![[245312.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg5zgKQzmrHP4P9X-LWXiAhiCWWbRufsUk8Z7tnzHVzKnY0kPVqqORNIVYdcBmbKV1UdqGu4nxrfZ3T04zTZ4PTAYM5bSkfSLhlMrWVYpLn5jhpGX1jFS6cxd7C3Db3Mq6G30sfddTJoGw/s1600/245312.jpg)
Conforme notícia do jornal Público de hoje, “a comissão que regulamentou a lei do aborto decidiu que não será mostrada a ecografia do embrião à mulher quer vai abortar, contrariamente às recomendações do Presidente da República…”.Segundo aquele jornal, Maria José Alves, obstreta membro da comissão, sustenta que seria “abusivo” mostrar a ecografia, devendo esta ficar na posse do médico e no processo clínico da mulher e indo servir apenas para questões médicas – para datar a gravidez, para concluir que tipo de aborto é o mais adequado (como se algum tipo o pudesse ser) ou para saber se a gravidez se está a desenvolver sem problema. Caso se constate que a gravidez não seria viável, o facto será dito à mulher por ser “importante em termos psicológicos”.Já ninguém tem dúvidas: subtrai-se parte da informação que podia influenciar a decisão da mulher e considera-se que a mesma é a responsável pelo seu acto, reconhecendo-se que a sua decisão não poderá deixar de lhe causar problemas psicológicos.Não se espera coerência, pelo menos, dos que governam o país, nesta, como noutras matérias. O pragmatismo com que se decide acerca da vida das pessoas, nos métodos, em nada se diferencia das ideologias mais anacrónicas. Mas estas, ainda assim, justificavam a acção em função de princípios – discutíveis, concerteza, mas princípios.A invenção da arma de fogo trouxe consigo a oportunidade de aniquilar o “oponente” sem deixar na alma a marca do remorso, fruto da assombrosa visão provocada pelo testemunho do sopro pneumonológico que abandona o corpo lentamente e transforma a expressão de um rosto em agonia em absoluta inexpressão.Esta experiência última constituía o embaraço decisivo que haveria de tornar o acto de violentar o outro desprezível.O outro, a visão do outro, do seu rosto, é fonte de inestimável arcaboiço de aprendizagem de humanidade. Especialmente aprendizagem de misericórdia: “Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele e disse…” – Mc, 10, 21.O temor do legislador é que, por via do fitar do olhar, se revele a afeição, o amor profundo e se dê início a uma cumplicidade entre dois seres indeclinavelmente unidos.O que se teme é que se passe da afeição provocada pelo olhar à fase da tomada de consciência de um outro, um outro eu. Essa é a fase da linguagem: “…e disse…”.Teme-se, inexplicavelmente, que a mãe veja, se apaixone pelo seu filho e diga: - Meu filho.
Teme-se que a mulher se descubra mãe no reconhecimento da sua humanidade, na vocação da sua maternidade.Como se pelo facto da mulher não o ver, o seu filho deixasse de existir.A cultura de morte que esta lei institucionaliza resulta de uma obliteração tirânica de oportunidade do reconhecimento: o reconhecimento de uma vocação.
in:
http://foradeestrutura.blogspot.com/2007/06/o-reconhecimento.html
Coitadinhas... tem de ser poupadas não sabiam??
ResponderEliminarEntão as pobres engradivaram sem quererem..só porque se "esqueceram" de usar qualquer um dos multiplos métodos contraceptisvos ao seu dispôr. Agora não querem a coisa e teriam de ser obrigadas a vê-la?? Nem pensar, o estado garante-lhes que serão poupadas a tal afronta...já se viu, serem obrigadas a ver um "coisa" que até já vive (sim, porque disto ninguém duvida) antes de se livrarem dela?
Meus caros é mesmo a sociedade que temos...infelizmente! E mais virá ainda em torno desta lei pois o referendo foi só em fevereiro...
PS - há casos exactamente opostos, de mulheres que têm gravidezes inviáveis mas que se sujeitam a mais ecografias (que servem de base de estudo a médicos no caso de malformações genéticas raras) com vista num bem comum. São diferenes posturas de vida...