domingo, 15 de agosto de 2010

Mensagem da Presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

Caros amigos,


Já aqui referimos reiteradas vezes, e nunca será demais fazê-lo, que continuamos a defender como elementos centrais para os Cuidados Paliativos os da qualificação adequada dos recursos humanos e da sua credibilização, forma essencial de salvaguardar os interesses dos doentes com situações graves e incuráveis e das suas famílias, razão primeira e última da nossa actividade nos Cuidados Paliativos.

Lamentavelmente, cumpre-me hoje, voltar a referir que, a cobro de um interesse pouco claro no desenvolvimento dos Cuidados Paliativos, no nosso país, continuam a acontecer factos que muito nos entristecem e preocupam: anunciam-se “camas” de cuidados paliativos onde trabalham profissionais sem a devida formação, de onde se encaminham doentes para os serviços de urgência por incapacidade de resolução de problemas específicos de cuidados paliativos, continuam a registar-se atrasos inadmissíveis no acesso aos recursos adequados por via de um sistema burocratizado, que não garante a obrigatória continuidade de cuidados e que não se compadece com as necessidades dos doentes a quem deve servir… Criam-se pressões e dificuldades de trabalho aos profissionais, como tem acontecido no caso das equipas de Évora (que entretanto já encerrou as suas actividades) e do Fundão. Infelizmente, esta é a parte da realidade de que pouco ouvimos falar.

Depois de uma espera prolongada, anunciou-se em Março, de forma muito discreta, no Portal da Saúde, o Programa Nacional de Cuidados Paliativos - o documento divulgado on-line, e que mais parece um draft, não está identificado com qualquer chancela do Ministério da Saúde, deixando, no mínimo, dúvidas quanto ao compromisso da sua concretização por parte da Sra. Ministra. Embora contenha, do ponto de vista conceptual, claros avanços face ao anterior, que aqui saudamos, mantém, no entanto, lacunas importantes, nomeadamente a nível da operacionalização do plano de desenvolvimento (que acções estratégicas a adoptar? Que metas concretas para avaliar e monitorizar?), das exigências para a formação específica dos profissionais e também da concretização do apoio domiciliário, para só falar de alguns. E que garantias teremos de que vão ser dados meios efectivos para concretizar o que neste documento se promete?

O que se anuncia, desde 2006, por parte do Ministério da Saúde é que a área dos Cuidados Paliativos é prioritária. O certo é que se o Ministério e a Unidade de Missão tratam uma área dita prioritária desta forma, se este é o empenho de que se dá mostra aos doentes mais vulneráveis entre os vulneráveis, então o que queremos aqui deixar claro é que esse empenho é altamente demagógico e falso, e que estes doentes estão a ser tratados pelo sistema como “doentes de segunda”. Estamos, pois, no “reino dos cuidados paliativos do faz de conta”, numa fraca miragem daquilo que são verdadeiros cuidados de saúde de qualidade.

Quisemos sempre fazer parte da solução e não do problema, estivemos sempre disponíveis para colaborar, não abdicando de critérios de Qualidade e Credibilidade, consensuais nos Cuidados Paliativos e preconizados pelas respectivas Sociedades Científicas a nível mundial, que protegem os doentes e as suas famílias, centro de toda a nossa actividade. Percebemos que somos incómodos porque falamos da realidade e não servimos uma certa forma menor e abastardada de mascarar a mesma e de praticar cuidados de saúde que se querem específicos e não são coisa menor, reduzidos a “mimos e carinhos”. Continuaremos a pugnar pela Excelência nos Cuidados Paliativos, e nessa matéria não cremos que sejam aceitáveis contemporizações.

Preparamos o já próximo 12.º Congresso Europeu de Cuidados Paliativos, que vai ter lugar em Maio de 2011, em Lisboa. Para este importante evento convidamos todos os que se interessam pelos Cuidados Paliativos a estarem presentes e a apresentarem os seus trabalhos. Preparamos também o programa com as principais actividades para o próximo Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, 9 de Outubro 2010, e desde já aqui anunciamos que a 18 de Setembro próximo promoveremos em Lisboa uma nova reunião das Unidades/Equipas de Cuidados Paliativos a funcionar no nosso país, para rever os problemas inerentes ao seu trabalho. Desde já convidamos aqueles que integram equipas devidamente credenciadas a reservar a data e a estar presentes. Muito em breve daremos aqui mais detalhes sobre essa reunião.

Esta Causa diz respeito a Todos e é de Todos que continuamos a precisar para levar por diante o muito trabalho que temos em curso. Não desistiremos!

Isabel Galriça Neto, Presidente da APCP
Daqui.

Os pais reduzidos à função de hotel com caixa multibanco


Há uns dias atrás, recebi um e-mail de uma conhecida minha inglesa que tem duas filhas no pico da idade da adolescência.


Eis como descreve esta fase da vida:


the kids get older and then you never see them, you just become a cash withdrawal machine and your house becomes a hotel for them!

sábado, 14 de agosto de 2010

Amor Magister Est Optimus – A importância da família no acompanhamento educativo


«A verdadeira esperança neste mundo está nas crianças. Se nós soubermos e formos capazes faremos delas o que elas são, amantes de si próprias e dos outros, amantes do mundo, que querem melhorar em todos os sentidos da palavra. Mas, se ninguém nos ensinou, temos de aprender a fazê-lo: ser pai e mãe é a maior das missões. Por isso me alegro com a publicação deste livro de Guilherme Abreu, O amor é o melhor dos mestres, que tanto pode ajudar os pais.»


Maria Angélica Castro Henriques, Psicoterapeuta

Entrevista com o autor aqui.

PE aprova licença de maternidade para as trabalhadoras independentes

Ou muito me engano ou, em Portugal, da forma que as coisas estão, isto não tem qualquer validade... Quando estiver no papel, só vai mesmo estar no papel.

Cursos Básicos de Cuidados Paliativos

No seguimento dos cursos efectuados em 2007, 2008 e 2009, a APCP no ano de 2010 irá organizar dois cursos para Voluntários em Cuidados Paliativos. Prevê-se a realização nos seguintes locais: *Lisboa (18 e 25 de Setembro; Casa de Saúde da Idanha) *Porto (18 e 25 de Setembro) *Santiago do Cacém (4 e 5 de Novembro) Os locais estão afixados na respectiva secção do curso em "AGENDA"
Ver mais aqui.

12.º Congresso da Associação Europeia de Cuidados Paliativos




O 12.º Congresso da Associação Europeia de Cuidados Paliativos vai ser em Lisboa.

Ver mais aqui e aqui.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Blogue da ADAV-Leiria

Para visitar aqui.

O homem e as lides domésticas



Há uns tempos atrás vi um documentário sobre a crise da natalidade e da família e, a dada altura, uma professora norte-americana dizia que uma das causas radicava na maior e inata imaturidade dos homens. Confesso que, ao princípio, fiquei um pouco surpreendido, mas depois a professora explicou que os homens apresentam uma menor capacidade para resolver a ajudar nos problemas domésticos e educativos da casa de família e que, por isso, a mulher sentia-se mais desamparada e optava ou por não ter filhos ou por optar pelo divórcio.
Segundo um recente estudo da London School of Economics, do Reino Unido, os casais onde o homem se envolve mais nas tarefas domésticas têm menos probabilidades de se divorciar.
O estudo demonstrou que os casos em que a mãe é doméstica e o marido trabalha, mas não ajuda em casa ou nos casos em que a mãe trabalha e o marido não ajuda em casa são os que implicam um maior risco de divórcio, sendo os que implicam menor risco de divórcio aqueles em que a mãe é doméstica e o marido, embora trabalhe, ajuda em casa.
Isto significa que compartilhar as tarefas em casa fortalece o casamento. Porém, os seus resultados não permite afirmar que a maioria das mulheres queiram necessariamente um modelo "igualitário" (50-50) na repartição das tarefas domésticas entre o homem e a mulher.
O estudo refere ainda que, em casais jovens com filhos pequenos, quando o pai não ajuda em casa e o casamento se desfaz, o divórcio provoca graves consequências sobretudo do ponto de vista económico, agravando ainda mais as dificuldades próprias das jovens mães que ficam sem parceiro e com menor suporte financeiro para fazer face às despesas.
E concluí que, nos vários estudos e análises sobre divórcio, tem-se dado um relevo excessivo às consequências negativas decorrentes da introdução da mulher no mercado de trabalho remunerado e, ao invés, tem-se esquecido praticamente em absoluto as consequências positivas que decorreria da maior participação do homem nas tarefas não remuneradas de natureza doméstica e educativa no seu próprio lar.
Este panorama atávico de menor presença do pai/marido/companheiro nas lides domésticas e no cuidar e educar dos filhos- ao qual se poderá acrescentar as inúmeras situações de violência doméstica - demonstram que muito há ainda a fazer na revolução destas mentalidades anacrónicas, mais próprias da idade média.
Muitos homens, diga-se, não têm qualquer experiência de apoio nas lides domésticas ou educativas porque as suas próprias mães nunca lhes transmitiram esses hábitos. Por outro lado, muitas mulheres assistiram, em suas casas, à total submissão das suas mães que, em muitos casos, estavam reduzidas pelos maridos a meras criadas de mesa e, por isso, acham normal que, consigo, aconteça o mesmo.
A participação dos homens nas lides domésticas e na educação dos filhos, a meu ver, não decorre somente da necessidade de apoiar a mulher, sobretudo se é trabalhadora. Sem dúvida que isso é importante. Mas, no caso do cuidar dos filhos (dar banhos, deitar, ajudar a comer, a ir à casa de banho, etc...), essa participação só traz vantagens para o próprio homem na medida em que o torna mais próximo dos filhos e contribuí para o reforço de uma relação de intimidade e cumplicidade que habitualmente quase sempre só ocorre com as mães, ou seja, o próprio homem-pai fica a ganhar com essa maior presença no lar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Mulheres podem engravidar quanto antes após aborto espontâneo

As mulheres que sofreram um aborto espontâneo não têm, necessariamente, de esperar um prazo de tempo para tentarem voltar a engravidar, revela um estudo britânico hoje publicado, que contradiz as recomendações médicas.
O estudo, realizado por investigadores da universidade escocesa de Aberdeen e publicado na revista médica British Medical Journal, demonstra que as mulheres que ficam grávidas seis meses depois de terem abortado espontaneamente têm mais probabilidades de ter uma gravidez normal e sem complicações do que as que adiam o momento.


A Organização Mundial de Saúde aconselha as mulheres que sofreram abortos naturais a esperarem seis meses para engravidarem de novo, enquanto o serviço britânico de saúde recomenda uma pausa de três meses.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

MP abre mais de 25 processos de violência doméstica por dia


Os elevados casos de violência doméstica, na sua esmagadora maioria de homens contra mulheres, é um sinal preocupante indicativo de que ainda estamos na idade da pedra.


A ideia de supremacia abrutalhada do homem sobre a mulher, de subordinação parola desta perante aquele são ideias repugnantes que ainda sobrevivem nas mentes de um número significativo de energúmenos.


Em vez de andar a perder tempo a promover a homossexualidade, os órgãos estatais competentes, as escolas e a sociedade civil em geral deviam promover, desde logo, a reconversão da mentalidade primária que está subjacente a estes números agora revelados.


Ideias base como:


- A divergência de relacionamentos não resolve com formas de coação física ou psicológica, mas sim através do diálogo.


- Os homens não são seres superiores só porque fisicamente são mais fortes do que as mulheres.


- Os homens, para seu próprio bem, para a sua própria felicidade e realização como maridos e sobretudo como pais, devem participar de forma activa nas lides domésticas e de cuidado e educação dos filhos.


Estes objectivos poderiam ser alcançados, por exemplo, entre outras, através da implementação de educação para a culinária, nas escolas básicas, demonstrando aos futuros maridos e esposas que as lides da casa são para todos.


P.S.- Uma boa parte da culpa deste machismo neolítico radica nas mãezinhas de muitos destes "homens" que os ensinaram a manter-se passivos em casa, por isso ser assunto de "mulheres"..

Petição contra obrigatoriedade de educação sexual nas escolas

Petição contra obrigatoriedade de educação sexual nas escolas, disponível aqui

Acerca do que é óbvio


Sobre o que parece ser óbvio mas, afinal, não é assim tão óbvio porque se fosse mesmo óbvio não seria necessário chamar à atenção para o que, na realidade, é, de facto, óbvio:


"As relações sexuais, mesmo que seja a primeira vez ou só uma vez, podem ter como consequência a gravidez. O único método cem por cento eficaz para evitar a gravidez é a abstinência, isto é, não ter relações sexuais"


Acerca do bom senso e da generosidade

Gosto quando o jornal "Público" me dá boas notícias:


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Porque há pessoas raras

Chama-se Casa dos Marcos e a primeira pedra foi lançada a 1 de Julho. Crianças com patologias raras e deficiência inerente terão um porto de abrigo numa estrutura que se destaca pelo modelo assistencial.
Ver mais aqui.

Projecto sobre educação sexual apresentado à Ministra da Educação


A Associação Família e Sociedade propôs esta segunda-feira ao Governo a implementação do projecto de educação sexual «Protege o teu coração» em 20 agrupamentos de escolas, um programa baseado na formação do carácter e que envolve também os pais.

Em declarações à agência Lusa antes de reunir com a ministra da Educação, a presidente da associação explicou que o projecto é dirigido a adolescentes, pais, e professores, contemplando as dimensões física, emocional, racional e social.

«Muito mais do que a educação da sexualidade, este projecto assenta na formação do carácter. Não se pode restringir a educação sexual à parte física. O projecto abrange todas as áreas de ser pessoa», adiantou Alexandra Chumbo.

A associação propôs ao Ministério da Educação três a quatro sessões de 90 a 120 minutos, por ano e por turma, em que em cada uma é ministrado um tema do programa. O ideal é fazer a formação de forma intensiva, durante cerca de quatro semanas consecutivas.

Da metodologia a utilizar consta material audiovisual, como filmes e videoclips, discussões em grupo, exercícios escritos, fichas de trabalho e até audições, como testemunhos.

Os temas são trabalhados de acordo com a idade ou ano de frequência da turma, sendo ministrados por monitores credenciados pela associação.

«Disponibilizamos formadores que se deslocam às escolas e que trabalham com as turmas. Alguns professores podem sentir-se vocacionados para trabalhar estas temáticas e outros não. Dar educação sexual é diferente de dar Geografia ou História», sublinhou a presidente da Associação Família e Sociedade.

Para permitir um acompanhamento dos assuntos com os filhos, o programa prevê a realização de acções com os encarregados de educação. «Todos os pais devem estar bem a par do que se passa e devem dar a sua autorização aos conteúdos que vão ser trabalhados. É importante que os pais conheçam os valores transmitidos aos filhos», defendeu.

O projecto «Protege o teu coração» já foi implementado em cerca de dez escolas com sucesso, segundo Alexandra Chumbo. «Achamos que a ministra vai acolher muito bem este projecto. Ela é uma defensora da diversidade», estimou.

Notícia daqui.
Ver mais aqui 1, aqui 2, aqui 3, aqui 4 e aqui 5.

Conhecer melhor o projecto "Protege o teu Coração", aqui.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um bom livro sobre o princípio da vida


FLANAGAN, Geraldine Lux (1996), O Princípio da Vida, Barcelos, Dorling Kindersley, Editora Civilização.

Educação Sexual sem pais

Um sistema de educação sexual na escola que não tenha os pais como fundação é igual a um balde com um buraco no fundo.
Jesse Jackson

VIDA NORTE com novo visual


domingo, 1 de agosto de 2010