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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sobre a legalização das drogas leves

 
 
A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, defendeu recentemente, numa entrevista à TSF, a legalização da venda de drogas leves em Portugal e a sua venda nas farmácias. De acordo com a sua argumentação, os ganhos para os cidadãos seriam alcançados graças à diminuição de outros crimes.
Infelizmente,  a sra. ministra parece desconhecer que  as designadas “drogas leves” não são, na realidade, assim tão leves, já que podem provocar danos gravíssimos a quem as consome. Tomemos como exemplo o cannabis. Esta droga muito popularizada e consumida na nossa sociedade, inclusivamente por jovens, pode contribuir para o aparecimento de várias doenças psiquiátricas.
O consumo de cannabis (excluindo, obviamente, a utilização restrita dos seus derivados para alguns fins terapêuticos) aumenta o risco do aparecimento de psicoses, que impedem uma pessoa de pensar adequadamente e interferem negativamente, entre outros fatores, com o rendimento cognitivo (a memória, concentração, etc.), prejudicando gravemente o funcionamento profissional e escolar.
Já há muitos anos que existem inúmeros estudos científicos que associam o consumo de cannabis à esquizofrenia. Por exemplo, em 2011, o psiquiatra holandês Jim Van Os publicou um estudo longitudinal com a duração de dez anos, tendo comprovado que o consumo regular desta droga aumenta o risco de desenvolvimento de sintomas psicóticos. Além disso, o consumo de cannabis tem sido associado a um aumento do risco de: comportamentos antissociais, ideação suicida, dificuldades no relacionamento interpessoal, consumo de outras drogas ilícitas, designadamente drogas injetáveis, etc..
Por inúmeras razões, intoxicou-se a sociedade com a ideia falsa de que as “drogas leves” não causam danos à saúde. Existe ainda uma ideologia que defende a liberalização das drogas, vendo o consumo das mesmas como um exercício de liberdade individual; o direito de qualquer um de nós fazer o que quer relativamente à sua saúde e à sua própria vida, designadamente, destruindo-a. Acontece que ninguém sofre sozinho nesteprocesso de autodestruição, já que há pais, filhos, irmãos, amigos, etc., que também sofrem com a escolha deste caminho. Um homem não pode usar a sua liberdade para abdicar dela e se converter num escravo de uma droga que o vai destruindo. Seria, portanto, um sinal errado se o Estado promovesse a legalização e a venda nas farmácias de drogas que “matam devagarinho”.
Devemos desconfiar sempre de um Estado que, com o falso argumento da liberdade individual, deixe de ser regulador, criando na lei alguns limites, devidamente justificados, aos comportamentos individuais; devemos desconfiar de um Estado que, sob o disfarce de um paternalismo permissivo, rejeita a ciência, nega irresponsavelmente a realidade de um mal e evoca critérios errados para justificar políticas que facilitam a autodestruição do ser humano.
Na verdade, se a sra. ministra deseja realmente introduzir medidas que tragam benefícios para os cidadãos, então deve promover campanhas de esclarecimento, informando com rigor científico que as “drogas leves” afinal são “pesadas”. Esta medida seria muito bem vista pelos pais, professores e por muitos daqueles profissionais de saúde que lutam diariamente há décadas neste país para retirar milhares de pessoas da escravidão das drogas.
A droga não se vence passando o tráfico das ruas para a venda legal nas farmácias. Esta medida seria um sinal de fraqueza e um gesto de falsa compaixão. A verdadeira compaixão assenta em salvar pessoas, ajudando-as a recuperar o impulso natural do homem, que o leva a agarrar-se à vida, sem drogas.
Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
in jornal Público
17.02.2015

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Drogas continuam a matar jovens

 
 
Segundo o documento, a taxa de mortalidade - provocada diretamente  pelo consumo de droga, através de overdoses, ou indiretamente, por doenças  várias, sobretudo infectocontagiosas, e acidentes, violência e suicídio  - ronda os 1 a 2% por ano. 
 
(...) os especialistas estimam que 15,4 milhões de jovens europeus,  entre os 15 e os 34 anos, tenham consumido canábis no último ano. 
 
(...)  alerta o Observatório Europeu, o mercado tem sido invadido  por drogas novas, não controladas pelo direito internacional, muitas vezes  rotuladas como 'alimentos para plantas'.  
Só no ano passado, adianta, os 27 Estados-membros, a Noruega, a Croácia  e a Turquia [que integram o relatório de 2013] notificaram 73 novas substâncias  psicoativas. 
Os dados do relatório deixaram a comissária europeia dos Assuntos Internos,  Cecilia Malmstrm (...) preocupada, pois um quarto dos adultos europeus - ou seja, 85 milhões de pessoas - já consumiu uma droga ilícita o que significa  que o consumo de drogas na Europa se mantém elevado" (..). 
A sua preocupação deve-se também ao facto de existir "um mercado de  estimulantes cada vez mais complexo e uma oferta imparável de novas drogas,  que são cada vez mais variadas". 
Questão também abordada pelo diretor do EMCDDA, Wolfgang Gtz, que lembrou  que o problema da droga está "em constante evolução". 
"A nova estratégia da UE de combate à droga para 2013-20 terá de lidar  com um problema que se encontra num estado permanente de mudança e com um  mercado fluído, dinâmico e em rápida evolução.
 
Lusa

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O prazer leva à dependência

 
 
"O prazer (...) aprisiona-nos, escraviza-nos e conduz-nos, não raramente, a formas terríveis de dependência, enquanto a felicidade só se atinge no exercício pleno da liberdade espiritual. E mais: só um homem livre poderá ser verdadeiramente feliz.
Nem todos os homens livres terão felicidade, mas todos os homens genuinamente felizes terão de ser homens livres.
Na sofreguidão alienante das sociedades desenvolvidas, muita gente confunde o prazer com a felicidade, misturando-os inconscientemente.
É, porém, relativamente fácil distingui-los, pois o prazer, quando acaba (e nunca dura muito), deixa-nos ressacados e a felicidade, mesmo quando termina abruptamente, não.
O prazer acorrenta espiritualmente os seus prisioneiros, e de tal forma que estes, muitas vezes, invocam a liberdade para tentar apresentar a situação em que se encontram como o resultado de uma opção pessoal.
É o que acontece, frequentemente, com os viciados."
 
Marinho Pinto. Bastonário da Ordem dos Advogados

sábado, 17 de dezembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Textos da Rádio Costa D'Oiro de 2 de Agosto a 5 de Setembro


Textos “Algarve Pela Vida”
De 2 de Agosto a 15 de Agosto de 2011


DIA 2 de Agosto de 2011 – Terça-feira

Sabemos que o crescimento não é igual nem tem o mesmo ritmo em todas as fases do desenvolvimento. A adolescência faz-nos pensar, em primeiro lugar, na brusca mudança do ritmo do desenvolvimento.
Por outro lado, a puberdade supõe a transformação física da criança em adulto. E isto ocorre em poucos meses, durante os que sofrerá mais mudanças do que durante os últimos anos juntos.

Costuma-se distinguir na adolescência três fases:

1. A puberdade, ou a primeira adolescência.

2. Uma adolescência média (que abrangeria o período entre os 14 e os 16 anos).

3. Uma adolescência superior, que terminaria em torno dos 20 ou 21 anos.

Por puberdade entende-se o conjunto de mudanças psicofísicas que supõem o início da adolescência.
Puberdade e adolescência não querem, portanto, significar o mesmo.

Por outro lado, não há uma correspondência exacta entre puberdade fisiológica e puberdade mental. Quando o desenvolvimento físico já está completo, na maioria das ocasiões, não podemos falar de verdadeira maturidade mental e emocional.

O que é certo é que as mudanças físicas vão ser numerosas. É fundamental que nem os pais nem o jovem sejam apanhados de surpresa. Antes que se inicie este processo deve haver uma conversa pai-filho, para que o jovem vá compreendendo seu significado e sentido. Isto não vai solucionar o seu desconcerto ante o descobrimento do novo mundo de sua intimidade, mas será uma ajuda muito importante.
E, sobretudo, será uma excelente oportunidade para aumentar e tornar mais firme a relação de confiança entre pais e filhos.


DIA 3 de Agosto de 2011 – Quarta-feira

A chave de todo o processo mental que ocorre na adolescência reside no domínio do pensamento abstracto. Por exemplo, uma criança entende o que significa que uma coisa é bonita, ou que disse uma mentira, mas não é capaz de entender a beleza, a verdade etc. O adolescente, pelo contrário, já é capaz de entender.
É este o motivo que leva o adolescente a rebelar-se contra o seu mundo anterior, que considera infantil e sem e justificação
O adolescente de catorze anos necessita interpretar, justificar etc. Seu mundo é aberto ao futuro, cheio de possibilidades e novidades.
A curiosidade do adolescente é, por isso, insaciável, ainda que nem sempre esteja na linha do que deve aprender ou estudar.
Mas o que mais lhe interessa descobrir e analisar é seu próprio mundo interior, o início da descoberta da sua própria personalidade. Esta é, sem dúvida, a razão que, em última instância, justifica a rebeldia da adolescência.
É, porém, importante que estas mudanças se dêem num quadro familiar de estabilidade. É que se a descoberta do seu mundo interior se realiza no momento em que a estabilidade emocional é mais precária, a crise de personalidade do adolescente poderá assumir consequências mais gravosas.
Os pais devem, por isso, estar particularmente atentos nestes momentos de crise, sem contudo invadir a intimidade do seu filho adolescente. Acompanhar e estar presente, se for preciso, é o fundamental.




Dia 4 de Agosto de 2011 – Quinta-feira

A descoberta da intimidade, na adolescência, por regra, leva a que o jovem se feche em sim mesmo, passando longas horas "pensando" em... nada concreto e em tudo em geral.

Aqui a imaginação desempenha um papel fundamental, pois proporciona-lhe a possibilidade de ensinar, realizar, derrotar. Em suma, oferece-lhe a imagem que gostaria de oferecer ao exterior, e que considera que não coincide com a real, repleta de reacções que nem ele compreende.

Nessa busca em seu interior, os demais ocupam um lugar muito especial. Da mesma forma que ele se analisa e critica, em constante processo de auto-afirmação, analisa e critica também os demais. Necessita modelos, pautas de conduta atractivas para imitar, "heróis" que dêem sentido ao seu mundo, que descobriu cheio de defeitos e injustiças.

É neste momento que a imagem dos pais, é colocada em causa. O adolescente descobre que são simplesmente pessoas, com defeitos e com poucas virtudes. Além disso, muitos pais, por vezes, parecem não se dar conta que os filhos já não são as suas crianças de outrora.
A reflexão e a meditação requerem certas condições de isolamento que nem sempre são entendidas pelos pais, que as interpretam como auto-marginalização. Essa solidão é necessária, e deve ser respeitada.
A prática do desporto e uma sã ocupação dos tempos livres podem ser uma excelente forma dos jovens lidarem com a sua adolescência, encontrando, nessas actividades, o valor da participação cívica e do voluntariado social.


Dia 5 de Agosto de 2011 – Sexta-feira

O amor pela vida faz-nos amar, em primeiro lugar, a nossa vida e fazer tudo para que esta seja verdadeira e, por isso, santa. Este é o primeiro resultado da fé que leva à descoberta do grande valor da vida. Um compromisso sério com a nossa própria vida.
O amor, em segundo lugar, faz-nos ainda querer partilhar a vida e ajudar os outros, faz-nos ir ao encontro de todos, sem fazer acepção de pessoas e ajudar cada um nas suas necessidades imediatas ou mais profundas.
Mas, caríssimos, a primeira obra e a mais importante é a família. Cada um cuide bem da sua família e ajudemo-nos nesta tarefa. Defender a verdadeira família implica que os esposos se amem e concorram para o bem do outro em tudo, crescendo na consciência de que o verdadeiro amor passa por dificuldades e exige sacrifícios para reforçar a unidade e aumentar os frutos e só assim se pode ser feliz. Cuidar da família é cuida a educação dos filhos. Uma educação que passa muito mais por um acompanhar do que por um dar coisas ou dizer muitas palavras, que passa por sentir a responsabilidade com a própria vida para testemunhar o gosto de viver santamente e querer que os filhos sejam santos e não apenas por querer que os filhos não tenham problemas e sejam importantes neste mundo ou ricos.

Dia 8 de Agosto de 2011 – Segunda-feira

No poema épico, a Ilíada, de Homero conta-se a história de Ulisses que, a seu próprio pedido, foi preso ao mastro do navio, como símbolo da prudência que deve nortear o agir humano em face das adversidades e como símbolo do amor à sua apaixonada e fiel esposa, Penélope
Ao contrário do herói grego, Ulisses, os jovens de hoje deixam-se facilmente hipnotizar pelo canto da sereia em direcção ao engano.
Esta juventude não só não tem mais mastros aos quais lhe valha a pena amarrar, quanto mais ignora o que seja a prudência ou mesmo o significado do verdadeiro amor, que lhes é apresentado como um ato meramente fisio-biológico despojado de qualquer afectividade.
E é assim que surgem, entre outras, as drogas quais cantos de sereia que, como uma miragem, se apresentam como oferta de um alívio fugaz para um vazio existencial.
Estar atento e vigilante, propor horizontes e enchê-los de ambição, eis o antídoto para que os jovens não se percam no meio dos inúmeros cantos de sereia que hoje se apresentam.

Dia 9 de Agosto de 2011 – Terça-feira

Muitos dizem que a adolescência é a fase da vida dos filhos mais temida pelos pais.
Mas será que essa idade tem de ser sempre assim tão conturbada?
Muitos pais de adolescentes queixam-se por os filhos se terem tornado uns preguiçosos que só querem é ficar ‘esparramados’ no sofá a ouvir música, que tudo contestam e que só ligam às amigas e aos namoricos.
Entre outros, devido às mudanças hormonais, os adolescentes perdem aquela energia inesgotável que pareciam ter na sua meninice.
E aí há 2 coisas que os pais não devem fazer: estarem permanentemente a zangar-se ou pura e simplesmente nada fazerem.
Pelo contrário, os pais devem estimular os seus filhos adolescentes, com um sentido positivo, sem ameaças ou paternalismos. A prática de um desporto, o contacto com a natureza, a inscrição no grupo de escuteiros, estudar, fazer voluntariado. Enfim, ajudá-los a vencer e, sobretudo, a vencerem-se.


Dia 10 de Agosto de 2011 – Quarta-feira

A vida é uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol,
Mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos
Mais estragados estão.
Nem sustos, nem sobressaltos
Servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe,
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida
Correm-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida,
A escada sem corrimão.
Poema de David Mourão Ferreira

Dia 11 de Agosto de 2011 - Quinta-feira

Muitas vezes o pedido da eutanásia depende em boa medida da perda do significado da vida, da sensação de falta de dignidade de si próprio e do desespero existencial. A isto há que se contrapor uma medicina mais humanizada, associada a uma eficaz terapia da dor e dos cuidados paliativos.
Mas, para um doente também é de grande importância que veja que a sua família e amigos valorizam a sua figura de marido, pai, avô. Ele está atento ao olhar daqueles que o atendem, vê-se reflectido nesses olhos e percebe neles a sua dignidade.
Estas perspectivas podem ajudar a compreender porque é que 20% dos doentes oncológicos holandeses pedem a eutanásia enquanto que os doentes terminais que eram atendidos por madre Teresa de Calcutá declaravam que se sentiam "amados como filhos e tratados como reis"
Alfonso Carrasco Rouco, Bispo de Lugo


Dia 12 de Agosto de 2011 – Sexta-feira
Quem defende o direito à vida desde a sua concepção até à sua morte natural é, em primeiro lugar, uma pessoa feliz, que encontrou o sentido para a sua existência e para a existência dos outros.
Mas, isso não significa que essas pessoas acreditem que a vida é sempre um mar de rosas onde tudo corre bem.
Por isso a sua felicidade não é necessariamente uma felicidade espalhafatosa, mas antes uma tranquila serenidade, fruto de ter assimilado que a dor e os chamados "azares da vida também dela fazem parte.
A vida é a vida, com coisas boas, mas também com muitas coisas más, imprevistos e até injustiças. Mas não é por isso que não merecerá deixar de ser vivida.


Dia 15 de Agosto de 2011 - Segunda-feira
Um dos maiores males da humanidade prende-se com o endurecimento do coração.
Essa dureza de coração nota-se na frieza como certas mães e pais olham para os filhos ou como certos filhos olham para os seus pais, na forma calculista, fria, distante e, por vezes, sem quaisquer escrúpulos como políticos, empresários ou outras pessoas de poder pensam e agem, na forma como muitos maridos e muitas mulheres se tratam mutuamente.
Tudo à nossa roda está feito, para desde muito cedo, deixarmos endurecer o nosso coração, levando-o primeiro à petrificação e depois até à própria fossilização.
Por isso são cada vez mais os corações errácticos, titubeantes, desorientados, incapazes de assumir um compromisso estável para a vida toda.
Empapar o coração em vez de o deixar endurecer, eis o grande desafio para todos nós.

Dia 16 de Agosto – Terça-feira
O poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…
E diz assim: “É preciso saber olhar…”
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos…
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás…
E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha…
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…
E acha que tudo é importante…
E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim…
E reparou que os homens estavam tristes…
E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…”
(Sebastião da Gama)
DIA 17 de Agosto – Quarta-feira
A pergunta pode ser feita numa cozinha, por uma criança que está a descobrir o mundo ou por qualquer mestre espiritual.
O nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata?
Nietzsche, por exemplo, dizia que «tudo é interpretação», isto é, não há um núcleo de Ser a sustentar a nossa experiência de vida, tudo são cascas de cebola, modos de ver, perspectivas. Para lá disso não há mais nada.
Uma visão espiritual do mundo, por outro lado, está certamente do lado da batata, pois considera que mesmo escondida por uma crosta persiste uma realidade que é substanciosa e vital.
A verdade é que mesmo sabendo que a vida é uma batata, nós vivemo-la muitas vezes como se fosse uma cebola.
Não habitamos em nós próprios e acabamos por ser levados por ideias, pontos de vistas, cascas e mais cascas. Segundo a escritora Susan Sontag, o mais urgente seria aprofundar para além dos nossos sentidos, aprendendo a ver melhor e a escutar melhor.
Só assim poderemos ser mais batata e menos cebola.

Dia 18 de Agosto – Quinta-feira

O psicólogo John Money, falecido em 2006 é considerado o "pai" da teoria da chamada "identidade de género" e que afirma que os géneros feminino e masculino são apenas culturais e não características inatas do ser humano.
Para defender a sua teoria, Money conduziu durante anos várias experiências com os gémeos Bruce e Brian, dois rapazes norte-americanos.
Bruce fora acidentalmente castrado aos oito meses, e em consequência, Money sugeriu aos pais que a criança recebesse uma intervenção cirúrgica, hormonas femininas e uma educação com perfil feminino.
E assim Bruce tornou-se "Brenda". Na sua adolescência, porém, "Brenda" sentia-se rapaz pelo que os seus pais decidiram revelar a verdade aos seus dois filhos. "Brenda" insistiu, então, em voltar a ser rapaz. Perturbados com a descoberta, ambos os irmãos acabaram por sofrer sérios problemas psicológicos que em 2002 e 2004 os levaram ao suicídio .

Dia 19 de Agosto – Sexta-feira
Um estudo realizado pela Deco/Proteste, junto de candidatos e de pessoas que conseguiram adoptar uma criança, concluiu que o processo em Portugal, além de burocrático demora em média três anos e 12% dos inquiridos aguardaram mesmo mais de cinco anos.
Aguentar o tempo de espera e a falta de apoio psicológico durante esse tempo, são de resto as principais preocupações manifestadas pelos inquiridos”.
Por sua vez, o principal factor que pode levar a desistir é a idade da criança que, em média, pretendem crianças com idades até aos três anos, embora alguns aceitem ficar com crianças mais de cinco anos.
Segundo o último relatório do Ministério do Trabalho, no ano 2009, havia quase 10.000 crianças, sem pais, e internadas em instituições de acolhimento.
Para quando mudar este panorama?

Dia 22 de Agosto – Segunda-feira
Os governos impõem a educação sexual nas escolas.
Sempre ouvi dizer, embora como eufemismo, que praticar sexo é fazer amor, mas então como se pode administrar boa educação sexual se não se explicar primeiramente aos alunos, em que consiste realmente o amor ?
No sei se o governo ou o ministério têm algumas directivas sobre o que é o amor. Mas se o sexo é a consequência do amor e o ministério não ensinar o que é amor mas apenas o que é o sexo, está a ensinar a consequência, sem ensinar o que lhe está na origem.
Então vai ensinar o quê?
Se ensinar os métodos contraceptivos, então estará a ensinar primeiros socorros ou farmacologia, mas não estão certamente a dar educação sexual e muito menos a falar sobre o que é o amor.

Dia 23 de Agosto – Terça-feira
O divórcio "à la carte", na hora, o divórcio "simplex", radicado na ideia de que o importante é ser feliz a cada momento, os outros que tratem de si, criando a sensação que a felicidade está na infantilização dos adultos, nos Peter Pan eternos, lança diariamente para a pobreza mães e filhos. Na anterior lei, o divórcio só era obtido, uma vez regularizada a situação dos filhos. Agora, com esta lei, os filhos não são entrave. Na hora, o homem sai de casa, deixa filhos e mulher, empregada ou desempregada, tendo ela sacrificado ou não a sua vida profissional à família que queria construir. Ele divorcia-se legalmente bastando invocar essa vontade. Ela e os filhos, para reaverem alguns direitos, têm de ir a tribunal. Resultado: os tribunais estão completamente assoberbados de processos sem solução à vista, os filhos ficam sem pai e sem meios. Foi a lei mais brutalmente machista aprovada desde há muitos anos em Portugal por detrás de uma cortina de discursos de modernidade, de igualdade de género e de felicidades descartáveis ao virar de cada esquina.
A ausência de ética e de responsabilidade na sociedade, na família e em cada português eis o mote da crise actual que é, reconheça-se, uma crise sobretudo ética e de valores.

Dia 24 de Agosto – Quarta-feira
Os principais motivos para os casais não desejarem ter mais filhos prendem-se com os entraves que as mulheres sentem em conseguir integrar o mercado de trabalho; com as dificuldades na conciliação família-trabalho; com os custos associados ao crescimento das crianças; e com as dificuldades relacionadas com a sua educação. Problemas de saúde, na gravidez, parto e cuidados infantis são também outros factores mencionados.
Em face deste quadro, o economista prof. João Duque defende a necessidade políticas urgentes de incentivo à natalidade e acrescenta mesmo que uma população envelhecida tem um perfil “menos empreendedor e menor propensão para o risco e para a inovação”. Por sua vez, Luís Campos e Cunha, ex-ministro das finanças vai mais longe e afirma que, parte do défice público “está relacionado com o envelhecimento” pelo que sugere aos reformados um papel mais activo nas empresas
Conciliar de forma harmoniosa o trabalho com a vida em família eis o grande desafio para todos nós.

Dia 25 de Agosto – Quinta-feira
Em cada uma das nossas casas, existem pequenos pormenores que, de forma quase subtil, podem contribuir de forma muito positiva, para garantir o reforço e consolidação dos laços familiares. Eis alguns:
- Evitar ser pessimista e enaltecer o positivo.
- Ser compreensivo e afectuoso, renunciando, se necessário, às próprias preferências pessoais.
-Saber escutar, de forma atenta e autêntica, se necessário, parando o que estamos a fazer.
- Evitar dar lições de moral. Melhor é dar exemplo e ser subtil na forma como se tenta passar as mensagens.
- Cumprimentar à entrada e saída de casa.
- Estar atento às pequenas tarefas coisas da casa, tais como arranjos, limpezas e arrumações.
- Arranjar tempo para estar com as pessoas da família, de preferência, uma a uma, a sós.
- Nas refeições, agradecer e elogiar o cozinhado. Ser agradecido.
E, por fim,
- Ter habitual e periodicamente um pormenor de atenção para quem vive connosco, por exemplo, através da compra de uma pequena prenda ou comida que seja do seu agrado.




Dia 26 de Agosto – Sexta-feira
Afirma a psicóloga Maria Góis que da sua experiência “sem excepção, todas as mães que, por terem sido ajudadas, decidiram não interromper a gravidez, chegaram ao final da mesma com um estado de espírito completamente diferente daquele que tinham no início. Talvez a palavra que melhor caracterize este sentimento seja satisfação.
Estas mães, por muitos problemas pessoais, sociais ou económicos que tivessem, acolheram os seus filhos com grande satisfação. Por os terem tido, mas, acima de tudo, o sentimento lactente era o de, afinal, não ter sido necessário interromper o desenvolvimento da vida de cada um deles!
É esta a principal mensagem que esta psicóloga gostaria de passar:
É possível, quando confrontados com uma mãe que quer abortar, fazermos um caminho com ela.
Um caminho que exige disponibilidade, entrega, confiança, eficácia na condução e resolução dos problemas e, acima de tudo, uma grande capacidade de gerir as prioridades, ou seja, garantir o bem-estar da mãe e do filho.


Dia 29 de Agosto – Segunda-feira
Quem paga as reformas de uma geração é a geração seguinte.
As pessoas devem receber uma reforma proporcional à contribuição que deram à constituição da geração seguinte.
Há duas formas de contribuir para a sustentabilidade da segurança social:
a) tendo mais filhos
b) ou sofrendo a aplicação do "factor de sustentabilidade da segurança social".
Não é justo que dois casais com o mesmo rendimento, o casal A (com 3 filhos) e o casal B (com zero filhos), tenham o mesmo rendimento na reforma. O casal A passa pela vida com mais dificuldades criando os filhos que depois vão pagar a reforma ao casal B, sendo que o casal B usou o dinheiro que não gastou com filhos a investir, a viajar, a comprar bens importados agravando os problemas do país, a aforrar, a investir em PPR e outros benefícios fiscais.
Quem não teve filhos pode aforrar mais e por isso ter uma pensão menor. E quando esta medida de elementar justiça for tomada Portugal deixará muito rapidamente de ter a 3ª menor taxa de natalidade da Europa.

Dia 30 de Agosto – Terça-feira
O que é a teoria da anomia?
Este termo foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro “O Suicídio”
A anomia é um estado de falta de objectivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno.
A partir do surgimento do Capitalismo como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa.
A Modernidade, com os seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores valores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no quotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se "estar à deriva,"
Por sua vez, Robert Merton, em 1949 no seu livro “Estrutura Social e Anomia”
associa a anomia à prática de certos crimes e comportamentos anti-sociais (alcoolismo e toxicodependência).


Dia 31 de Agosto – Quarta-feira
A prostituição não pode ser separada da questão da dignidade das mulheres. A legalização da prostituição significa que o governo e a sociedade em geral estão dispostos a aceitar a desumanização e a coisificação das mulheres.
Senão vejamos;

- Muitas mulheres estão na prostituição para sustentar a sua toxicodependência ou obter dinheiro para outras necessidades desesperadas.

- A prostituição aumenta notavelmente os riscos graves para a saúde das mulheres, particularmente sida, herpes e hepatite C.

- A prostituição está associada à violência, escravidão e ao tráfico sexual sobre essas mulheres.

- A prostituição prejudica as relações heterossexuais e as famílias. A esposa ou namorada de um homem que utiliza serviços sexuais é notavelmente afectada. Se o homem guarda em segredo o uso desses serviços, quebra os fundamentos da confiança e da honestidade na sua relação. Se os usa abertamente, pode levar à ruptura da sua relação.

- Por fim, a indústria da prostituição prejudica o ideal das relações igualitárias entre homens e mulheres.


Dia 01 de Setembro – Quinta-feira
Em 1998, a Suécia aprovou uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de serviços sexuais. As mulheres e crianças vítimas da prostituição não correm o risco de sanções legais, mas a compra desses serviços passou a ser um delito penal.


De acordo com um estudo oficial que, em 2 de Julho de 2010, avaliou a legislação sueca desde o seu início em 1999 até 2008, a prostituição de rua caiu pela metade após a adopção da nova lei.

Segundo o documento, esta experiência mostrou que a penalização da compra de sexo foi um instrumento importante tanto na luta contra a prostituição como contra o tráfico de pessoas para fins sexuais e teve um eficaz de dissuasão para quem compra sexo, evitando os efeitos negativos associados a esta prática.

Dia 02 de Setembro – Sexta-feira
A família no futuro e, em particular, agora nestes tempos de crise económica, devem actuar de forma a promover 3 objectivos:
Em primeiro lugar, as famílias devem ser uma fonte de vida, contribuindo para combater o grave problema demográfico de envelhecimento da população e reforçar a sustentabilidade da economia e das empresas.
Em segundo lugar, as famílias têm que ser o garante da solidariedade intergeracional já que o Estado não terá capacidade para suportar todas as situações de pobreza, desemprego, reforma e solidão.
Em terceiro lugar, as famílias, deverão assumir a responsabilidade de serem uma escola de competências e valores.
É urgente trazer este tema para o debate nacional e para as preocupações dos líderes empresariais portugueses, porque o nosso futuro será o que começarmos hoje a construir
Este texto é da autoria do Dr. Pedro Rocha e Mello, administrador do grupo Mello
Dia 05 de Setembro – Segunda-feira
No sindroma pós-aborto podem ser identificadas 3 fases diferentes:

1) Tristeza.
2) Reviver continuamente o momento traumatizante do aborto de um modo muito profundo indo aos pormenores de recordar a roupa da enfermeira, a cor da sala ou tão simplesmente o pensar “como é que seria o bebé agora”, se tivesse nascido.

3) Por fim, a depressão profunda, com ansiedade e insónias, perda da libido e em casos mais graves o equacionar do suicídio como forma de acabar com a dor.

Como diz o Profesosr Willke: "é mais fácil tirar a criança do útero do que à sua mãe tirá-lo do seu pensamento”

terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma cultura de intoxicação

Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e
abuso de drogas nos torna parte do problema
A toxicodependência é um fenómeno que tem vindo a alastrar e Portugal não
foge à regra. Em algumas décadas, passou-se de um problema de "apenas
alguns" para um fenómeno de massas, que afecta particularmente os jovens,
ceifando sem piedade no seu infernal percurso de morte inúmeras vidas e
esperanças.
As sociedades têm vindo a apostar, inconscientemente, no seu próprio
embrutecimento. O nivelamento por baixo, a degradação dos padrões de
qualidade têm levado, gradualmente, a uma frustrante cultura de desistência,
disfarçada "aqui e ali" através de uma política mal conduzida de redução de
danos e solidariedade distorcida.
Hoje em dia, crianças e adolescentes, cada vez mais cedo, vêm trivializando
o uso de drogas em casa, no bar, na rua ou na escola, à vista dos familiares
e educadores que, incrédulos, cada vez mais se vêm sentindo impotentes para
obstaculizar o seu uso e abuso.
Nos dias de hoje, no nosso país, tem-se vindo a assistir a uma absurda
narcotização colectiva, a uma verdadeira cultura de intoxicação pública e da
opinião publicada - a classe política bem como a comunicação social, por não
se sentirem confortáveis para falar do assunto ou por desconhecimento de
causa, há muito que se demitiram das suas responsabilidades - que aceita sem
pudor que as drogas vieram para ficar e que não resta outra solução senão
acomodarmo-nos a elas.
Faz confusão a instalação de um clima de aceitação do inaceitável, a
crescente tolerância social ao consumo de drogas, legais ou ilegais, uma
verdadeira eutanásia, irracionalmente consentida, por quem nos deveria
governar.
Não deixa de ser bizarro que, por um lado, se condene a aplicação da pena de
morte e, por outro, se feche os olhos ao consumo de substâncias psicoactivas
que não fazem mais que condenar em vida quem delas depende.
Não deixa de ser bizarro que se concorde com a fiscalização e controlo das
armas e que se seja cada vez mais permissivo com a fiscalização e controle
das drogas: "As autoridades deixaram de se preocupar com o pequeno tráfico e
agora concentram esforços no grande. Deixámos de apreender gramas ou quilos,
para passarmos a apreender toneladas" (Presidente do IDT, in jornal Expresso
de 4/12/10).
Como é possível aceitar que o toxicodependente se suicide com doses diárias
homeopáticas até morrer, simplesmente porque há quem pense que cada qual é
livre de o fazer ou não?!
Sabendo-se que o dependente de drogas provoca dano a si próprio e aos que o
rodeiam, como é possível que no nosso país, por razões humanitárias..., como
vem expresso na Estratégia Nacional de Luta contra a Droga, seja dado a cada
um o livre arbítrio de usar droga ou não - qualquer que ela seja, até 10
dias de uso ninguém tem nada a ver com isso... - e se continue a ignorar
que, como dizia o pai do liberalismo moderno, John Stuart Mill (1806-1873),
"a única situação que pode justificar que a coacção seja aceitavelmente
exercida sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua
vontade, é quando se trata de prevenir o dano de outros" (On Liberty, 1959)?
Ao contrário dos nossos últimos Governos, é nossa opinião que todos aqueles
que se continuam a drogar e não procuram tratamento deveriam ser penalizados
através de coimas, eventualmente denominadas de "sociais", que poderiam
incluir, por exemplo, inibição da licença de condução, inibição de crédito
bancário, não-atribuição do subsídio de desemprego ou de outros subsídios
sociais como o rendimento social de inserção.
Não se duvide de que a indiferença generalizada perante a escalada do uso e
abuso de drogas nos torna parte do problema. Pelo contrário, o apoio e a
preocupação com as pessoas que lutam com este tipo de problemas e os
esforços para as conduzir para ambientes que as excluam são, e há-de ser,
sempre uma questão de consciência, responsabilidade moral e solidariedade
humana.


In Jornal "Público" de 18 de Junho de 2011
Manuel Pinto Coelho
Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Da Anomia




A anomia[1] é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. A partir do surgimento do Capitalismo, e da tomada da Razão, como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa.
A
Modernidade, com seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se "estar à deriva," participando inconscientemente dos processos coletivos/sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade.
Este
termo foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro O Suicídio. Durkheim emprega este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica. Algo desse corpo está funcionando de forma patológica ou "anomicamente." Em seu famoso estudo sobre o suicídio, Durkheim mostra que os fatores sociais - especialmente da sociedade moderna - exercem profunda influência sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida.
Segundo
Robert King Merton, anomia significa uma incapacidade de atingir os fins culturais. Para ele, ocorre quando o insucesso em atingir metas culturais, devido à insuficiência dos meios institucionalizados, gera conduta desviante. Seu pensamento popularizou-se em 1949 com seu livro: Estrutura Social e Anomia.
A
teoria da anomia de Merton explica porque os membros das classes menos favorecidas cometem a maioria das infrações penais, explica os crimes de motivação política (terrorismos, saques, ocupações) que decorrem de uma conduta de rebeliões e explica comportamentos como os do alcoolismo e toxicodependência (evasão).



Referências
1
Anomia. WebArtigos.com. Página visitada em 26 de janeiro de 2010.
Obtida de "
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anomia"


terça-feira, 29 de março de 2011

O flagelo da droga

Retomo, amigo leitor, com tristeza e preocupação, o tema de recente artigo publicado neste espaço opinativo: o flagelo das drogas.

(...)

"Estamos salvando nossas crianças, mas deixando-as morrer na juventude”, diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, depois de classificar a expansão do consumo de crack como “epidemia nacional”e de reclamar da escassez de recursos para conter a disseminação do vício entre os jovens. A verdade precisa ser dita. Não se pode sucumbir à síndrome da avestruz quando o que está em jogo é a vida das pessoas.

O hediondo mercado das drogas está, de fato, dizimando a juventude. Ele avança e vai ceifando vidas nos barracos da periferia abandonada e no auê dos bares e boates frequentados pela juventude bem-nascida. Movimenta muito dinheiro. Seu poder corruptor anula, na prática, estratégias meramente repressivas. A prevenção e a recuperação, únicas armas eficazes a médio e longo prazos, reclamam um apoio mais efetivo do governo e da iniciativa privada às instituições sérias e aos grupos de autoajuda que lutam pela reabilitação de dependentes.

Não se faz jornalismo, nem mesmo matéria de opinião, fechado entre as quatro paredes de uma redação ou circunscrito ao rarefeito ambiente de um laboratório acadêmico. É preciso ver, ouvir, apurar, sentir, refletir e, só então, escrever. Nada supera o realismo da velha e boa reportagem.

Com esse espírito, movido pelo dever de obter informação verdadeira, mergulhei numa pauta assustadora: a dependência química. Cabeça baixa, olhos cravados no chão, coração encharcado de dor. “Será que Deus ainda olha para mim?” Paira no ar um tristeza densa, que se pode cortar. A falência da autoestima e o sentimento de culpa, à semelhança de uma laje de chumbo, esmagam a alma. A cena, dura e forte, retrata day after de um adicto de cocaína.

O drama, tragicamente rotineiro no frio anonimato da cidade sem alma, não é um recurso ficcional. É real. Tem nome e sobrenome, obviamente preservados por razões éticas elementares. Recuperou-se na Comunidade Terapêutica Horto de Deus, em Taquaritinga, no interior de São Paulo (www.hortodedeus.org.br). Seus olhos recobraram a luz da esperança. Retomou os estudos, concluiu a faculdade de publicidade e propaganda e está batalhando. Com cabeça erguida e dignidade resgatada. Sua história, parecida com a de milhares de jovens, deve ser registrada. E a mão que o salvou, o Horto de Deus, merece uma matéria. Com gravíssimas dificuldades financeiras e sem qualquer apoio dos governos, embora não faltem falsas promessas de ajuda de políticos oportunistas e de prefeitos de turno, a entidade tem sido responsável pela recuperação de inúmeros dependentes químicos.

Os governos não se dão conta de que o trabalho dessas instituições repercute diretamente na qualidade da segurança pública e no custo da saúde. Elas rompem o círculo vicioso das drogas e criam o círculo virtuoso da recuperação e da ressocialização. Reuni-me com internos do Horto de Deus. A conversa, franca e direta, foi ao cerne do problema, desfez inúmeros equívocos e me transmitiu a sinceridade afiada daqueles que conheceram o fundo do poço. Ao contrário, por exemplo, dos que defendem e a descriminalização das drogas e proclamam o caráter supostamente inofensivo da maconha, todos afirmaram que o primeiro baseado foi o passaporte para as drogas mais pesadas. TKM, de 21 anos, fumou seu primeiro cigarro de maconha com 12 anos. Com 16 anos já tinha mergulhado na cocaína. Chegou à comunidade terapêutica dominado pela dependência do crack. Recupera-se bem, resgatou valores e recuperou a esperança. “Agora, eu sonho com o futuro.

Antes, vivia só para as drogas.” Seus olhos têm brilho. Um belo exemplo do que pode fazer um bom trabalho de recuperação. Debates no Congresso Nacional sugerem que as comunidades terapêuticas, bem como as demais instituições idôneas que trabalham na recuperação de adictos, possam, num futuro próximo, receber recursos provenientes do Fundo Nacional Antidrogas e do Sistema Único de Saúde (SUS). Seria uma providência inteligente. É sempre melhor apoiar o que já funciona e bem do que cair na tentação de criar novas estruturas.

(...)

Impõe-se um decidido apoio às entidades idôneas que batalham pela recuperação dos dependentes. Afinal, um adicto recuperado é o melhor aliado na luta contra as drogas.


Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br), professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia ( www.consultoradifranco.com ). E-mail: difranco@iics.org.br

Publicado no Portal da Família em 26/03/2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Contra a legalização da droga

A nova geografia do tráfico nada mais é que uma reação ao sinal dos tempos: crise da instituição familiar, aposta na roleta russa da impunidade legal, lucro fácil e alto, além de um mercado de consumo garantido. Hipnotizados pelo canto da sereia, como Ulisses, do poema épico de Homero, os jovens deixam-se levar facilmente, ao contrário do nosso herói grego, que fora preso ao mastro do navio a seu pedido, como símbolo da prudência que deve nortear o agir humano frente às adversidades e do amor ao que lhe era caro: Penélope, sua apaixonada e fiel esposa.

O fato é que a juventude não só não tem mais mastros que valham a pena se amarrar, quanto mais ignora o que seja prudência ou mesmo amor, sinônimo de sexo, já entendido depreciadamente como um ato fisio-biológico despojado que qualquer afetividade. E, ainda assim, os defensores da legalização agem com uma ingenuidade ímpar, fincados em três argumentos principais: a guerra contra as drogas causa mais danos à sociedade que o abuso no uso de entorpecentes, a violência diminuirá com a legalização, em razão da queda do preço e as drogas se resumem a um problema da saúde pública.

O primeiro argumento é o mantra preferido pelo movimento libertário. Diante de seu laconismo, deve se perguntar a parcela da sociedade que sofreu os danos: os usuários, os traficantes, os atravessadores, os produtores ou as pessoas que moram nos bolsões dominados pelo narcotráfico? E qual a magnitude do dano supostamente sofrido? E, se houve o dano, não se trata de uma questão localizada? Será que, apesar do aumento da oferta, decorrente da legalização, não se manteriam os mesmos níveis de “danos”, pois ainda haveria muita droga ilícita, produzida para burlar os inevitáveis controles fiscais e sanitários que a legalização traria?

E os custos financeiros envolvidos para o Estado, porquanto a liberação não poderia ser implementada sem uma paralela promessa de tratamento pelo sistema público de saúde, sobretudo para os mais pobres, ou seja, numa relação de oferta gerando demanda inelástica?

O segundo argumento porta uma mensagem subliminar: a legalização torna o Estado um parceiro do narconegócio, responsável não só pelo tratamento médico dos usuários, mas pela escolha do fornecedor, pela oferta da droga, a qual deverá se submeter a rígidos controles sanitários e tributários, pela educação do usuário para uma “correta” utilização do entorpecente e pelo combate às pragas nas plantações, a fim de assegurar a qualidade do produto final.

Quem sabe o Estado ainda se incumbirá pela compra e armazenamento de drogas para a criação de estoques reguladores, a serem despejados no mercado quando o preço da droga estiver em alta, sem prejuízo da reformulação de toda legislação (cível, criminal, educacional, sanitária) que pressupõe justamente a ilicitude da droga. Ou poderá estabelecer parcerias público-privadas para novas fronteiras de plantio ou criar uma linha de crédito rural no Banco do Brasil, a juros módicos...

Prefiro crer que o Estado não teria condições de “competir” ou atuar como parceiro, em qualquer grau, num hipotético mercado, cuja “commodity” seria a droga in natura, pois este mercado é imenso e opera com lucros de maneira excepcional. Não é a toa que se trata da segunda economia mais lucrativa do mundo, abaixo de seu irmão siamês, o tráfico de armas. Além disso, penso que o narcotráfico não esteja lá muito disposto a compartilhar o lucro, ao contrário dos custos...

O terceiro argumento tem sido o lugar-comum para todos os problemas de saúde eminentemente individuais: cigarro, álcool, obesidade, doenças sexualmente transmissíveis, aborto e, agora, drogas. A premissa está na idéia de uma sociedade enferma, tal o número de incidência de casos verificados. Lembro que, em regra, essas consequências são fruto de escolhas pessoais, livremente feitas, cujo ônus passa a ser suportado pelo sistema público de saúde, já saturado por outras demandas.

As drogas são um problema individual, decorrentes da procura de um alívio fugaz para o vazio existencial que cerca a pessoa. De volta à realidade, o dependente vai buscar sua cura na grande bacia de salvação prometida pelo Estado, a quem se pretende, na ótica libertária, a incumbência da fiscalização e do controle do mercado de drogas. Dois erros somados não resultam num acerto...

O laxismo social nos costumes provoca os resultados que estampam diariamente os jornais. Cada vez que algum intelectual ou uma celebridade aparecer glamourizando a droga, como se tivesse algumas verdades eternas a dizer, no fundo, valoriza-se o universo subjetivo da droga, de que o tráfico é a manifestação mais objetiva e cruel.

A questão da legalização da droga, que deve ser vista com mais seriedade do que ingenuidade, fará com que o Estado suba a novos patamares de delírio e, juntamente com as seringas que já são hoje oferecidas, deveria aproveitar a ocasião para distribuir também algumas doses como bônus. Para captação de clientela.


André Gonçalves Fernandes, Juiz de Tribunal de Família

Fonte: Portal da Família

terça-feira, 8 de junho de 2010

TEXTOS Rádio Costa D'Oiro 1ª semana Junho



RÁDIO COSTA D'OIRO
1 A 7 DE JUNHO


DIA 1 DE JUNHO


APRENDER A RELAXAR


O emprego, a casa, a situação económica, a família, os filhos, a escola, o trânsito... apenas alguns dos aspectos do nosso quotidiano que, pontualmente ou com mais regularidade, nos causam alguns transtornos e nos fazem abandonar o estado normal de equilíbrio. Paralelamente, consequências como a elevação da frequência cardíaca, da tensão muscular e do estado de ansiedade e irritabilidade são frequentes.
Mas há pequenas rotinas, fáceis de implementar ao longo do seu dia, que ajudam a contornar e/ou superar os agentes agressores do nosso estado de tranquilidade. De uma forma geral, podemos chamar-lhe técnicas de relaxação.O seu objectivo é "re-centrar" a sua atenção no corpo e nas sensações que dele emanam, libertando por momentos a parte do seu cérebro que está centrada em outros aspectos exteriores. Dedicar toda a sua atenção aos movimentos respiratórios durante alguns minutos é uma das formas universais mais eficazes de atingir este objectivo.
Faça pequenas pausas no trabalho. Dirija-se a uma varanda com ar fresco ou com uma vista agradável e contemple a paisagem durante 5 minutos. Vai ver como ajuda!Experimente, por exemplo, parar o carro e fechar os vidros na hora de maior tráfego rodoviário, colocar uma música calma e agradável, respirar de uma forma mais pausada e profunda, sorrir e... relaxar!AProveite também pequenos momentos no trabalho ou no carro para alongar os diferentes grupos musculares. A região cervical, dorsal e lombar são alvos frequentes de tensões pelo que merecem atenção extra.
Terá depois mais energia para os outros...
Estas e outras sugestões em www.rituais.net.



DIA 2 DE JUNHO

"Portugal precisa urgentemente de uma nova política de combate à toxicodependência, que sublinhe a importância da abstinência e incentive os jovens a dizerem, sem rodeios e sem vergonha, não às drogas.
É extraordinário o que se vem passando no nosso país. Enquanto o fumador se vê cada vez mais em palpos de aranha para dar largas ao seu vício, o jovem que não toma drogas sente-se cada vez mais marginalizado, para não dizer envergonhado, qual “careta” (...) no seio dos seus pares!
A mensagem que os governantes portugueses têm feito passar, por responsabilidade de uma política que dá prioridade à redução dos danos provocados pela droga (em detrimento da sua prevenção e tratamento) é peremptória: “consumam drogas se assim o desejarem, que se houver problema nós aqui estamos para vos ajudar depois a reduzir o dano que elas vos causarem”.
Parafraseando a propaganda oficial politicamente correcta, é como se dissessem ao gordo: “não tenhas problema em comer doces que nós depois damos-te insulina para não engordares”…!
Este texto é da autoria de Manuel Pinto Coelho Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas


DIA 3 DE JUNHO

Quem faz habitualmente visitas a prisões, confronta-se habitualmente com várias situações de degradação humana.
As mais graves e chocantes são as de casos de pessoas que há meses ou anos atrás viviam uma vida praticamente normal, integradas na sociedade.Essas pessoas vão progressivamente afastando-se de influências positivas e formativas e vão progressivamente aprofundando as más companhias, as más influências e sobretudo com a repetição de certos maus hábitos, a sua própria personalidade vai sofrendo alterações ao ponto de mais tarde o seu carácter se tornar praticamente irreconhecível, de tão desfigurado que está.
E, assim, o mal toma forma, ganha expressão, traduz-se na prática de crimes.
Pode-se culpar o ambiente familiar, económico e social como meio propício para a criação de monstros sociais, futuros criminosos, mas há sempre um quota parte em que a responsabilidade é nossa, pessoal, livre e consciente, onde podendo optar por outras vias, optámos pela pior..

DIA 4 DE JUNHO


A propósito da presença do mal em nós, lembrei-me de Anakin Skywalker, da série cinematográfica “Guerra das Estrelas” que começou numa criança delicodoce para se transformar, por fim, no terrível Darth Vader.
E é isso que assusta, que Anakin foi-se passando progressivamente para o lado negro da força, através da cedência em pequenos pormenores, onde a generosidade e a bondade íam, a pouco e pouco, soçobrando perante a ânsia de afirmação e de auto-satisfação.E, por outro lado, foi o fomentar a resistência às influências positivas como forma de garantir o espaço para a auto-afirmação.
O passo final é a cegueira, a perda do critério de distinção entre o bem e o mal e, por fim, nos nossos dias, esse mal traduz-se habitualmente na prática dos chamados comportamentos obssessivo-compulsivos que são vícios que escravizam e degradam a pessoa humana obrigando-a a repetir obstinadamente os mesmos maus hábitos sem olhar a meios, nem ao mal que se causa a outros e ao próprio.Ninguém está isento deste risco. Enquanto vivermos seremos sempre capazes do pior e do melhor.A vida constrói-se no dia a dia e, por mais que isso seja politicamente incorrecto, a virtude da temperança é das mais importantes (já o ensinava Aristóteles ao seu filho Nicómaco, há milhares de anos atrás). Falta, muitas vezes, coragem para mudar maus hábitos, custa e até causa sofrimento, a ressaca de quem já está a viver uma embriaguez longa de mais. Mas é necessário.
O mal sempre existirá. O segredo está em afundá-lo na abundância de bem.

DIA 7 DE JUNHO


Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.Um dos mitos mais curiosos ligados ao aborto continua a ser a alusão ao aborto seguro.
O facto de várias mulheres se submeterem a esta prática e aparentemente não apresentarem problemas imediatos, não a torna num procedimento seguro. Todos os problemas associados referidos, quer físicos quer mentais, mostram precisamente que rotular o aborto de prática segura, para além de um mito, é um logro.
As mulheres que se submetem a um aborto induzido colocam a sua saúde em risco. Mesmo que o procedimento cirúrgico possa correr bem, a mulher não está livre de ter problemas a longo prazo. Aproximadamente 10% das mulheres que se sujeitam a um aborto induzido sofrem de complicações imediatas, das quais cerca de um quinto (2%) são consideradas de risco para a vida da mulher. As oito complicações principais mais comuns que podem ocorrer são: infecção, embolia, perfuração ou dilaceração do útero, complicações com a anestesia, convulsões, hemorragia aguda, danos cervicais, e choque endotóxico.
Em 1986 uma equipa de cientistas escreveu que "o aborto provocado antes da primeira gravidez levada a termo aumenta o risco de cancro da mama".
. Num estudo envolvendo 1428 mulheres, os investigadores verificaram que a perda durante a gravidez, em especial a perda causada por aborto induzido, estava significativamente relacionada com uma pior saúde geral (4). Estudos como este têm confirmado outros anteriores que referiam que no 1? ano após o aborto, as mulheres frequentavam o seu médico de família 80% mais por diversas razões e 180% mais por razões psicológicas

quarta-feira, 28 de abril de 2010

1000 amigos do Vale de Acór

Caros “amigos”

Vamos começar uma campanha aqui no Vale de Acór - http://www.a-valedeacor.pt/ - “1000 Amigos em 2010”.
O objectivo da campanha é aumentar o nº de amigos / rede de contactos do Vale de Acór, para posteriormente divulgar a associação e o trabalho que por aqui se vai fazendo.
Também será pedido um apoio "muito simbólico” a estes novos amigos ou a outros que através de vocês tenham chegado a nós. Só preciso do vosso nome e morada … e claro boa vontade!
Para quem não conhece o Vale de Acór, aqui fica uma breve descrição de quem somos e o que fazemos.
A Associação Vale de Acór é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que trabalha desde 1994 na recuperação de toxicodependentes.
A sua missão é lutar eficazmente contra a dependência de drogas e álcool, propondo como alternativa a redescoberta da Vida, uma oportunidade dada ao Homem para ser feliz.
Fazemo-lo através de uma intervenção educativa e terapêutica, em 2 etapas:
1º na nossa Comunidade Terapêutica, que está devidamente licenciada junto do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) e tem 77 camas protocoladas.
2º na fase de Reinserção Social, acompanhando o consolidar do novo estilo de vida. - uma Nova Vida.
Acolhemos e reinserimos os “novos pobres” da nossa sociedade, ou seja, pessoas sem comunidade que são colocadas face à impotência ou falência de si mesmas e, por isso mesmo, incapazes de activar os seus recursos pessoais para reagir de um modo construtivo: são eles toxicodependentes e alcoólicos sem suporte social, toxicodependentes com problemas psiquiátricos e toxicodependentes reclusos e ex–reclusos.
Aqui oferecemos-lhes um espaço de pertença, de atenção personalizada e tratamento especializado, independentemente de poderem pagar os custos previstos. Aqui propomos um CAMINHO PARA VOLTAR A SER PESSOA.
Utilizamos um método terapêutico denominado Projecto Homem, que se diferencia fundamentalmente por levar ao reencontro da pessoa consigo mesma, com os seus problemas e as suas potencialidades, recuperando o respeito por si próprio e aprendendo a viver em sociedade, com a dignidade inerente ao facto de ser Homem.
A nossa intervenção é caracterizada em diferentes etapas e sectores. Temos a trabalhar diariamente uma Equipa de Intervenção Directa, um sector de Primeiras Entrevistas, uma Comunidade terapêutica, uma Reinserção Social, um sector das Famílias e ainda temos uma Intervenção regular em vários Estabelecimentos Prisionais.
Para fazer face as nossas despesas, e podermos realizar os diferentes projectos desta associação, estamos empenhados na realização de um trabalho de ”Fundraising”, do qual gostaríamos muito de poder contar com a SUA ajuda.
Desde já muito obrigado por ler este mail até ao fim. Fico à espera da sua resposta.
Agora, só preciso do SEU nome e morada, que agradeço que envie para o seguinte e-mail: misabelvca@gmail.com
Isabel Castro
(recebida por e-mail)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Toxicodependência e permissivismo


"Portugal precisa urgentemente de uma nova política de combate à toxicodependência, que sublinhe a importância da abstinência e incentive os jovens a dizerem, sem rodeios e sem vergonha, não às drogas.

É extraordinário o que se vem passando no nosso país. Enquanto o fumador se vê cada vez mais em palpos de aranha para dar largas ao seu vício, o jovem que não toma drogas sente-se cada vez mais marginalizado, para não dizer envergonhado, qual “careta” ou “cocó”, no seio dos seus pares!

A mensagem que os governantes portugueses têm feito passar, por responsabilidade de uma política que dá prioridade à redução dos danos provocados pela droga (em detrimento da sua prevenção e tratamento) é peremptória: “consumam drogas se assim o desejarem, que se houver problema nós aqui estamos para vos ajudar depois a reduzir o dano que elas vos causarem”.

Parafraseando a propaganda oficial politicamente correcta, é como se dissessem ao gordo: “não tenhas problema em comer doces que nós depois damos-te insulina para não engordares”…!


Manuel Pinto Coelho
Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Homens errados em lugares errados

João Goulão é presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência.
Logo, pensamos nós, deveria zelar pela diminuição deste problema junto da população em geral e dos jovens em particular.
Errado.
Para este senhor, quem na juventude não fuma charros é betinho e a melhor mensagem a passar é a de redução de danos e não a de evitar que a droga entre na vida de muitos jovens.
Duarte Vilar é presidente da Associação para o Planeamento Familiar. Supostamente, devia zelar para que a divulgação de medidas de planeamento familiar reduzissem idealmente para zero o número de abortos, legais ou ilegais, em Portugal.
Errado.
Cada vez que são divulgados novos números sobre o aumento de abortos, como ainda recentemente aconteceu, este senhor festeja com declarações a sublinhar que a evolução está de acordo com as previsões já feitas pela sua associação.
São dinheiros publicos que sustentam o Intituto da Droga e Toxicodependência para que desenvolva políticas eficazes que mantenham os nossos filhos longe do mundo da droga.
E, apesar de não ser pública, a Associação para o Planeamento Familiar, vive de subsídios públicos e sustenta a sua actividade no fornecimento de serviços ao Estado que deveriam servir para tornar mais responsável a maternidade e diminuir ao máximo a tragédia e o trauma do aborto.
Tal como os professores, também o desempenho destes senhores deveria ser avaliado e, se houvesse rigor na forma como é usado o dinheiro dos nossos impostos, João Goulão e Duarte Vilar deveriam deixar de ser os homens errados nos lugares errados.
Raquel Abecassis.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O alcóol, as drogas e o sexo entre os jovens


Excelente artigo do Psiquiatra Pedro Afonso, publicado na edição de Janeiro de 2009, da Revista da Ordem dos Médicos, aqui


Mais uma vez fica provado que o melting pot "alcóol, drogas e sexo entre jovens" leva, frequentes vezes, às DST's, às gravidezes indesejadas e ao aumento dos riscos para a saúde.


P.S.- A este propósito, encontrei este outro post bem elucidativo da censura e manipulação que ultimamente tem vindo a ser denunciada de forma sistemática e bem documentada (já com 39 posts) no blog do Pacheco Pereira.

domingo, 12 de outubro de 2008

As aberrações continuam

Tenho muita pena de não poder "postar" mais vezes coisas boas...

Exemplos de aberrações aqui e aqui

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Distrito de Faro com drogas leves liberalizadas por falta de pessoal


Vai ser mais grave fumar tabaco a partir do dia 1 de Janeiro do que andar a consumir drogas no distrito de Faro!


Tudo porque as comissões de serviço do pessoal das Comissões de Dissuasão da Toxicodependência (CDT) do distrito de Faro, que têm a duração de três anos, não foram renovadas.


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Comunicado da APFN


A APFN teve conhecimento pela comunicação social

(http://www.apfn.com.pt/Noticias/Out2007/081007a.htm) de que o responsável pela campanha denunciada no passado dia 4

(http://www.apfn.com.pt/Noticias/Out2007/apfn041007.htm é o Presidente do IDT (PIDT) que, pelas suas declarações, demonstra ter havido um erro de casting na sua escolha e nomeação para este cargo .


A APFN acha que os nossos jovens, nossos filhos, merecem muito mais por parte do Estado do que mensagens, na opinião do PIDT muito modernas, de que, se consumirem cocaína, não devem partilhar tubos ou outro material usado para snifar e devem ter o cuidado de alternar entre as duas narinas, e que se consumir LSD é bom que esteja presente alguém com experiência de consumo porque pode ajudar em caso de "bad trip", não se deve assustar uma pessoa que esteja a "tripar", entre outras "boas práticas" recomendadas, como se pode ver em http://www.apfn.com.pt/Noticias/Out2007/DROGA.pdf!


O PIDT, do alto da sua "sabedoria", achará com certeza mais moderno, por exemplo:


Substituir-se as mensagens nos maços de tabaco por coisas do tipo "Se fumares e tiveres tosse toma pastilhas de mentol", "toda a gente acaba por morrer quer fume ou não", "se fumares ao pé dos teus filhos, põe-os à janela", etc;


Criar-se uma nova campanha de PRP com as recomendações "Se guiares em contra-mão, liga os quatro piscas", "Se conduzires embriagado, põe o ar condicionado no máximo", " Se os teus filhos andarem sem cinto de segurança, leva no teu carro mais ligaduras e tintura de iodo", etc!
Parafraseando um conhecido político, "Está tudo maluco!"


A APFN apela, de novo, ao Ministro da Saúde , ao Primeiro-Ministro e à Assembleia da República para que sejam tomadas as necessárias medidas para suspender de imediato esta campanha e, no mínimo exonerar quem teve esta lamentável ideia, quem a pôs em prática e insiste, com a agravante de estar a ser levada a cabo com dinheiro dos contribuintes, isto é, nosso !


Os nossos jovens, nossos filhos, merecem mais!


8 de Outubro de 2007


APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
Rua José Calheiros,15
1400-229 Lisboa
Tel: 217 552 603 - 919 259 666 - 917 219 197
Fax: 217 552 604

domingo, 30 de setembro de 2007

As seringas e a crise do Estado


A questão da troca de seringas nas prisões portuguesas é, a meu ver, mais uma medida desastrosa e contraditória que vai contra a própria natureza de um Estado de Direito.

De facto, um Estado, com uma constituição programática como a nossa tem como objectivo fomentar a paz e o progresso social entre os seus concidadãos. Nesta perspectiva, a meu ver, há sempre um objectivo de perfeição mínimo.

O Estado não tem por missão fazer com que os cidadãos sejam santos; mas já tem obrigação de lhes dar as condições mínimas para poderem ter saúde, poderem criar e educar os seus filhos, poderem trabalhar e ter o seu sustento, etc., etc..

Entendo, pois, a missão do Estado como isso mesmo uma “missão” de melhorar o que está mal e é objectivamente nocivo.

Porém, nos últimos tempos, à semelhança do que tem vindo a acontecer em vários outros países ocidentais, surge um pouco a ideia do reconhecimento do falhanço do Estado.

O Estado de Direito não consegue melhorar a vida das pessoas porque o Orçamento não permite, porque as políticas de contenção de despesa não permitem, porque não há meios logísticos, nem humanos para mudar a realidade.

Então, se assim é, o Estado opta pela ideia do “Se não consegues vencê-los, então junta-te a eles”. E, assim, o objectivo do Estado deixa de ser o de melhorar a realidade negativa, tal como resulta da sua própria Constituição, mas sim simplesmente o de atenuar as consequências e efeitos negativos dessa realidade negativa.

Esta lógica de medíocridade, conformismo e resignação vimo-la recentemente na forma como a nova Lei do Aborto foi regulamentada e vemo-la agora na forma como, de forma descarada, se opta pela distribuição de seringas nas prisões.

Mais uma vez a lógica do “A droga nas prisões é uma realidade, quer queiramos, quer não”; “O uso de seringas usadas e infectadas é uma realidade quer queiramos, quer não”; “A infectação de pessoas com HIV e Hepatite é uma realidade quer queiramos, quer não”, logo só há que distribuir seringas.
Se bem se recordam este mesmo argumento foi utilizado até à exaustão com a questão do aborto clandestino e da importância de minorar os seus efeitos negativos para a saúde da mulher.
O Estado não está preocupado em combater a entrada de droga nos estabelecimentos prisionais que são tutelados por si e onde era suposto promover a reintegração pessoal e social dos presos.
O Estado não está preocupado em sujeitar os presos toxicodependentes a programas de desintoxicação, colocando-os eventualmente em locais mais adequados à sua cura.

Não, o Estado débil só sabe reconhecer a sua impotência e depois concluí “que se droguem, mas sem se infectarem”.

É chocante e diz muito do Estado e da sociedade medíocre em que actualmente vivemos.

Passámos, no início do século XX, de Estados autoritários e com um forte pendor transformador e programático, caso dos Estados totalitários nazis e comunistas, para, no início do século XXI, um Estado frouxo, oco, conformista, impotente e permissivo.
De um Estado programático totalitário e depois democrático, passámos para um unicamente Estado pragmático.
Sobre esta temática da crise do Estado, veja-se mais aqui

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Prevenção de contágio de vírus não era acautelada

Durante treze anos – de Outubro de 1993 a Dezembro de 2006 – foram trocadas em Portugal mais de 38,2 milhões de seringas no âmbito do Programa de Troca de Seringas. Apesar de terem sido evitadas infecções pelo vírus da sida (VIH) e hepatites A, B e C, a prevenção do contágio daqueles vírus entre toxicodependentes não foi devidamente acautelada.

Ver mais em Correio da Manhã.