terça-feira, 18 de setembro de 2007

«Pensávamos que era a única coisa que podíamos fazer»

«Toda a vida fiz rir os meus amigos. Sou um rapaz normal e comum, um estudante universitário de 23 anos que costuma tirar boas notas. Os meus pais trabalham, somos uma família da classe média. Gosto de desporto, de música, viajar, ler... Tenho muitos interesses.
Sempre achei que o direito à vida é fundamental e estou convencido de que é muito importante lutar por isso, porque há muitas pessoas que sofrem. Desejo realmente o bem comum e estou desde os 17 anos comprometido com os necessitados. Ainda recordo uma altura em que tomei conta de uma rapariga que sofria de ataraxia, uma irregularidade do sistema nervoso. Lembro-me de que via com tristeza como o seu corpo se ia paralisando pouco a pouco e ficava cada vez mais entumecido. Ajudei-a a não perder tão rapidamente os movimentos e também a manter a capacidade para ler. Acompanhava-a várias tardes por semana...

Tive várias namoradas ao longo da minha vida. Por isso, para mim, a fidelidade, essa exclusividade que cria a pessoa por quem nos sentimos atraídos, é um valor fundamental. As relações sexuais sempre foram mais um aspecto em todas as minhas relações, embora sendo certo que, por muito boas que elas sejam, o importante é o respeito mútuo, poder ajudar o outro. O principal é que a convivência resulte e haja amor. Tive aulas de Educação Sexual quando tinha 14 anos, mas não me lembro do que me ensinaram. Tive a minha primeira relação sexual aos 17 anos. Também me lembro de um dia em que a minha mãe encontrou um preservativo na minha carteira. Tinha 19 anos e ia viajar com vários amigos. Disse-me que tivesse cuidado, mas eu já sabia, e por isso tomava precauções. Sempre usei o preservativo para evitar uma gravidez não desejada, tal como me tinha sido transmitido pela sociedade, pelos anúncios de televisão, a famosa campanha “Pontelo-Ponselo”. Lembro-me dos jornais, dos meios de comunicação social, das conversas com os meus amigos... Tudo me dizia que os preservativos eram, aparentemente, a coisa mais eficaz. Por isso comprava-os na farmácia e usava-os em todas as minhas relações.

Foi em Abril que comecei a namorar com a Pilar. Tinha acabado de terminar uma relação com outra rapariga. Demo-nos bem muito rapidamente e, além disso, gostava dela por respeitar os meus hábitos, em especial o de sair algumas sextas-feiras com os meus amigos. A Pilar era muito madura e eu sentia-me muito bem com ela. Passa do um mês e meio de namoro, começámos a ter relações sexuais. Numa delas, o preservativo deve ter-se rasgado e não demos por isso. Normalmente, quando o preservativo se rasga, um dos dois repara e tomam-se precauções, mas nessa vez não notámos nada. É muito importante que as pessoas saibam que o preservativo pode falhar, que por vezes se rasga. Não há nenhum método totalmente eficaz, nem sequer a «marcha-atrás»: tenho amigos a quem aconteceu o mesmo que a mim recorrendo a ela.

Passadas três semanas, continuava a não aparecer o período à Pilar. Eu estava sempre atento a este assunto para saber, por uma questão de tranquilidade, se ela não tinha ficado grávida. Fazia-o com todas. Quando me diziam que já lhes tinha vindo o período, ficava descansado nesse mês. Mas a Pilar despreocupava-se dizendo que já tinha tido atrasos uma vez ou outra. Um dia, não aguentei mais e disse-lhe:
- Vamos fazer o teste de gravidez. É evidente que se está a passar alguma coisa. Temos de encarar o problema de frente.

A verdade é que nunca tínhamos falado dessa possibilidade. Só namorávamos há dois meses e nunca tínhamos imaginado que isso nos pudesse acontecer.

Comprámos o teste da gravidez na farmácia e combinámos encontrar-nos nessa mesma tarde para estarmos quando ela o fizesse. Eu queria estar com ela nesse momento. Quando deu positivo, não pude acreditar. Li as instruções várias vezes e a percentagem de erro era mínima. A Pilar estava grávida. Começou a chorar e abracei-a. Comecei a dar-lhe beijos e garanti-lhe que não a deixaria, que estávamos juntos. Mas só namorávamos há dois meses, era muito pouco tempo. Talvez isso também tenha influenciado de forma importante a nossa decisão. Embora eu sentisse um enorme carinho por ela, não tinha sequer posto a hipótese de casar... Ainda estava a conhecê-la! Passado algum tempo, entre os soluços dela e os meus abraços, a Pilar perguntou-me:
- O que é que vamos fazer? Se eu contar isto em minha casa, matam-me...
Não era dia para decidir nada, de modo que marcámos encontro para o dia seguinte, para pensarmos no assunto.

Nessa noite, nem consegui dormir. Só pensava em como nos podia ter acontecido aquilo. Não podia ser verdade: tinha-se rasgado o preservativo, não tínhamos reparado nisso e agora ela estava grávida! Não podia acreditar. Ao pensar no teste que tinha dado positivo, vinha-me à cabeça a imagem da minha mãe, que em várias ocasiões me tinha dito: Se me disseres que engravidaste uma rapariga, dás-me o maior desgosto da minha vida!
Passavam as horas nessa noite e eu continuava a pensar na minha mãe: Se, com a tua idade, engravidares uma rapariga, vais estragar a tua vida para sempre.

Até então, tinha-me parecido boa, essa forma de educar. Pensava realmente que, se lho dissesse, lhe ia pregar o maior susto da vida dela. Agora sei que não é assim. E estou convencido de que é um erro educar dessa maneira. Esse medo da minha mãe foi o que mais influenciou a decisão, pelo menos no que me diz respeito. Mas não a culpo por isso, ela é uma mulher nervosa, algo ansiosa e depressiva. Além disso, é o que a sociedade ensina: a gravidez é um problema que é preciso evitar.
De repente, dei-me conta que nossos pais nem sabiam do nosso namoro: tínhamo-lo ocultado para podermos ter intimidade. Por isso, nenhum de nós pensou em dizer o que quer que fosse sobre a gravidez. Ambos tínhamos medo do que pudesse acontecer. Decidi resolver eu o problema sozinho. Ouviria o que a Pilar pretendesse fazer e apoiá-la-ia na decisão. Agora sei que isso foi um erro. Se a mulher não quer prosseguir com a gravidez, o homem tem todo o direito de lutar contra essa opção.

Quando acordei no dia seguinte, verifiquei que nada do que me tinha acontecido fora um sonho; a situação estava mesmo a passar-se comigo. Mas tanto fazia: apoiaria a Pilar, fosse qual fosse a sua decisão. Quando nos encontrámos nesse dia, assegurei-lhe que não me iria separar dela e perguntei-lhe o que queria fazer.
- Eu, agora, não me vejo preparada para ser mãe — respondeu.
Eu, francamente, compreendia-a. Os pais dela nem sequer me conheciam. Como reagiriam quando soubessem que, aos 20 anos, ela estava grávida de um rapaz de quem não sabiam nada? Abracei-a e disse-lhe:
- Se não quiseres, não há razão para o teres. Mas temos de resolver isto o quanto antes.
Agora reconheço que estava a pensar no meu próprio descanso mental. Quanto mais cedo a Pilar abortasse, mais depressa me livraria do problema. Não podíamos andar às voltas nem perder tempo. Além disso, também tinha ouvido dizer que quanto mais tempo de gravidez passasse, maior seria o risco para a saúde da mãe.

Na altura de procurar uma clínica, seguimos o conselho duma amiga da Pilar que também abortara algum tempo antes. Fomos lá dois dias depois de sabermos o resultado do teste de gravidez. Íamos resignados: pensávamos que era a única coisa que podíamos fazer. Quando chegámos à recepção, dissemos à enfermeira, como se fosse a coisa mais normal deste mundo, que queríamos uma consulta para uma interrupção voluntária da gravidez. Depois de várias perguntas, a enfermeira informou-nos de que a Pilar estava grávida de cinco semanas e que, nesse estado, custava 300 euros; mas, se quiséssemos anestesia geral, seriam 390 euros. Pensámos que era melhor esta opção e pagámos adiantado, a meias. Era uma quantia pequena e podíamos pagá-la perfeitamente. Nesse dia, nem sequer foi vista por um médico nem assinámos nada.
Perguntava a cada momento à Pilar como se sentia e ela respondia-me sempre o mesmo:
- Normal...

Tínhamos de esperar quatro dias e eu pensava que não havia outra solução. Ela repetia-me sempre os problemas que havia para não prosseguir com a gravidez: teria de dizê-lo em casa, os pais eram muito tradicionalistas, como seria ridícula a barrigona... A Pilar garantia-me que o pai deixaria de lhe falar. Eu pensava que, comigo, ficariam desiludidos para o resto da vida. Durante esses quatro dias fui às aulas, mas não ouvia nada. Com a Pilar passava-se o mesmo. Lembro-me de que, dois dias antes do aborto, ela me disse:
- Lamento que tenhas de passar por tudo isto por minha causa.
E chegou o dia do aborto. Seria um pesadelo rápido: em duas horas e meia, tudo estaria terminado. Só faltava uma manhã de preocupação. Estávamos os dois juntos, mas nervosos. A enfermeira recebeu-nos na recepção e perguntou à Pilar se tinha seguido as instruções necessárias para a anestesia geral. Depois foi a entrevista com o psiquiatra, que quis ter a certeza de que desejávamos fazer o aborto. Perguntou à Pilar qual era o motivo e ela disse que não se sentia preparada para ser mãe. A entrevista foi só isso: cinco minutos apenas. Depois de uma análise de sangue e uma história clínica, veio a parte mais dura. O ginecologista fez-lhe uma ecografia e disse-nos:
- Está aqui. É uma gestação de seis semanas.

A Pilar não conseguiu olhar para a ecografia; eu também não quis ver. Mesmo antes de entrar na sala de operações, dei-lhe um beijo e ela garantiu-me que tudo havia de correr bem. Aquela meia hora foi terrível: tive medo de que lhe acontecesse alguma coisa, porque amava-a realmente. Senti-me pessimamente e culpei-me por ela estar a passar por uma coisa assim. Nunca pensei no bebé.
Quando tornei a vê-la, cobri-a de beijos. Estive uma hora e meia a conversar com ela, até que o soro acabou. Receitaram-lhe antibióticos durante oito dias e marcaram-lhe uma consulta para fazer uma revisão 10 dias depois. Quando saímos da clínica, fomos ao cinema; queríamos desanuviar. Já estávamos calmos: o problema tinha-se resolvido apenas seis dias depois de termos sabido que ela estava grávida. Quando fomos à consulta, o médico disse-nos que estava tudo bem. Nenhum de nós chorou e a nossa relação continuou. Tínhamos decidido não dar importância ao sucedido porque, além do mais, tínhamos a certeza de que o mesmo não nos tornaria a acontecer. Eu não iria permiti-lo.
Mas o verdadeiro problema começou quatro semanas depois. Quando já pensávamos que nos tínhamos livrado da complicação, começámos a sentir-nos culpados pelo que fizéramos. Descobrimos que podíamos ter feito outra coisa, que tínhamos sido uns autênticos cobardes. Deixámos de ser as pessoas alegres que sempre tínhamos sido... Tudo nos recordava o que tínhamos feito. De repente, víamos grávidas por todo o lado, tudo nos fazia lembrar filhos: nos pensamentos, nos anúncios… Eu sentia-me perseguido pela palavra assassino.

Sei que a minha mãe me teria ajudado a seguir em frente, mesmo tendo-lhe dado o maior desgosto da sua vida. Mas pensei que isso a afectaria muito, que os nossos pais iam sentir muita vergonha por causa da sua imagem a nível social. Também pensava que o meu pai me obrigaria a deixar de estudar. Não receava pelo dinheiro, sabia muito bem que poderíamos resolver esse aspecto de alguma forma. O que realmente me assustava era que a minha relação com a Pilar corresse mal e a criança estivesse pelo meio.
Do que tenho a certeza absoluta é de que, se tivesse sucedido o mesmo a um filho meu, eu tê-lo-ia ajudado a seguir em frente.
Agora há muitas noites em que dormimos mal, há dias em que não consigo comer. Levantar-me de manhã é o pior momento do dia: tenho de voltar a lutar. Em casa acham-me triste, mas mais nada. Há coisas que não contei à Pilar porque não quero fazê-la sofrer. Sinto que sou má pessoa, apesar de saber que tenho bom coração. Acho que já não mereço divertir-me, não quero ir tomar uns copos com os amigos, nem jogar futebol. Tudo quanto vivo deve-se à vida dum ser humano, mas sou incapaz de aceitar que a minha comodidade e a minha liberdade tenham esse preço. Sinto-me culpado, cobarde, estou zangado comigo mesmo.
A minha decisão foi especialmente motivada pelas frases da minha mãe que giravam na minha cabeça: não queria dar um desgosto aos meus pais e também não sabia se nos apoiariam. Toda a gente nos deu a entender que era fácil. Abortar é muito simples. E não nos falaram das consequências psicológicas do aborto. A proposta do aborto é um erro.

A Pilar e eu não voltámos a ter relações sexuais; pusemo-nos de acordo em relação a isso. Eu não lhes sinto a falta. E reconheço que há uma vantagem prática: não preciso de estar todos os meses dependente de saber se a minha companheira está grávida. Temos os nossos melhores momentos quando estamos juntos: aprendemos assim a ser amigos, conhecemo-nos mutuamente. O que eu desejo agora é vê-la sorrir. Não temos pressa, queremos cuidar de nós, fazer as coisas mais calmamente. Quando voltarmos a tê-las, irei valorizá-las de outra maneira, será uma coisa muito especial quando voltar a acontecer. Mas queremos que seja para termos um filho. Queremos extrair alguma coisa boa do aborto do nosso filho, que é aquilo que realmente fizemos mal. Se nos voltasse a acontecer, di-lo-íamos aos nossos pais. Mas agora é melhor não dizer: iríamos fazer-lhes muito mal, e também não nos poderiam ajudar.

O tempo passou e eu precisava de falar «mais de perto com Deus. Três meses depois do aborto, estive com um sacerdote. A sua compreensão libertou-me da angustia em que estava mergulhado. Chorei enquanto lhe contava tudo o que tinha acontecido. Recordo que me disse que me compreendia, que entendia porque chegara aquela absurda decisão. Mas o que mais me ajudou, de tudo o que me disse, foi:
- Se eu te vejo e te compreendo, como não te há-de compreender Deus?! E se Deus vê o teu arrependimento e perdoa, porque não te hás-de perdoar a ti mesmo?
Sei que Deus me perdoou, Ele concede-me o dom de estar assim. Uma das coisas de que mais gosto no cristianismo é precisamente esta: há presente e há futuro, mas não passado. Quero ver este erro como uma prenda e jamais hei-de invejar quem tenha abortado e não se sinta culpado. Não quero deitar a perder a minha vida por cinco dias, por esse grande erro, e por isso tive de começar a desmistificar o que tinha feito para me poder perdoar. Agora entusiasma-me muito ter uma família: quero ter filhos, e a Pilar também. Antevejo um bom futuro para nós dois.

Se eu conhecesse alguém que estivesse na mesma situação, animá-lo-ia a prosseguir com a gravidez: disso jamais se arrependerá. De abortar, já é muito provável que sim. Devíamos ser mais responsáveis e coerentes com os nossos actos até ao fim. É isso que traz felicidade. Além disso, acima de tudo, estará sempre o direito à vida que é preciso respeitar; isso é que é justo.
Espero poder ajudar com este testemunho porque, na realidade, eu também sou uma parte da ajuda de Deus aos outros. Faço-o por Ele, por mim, pelo meu compromisso com a sociedade e pelo direito à vida. Agora estou mais calmo, embora triste. Mas não ponho de parte a possibilidade de ir a um psicólogo. Pelo menos aprendi a apreciar as coisas mais pequenas em que antes não reparava. Às vezes o meu objectivo era apanhar uma bebedeira às sextas-feiras, e agora comecei a fazer o que realmente me apetece. Há uns tempos, uma ida ao cinema teria sido uma tolice, mas agora os melhores planos são os mais calmos. Os meus amigos não me compreendem não sabem porquê ou como me transformei desta maneira.

Hoje, a Pilar e eu continuamos a nossa relação. Tentamos que a nossa vida seja o mais normal possível, vamo-nos perdoando a nós próprios pouco a pouco. Suportar tudo isto não estando juntos seria muito mais difícil.

Embora o aborto tenha sido uma decisão dela, se eu a tivesse convencido, tê-lo-ía-mos evitado. Agora estou muito arrependido. Por isso peço que as pessoas que abortaram não sejam julgadas, que nos sintamos queridos e protegidos pela sociedade. Porque as pessoas que cometeram erros também são humanas e sentem-se mal. Oxalá com este testemunho o medo não ganhe a Outros a batalha que me ganhou a mim.»
António (testemunho verídico)
(Mensagem recebida por correio electrónico)

Alerta

Duas horas de TV causariam falta de concentração

As crianças que assistem a mais de duas horas de televisão por dia enquanto cursam a escola primária têm mais dificuldades de concentração ao chegar ao ensino secundário do que aquelas que assistem pouco televisão.
É isso que demonstra o primeiro grande estudo que analisou os efeitos de longo prazo do abuso de televisão na infância sobre a capacidade de atenção. "O nosso estudo sugere que os pais deveriam tomar medidas para limitar o número de horas que os seus filhos passam diante da televisão", declarou Bob Hancox, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, o director do estudo.
De acordo com os resultados, publicados pela revista médica Pediatrics, as crianças que vêem menos de duas horas diárias de TV na infância não ampliam o risco de sofrer distúrbios de atenção na adolescência. Mas, a partir da terceira hora, o risco amplia-se em 44% para cada hora adicional que elas passem diante da TV ao dia. "Os efeitos foram especialmente perceptíveis em crianças que assistiam a mais de três horas diárias de TV", enfatiza Hancox. Na Espanha, as crianças de seis a sete anos vêem uma média de duas horas de TV por dia, mas cerca de 36% delas assistem a mais de quatro horas diárias, de acordo com estudo apresentado no ano passado pela Associação Espanhola de Pediatria. O estudo da Universidade de Otago baseou-se em 1.037 crianças examinadas a cada dois anos dos cinco aos 15 anos, como parte de uma ambiciosa pesquisa sobre o desenvolvimento e saúde infantis. Entre outras perguntas, os pais e as crianças foram convidados a informar quanto tempo dedicavam à TV a cada dia. Para avaliar se sofriam de qualquer deficiência de atenção, as crianças, os seus pais e professores tiveram de responder se conseguiam se manter atentas por apenas um período curto, se a sua capacidade de concentração era baixa ou se terminavam por se distrair facilmente. Entre as perguntas feitas, por exemplo, estava "quando alguém fala com você, é difícil prestar atenção?", "você frequentemente começa a fazer as suas lições mas não as termina?", "é difícil fazer lição se há ruídos, ou algum tipo de actividade no mesmo quarto?". Estudos anteriores haviam detectado que o abuso de televisão na infância gerava problemas de deficiência de atenção para as crianças na escola primária. Mas não havia um estudo de grande porte que analisasse se esses problemas perdurariam na adolescência, até agora. "Os nossos resultados indicam que os efeitos da televisão sobre a capacidade de atenção são duradouros", diz Hancox. Esses efeitos de longo prazo foram confirmados em jovens que reduziram as suas horas de televisão ao chegar ao ensino secundário, mas mantiveram os problemas causados pelo abuso de televisão na infância. Os pesquisadores alertam contra o costume de algumas famílias de manter as TVs ligadas para deixar as crianças tranquilas, por exemplo, durante o café da manhã.
"Aconselharia a esses pais que reduzam as horas de TV", declarou Hancox. "Afinal, as crianças conseguiram achar formas de se entreter por milhares de anos antes que a televisão fosse inventada". O estudo não analisou os efeitos dos videojogos e computadores sobre o comportamento das crianças e adolescentes porque a colecta de dados foi iniciada antes que essas novas formas de entretenimento atingissem o auge. Mas os pesquisadores consideram que os seus efeitos possam ser semelhantes aos da TV, o que aponta que o limite de horas diário deve ser aplicado a todas as formas de entretenimento audiovisual, somadas. Assim, se uma criança dedica uma hora a um videojogo, não é aconselhável que assista TV por mais de uma hora diária. Os dados do estudo não esclarecem de que maneira o excesso de TV afecta a capacidade de atenção, mas os pesquisadores apontam para diversas hipóteses. A que apresentam como mais provável é que as imagens televisivas, com os seus estímulos constantes, podem fazer com que a vida real pareça monótona, em comparação, de modo que as crianças tendem a se aborrecer com actividades de ritmo mais lento, como assistir a aulas ou fazer os trabalhos de casa. Outra possível explicação é que o cérebro infantil, ainda em formação, se desenvolva de maneira inadequada caso seja estimulado em excesso pela rápida sucessão de imagens dos programas de TV. Depois de revisar os resultados dos estudos científicos que alertam sobre os efeitos adversos do uso excessivo de televisão sobre a saúde das crianças e adolescentes, a Associação Norte-Americana de Pediatria aprovou as seguintes recomendações aos pais:
- Limite de duas horas: o tempo que as crianças dedicam a entretenimento audiovisual, incluindo computadores e jogos de vídeo, além da TV, não deve exceder "uma ou duas horas ao dia", ainda que se trate de programação de qualidade.
- Sem TV no quarto: pediatras recomendam "eliminar os aparelhos de TV dos quartos das crianças". Nada de TV para menores de dois anos: convém "evitar que crianças com menos de dois anos assistam a TV e estimular actividades mais interactivas que promovam desenvolvimento cerebral adequado, como falar, cantar, brincar ou ler". Fiscalizar os programas: os pais deveriam "fiscalizar os problemas assistidos pelas crianças e adolescentes" e estimular a escolha de programas educativos e de boa qualidade que não favoreçam o conteúdo violento.
- Assistir a TV em família: assistir a programas com as crianças é melhor para a educação delas do que deixá-las sozinhas diante da TV.
- Comentar o conteúdo: pediatras recomendam aproveitar o conteúdo da TV como ponto de partida para falar de valores de família, comportamento violento, sexualidade e drogas. Procurar alternativas: os pais estão na melhor situação para estimular entretenimentos alternativos, como, entre outros, ler, realizar actividades físicas, pintar ou praticar jogos criativos.
Notícias daqui.

Que educação para a sexualidade?

Dois dos muitos assuntos discutidos em torno da I.V.G./aborto, em tempo de campanha, foram o do Planeamento Familiar e da Educação Sexual, sem dúvida, duas de muitas políticas merecedoras de atenção e investimento, muito mais agora que o aborto até às 10 semanas é livre.




Tanto Planeamento Familiar, como Educação Sexual são uma sombra do que, de facto, deveriam ser. Importa, pois, que, para além das muitas controvérsias que vão gerando, se encontrem pontos de consenso forte e medidas de actuação a curto e a longo prazo. Das duas políticas, no meu entender, a pior tratada tem sido a da Educação Sexual, cujas acções desenvolvidas têm sido dispersas e pontuais. Procurando pensá-la, colocam-se-me, então, algumas questões: Deverá ou não existir uma disciplina de Educação Sexual nas escolas? Como?




Aqui ficam alguns pontos de reflexão pessoal sobre o assunto, que cada um julgará por si. O debate fica aberto.




A política da Educação Sexual, nas escolas portuguesas, é incipiente e carece de uma profunda reflexão, delinear de objectivos bem concretos e organização/estruturação. Nem o próprio Ministério da Educação sabe bem o que se faz em campo, o que demonstra como esta política é, infelizmente, secundária.




Sem dúvida que deve e tem de haver, na escola, uma disciplina de Educação Sexual. Gostaria de salientar, contudo, que, não raras vezes, quando se fala de Educação Sexual, se reduz a sexualidade à sua perspectiva anatómica, prevenção de doenças e contracepção. Assim, preferindo a denominação Educação para a Sexualidade e Afectividade, defendo que a abordagem da mesma seja realizada numa perspectiva transversal, ampla e construtiva, envolvendo a participação e cruzamento de vários saberes, entre eles os da Saúde, da Psicologia, do Desenvolvimento, da Filosofia, da Ética e das Relações Humanas, dado que a sexualidade envolve o desenvolvimento corporal, psicológico, afectivo e moral da pessoa ao longo dos anos, num contexto social e familiar (eventualmente religioso muito próprio). Enfim, a Educação para a Sexualidade e Afectividade, a existir nas escolas, como defendo, deverá integrar a formação humana, pessoal e social, numa dinâmica plural. Quero com isto dizer que acho insuficiente e reducionista uma disciplina de Educação para a Saúde (onde, entre várias temáticas, são abordadas a educação sexual), e muito pior, a sua abordagem em disciplinas como a da área de Projecto ou Estudo Acompanhado, votando a sexualidade a tema de conversa esporádico e até pouco planeado.




Um projecto como o acima citado parece ambicioso? Talvez, mas mais do que nunca, sob pena de lançar a sexualidade para a sua dimensão fisiológica e biológica, ele é necessário. Creio que educar para a sexualidade não passa somente por informar, mas por formar.




Educar para a sexualidade não pode ser só e exclusivamente falar da prevenção de doenças e da gravidez, e da contracepção. Educar para a sexualidade também não é facultar indiscriminadamente preservativos nas escolas (vejamos o caso inglês em que uma política deste género levou a um retrocesso nesta matéria), liberalizar as relações sexuais ou apelar ao hedonismo. Uma boa Educação para a Sexualidade e para a Afectividade é um processo que atenderá ao desenvolvimento sexual da pessoa em diferentes idades e estádios de desenvolvimento físico e psíquico, e isto deverá ter em conta a educação sexual desde a Pré-Primária até ao Ensino Secundário.




Se a problemática tem sido posta nos moldes que descrevi, ela deve ainda ser pensada conjuntamente com todos os agentes educativos, entre eles a família (pais). Pelos seus direitos e deveres na educação das crianças/adolescentes, uma correcta política de educação sexual não pode eliminá-la, relegando-a a um papel dispensável. Numa sociedade em que o sexo é explícito, em que a informação pode ser adquirida nas mais variadas fontes, fiáveis ou não, é importantíssimo que todos os agentes educativos estejam despertos e preparados para educar para a sexualidade, sendo necessária, assim, formação e esclarecimento em Escola de Pais, procurando que se quebre a barreira entre pais e filhos no diálogo sobre a sexualidade.




Espera-se que a educação sexual não tenha caído em saco roto. Esperam-se estudos de identificação de casos sociais vulneráveis, diálogo e consenso e, como já antes defendi, políticas de Educação para a Sexualidade e Afectividade, numa cultura de Liberdade e Responsabilidade.O diálogo está aberto. Encontre-se o melhor caminho.




Projectos de prevenção da gravidez adolescente

PSD/Açores defende rápida prevenção de gravidez adolescente
O líder parlamentar do PSD/Açores, Clélio Meneses, defendeu hoje a «urgência da aplicação das medidas previstas para o planeamento familiar e educação afectivo-sexual previstas na legislação desde o ano 2000».

Clélio Meneses sustentou a sua reivindicação no facto de os Açores «serem a região do país onde é mais elevado o número de gravidezes na adolescência» tendência que necessita de medidas «para diminuir os casos».

«Isto é mais grave ainda quando em sede de comissão parlamentar o Secretário Regional dos Assuntos Sociais afirmou que em 2005 o número de casos foi de 175 casos enquanto o Serviço Regional de Estatística contabilizava 321 casos», disse o parlamentar.

Clélio Meneses acusou o governo de «não saber o que se passa na gravidez da adolescência o que indicia a necessidade de serem tomadas medidas urgentes».

O grupo parlamentar social-democrata reuniu hoje com o Sindicato Democrático dos Professores pelo facto de, e segundo Clélio Meneses, «em sede de comissão parlamentar os socialistas terem recusado ouvir os sindicatos dos enfermeiros e professores e ordem dos médicos».

Para que a avaliação seja adequada, acrescentou, é necessário ouvir os agentes que «têm um envolvimento directo nesta questão mas o PS, fugindo ao diálogo e ao sentir real dos problemas das populações através daqueles que as representam rejeitou a audição do sindicato dos professores».

Clélio Meneses justificou a iniciativa do grupo parlamentar junto do sindicato dos professores alegando que «os professores têm um papel fundamental na formação humana».

Na próxima semana o grupo parlamentar laranja vai ouvir, também, na ilha de São Miguel o Sindicato dos Professores dos Açores.

Por seu turno o presidente do Sindicato Democrático dos Professores, Fernando Fernandes, disse que tinham «transmitido o seu diagnóstico sobre esta situação nas escolas» realçando a «sua importância fundamental da educação escolar para a sexualidade».

«Esta educação sexual deve ser inserida num âmbito mais vasta de uma educação para a promoção da saúde», formando professores, criando grupos de apoio e atendimento nas escolas, disse.

Segundo Fernando Fernandes o diagnóstico assenta de uma «observação no terreno» que nos Açores leva a que «a situação precise de afinações» nomeadamente através da «criação de gabinetes de atendimento de alunos, compostos por equipas multidisciplinares de professores com formação específica».

«A escola teria assim um papel de intermediação entre os problemas dos alunos e aquilo que são os seus contextos familiares e as suas necessidades de desenvolvimento pessoal».

O PSD/Açores entregou, no passado mês de Maio, na Assembleia Legislativa Regional uma proposta de resolução para ser «efectuado o diagnóstico regional ao nível da maternidade» esperando que ele venha a ser discutido na sessão legislativa do corrente mês de Setembro.

Diário Digital, 13-09-2007

Triunfo da vida na Nicarágua é exemplo para o mundo

O lobby abortista é muito forte; tal já tem sido noticiado neste blog, mas desta vez a defesa da vida ganhou!
É chocante concluir-se que são os países ricos que, em nome da ajuda aos países pobres, lhes incentivam a redução da população em jeito de acabar com o “problema”.
Leia a notícia completa aqui.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A máquina do aborto

Quem financia a Catholic for a Free Choice?


Em 2002 Frances Kissling, presidente das Católicas pelo Direito de Decidir nos Estados Unidos, concedeu uma entrevista de mais de sete horas de duração narrando a história da organização que ela coordena até hoje. A entrevista original encontra-se no endereço

http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/kissling-trans.html

e mais adiante, nesta mensagem, o leitor encontrará a tradução de um condensado da mesma.

Frances Kissling preside a Catholics for Free Choice, ou Católicas pelo Direito de Decidir, uma organização internacional sediada em Washington que trabalha atualmente com a promoção do aborto nos Estados Unidos, em todos os países da América Latina e na União Européia. No momento já está iniciando sua expansão para os países da África.

De Católicas elas possuem apenas o nome, propositalmente escolhido para confundir. Seu verdadeiro objetivo é a implantação definitiva e irreversível da prática do aborto em todo o mundo. Para isto são financiadas, juntamente com uma numerosíssima rede de outras ONGs que atuam em um só conjunto em todo o globo para este mesmo fim, por uma outra impressionante quantidade de fundações que definem as estratégias, financiam o trabalho e não costumam aparecer para o público.

A entrevista é grande e o texto abaixo, embora bem menor, é ainda um pequeno resumo. Mesmo assim, os leitores desta mensagem são exortados a imprimirem o conteúdo para poder lê-lo com calma, ainda que este trabalho possa demandar algum tempo. Esta entrevista é importante não por causa do enredo da história principal, centrado na carreira de Kissling e na fundação das Catholics for Free Choice, mas pela extraordinária riqueza de detalhes paralelos que vão sendo mencionados ao longo da narrativa.

Estes detalhes, numerosíssimos em toda a narrativa, evidenciam a onipresença das fundações que financiam internacionalmente o aborto, e que o fazem movidos por uma ideologia totalmente diferente daquela que anima os próprios agentes que aparecem para o público como sendo os promotores do aborto. São estas fundações internacionais que já há décadas traçam as estratégias e financiam os trabalhos que serão realizados pelas organizações locais, as únicas que terão alguma visibilidade apenas para um reduzido público. Para a grande maioria do povo nem mesmo estas organizações aparecem, apesar de serem contadas em várias centenas no Brasil e em muitos milhares no estrangeiro, espalhadas por todo o globo em uma rede estrategicamente coesa e coordenada pelo financiamento das grandes Fundações. Para o grande público, no qual estão incluídos a maioria dos políticos e responsáveis pelo destino das nações, a explosão da pressão pela legalização do aborto parece ser um fenômeno natural, conseqüência inevitável do desenrolar da história, da expansão das comunicações ou do desenvolvimento político, contra o qual nada pode ser feito porque nada haveria para ser feito.

Poucos conhecem o gigantesco trabalho que esta máquina descomunal desenvolve no Brasil para promover o aborto e o quanto ela penetrou em todas as instâncias estratégicas da política governamental, mesmo contra a opinião da maioria do povo brasileiro, que é esmagadoramente contra não somente a prática como também contra a legalização do aborto. Muito menor é o número dos que conhecem as fundações que elaboraram toda esta estratégia, que promovem todo este trabalho e que estão todas sediadas no estrangeiro, decidindo desde lá o que deverá ser implantado no Brasil. E até mesmo para a própria Frances Kissling, que está no coração deste trabalho, como se depreende claramente de suas palavras, as verdadeiras intenções destas fundações das quais ela recebe o dinheiro para desenvolver suas atividades, estão envoltas em muitas dúvidas.

Para incentivar a leitura deste condensado, é interessante chamar a atenção do leitor para a importância de alguns dos numerosos detalhes que aparecem ao longo desta história e que revelam justamente aquilo que está para além da história que está sendo nardada. Espero poder incentivar o leitor a um estudo sério deste documento e também mais adiante deste mesmo assunto.
(Introdução à entrevista)

Reconsiderando as leis?


On the 40th anniversary of the Abortion Act, the debate as to how late a woman can leave it before she terminates her pregnancy has been reignited.


Yesterday in the Mail, Amanda Platell argued that the current 24-week limit should be cut.


Ver a notícia no Daily Mail.
Ler mais acerca desta notícia aqui (Daily Mail censors own story).

Aos Pais

Vamos ler com as crianças na escola e em casa


Programa de incentivo à leitura na Educação Pré-Escola e no 1.º Ciclo


Marque 5 minutos por dia para ler com e para o(s)/a(s) seu(s) filho(s)/filha(s)


- Pergunte ao/à seu/sua filho/a se quer que lhe leia uma história.


- Deixe-o/a escolher o livro.


- Procure:


  • um sítio cómodo para os dois;

  • uma hora em que, nem um, nem outro estejam a ver televisão;

  • um momento disponível e tranquilo para ambos.

- Sentem-se juntos para ler, de forma que a criança observe as imagens e veja onde o adulto lê, apontando o que se está a ler.


- Se o livro for grande, leia-o por partes.


- Leia com expressão, pronunciando claramente as palavras e usando pausas.


- Durante a leitura, converse sobre:



  • o que acha que vai acontecendo a seguir;

  • explique alguma palavra que ele não perceba;

  • a relação do que está a acontecer e o que aconteceu anteriormente;

  • entusiasme o/a seu/sua filho/a a ler algumas palavras que já conheça;

  • mostre-se contente com os sucessos que vai observando durante a leitura («Já conheces muitas letras!», «Já sabes ler esta palavras!», «Entendeste muito bem a história!», etc.).

- No final da leitura, converse sobre a história, perguntando quais as personagens de que mais gostou, o que achou interessante na história, etc.


- Dê-lhe também a sua opinião sobre o que leram.


- Converse sobre atitudes e comportamentos bons e maus das personagens e ensine-lhe o que devia ser feito.


- Interrompa a leitura sempre que o/a seu/sua filho/a mostrar sinais de cansaço.


É muito importante que os pais dediquem todos os dias um tempo aos seus filhos. Ofereça-lhe um tempo de alegria e carinho: leia e conte-lhe histórias!



(Gabinete para a expansão e desenvolvimento da educação pré-escolar - texto adaptado.)

Nascer

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava toda a ternura que olhava
nos olhos de minha mãe...

Sebastião da Gama, Serra-Mãe, Ática

domingo, 16 de setembro de 2007

Protejam o Darfur


Dalai Lama alerta para a crise humanitária e António Guterres comenta a crise, aqui.

VOLTA A PORTUGAL EM CADEIRA DE RODAS


"Um grito rebelde e de sede de justiça". É assim que o paraplégico José Lima resume a viagem de vinte dias que fez desde Viana do Castelo até Faro, onde chegou no dia 21 de Agosto, em cadeira de rodas. Depois de ter percorrido 800 quilómetros numa cadeira adaptada com pedais e uma espécie de caixa de velocidades, José Lima vestia uma camisola amarela à chegada a Faro como símbolo da sua vitória.


Pelo caminho, encontrou um apoio inesperado, sentiu a solidariedade dos portugueses “a cada curva”, o que o fez emocionar-se mas, diz, gostava que essa sensibilidade estivesse também presente nos que ditam os destinos do país. “Espero que essa sensibilidade esteja também nas esferas superiores, nas pessoas que nos governam”, afirmou, perante as dezenas de pessoas que o esperavam à porta do Governo Civil de Faro, onde estavam várias entidades oficiais, entre as quais Idália Moniz, Secretária de Estado-adjunta e da Reabilitação. A representante governamental reconheceu que é preciso proceder a uma mudança de mentalidades e considerou que a viagem do paraplégico foi fundamental para chamar a atenção sobre a temática. “A sociedade está pouco disponível para coabitar com a diferença”, assumiu, realçando a importância da legislação que concede aos grupos de cidadãos o poder de denunciar o incumprimento das regras de acessibilidade.


As histórias da viagem foram muitas e não faltaram os apoios de muitos populares. José Lima recorda com especial carinho os grupos de ciclistas que o acompanharam ao longo de vários quilómetros, bem como atletas a correr, com especial destaque para José Arruda, presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, que correu agarrado à sua cadeira de rodas durante nove quilómetros. “No Alentejo, um hipermercado parou e todos os funcionários vieram para a berma da estrada esperar-me”, relembra, e conta de imediato outro momento da viagem, - “talvez o que mais me comoveu” -, quando o levaram a ouvir o Grupo Coral dos Mineiros de Ajustrel que cantaram em sua honra.


Com formação em electrónica industrial, foi um alto quadro de empresas portuguesas no mundo. Desempenhou funções na Venezuela e em Angola, país este que viria a marcar decisivamente o seu futuro. Em 1997, um acidente de trabalho deixou-o paraplégico. “Estava a reparar um elevador no Ministério das Finanças em Angola, que me esmagou contra uma parede de betão. Tenho sorte em estar vivo”, conta. A partir daí, e após os longos tratamentos em diversas unidades hospitalares do país, teve que se adaptar à sua nova condição e passou a enfrentar um sem número de preconceitos e barreiras. “Quando concorro a um posto de trabalho, envio o currículo e por telefone está tudo bem e até chego a ir a várias entrevistas, mas quando lá apareço em cadeira de rodas, apresentam uma série de desculpas e despacham-me”, confessa revoltado. Esta é uma das principais razões que o levaram a efectuar esta empreitada. “Esta volta foi um grito de dor, de protesto, por eu saber que posso trabalhar, tenho conhecimentos técnicos e experiência para o fazer e há três anos que estou desempregado. Nós, deficientes, não temos igualdade de oportunidades”, reafirma. Sem emprego, não ficou de braços cruzados e montou uma mini-gráfica em casa, onde já editou dois livros da sua autoria e outras obras assinadas por autores da região. “Faço todos os processos de criação do livro desde a escrita, à impressão e à encadernação”. Agora pensa contar a sua odisseia em livro. No final, José Lima não tem dúvidas em afirmar “que o objectivo foi cumprido”. “Queria descansar e não tinha tempo”, gracejou, afirmando que não trocaria a viagem que fez “por nada” e que estes dias foram as suas verdadeiras férias. Pioneiro da iniciativa, já foi contactado por uma empresa que quer organizar a próxima “Volta a Portugal em Cadeira de Rodas”, a realizar em Julho de 2008. Para já, conta com a predisposição de 20 participantes, mas continua a aguardar por mais interessados.


Notícia daqui.

ESPOSENDE SOLIDÁRIO - CISE

Um novo rumo a cada amanhecer

Com um aspecto um pouco masculino, há muito tempo que Maria, que prefere não dar a conhecer a sua verdadeira identidade, perdeu as vaidades da feminilidade. A vida nunca lhe sorriu e mesmo depois dos 40 anos, a história que vai traçando diariamente é-lhe muito custosa. Aceitou falar connosco a pedido da psicóloga da instituição onde está, pessoa pela qual nutre grande carinho e admiração.
Filha de pai alcoólico, apenas completou o primeiro ano de escolaridade e pouco mais sabe escrever do que o seu próprio nome. Natural de Lisboa, viveu quase toda a vida em vila Nova de Gaia e desde os 13 anos que salta de trabalho em trabalho, consoante o que aparece para fazer. A bebida entrou na sua vida cedo, quando era ainda menina e ajudava o pai no trabalho a serrar a lenha. Com mais seis irmãos e uma família onde a violência doméstica era uma realidade diária, Maria encontrou no vinho e na cerveja um escape para o ambiente onde vivia.
Envergonhada, afirma que com 16 anos já era uma alcoólica. “Até me levantava de noite para beber. Bebia muita cerveja, mas o que mais gostava era de Martini”, diz. Maria é mãe de duas crianças, ambas menores e a viverem em instituições de acolhimento. Enquanto esteve grávida de ambos os filhos nunca parou de beber, apesar de saber que era prejudicial para o feto. Desesperada com a vida, chegou a tentar provocar o aborto do segundo filho. “Estava completamente descontrolada, não tinha noção do que fazia e cheguei a esmurrar a minha própria barriga”, conta. Separada do marido, encontrou na Comunidade de Inserção Social de Esposende (CISE) uma possibilidade viável de mudar o rumo da sua vida. Está inserida na instituição há pouco mais de uma ano e orgulha-se de apenas ter tido uma única recaída que a levou a consumir. Após duas desintoxicações sem resultados no Hospital Magalhães Lemos, no Porto, uma médica falou-lhe da CISE e, depois de ter ficado sem os filhos com a intervenção da Comissão de Protecção de Menores, Maria resolveu tentar uma última vez.
A história de Maria é uma das muitas histórias que preenchem o quotidiano da CISE. Nascida no seio da instituição de solidariedade “Esposende Social”, a Comunidade de Inserção foi inaugurada em Janeiro de 2005 como resultado de um conjunto de acções de cariz socio-económico que culminaram com a criação de uma estrutura gratuita destinada a apoiar os doentes alcoólicos na descoberta da motivação para o tratamento, promovendo assim a ruptura do ciclo geracional de exclusão. “Tínhamos uma grande percentagem de situações de precariedade social, sendo que o drama do alcoolismo era transversal a quase todas elas, fosse da parte do pai ou da mãe”, explica Teresa Vieira, directora-técnica da instituição. “À medida que se mergulha nos problemas, passa-se a ter uma visão mais profunda e o alcoolismo é um fenómeno que tem que ser trabalhado, porque põe tudo o resto em risco”, diz. Esta visão fez com que no âmbito do projecto comunitário de Luta Contra a Pobreza fosse privilegiada a acção nesta área. Em colaboração com o centro de saúde local, que cedia o espaço, e com outras instituições que tratavam o fenómeno do ponto de vista da desintoxicação e do acompanhamento médico, foi crescendo a ideia da construção de uma casa que permitisse acolher quem realmente quisesse sair do ciclo vicioso.
A opção pela ajuda ao universo feminino partiu do facto de serem as mulheres as protagonistas da vida familiar. “São as mulheres que recorrem às estruturas de protecção social, seja para pedirem habitação, dinheiro ou comida, são elas que dão a cara”, afirma Teresa Vieira. Com capacidade para oito mulheres em regime de internato e 12 em centro de dia, a grande prioridade de intervenção foram as mães com crianças menores, não só do concelho de Esposende, mas de toda a região Norte, incluindo alguns casos de Bragança. As doentes vêm encaminhadas de diversas instituições, sejam elas hospitais, centros de saúde, Segurança Social e até pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco. Qualquer utente tem um período de internato que varia entre os três meses a um ano, sendo que já vêm devidamente desintoxicadas e medicadas.
Ana Sofia Cruz é a coordenadora da Comunidade de Inserção desde o seu nascimento. Psicóloga de formação, afirma que não é fácil lidar com a frustração diária de cada uma das utentes. “Estamos constantemente a vê-las num processo de avanços e retrocessos, criámos uma ligação com elas e, por isso, nos custam mais as recaídas e as falhas”, explica. A psicóloga vai mais longe e não tem dúvidas em afirmar que o modelo adoptado em Esposende é muito experimental. “Nós fazemos aqui coisas que não vêm nos livros e, muitas vezes, os contradizem, incluindo a própria relação psicólogo-doente”. “Somos um pouco de tudo: mães, amigas e, às vezes, até filhas, para que elas aprendam a lidar com os próprios filhos”, diz. “Aqui, estas mulheres, pela primeira vez, têm oportunidade de pensar sobre a sua própria existência. Muitas nem sabiam que tinham escolha, viviam vidas de sofrimento, muitas vítimas de violência doméstica, legitimada por elas, já que não conheciam mais nenhuma realidade”, explica a psicóloga.
A dimensão psicológica é muito trabalhada, mas o lado familiar, as competências profissionais e as necessidades de saúde não são descuradas. “Muitas destas mulheres chegam sem qualquer tipo de competência e todos os dias são dias de aprendizagem”, explica Ana Sofia Cruz. Quinzenalmente recebem a visita de profissionais de enfermagem para sessões de “Educação para a Saúde”, onde são discutidas questões como a adopção de métodos contraceptivos ou os malefícios do álcool. O grupo de desenvolvimento de competências parentais é muito frequentado, pois ensina a ser mãe e trabalha temas como o acompanhamento escolar dos filhos, a punição das crianças, etc. A horticultura terapêutica é outra das actividades que a casa proporciona às utentes, em colaboração com o departamento de ambiente da Câmara Municipal de Esposende. As oficinas culturais servem também para preencher o tempo das mulheres, que nos primeiros dois meses de internamento é muito complicado. “Nos primeiros dois meses não têm direito a sair da comunidade para assim conseguirmos prevenir o risco, porque uma simples ida ao café significa um grande risco”, explica a psicóloga. Com o passar do tempo as saídas vão sendo mais constantes e aos poucos é promovido o regresso a casa, com um aumento progressivo da flexibilidade de horários e da autonomia de cada uma. “Somos uma comunidade aberta. Quem quer pode desistir e as portas estão sempre abertas”, afirma Ana Sofia Cruz e acrescenta que as actividades no exterior são muito privilegiadas, uma vez que a grande maioria das utentes é proveniente de meios muito isolados.
Maria teve uma recaída durante todo o tratamento. Estava a temperar uma salada e não resistiu a beber um copo de vinagre. As recaídas são uma realidade diária das utentes e fazem mesmo parte do processo de cura. A motivação de cada uma é que determina o sucesso, pois a abertura ao mundo exterior e o contacto com a realidade que deixaram cá fora é uma inevitabilidade. Sem querer referir números, uma vez que o tempo de existência da comunidade é ainda muito curto para se poderem avaliar resultados, a coordenadora da CISE adianta que das cerca de três dezenas de mulheres que passaram pela casa, 13 tiveram alta, embora haja diversas desistências. Maria tem apenas um sonho: não voltar a beber e ter os filhos de volta. “Espero arranjar os meios para lidar com os meus problemas, sem precisar de beber”. Mulher de estatura média, musculada e queimada pelo sol, Maria sente-se protegida pelos muros da instituição, os desejos de uma vida diferente começaram a nascer agora, depois dos 40 anos, porque até então, acreditava que a vida que tinha era a única possível. Todas as manhãs, quando o sol nasce e começam as tarefas diárias, Maria acredita que cada dia é um passo em frente para um novo rumo.
Associação Esposende Solidário – Retrato
Foi constituída juridicamente em 1994 por 16 instituições públicas e privadas com vocação solidária. Através do primeiro projecto de Luta Contra a Pobreza, a associação concretizou um dos sus objectivos básicos de intervenção, nomeadamente, a recuperação da habitação degradada e o apoio à auto-construção a famílias em situação de grande precaridade social. Enquadradas em programas de solidariedade social, a associação desenvolveu diversas acções no âmbito da formação profissional, acompanhamento a famílias, apoio técnico e material a equipamentos sociais locais, criação de um clube de Emprego e de uma Unidade de Inserção na Vida Activa (UNIVA), dinamização de dois espaços sócio-educativos para jovens, entre outras. Oferece à comunidade serviço de creche, ATL, centro de dia, apoio domiciliário, atendimento social, serviço de enfermagem, refeitório, possuindo ainda uma empresa de inserção.
Notícia daqui.

Correia de Campos assume falhas no SNS e promete mudanças

O ministro da Saúde assumiu a existência de falhas no Sistema Nacional de Saúde, nas áreas da saúde dentária e planeamento familiar. No Parlamento, Correia de Campos deu ainda sinais de que o Estado pode vir a comparticipar a vacina contra o cancro do colo do útero e prometeu novidades agora que se prepara o Orçamento de Estado para 2008.
Ver mais aqui.

Há homens e mulheres corajosos/as!




Segundo um estudo de um investigador da Universidade de Coimbra, os custos até aos 25 anos, são sempre superiores a 230 mil euros – mas podem triplicar. Aqui, em VISÃO.pt, vai poder tirar as suas dúvidas com um especialista em economia familiar. Não perca a oportunidade!


Quanto custa criar um filho?

A decisão de ter um bebé devia ser tomada com uma calculadora na mão. Segundo um estudo de um investigador da Universidade de Coimbra, os custos, desde o nascimento até aos 25 anos, são sempre superiores a 230 mil euros – mas podem atingir quase três vezes mais, ou seja, o preço de um apartamento de luxo, na capital

João Luz / VISÃO nº 758 14 Set. 2007

Para Pedro Salinas Calado, «chapa ganha é chapa gasta». O arquitecto, de 38 anos, partilha com a mulher, Marta, enfermeira, da mesma idade, o projecto de ter «de sete a 14 filhos». Embora a meta não seja rígida e sirva de resposta bem-humorada aos comentários dos amigos, estão no bom caminho. O clã Salinas Calado já tem seis, o que transforma a gestão do orçamento familiar numa constante aventura: se um filho é caro, meia dúzia são muito mais.
As despesas desta família numerosa assumem proporções milionárias, à luz de um estudo de João Barbosa de Melo, 44 anos. Este professor de Economia da Universidade de Coimbra situa os gastos totais, do parto à emancipação, em valores entre os 236 500 e os 679 000 euros – consoante a família seja de classe média baixa ou média alta.
O estudo remonta a 2004 mas, segundo o docente, continua actual. «Admito que a margem de erro dos preços ronde os 20% ou 30%, para cima ou para baixo. Como nos últimos três anos os preços aumentaram 5%, o sentido geral não se alterou.» O trabalho foi realizado para um seminário do Centro Integrado de Apoio Familiar de Coimbra. «Quando me convidaram para fazer o estudo, verifiquei não haver nada do género. Recorri à experiência de pai e usei os preços médios de Coimbra como critério de valor. Mesmo assim, os montantes são modestos. Não prevêem, por exemplo, despesas com aparelhos para dentes ou com uma doença grave.»
Na casa de Vila Nova de Milfontes, onde a família Salinas Calado passa férias, as perspectivas negras abertas pelo estudo do professor não se fazem sentir. Nem o facto de oito pessoas partilharem a mesma casa as transforma em personagens de filme italiano dos anos setenta. Exactamente o contrário. A tranquilidade dos pais e a vivacidade das crianças dissipa qualquer ideia de dificuldade. Como é que conseguem?
«Não temos TV por cabo e mantemos uma pequena televisão que nos deram quando casámos, há 11 anos», exemplifica a enfermeira. A receita de Pedro? «Passamos férias quase exclusivamente em casa de familiares e só comemos fora um dia. Nas raras vezes em que vamos ao cinema, escolhemos a dedo o filme, para agradar a todos.» No fundo, a fórmula resume-se a «definir prioridades e reconhecer as coisas imprescindíveis. Esta racionalização torna mais gostoso o que fazemos juntos.»
O luxo da educação
Marta e Pedro gastam, por mês, cerca de 3 mil euros com os filhos. Desta verba, aproximadamente 70% são absorvidos pelo ensino. «Privilegiamos a educação deles. Essa é a prioridade. Mas se acontecer uma fatalidade e tivermos de os passar do colégio para o ensino público, não é nenhuma tragédia», diz o pai, enquanto embala Francisco, o mais recente filho, de 3 meses.
Com notícias como a do aumento de 3,1% do preço dos livros escolares para o primeiro ciclo, é natural que Setembro se torne um mês complicado para as famílias portuguesas. É já assim para o clã Guerra. Luís, o patriarca, de 48 anos, responsável comercial de uma editora livreira, confirma que «o pior período é o de regresso às aulas». A mãe, Maria de Lurdes, 46 anos, acrescenta que só com António – o delfim, de 11 anos, de um trio de filhos – já gastou «123 euros em livros, mais 100 em material escolar». Luís afirma, no entanto, que não faz este tipo de contas por considerar a educação um investimento essencial.
Têm sorte, pois os filhos não reclamam mochilas de marca. Facto que não ocorre por acaso, uma vez que conseguiram passar às crias valores que contrariam a maré consumista. Lurdes felicita-se por os filhos «não exigirem roupas sofisticadas e pouparem as que têm». Em casa, cultivam-se princípios de solidariedade e de entreajuda e, nas alturas mais apertadas, há compreensão de todos para os sacrifícios que têm de enfrentar. «Já acumulámos o emprego com outros trabalhos: fiz revisões de livros e a Lurdes deu explicações. E apertámos o cinto», explica o pai.
Luís arrepia-se quando ouve outros dizerem que só tiveram um filho para lhe poderem dar tudo. «Assim, os miúdos não têm de lutar por nada, porque tudo lhes é dado de mão beijada e tornam-se egoístas.» Portugal envelhece
Uma das formas mais saborosas de cortar despesas no orçamento familiar vem dos avós Guerra. «De vez enquando, enchem-nos a despensa com hortaliças, batatas, cebolas e carne. É a rede de solidariedade familiar, que se alastra aos vizinhos quando um deles está em dificuldades. No fundo, procuramos recriar o espírito de entreajuda que há nas aldeias, mesmo aqui no prédio», esclarece Luís Guerra.
Esta ideia de cooperação rural perdeu terreno com a urbanização – um dos factores apontados por Anália Torres, 53 anos, socióloga de família, como determinantes da baixa natalidade em Portugal. Dizer que os aspectos financeiros têm esterilizado a nossa sociedade não explica a diminuição dos nascimentos. «Nos países do Sul da Europa, onde até aos anos 90 eram boas, as taxas de natalidade caíram vertiginosamente a partir da altura em que a agricultura perdeu peso.» O círculo vicioso começa com a competitividade no trabalho, a qual exige cada vez mais estudo e retarda a autonomia dos filhos. Também a precariedade laboral adia a procriação. «Estas são as causas de a fecundidade ser cada vez mais tardia, levantando problemas biológicos: quanto mais tarde se tenta engravidar mais difícil se revela consegui-lo, o que, por vezes, impossibilita a chegada de um segundo bebé.»
No entanto, a socióloga adianta que, nos inquéritos a famílias nacionais, recorrentemente se detecta a vontade de ter mais filhos. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o número médio de filhos por mulher em idade fértil foi de 1,36, o ano passado. Longe dos 2,1 que garante a renovação das gerações e a sobrevivência do sistema de segurança social. Para contrariar este panorama, o Governo anunciou medidas de apoio à natalidade. Mas, para João Pedro Pinto, assessor de imprensa do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS), «o Executivo não tem uma política de natalidade». O que está a aplicar é um conjunto de medidas «de ajuda às famílias», entre as quais se conta duplicação do número de lugares em infantários públicos. «Só este ano foram inauguradas 139 creches. Pretende-se que, até 2009, sejam abertas 25 mil novas vagas», diz João Pedro Pinto.Outra das medidas anunciadas é o reforço dos abonos de família, que passam a beneficiar também as grávidas a partir do 4.º mês de gestação. E serão aumentados os valores dos abonos relativos a segundos e terceiros filhos. «No futuro, se nascer o mesmo número de bebés, nove em cada dez terão direito a abono.»
‘Qual vida social?’
Os custos de ter um filho não se reflectem apenas no extracto bancário. Quando uma criança vem ao mundo, abala, irreparavelmente, a vida dos pais. Para Jorge e Cláudia Calado, os gastos mensais de 1 500 euros com Henrique e Guilherme (de 2 e 4 anos, respectivamente) fazem uma mossa no orçamento mensal da família, de cerca de 5 mil euros. Mas o maior impacto foi nas suas vidas sociais. Jorge divide as épocas entre «quando se tinha vida e quando se deixou de ter». Para o consultor, de 33 anos, o tempo gasto com o trabalho e os filhos deixou o casal sem espaço para lazer. «Estou a ler a biografia de Winston Churchill há mais de um ano. Só consigo pegar no livro às 11 da noite e, dez minutos depois, estou estendido no sofá a dormir», conta Jorge. Cláudia, 36 anos, atalha que jantares fora e saídas à noite são para esquecer. «Mas também, no final do dia, nem se pensa em discotecas: queremos é ir para a cama.» Na hora de fazer um balanço, a mãe, técnica administrativa, não consegue encontrar palavras para descrever a realização pessoal que a maternidade lhe conferiu. É ajudada por Henrique que, ao passar perto, de triciclo, exclama: «Mãe!» Então, apercebe-se, emocionada, de que é isso mesmo. «A palavra mãe dita por eles enche-me o coração. Quando acordam e estão carentes de mimos e se agarram a mim – são momentos que compensam tudo.» Um mar de rosas? «No início de carreira, coincidente com a idade para se ter filhos, a hipótese de alargar a formação é afectada», observa Jorge.
A experiência de Jorge Calado confirma os resultados do estudo de João Barbosa de Melo. «Na minha investigação, ponderei uma parcela intitulada ‘rendimentos perdidos’. Ter descendência implica investir tempo que podia ser passado em horas extraordinárias, no emprego ou a dar uma imagem de eficiência, para agradar ao patrão. Se for pai, o empregado não pode ficar a trabalhar até à meia-noite. Por isso, no estudo, considerei a perda de uma hora de trabalho por dia, quando se tem filhos.»
Sr. dr. filho
Com a crescente competitividade na busca de emprego, a licenciatura tornou-se mais frequente, nos currículos dos portugueses. Esse facto não só adia a emancipação como representa mais um encargo para os pais. António e Elsa Guilherme, de 52 e 53 anos, respectivamente, ainda sentem na pele o preço da qualificação dos filhos. Mafalda, 23 anos, a segunda de três filhos, está a terminar a licenciatura em Biologia Marinha, na Universidade do Algarve, e prepara-se para um mestrado. «Um acréscimo nas propinas que rondará os 150 euros mensais. A que se juntam 150 para o quarto alugado em Faro, 200 euros para comida e despesas básicas, mais 50 euros para roupa e 40 euros para transportes. É uma pipa de massa», diz aquele vereador do Município de Loures. Depois de juntar a estas as despesas de Henrique (o mais novo, com 17 anos), os valores rondam os mil euros mensais. Inês, a filha mais velha (26 anos), já não contribui para o somatório. Licenciada em Psicologia numa universidade privada, ganhou autonomia com o primeiro emprego. Não lhe renovaram, porém, o contrato e anda à procura de trabalho. «Se não arranjar, nós estamos cá para a ajudar no que for preciso», assegura a mãe, funcionária camarária.
António estabelece uma fronteira, na qualidade de vida da família, que, nos últimos três anos, sofreu um rude golpe: «Foi grande o impacto financeiro do ingresso das duas filhas na universidade, tanto mais que coincidiu com alguma degradação do poder de compra da classe média.» O pai adianta que, hoje em dia, têm «de fazer contas diariamente e o fim do mês é um aperto».
‘Bom senso, disciplina e planeamento’
...... é a receita para equilibrar as contas das famílias, segundo Henrique Fonseca, 60 anos, colaborador do Centro de Orientação Familiar (CENOFA), onde aconselha casais sobre economia familiar. Oficial das Forças Armadas na reserva, aprendeu com o desafio de criar sete filhos. «Os problemas com o dinheiro podem, no entanto, ser a gota de água que destrói casamentos que já não andam bem», defende o experiente Henrique.«É preciso ajustar o estilo de vida ao nível de rendimentos.» Mas isso não basta. «Há que cortar nas despesas supérfluas e ser rigoroso: não deixar o endividamento ultrapassar os 40% do rendimento familiar. Não deixar a televisão em stand-by nem luzes acesas, desnecessariamente, tomar duches rápidos, concentrar as compras de roupa e calçado nas épocas de saldos ou reduzir ao essencial as conversas ao telemóvel», defende.
Rui e Conceição, ambos de 38 anos, são contabilistas e vivem em Leiria. Pais de três filhos entre os 4 e os 10 anos, apostam na sua formação cultural e no desporto. E é nesses campos que gastam grande parte dos seus ordenados. Dos cerca de 1 200 euros de rendimento mensal do agregado, metade vai direitinho para as contas das crianças. A família Roberto, que se radicou em Leiria para evitar os custos da capital, usou a imaginação para controlar os seus gastos. «Se deixarmos uma luz acesa, temos menos dez cêntimos na mesada», conta Pedro, o filho mais velho. Conceição completa a equação de poupança: «Se a conta da luz for mais de cem euros, a diferença é paga por todos; se for menos, o Rui distribui o que se poupou.» E o que se lucra com um filho? Luís Guerra dá uma pista. «Há pessoas que lutam muito para ter determinado tipo de coisas, como um carro. Isso, para mim, não é fundamental, mas sim o que considero a nossa grande obra: os filhos.» Obra à portuguesa, sem fim e em permanente construção.
Texto daqui.

sábado, 15 de setembro de 2007

As crianças e a televisão



Temos de concordar que a televisão é inimiga do diálogo, e o diálogo é regra de ouro na família. A televisão, embora possa ter algumas coisas boas, se não é usada com prudência e sabedoria pode "disfarçadamente" deseducar os filhos e desencorajar hábitos que tanto trabalho deram aos pais a fomentar. É imprescindivel ter muita atenção e cuidado com os média, nomeadamente com a televisão. A regra deve ser a televisão apagada, sobretudo durante as refeições. Quem acende a televisão devem ser os adultos, sendo que os filhos se quiserem terão de pedir autorização aos pais para verem determinado programa. O deixar ou não ver determinado programa, concurso, filme ou documentário, deve ser uma decisão ponderada pelos pais com base na qualidade do programa em si e não com base no comportamento da criança ou na sua vontade.

Há de facto algumas coisas boas na t.v., ela pode proporcionar um entretenimento saudável e moderado se for usada de forma razoável e inteligente (como meio de unir a família portanto! e não o oposto).

O ideal é que haja apenas um aparelho de televisão na casa, isto dá aos pais um maior controle e faz com que todos sejam mais responsáveis na sua utilização. O desejado é que a família possa assistir em conjunto a bons programas, filmes, eventos desportivos, que sejam fonte de diálogo, de troca de ideias, risos e emoções em conjunto. Claro que as crianças podem fazer sugestões e pedidos para ver determinada série, mas são os pais que decidem como, o quê e quando (depois de se informarem bem acerca do programa e do seu conteúdo educativo). Esta liderança enfatiza a autoridade dos pais.


O que os pais devem procurar no uso moderado da t.v. não é apenas proteger as crianças, mas também ensiná-las a discernir por meio de critérios firmes, o que é bom e o que é mau.
Quando se tem um controlo sobre a televisão e esta sai "do centro da sala", acontecem espaços de tempo (inicialmente estranhos mas depois maravilhosos) para a vida em família. Mais tempo para pais e filhos se conhecerem, jogarem juntos, lerem bons livros, ajudarem-se mutuamente nas tarefas de cada um... Regra de ouro: saber tirar o melhor partido do pequeno ecrã!


Alexandra Chumbo, psicóloga.


Alberto João apela à natalidade e enaltece infantários




quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Suicídio

O país ficou mais uma vez em estado de choque com uma nova notícia chocante de suicídio (aqui e aqui), motivada por motivos de saúde.
Quem sofre de cancro, com muita frequência pensa no suicídio.
Mas não só.
Pessoas com depressão.
Agora, cada vez mais, jovens e até crianças.
Muitos, até pessoas famosas, como recentemente o actor cómico Owen Wilson.
A forma como os media tratam estes casos, infelizmente, também não ajuda muito e pode contribuir para um efeito multiplicador de imitação.
Dirão alguns que a legalização da eutanásia, alargada a casos de depressão, seria uma forma "higienizada" de resolver o problema. Mas essa, à semelhança do aborto por opção, seria uma forma simples, cobarde e hipócrita de lidar com a situação.
A família tem que estar mais atenta aos sinais do que se passa à sua roda, embora existam casos muito complicados que, quantas vezes, não se conseguem detectar a olho nú.
Para além de apoio institucional onde, entre vários, destaco a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, lembro-me sempre do filme "Do Céu caíu uma estrela" (no original, "It's a wonderful life"), de Frank Kapra.
Aí um homem afectado pelo fracasso profissional e financeiro decide suicidar-se, atirando-se de uma ponte.
Antes, porém, é-lhe dada a possibilidade de ver como seria o mundo, os seus amigos e familiares, caso nunca tivesse vivido.
Seria uma forma muito humana e simples de evitar estas decisões de desespero.
Aqui fica um excerto do filme.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Os contos de fadas, o casamento e Tolkien


A propósito do excelente artigo do Prof. César das Neves sobre casamento, contos de fadas e filmes de terror, encontrei este texto de J.R.R. Tolkien, autor da saga do "Senhor dos Aneis" que, numa carta dirigida ao filho antes deste se casar, escreve o seguinte:


“Quando o encanto se esgota, ou pura e simplesmente esmorece um pouco, julgam que cometeram um erro e que a verdadeira alma gémea continua por encontrar. Muitas vezes, essa verdadeira alma gémea revela-se na próxima pessoa sexualmente atraente que aparece. Alguém com quem poderiam ter partilhado um vantajoso casamento se ao menos...Daí o divórcio, para proporcionar esse «se tal ao menos»... Mas a verdadeira alma gémea é aquela com quem estamos realmente casados”.

Afinal o que tanto preocupa a opinião pública?


Sem ninguém combinar, sem ninguém dizer uma palavra, todos percebemos desde o início, aqui no blogue: não fazia sentido falar do assunto...

Qualquer ser humano percebe o quão doloroso é perder um filho ou uma filha, para mais de tenra idade. Por morte natural, ou, mais terrível ainda, por acidente, ou pior que tudo, em virtude de um crime, de um rapto, de um assassinato, uma vingança, um acto tresloucado. Alguma dessas situações poderá ter acontecido no caso do desaparecimento da filha do casal McCann, Madeleine, desaparecida em Maio no Algarve.

Contudo, por muito doloroso que seja o caso, não podemos, não devemos, transformar um problema e um drama familiar num espectáculo e num circo mediático. Nem podemos tratar de um drama pessoal, por mais trágico ou mediático que seja, como se não houvesse outros dramas, igualmente trágicos, que todos os dias ocorrem, nomeadamente com crianças pobres, de pais pobres, em países pobres. Crianças que todos os dias morrem de doenças que seriam facilmente curáveis com meios básicos, com recursos mínimos, em África, na América Latina, na Ásia. Meninos da rua que estão todos os dias à mercê do crime, da droga, e de todo o tipo de exploração, em grandes cidades, do Brasil às Filipinas, do México à África do Sul. Crianças com fome, crianças sem tecto e sem o mínimo acesso à educação em cidades, vilas e aldeias, por esse mundo fora. Crianças também que vivem, ou viveram não há muito tempo, no meio da guerra, órfãos alguns, vítimas de minas outros, com a infância perdida, quase todos.

E nos estratos sociais com maior nível de vida de muitos países emergentes? E nos países ricos, por todo o mundo ocidental? Crianças que sofrem com a violência doméstica e com as famílias estilhaçadas, crianças e jovens que são rejeitados ou meramente esquecidos pelos pais, crianças e jovens que têm muitas vezes tudo o que o dinheiro compra, mas apenas isso.

Por fim... que maior hipocrisia que a de uma sociedade que se diz terrivelmente preocupada com a sorte de uma menina desaparecida, de 4 anos, mas na qual se luta todos os dias para alargar e facilitar a prática do aborto, como direito, como prioridade social, com toda a naturalidade. Em Inglaterra como em Portugal.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Educação dos Filhos


Alguns tópicos importantes sobre "Educação dos Filhos", pela psicóloga Alexandra Cumbo no "Fora de Estrutura".


Aqui

E também Aqui .


Vale a pena ler e tentar ver como melhor levar à prática.