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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Legalizar a prostituição ?

Por Pe. John Flynn, L. C.
ROMA, segunda-feira, 2 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A prostituição legalizada tem sido um assunto frequente nos últimos anos. Os defensores da ideia dizem que é melhor regulamentá-la para evitar os abusos e torná-la mais segura, focando na minimização de riscos.

Por outro lado, estudos recentes na região de Camberra, capital da Austrália, indicam que a legalização está longe de ser a solução perfeita. A prostituição foi legalizada no Território da Capital Australiana (TCA) em 1992, mas, em 2008, a morte por overdose de uma prostituta de 17 anos, Janine Cameron, suscitou grande polêmica.
A assembleia legislativa do território promoveu um estudo que resultou em 50 documentos escritos e uma série de audiências públicas agora em curso.
"Não dá para ter relações sexuais com 10 ou 15 homens diferentes por dia sem se afetar, sem abalar a própria valorização, a valorização do sexo e o próprio jeito de construir uma intimidade com outro ser humano", afirmou Julie, pseudônimo de uma das entrevistadas.
Julie começou a trabalhar em um bordel aos 17 anos (ABC News, 8 de abril). Saiu depois de 18 meses, mas conta que não foi fácil mudar de vida e se livrar de uma indústria em que existe muito crime e corrupção. "Foi muito difícil conseguir ter uma relação íntima normal depois".
Violação da dignidade humana
Em documento apresentado após o estudo, a arquidiocese católica de Camberra explica que a Igreja considera a prostituição como uma violação da dignidade humana. As prostitutas prejudicam a sua dignidade porque se reduzem a instrumentos do prazer sexual, enquanto quem paga pelos seus serviços comete uma grave ofensa.
O documento aponta uma série de argumentos sobre o dano causado pela prostituição.
- As prostitutas são alvos fáceis de crimes violentos e correm risco permanente de agressão.
- Muitas mulheres estão na prostituição para sustentar seu vício em drogas ou levantar dinheiro para outras necessidades desesperadas.
- Práticas sexuais sadomasoquistas, que incluem a violência contras as mulheres, são especialmente degradantes para elas.
- A prostituição aumenta notavelmente os riscos graves para a saúde das mulheres, particularmente os de DSTs como aids, herpes e hepatite C.
- A prostituição é ligada à escravidão e ao tráfico sexual de mulheres.
- Quando se legaliza ou se descriminaliza a prostituição, cria-se uma cultura da prostituição, que tem efeitos prejudiciais não só na vida das mulheres que se prostituem, mas na de todas as mulheres que vivem nessa cultura.
- A prostituição prejudica as relações heterossexuais e as famílias. A esposa ou namorada de um homem que utiliza serviços sexuais é notavelmente afetada. Se o homem guarda em segredo o uso desses serviços, quebra os fundamentos da confiança e da honestidade na sua relação. Se os usa abertamente, pode levar à ruptura da sua relação.
- A indústria da prostituição prejudica o ideal das relações igualitárias entre homens e mulheres e tem impacto negativo na família e na sociedade em geral.
- A prostituição não pode ser separada da questão da dignidade das mulheres. A legalização da prostituição significa que o governo e a sociedade em geral estão dispostos a aceitar a desumanização e a coisificação das mulheres.
O caso da Suécia
Uma das recomendações do documento da Igreja católica apresentado à comissão é a adoção do modelo sueco. Em 1998, a Suécia aprovou uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de serviços sexuais. As mulheres e crianças vítimas da prostituição não correm o risco de sanções legais, mas a compra desses serviços é um delito penal.
Esta proposta recebeu o respaldo de um informe oficial, publicado em 2 de julho de 2010, avaliando a legislação sueca desde o seu início em 1999 até 2008.
O relatório revelou que as mudanças atingiram o efeito desejado e mostrou que a penalização da compra de sexo foi um instrumento importante tanto na luta contra a prostituição quanto contra o tráfico de pessoas para fins sexuais.
Segundo o documento, a prostituição de rua na Suécia caiu pela metade após a adoção da nova lei. Antes dessa legislação, a prostituição de rua era mais ou menos igual nas capitais da Noruega, Dinamarca e Suécia. Depois de 1999, porém, a prostituição de rua na Noruega e na Dinamarca aumentou de forma dramática. Em 2008, o número de pessoas que se prostituíam nas ruas norueguesas e dinamarquesas era o triplo do caso sueco.
"Considerando as grandes semelhanças que existem entre esses três países, econômica e socialmente, é razoável assumir que a redução da prostituição de rua na Suécia é resultado direto da penalização", conclui o informe.
É importante observar que a prostituição não mudou de local em decorrência das mudanças na Suécia: ela de fato diminuiu. O relatório aponta que a prostituição resultante de contatos na internet é mais frequente nos países vizinhos. A proibição da prostituição de rua na Suécia, portanto, não a transferiu para a internet.
Por outro lado, o relatório assinala que não há sinais de que a prostituição em salas de massagem, clubes de sexo e em restaurantes e discotecas tenha aumentado nos últimos anos. Não há provas que sugiram que as prostitutas exploradas antes nas ruas agora estejam envolvidas em prostituição em locais fechados.
O relatório diz também que, segundo a Polícia Criminal do país, a proibição contra a compra de serviços sexuais atua como um desmotivador para os traficantes de pessoas e os aliciadores que se estabelecem na Suécia. 
A informação da experiência sueca reforça também o que muitos tinham dito tanto neste tema como em outros debates sobre a legalização de práticas polêmicas. Deixa claro que proibir a compra de serviços sexuais teve um efeito normativo e que, após a legalização, houve uma mudança relevante na atitude do público com a compra de serviços sexuais. Significou um elemento eficaz de dissuasão para quem compra sexo.
Opressão
Outro documento submetido à investigação de Canberra vinha do ‘Collective Shout’, que se descreve como “um movimento com campanhas nas ruas preocupado com a coisificação das mulheres e a sexualização das jovens na mídia, publicidade e cultura popular”.
Eles observam que, em nome da minimização dos danos, foram legalizados na década de 90 alguns setores da indústria sexual na Austrália e em países como Holanda e Alemanha.
Não se alcançou, no entanto, o efeito desejado, e o documento apresentado à Comissão afirma que há evidências claras, tanto de estudos acadêmicos como dos governos, de que a postura de minimização dos danos é em si mesma errônea, ao tentar regular a indústria sexual.
Um exemplo claro disso está na relação com o uso de menores na indústria da prostituição. Victoria foi o primeiro Estado australiano a legalizar a prostituição. 
Um estudo, que examina a informação de 471 organizações governamentais e não governamentais que trabalha com crianças na Austrália mostra que mais de 3.100 crianças australianas entre 12 e 18 anos tinham tido relações sexuais em troca de dinheiro para sobreviver. Victoria tinha a cifra mais alta da nação, com 1.200.
Outro ponto apresentado foi que muitas mulheres prostituídas tinham sofrido abusos sexuais na infância, abusos físicos, violência doméstica e uso de drogas.
“O modelo de minimização dos danos – ou legalização da prostituição – permite, em essência, a exploração das pessoas mais vulneráveis da sociedade”, afirma ‘Collective Shout’. "É o momento de reconhecer que a ‘profissão mais antiga do mundo’ é atualmente a ‘opressão mais antiga do mundo’”.

sábado, 24 de agosto de 2013

Papa Francisco cria comissão para combater o tráfico de seres humanos

Por ordem do papa Francisco, o Vaticano criou um grupo de trabalho sobre o tráfico de seres humanos e a escravidão moderna, a fim de estabelecer um plano de ação para combatê-los.

A Pontifícia Academia das Ciências e a Pontifícia Academia das Ciências Sociais, junto com a Federação Mundial das Associações Médicas Católicas, organizaram a comissão, que se reunirá nos dias 2 e 3 de novembro na Casa Pio IV no Vaticano.

A notícia foi divulgada hoje pela Rádio Vaticano, que entrevistou dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências.

“As ciências naturais podem oferecer novos instrumentos contra esta nova forma de escravidão”, afirma Sorondo, “como, por exemplo, um registro digital para comparar o DNA das crianças desaparecidas não identificadas, incluindo os casos de adoção ilegal, com o dos familiares que denunciarem o seu desaparecimento”.

“Ninguém pode negar que o comércio de seres humanos é um crime terrível contra a dignidade humana e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais”, enfatiza o chanceler.

O concílio Vaticano II afirmou que “a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e de jovens e as ignominiosas condições de trabalho em que os trabalhadores são tratados como simples instrumentos e não como pessoas livres e responsáveis” são situações “vergonhosas”, que arruínam a civilização humana, desonram quem se comporta deste modo e “ofendem profundamente a honra do Criador”, prossegue Sorondo.

“O aumento alarmante do comércio de seres humanos é um dos graves problemas econômicos, sociais e políticos associados ao processo da globalização. E é uma séria ameaça para a segurança das nações e uma questão inadiável de justiça internacional”.

Diante do pessimismo e da resignação que levou muitas instituições internacionais a virarem as costas para essa tragédia, o prelado reforça que é importante seguir diretamente o desejo do papa.

Entre os anos de 2002 e 2010, a Organização Internacional do Trabalho estima que, globalmente, houve quase 21 milhões de vítimas do trabalho forçado, incluindo as vítimas do comércio de pessoas como mão de obra e para fins de exploração sexual.

São dados estarrecedores, que “representam só a ponta do iceberg, porque os criminosos em geral fazem de tudo para que as suas atividades não sejam descobertas”, observa o chanceler.

Daqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Junt@s por uma Europa livre da prostituição!

Grupo de Mulheres lança hoje um vídeo da campanha para acabar com a prostituição. (Ver aqui.)

Vídeo aqui.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

Textos Rádio Costa D'Oiro de 17 a 30 de Maio


Dia 17/05 –
No passado dia 14 de Maio, a Plataforma Algarve pela Vida, com o apoio de várias entidades, promoveu um encontro de promoção da solidariedade social e angariação de voluntários com cerca de 10 instituições do concelho de Portimão.
A resposta dos portimonenes, em ternos de angariação de voluntariado foi pouco significativa, em contraste com as ofertas de bens alimentares, roupas e brinquedos, que foi bastante generosa, tendo, no final, os vários haveres sido distribuídos entre as associações presentes.
Em simultâneo, esta foi também uma excelente oportunidade para as várias associações inter-agirem entre si, trocando experiências, identificando necessidades e apontando sinergias com vista a uma cooperação que permita actuar em favor da pessoa carenciada.


Dia 18/05 –
A recente situação ocorrida com o presidente do FMI leva-nos a questionar algumas supostas verdades feitas que nos querem impingir sobre a eficácia da educação sexual.
Deve a educação sexual ser iminentemente informativa ou deverá, além disso, educar para a moderação do impulso sexual ?
No caso do presidente do FMI; a confirmarem-se os factos que lhe são imputados, resulta que, pelo seu elevado nível intelectual e cultural, certamente saberia como colocar um preservativo ou quais os métodos de planeamento familiar e como funcionam.
Mas não é o facto de ter essa informação que faz com que alguém ipso facto, consiga racionalizar os seus impulsos sexuais. Falta educar a vontade e isto só se consegue, através do diálogo, em família; da prática de desporto, do contacto com a natureza e a criação de hábitos de auto-disciplina.


Dia 19/05 –
O que é a teoria da anomia?
Este termo foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro “O Suicídio”
A anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno.
A partir do surgimento do Capitalismo como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa.
A Modernidade, com os seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores valores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se "estar à deriva,"
Por sua vez, Robert Merton, em 1949 no seu livro “Estrutura Social e Anomia”
associa a anomia à prática de certos crimes e comportamentos anti-sociais (alcoolismo e toxicodependência).


Dia 20/ 05 –-
A Associação VIVAHÁVIDA promove a 2ª Edição do Prémio VIVAHÁVIDA com o seguinte slogan:
Missão: Salva o bebé!
Pretende-se premiar o conteúdo (em filme, audiovisual, texto, ou simplesmente gráfico) que contribua para:
- ajudar uma mulher com dúvidas a levar a gravidez até ao fim;
- estimular uma atitude de respeito e amor perante cada nova vida humana;
- uma perspectiva responsável da sexualidade humana.

São destinatários todos os jovens com idade compreendida entre os 14 e os 25 anos inclusive.
A data limite para a entrega dos trabalhos é o próximo dia 15 de Setembro de 2011. e o prémio tem um valor de 1.500 Euros.
Para mais informações pode consultar o site http://www.vivahavida.pt/

Dia 23/ 05 –-

A prostituição não pode ser separada da questão da dignidade das mulheres. A legalização da prostituição significa que o governo e a sociedade em geral estão dispostos a aceitar a desumanização e a coisificação das mulheres.
Senão vejamos;

- Muitas mulheres estão na prostituição para sustentar a sua toxicodependência ou obterr dinheiro para outras necessidades desesperadas.

- A prostituição aumenta notavelmente os riscos graves para a saúde das mulheres, particularmente sida, herpes e hepatite C.

- A prostituição está associada à violência, escravidão e ao tráfico sexual sobre essas mulheres.

- A prostituição prejudica as relações heterossexuais e as famílias. A esposa ou namorada de um homem que utiliza serviços sexuais é notavelmente afetada. Se o homem guarda em segredo o uso desses serviços, quebra os fundamentos da confiança e da honestidade na sua relação. Se os usa abertamente, pode levar à ruptura da sua relação.

- Por fim, a indústria da prostituição prejudica o ideal das relações igualitárias entre homens e mulheres


Dia 24/05
Em 1998, a Suécia aprovou uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de serviços sexuais. As mulheres e crianças vítimas da prostituição não correm o risco de sanções legais, mas a compra desses serviços passou a ser um delito penal.


De acordo com um estudo oficial que, em 2 de julho de 2010, avaliou a legislação sueca desde o seu início em 1999 até 2008, a prostituição de rua caiu pela metade após a adoção da nova lei.

Segundo o documento, esta experiência mostrou que a penalização da compra de sexo foi um instrumento importante tanto na luta contra a prostituição como contra o tráfico de pessoas para fins sexuais e teve um eficaz de dissuasão para quem compra sexo, evitando os efeitos negativos associados a esta prática.


Dia 25/05 –
A família no futuro e, em particular, agora nestes tempos de crise económica, devem actuar de forma a promover promver 3 objectivos:
Em primeiro lugar, as famílias devem ser uma fonte de vida, contribuindo para combater o grave problema demográfico de envelhecimento da população e reforçar a sustentablidade da economia e das empresas.
Em segundo lugar, as famílias têm que ser o garante da solidariedade intergeracional já que o Estado não terá capacidade para suportar todas as situações de pobreza, desemprego, reforma e solidão.
Em terceiro lugar, as famílias, deverão assumir a responsabilidade de serem uma escola de competências e valores.
É urgente trazer este tema para o debate nacional e para as preocupações dos líderes empresariais portugueses, porque o nosso futuro será o que começarmos hoje a construir
Este texto é da autoria do Dr Pedro Rocha e Mello, administrador do grupo Mello

Dia 26/05 –
Na sequência de uma pergunta que nos colocaram diretamente, através do nosso e-mail algarve.vida@gmail.com sobre como adquirir o dístico de deficiente para efeitos de direito a estacionar em parques públicos, informamos que a resposta encontra-se no site do IMTT é a seguinte:

O cartão de estacionamento para pessoas com deficiência, só pode ser atribuído a quem seja portador de deficiência motora, ao nível dos membros superiores ou inferiores, de carácter permanente e de grau igual ou superior a 60%, validada por atestado médico de incapacidade multiuso.
Para obter o cartão, deve dirigir-se aos Serviços do IMTT da área da residência e entregar os documentos necessários.
Em breve, estará disponível o pedido de Cartão de Estacionamento por meio electrónico.
O cartão é válido por 10 anos e deve ser colocado sobre o pára-brisas dianteiro do veículo.

Dia 27/05 –-
Nó sindroma pós-aborto podem ser identificadas 3 fases diferentes:

1) Tristeza.
2) Reviver continuamente o momento traumatizante do aborto de um modo muito profundo indo aos pormenores de recordar a roupa da enfermeira, a cor da da salaou tão simplesmente o pensar “como é que seria o bébé agora”, se tivesse nascido.

3) Por fim, a depressão profunda, com ansiedade e insónias, perda da líbido e em casos mais graves o equacionar do suícidio como forma de acabar com a dor.

Como diz o Profesosr Willke: "é máis fácil tirar a criança do útero do que à sua mãe tirá-lo do seu pensamento”


Dia 30/05 –
A associação “Elos de Espera” tem a sua sede no Hospital do Barlavento e funciona em estreita sintonia com o serviço social deste hospital; actua em regime de voluntariado a favor de todos os utentes internados e em consulta e tem como objectivos:
Acompanhar o doente e seus familiares, contribuir para a humanização dos serviços hospitalares, proporcionar ao utente o apoio emocional e minimizar o seu sofrimento e o dos seus familiares.
A associação está situada no Piso 0, no serviços social e funciona de 2ª a domingo, das 9 às 19 horas.
Para ser voluntário basta ter mais de 18 anos, vontade e motivação para ajudar o próximo
Os contactos telefónicos são 282 450 316 e a responsável é a dra Gina Bento.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Legalizar a prostituição?

A prostituição legalizada tem sido um assunto frequente nos últimos anos. Os defensores da ideia dizem que é melhor regulamentá-la para evitar os abusos e torná-la mais segura, focando na minimização de riscos.


Por outro lado, estudos recentes na região de Camberra, capital da Austrália, indicam que a legalização está longe de ser a solução perfeita. A prostituição foi legalizada no Território da Capital Australiana (TCA) em 1992, mas, em 2008, a morte por overdose de uma prostituta de 17 anos, Janine Cameron, suscitou grande polêmica.


A assembleia legislativa do território promoveu um estudo que resultou em 50 documentos escritos e uma série de audiências públicas agora em curso.


"Não dá para ter relações sexuais com 10 ou 15 homens diferentes por dia sem se afetar, sem abalar a própria valorização, a valorização do sexo e o próprio jeito de construir uma intimidade com outro ser humano", afirmou Julie, pseudônimo de uma das entrevistadas.


Julie começou a trabalhar em um bordel aos 17 anos (ABC News, 8 de abril). Saiu depois de 18 meses, mas conta que não foi fácil mudar de vida e se livrar de uma indústria em que existe muito crime e corrupção. "Foi muito difícil conseguir ter uma relação íntima normal depois".


Violação da dignidade humana


Em documento apresentado após o estudo, a arquidiocese católica de Camberra explica que a Igreja considera a prostituição como uma violação da dignidade humana. As prostitutas prejudicam a sua dignidade porque se reduzem a instrumentos do prazer sexual, enquanto quem paga pelos seus serviços comete uma grave ofensa.


O documento aponta uma série de argumentos sobre o dano causado pela prostituição.


- As prostitutas são alvos fáceis de crimes violentos e correm risco permanente de agressão.

- Muitas mulheres estão na prostituição para sustentar seu vício em drogas ou levantar dinheiro para outras necessidades desesperadas.

- Práticas sexuais sadomasoquistas, que incluem a violência contras as mulheres, são especialmente degradantes para elas.

- A prostituição aumenta notavelmente os riscos graves para a saúde das mulheres, particularmente os de DSTs como aids, herpes e hepatite C.

- A prostituição é ligada à escravidão e ao tráfico sexual de mulheres.

- Quando se legaliza ou se descriminaliza a prostituição, cria-se uma cultura da prostituição, que tem efeitos prejudiciais não só na vida das mulheres que se prostituem, mas na de todas as mulheres que vivem nessa cultura.

- A prostituição prejudica as relações heterossexuais e as famílias. A esposa ou namorada de um homem que utiliza serviços sexuais é notavelmente afetada. Se o homem guarda em segredo o uso desses serviços, quebra os fundamentos da confiança e da honestidade na sua relação. Se os usa abertamente, pode levar à ruptura da sua relação.

- A indústria da prostituição prejudica o ideal das relações igualitárias entre homens e mulheres e tem impacto negativo na família e na sociedade em geral.

- A prostituição não pode ser separada da questão da dignidade das mulheres. A legalização da prostituição significa que o governo e a sociedade em geral estão dispostos a aceitar a desumanização e a coisificação das mulheres.


O caso da Suécia


Uma das recomendações do documento da Igreja católica apresentado à comissão é a adoção do modelo sueco. Em 1998, a Suécia aprovou uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de serviços sexuais. As mulheres e crianças vítimas da prostituição não correm o risco de sanções legais, mas a compra desses serviços é um delito penal.


Esta proposta recebeu o respaldo de um informe oficial, publicado em 2 de julho de 2010, avaliando a legislação sueca desde o seu início em 1999 até 2008.


O relatório revelou que as mudanças atingiram o efeito desejado e mostrou que a penalização da compra de sexo foi um instrumento importante tanto na luta contra a prostituição quanto contra o tráfico de pessoas para fins sexuais.


Segundo o documento, a prostituição de rua na Suécia caiu pela metade após a adoção da nova lei. Antes dessa legislação, a prostituição de rua era mais ou menos igual nas capitais da Noruega, Dinamarca e Suécia. Depois de 1999, porém, a prostituição de rua na Noruega e na Dinamarca aumentou de forma dramática. Em 2008, o número de pessoas que se prostituíam nas ruas norueguesas e dinamarquesas era o triplo do caso sueco.


"Considerando as grandes semelhanças que existem entre esses três países, econômica e socialmente, é razoável assumir que a redução da prostituição de rua na Suécia é resultado direto da penalização", conclui o informe.


É importante observar que a prostituição não mudou de local em decorrência das mudanças na Suécia: ela de fato diminuiu. O relatório aponta que a prostituição resultante de contatos na internet é mais frequente nos países vizinhos. A proibição da prostituição de rua na Suécia, portanto, não a transferiu para a internet.


Por outro lado, o relatório assinala que não há sinais de que a prostituição em salas de massagem, clubes de sexo e em restaurantes e discotecas tenha aumentado nos últimos anos. Não há provas que sugiram que as prostitutas exploradas antes nas ruas agora estejam envolvidas em prostituição em locais fechados.


O relatório diz também que, segundo a Polícia Criminal do país, a proibição contra a compra de serviços sexuais atua como um desmotivador para os traficantes de pessoas e os aliciadores que se estabelecem na Suécia.


A informação da experiência sueca reforça também o que muitos tinham dito tanto neste tema como em outros debates sobre a legalização de práticas polêmicas. Deixa claro que proibir a compra de serviços sexuais teve um efeito normativo e que, após a legalização, houve uma mudança relevante na atitude do público com a compra de serviços sexuais. Significou um elemento eficaz de dissuasão para quem compra sexo.


Opressão


Outro documento submetido à investigação de Canberra vinha do ‘Collective Shout’, que se descreve como “um movimento com campanhas nas ruas preocupado com a coisificação das mulheres e a sexualização das jovens na mídia, publicidade e cultura popular”.


Eles observam que, em nome da minimização dos danos, foram legalizados na década de 90 alguns setores da indústria sexual na Austrália e em países como Holanda e Alemanha.


Não se alcançou, no entanto, o efeito desejado, e o documento apresentado à Comissão afirma que há evidências claras, tanto de estudos acadêmicos como dos governos, de que a postura de minimização dos danos é em si mesma errônea, ao tentar regular a indústria sexual.


Um exemplo claro disso está na relação com o uso de menores na indústria da prostituição. Victoria foi o primeiro Estado australiano a legalizar a prostituição.


Um estudo, que examina a informação de 471 organizações governamentais e não governamentais que trabalha com crianças na Austrália mostra que mais de 3.100 crianças australianas entre 12 e 18 anos tinham tido relações sexuais em troca de dinheiro para sobreviver. Victoria tinha a cifra mais alta da nação, com 1.200.


Outro ponto apresentado foi que muitas mulheres prostituídas tinham sofrido abusos sexuais na infância, abusos físicos, violência doméstica e uso de drogas.


“O modelo de minimização dos danos – ou legalização da prostituição – permite, em essência, a exploração das pessoas mais vulneráveis da sociedade”, afirma ‘Collective Shout’. "É o momento de reconhecer que a ‘profissão mais antiga do mundo’ é atualmente a ‘opressão mais antiga do mundo’”.


domingo, 18 de outubro de 2009

Dia Europeu contra Tráfico de Seres Humanos

Ler notícias sobre o tráfico de seres humanos aqui.