le aseguro que no llego a los mil euros mensuales. Mis amigas me piden que le ayude a hacer los menús, además de explicarles cómo organizo la casa, las tareas de los chicos, los armarios…

¿Cómo organiza las cenas?

En dos turnos. Los de la primera comunión para abajo cenan primero y los mayores después. Entre medio, rezamos el Rosario.
 

¿Es usted muy religiosa?

En nuestra familia no contamos dos más dos, sino dos más dos, más Dios. Tenemos una fe vivida. Dios existe. Creemos en un padre que está en el cielo y tenemos la necesidad de comunicarnos con él, de contarle nuestras ilusiones y preocupaciones. El hombre es un ser de alma y cuerpo, por tanto espiritual.

¿Cree que hay una crisis de creencias?

La gente pone el dios en el Barça, en el dinero…

¿Cómo son sus hijos?

Movidos, gamberros, divertidos y deportistas. Están acostumbrados a pelearse, a convencer al otro para que juegue con ellos, a solucionar conflictos, a trabajar hábitos, a preocuparse por los demás. Ser miembro de una familia numerosa te obliga a ocuparte de los demás, porque siempre hay un hermano que necesita ayuda, tiene alguna dificultad. ¡Mis hijos están preparados para dirigir multinacionales!


¿Cómo se organizan entre ellos?

Cada oveja con su pareja. Cada uno de los mayores tiene asignado un pequeño y se encargan de resolver sus problemas: les ayudan con sus deberes, con la lectura, con el baño, si necesitan material del colegio se lo consiguen… Todos van al colegio andando desde los tres años y tienen su pequeño encargo. Yo trabajo por las mañanas, así que a las siete de la mañana salgo de casa. Por las tardes juego con los pequeños y a partir de las siete atiendo dudas hasta la hora de cenar.

Contará con alguna asistenta…

Sí, ella se encarga de la limpieza y del baño de los más pequeños. Trabaja de ocho a ocho. Pero los niños se encargan de hacerse la cama y si no se la hacen, peor para ellos.

¿Qué consejos les da a sus hijos?

Tanto mi marido como yo venimos de familias numerosas (14 y 16 hermanos, respectivamente). Hemos pasado de la litera de cuatro alturas a la cama de matrimonio. Si nuestros amigos tenían juguetes, nosotros teníamos hermanos. Y les hemos enseñado a nuestros hijos a ser felices así.

¿Nunca le han dicho que traer tantos niños al mundo es una irresponsabilidad?

La pregunta no es qué mundo les vamos a dejar a nuestros hijos, sino qué mundo nos van a dejar ellos a nosotros. Hay que cambiar el chip porque pienso que tal como están las cosas, van a tener muchas oportunidades. Mis hijos van a buenos colegios, así que humanamente hablando estarán preparados para sacar el país adelante. Yo siempre les digo que son ellos los que nos van a sacar de la situación que vivimos. Por otro lado, yo sí voy a tener mi jubilación pagada: mis hijos cuidarán de nosotros porque nosotros hemos cuidado de ellos.

¿Es usted muy estricta?

En la vida hay que hacer muchos sacrificios. A menudo he ido a trabajar sin apenas haber dormido y encontrándome mal. Pero hay que dar ejemplo. Por otro lado, en casa transmitimos una educación muy espartana , austera, de servicio a los demás, porque pensamos que es más elegante dar que ser egoísta. En la mesa tenemos una consigna: hay que servir al que tenemos al lado: acercarle el pan y el agua. Y si toca huevo frito, le damos el más bonito.

¿Sus hijos no le piden marcas?

En casa no compramos marcas. Si entra algo es porque han ahorrado haciendo canguros o se lo ha regalado el padrino. Las marcas no los hacen más persona, ni más felices. La vida da muchas vueltas y lo que no lloren de niños, lo llorarán de mayores. Uno se crea grandes necesidades, pero polvo eres y en polvo te convertirás

¿Qué es para usted la felicidad?

Lo que da felicidad es cuidar de los demás. A mí me la dan mis hijos, pero también me gusta cuidar de sus amigos cuando vienen a casa. Eso es algo que también les intento transmitir: preocuparse por los otros, ir a ver a un amigo cuando está enfermo, una llamada por teléfono… Hay que vivir con alegría y optimismo.

¿Nunca ha tenido una crisis matrimonial?

Por supuesto que las tenemos. Mi marido y yo discutimos, pero también hablamos. Y de las crisis uno sale más reforzado. Hay que luchar para quererse más, tratarse con cariño, dejarse espacio para uno y para la pareja. Nosotros nos vamos a pasear solos, aunque sea para dar una vuelta a la manzana. Pienso mucho en mis amigos que se han divorciado, porque se quedan muy solos y los niños quedan marcados para siempre.

¿Piensa que el matrimonio debe ser para toda la vida?

El divorcio sólo soluciona la discusión momentánea con la pareja , pero después vienen muchos más problemas. Lo he vivido de cerca. Sí, yo a mis hijos les digo que es para toda la vida, no porque lo manda la iglesia, sino porque el hombre y la mujer necesita una estabilidad física y psíquica. La naturaleza humana está hecha así: el niño necesita un papá, con una barba que le rasca, y una mamá, con su olor femenino, que le arropa.

¿En qué consiste el amor?

El amor es un fuego que hay que ir alimentando. No es una chispa de la vida, sino que uno tiene que ir trabajándolo, reforzándolo cada día. Así, cuando no hay llama, la ponemos. El amor no es sólo de sentimientos sino también cerebral. Necesita voluntad: yo quiero amar a esta persona, quiero amar su bien, me atrae su físico, su manera de ser… Y también necesita sinceridad. Hay que decirle a tu pareja qué te gusta, cómo te sientes, qué necesitas en cada momento.

Un consejo para mejorar las relaciones de pareja.

Dile que se acuerde de comprarte tus flores preferidas y cuando vayas a la pelu no esperes que se fije. Adelántate: ¿verdad que estoy guapa?

Me imagino que no irán mucho a comer a restaurantes…

Sólo cuando hay una celebración. Cuando nos invitan, suelen decirme: “da gusto ver cómo disfrutan tus hijos, Rosa”.

Fuente: la Vanguardia

Famílias monoparentais afectam desenvolvimento das crianças

 
 
ROMA, 17 de Julho de 2014 (Zenit.org) - Um novo relatório prevê que, em 2020, metade dos jovens de 16 anos da Grã-Bretanha terão famílias monoparentais. 
O estudo "Breakthrough Britain 2015", descobriu que, mesmo hoje, apenas 57 por cento dos adolescentes vivem com o pai.
O relatório acrescenta ainda, conforme a suposição comum, que as crianças cujos pais são separados têm significativamente mais probabilidade de falhar na escola, têm baixa auto-estima, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades de comportamento e ansiedade ou depressão. A notícia foi publicada esta semana no Daily Telegraph.
"Por muito tempo neste país a desagregação da família tem sido incontestada - apesar do impacto devastador sobre a adultos, crianças e comunidades", disse Christian Guy, diretor do Centro para a Justiça Social, que realizou o estudo.
A Dra. Samantha Callan, uma das co-autoras do relatório, disse que a "norma social" de ter filhos fora do casamento precisa mudar a fim de reverter o número crescente de famílias sem pais. "Existe uma visão predominante na sociedade que, quando as coisas não vão bem em um relacionamento, isso significa que o fim está próximo", disse ela. "Mas todos os relacionamentos estão sob pressão; você precisa ter um compromisso como o casamento para que você saiba que não vai fugir".

sábado, 12 de julho de 2014

ONU aprovou histórica resolução a favor da proteção da família

 
 
GENEBRA, 30 Jun. 14 / 09:52 am (ACI/EWTN Noticias).- O Conselho de Direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em seu 26° período de sessões, aprovou a resolução de “Proteção à Família”, que reconhece a família como o núcleo “natural e fundamental da sociedade, e tem direito a proteção por parte da sociedade e o Estado”, o que representou uma verdadeira derrota do lobby gay.
Na resolução, aprovada por 26 votos contra 14 neste 25 de junho, com seis abstenções, o Conselho de Direitos humanos da ONU reconhece também “que a família tem a responsabilidade primária de nutrir e proteger as crianças da mesma forma em que as crianças, para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, devem crescer em um ambiente familiar e em uma atmosfera de felicidade, amor e entendimento”.
Em declarações a ACI Imprensa, o Dr. Carlos Beltramo, do Instituto Cultura e Sociedade (ICS) da Universidade da Navarra, assinalou que a resolução do organismo da ONU “foi um interessante passo adiante no reconhecimento da natureza da família em um foro tão importante das Nações Unidas”.
“Esta é uma boa oportunidade para relançar a educação da pessoa dentro da família, que é o melhor caminho para o futuro da humanidade”, indicou.
Beltramo assinalou que “dar formação às famílias e animar a que as famílias eduquem suas crianças é um meio fundamental para fortalecer sociedades saudáveis que permitam que todos superem até mesmo situações difíceis como as que tivemos que viver”.
O organismo da ONU decidiu ainda criar um painel por motivo do 20º aniversário do Ano Internacional da Família, assim como promover referências à família de uma forma positiva para reverter uma tendência dos últimos tempos de tratar a família como o centro dos conflitos, dos problemas e das violações de direitos humanos.
Em declarações recolhidas pelo site BuzzFeed, Austin Ruse, presidente do Instituto Família Católica e Direitos humanos, com base nos Estados Unidos, assinalou que a resolução do Conselho de Direitos humanos da ONU é uma “derrota” do lobby gay.
“A derrota (do conceito) de vários tipos de família demonstra que a ONU está cansada deste tipo de debates”, assinalou.
Austin Ruse assegurou que “a maioria de estados membros queria avançar para temas que preocupem o mundo e não só as elites no (hemisfério) norte”.
Os países que apoiaram com seus votos a resolução de proteção da família são foram a Argélia, Benin, Botswana, Burkina Faso, China, Congo, Costa do Marfim, Etiópia, Gabão, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Quênia, Kuwait, Maldivas, Marrocos, Namíbia, Paquistão, Filipinas, Federação Russa, Arábia Saudita, Serra Leoa, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Vietnã.
Os estados que se opuseram a esta histórica resolução a favor da família foram Áustria, Chile, República Tcheca, Estônia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Montenegro, República da Coréia, Romênia, Reino Unido e Estados Unidos.

quarta-feira, 19 de março de 2014

A crise da Natalidade em Portugal


 
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A situação da família no Japão



A resposta da Conferência Episcopal Japonesa ao questionário sobre a família, partindo da realidade japonesa, é um pouco assustadora:

"In situations where both parents work, many children return to an empty house."

"Shared meals are rare," they continue. "Consequently, there are no opportunities to share conversation. Each member of the family faces difficulties, but since there is no fellowship each is lonely and has little experience of loving or being loved."

Husbands’ time and energy were consumed by their work, and wives who were previously full-time homemakers began to work part-time outside the home. Children, when their school day ended, were absorbed in extra-curricular activities or "cram schools" until late at night. As a result, shared meals or other opportunities to be together as a family decreased significantly. It has become difficult for families to come together to talk with one another or share companionship.

In both urban and rural areas, living alone has become more common, resulting in increased loneliness and anxiety. The number of people who die alone or without any connections to others is increasing. Japanese society can be characterized as "unrelated."

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Pais e Mães



Numa época em há mais mulheres do que homens nas universidades, em que os quartéis estão apinhados de mulheres militares, em que os homens cozinham e lavam a loiça e em que toda a gente tem uma opinião sobre o sacerdócio das mulheres, há que dar um esclarecimento no que diz respeito aos pais.

É assim: os pais são diferentes das mães. Aqui, meus senhores, não há igualdade de género. Sei que parece absurdo, mas é um facto que um pai e uma mãe são géneros completamente diferentes. Os filhos olham para os pais de uma maneira, e para as mães de outra. Eles discriminam-nos vergonhosamente. Para eles, cada um tem o seu lugar, a sua função, e são completamente diferentes. 


Os filhos, por mais liberais, bloquistas ou anarquistas que sejam, são absolutamente segregadores em relação aos pais. Não há cá igualdades neste domínio parental. Em tudo o resto até pode haver. Eles podem até achar que, entre o cão e os irmãos, as diferenças são ténues, mas os pais não. Para eles, os pais são de espécies diferentes.

A grande clivagem tem a ver com o respeitinho. Não é o respeito, é o respeitinho.

Por mais megera e severa que seja uma mãe, os filhos têm sempre mais respeitinho pelos pais. Com eles, não fazem farinha, não levantam a crista e não medem forças com o à-vontade com que o fazem com as mães. As mães acabam sempre por ceder e por se deixarem levar pelo mítico amor de mãe.

Os nossos filhos são os nossos meninos. Coitadinhos. E os nossos meninos fazem o que querem de nós. É assim desde que existem pais e filhos.

Os pais, não. Os pais até podem querer ser iguais às mães mas, por mais que se esforcem, não conseguem. Não conseguem ser suficientemente vulneráveis com os filhos nem suficientemente racionais com as filhas. 

Desde o dia em que nascem que os filhos, sabendo isso, fazem o jogo diplomático tipo Israel para sobreviverem aos pais. Eles sabem que a mãe fica doente se eles ficam doentes e que o pai fica desnorteado quando o termómetro passa os 37 graus; sabem que a mãe irá sempre chatear com a sopa e que o pai irá sempre chatear com o lixo que não foi despejado e com as luzes acesas; sabem que o pai não se zanga com coisas parvas e que a mãe perde a cabeça só por ver umas cuecas no chão; sabem que os pais têm uma tolerância bastante previsível e que a tolerância das mães depende de 351 factores externos e diários; sabem que os pais não gostam de decidir sozinhos e que as mães gostam de decidir por todos. 

Eles sabem que pai é pai e que mãe é mãe só pelo simples facto de serem de sexos diferentes.

Os pais querem que os filhos sejam homens responsáveis, corajosos, profissionalmente competentes ou jogadores de futebol com sucesso. As mães só querem que os filhos continuem a ser os seus meninos. 

As mães choram quando os meninos saem de casa, os pais transformam o quarto do filho num escritório sem um pingo de sensibilidade. É verdade que, com as meninas, as coisas não são tão óbvias mas, ainda assim, as diferenças são abissais.

As filhas não levam os pais a sério. Elas não lhes reconhecem competência para as educar. Gostam deles, respeitam-nos mas, tal como as mães, não confiam totalmente no seu discernimento no que diz respeito às crianças. Os pais brincam com as filhas, levam-nas às cavalitas, mimam-nas, protegem as suas meninas, mas não percebem as filhas.

Para um pai, uma filha é uma equação atómica. É um dos mistérios mais indecifráveis da natureza humana, uma filha.

Os pais têm medo de as magoar, que as magoem, de não as entenderem ou de as ofenderem sem querer; por isso, entregam a gestão da filha à mãe. As filhas são coisas de mulheres; já os filhos são coisas dos dois.

Os filhos têm perfeita noção de que os homens são diferentes das mulheres e sabem, desde o dia em que nascem, que os pais vieram de Marte, as mães vieram de Vénus e eles são os únicos não-extraterrestres da casa.
 
Inês Teotónio Pereira
 
in ionline

sábado, 28 de dezembro de 2013

O Natal e a Família

 
 
O Natal não é sentimental mas dramático: é o início de um novo ordenamento de todas as coisas. Não uma festa de bons sentimentos, mas o juízo sobre o mundo, a conversão da história. A grande roda do mundo tinha sempre girado num único sentido: de baixo para o alto, do pequeno para o grande, do frágil para o forte.
Quando Jesus nasce, ou melhor, quando o Filho de Deus é dado à luz por uma mulher, o movimento da história bloqueia-se por um instante, e depois começa a fluir no sentido oposto: o omnipotente faz-se frágil, o eterno faz-se mortal, o infinito está no fragmento.
A sorte do mundo decide-se no interior de uma família: um pai, uma mãe, um filho, o nó da vida, o eixo do futuro.
O que é decisivo – hoje como então – acontece dentro das relações, coração a coração, na coragem quotidiana de uma, de muitas, de infinitas criaturas enamoradas e generosas que sabem tomar consigo a vida de outros. 
P. Ermes Ronchi
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O que têm os autores do tiros nas escolas em comum entre si ? Filhos de pais divorciados

Another shooting, another son of divorce. From Adam Lanza, who killed 26 children and adults a year ago at Sandy Hook School in Newtown, Conn., to Karl Pierson, who shot a teenage girl and killed himself this past Friday at Arapahoe High in Centennial, Colo., one common and largely unremarked thread tying together most of the school shooters that have struck the nation in the last year is that they came from homes marked by divorce or an absent father. From shootings at MIT (i.e., the Tsarnaev brothers) to the University of Central Florida to the Ronald E. McNair Discovery Learning Academy in Decatur, Ga., nearly every shooting over the last year in Wikipedia’s “list of U.S. school attacks” involved a young man whose parents divorced or never married in the first place.
This is not to minimize the importance of debates about gun control or mental health when it comes to understanding these shootings. But as the nation seeks to make sense of these senseless shootings, we must also face the uncomfortable truth that turmoil at home all too often accounts for the turmoil we end up seeing spill onto our streets and schools.
The social scientific evidence about the connection between violence and broken homes could not be clearer. My own research suggests that boys living in single mother homes are almost twice as likely to end up delinquent compared to boys who enjoy good relationships with their father. Harvard sociologist Robert Sampson has written that “Family structure is one of the strongest, if not the strongest, predictor of variations in urban violence across cities in the United States.” His views are echoed by the eminent criminologists Michael Gottfredson and Travis Hirschi, who have written that “such family measures as the percentage of the population divorced, the percentage of households headed by women, and the percentage of unattached individuals in the community are among the most powerful predictors of crime rates.”
Why is fatherlessness such a big deal for our boys (almost all of these incidents involve boys)? Putting the argument positively, sociologist David Popenoe notes that “fathers are important to their sons as role models. They are important for maintaining authority and discipline. And they are important in helping their sons to develop both self-control and feelings of empathy toward others, character traits that are found to be lacking in violent youth.” Boys, then, who did not grow up with an engaged, attentive, and firm father are more vulnerable to getting swept up in the Sturm und Drang of adolescence and young adulthood, and in the worst possible way.
Of course, most boys who grow up in a home without their father turn out okay. They pick up the right cues from a conscientious high-school soccer coach, flourish under the watchful eye of a devoted grandfather, or benefit from the consistent discipline of a strong single mother. But every year enough fatherless boys fall prey to the ministrations of a gang or the rage induced by a high-school bully or the emotional fallout of painful divorce to end up causing real harm to themselves or the members of their communities. So, if the nation is serious about ending the scourge of school shootings, it must also get serious about strengthening the families that are our first line of defense in preventing our boys from falling into a downward spiral of rage, hopelessness, or nihilism that can end in the kind of senseless violence that Karl Pierson, a son of divorce, visited upon Arapahoe High this past Friday.
— W. Bradford Wilcox, who was raised by a single mother, is a senior fellow at the Institute for Family Studies and a Visiting Scholar at the American Enterprise Institute. Follow him on Twitter @WilcoxNMP.
 
Fonte: National Review

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

U Ime Obitelji


O título não lhe diz nada? É natural. Fora da Croácia, quase ninguém sabe o que se passou no último Domingo, 1 de Dezembro de 2013.

Nesse dia, o movimento «U Ime Obitelji» (que em croata significa «Em nome da família») conseguiu incluir na Constituição a revolucionária definição de que «o casamento é a união de vida entre um homem e uma mulher». O Governo foi incapaz de travar o processo. O Primeiro Ministro considerou a definição aberrante e não queria inclui-la na Constituição. O «U Ime Obitelji» concordava: «de facto, é triste que uma coisa tão óbvia tenha de ser escrita na Constituição»... (Antes, tinha saído uma lei que atribuía às relações homossexuais o estatuto de casamento).

Na Croácia, para convocar um Referendo é preciso recolher, num prazo de 15 dias, as assinaturas de 10% dos eleitores. O «U Ime Obitelji» avisou a população e esta mobilizou-se para uma impressionante «operação-relâmpago», entre 12 e 26 de Maio de 2013.

Na votação para a União Europeia, havia 3,8 milhões de eleitores, pelo que eram necessárias 380 mil assinaturas. No entanto, ainda não tinham passado dois meses, o Governo anunciou que o número de eleitores subira vertiginosamente para 4,6 milhões e portanto o «U Ime Obitelji» precisava de reunir 460 mil assinaturas.

Este anúncio foi muito polémico, porque, segundo as estatísticas oficiais, a Croácia tem apenas 4.480.043 habitantes, incluindo adolescentes, bebés e crianças. Assim, o país ficou com mais 100 mil eleitores do que habitantes, incluindo menores de idade. Grande parte da população achou isto estranho, mas alguns responsáveis da União Europeia aplaudiram, considerando que o Governo Croata estava a ser responsável. Estavam muito preocupados com o resultado do Referendo.

Embora o «U Ime Obitelji» não tenha organização capaz de recolher tantas assinaturas, a mobilização dos cidadãos foi de tal ordem que, em quinze dias, juntaram 710 mil assinaturas válidas. A polícia recebeu milhares de queixas, porque grupos de vândalos atacavam as pessoas que assinavam, mas as autoridades acharam que não era caso para intervir. Paralelamente, o Governo promoveu uma campanha na televisão para demover os eleitores. A maioria dos deputados ainda decidiu que o Referendo não seria vinculativo, mas o Tribunal Constitucional chumbou essa pretensão. A partir daí, as agências noticiosas deixaram de dar informações provenientes da Croácia, talvez para evitar que o mau exemplo contaminasse outros países.

Finalmente, no Domingo passado, a proposta do «U Ime Obitelji» venceu por 66% dos votos.

As agências noticiosas publicaram as palavras consternadas do Primeiro Ministro, que pediu desculpa pela posição assumida pelo seu povo, e ouviram outras personalidades deplorando também aquela vergonha nacional. Quanto aos números, desvalorizaram o resultado, argumentando que a percentagem de abstenção tinha sido maior que nas votações para a União Europeia. Podiam talvez ter acrescentado que o número de votos foi semelhante, o número oficial de eleitores é que cresceu habilidosamente, em poucas semanas.

Agora, para remediar a situação, querem aplicar à Croácia as directrizes de educação sexual que vigoram em Portugal. Não se sabe como é que o povo croata vai reagir.

Quanto a Portugal, ...falemos antes da Croácia.
 
José Maria C. S. André

in «Correio dos Açores», 8 de Dezembro de 2013