
Navarra e Múrcia anunciam que não cumprirão diploma. Galiza levanta dúvidas.
Mesmo depois de entrar em vigor, a lei espanhola que liberaliza o aborto até às 14 semanas está a suscitar polémica. Duas comunidades autónomas, Navarra e Múrcia, anunciaram a intenção de não cumprir o diploma, que está a suscitar reservas em várias comunidades governadas pelo Partido Popular, a principal força política de oposição em Espanha. O PP dirigiu entretanto um requerimento ao Tribunal Constitucional, solicitando a apreciação da constitucionalidade dos aspectos mais controversos da lei, uma das mais emblemáticas do Partido Socialista Operário Espanhol, de José Luis Rodríguez Zapatero.
Na Galiza, o Executivo conservador está a levantar dificuldades para o fornecimento de informações às mulheres que pretendam praticar o aborto, um dos requisitos do novo diploma. E em Madrid, praça-forte do Partido Popular, o responsável pela Saúde do Executivo comunitário, Javier Jernández Lasquetty, não deixou lugar a dúvidas: "Nenhum médico irá para a prisão por recusar praticar um aborto." O direito à objecção de consciência, por parte dos profissionais da classe médica, é uma das bandeiras do PP.
A Igreja Católica e associações representativas de médicos têm estado igualmente na primeira linha da oposição à nova lei. Ginecólogos pelo Direito à Vida e a Organização Médica Colegial são duas destas associações, que criticam diversos aspectos do diploma, designadamente - como ontem sublinhava o El Mundo, na sua versão digital - a possibilidade de uma menor poder interromper a gravidez num hospital público sem os pais serem informados.
Já o presidente da câmara de Madrid, o também conservador Alberto Ruiz-Gallardón, sugeriu que a lei deve ser suspensa até o Tribunal Constitucional se pronunciar sobre o recurso do PP.
Mas o Governo socialista, que fez da ampliação dos prazos da interrupção voluntária da gravidez uma das suas principais bandeiras, pensa de maneira muito diferente. "Nem a Constituição nem a lei orgânica do Tribunal Constitucional atribuem qualquer efeito suspensivo quando o recurso se dirige contra as leis do Estado", considera o representante do Governo nas suas alegações ao Tribunal Constitucional, recordando o princípio basilar da "presunção de legitimidade do Parlamento".
O Executivo de Zapatero diz ainda esperar que a lei se cumpra em todas as parcelas de Espanha.
Notícia daqui.
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