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sábado, 7 de maio de 2016

Morrer é mais difícil do que parece

«Tenho um cancro de grau IV. De cada vez que abro o teclado do computador na intenção de escrever, ocorre-me a frase, já mil vezes repetida, “Quando estiverem a ler estas linhas, é provável que o autor já não esteja vivo”.
(....)
Quando voltámos para casa, não houve uma lágrima, um gesto de desespero, um queixume. Falámos muito pouco. As estradas por onde passávamos tantas vezes pareciam agora ter uma realidade inverosímil, como se fossem pinturas de paisagem antiga. Fazia calor e a luz era branca.
(.....)
As semanas correram e fomos passear a Toledo, a Burgos, a Viseu. Participei em conferências, orientei alunos, fiz todos os dias companhia à minha mulher e aos nossos seis cães, andei com a minha neta aos saltos sobre os charcos de água da chuva.
(...)
A vida é muito menos cheia de prosápia do que a morte. É uma espécie de maré pacífica, um grande e largo rio. Na vida é sempre manhã e está um tempo esplêndido.
Ao contrário da morte, o amor, que é o outro nome da vida, não me deixa morrer às primeiras: obriga-me a pensar nas pessoas, nos animais e nas plantas de quem gosto e que vou abandonar. Quando a vida manda mais em mim do que a morte, amo os que me amam, e cresce de repente no meu coração a maré da vida. Cada lágrima que me escorre por vezes pela cara ao adormecer, cada aperto de angústia na garganta que sinto quando acordo de manhã e me lembro de que tenho cancro, cada assomo de tristeza que me obriga a sentar-me por vezes à beira do caminho quando vou passear com os cães e interrompe a oração ou a conversa com o céu que me embalava o espírito, cada um destes sinais provém do falhanço momentâneo do amor dos outros em amparar-me, e sobretudo do meu em permitir-lhes que me acompanhem.
Quando, pelo contrário, decorre um dia em que consigo escrever e gosto daquilo que escrevo, em que me curvo sobre os canteiros para cortar ervas daninhas, em que admiro amorosamente a energia da Patrícia sentada ao computador ou a trazer lenha para casa, quando isto sucede, o meu tempo já não é o Tempo Comum mas antes um longo domingo de Páscoa: sinto a presença amorosa de todos os que precisam de mim e d’Aquele de quem eu preciso.
(...)
As duas perdas de sangue fizeram pender a balança para o lado da minha morte interior: regressei à melancolia com que me sentava à sua cabeceira conversando com ela nas duríssimas semanas do Verão de 2012 que se seguiram ao veredicto do cancro. Como é que vou morrer? Exactamente como?, perguntava-lhe.
Não me referia à chamada morte natural, que nunca me tinha ocorrido desde o primeiro dia da doença. Falava da morte infligida por mim próprio.
Entretanto, porém, o cristianismo, que estava quase esquecido desde o meu baptismo, irrompeu pela minha vida através da palavra de um Padre que é outra peça-chave do puzzle, mas desta vez, e ao invés do psicanalista, do puzzle do meu encontro feliz com a morte.
O suicídio é uma ofensa frontal à vontade de Deus que quer que a morte de cada cristão seja a sua disponibilidade para de se entregar à Cruz no momento em que Cristo quiser e da maneira que Ele decidir. Mas eu e a Patrícia tínhamos jurado que eu morrerei aqui, em minha casa, e que nada me fará embarcar no carnaval de luzes da ambulância para ir morrer a um hospital. Esse juramento mantém-se.
(...)
Experimentei por vezes os movimentos da dramatização da minha morte, uma espécie de novela sem invenção e sem vida cujo maior óbice era o de saber se, na altura definitiva, teria a certeza absoluta de não haver outra solução. Conseguiria deitar fora como se fossem trocos sem valor os restos de vida que continuam a cintilar dentro de mim? E se me enganasse? Se não fossem meros desperdícios? Se valessem mais do que a escuridão silenciosa do túmulo onde vou apodrecer?

Aquando da segunda hemorragia, cheguei-me muito próximo de encontrar uma resposta sem alternativa a estas questões. Depois de fechar os cães e de me despedir brevemente da Patrícia, sufocada de pavor e lágrimas, ajoelhada no chão sem conseguir olhar para mim, saí de casa transportando a arma e uma cadeira de plástico onde me sentar com a coronha da arma apoiada no solo. Quase não tinha forças e tremiam-me as pernas. A minha camisa estava empapada em sangue e, tendo passado a mão pela cara e os óculos, vi as árvores, os arbustos, a casa das ferramentas e do tractor, a encosta, a vinha, através de um nevoeiro vermelho.
A decisão com que, apesar da fraqueza física, andei sem hesitar algumas dezenas de passos, surpreendeu-me a mim mesmo. Pronto, ia morrer. Aspirei o cheiro intenso, quase ridente, de uma hortelã-pimenta que nascera ao pé do pinheiro grande sem que, até então, alguém tivesse dado por ela. Coloquei a cadeira junto a uns troncos cortados, sentei-me e, já com os canos da arma na boca, o dedo aflorou o gatilho. Senti o metal como uma coisa sem qualidade, cálida, mortiça, dócil. Tudo me pareceu vagamente ridículo, o meu gesto, os objectos de que me rodeara.
Veio até mim mais uma vez o cheiro da hortelã.
Ergui os olhos que tinha fixados na guarda do gatilho e vi um pinhal que o sol, através de uma abertura nas nuvens, isolava, dourado, do verde-escuro da encosta.
Ocorreu-me de repente uma vaga de alegria inexplicável, como se fosse um sinal da presença de Deus à semelhança daqueles que os textos sagrados referem por vezes.
Cheguei à mais simples conclusão do mundo: estava vivo e, enquanto assim estivesse, não estava morto.
Fiquei verdadeiramente contente, a vida a fervilhar em todas as veias, mesmo as estragadas. Pousei a arma no chão e regressei a casa. Não olhei para trás, para a cadeira branca e a arma, que ficaram ali completamente indiferentes à minha sorte. Ao abrir a porta, a Patrícia, sem conseguir dominar a torrente de lágrimas que lhe corria pelo rosto, caiu-me nos braços. Ficámos muito tempo agarrados um ao outro, quase imóveis, como se fôssemos o tronco de uma grande árvore.
Não há muito mais a contar. A saúde vai piorando pé ante pé.
Deixei para trás a ideia de suicídio por uma razão muito simples que levou demasiado tempo a descobrir. Ei-la nas palavras que Mateus atribui a Cristo (Mt 10, 39), palavras que iluminaram como um relâmpago – e finalmente resolveram no meu coração – a maneira hesitante como lidei com o sofrimento nestes mais de mil dias:
“Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la”.

S. Domingos, Podentes, 10 de Abril de 2015

Paulo Varela Gomes,

 

sábado, 12 de setembro de 2015

Ginecologista apoia grávidas em dificuldade

Criado em 02-09-2015
Élia Santiago é médica especialista graduada do Serviço de Obstetrícia Ginecologia no Hospital de Santo André, em Leiria. Comprometida com a defesa da Vida nas suas várias vertentes,a problemática das gravidez não desejadas e as suas implicações na saúde global da mulher e da família levou-a a participar ativamente nas campanhas dos referendos sobre a legalização do aborto a pedido da mulher, em 1998 e 2007, a favor do NÃO.
Ao Presente Leiria-Fátima, Élia Santiago falou da realidade das mulheres que recorrem à IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) e da necessidade de concretizar estratégias para que “cada vez menos senhoras tenham de passar pelo desgosto de fazer uma IVG, em consequência de não terem recursos económicos para assumirem os seus filhos”. Objetora de consciência desde 1986, esta especialista fala da necessidade de um ” maior apoio e acolhimento social e económico por parte de todos os setores da sociedade à gravidez, às senhoras e às suas famílias a quem a IVG se apresenta como única solução”.

 Entrevista a Élia Santiago, ginecologisca obstetra

2015-09-02 Elia Santiago
Sempre foi uma pessoa envolvida com a questão do aborto.
Desde sempre quis ser médica porque sempre achei que o Ser Humano era uma obra maravilhosa. Quando conheci melhor a medicina e o Ser Humano nas suas vertentes psíquica e afetiva, achei que o meu lugar era mesmo na ginecologia obstetrícia, porque julgo que percebo as mulheres e o que é ser mãe.
No começo da minha vida profissional a mortalidade infantil era muito alta (anos 80) . Muitas senhoras chegavam à maternidade com os fetos mortos in utero. Percebi que a vida era realmente um mistério e que nós não tínhamos resposta para muitas patologias, e continuamos a não ter. E quanto mais evolui o conhecimento científico,, mais nos apercebemos da transcendência que envolve o nascer,o ter vida saudável e ou morrer. Para nós, médicos, a morte é uma realidade difícil. Certificar um óbito é pior que fazer uma cirurgia de várias horas, porque é o reconhecimento da nossa impotência e da nossa ignorância.
Esta defesa intransigente da vida resulta disso mesmo: quem dá a vida é que tem o poder de a tirar. O mundo científico não domina ainda todos os fenómenos que estão na origem de nascer um bebé saudável, vivo e vivedouro: Cada vez mais me fui maravilhando porque a vida tem um valor inestimável a todos os níveis.
Esteve envolvida, de forma concreta, na sensibilização da população a favor do NÃO, nos dois referendos ao aborto.
Nós, a Associação de Apoio e Defesa da Vida (ADAV), fizemos sessões de esclarecimento e debates, onde tentámos explicar à população que o direito que a mulher tem sobre o seu corpo é uma realidade que não inclui o direito sobre quem não se pode expressar, o embrião: a outra pessoa da gravidez. O grande problema foi sempre perceber porque é que as senhoras tinham ou teriam necessidade de interromper as suas gravidezes ,contrapondo ao paradigma de quem defenda a IVG como meio de liberdade da mulher e até como método contracetivo, uma vez que nestas campanhas não havia preocupação com a acessibilidade concreta e real ao planeamento familiar.
A atual lei que despenaliza a IVG até às 12 semanas não veio resolver o problema das mulheres que têm problemas quando engravidam, veio modificá-lo. A legislação vigente não respeita a mulher, porque não permite que as senhoras tenham aquilo que precisam: condições, abonos e garantias que lhes deem uma verdadeira opção,sobre a aceitação ou não das suas gravidezes.
Porquê a decisão de ser objetora de consciência?
Porque sou médica para tratar da vida e não é para a tirar ou para fazer qualquer procedimento que impeça que as pessoas vivam. Para mim, a vida é sublime e danificá-la nunca estará na minha mão. Ser objetora de consciência é o reconhecimento do valor incalculável da vida humana,da humildade a que a ciência nos obriga e, ao mesmo tempo, ser una com a natureza.
Na forma como vivencia a sua profissão e no modo como a desempenha, também intervém a sua perspetiva de crente?
Sim. Por exemplo, hoje em dia, já tenho 50 anos e mantenho-me a fazer urgências porque é um trabalho que reconheço que precisa de ser feito. A urgência é um lugar onde estamos a atender quem precisa, num espírito de apoiar e colaborar nesta dinâmica da vida. A maneira como observamos os utentes faz toda a diferença: se somos apenas um técnico, que observa, ou se somos uma pessoa que escolhe também dar um sorriso enquanto observa. Há uma mistura de atitudes técnica e humana e isso faz toda a diferença.
Nesse trabalho que desenvolve nas urgências, concretamente no Hospital de Santo André (HSA), tem uma noção próxima da realidade da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Como caracteriza a mulher que recorre à IVG?
Eu pedia-lhe que lhe chamasse senhoras... Porque elas são mesmo umas senhoras, em todos os aspetos, porque a maior parte delas tem tudo o que nós gostaríamos de ter, menos recursos económicos. Estas senhoras encontram-se grávidas, muitas vezes porque se esqueceram de tomar a pílula ou porque tomaram um medicamento que cortou o seu efeito ou por um sem número de razões… Depois, a sua conjuntura económica, social e familiar não lhes permite ter um outro filho. Então, vão à urgência para verem se estão realmente grávidas e datarem a gravidez. Depois, dizem-nos frequentemente amarguradas: “não posso deixar nascer este bebé”. Marcam a consulta para fazer a IVG, que funciona no espaço físico ao lado. É claro que nós observamo-las, datamos a gravidez com a ecografia… Muitas vezes, as senhoras não querem ver o embrião na ecografia e saem sempre tristes com a perspetiva de que estão mesmo grávidas e que a sua decisão será a de abortar.
Quais são as principais razões apontadas por quem recorre à IVG?
Muitas senhoras dizem que não podem ter o bebé, porque não têm recursos.
Dizem que no seu trabalho não lhes será permitido avançar com a gravidez porque são despedidas, e/ ou que não têm condições para pagar um terceiro bebé no infantário… Se lhes damos espaço, contam-nos os seus porquês. Estas senhoras têm sempre uma vida familiar preenchidíssima, como qualquer mãe de família, mas com poucos recursos. Para elas, uma nova gravidez mostra-se mesmo impossível. Estas senhoras não optam como se fosse uma escolha livre. Na vida e na cabeça delas não há recursos para mais um bebé. Elas não dizem “escolho abortar, mas “não posso ter este filho”.
São famílias que, à partida, não teriam dificuldades, porque tinham uma vida mais ou menos orientada, mas que a conjuntura lhes tirou meios. Ao mesmo tempo, a dificuldade que tiveram em recorrer a um planeamento familiar eficaz, atempadamente, também resulta, muitas vezes, de falta de formação adequada. Referem que se atrasam a ir buscar as pílulas à farmácia, pois nem todos os centros de saúde têm pílulas para entregar, - o direito ao planeamento familiar gratuito consignado na Constituição, lembro -, não dispõem de tempo para as suas consultas porque nem sempre são dispensadas dos seus locais de trabalho e,outras pensam que a sua fertilidade diminui por se estarem a aproximar dos 40 anos.
E no caso das jovens, quais são as razões invocadas?
Algumas das raparigas mais jovens, mesmo aquelas que têm uma escolaridade adequada à sua idade estão convencidas de que o preservativo faz contraceção eficaz e/ou que tomar a pílula engorda. Há uma subinformação e muita informação incompleta e errada,verificamos também a existência de mitos . A dificuldade de acesso às consultas de planeamento familiar faz com que, muitas vezes, os métodos de contraceção que utilizam não sejam adequados a cada estilo de vida, biótipo e idade.
Como decorre o processo da IVG?
Estando confirmada a gravidez e a idade gestacional dentro do prazo legal, a senhora vai marcar a sua consulta de saúde reprodutiva, onde é observada por dois médicos: um determina a idade gestacional outro faz a consulta e prescreve a medicação que faz a interrupção da vida do embrião, seguido de um medicamento para fazer o esvaziamento uterino.
Perante a realidade de que fala, reconhece algum tipo de estratégia que possa reduzir o número de IVGs?
O que me preocupa não é reduzir o número de IVGs. Aquilo que gostaria é que as famílias e as senhoras que se vêm obrigadas a fazer a IVG, porque não têm recursos para deixar nascer os seus bebés, tivessem o apoio que a sociedade lhes deve. As senhoras que vão interromper a gravidez porque simplesmente não querem ter mais um filho é um paradigma que não tem a ver com a realidade de muitas senhoras que fazem a IVG por falta de recursos económicos e porque não conhecem ninguém que as apoie: a arranjar lugar numa cresce e a protegê-las juridicamente do despedimento ou da não renovação do contrato de trabalho que as espera se prosseguirem com a gravidez.
As senhoras que estão grávidas e não querem abortar, e que não têm recursos para prosseguir com a gravidez e educar os seus filhos, sendo que o único apoio que a sociedade civil lhes dá é um número de telefone para marcar a consulta de Interrupção de Gravidez.
O que acha que pode ser feito?
Pergunto se nós, como Igreja, não podemos oferecer um apoio real a estas senhoras que vão abortar porque não têm meios, usando os recursos que já temos no terreno, em cada paróquia, creches e infantários.
O que está aqui em causa é apoiar as famílias que não têm opção de escolha relativamente a ter ou não outro filho devido aos parcos recursos que têm. Podemos apresentar-lhes a possibilidade, para elas verificarem se, com a possibilidade de terem creche, infantário e/ou apoio jurídico ao seu alcance,poderiam ter esse filho.
Estas famílias e estas senhoras poderiam assim ter opção de escolha,e não como até agora serem empurradas para a decisão que não quereriam tomar – a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Temos de proteger as grávidas. Gravidez não é doença, mas precisa de proteção.
Por outro lado, gostava que pudéssemos fazer uma formação relativamente à nossa juventude e que os agentes pastorais (Clero, colégios católicos, catequistas, professores de Educação Moral e Religiosa,…) tomassem o seu papel de veiculadores de informação concreta e realista. Não é vergonha nenhuma admitir que precisamos de formação em áreas técnicas.
Qual é o estado de espirito de quem recorre a uma IVG?
É um desgosto e um sofrimento difícil de ultrapassar para as senhoras e para as famílias. Elas não recorrem a nenhum destes procedimentos de ânimo leve, mas porque sentem que não têm outra alternativa. Não se trata de uma escolha livre e despreocupada.
Entre 2010 e 2014, registou-se um decréscimo em cerca de 20% do número de IVG no HSA. Como interpreta esta diminuição?
Não sei se realmente se trata de um verdadeiro decréscimo. A crise fez com que as senhoras tivessem mais cuidado com a sua contraceção,o que foi acompanhado pela diminuição do número de partos até 2014. Nós verificamos também que as senhoras, muitas vezes, preferem fazer a IVG fora dos locais onde residem recorrendo ao nosso Serviço se há algum problema.
O aborto clandestino continua a existir?
Eu não consigo chamar aborto clandestino, mas trata-se de aborto acima das 12 semanas e as clínicas que o fazem, fazem-no descaradamente, levam o dinheiro que querem e são isentas de impostos. Basta ir à internet.
E a cada cristão, que papel lhes cabe nesta conjuntura?
O principal papel é o do acolhimento. Temos que acolher as pessoas. Este acolher é muito mais do que dar um pacote de fraldas, deve ser um acolhimento real. Devemos acolher a grávida com a sua gravidez e as limitações que esta lhe acarreta.Muito frequentemente as grávidas se queixam que no ambiente que as envolve não há colaboração para a sua situação.
Não acolhemos quando fazemos comentários como : “coitada, vai ter o terceiro filho” ou “coitada, grávida aos 40 anos vai ser um neto, não um filho, coitado”. Isto não é acolher. Muitas vezes, colocamos a nossa grelha de valores em cima das pessoas como se tivéssemos algum direito de o fazer. Esta falta de acolhimento faz com que as senhoras tenham vergonha de estar grávidas com uma certa idade e que não peçam colaboração porque sabem, à partida, que não vão ser acolhidas, mas julgadas.
Diogo Carvalho Alves | Presente Leiria-Fátima

terça-feira, 25 de agosto de 2015

MÃE COM CANCRO TERMINAL QUER DEIXAR UMA VIDA EM CARTAS À FILHA

As cartas e vídeos são temáticos: uma carta de parabéns pelo primeiro amor, uma de coragem para enfrentar um coração partido, conselhos para o casamento, para o primeiro filho e até dicas na hora de tomar a primeira cerveja.
Heather McManamy, com 35 anos, já tem cartões para todos os pequenos e grandes momentos da vida da filha, Brianna.
Esta mãe do Wisconsin descobriu em 2013 que tinha um cancro da mama em estado avançado. Desde então, a doença ganhou força e Heather McManamy, considerada doente em fase terminal, quer ter a certeza que vai estar presente na vida da filha.
Nos últimos dois anos, o tumor espalhou-se para o fígado e ossos.

Cartas
créditos: Facebook

Com o apoio do marido, Jeff McManamy, a mãe começou a planear tudo para quando não puder estar perto da filha, atualmente com cinco anos.
A caixa cheia de memórias que está a preparar são uma espécie de terapia, conta. "Escrevi-os como se ainda estivesse cá. É reconfortante. Sinto que tenho alguma forma de controlo sobre uma situação que ninguém pode controlar, que ainda posso estar com ela quando morrer", explicou Heather McManamy à CNN.
"A maioria das pessoas morre de um dia para o outro. Recebi a dádiva de ter tempo para me preparar, para fazer o que puder para tornar isso mais fácil para a minha família", comenta.
Fonte: Daqui

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Chiara Corbella Petrillo



Chiara Corbella Petrillo morreu com 28 anos, em Junho de 2012, vítima de cancro, por ter posto a vida da criança que trazia no ventre à frente da sua. Esta história comoveu centenas de milhares de pessoas em Itália, que quiseram saber mais sobre esta jovem mãe, testemunha de uma profunda confiança em Deus e, sobretudo, do poder do amor materno.

Antes do nascimento do seu terceiro filho, Francesco, em maio de 2011, já Chiara e o seu marido Enrico tinham acompanhado no seu nascimento para o Céu os seus dois primeiros filhos, Maria Grazia Letizia, nascida em 2009 e Davide Giovanni, em 2010. Ambos sofriam de deficiências graves que lhes provocaram a morte poucos minutos depois do parto. Nos dois casos, Chiara e Enrico decidiram levar até ao fim a gravidez, dando aquilo que Chiara chamava “os pequenos passos possíveis” que Deus ia pedindo a este jovem casal.

Um testemunho de fé e de vida que manifesta o que há de mais sagrado e forte no casamento e na maternidade, a entrega da própria vida por amor. Porque “o importante na vida não é fazer grandes coisas, mas nascer e deixar-se amar”.

«Misteriosamente Chiara nasceu no meu coração muito depois de ter morrido e sinto que ficará viva para sempre. A sua alegria, a sua entrega, a sua liberdade interior, a sua fé e o seu grande amor pela família e pela vida, são agora também pilares da minha fortaleza interior», escreve a jornalista Laurinda Alves, responsável pela apresentação do livro em Lisboa, às 21h00, no auditório do Colégio S. João de Brito.
Por seu lado, Carmo e Bento Amaral, que farão o lançamento do volume no auditório da paróquia de Cedofeita, no Porto, às 16h30, sublinham: «A história deste casal ensina-nos que a Vida está cheia de pequenos momentos de felicidade, mesmo nas alturas de maior sofrimento. Ensina-nos que o sofrimento não é a inexistência de felicidade, mas pode ser o lugar onde se descobre a verdadeira felicidade».
 
Prefácio à edição portuguesa
Luísa Viterbo, médica oncologista
In "Nascemos e jamais morreremos"

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

Testemunho sobre vício da pornografia

The Swine in Church
By David Outten, Production Editor
A popular expression is to say there’s an elephant in the room. The implication is that there’s a huge problem right under everyone’s nose that no one wants to address.
The church faces just such a problem. Surveys show that almost 50 percent of men in church have a problem with pornography. All too often the pastor is one of them.
I was one of them. I came to accept Jesus Christ as my Lord, in large part because I was drawn to pornography, even though I knew in my heart it was wrong. I wanted help. I was in a battle that I wanted to win, but kept losing. At risk was my marriage. At the time I had a son. I dreaded a life of child support and visitation. I knew my desires were getting uglier. They were going in directions I felt no control over.
When I accepted Jesus, I would love to say the problem ended. That would be a lie. I did make progress. Over a period of time my failures diminished. Today, I can work in a room alone on a computer with a 27 inch monitor and never go to a pornographic website. I’ve been married 40 years, have two children and three grandchildren. I thank God every day for my freedom, for my marriage and for my family.
Two recent news events have brought me to write this article. Elliot Rodger, a young man obsessed by the idea girls should have wanted to have sex with him, killed six people in Santa Barbara. His mind was warped by pornography. The other involved a young woman who died while a boy took pictures of her naked, hanging in a noose.
These tragedies make me sick. My heart goes out to the victims, their families, and to the perpetrators and their families. While I never came anywhere near such depravity, I battled the swine that would gladly have taken me there.
One of the Scripture verses that helped tremendously in the renewal of my mind was Proverbs 11:22. As I used to quote it to myself, it went like this:  “A beautiful woman lacking in modesty and discretion is as a gold ring in a swine’s snout.” You can’t walk through a mall without seeing posters of women lacking in modesty and discretion. You can’t watch a football game without seeing women lacking modesty and discretion. You can’t even read news stories on the Internet. What’s important is that you see past the woman to the swine. You need to see lust as a demonic swine out to destroy your life.
Lust is a very cruel slavemaster. It can be like hunger. When you’ve had a meal and you’re full, you’re satisfied. A few hours later, you get hungry again. Pornography feeds lust. The more you look at, the bigger your appetite grows. The bigger your appetite, the more you want variety. The stories above are of people whose hunt for variety had deadly results. These are very rare cases.
More commonly you get what happened to me. Your wife is not variety. She looks the same every day, and may even put on a pound or two. She’s not enhanced with Photoshop software. She becomes less desirable. Your eyes and thoughts wander. Marriage becomes a sexual disappointment. She knows. It’s a disappointment to her that she’s not as desired as she should be. It’s grounds for jealousy. It’s a path to the destruction of marriages and the breakup of families.
God healed my marriage. He renewed my mind and enabled forgiveness.
The swine is in the church. There are men who have not finished the renewal of their minds. There are men who have not started the renewal of their minds. I used to bring the swine to church with me. My heart aches for those who still do. Freedom is possible.
We are all born sinners, selfish, envious, rude, and disrespectful. We are born to have hormones kick in at puberty. We are born susceptable to lust. What comes natural is not always healthy. If everyone grows up to live by their sinful nature there would be no civilization. We would be brutal animals fighting for food and sex. Controlling lust is as crucial for a civilized society as controling theft. It’s crucial to the church. It was so crucial to the early church that it gets mentioned in several letters of the Apostles.
These letters give the solution. Of course, the first step is salvation. Asking God’s forgiveness and accepting Jesus Christ as Lord. Jesus referred to this as being “born again.” Baptism symbolizes your commitment to die to your human nature and be raised in a new life led by the Spirit of God.
This commitment is like a marriage vow. It’s amazing the day you make it, and it comes under assault thereafter, by sticking with your commitment and weathering storms, your marriage grows stronger and stonger. By sticking with your commitment to the Lordship of Jesus Christ, and weathering storms, your mind is renewed and you become more and more like Jesus himself.
Prayer, persistence and perseverance lead to freedom. The cartoons of someone with the devil speaking in one ear and an angel speaking in the other isn’t so silly. They’re real. The Spirit of God will speak to your heart every time the demon of lust demands that you seek gratification. You will choose whose leading to follow. Sometimes you may make the wrong choice. Satan will tell you, “See, you can’t stop. You’re hooked. Even God can’t help a case like you.”
I’m here to tell you God can. I stumbled, I struggled. God did not give up on me. Today, I’m a free man. I would rather be locked in an actual prison, and be free of lust, than live free to go where I wish and be enslaved by lust.
Using the logic of the sexual revolution, I could claim I was born to be a pedophile. By that same logic, I could claim I was born to be a thief. Some could claim they were born to be alcoholics. Rather than focusing on whatever evil we were born to enjoy, we should focus our minds on what God wants us to be. When we accept Jesus Christ, and are born again, our future is in righteousness, not sin. Our goal is to love, to be kind, to be honest, to be hard working and charitable. When one’s mind is renewed, you can become a model husband, father and citizen.
Lust, be it heterosexual or homosexual, leads to disaster, not just for individuals, but for society. Faithful marriage – God’s design for human sexuality – has tremendous personal and social benefits. Lust is the driving force behind the sex slave trade, child molestation, rape, abortion, and all the horror stories like those mentioned above. Lust celebrates human suffering. It throws a party when priests become pedophiles. It rejoices with every rape. It rattles the chains of those in Hollywood who everyone fears exposing. Lust is one of the greatest enemies of mankind.
Jesus Christ came to set free those held captive. On the cross He defeated lust. As the body of Christ, the church is called to proclaim this victory and to live it. We are called to chase the swine out of the church and then go on a rescue mission to free the slaves outside the church.
Not all of lust’s slaves want freedom. Some revel in their slavery. But, there are a lot of men out there who know in their heart, like I did, that pornography is wrong. They want freedom. To them I say, don’t give up. God can, and will, help those who earnestly seek Him.

Daqui

 

sábado, 26 de julho de 2014

Familia com 18 filhos



A Rosa Pich le gusta citar el dicho catalán que dice “si vols estar ben casat, busca-la en el veïnat” (si te quieres casar bien, búscala en el vecindario). Sin embargo, a esta barcelonesa no le fue nada mal casarse a los 23 años con un vecino de Cantimpalos. Dan fe de ello sus 16 hijos. Los Postigo Pich forman la familia numerosa con más hijos escolarizados de España.

Aunque no se acaba de sentir cómoda con el interés mediático que suscita su caso, necesita contarle al mundo que existen, “mucha gente no se lo cree, pero nosotros hemos dicho sí a la vida” afirma

¿He oído bien? Usted tiene 16 hijos.

18. Dos de ellos murieron siendo bebés. Nacieron con una malformación cardiópata severa. Donamos sus corazones a la ciencia. Hemos dicho sí a la vida y a la ciencia. El día que me vaya al cielo, descubriré por qué Dios se los llevó. Debió ser muy duro. Los médicos nos recomendaron no tener más hijos. ¡Pero nosotros queríamos tener una familia numerosa!

¡Su deseo se cumplió!

Así es, porque la decisión de tener cada uno de nuestros hijos ha sido de mi marido y mía: nadie, ningún sacerdote, familiar, o congregación, nos ha dicho cuántos hijos teníamos que tener.

¿De qué ha dependido cada una de las decisiones?

Hemos tenido en cuenta las condiciones psicológicas, físicas y económicas de cada momento.

No quiero pensar su presupuesto mensual en comida…

Hago la compra por Internet mensualmente y le aseguro que no gasto más que una familia con tres o cuatro hijos. Compro marca blanca. Y mis hijos saben que en casa no hay coca-cola, ni carne de primera, ni pescado fresco, solo atún enlatado. Eso sí: el chico de reparto del supermercado coloca en la despensa cada mes 240 litros de leche y 1.300 galletas María.

¿Siguen una dieta equilibrada?

Mis hijos comen en el colegio y están bien alimentados. En casa sólo se cena y se desayuna leche, y pan con mermelada o embutidos.

Siguen sin salirme los números.

Un kilo de pasta cuesta 50 céntimos. Lo mismo que un sobre de sopa. Le aseguro que no llego a los mil euros mensuales. Mis amigas me piden que le ayude a hacer los menús, además de explicarles cómo organizo la casa, las tareas de los chicos, los armarios…

¿Cómo organiza las cenas?

En dos turnos. Los de la primera comunión para abajo cenan primero y los mayores después. Entre medio, rezamos el Rosario.
 

¿Es usted muy religiosa?

En nuestra familia no contamos dos más dos, sino dos más dos, más Dios. Tenemos una fe vivida. Dios existe. Creemos en un padre que está en el cielo y tenemos la necesidad de comunicarnos con él, de contarle nuestras ilusiones y preocupaciones. El hombre es un ser de alma y cuerpo, por tanto espiritual.

¿Cree que hay una crisis de creencias?

La gente pone el dios en el Barça, en el dinero…

¿Cómo son sus hijos?

Movidos, gamberros, divertidos y deportistas. Están acostumbrados a pelearse, a convencer al otro para que juegue con ellos, a solucionar conflictos, a trabajar hábitos, a preocuparse por los demás. Ser miembro de una familia numerosa te obliga a ocuparte de los demás, porque siempre hay un hermano que necesita ayuda, tiene alguna dificultad. ¡Mis hijos están preparados para dirigir multinacionales!


¿Cómo se organizan entre ellos?

Cada oveja con su pareja. Cada uno de los mayores tiene asignado un pequeño y se encargan de resolver sus problemas: les ayudan con sus deberes, con la lectura, con el baño, si necesitan material del colegio se lo consiguen… Todos van al colegio andando desde los tres años y tienen su pequeño encargo. Yo trabajo por las mañanas, así que a las siete de la mañana salgo de casa. Por las tardes juego con los pequeños y a partir de las siete atiendo dudas hasta la hora de cenar.

Contará con alguna asistenta…

Sí, ella se encarga de la limpieza y del baño de los más pequeños. Trabaja de ocho a ocho. Pero los niños se encargan de hacerse la cama y si no se la hacen, peor para ellos.

¿Qué consejos les da a sus hijos?

Tanto mi marido como yo venimos de familias numerosas (14 y 16 hermanos, respectivamente). Hemos pasado de la litera de cuatro alturas a la cama de matrimonio. Si nuestros amigos tenían juguetes, nosotros teníamos hermanos. Y les hemos enseñado a nuestros hijos a ser felices así.

¿Nunca le han dicho que traer tantos niños al mundo es una irresponsabilidad?

La pregunta no es qué mundo les vamos a dejar a nuestros hijos, sino qué mundo nos van a dejar ellos a nosotros. Hay que cambiar el chip porque pienso que tal como están las cosas, van a tener muchas oportunidades. Mis hijos van a buenos colegios, así que humanamente hablando estarán preparados para sacar el país adelante. Yo siempre les digo que son ellos los que nos van a sacar de la situación que vivimos. Por otro lado, yo sí voy a tener mi jubilación pagada: mis hijos cuidarán de nosotros porque nosotros hemos cuidado de ellos.

¿Es usted muy estricta?

En la vida hay que hacer muchos sacrificios. A menudo he ido a trabajar sin apenas haber dormido y encontrándome mal. Pero hay que dar ejemplo. Por otro lado, en casa transmitimos una educación muy espartana , austera, de servicio a los demás, porque pensamos que es más elegante dar que ser egoísta. En la mesa tenemos una consigna: hay que servir al que tenemos al lado: acercarle el pan y el agua. Y si toca huevo frito, le damos el más bonito.

¿Sus hijos no le piden marcas?

En casa no compramos marcas. Si entra algo es porque han ahorrado haciendo canguros o se lo ha regalado el padrino. Las marcas no los hacen más persona, ni más felices. La vida da muchas vueltas y lo que no lloren de niños, lo llorarán de mayores. Uno se crea grandes necesidades, pero polvo eres y en polvo te convertirás

¿Qué es para usted la felicidad?

Lo que da felicidad es cuidar de los demás. A mí me la dan mis hijos, pero también me gusta cuidar de sus amigos cuando vienen a casa. Eso es algo que también les intento transmitir: preocuparse por los otros, ir a ver a un amigo cuando está enfermo, una llamada por teléfono… Hay que vivir con alegría y optimismo.

¿Nunca ha tenido una crisis matrimonial?

Por supuesto que las tenemos. Mi marido y yo discutimos, pero también hablamos. Y de las crisis uno sale más reforzado. Hay que luchar para quererse más, tratarse con cariño, dejarse espacio para uno y para la pareja. Nosotros nos vamos a pasear solos, aunque sea para dar una vuelta a la manzana. Pienso mucho en mis amigos que se han divorciado, porque se quedan muy solos y los niños quedan marcados para siempre.

¿Piensa que el matrimonio debe ser para toda la vida?

El divorcio sólo soluciona la discusión momentánea con la pareja , pero después vienen muchos más problemas. Lo he vivido de cerca. Sí, yo a mis hijos les digo que es para toda la vida, no porque lo manda la iglesia, sino porque el hombre y la mujer necesita una estabilidad física y psíquica. La naturaleza humana está hecha así: el niño necesita un papá, con una barba que le rasca, y una mamá, con su olor femenino, que le arropa.

¿En qué consiste el amor?

El amor es un fuego que hay que ir alimentando. No es una chispa de la vida, sino que uno tiene que ir trabajándolo, reforzándolo cada día. Así, cuando no hay llama, la ponemos. El amor no es sólo de sentimientos sino también cerebral. Necesita voluntad: yo quiero amar a esta persona, quiero amar su bien, me atrae su físico, su manera de ser… Y también necesita sinceridad. Hay que decirle a tu pareja qué te gusta, cómo te sientes, qué necesitas en cada momento.

Un consejo para mejorar las relaciones de pareja.

Dile que se acuerde de comprarte tus flores preferidas y cuando vayas a la pelu no esperes que se fije. Adelántate: ¿verdad que estoy guapa?

Me imagino que no irán mucho a comer a restaurantes…

Sólo cuando hay una celebración. Cuando nos invitan, suelen decirme: “da gusto ver cómo disfrutan tus hijos, Rosa”.

Fuente: la Vanguardia

Cristiano Ronaldo está vivo graças a um objetor de consciência

 
Por Federico Cenci
 
ROMA, 21 de Julho de 2014 (Zenit.org) - Setenta prêmios individuais, incluindo duas bolas de Ouro e um Fifa World Player, uma série de troféus levantados com as camisetas do Sporting Lisboa, Manchester United e Real Madrid. E, novamente, uma enorme quantidade de recordes que requer uma boa dose de paciência para aqueles que querem ler todos, assim como dois dos mais altos prêmios concedidos pelo Estado de Portugal. Porém, um pequeno grande mérito para estes prêmios é devido a um desconhecido médico Português. Pequeno como o corpinho ainda frágil e indefeso que cresce dia a dia no ventre de uma mulher, grande como o gesto nobre de quem realiza com profissionalismo e fé o próprio trabalho e consegue, assim, salvar uma vida humana do aborto.
 
No já distante 1984, a vida que este homem salvou foi a de Cristiano Ronaldo, um dos jogadores mais fortes e prolíficos em termos de gols realizados nos últimos anos. Foi a própria mãe do eixo do Real Madrid e da Seleção portuguesa que revelou a história que está nos bastidores na autobiografia, Mãe Coragem, publicada sexta-feira passada em Portugal. A mulher, cujo nome é Dolores Aveiro, diz em uma das passagens mais comoventes do livro a sua situação, quando ela descobriu que estava grávida daquela criança que mais tarde se tornaria o famoso Cristiano Ronaldo.
 
"Naquela época, eu já tinha 30 anos e três filhos, não parecia apropriado lidar com um novo nascimento e ampliar a família, então procurei um médico, que, porém, se recusou a fazer a cirurgia", explica. Passava por um tempo bem sombrio na sua casa, dar de comer aos filhos Hugo, Elma e Cátia Liliana, a cada dia, era um desafio cada vez mais difícil com um marido, José Diniz, desempregado (morreu em 2005 devido ao álcool) e com as poupanças reduzidas a nada.
Mas a relutância e a tentativa de desencoraj
á-la do aborto, por parte do médico, não tiraram as suas intenções, que mesmo assim tentou interromper a gravidez com um “remédio caseiro” sugerido por uma amiga: “Me disse para beber cerveja escura e quente. Assim a criança teria morrido”.
A cerveja, no entanto, não conseguiu parar a energia vital daquele coração batendo no ventre de Dolores. Depois de algumas horas de tomar a bebida potencialmente assassina, na parte inferior do abdômen continuava a reinar a paz. Sinal da ineficácia do "remédio caseiro". Pouco a pouco, a mulher - já acostumada ao aleitamento, às fraldas e choros noturnos – decidiu ter também o quarto filho. “Se a vontade de Deus é que esta criança nasça, assim seja”, foi o seu pensamento mais íntimo.
 
No dia 5 de fevereiro de 1985 em uma cidade das Ilhas Selvagens, um pequeno arquipélago do Oceano Atlântico mais perto das costas africanas do que das portuguesas, nasceu Cristiano Ronaldo. Uma criança forte e saudável, veio à luz em uma cidade anônima e que teria se tornado famoso em todo o mundo devido ao seu talento futebolístico único.
 
Um bastidor muito delicado, que a mãe decidiu publicar com a permissão prévia de seu filho Cristiano, o qual, hoje, ainda tem a força de fazer piada do tema: “Viu, mãe, você queria me abortar e agora sou eu que controlo as finanças em casa”. E pensar que a tentação de interromper a gravidez surgiu das suas dificuldades econômicas. Se aquele médico não tivesse permanecido fiel ao seu juramento e, portanto, firme em sua oposição sobre o aborto, hoje o mundo do futebol teria uma grande estrela a menos no seu firmamento. E o firmamento – se sabe – para observá-lo temos que olhar para cima. É por isso que a objeção de consciência é sempre um gesto dirigido para cima.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Cristiano Ronaldo esteve para ser abortado

 
 
"Na biografia 'Mãe Coragem', lançada esta semana, Dolores dos Santos faz revelações inéditas: fala da extrema pobreza vivida na Madeira e conta como quis fazer um aborto quando soube que estava grávida de Cristiano Ronaldo. 
 
Em Mãe Coragem, a mãe do melhor jogador do mundo recorda que quando ficou grávida de Cristiano Ronaldo já era mãe de três filhos com um pai muito ausente e trabalhava de sol a sol. "Quis abortar, mas o médico não me apoiou nessa decisão", conta Dolores dos Santos no livro escrito por Paulo Sousa Costa.
 
A mãe de Ronaldo, Elma, Kátia e Hugo tentou recorreu então a uma receita caseira: beber cerveja preta quente e correr até o corpo não aguentar mais.
O que não resultou.
Dessa gravidez nasceria Cristiano Ronaldo".

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 12 de julho de 2014

Mãe de Thiago Silva pensou em abortá-lo

Thiago Silva poderia não ser agora o capitão que guia a Seleção Brasileira rumo ao hexacampeonato na Copa do Mundo 2014, pois a sua mãe, quando estava grávida dele, considerou seriamente a possibilidade de realizar um 
aborto.

Assim contou dona Ângela, a mãe do jogador nascido faz 29 anos, em 22 de setembro de 1984, em uma reportagem sobre a vida do capitão do Brasil apresentada recentemente pela Rede Globo.

“Eu cheguei a chorar no colo do meu pai, dizendo que não queria fazer (o parto), mas eu também não tinha condição. Só que ele não deixou que eu fizesse... cometesse um pecado”, recorda a mãe do jogador.

A vida de Thiago e de sua família foi dura e complicada, na favela de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O jogador do atual campeão da França, o Paris Saint Germain, recorda que o lugar onde morava “já era uma favela bem conhecida. Sempre tinha tiroteio do outro lado, e os policiais vinham para o lado onde eu morava. E, quando chegava em casa, eu dava graças a Deus de chegar bem. Às vezes, chegava em casa não tinha uma carne para comer, mas tinha sempre um arroz, feijão e ovo”.

O jogador brasileiro conta que quando tinha 14 anos teve de enfrentar uma dura batalha contra a tuberculose: “Foi a maior batalha da minha vida. Foram seis meses internado” no hospital até se curar.

Dona Ângela também recorda aquela época: “Foi a pior parte da vida dele e da nossa. O dia dele dentro daquele quarto era deprimente”.

(....)

 (ACI Digital)
sources: ACI Digital

terça-feira, 27 de maio de 2014

Um tributo ao Miguel

O Miguel é irmão do meu cunhado. E como o meu cunhado é meu irmão, o Miguel era um dos meus. Não era da minha geração e por isso não compartilhei muitas das fases importantes da sua vida. Mas fui ao seu casamento e acompanhei o nascimento e crescimento das suas pequenas filhas. No verão, na quinta dos pais, onde durante anos todos convivemos à volta da piscina, o Miguel lá estava. Era uma presença que se sentia porque não se impunha. Lá estava, com um sorriso sempre, sempre, afável e gentil.
Uma doença impiedosa levou-o aos 46 anos. E foi assim que todos o vimos a fundo. É engraçado como o sofrimento pode mesmo ser uma lente que amplia para além do que se pode imaginar, a verdadeira natureza do ser humano.
Ao contrário do que se podia esperar porque, para a maioria de nós, a morte é mesmo o contrário da vida, o Miguel foi capaz de, durante cerca de nove meses, enfrentar cada fase desta experiência como era preciso. Combativo, determinado, exigente, positivo, esclarecido, lutou em Portugal e fora aceitando tratamentos difíceis e acreditando na respetiva eficácia.
Quando, nesta última fase, se percebeu que a doença ia ganhar, deu-nos uma magistral lição de compreensão desse fenómeno sobrenatural que é a fé; a fé de que a vida não termina nesta passagem terrestre, e de que o amor é a ponte, a única ponte, que nos pode fazer aceitar sem um precipício pelo meio, as duas realidades.
Percebi pelo que vi e pelo que me contaram, que lhe foi possível rir, conversar, torcer pelo Benfica, partilhar histórias engraçadas e, quando fazia sentido, agradecer a visita, o acompanhamento durante a doença, o serviço feito em casa, a maior e a mais pequena das coisas sempre sereno, sempre pacífico e sempre feliz.
Mas, mais do que isso, a sua atitude ajudou ainda que alguns dos que o rodearam mais de perto mostrassem igualmente uma dose extraordinária de generosidade, de humanismo, de companheirismo e até dessa fé que eu jurava que não conheciam.
A começar pela sua mulher, que manteve uma coragem íntegra e uma lucidez cristalina que permitiu sobretudo às suas duas filhas continuar a viver a vida de todos os dias e a acabar nos pais. Aqueles para quem a perda de um filho não tem nome, como tão bem lembrou o celebrante.
Os filhos sem pais são órfãos, o marido ou a mulher sem o cônjuge são viúvo ou viúva mas não há nome para quem perde um filho. São pais com um fogo lá dentro, misto de perda e de felicidade, de saudade e de orgulho, de revolta e de paz.
Por isso acabamos todos a dizer "até logo" ao Miguel, convencidos que ficamos de que viu como nenhum de nós que a segunda parte da existência, mesmo vista do lado de cá, é suave e feliz.
Sei que se pudéssemos evitaríamos que todos morressem; também sei que nos parece que só estamos programados para viver; por isso tantos de nós sobrevivem a tanto, aguentam tanto; mas ver um homem tão novo e tão cheio de vida e de planos, aceitar um destino tão imprevisto, põe-me a pensar que decerto sempre temos cá dentro um grão de infinito que só não germina e não cresce porque não nos damos de olhos fechados, sem perguntar porquê.
Se o soubéssemos fazer ficava tudo mais em perspetiva, percebíamos que o hoje e aqui é sobretudo parte de um caminho e não um sprint pela realização apressada e tantas vezes trauliteira.
Sinto pudor em escrever sobre alguém tão próximo e sobre uma experiência tão pessoal mas também sinto que este meu muito simples tributo ao Miguel é um tributo a muitos e muitos que como ele são corajosos, amigos, serenos, determinados, fortes, sensíveis, autênticos, conscientes de uma humanidade poderosa que se consegue reerguer gloriosa do meio do mais puro sofrimento.
Não devíamos precisar de tão pungentes momentos para sentir que grande parte do que nos rodeia é menos do que a espuma dos dias, e no entanto...
Cristina Azevedo JN 2014-05-23