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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Faz tu também o dia de alguém




 Ao fim da tarde de domingo, encontrei, com os Deolinda, em Loulé, esta música e esta letra e o desafio de "fazer o dia de alguém" ou que alguém nos faça o dia a nós.


Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também

Esse bom dia que dás é outro dia que nasce
É acordar mais bonita
Trabalhar com vontade
É estar no dia com pica
É passar com a vida e desejar-te um bom dia também
Um bom dia para ti
Não que apenas passa não que pesa e castiga
Não que esqueças mais tarde
Mas o dia em que me digas
Ao ouvido baixinho ai tu fizeste o meu dia também tão bom também
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia também
Um bom dia para ti
E para o estranho que passa
Para aquele que se esquiva
Para quem se embaraça e se cala na vida
Mesmo que não o diga
Ai tu fizeste o meu dia também tão bom também
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém

terça-feira, 17 de março de 2015

Dolce e Gabba, homossexuais assumidos contra casamento e adoção gay



Depois de terem promovido um desfile original cujo tema era a exaltação da maternidade e da natalidade, Dolce e Gabbana, 2 homossexuais assumidos, numa entrevista a uma revista italiana disseram o seguinte:
“We oppose gay adoptions,”
“The only family is the traditional one.”
“You are born to a mother and a father – or at least that’s how it should be,” ...
“The family is not a fad. In it, there is a supernatural sense of belonging,” Gabbana added.
“No chemical offsprings and rented uterus: life has a natural flow, there are things that should not be changed,” they said.
Dolce said he opposed changing nature to create “children of chemistry, synthetic children, uteri for rent, semen chosen from a catalog.”


 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A gravidez na Bíblia

 
Todas as culturas, grandes e modestas, celebraram sempre com respeito e amor a gestação. Leiam-se, por exemplo, as extraordinárias estrofes do Salmo 139 que cantam a misteriosa ação de Deus: «Tu modelaste as entranhas do meu ser/ e formaste-me no seio de minha mãe./ Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras./ Quando os meus ossos estavam a ser formados,/ e eu, em segredo, me desenvolvia,/ tecido nas profundezas da terra,/ nada disso te era oculto./ Os teus olhos viram-me em embrião./ Tudo isso estava escrito no teu livro./ Todos os meus dias estavam modelados,/ ainda antes que um só deles existisse» (13-16). As imagens são as do tecelão e do oleiro.
Job, noutra estrofe de grande sugestão, imagina que Deus é, além de tecelão e oleiro, no ventre da mãe como um pastor que modela uma forma de queijo: «Foram as tuas mãos que me formaram e modelaram […]. Não me espremeste como o leite, coagulando-me como quem faz queijo? De pele e de carne me revestiste, de ossos e de nervos me consolidaste» (10, 8-11).
De acordo com a curiosa ciência médica do tempo, pensava-se que o embrião fosse a simples coagulação do sémen masculino, favorecida pela menstruação da mulher – o óvulo feminino só foi identificado em 1827 por Karl Ernst von Baer. Com efeito, o livro bíblico da Sabedoria coloca na boca de Salomão estas palavras: «No ventre de uma mãe fui feito carne. Durante dez meses [lunares] fui ganhando corpo no sangue, a partir do sémen do homem e do prazer conjugal» (7, 1-2).
Em Maria, a gravidez adquire um carácter absolutamente único, que se exprime pelas palavras do anjo Gabriel: «Hás de conceber no teu sei o e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo» (Lucas 1, 32).
 
Card. Gianfranco Ravasi 
Biblista, presidente do Pontifício Conselho da Cultura 
In "Famiglia Cristiana" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 15.02.2015

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Referendo sobre casamento "Gay" na Eslováquia

A 7 de Fevereiro próximo realiza-se na Eslováquia um referendo sobre o “casamento” gay — coisa que não aconteceu em Portugal com a cumplicidade da maior parte dos partidos políticos.
O vídeo abaixo foi recusado por todos os canais de televisão da Eslováquia
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os novos desenhos animados

 

 

Henrique Raposo

Expresso, 2014.12.27

É confrangedor comparar as séries e livros infantis dos anos 80 com as séries e filmes dos anos 2010. Quando é que passámos a assumir que as crianças são idiotas? Para compreenderem o que estou a dizer, só têm de comparar qualquer série dos incontáveis canais de desenhos animados da TV Cabo com "Era Uma Vez no Espaço", uma das séries da minha geração. Apostando na aventura espacial, o seu autor (Albert Barillé) colocava questões profundas à pequenada: o que é a morte? O que é Deus? O que é o inimigo? O que é a democracia? Além da profundidade da substância, convém ainda destacar as diferenças na forma, que são ainda mais decisivas. Os desenhos animados de hoje têm um ritmo frenético; um plano não sobrevive mais do que três segundos; os miúdos não são treinados para pensar, mas sim para sentir. Ao invés, o ritmo de "Era uma Vez no Espaço" é lento. Aliás, para os padrões de 2014, esta série infantil de 1982 é lenta e silenciosa até para os adultos. Não, não estou a brincar: a profundidade e a secura narrativa de "Era uma Vez no Espaço" são estranhas para os adultos de 2014. O ritmo dos "CSI" é mais primitivo e pueril do que o ritmo pensado por Albert Barillé.
Qual é a causa da estupidificação em curso? A meu ver, o problema é a recusa militante do sofrimento, é a ilegalização da morte e da dor. Até a tristeza já é considerada uma doença. Traduzindo para linguagem cristã, o problema é a recusa da cruz. É a recusa da ideia de que a bondade só existe depois do sofrimento. É a rejeição da redenção como algo que só nasce após o confronto com o mal. Os velhos contos infantis (Irmãos Grimm, por exemplo) forçavam as crianças a um confronto direto com a maldade, com a morte, com a perda. A brutalidade desses contos era uma espécie de programa de vacinação moral que tratava as crianças como futuros adultos e não como eternos Peter Pan. Ao invés, os desenhos animados dos incontáveis canais infantis oferecem uma versão higienizada da vidinha. Não há mortos, dor, pais imperfeitos, doença ou verdadeira maldade, não existem ambientes negros e soturnos. Pior: já nem sequer há uma narrativa. Os desenhos animados estão a transformar-se em meros jogos interativos, didáticos e técnicos (ensinar a contar, por exemplo); não são histórias destinadas à imaginação moral dos miúdos, são repertórios de coisas "úteis" para o seu futuro escolar.
Mas, mesmo no sentido da utilidade escolar, esta cultura técnica e amoral só pode ser prejudicial. Porquê? Sem sofrimento, não se consegue alcançar nada digno de registo. Se é educado a fazer apenas aquilo que lhe dá prazer, um garoto nunca vai perceber o sacrifício que está a montante de uma carreira de médico, engenheiro informático ou escritor. No fundo, a cultura que ilegaliza o sofrimento nos desenhos animados é a mesma que diaboliza a memorização da tabuada; a sociedade que recusa confrontar os jovens com o conceito de pecado é a mesma que fecha os olhos à destruição das regras gramaticais. Acham que estou a exagerar? Então façam o favor de comparar "Era uma vez a Vida" com os filmes que a RTP, SIC e TVI transmitem durante este período das festas. A cruz faz falta.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Luis e a Ana esperam o terceiro filho

O Luís e a Ana esperam o terceiro filho.
Não foi “programado” mas, já que “aconteceu” é bem-vindo. Os manos andam muito contentes, e na escola é motivo de conversa com os amigos o Pedro, que vai nascer no fim de Fevereiro (a Joana está no 4.º ano e o Mateus no 2.º ano).
A vida não está a ser fácil, com as dificuldades económicas que se fazem sentir este bebé vem trazer questões para resolver. A casa é pequena, o infantário é caro e a Ana não tem tido uma vida fácil no escritório onde trabalha. Mas a maior dificuldade sente-a a Ana porque o Luís está cada vez mais ausente. Vem tarde para casa… quase não fala, cumpre a rotina com os filhos sem grande entusiasmo… parece fugir…
Logo agora que mais precisava do marido. Com o avançar da gravidez tudo se está a tornar mais difícil. Às vezes discutem… por coisas sérias e por bagatelas. A Ana dá consigo a pensar: “Não foi para isto que me casei, não sei se ainda dá…”. Mas, logo vem outra tarefa que a chama à realidade.
O Luís diz que a Ana tem os nervos à flor da pele (que tem!) e por isso, afasta-se. A Ana está muito pesada (a gravidez aos 33 anos tem mais custos) e as tarefas da casa que lhe cabem, não são fáceis. Depois de um dia de trabalho no escritório, ajudar a Joana nos problemas de matemática é a “cereja no topo do bolo”.
No domingo, após o almoço, o Luís disse – “Amanhã é feriado – Nossa Senhora da Imaculada Conceição – é dia de fazer o Presépio. Podemos ir apanhar musgo ao pinhal”. A Joaninha sugeriu que convidassem as duas primas. E, “já que o tempo está de sol, podemos fazer um pic-nic ao almoço. Com frango assado e batatas fritas de pacote”, disse. A mãe ficou aliviada por ser menos uma refeição para pensar e, para fazer. Boa ideia!
Depois da missa lá foram todos para as cercanias da Serra de Sintra. Os 4 miúdos apanharam o musgo, correram, saltaram, subiram às árvores enfim, divertiram-se uns com os outros. A Ana estendeu as pernas e, embrulhada numa capa, ficou a conversar com o Luís sobre tudo e, sobre nada… Pelas 4 horas da tarde regressaram e deixaram as sobrinhas na respectiva casa.
Chegados a casa, mãos à obra, fizeram o Presépio. Enquanto os filhos iam colocando as figuras, o Luís pôs a tocar um CD com músicas de Natal. A Ana sentada, olhava e dava ordens.
Tocou o telefone, era a mãe das primas que agradeceu a tarde bem passada pelas filhas e desabafou: “Enfiei-me num centro comercial, estou com uma dor de cabeça, que o Presépio terá de ficar para outro dia…”.
Ali em casa era diferente. Havia uma exaltação nos miúdos e nos pais cumplicidade. Sentaram-se os quatro (ou os 5) a olhar para o Presépio, os filhos faziam perguntas: “É verdade que a estrela guiou os Magos?”, “Porque não abriram as portas a Nossa Senhora e a S. José?”, “Os primeiros a visitar o Menino Jesus foram os pastores? Porquê?”.
O Luís ia respondendo aos filhos. A Ana pensava no marido que tinha à sua frente, nas dificuldades, na letícia daquelas horas, no gosto de vencerem juntos os obstáculos e, na Esperança que todos têm neste bebé que irá nascer dentro de dois meses.
Querer ter uma casa maior, um trabalho mais fácil, um marido mais atento… querer ter mais dinheiro, mais tempo livre, mais descanso – são todas coisas boas. Mas ter este desejo vivo e ardente também é Bom. Viver nesta tensão é participar de algo Maior.
Afinal, a Felicidade faz-se de coisas boas e menos boas.
A Felicidade constrói-se fazendo o Presépio

Isilda Pegado, in voz da Verdade

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A mãe e o filho



sábado, 15 de novembro de 2014

Dignidade da Vida versus Qualidade de Vida by P.Francisco

 
 
O Papa disse este sábado no Vaticano que o aborto, a eutanásia e a “produção” de filhos mostram uma “falsa compaixão” que põe em causa a dignidade da pessoa, pedindo que nenhum ser humana seja uma “cobaia”.
 
“O pensamento dominante propõe, por vezes, uma falsa compaixão, a que considera como ajuda à mulher favorecer o aborto, como um ato de dignidade procurar a eutanásia ou como conquista científica ‘produzir’ um filho”, disse, num discurso proferido durante a audiência que concedeu à Associação de Médicos Católicos Italianos.
 
Francisco criticou também a utilização de vidas humanas “como cobaias de laboratório para, supostamente, salvar outras”.
 
O Papa explicou que desde os tempos de sacerdote ouviu várias objeções sobre o aborto, considerando que não se está diante de um “problema religioso” ou “muito menos filosófico”.
“É um problema científico, porque ali está uma vida humana e não é lícito deixar fora uma vida humana para resolver um problema. ‘Mas não, o pensamento moderno…’
Ouçam, no pensamento antigo, no pensamento moderno, a palavra matar significa o mesmo”, assinalou, num tom coloquial.
Segundo Francisco, o mesmo princípio se aplica à eutanásia, incluindo a “eutanásia “escondida” que se dirige aos idosos. “Também existe a outra [eutanásia], não? Isso é dizer a Deus: ‘Não, o fim da vida sou eu que decido, como eu quiser. É um pecado contra Deus criador: pensai bem nisso”, advertiu.
 
O Papa observou que para muitos a qualidade de vida está ligada, sobretudo, “às posses económicas, ao bem-estar, à beleza e ao gozo da vida física, esquecendo outras dimensões mais profundas da existência”.
 
Francisco sublinhou que à luz da fé e da razão “a vida humana é sempre sagrada” e tem sempre “qualidade”.
 
A intervenção encorajou a ação dos médicos católicos, em “fidelidade ao Evangelho da vida” e ao seu respeito “como dom de Deus”, o que exige por vezes “escolhas contracorrente e corajosas” que podem chegar à “objeção de consciência”.
 
Falando de improviso, o Papa alertou para o perigo de “experimentar com a vida”, de “fazer filhos em vez de os acolher como dom”, de “jogar com a vida”.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Vida e dignidade humana



"(...) a vida humana, só por si, é o valor nuclear mais básico e universal, que a vida humana, em si, é o suporte da dignidade humana e não a dignidade, em si, o suporte de uma vida humana e que há uma dimensão ontológica na dignidade humana. E traria Kant para a reflexão, quando este afirma que “a dignidade humana é violada se a pessoa concreta é rebaixada ao nível de um objecto, de um mero meio, ou reduzida a uma quantidade que pode ser substituída”.

Neste conspecto, uma vida humana, em particular, mantém intacto o seu valor, e é sempre digna de ser vivida, independentemente da fase evolutiva do sujeito, do seu estado de doença ou de saúde ou de circunstâncias do seu existir. E toda e qualquer vida humana tem igual valor, não sendo válidas, para tal, ponderações da "qualidade de vida" derivadas de funções sociais de relevo, de distinções e mordomias, de uma carreira profissional de sucesso, ou de agenda pessoal prenhe de ocupações e de contactos sociais."

Fernando Regateiro

domingo, 9 de novembro de 2014

Divergente ou o desafio da educação




            Nos últimos tempos, têm surgido alguns filmes sobre adolescentes heróis e determinados que procuram ser um pouco o contraste daquilo que muitos adolescentes são na realidade. Estou-me a lembrar da série “Twilight” ou dos “Jogos da Fome”, todos com sequelas ou ainda do recente “The Giver”.

Há poucos meses atrás foi lançado mais um filme deste género, baseado nos livros de Veronica Roth – “Divergente”. A história deste filme fala-nos de um futuro onde as pessoas são, desde a adolescência, divididas em grupos de acordo com as suas características. Porém, existem pessoas que têm um pouco de cada um desses grupos, os chamados “divergentes” que põem em causa a harmonia do sistema e devem, por isso, ser eliminados.

Esta história faz-nos lembrar as várias personalidades de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos e do facto de, todos nós, em momentos diferentes da nossa vida (às vezes, até do próprio dia), assumirmos, por vezes, personalidades e modos de comportamento diferentes ou até antagónicos.

O filme “Divergente” foi um sucesso de bilheteira, mas uma das criticas que lhe fizeram foi o facto do realizador ter investido um tempo excessivo na parte da preparação da heroína Tris dentro do grupo dos “Intrépidos” (defensores da cidade) em que se integrou. É que, após uma introdução acerca do contexto do filme, a maior parte do tempo é gasto a mostrar os treinos, exercícios e testes a que a heroína e outros iniciados desse grupo se sujeitam, sendo que a acção do filme acaba por se dar apenas nos últimos 15/20 minutos.

Achei interessante que o realizador tivesse colocado o assento tónico da questão da preparação e da formação da heroína, dentro de um grupo onde se cultiva a virtude da “audácia” numa dupla vertente, a física e a mental. Na física, pretende-se que o corpo esteja preparado para lidar com condições difíceis, onde o músculo, a perícia e a destreza sejam apuradas. Na mental, pretende-se sobretudo lidar com os próprios medos e superá-los com mestria e coragem. Em ambas é o esforço, a força de vontade e o sacrifício que fazem com que Tris prossiga e não seja eliminada, apesar das suas limitações iniciais. A acção (violenta e alucinante) só vem depois desta prepração.

A questão da preparação, do treino e da educação é muito importante, não só a preparação física e teórica, mas sobretudo a formação mental. Parece que poucas pessoas se aperceberam ainda que a vida é um enorme campo de batalha onde, progressivamente, somos confrontados com desafios ao nível pessoal, familiar, económico, social e profissional. Quem não está preparado será facilmente trucidado e andará aos caídos, sem rumo e sem competências pessoais e sociais que lhes permitam singrar na vida. Outros há, poucos, que mesmo sem preparação conseguem vencer ou sobreviver. Uma educação permissiva, frouxa e flácida dá-nos uma juventude mole, sem resiliência e um país sem futuro.

Por tudo isto (e este filme recorda-nos isso), é muito importante apostar na educação integral dos mais novos que passe também por sujeitá-los a condições exigentes de auto-controlo, de confronto com as frustrações exógenas ou endógenas e, sobretudo, de superação dos próprios medos e fantasmas, mas sempre segundo ideais de altruísmo e positividade. E este treino tem de se prolongar pela vida fora.

É uma questão de sobrevivência não só pessoal, mas da própria espécie.

domingo, 26 de outubro de 2014

Mulher grávida e mãe



Mulher, teria sido teu filho, para beber-te
o leite dos seios como de um manancial,
para olhar-te e sentir-te a meu lado e ter-te ...

no riso de ouro e na voz de cristal.

Para sentir-te nas veias como Deus num rio
e adorar-te nos ossos tristes de pó e cal,
para que sem esforço teu ser pelo meu passasse
e saísse na estrofe - limpo de todo o mal -.

Como saberia amar-te, mulher, como saberia
amar-te, amar-te como nunca soube ninguém!
Morrer e todavia
amar-te mais.
E todavia
amar-te mais
e mais.


Pablo Neruda

sábado, 18 de outubro de 2014

Sofrer sem incomodar

Vivemos num tempo em que o sofrimento é visto como algo vergonhoso. Em que as pessoas devem manter as suas dores sob controlo a fim de que os outros sejam poupados ao peso do que entendem não ser seu.… um sofrimento sem expressão… tão escondido como um qualquer pecado obsceno.
São poucos os que querem que a luta interior de alguém seja uma luta comum... Temem-se as dores, mas teme-se mais ainda o seu inevitável contágio a que alguns chamam partilha. Amor.
Mesmo depois de uma grande perda, o luto é uma luta que não deve ser travada longe dos outros. Cada um carrega o seu fardo, mas se o partilhar, a viagem torna-se menos penosa. Porque se aliviam, um pouco, a pena e a solidão.
Claro, há muitas simpatias e compaixões, mas a maior parte delas é apenas aparente. São cada vez menos os que conseguem prestar uma ajuda desinteressada a quem precisa.
As alegrias não incomodam tanto como as tristezas. Embora em ambos os casos seja raro haver partilha.
Vivemos numa enorme tapeçaria de aparências: os egoísmos, disfarçados de coisas belas, escondem podridões... mentiras sempre assumidas de um modo diplomático e inteligente. Afinal, todos temos os nossos problemas – dizem.
Escondo-me nuns óculos escuros, porque não quero que vejam as minhas lágrimas. Visto-me de preto, para me esconder na noite de mim mesmo, quero passar despercebido, oculto, silencioso… não quero incomodar ninguém. Não quero que a minha tristeza estrague a vida de mais ninguém... tenho medo.
Mas é o medo que nos impede de sermos felizes. Porque quem tem medo, não ama, e quem não ama não é feliz.
 
Por José Luís Nunes Martins
publicado em 18 Out 2014 "i"

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O REAJUSTAR DA AMIZADE INCONDICIONAL


 


“Já não existem amizades como antigamente” é uma frase que passa de boca em boca com alguma frequência e de certo modo corresponde à realidade de quem as vivenciou em épocas anteriores. Mas a sociedade mudou e os valores também se alteraram. Vive-se num período em que a amizade é um meio para atingir um fim, um sentimento descartável; recorre-se a ela quando há necessidade, atropela-se, esmaga-se se for preciso e “deita-se no lixo” quando já não faz falta. Assim sendo talvez seja importante refletir e encontrar a melhor forma de redefinir o conceito de amizade! Conceito esse que, evidentemente assentará em princípios diferentes dos existentes há por exemplo quarenta anos a trás.

Num velho livro gasto pelo tempo consegue-se ler uma lenda árabe que descreve uma viagem de dois amigos pelo deserto e que em determinado momento tiveram uma grande discussão. Não se sabe o porquê da mesma. Mas o certo é que um deles de tão ofendido que ficou, ainda que não lhe dissesse nada escreveu na areia: “hoje o meu melhor amigo bateu-me na cara”.

Continuaram a caminhar e assim que chegaram junto de um oásis não resistiram e foram tomar banho. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se mas o amigo salvou-o. Ao recuperar, pegou numa pedra e sobre outra pedra escreveu “hoje o meu melhor amigo salvou-me a vida”. Intrigado, o amigo perguntou-lhe porque escrevera na areia quando lhe batera no rosto e numa pedra quando o ajudara no oásis. Sorrindo o outro respondeu-lhe que quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia o que o vento do esquecimento e do perdão se encarregará de apagar, porém quando ele nos faz algo de grandioso, devemos gravá-lo na pedra da memória do coração, que vento nenhum do mundo poderá apagar.

Todas as lendas são especiais porque cada individuo que as lê sente-se mais ou menos tocado por elas.

Dalai Lama considera que “o verdadeiro herói é aquele que vence a sua própria raiva e ódio… sem amor não poderíamos sobreviver. Os seres humanos são criaturas sociais e sentir-se valorizado pelos outros é a própria base da vida em comunidade”.

Seja na família, no trabalho ou nos amigos há que apagar da memória os pequenos desentendimentos que surgem diariamente. Por outro lado contrariar aquilo que normalmente acontece e que é lembrar as coisas boas, falar sobre elas e porque não ter a humildade de agradecer. Pois a tendência do individuo é criticar o que está menos bem partindo do pressuposto que quando corre bem é quase uma obrigação daí a ausência de agradecimento.

Fique-se com o pensamento de Charles Chaplin “ às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue, que não nos subestime, que não nos analise, apenas nos oiça” que se resume numa amizade incondicional.

 
anabelaviegasconceicao@gmail.com

Psicóloga Clínica

 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Preocupações inúteis

 
 
Sobra-nos pouco tempo para nos preocuparmos com o que merece a nossa atenção. É essa antecipação que fará diferença.
Andamos quase sempre muito preocupados com pouco. Desperdiçamos demasiado tempo com assuntos pouco importantes. O tempo limitado que temos neste mundo devia inspirar-nos a ser mais sábios na gestão das nossas prioridades, uma vez que nem sempre nos preocupamos com o que devemos. Tendemos a desprezar, muitas vezes, o que é importante. Porque nos parece que temos sempre muitas preocupações e lamentos.
A possibilidade de uma catástrofe é algo que angustia muitos homens. Mas será que esta ansiedade se justifica? A possibilidade da sua ocorrência é algo que nos ultrapassa por completo, pelo que pouco ou nada podemos fazer. Sofremos demais por males que nunca nos chegarão perto…
Também nos pesam as nossas más decisões no passado. Inquietação inútil. Podemos arrepender-nos, comprometendo-nos a um futuro em que o erro seja lição para rumar a melhor. Mas, por isso mesmo, a nossa preocupação deve ser para diante, não para trás.
A possibilidade de doenças e trágicos acidentes, com baixa probabilidade de ocorrência, leva-nos a um desassossego que nos faz descuidar de outros problemas que, não sendo tão sérios, podem realizar-se com maior facilidade. Somos responsáveis por prevenir as grandes tragédias, mas, mais ainda, as pequenas. Dado que a prioridade deve ser dada às que nos estão mais próximas.
Passamos, ainda, muito tempo a carregar o peso das ansiedades a respeito das pessoas que nos são mais chegadas, como se carregar as preocupações deles fosse uma missão nossa! A verdade é que cada uma dessas pessoas (incluindo as crianças!) é dotada de elementar bom senso, algo que lhes permite, a todos e a cada uma, salvaguardar-se de perigos comuns que conhecem. Mais, é bem possível que elas possam até estar melhor preparadas do que julgamos… melhor preparadas que nós! Talvez nos devêssemos preocupar em aprender mais com elas…
Sobra-nos pouco tempo para nos preocuparmos com o que merece a nossa atenção. É essa antecipação que fará diferença.
Não somos assim tão fortes que possamos carregar o gigantesco peso de todas as preocupações do mundo, as dos outros e ainda as nossas...
Quantas maravilhas nos passam ao lado, enquanto andamos perturbados com as tragédias que apenas se passam na nossa imaginação!
É preciso reconquistarmos a nossa paz a um campo que costuma ser ocupado por ansiedades e medos. Sem permitir que, a nossa ignorância sobre as causas do que nos sucede, nos torne reféns e incapazes de pensar em mais nada.
A vida não é para ser explicada ou compreendida. É para ser vivida e… bem vivida. Viver é buscar a felicidade, e isso passa muito por aprender a suportar, aceitar e esquecer.
A nossa cultura ensina-nos a enfrentar tudo. Assim, se algo se colocar entre nós e o nosso sonho, deve ser combatido até à destruição! Dizem-nos até que a nossa coragem, vontade e persistência são invencíveis! E que nós, por isso, também!
Mas há problemas perante os quais nada disto funciona. As adversidades como a morte, a doença grave ou uma tragédia mais séria, não se conseguem anular, faça-se o que se fizer. Aplicar aí a nossa coragem, vontade e persistência no sentido de destruir isso só terá um resultado efetivo: aniquila-nos, porque estaremos a tentar empurrar, não uma pedra pesada, nem sequer uma montanha, mas o próprio peso do mundo... sem termos os pés assentes em nada.
Há muitas adversidades que só se vencem se as suportarmos e aceitarmos tal como são, sem grandes explicações ou sentidos, sem perder tempo, nem forças, a tentar mudar o que não muda.
A nossa paz interior é essencial e preciosa. O silêncio e o discernimento, que se conseguem quando não há revolta interior, permitem-nos aceitar melhor as nossas dificuldades, escolher o caminho que queremos construir… enquanto vamos aprendendo a admirar as maravilhas deste mundo.
 
Por José Luís Nunes Martins
publicado em 11 Out 2014 Jornal "i"
 

sábado, 11 de outubro de 2014

Educar para a poesia da vida

 
 
"É preciso subtilmente deitar-lhes no sangue este veneno- não tanto para que gostem de versos ou saibam versos de cor, como para que olhem o mundo através da janela da poesia, para que beijem tudo graças a Deus, para que saibam olhar, para que reparem nas flores e nas ovelhas. Isto é que se quer que eles façam, sem respeito humano, pela vida fora."
 
Sebastião da Gama. Diário Pág 54.
 
E, para ser poeta, só "É preciso saber olhar".
 
Sebastião da Gama Diário Pág. 53.
 

domingo, 5 de outubro de 2014

A alegria do dom da vida



“A alegria do dom da vida”: esse é o segredo, e essa é a descoberta que nem todos, infelizmente, têm a possibilidade de fazer…

É que muitas vezes levam-nos a confundir a alegria com a gargalhada e a distração, senão mesmo com a inconsciência. Basta ver um pouco daquilo que é a Lisboa nocturna do fim de semana – e damo-nos conta dela quando, na manhã seguinte, acordamos e saímos antes dos carros do lixo passarem, e vemos no chão os copos e garrafas, senão mesmo alguém que por ali ficou, não por ter falta de tecto mas simplesmente porque não foi capaz de se erguer para regressar. E dizem que isso é fruto da alegria de viver…

Incapazes de enfrentar a vida com as dificuldades e sofrimentos que ela sempre traz, procuramos tantas vezes esquecer, voltar-lhe as costas, viver num mundo que alguém ou nós próprios imaginámos, criámos, numas horas de inconsciência vazia.

Isto para já não falar de tantos outros dramas que quase parecem não ter solução. E não terão nunca, enquanto aquele que os vive não descobrir que a vida é um dom, uma realidade que nos foi dada; melhor: uma realidade que nos é dada em cada momento que passa. Perceber que Deus não se limitou a criar-nos num qualquer dia longínquo, mas que, mesmo no meio do sofrimento, o seu amor por nós é eterno e concreto, infinito.

É essa vida que nos é dada, cheia de sentido a ser descoberto e partilhado – sentido para nós, para os outros e com todos – que vale a pena ser vivida, bem vivida até ao fim. Num caminho cada dia mais intenso. É por ela e nela que vale a pena caminhar.
D.Nuno Brás

 in Voz da Verdade

sábado, 4 de outubro de 2014

Doidas andam as mamãs




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O indíviduo está permanentemente a ser julgado




Numa sala cheia de ouvintes, um grande orador fazia questão de repetir mais que uma vez: “Não é à toa que nós nascemos chorando, é porque sabemos a “barra” que vamos enfrentar na vida. Aqui temos momentos felizes e momentos menos felizes, como se fosse uma montanha russa. Momentos em que estamos muito bem e outros em que não estamos por isso temos que pensar que quando estamos mal vai melhorar, assim como se tiver muito bem não vai demorar muito tempo porque passará a estar mal”. É importante que se saiba como resistir nos momentos menos bons que segundo William “ao que tudo indica, o sucesso é apenas uma questão de continuar a andar quando os outros desistiram”.

Para se chegar ao topo da escada é necessário subir degrau a degrau com cuidado não vá um deles partir-se e provocar a inevitável queda. Caso isso aconteça só restam duas hipóteses: desistir ou voltar a subir. E aqui reside a diferença enquanto uns recomeçam com a mesma motivação, outros simplesmente desistem.

Eis a história de um Delegado de Informação Médica que vivia no Brasil mas queria ir trabalhar para os Estados Unidos. Para ocupar o cargo teve que se submeter a oito entrevistas mas todas com sucesso. Só lhe faltava a última que iria ser feita pelo Presidente que vinha de prepósito de outro país.

Eis que chegou o grande dia como tal teve o cuidado de vestir a melhor camisa, o melhor fato, a melhor gravata, os melhores sapatos, enfim, tudo perfeito para finalmente atingir o seu grande sonho. Quando chegou junto do prédio onde ia ser entrevistado, ao estacionar o seu carro, outro condutor estacionou e ele abriu o vidro e fez um gesto menos correto.

Depois de estacionar apresentou-se junto da administrativa para a entrevista e aguardou pela hora marcada. Ao entrar na sala acompanhado da mesma imagine-se quem estava do outro lado da secretária?! O Presidente da empresa, aquele a quem ele tinha acenado com o tal gesto. Resultado, não foi admitido e desenvolveu um cancro de estomago acabando por morrer pouco tempo depois.

Ele ficou muito mal porque era o seu grande sonho e fez tudo para o conseguir, só faltava aquela entrevista e por causa de um simples gesto foi embora. Levou oito segundos para destruir aquilo que tinha conseguido em oito anos.

Este é um dos muitos casos que acontece diariamente. Os indivíduos têm determinadas atitudes perante os outros porque pensam estar num patamar mais acima, e mesmo que estejam, esquecem que num instante podem descer e os outros passam por eles.

Ainda que não se aperceba o individuo está permanentemente a ser julgado pelo que faz, pelo que diz e como diz o que diz. Como o provérbio Chinês refere “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flexa lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

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Psicóloga Clínica