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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Tribunal consagra direito de objecção de consciência a médicos ginecologistas

Uruguai: ginecologistas poderão opor-se a realizar abortos
O Tribunal Administrativo decidiu a favor do direito legítimo dos médicos à objecção de consciência
Por Redação
Roma, 27 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)
O Tribunal Contencioso Administrativo do Uruguai (TCA) decidiu a favor de um grupo de ginecologistas que apresentaram recurso para impugnar 11 dos 42 artigos da lei que regulamenta a “interrupção da gravidez” no país. Na sentença 586/2015 de 11 de Agosto, os membros do TCA cancelam sete dos onze artigos que os médicos rejeitaram.
Os ginecologistas argumentavam que o Decreto Regulamentar n.º 375/012 da Lei 18.987 restringia “ilegitimamente o exercício do direito à objeção de consciência do pessoal sanitário”.
A partir de agora, qualquer médico poderá exercer o seu legítimo direito à objeção de consciência e abster-se de participar em qualquer etapa do procedimento para realizar um aborto.
No decreto original, os médicos objetores de consciência só podiam manifestar-se contrários a praticar um aborto no momento de realizar a curetagem ou prescrever a droga para abortar. Além do mais eram obrigados a participar na primeira consulta da mulher com uma equipe interdisciplinar e assinar o "formulário de interrupção voluntária da gravidez”.
O TCA afirma que "a pessoa que assina este formulário está participando ativa e diretamente no processo do aborto, ao qual não se permite objetar, mas se obriga a intervir”.
Para Gianni Gutierrez e Agustín Amonte, advogados dos médicos, “a sentença do TCA é contundente na defesa da liberdade e do exercício da profissão médica” porque permite que a objeção seja praticada “na sua máxima expressão”.
As mulheres uruguaias estão autorizadas a abortar em um prazo de doze semanas, até 14, quando foram vítimas de um estupro, e sem prazo quando existe risco para a saúde da mãe ou o feto é inviável. Para ter acesso à “interrupção voluntária da gravidez”, as mulheres devem passar antes pela consulta de um ginecologista, um psicólogo e um assistente social e, em seguida, deve cumprir um prazo de cinco dias de reflexão.
Em 2014, no Uruguay, foram realizados 8.599 abortos. Esta prática foi descriminalizada pelo governo de José Mujica no final de 2012.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mais de 1.300 médicos são objectores de consciência

Mais de 1.300 médicos em Portugal são actualmente objectores de consciência na questão da interrupção voluntária da gravidez (IVG), segundo dados da Ordem dos Médicos (OM).
A questão da objecção de consciência foi suscitada logo que entrou em vigor, em julho de 2007, a regulamentação da lei do aborto a pedido da mulher.
Na altura, a Ordem apontou para a necessidade de ter um registo dos médicos objectores de consciência, lembrando ainda que há diferentes situações de objeção entre os clínicos: objectores em relação ao aborto a pedido da mulher que não o são, por exemplo, em relação às interrupções de gravidez em caso de violação.
Os dados actuais da Ordem, de 2011, fornecidos à agência Lusa apontam para 1.341 clínicos objectores de consciência, sendo 934 médicos de medicina geral e familiar e 407 ginecologistas obstetras.
Segundo os números de 2009 constantes do site, há 1.494 ginecologistas/obstetras registados na OM e cerca de 5.000 profissionais de medicina geral e familia

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O fim da objecção de consciência

Nos EUA, uma enfermeira católica foi obrigada a participar num aborto, sob ameaças de processos disciplinares, criminais e redução de turnos.
"It felt like a horror film unfolding," said Catherina Cenzon-DeCarlo, the Brooklyn nurse who says she was forced to aid an abortion against her will. Now Cenzon-DeCarlo is speaking out, describing the terror she felt as she was asked to sacrifice her religious convictions for the sake of her job.
Catherina Cenzon-DeCarlo, a devout Catholic, says she has been having nightmares and difficulty sleeping
ever since the incident took place on May 24, reports the New York Post.
"I couldn't believe that this could happen," Cenzon-DeCarlo told the Post, describing how she was threatened with charges of insubordination and patient abandonment, which could result in possible loss of a job and nursing license, if she did not participate in the abortion.
Although she was told that it was an emergency and the woman would die if she did not assist, Cenzon-DeCarlo observed that the woman had not received the treatments typically given to a patient whose life is in danger as the hospital claimed it was.
She later found out that the hospital itself had declared the case a "Category II," meaning that it was not immediately life-threatening, and that there was a six-hour window for the operation to take place, allowing ample time for the hospital to find a replacement nurse who did not have moral objections to the procedure.
"I felt violated and betrayed," Cenzon-DeCarlo said.
The nurse had clearly stated that she was unwilling to aid in abortions during a job interview with Mount Sinai. She says she had put her beliefs in writing.
Cenzon-DeCarlo went on to explain that she was later told by two supervisors that she would need to sign a statement agreeing to participate in abortions if she wanted any more overtime shifts. Over the next month, she was designated only one overtime shift, instead of the eight or nine she was usually assigned, reported the New York Post.
Fonte: Catholic News Agency

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Imprensa boicota conferência sobre objecção de consciência




Diz quem lá esteve que a sala estava a abarrotar e que tiveram que ser recusadas inscrições de última hora.


Porém, se fizermos uma busca nas notícias on line verificamos que não houve sequer um único meio de comunicação social que tivesse feito qualquer reportagem ou notícia sobre o assunto.


Mais uma vez a imprensa selectiva a funcionar!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Objecção de Consciência

A Escola Superior de Enfermagem “S. Francisco das Misericórdias” (ESEFM), em Lisboa, promove, em 27 de Fevereiro , um Colóquio cujo tema é “Objecção de Consciência”.

O Colóquio responde a três motivações fundamentais: a actualidade do tema, a sugestão de vários profissionais de saúde, e o facto de se enquadrar no âmbito do Centro de Bioética e Enfermagem (CBE).

Reunindo um conjunto de especialistas de diversas áreas do pensamento, pretende promover a reflexão acerca da fundamentação da objecção de consciência enquanto expressão privilegiada do direito à autonomia de que gozam os profissionais da saúde, tendo presente algumas das principais problemáticas éticas emergentes.

Programa

09.00h – Abertura secretariado
09.15h – Perspectiva filosófica da Objecção de consciência – Michel Renaud
10.15h – Mesa 1 – A Lei e os Códigos Deontológicos
Moderador: Dr. Vítor Neto
Dr.ª Bernardete Fonseca
Dr.ª Marília Monteiro Neto
11.15h – Mesa 2 – A Lei e a realidade
Moderador: Dr. Vítor Neto
Professor Dr. Tiago Duarte
Professora Dr.ª Assunção Cristas
14.30h – Mesa 3 – Questões Emergentes
Moderador: Dr. Hermínio Araújo
– Factores culturais e religiosos – Padre Professor Jerónimo Trigo
– Métodos contraceptivos em Planeamento Familiar? – Eng. João Paulo Nunes
– Aborto – Dr.ª Isabel Veiga de Miranda
– Eutanásia – Prof. Doutor Laureano Santos
informação retirada de: Agência Ecclesia

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Colóquio Sobre Objecção de Consciência, a 27 de Fevereiro

Para mais informações e inscrições, ver aqui

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Ataque à objecção de consciência V

Há uma corrente de opinião em vários países que pretende "pressionar" os médicos objectores de consciência.

Veja-se nos Estados Unidos, este artigo do jornal de esquerda "New York Times", no qual se defende, com todo o despudor que:

Any doctors who cannot talk to patients about legally permitted care because it conflicts with their values should give up the practice of medicine.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Ordem dos Médicos denuncia pressão do Governo sobre médicos para abortar



O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, acusa o Ministério da Saúde de pressionar os clínicos gerais para efectuarem os abortos químicos (toma de pílula abortiva) nos centros de saúde quando a mulher faz o pedido até às dez semanas de gestação.

Algumas dessas unidades de saúde no Norte do País – Viana do Castelo e concelhos de Penafiel, Paredes e Amarante – já admitiram passar a fazer interrupções voluntárias da gravidez (IVG) a partir do início de Setembro.


O Ministério da Saúde nega qualquer pressão.


Em declarações ao CM, o bastonário Pedro Nunes garantiu apoio aos clínicos. “Estão a ser pressionados para levar a cabo aquilo que parece ser um desígnio nacional.


A Ordem dá todo o seu apoio aos colegas para que não sejam pressionados.”Esse responsável critica esta “prioridade da política da saúde, com isenção da taxa moderadora, ao contrário do que acontece noutras áreas da saúde”, e acrescenta que os médicos de família têm “toda a capacidade técnica para fazer as interrupções”.



POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES



Os problemas são as consequências da pílula abortiva nas mulheres. “Vai haver algumas complicações, como hemorragias, e é preciso que haja uma articulação entre os centros de saúde e os hospitais e que haja garantia de resposta hospitalar.


No caso de Viana do Castelo sei que existe essa articulação, mas não sei se existe nos outros casos (Penafiel, Paredes e Amarante) nem a nível nacional”, sublinhou Pedro Nunes, para quem poderá haver uma “banalização” das IVG nos centros de saúde.


Jorge Branco, presidente da Comissão de Saúde Materna, organismo do Ministério da Saúde, recusa que haja pressões da tutela. “Não há nem nunca houve qualquer pressão aos médicos. Os que entenderem, têm toda a liberdade para efectuar as interrupções ou declararem-se objectores de consciência, tal como sucede com os médicos


Fonte : Correio da Manhã, aqui

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Promoção do aborto


Há um nítido apoio ao aborto a pedido"
23.07.2007, Catarina Gomes


Mulheres que querem fazer um aborto têm que ser atendidas em cinco dias, quando uma consulta de ginecologia pode demorar meses.

O Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, foi uma das unidades onde a objecção de consciência foi a 100 por cento.

O obstetra Vítor Neto é um dos cerca de 20 médicos da unidade que se recusam a fazer abortos até às dez semanas por opção da mulher.

Juntamente com um grupo de clínicos do Hospital de São João, no Porto, escusaram-se também a assinar a declaração de objecção de consciência fornecida por uma portaria do Ministério da Saúde.

Nela vem escrito que os objectores tomam conhecimento: de que estão proibidos de dar consultas prévias de interrupção voluntária da gravidez (IVG), que têm que encaminhar as mulheres para os serviços onde se fazem abortos e que estão obrigados a prestar cuidados a mulheres que correm risco decorrente de aborto.

Ficou surpreendido com a taxa de objecção de consciência bastante alta um pouco por todo o país?

Admira-me que não haja mais médicos que não sejam objectores de consciência. Trata-se de uma mulher saudável com uma gravidez saudável que pede um aborto e à qual o médico não tem que indagar razões, apenas cumprir. O que foi dito durante a campanha, mesmo pelos elementos do sim, foi que não queriam as mulheres na prisão e aqui estamos de acordo. Neste momento há um nítido apoio ao aborto a pedido. Não sei se disseram sim àquilo que a portaria veio dizer.


A regulamentação da lei foi além da lei?

Tenho a certeza que foi muito além do que uma boa parte das pessoas que votaram sim desejava, que queriam que se seguissem padrões mais moderados. O próprio Presidente da República fez propostas razoáves e não foi ouvido.


Está a falar por exemplo na proposta de ser mostrada a ecografia do feto à mulher que vai abortar?


Eu pergunto se isso não é ser parcial, qualquer mulher deve ser informada do que se passa, e isso implica que saiba o que está dentro dela.


No Hospital São Francisco de Xavier recusaram-se a assinar a declaração de objecção de consciência fornecida por portaria do Ministério da Saúde. Porquê?


Não posso admitir que alguém de fora me possa proibir seja do que for como médico especialista. Não posso admitir que partam do princípio que eu sou mentor moral seja de quem for. Não posso admitir que haja médicos que são a favor do aborto e possam fazer estas consultas e que haja médicos em que isto lhes seja proibido por portaria. Eu é que sei se estou em condições de praticar determinado acto médico. E é nesse aspecto também a minha objecção de consciência.


Julga-se imparcial o suficiente para não influenciar a mulher durante uma consulta de IVG?


Em 22 anos de trabalho lidei com mulheres que abortaram e a esmagadora maioria continuaram minhas utentes. Uma coisa é o aborto, outra coisa é a mulher que aborta e esta merece todo o apoio.


Acha que há uma desconfiança em relação aos médicos do não?


O não já lá vai, neste momento somos médicos. Ninguém tem o direito de impingir as suas crenças seja a quem for, nomeadamente no exercício da nossa profissão.


Se uma mulher lhe perguntar se acha que deve abortar, o que é lhe responde?


Se a mulher pergunta "O que é que eu devo fazer", eu pergunto-lhe "O que pretende?" "Vamos analisar o que faz com que tome essa decisão." A decisão final é da própria. Agora se a mulher me perguntar: "O que é que pensa do aborto?" Que é uma coisa má, muito mau, uma coisa consensual para as pessoas da campanha do sim e do não.


As consultas prévias ao aborto não são imparciais?


Se lhe dizem que tem ao mesmo tempo duas auto-estradas: a do aborto e do seguimento de gravidez, com todas as facilidades que o caminho pela auto-estrada tem, a mulher opta pela seguimento de gravidez. Se lhe mostrarem uma auto-estrada, que é o que estão a fazer neste momento, e um caminho de buracos e pedras, essa mulher não é livre para decidir, porque só tem um caminho.


Encaminha as mulheres que vêm ter consigo para os serviços onde se fazem interrupções voluntárias da gravidez?


Digo à senhora "Isso não é comigo", mas pode ir ao guichet número tal.


Sente-se envolvido no processo, ao ter que fazer este encaminhamento, como alguns dos seus colegas objectores referiram?


De todo. Se alguém me faz essa pergunta, tenho resposta. No limite posso ser parcial, mas não devo porque sou um profissional sério. Muitos médicos ficaram irritados com a obrigatoriedade de terem que dizer que prestam cuidados a uma mulher em risco que fez aborto...Escrever-se uma coisa destas é gravíssimo. É próprio de alguém que nunca fez medicina.


Como é que acha que as coisas estão a correr no terreno?


Nós sabemos que o Sistema Nacional de Saúde tem dificuldades financeiras, quem trabalha no sistema sabe que tem ser moderado nos gastos, que antes de prescrever dados meios complementares de diagnóstico, os mais caros, tem que pensar três vezes, tem que os justificar. Vivemos num sistema em que uma mulher para ter consulta de ginecologia ou de planeamento familiar pode demorar meses. Eu não tenho vaga até ao final de 2007.


Existe lista de espera?


A consulta de ginecologia do São Francisco de Xavier tem 1500 mulheres à espera. No sítio onde eu trabalho, uma mulher tem dificuldade para ter consultas por falta de médicos e dinheiro; ao mesmo tempo, a quem quer abortar tem que lhe ser dada resposta em cinco dias. A minha objecção tem a ver com isto: em consciência não posso admitir que se dê este facilitismo a pessoas que não estão doentes e pessoas que necessitam de consulta não têm de longe nem de perto a mesma resposta.


Mesmo casos graves?


Uma mulher que aparece com um tumor do ovário ou uma lesão do colo do útero que precisa de ser esclarecida pode ter que estar meses à espera. Eu próprio pergunto por que é que não há administradores objectores de consciência.


O sistema tem capacidade para dar consultas de planeamento familiar 15 dias após o aborto, como prevê a legislação?


Há sítios onde as mulheres têm que estar meses à espera. Além do mais, eu pergunto se são verdadeiramente consultas de planeamento familiar, as que há são de contracepção. Distribuem-se contraceptivos, não são consultas em que se tenha condições, ambiente, em que o casal possa ir conversar e depois fazer a sua opção. Neste momento não há condições, nem há tempo, nem há profissionais para fazer consultas de planeamento familiar.


Existe neste momento o perigo de objectores de consciência no sistema público poderem não sê-lo no privado?


Claro que sim. É o que está presente no espírito de uma portaria [do Ministério da Saúde] que diz que o médico tem que ser obrigado a prestar assistência a mulheres com problemas, e que proíbe o médico objector de fazer consultas [de aborto]. Se a portaria considera que há o perigo de haver médicos que, ao verem uma mulher com um problema grave, não lhe dão assistência devida por que é que nós não havemos de pensar que há médicos que façam isso? Se se põe por princípio que o médico não é eticamente correcto, porque é que não há-de haver o perigo de o médico não poder ser eticamente correcto noutras circunstâncias?


Devia haver um registo nacional para médicos objectores de consciência para evitar esse risco?


Sem dúvida nenhuma. A própria Ordem dos Médicos se ofereceu para fazer isso. Então é porque considera que é importante ser feito. Eu penso exactamente o mesmo.


In Jornal "Público", Catarina Gomes

23 de Julho de 2007

domingo, 22 de julho de 2007

Ataque à objecção de consciência IV

Por várias vezes neste blog foram denunciados os ataques de que a objecção de consciência tem sido alvo. Veja por exemplo: 7 de Junho , 18 de Junho, 19 de Junho.
Embora seja lamentável que tais ataques ocorram, esta situação era previsível. De facto, para que o “aborto higiénico” seja possível, não basta que tenha sido aprovada a recente lei. É necessário que hajam médicos que se disponham a praticar o aborto, e para que tal aconteça, nada melhor do que atacar a objecção de consciência.
O recente artigo do Público constitui mais uma prova de que tal ataque é uma realidade. Nesse artigo, vários médicos (incluindo o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes) consideram “insultuosa” a declaração que têm que assinar para não fazerem abortos.
De entre esses médicos que não vão fazer abortos está a quase totalidade (46) dos 50 ginecologistas do hospital do Hospital de São João no Porto bem como a totalidade (cerca de 20) dos médicos do Hospital de São Francisco Xavier em Lisboa.
João Lima

quinta-feira, 19 de julho de 2007

JG, no seu melhor

João Gonçalves, continua no seu melhor.

Desta vez, a criticar a enormidade jurídica que é a portaria que regulamenta a liberalização do aborto.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Carta aberta ao senhor ministro da saúde

É injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética.
Após o referendo nacional sobre o "aborto", antecedido por frequentes e claras afirmações de muitos dos mais representativos dos votantes pelo "sim", de que o consideravam um mal (embora por vezes, e segundo eles, necessário), surgiu a Lei n.º 16/2007, seguida da Portaria n.º 741-A/2007.
Para além do conteúdo-base (que repudiamos), verifica-se que a lei, no seu artigo 6.º, assegura aos profissionais de saúde, e nomeadamente aos médicos, a "objecção de consciência". A objecção de consciência, direito fundamental constitucionalmente protegido, permite que os médicos recusem a prática de actos da sua profissão quando tal prática entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no seu código deontológico.
Obviamente esses profissionais não poderão ser prejudicados, de nenhum modo e sob nenhum pretexto, por exercerem tal direito.Se, por outro lado, o regime aprovado proíbe os médicos de participar na consulta prévia, e no acompanhamento durante o período de reflexão, por outro pretende, de forma contraditória, injustificada e ilegal, obrigá-los a indicar quem pratique o aborto.
Se, com uma mão, a lei assina um atestado de incompetência e falta de isenção aos médicos, impedindo-os de acompanhar a grávida na fase pré-aborto, com a outra empurra, sem corda, para a falésia, este direito de agir segundo os seus princípios morais, religiosos ou humanitários, ao obrigar esses mesmos profissionais, "incompetentes e parciais", a que encaminhem a grávida até ao... aborto.Afinal, deve ou não o objector de consciência pronunciar-se? A partir de que fase tem competência, dignidade moral e isenção para intervir? Porque só é obrigado a intervir para que a prática do aborto, de que discorda, se concretize? Como será possível conciliar as duas imposições?A portaria indica que a objecção de consciência deve ser manifestada em documento (burocrático e mesmo insultuoso, porque parece desconhecer a ética médica), assinado pelo objector, o qual deve ser apresentado ao seu director clínico. Mas, certamente, apenas deverá competir a quem aprovou a lei, o Estado, divulgar onde o aborto poderá, infelizmente, vir a materializar-se.O código deontológico da Ordem, aplicável a todos os médicos, diz que, no exercício da sua profissão, este é técnica e deontologicamente independente, não podendo ser subordinado à orientação de estranhos. Mais: o médico deve, em qualquer lugar ou circunstância, prestar tratamento de urgência a pessoas que se encontrem em perigo imediato. Assim sendo, e mesmo quando objector de consciência, nunca deixará o médico de tratar uma doente que, por causa de um aborto, sofra consequências. É, por isso mesmo, injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética.
O mesmo se poderá dizer quanto a assegurar o respeito pelo segredo profissional, pois o código deontológico afirma que esse segredo se impõe a todos e constitui matéria de interesse moral e social.No artigo 30.º do código, referente à objecção de consciência, diz-se claramente que o médico tem o direito de recusar a prática de actos da sua profissão quando tal entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no código deontológico.
Pontos essenciais, incluídos no juramento hipocrático, estão consagrados no artigo 47.º, onde se estabelece que o médico deve guardar respeito pela vida humana desde o seu início; que constitui falta deontológica grave a prática do aborto e da eutanásia; que esclarece, no entanto, que não é considerado aborto uma terapêutica imposta pela situação clínica do doente como único meio capaz de salvaguardar a sua vida.
É o caso-limite, do confronto entre duas vidas, das quais só uma poderá ser salva. Sabendo-se, segundo a leges artis, que a ecografia é o meio mais fiável para datar uma gravidez, era bom que a lei dissesse se, neste momento, se conhece outro meio alternativo igualmente fiável para que seja possível dispensar a ecografia, que na lei deixou de ser obrigatória.
Assim sendo, esperamos que o Governo proceda à alteração da portaria referida, por considerar necessária e suficiente uma simples declaração, sob compromisso de honra profissional, dos médicos objectores de consciência.

Prof. Gentil Martins
Ex-bastonário da Ordem dos Médicos e ex-presidente da Associação Médica Mundial e da sua comissão de ética

In Público de 17 de Julho de 2007

terça-feira, 19 de junho de 2007

Ataque à objecção de consciência III

Foi com bastante desagrado que li o artigo do DN do passado dia 15.
A senhora jornalista Fernanda Câncio omite propositadamente o ponto 2. do Capítulo II Artigo 47º do Código Deontológico da Ordem dos Médicos:
2. Constituem falta deontológica GRAVE quer a prática do ABORTO quer a prática da eutanásia.
No entanto, os médicos têm-no em conta !
Quando no último parágrafo refere “Uma situação inaceitável, …”; quero realçar que inaceitável, senhora jornalista, seria uma percentagem considerável dos médicos fazerem abortos. Felizmente, tal não acontece; toda a informação de que dispomos aponta para que a esmagadora maioria se recuse a fazê-lo.
O seu artigo é contraditório.
Se por uma lado a senhora jornalista reconhece:

”A objecção de consciência é um direito constitucionalmente garantido ... “

Por outro lado parece dar a entender que ataca a objecção de consciência, quando propõe como opção para o ministério:

“ordenar aos serviços de obstetrícia que se organizem de modo a que haja médicos não objectores nos seus quadros”

Como “haja médicos” ?!?! São poucos (e ainda bem) os médicos disponíveis para a prática do aborto, o ministério NÃO PODE NEM DEVE fazer para que sejam mais.
O ministério não pode utilizar como critério para os seus quadros a disponibilidade dos médicos para realizar o aborto.
João Lima

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Começou o ataque ao direito de objecção de consciência

Começou o ataque à objecção de consciência.
O objectivo é criar obstáculos de natureza burocrática aos médicos que a exerçam, fazendo com que eles se comecem a sentir profissionalmente discriminados até ao ponto de cederem.

Veja-se aqui, onde claramente se defende que "Alguns poderão argumentar que se trata de uma questão do foro íntimo e que, como tal, ninguém tem que revelar publicamente as suas posições sobre o tema. Mas o ponto é que, aceitando trabalhar num SNS que despenalize a interrupção de gravidez e que reconheça o direito à objecção de consciência, os objectores não podem em rigor transformar o direito da grávida num quase não direito ou, o que não sendo o mesmo é de qualquer forma um modo extremo de dissidência, obrigar a tutela à privatização da despenalização da interrupção de gravidez".
Também o editorial do "Público" de 11 de Junho de Amilcar Correia, vai pelo mesmo caminho. Já para não falar em alguns blogs pró-abortistas que estão muito preocupados com a objecção de consciência.
Para clarificar ideias, aqui fica um excelente texto do Prof. Gentil Martins.
Vamos ver as cenas dos próximos capitulos.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Médicos objectores aumentam no Reino Unido

"Medically, abortion really isn't a popular thing to do, it is not a very technical or demanding operation and it's actually quite disheartening," he says.

"There's no handshakes or slaps on the backs afterwards, or the sense that you've done something great for someone. The best you can hope for is sense of relief that it is over"

James Gerrard, general practitioner in Leeds

in http://news.independent.co.uk/uk/health_medical/article2452408.ece