quarta-feira, 7 de julho de 2010

O estatuto do zigoto humano

Com vista ao enriquecimento do debate ético em torno do estatuto ético do zigoto humano, e na defesa do direito à vida do ser humano deste a sua concepção (fertilização do óvulo pelo espermatozóide) até à morte, apresento do lado direito deste blogue, na secção "Artigos em PDF", um pequeno texto de três páginas intitulado O estatuto ético do zigoto humano.
É um texto curto, que não está preparado para responder a todas as objecções provenientes dos defensores do direito ao aborto em geral.
Para responder a essas objecções, já existem, na mesma secção "Artigos em PDF", outros textos extensos e detalhados.
Este novo texto pretende ser uma síntese do direito à vida desde a concepção, centrada no reconhecimento do direito à vida do zigoto humano, e baseada apenas em argumentação racional (científica e filosófica).
O texto pode ser útil para:
a) rebater a má argumentação dos defensores do direito ao aborto
b) rebater a má argumentação dos defensores da legitimidade da destruição de zigotos e embriões humanos
c) rebater todos aqueles que dizem que a defesa do direito à vida desde a concepção é sempre feita com base em argumentação religiosa ou teológica, e que não há argumentos científicos ou filosóficos para sustentar essa posição: como se vê, isso é falso
Como sempre, agradeço aos pacientes leitores deste novo texto toda a sugestão de correcção ou melhoramento que me queiram fazer.
PS: Aqui há tempos, escrevi um texto para rebater a ideia errada de que a defesa do direito à vida desde a concepção implicaria o direito à vida de todo o tipo de célula humana. Aqui fica, por comodidade, o dito texto: Aborto e clonagem.
PS2: Hoje, dia 2 de Julho, actualizei a versão do artigo O estatuto ético do zigoto humano, com pequenas correcções e melhorias na linguagem.
Bernardo Motta
Publicada por Espectadores

Textos rádio Costa D'Oiro dias 6 a 12 de Julho



DIA 6 DE JULHO
Quer se queira, quer não, um óvulo fecundado é já vida, com uma autonomia genética diferenciada e irrepetível.
A ideia de que essa autonomia genética não é passível de ser geradora do direito à vida pelo simples facto de ser dependente de outrem para se poder sustentar e desenvolver é um aberração.
Muitos seres humanos dependem de outros para se sustentar e desenvolver e não é por isso que devem perder o direito à vida ou a uma vida com a melhor qualidade possível.
Esse raciocínio é perigoso e assenta na mesma permissa de eugenismo que esteve subjacente ao regime Nazi.
A vida concebida é vida e é Pessoa Humana.
Mas, como tudo o que envolve a nossa existência, toda a vida pede amor, dádiva e sustentação por parte de terceiros. Os filhos precisam do apoio dos pais, os idosos precisam do apoio dos filhos, os empregados precisam do trabalho dos patrões, os patrões precisam da eficácia dos seus trabalhadores e por aí adiante.
A Interrupção Voluntária da Gravidez é a primeira cisão da solidariedade de muitas outras que, em diferentes estádios da vida adulta, se vão repetindo.


DIA 7 DE JULHO
A nossa civilização está completamente obcecada e ocupada com o presente, no viver o instante, no viver um presente sem memória e que exclui tudo o que não se faz valer na atualidade.
É preciso desprender-se dessa obsessão pela tirania do presente pleno e absoluto e exercer a responsabilidade para com os ausentes ou simplesmente pelo que ainda não se vê.
A razão de ser dessa ligação ao presente está relacionada com o medo de encarar o que possa vir a ser imprevisível.
A concentração no presente torna ameaçadora qualquer dimensão que faça valer outros aspectos da temporalidade humana. E é precisamente quem tem a obsessão de ser unicamente um homem do seu tempo, que não sabe dever nem esperar.
A verdade é que a a maior parte da nossa vida compõe-se mais de coisas que nos acontecem, do que de coisas que planeamos segundo a nossa vontade; estar disposto, em postura de aceitação e crescimento para o que nos acontece de imprevisto faz parte daquilo a que um autor espanhol Daniel Innerarity intitulada de a ética da hospitalidade. Hospitalidade, abertura e flexibilidade para com os outros e para com os acontecimentos.
E é essa ética da hospitalidade (e não a ética de um egocentrismo limitado pelos condicionalismos presentes) que nos deve caracterizar enquanto pessoas e sociedade.

DIA 8 DE JULHO
Os meios de comunicação não falam de toda a realidade, mas existe muito amor no mundo, ainda que não se venda como noticia sensacionalista. Há casais apaixonados depois de 60 anos juntos, homens que apoiam a sua mulher na sua busca de um bom trabalho profissional, mulheres que elogiam o seu marido quando educa os seus filhos, e filhos que se levantam mais cedo para que os seus pais encontrem o pequeno-almoço preparado.
Às vezes, só é necessário que um comece, para que os demais deixem de viver o esquema de "eu ganho se tu perdes", e se decidam a escolher o "eu ganho só se tu ganhas". Quando se ama, ganha-se sempre e ganham todos.
Pode ser que amar não seja rentável economicamente, que produza desgaste físico e emocional, que complique a vida e nos tire tempo, mas dá paz de consciência, faz-nos felizes, permite-nos viver num estado habitual de optimismo, desenha um sorriso sincero nos nossos lábios e ilumina o olhar com um brilho novo.
Um ditado hindu reza: "Tudo o que não se dá, perde-se". Triunfa na vida, quem derrota o eu, para que ganhe o tu. Triunfa na vida, quem crê no amor, e se atreve a vivê-lo, com todas as suas consequências.


Dia 9 de JULHO
Porque é que umas pessoas têm cancro e outras não? Esta continua a ser a questão que os médicos não conseguem explicar!
Nos dias de hoje, começa a ser assumido que o cancro deverá ser entendido como uma “doença crónica” que acompanha o envelhecimento das células.
No entanto, a investigação tem demonstrado que há determinados factores que aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver cancro.
Alguns destes factores, nomeadamente os que estão relacionados com hábitos e estilos de vida podem, claramente, ser evitados (ex: fumar, álcool, excesso de peso, dieta pobre em frutas e vegetais, falta de exercício físico, exposição excessiva ao sol, dieta alimentar, álcool): está nas nossas mãos fazê-lo!
Se considera apresentar risco aumentado para ter cancro, consulte o seu médico e discuta a situação com ele: ficará mais tranquilo e, de acordo com toda a informação disponível, poderão planear qual a regularidade das consultas e exames médicos que tenha necessidade de fazer. Além disso, será uma forma de modificar os estilos de vida prejudiciais!


Dia 12 de Julho
Eram já conhecidos indicadores preocupantes no que se refere ao aborto após a aprovação da lei, mas ficámos agora a saber, pela voz do presidente do Conselho Nacional de Ética, que os resultados vão no sentido oposto do que foi propagado pelos que promoveram a liberalização e viabilizaram a lei: 50% das mulheres que fazem aborto faltam à consulta de planeamento familiar obrigatória 15 dias depois; há mulheres que fazem, no Serviço Nacional de Saúde, dois ou três abortos por ano; o número de abortos aumentou de 12 mil para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009.
Uma lei que liberaliza, que consagra o aborto a pedido sem necessidade de qualquer justificação, é uma lei que institui a violência pela consagração de medidas desproporcionais e banaliza um acto que, em qualquer circunstância, é sempre de extrema gravidade. Criou-se nesta, como em outras questões éticas, uma cultura desumana assente na exaltação do egoísmo e da irresponsabilidade: da mulher em relação a si própria, em relação a um terceiro cujo direito a nascer é preterido ao menor capricho
O presidente da Comissão Nacional de Ética, em recente entrevista ao Público e outrora grande defensor da liberalização do aborto, vem agora defender rectificações à lei que travem os abusos que levaram já milhares de fetos a ser eliminados. Mas estes não têm voz, não fazem barulho, não marcam greves, nem votam.
Cabe-nos, pois, a nós, no nosso meio lutar e promover por uma cultura da vida e de apoio à vida.

Practical Guide to the Spiritual Care of the Dying Person


Guia Prático para o Cuidado Espiritual de Doentes Terminais


Fazer o download aqui.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Pensar livremente

Na semana em que comemora 230 anos ao serviço da educação, a Casa Pia de Lisboa organizou um encontro sobre “Boas práticas na Área da Sexualidade”, ocasião para, volvidos quatro anos desde o seu início, mostrar o seu Projecto de Educação nesse domínio - PIPAS de seu nome - e a
avaliação dos respectivos resultados.
Não conheço em detalhe todos os objectivos e conteúdos do programa mas, nascido da preocupação de prevenir o abuso, percebi na sua génese a intenção firme de educar a pessoa humana – crianças e adolescentes, alguns com complexas necessidades educativas – na sua globalidade, procurando tornar os alunos pessoas mais completas e mais aptas em áreas cruciais do desenvolvimento humano que as difíceis circunstâncias em que hoje se cresce não favorecem nem potenciam - compreender-se emocionalmente, agir como ser social, ser capaz de decisão moral - condições que conformam e regulam a interacção humana e são potenciadas pela estruturação das atitudes e valores que permitem a autonomia e a responsabilidade.

A pedagogia dominante é reflexiva, opção funcional e segura: há sempre um dia em que cada um de nós deve escolher e decidir pela sua própria cabeça e não há melhor protecção contra o risco do que a capacidade treinada de tomar decisões racionais, escolher a informação, trabalhá-la com olho crítico, pensar bem antes de agir. Também verifi quei que não cai no erro de ignorar que há na sexualidade um “muito”, fundamental, que não é sexo, e que é esse lado amadurecedor da sexualidade e da pessoa que a escola melhor pode educar e enriquecer, sem esquecer nem fragilizar as outras metas educativas que os estabelecimentos de ensino – e, neste caso, também as várias formas de acolhimento – necessitam considerar e alcançar. Tão pouco se furtou ao desafio de ensaiar trabalho com as famílias e abriu-se a progredir pedagogicamente nos domínios curriculares tradicionais através do esforço feito para procurar novas formas de ensinar a ser.
Além do mais, contrariando a laxista cultura que domina o educar português e o uso, abusador, dos financiamentos estatais, contratou uma parceria externa que propiciasse uma cuidadosa, qualificada – e pública – avaliação externa do programa. É do melhor que já vi neste domínio.
Entretanto, a Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou uma obra de Maria do Carmo Vieira, “O Ensino do Português”, cuja leitura recomendo como um acto de cidadania esclarecida. Conciso e objectivo, usa devidamente a língua pátria e a gramática da razão para demonstrar –
repito, demonstrar – como a extrema imbecilidade de que está infectado o nosso sistema de ensino destroça e diminuí, sistematicamente, a perigosa faculdade de pensar. Explica bem o fundamento ideológico das doutas opções “educativas”, a estupidifi cação massiva e duradoura dos petizes, a nobre arte política de reduzir a zero a Literatura, eliminar a Filosofia, desprezar a História.

Como dá muito trabalho governar pessoas que pensam e o pensamento produz, só por si, resultados inesperados e incontroláveis, reduzamos o perfil do cidadão a um domesticado ignorante que se emprega, de corpo e sem alma, ao exercício automático de carregar nos botões proporcionados pela maravilha do choque tecnológico. Mais assustador é, como se sublinha, o servilismo com que as escolas aceitaram, sem crítica nem responsabilidade, endeusar a tecnologia, inculcar a amnésia, afundar com as humanidades o processo de humanizar a pessoa que se chama educação. Diz a Fundação, na apresentação da colecção em que o texto se integra, que o seu desígnio se resume em duas palavras: pensar livremente. Flagrantemente oportuno, logo no número um.

Casamento: O novo futuro


O casamento é a realização mais espantosa da humanidade. A mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. Que duas pessoas tão diferentes encontrem uma complementaridade fecunda para a vida e, através da sua união, dêem substância e continuidade à comunidade humana é sublime. Mais ainda, uma descrição objectiva do que está implicado na vida quotidiana de um casal mostra a qualquer observador perspicaz que ele é formalmente impossível. As núpcias que permanecem não são as fáceis e sem problemas, porque essas não há. Todos os casamentos são impossíveis. Alguns simplesmente existem e persistem. Os casamentos que duram constituem a realização mais espantosa da humanidade.
O nosso tempo adicionou aqui uma dimensão. Em vez de o considerar como ele é, um bem precioso, frágil e essencial, decidiu procurar formas alternativas de transmitir a existência e a civilização. Sempre houve promiscuidade, adultério, divórcio, união de facto, consequências directas da impossibilidade do casamento. Esta é a primeira época que admira e promove esses comportamentos, enquanto inova furiosamente em contraceptivos e procriação artificial. Além disso, desconfiando da capacidade dos pais para ensinar os valores básicos, entrega ao Estado ou ao mercado essa função. A doutrinação ideológica, mascarada ou não de educação, e os desenhos animados são as formas contemporâneas de transmitir a civilização.
A consequência disto, outra novidade, é a aparente derrocada conjugal. No caso português, a taxa bruta de casamento em 2008 foi de 4,1 por mil habitantes, metade da taxa de 1979 e pouco acima da taxa de divórcios, 2,5 por mil, que quadruplicou nestes 30 anos. Os nascimentos fora do casamento subiram de 8,2% em 1979 e 14,7% em 1990 para 36,2% hoje. Muitos interpretam estes números como a obsolescência do casamento. Pelo contrário, o espantoso não é serem tão negativos, mas ainda serem significativos.
Considerando a campanha cruel, esmagadora e obsessiva que as últimas décadas moveram contra o casamento, o que surpreende é que tenha resistido como resistiu, e continue a ser a mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. A maior parte das instituições assim atacadas desapareceu.
Filmes, revistas, séries e jornais, junto com leis, políticas, discursos e programas, todos se uniram para evidenciar o que sempre se soube: o casamento é impossível. Não notam que, ao fazê-lo, serram o tronco onde se sentam. Esta louca insistência nas óbvias dificuldades matrimoniais, sem alternativas válidas, só pode ter um resultado: a decadência social. Não só a fertilidade atingiu na Europa níveis de extinção da espécie, mas a solidão, depressão, traumas infantis, agressividade, suicídio chegaram a níveis patológicos. Os esforços do nosso tempo para abandonar o casamento só conseguiram destruir-nos.
Esta atitude tem as suas razões. Nasce da reacção a um erro dos séculos anteriores, que por vezes desequilibrou as duas dimensões do casamento. Nas gerações precedentes, o elemento romântico e emocional da união dos esposos foi frequentemente secundarizado em favor da estrutura social. Os pais combinavam os noivos porque casamento era, antes de mais, futuro do clã, alianças genealógicas, interesses de herança. Paixão, amor e sexo eram exteriores ao vínculo nupcial. Não se deve exagerar esta situação, porque a maioria dos casamentos sempre foi normal, mas certos estratos enviesaram neste sentido.
As gerações actuais caíram no extremo oposto. Repudiam justa e fortemente este modelo mas absolutizam a liberdade e emoções conjugais. Desprezando o casamento de conveniência e as alianças de clã acabam por abandonar o próprio casamento. O fundamentalismo erótico anula a relação ao primeiro obstáculo e chega a ridicularizar a procriação. Este modelo é tão desequilibrado quanto o anterior, mas, ao contrário dele, implica a extinção da sociedade. Porque o casamento, mesmo impossível, é o nosso único futuro.


João César das Neves
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Casamento: O novo futuro

O casamento é a realização mais espantosa da humanidade. A mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. Que duas pessoas tão diferentes encontrem uma complementaridade fecunda para a vida e, através da sua união, dêem substância e continuidade à comunidade humana é sublime. Mais ainda, uma descrição objectiva do que está implicado na vida quotidiana de um casal mostra a qualquer observador perspicaz que ele é formalmente impossível. As núpcias que permanecem não são as fáceis e sem problemas, porque essas não há. Todos os casamentos são impossíveis. Alguns simplesmente existem e persistem. Os casamentos que duram constituem a realização mais espantosa da humanidade.
O nosso tempo adicionou aqui uma dimensão. Em vez de o considerar como ele é, um bem precioso, frágil e essencial, decidiu procurar formas alternativas de transmitir a existência e a civilização. Sempre houve promiscuidade, adultério, divórcio, união de facto, consequências directas da impossibilidade do casamento. Esta é a primeira época que admira e promove esses comportamentos, enquanto inova furiosamente em contraceptivos e procriação artificial. Além disso, desconfiando da capacidade dos pais para ensinar os valores básicos, entrega ao Estado ou ao mercado essa função. A doutrinação ideológica, mascarada ou não de educação, e os desenhos animados são as formas contemporâneas de transmitir a civilização.
A consequência disto, outra novidade, é a aparente derrocada conjugal. No caso português, a taxa bruta de casamento em 2008 foi de 4,1 por mil habitantes, metade da taxa de 1979 e pouco acima da taxa de divórcios, 2,5 por mil, que quadruplicou nestes 30 anos. Os nascimentos fora do casamento subiram de 8,2% em 1979 e 14,7% em 1990 para 36,2% hoje. Muitos interpretam estes números como a obsolescência do casamento. Pelo contrário, o espantoso não é serem tão negativos, mas ainda serem significativos.
Considerando a campanha cruel, esmagadora e obsessiva que as últimas décadas moveram contra o casamento, o que surpreende é que tenha resistido como resistiu, e continue a ser a mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. A maior parte das instituições assim atacadas desapareceu.
Filmes, revistas, séries e jornais, junto com leis, políticas, discursos e programas, todos se uniram para evidenciar o que sempre se soube: o casamento é impossível. Não notam que, ao fazê-lo, serram o tronco onde se sentam. Esta louca insistência nas óbvias dificuldades matrimoniais, sem alternativas válidas, só pode ter um resultado: a decadência social. Não só a fertilidade atingiu na Europa níveis de extinção da espécie, mas a solidão, depressão, traumas infantis, agressividade, suicídio chegaram a níveis patológicos. Os esforços do nosso tempo para abandonar o casamento só conseguiram destruir-nos.
Esta atitude tem as suas razões. Nasce da reacção a um erro dos séculos anteriores, que por vezes desequilibrou as duas dimensões do casamento. Nas gerações precedentes, o elemento romântico e emocional da união dos esposos foi frequentemente secundarizado em favor da estrutura social. Os pais combinavam os noivos porque casamento era, antes de mais, futuro do clã, alianças genealógicas, interesses de herança. Paixão, amor e sexo eram exteriores ao vínculo nupcial. Não se deve exagerar esta situação, porque a maioria dos casamentos sempre foi normal, mas certos estratos enviesaram neste sentido.
As gerações actuais caíram no extremo oposto. Repudiam justa e fortemente este modelo mas absolutizam a liberdade e emoções conjugais. Desprezando o casamento de conveniência e as alianças de clã acabam por abandonar o próprio casamento. O fundamentalismo erótico anula a relação ao primeiro obstáculo e chega a ridicularizar a procriação. Este modelo é tão desequilibrado quanto o anterior, mas, ao contrário dele, implica a extinção da sociedade. Porque o casamento, mesmo impossível, é o nosso único futuro.
João César das Neves
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Nova manifestação em Madrid contra lei do aborto


Cerca de meia centena de pessoas concentrou-se hoje, sábado, em Madrid, em frente ao Tribunal Constitucional espanhol para pedir a suspensão da nova lei do aborto, que permite a interrupção da gravidez até à 14ª.semana.

Convocada por 70 associações que são contra o aborto, a manifestação serviu para pedir ao Governo que barre a entrada em vigor da lei até que o Supremo Tribunal decida sobre o recurso de inconstitucionalidade apresentado pelo Partido Popular, da Oposição.


Os manifestantes foram, segundo a organização, pedir apoio institucional para as mulheres grávidas, exigir ao Executivo que "não instrumentalize a escola ao serviço da sua peculiar e perversa ideologia sobre a sexualidade" e pedir aos políticos que "nunca ponham em causa os direitos humanos".


A nova lei do aborto permite a interrupção livre da gravidez até à 14ª. semana de gestação e até à 22ª. semana, quando sejam diagnosticadas no feto doenças extremamente graves e incuráveis.
O diploma estabelece também que as menores de 16 e 17 anos não precisam de consentimento paterno para abortar, embora tenham que apresentar um documento em que declarem ter informado os pais, a não ser que aleguem risco de "conflito grave".

Daqui.

Aborto: leis aprovadas com tantas dúvidas...


"Há uma única preocupação, que é a do lucro económico das clínicas, que foram quem promoveu esta lei", sustentou. [presidente do Centro Jurídico Thomas More, Javier María Pérez Roldán]


Ver mais aqui.
Imagem daqui.

Nova lei do aborto entrou hoje em vigor em Espanha



Em Espanha, entra esta segunda-feira em vigor a nova lei do aborto.


A partir de agora, as mulheres que decidirem interromper a gravidez até à 14 semana de gestação podem fazê-lo sem precisarem de apresentar qualquer motivo.


A partir das 22 semanas o aborto está autorizado apenas em casos de risco para a saúde física ou psíquica.

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A nova Lei do Aborto, que permite às jovens maiores de 16 anos abortarem até a 14.ª semana de gestação sem informar seus pais, entrou nesta segunda-feira em vigor na Espanha com uma grande polêmica.

Ver mais aqui e aqui.
Imagem daqui.

UNIÕES DE FACTO E BEM COMUM

O Parlamento aprovou, na generalidade, alterações à legislação sobre as uniões de facto que vêm equiparar de forma quase completa a protecção jurídica dessa forma de convivência à protecção jurídica de que goza o casamento. De significativo são, agora mais nitidamente, apenas os efeitos sucessórios que distinguem uma e outra dessas protecções.
Independentemente das alterações pontuais que decorrem da nova Lei, importa reflectir sobre o princípio que lhe subjaz e que reforça o que já estava subjacente à Lei anterior. Esse princípio é o do respeito pela autonomia individual, a igualdade e a indiferença perante as várias opções de vida.
Desde logo, há que realçar que a igualdade se verifica apenas no plano dos direitos e da protecção, porque no plano dos deveres (de respeito, fidelidade, co-habitação, cooperação e assistência), só as pessoas casadas a eles continuam adstritas.
De várias formas, o casamento vem sendo descaracterizado do ponto de vista jurídico e vem perdendo a sua centralidade como instituição social matricial.
De forma mais radical, a sua redefinição jurídica de modo a abranger uniões de pessoas do mesmo sexo descaracteriza-o como instituição baseada na riqueza e complementaridade da diferença sexual, da qual decorre a abertura à vida e à renovação da sociedade.
Por outro lado, o divórcio unilateral e sem culpa, que permite a desvinculação por qualquer dos cônjuges contra a vontade do outro e sem sancionamento da violação dos deveres conjugais, torna o casamento o mais frágil e instável dos contratos. Também desta forma o casamento é descaracterizado e não será por acaso que em Portugal, como em Espanha, as alterações legislativas relativas ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao divórcio unilateral e sem culpa são quase concomitantes.
E ao mesmo tempo que o vínculo conjugal se torna em extremo frágil, também se alarga a protecção das uniões de facto, que assentam na própria ausência de vínculos.
Em suma, é quase igual, para a ordem jurídica, ser casado ou não ser: quem é casado pode desvincular-se a qualquer momento e por qualquer motivo, sem sofrer consequências; quem convive em união de facto e não assume quaisquer vínculos goza da mesma protecção de quem é casado.
Será esta uma exigência do princípio da igualdade? Ou o regime jurídico mais adequado à sociedade pós-moderna, a do “amor líquido”, de relações precárias e inconstantes, à da mentalidade que, como vem salientando Bento XVI, recusa qualquer vínculo definitivo?
A questão está em saber se uma qualquer sociedade pode ser verdadeiramente coesa, sobreviver e renovar-se na ausência de vínculos e na base de relações precárias. Não é certamente o horizonte da precariedade o mais propício e salutar para a geração e educação de filhos. As estatísticas comprovam-no: a natalidade é muito menor quando os casais vivem em união de facto. Na época do “inverno demográfico”, quando em Portugal a taxa de natalidade atinge mínimos históricos, seria bom pensar nisso. Seria bom que o Estado e a ordem jurídica veiculassem mensagens radicalmente diferentes daquelas que estão a transmitir através das recentes alterações legislativas. Quem assume vínculos definitivos e desse modo enfrenta o desafio duradouro de geração e educação de novas vidas deveria ter um reconhecimento e uma protecção particulares nos planos jurídico, cultural, social e económico. Não se trata de um princípio ideológico de favorecimento de uma opção de vida em relação a outras. Trata-se de uma exigência objectiva do interesse público e do bem comum.
Pedro Vaz Patto, Voz da Verdade, 4 de Julho de 2010
Recebido por mail.

domingo, 4 de julho de 2010

Kaká apoia campanha contra prostituição



Kaká deu seu apoio a uma campanha de Ashton Kutcher contra a prostituição, através de seu Twitter, nesta terça-feira, 29.

O jogador, que tem fama de bom rapaz, fez um post com uma foto onde aparece com a camisa da Selecção Brasileira virada para aparecer seu nome e um cartaz com o nome da campanha na mão: "Real Men Don't Buy Girls", que quer dizer "Homens de verdade não compram mulheres".

O país está a fechar...

Depois de décadas de desincentivo à natalidade que levaram gradualmente os portugueses a reduzir, mais e mais, o número de fi lhos exibindo hoje uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa o resultado está à vista: há já pelo menos 23 concelhos em que a proporção entre idosos e jovens é superior a três para um.
A percentagem de idosos não pára de crescer e já ronda os 18 por cento enquanto os jovens, na última década, viram o seu peso reduzir-se quase um ponto percentual pouco superando agora os 15 por cento.
Há já 118 portugueses com mais de 65 anos por cada 100 jovens com menos de quinze. Má notícia para a sustentabilidade da segurança social. Mas há mais. Um estudo de Maria Filomena Mendes, para o Diário de Notícias, mostra que em locais como Vila Velha de Ródão, Alcoutim, Oleiros ou Penamacor há cinco vezes mais idosos do que jovens.
A toda a faixa fronteiriça constituída pelos concelhos Almeida, Sabugal, Penamacor ou Idanha- a-Nova parece restar uma única alternativa : incapazes de estancar a saída dos da terra resta-lhes atrair novos imigrantes de forma a inverter uma espiral de envelhecimento populacional imparável.
Mas não bastam incentivos pontuais. Sem empresas geradoras de emprego, mão-de-obra qualifi cada e uma rede de serviços mínimos de saúde e educação ninguém trocará a pobreza urbana do litoral pela miséria rural do interior.
Distraídos a debater a conjuntura os portugueses assistem, imperturbáveis, ao anúncio do encerramento de mais escolas sem se darem conta que de mansinho o país está a fechar…
Graça Franco, RR.

Paternidade anónima - As consequências de doar esperma

O aumento constante de inseminações artificiais e a utilização de esperma de doadores está levando a um crescente número de crianças que não conhecem a identidade de seus pais biológicos. Uma recente pesquisa considera que as consequências disso são refletidas na vida adulta.

Um estudo publicado pela Commission on Parenthood's Future (My Daddy's Name is Donor: A New Study of Young Adults Conceived Through Sperm Donation - O nome de meu pai é Doador: Um novo estudo sobre adultos jovens concebidos por doação de esperma), tem como autores Elizabeth Marquardt, Norval D. Glenn e Karen Clark.



Segundo o estudo, entre 30 mil e 60 mil crianças nascem a cada ano nos Estados Unidos por meio de doação de esperma. Trata-se, contudo, de uma estimativa por baixo, pois nenhum organismo recolhe estatísticas deste procedimento. Além disso, este é o primeiro estudo sério para avaliar o bem-estar de quem agora é adulto. A pesquisa também comenta que a doação de esperma é um fenômeno internacional. Pessoas de todo o mundo buscam doadores de esperma nos Estados Unidos devido à falta de regulamentações, e países como Dinamarca, Índia e África do Sul proporcionam também doadores de esperma para um crescente mercado de turismo de fertilidade.



Os autores fazem uma interessante comparação entre doação de esperma e adoção. A adoção é regida por normas estritas. Os pais adotivos são estudados de forma cuidadosa antes de adotar. Quando se trata da doação de esperma, pelo contrário, as mulheres vão buscar doadores em catálogos on-line que comparam qualidades físicas, inteligência e níveis profissionais, e tudo que necessitam fazer é pagar a transação.



Apesar da comparação com a adoção, os autores observam que com muita frequência seus amigos e colegas comentavam que a doação de esperma é quase como uma adoção. Para começar, esta não leva em conta as dificuldades que muitas crianças adotadas enfrentam com separações de suas origens biológicas, afirma a pesquisa.



Além disso, as crianças adotadas podem se conformar pensando que talvez suas mães os entregaram após uma luta difícil ou devido à circunstâncias extremas. Com a concepção de doador, a criança se dará conta de que somente foi uma transação comercial sem que o doador nunca pensasse em tê-la.



Danos



Para estudar a situação dos adultos concebidos por meio da doação de esperma, os autores entrevistaram mais de um milhão de lares e, depois, apresentaram uma mostra representativa de 485 adultos entre 18 e 45 anos que diziam que suas mães haviam utilizado esperma doado. Foram comparados com um grupo de 562 adultos que foram adotados quando crianças, e 563 adultos que cresceram com seus pais biológicos.



"Aprendemos que, em média, os adultos jovens concebidos por meio da doação de esperma sofrem mais, estão mais confusos e se sentem mais isolados de suas famílias", indica a pesquisa.



Não menos de 65% dos adultos concebidos por estas doações concordaram durante a entrevista com a seguinte afirmação: "O doador de esperma é a metade do que sou hoje". As mães ainda admitem sua curiosidade por saber quem são os pais de seus filhos.



Um pouco menos da metade destes adultos expressou seu mal-estar com suas origens. Muitos deles afirmaram que têm uma preocupação frequente.



Alguns deles se sentem como monstros - o resultado de experimentos de laboratório - enquanto que outros têm problemas de identidade. O fato de que o processo misture dinheiro também é fator de preocupação para muitos.



Outros expressaram seu mal-estar por terem sido um produto desenhado para satisfazer os desejos de seus pais. Não menos de 70% admitem ter perguntado como era a família de seu doador de esperma.



As preocupações da descendência dos doadores de esperma não se limitam a temas como a identidade ou a família, mas isso se estende ao médico. A pesquisa aponta que alguns doadores geraram dezenas de crianças, e há casos de cem ou mais. Assim que, adultas, estão preocupados por não conhecer seus meio-irmãos, ou que seus filhos possam se encontrar com o filho de um meio-irmão.



O tema da doação anônima de esperma tem sido um assunto polêmico em muitos países nos últimos anos. As críticas levaram Grã-Bretanha, Suécia, Noruega, Holanda, Suíça e algumas zonas da Austrália e Nova Zelândia a proibirem esta prática, observa a pesquisa. Nos Estados Unidos e Canadá, contudo, não existem restrições. A Igreja Católica se opõe a todos os procedimentos de inseminação artificial, mas como a pesquisa deixa claro, ainda que não se esteja de acordo com isso, há boas razões para estar a favor do direito das crianças saberem quem é seu pai e pôr fim à paternidade anônima.



A pesquisa também analisou temas sociais e psicológicos. Perguntados se antes dos 25 anos tiveram problemas com a lei, 21% dos filhos de doadores disseram que sim. Os números correspondentes aos filhos adotados e aos filhos que cresceram com seus pais biológicos foram de 18% e 11% respectivamente. Os resultados são similares para problemas como o álcool e o uso de substâncias.



Estes resultados permanecem constantes mesmo quando se controlam os resultados de variáveis sócio-econômicas e de outro tipo.



Em relação aos fatores variáveis, uma série de fatos interessantes surgiram no estudo. Por exemplo, 36% dos filhos de doadores disseram não ter crescido como católicos, em comparação com 22% das famílias adotivas e 28% que cresceram com seus pais biológicos. Esta é uma descoberta que chama a atenção, comenta a pesquisa, dada a oposição da Igreja Católica perante este tipo de prática.



32% dos adultos filhos de doadores disseram que o catolicismo é sua religião. Em contrapartida, um grande número de católicos nos outros dois grupos de controle havia abandonado a Igreja.



Segredo



Outra dificuldade que os filhos de esperma doado sofrem é o segredo sobre suas origens. Na maioria dos casos, os pais deixam que os filhos criem a princípio a ideia de que estão biologicamente relacionados com ambos. Logo, quando a criança descobre finalmente a verdade, sente que foi enganada e que a relação com o pai está adulterada. Isso gera desconfiança. 47% deles declaram que, enquanto cresciam, sua mãe havia mentido sobre temas importantes.



Isso tem como elemento de comparação 27% para os que foram adotados e 18% para os que cresceram com seus pais biológicos. A preocupação de que o pai tenha mentido mostra resultados similares.



Não é de surpreender que uma grande maioria dos adultos concebidos por meio da doação de esperma expresse seu apoio a saber tudo. Isto inclui a identidade do doador e o direito a ter algum tipo de relação com ele. Também dizem que queriam saber sobre a existência e o número de seus meio-irmãos. Atualmente, a lei nos Estados Unidos não dá nenhum destes direitos. Protege, de fato, os doadores e as clínicas de fertilidade, à custa das crianças concebidas.



Mas os problemas não terminam com o segredo. Os resultados do estudo mostraram que 44% dos adultos concebidos por doação se sentiam cômodos com a concepção por doação, sempre que os pais digam a verdade a seus filhos, preferencialmente desde pequenos. Contudo, 36% tinham reservas, ainda que seus pais dissessem a verdade, e 11% afirmaram que isso é difícil para os filhos, ainda que os pais lidem bem o assunto.



De fato, a pesquisa comenta que "somente a franqueza não parece resolver as potenciais perdas, a confusão e os riscos que derivam de filhos concebidos deliberadamente faltando ao menos um de seus pais biológicos".



A pesquisa conclui com uma série de recomendações. Entre elas estava a observação sobre a questão do histórico médico, fundamental para determinados tratamentos. E ainda questionava: "Uma boa sociedade pode criar intencionalmente filhos desta forma?" Uma pergunta digna de reflexão.




Imagem daqui.
Ler estudo aqui.
Fifteen major findings, aqui.

sábado, 3 de julho de 2010

Uma casa dedicada à deficiência no Algarve

A Fundação Irene Rolo, de Tavira, foi distinguida pelo Presidente da República no Dia de Portugal. Um motivo de orgulho para a instituição que, por dia, cuida de cerca de 150 pessoas portadoras de vários graus de deficiência.

A 10 de Junho, o Presidente da República, Cavaco Silva, homenageou diversas personalidades portuguesas e duas instituições, uma das quais com morada em Tavira. A Fundação Irene Rolo, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), foi lembrada pelo trabalho que desenvolve junto da população deficiente. Um motivo de orgulho para a casa de Tavira e não só. "Tem um significado profundo não só para nós, como para todas as instituições que trabalham com pessoas portadoras de deficiência", refere José Marques, presidente da instituição.

(...)



A intervenção precoce junto de crianças portadoras de deficiência ou em situação de risco dos zero aos seis anos, com maior incidência no grupo dos zero aos três anos, é uma área que a Fundação Irene Rolo tem em mãos. A criança e a família são o centro das atenções das acções de natureza preventiva, numa estratégia de apoio integrado. Nesta intervenção, a equipa técnica - composta por uma psicóloga, terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, técnica de serviço social, entre outros - desenvolve programas adequados às necessidades específicas de cada criança e, ao mesmo tempo, estimula as famílias a tornarem-se mais competentes e independentes no acompanhamento dos filhos. O apoio é dado no contexto natural da criança ou em ambulatório. A instituição tem também a funcionar uma escola de ensino especial para alunos em idade escolar com necessidades educativas especiais, que podem frequentar a tempo inteiro ou parcial, mediante as suas limitações e capacidades. O trabalho com este público-alvo tem objectivos muito precisos, como defender a reabilitação e a inclusão de quem vive com limitações acentuadas ou muito acentuadas, desenvolvendo as suas potencialidades sob o ponto de vista psicomotor, afectivo e cognitivo. A escola pretende assim que os alunos se tornem aptos quanto possível para a vida familiar e social.


Os jovens com mais de 16 anos, portadores de deficiência severa ou profunda, têm igualmente uma resposta na Fundação de Tavira. No Centro de Actividades Ocupacionais, estimulam-se capacidades, desenvolvem-se actividades para uma melhor integração social. E há várias áreas ao dispor como actividades da vida diária e da vida prática, jardinagem, carpintaria, modelagem e pintura, entre outras. Educação física, hidroterapia, visitas de estudos e colónias de férias são algumas das actividades complementares.Os portadores de deficiência com mais de 15 anos têm lugar no Centro de Formação Profissional da Irene Rolo. Avaliação, orientação profissional, qualificação e estágio em empresa são os passos a seguir nesta valência da instituição. Antes da entrada ou reentrada no mercado de trabalho, os utentes podem adquirir conhecimentos e desenvolver competências nas áreas de jardinagem, lavandaria, doçaria regional, artes gráficas, cozinha, pastelaria, electricidade e mecânica, entre outras.



Ver mais aqui.
Página da FIL.
Imagem daqui.

Educação Sexual




23 Junho 2010
Ensino

Educação sexual causa polémica
Associação de pais chocada com conteúdo de kits. Queixa enviada ao Ministério da Educação diz que materiais “incentivam a masturbação, promovem a promiscuidade e as práticas homossexuais”

23 Junho 2010Nº de votos (4)Comentários (23)Por:Isabel Ramos


Chocados e horrorizados. Assim ficaram os pais dos alunos que frequentam o Colégio de Santa Maria, em Lisboa, quando analisaram os kits de Educação Sexual elaborados pela Associação para o Planeamento da Família (APF) para as aulas de Educação Sexual.

Na origem do choque estão materiais que 'incentivam à masturbação, à prática da homossexualidade e à promoção da promiscuidade', queixa-se a associação de pais numa carta dirigida à ministra da Educação, apesar de os materiais não serem usados no Colégio de Santa Maria.

Desde Setembro de 2009, as escolas encomendaram cerca de 1300 kits de Educação Sexual, disse o director executivo da APF, Duarte Vilar, recusando liminarmente a acusação de incentivo à masturbação e homossexualidade. 'A APF não promove comportamentos sexuais nem os penaliza', sublinhou referindo-se nomeadamente ao folheto no qual se pode ler que 'a masturbação não é prejudicial'. Tal como fez o Ministério da Educação, em resposta à queixa da referida associação de pais, Duarte Vilar lembra que os kits são para uso dos professores.

Já os cerca de 800 pais reunidos na Plataforma Resistência Nacional (PRN) reclamam o direito dos filhos a não assistirem a qualquer acção de Educação Sexual nas escolas. Tendo em conta que as matérias serão abordadas em disciplinas curriculares, Mesquita Guimarães, coordenador da PRN, deixa a questão: 'Saem da sala quando começarem a falar do assunto? '

SAIBA MAIS

LEI DESDE 2009

A Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, aprovada pela Assembleia da República, determina que 'a educação sexual é uma das dimensões da educação para a saúde'.

1.º CICLO

Segundo a portaria publicada no dia 9 de Abril deste ano que regulamenta a Lei sobre Educação Sexual, os conteúdos para os alunos do 1.º ciclo passam pela noção do corpo e da família, entre outros.

2.º CICLO

Os aspectos relativos à puberdade e ao corpo em transformação, bem como as questões da sexualidade e de género, fazem parte dos conteúdos dirigidos aos alunos do 5.º e 6.º anos (2.º Ciclo).

CONTRACEPTIVOS

Os aspectos relativos ao uso e acesso a contraceptivos dirigem-se aos alunos do 3.º Ciclo.

KIT INCLUI PÉNIS DE ESFEROVITE

A APF tem disponíveis quatro kits, um para cada ciclo, cujo público-alvo são os professores, a quem cabe interpretá-los. Um quinto (o kit contraceptivo), para uso de professores e técnicos de saúde, inclui um pénis de esferovite, cuja finalidade é demonstrar como se coloca um preservativo masculino, bem como anéis vaginais e pílulas.

O desenho de uma mão a acariciar um pénis com a legenda 'início da prática da masturbação' integra o conjunto de materiais destinados aos alunos entre os 9 e os 12 anos. Sobre a masturbação na adolescência a APF torna claro que não provoca borbulhas nem loucura – 'considera-se até uma forma de autoconhecimento'. Também as experiências sexuais com pessoas do mesmo sexo 'são normais nesta fase da vida e não significa que mais tarde se seja homossexual.

DISCURSO DIRECTO

'O ALARMA É DESCABIDO E DESPROPOSITADO', Albino Almeida, Presidente da Confederação Nac. de Ass. de Pais

Correio da Manhã – Como comenta a polémica em torno dos kits de Educação Sexual da APF?

Albino Almeida – Não comento pois não pretendo contribuir para uma polémica que não faz sentido.

– Os pais confiam na capacidade de as escolas seleccionarem os materiais mais adequados?

– Os pais confiam em que cada escola encontrará as melhores estratégias para propor aos seus alunos. Essas estratégias podem e devem ser articuladas com os centros de saúde, as paróquias e outras organizações.

– E os pais sentem-se incluídos no processo?

– Os pais estão incluídos nos termos da lei [prevê que os encarregados de educação e respectivas estruturas representativas sejam informados de todas as actividades desenvolvidas no âmbito da Educação Sexual]. Os pais estão representados nos conselhos-gerais de escola, tal como os professores, os não-docentes e os alunos, no caso do ensino Secundário. Os pais podem sugerir ideias. Se se sentem afastados é porque querem. Que se organizem!

– Do seu ponto de vista, não se justifica então este ambiente de alarme social em torno da Educação Sexual nas escolas?

– Esse alarme social, descabido e despropositado, é instigado por quem só aparece nestas alturas.

– Há pais que reclamam para os filhos o direito a não assistirem a qualquer aula, acção ou aconselhamento sobre Educação Sexual nas escolas. Qual é a sua opinião sobre esta recusa?

– Em relação a isso limito-me a lembrar um acórdão do Supremo Tribunal espanhol segundo o qual o direito à educação é universal, imprescritível e inalienável. Nenhum cidadão pode dizer ‘eu não quero ser educado’. Todos os cidadãos têm direito à educação ao longo da vida e não podem abdicar dele. Penso que será esta o entendimento que prevalecerá também em Portugal.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Textos Rádio Costa D'Oiro



DIA 29
O filme "O escafandro e a borboleta" que se encontra disponível nos circuitos de aluguer de vídeos baseia-se numa história verídica: Um homem de sucesso vê-se, de repente, totalmente paralisado, podendo apenas mexer um dos olhos.
E só com o mexer desse olho e a ajuda de uma terapista este homem, mesmo nestas condições, consegue escrever um livro inteiro sobre a sua vida.
Para quem não gosta de filmes "parados" ou com pouca ou nenhuma acção, então este será um filme a evitar.Mas o seu conteúdo é muito interessante:? impressionante que se tenha de chegar, por vezes, a situações extremas para tentar perceber e aproveitar os momentos da vida.O filme é também impressionante pelo carinho demonstrado pelos médicos e terapeutas que tentam apoiá-lo e acreditam na sua recuperação.Impressionante pela mensagem que o protagonista deixa aos filhos:A vida é um dilema entre a prisão do escafandro que representam os vícios, maus hábitos e a prisão dos nossos egoísmos e as "borboletas" que nos libertam e nos fazem sair de nós próprios.Que procurem sempre ser as borboletas, termina.

Dia 30
Na passada quarta-feira, a oposição, em peso, criticou a Ministra da Educação pelo anunciado encerramento de escolas, como se ela tivesse alguma culpa disso! Na realidade, a Ministra limita-se, apenas, a enterrar os cadáveres em que as escolas se tornaram por falta de alunos.
Os gráficos da evolução demográfica mostram que o encerramento de escolas vai manter-se, pelo menos, nos próximos 6 anos.
As quebras na natalidade assim o exigem
Se os senhores deputados querem, na realidade, acabar com o encerramento das escolas e desemprego entre os professores, deverão, pelo contrário, chamar os responsáveis governativosl e revogar imediatamente toda a legislação anti-família e anti-natalidade entretanto aprovadas, para além de terem que esperar seis anos para que os efeitos dessas leis deixem de ter efeito negativo na frequência escolar.
Como diz o povo português, na sua sabedoria, “Cá se fazem, cá se pagam”.
Este texto é da autoria da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas

Dia 01
Lançada no ínicio do ano lectivo 2009/2010, pela Copyright Promotions, pela LazyTown e pela Editora ASA, a iniciativa de âmbito nacional denominada “Doce Desportivo Vila Moleza” dirigida às escolas básicas do 1? ciclo e jardins de infância, teve como objectivo combater a obesidade infantil através da mensagem e do exemplo dos personagens da série de televisão “Vila Moleza”.
Esta iniciativa visou incentivar os alunos, com a ajuda dos professores, a utilizar diariamente um calendário motivacional onde cada criança assinalou com uma cruz à frente do seu nome, sempre que levou para a escola um lanche saudável, ou seja, do qual fizesse parte pelo menos um “doce desportivo” (nome que é atribuído às frutas e legumes na série de televisão).
No final do mês, as turmas enviaram o calendário motivacional em conjunto com um trabalho de grupo subordinado ao tema criativo proposto pela organização. As turmas vencedoras receberam como prémio a visita dos protagonistas para um espectáculo exclusivo na sua escola. No total foram consumidos mais de 100.000 “doces desportivos”
Uma iniciativa construtiva a louvar e a continuar.


Dia 2
Em 2003 a idade média na Europa era de 37,7 anos. Em 2050, segundo um estudo da Brookings Institution, essa média rondará os 52,3 anos, bem acima dos 35,4 previstos para os Estados Unidos. Praticamente todos os países europeus sofrerão baixas acentuadas nas suas taxas de população. Por exemplo, a Itália cairá 22 por cento e a Estónia 52 por cento. E Portugal também. Para começar, o INE revelou há dias que em 2009 tivemos mais óbitos do que nascimentos.
Daqui a 40 anos viveremos na sociedade mais envelhecida que provavelmente existiu na história do mundo. Os novos serão minoritários, os idosos serão oss maioritários. Politicamente será um facto dramático. Ao mesmo tempo, eis o que também tem acontecido: as taxas de fertilidade no mundo muçulmano têm continuado o seu ritmo imparável. Desde 1970 que têm sido responsáveis por grandes subidas da população mundial.
Imaginam uma Europa sem Portugal, sem a Suécia, a Europa de 2200 ou 2300? Falarão aqueles que viverem nessa altura daquilo que nós fomos, tal como nós falamos da civilização maia ou dos romanos?O historiador inglês Arnold Toynbee escreveu há muito tempo: "As civilizações morrem por suicídio, não por assassinato". E é mesmo certo na história das grandes civilizações que a seguir à decadência vem a extinção. A crise demografia é a mãe das nossas crises.
Este texto é da autoria de Pedro Lomba


Dia 5
As crianças de Lisboa e do Sul do País não podem ficar sem um Hospital Pediátrico autónomo e tecnologicamente evoluído.
O Ministério da Saúde pretende que as crianças que hoje acorrem ao Hospitald e Dona Estefânia passem a ser tratadas num "Hospital Geral de Adultos".
Isto representa um retrocesso técnico, ético e civilizacional sem paralelo no Mundo.
Os Responsáveis do País e de Lisboa devem evitar este erro, exigindo aconstrução de um novo Hospital para as Crianças de Lisboa e Sul do País,perto do futuro hospital geral de adultos, mas totalmente pediátrico, autónomo e servido por profissionais inteiramente dedicados à criança doente, ao contrário do quepretende o Ministério.
Também o actual espaço do Hospital Dona Estefânia não deve ser sacrificado aos interesses imobiliários, devendo, antes manter-se dedicado à criança e às instituições que a apoiam, conforme o desejo da Rainha fundadora que há 150 anos o doou à Cidade.
Alguns políticos terminarão os mandatos, mas os seus erros continuarão apenalizar as crianças doentes de hoje e das futuras gerações.
Nós, cidadãos, pais, avós, familiares, nãodesistiremos desta causa: "A defesa intransigente dos superiores interessesda criança"
Na internet poderá encontrar uma petição on line em defesa de um Novo Hospital Pediátrico que cubra Lisboa e todo Sul do país com o alto patrocínio do Professor Gentil Martins, ex-director do hospital D.Estefânia

Cultura de morte


Aqui deixo dois lamentáveis exemplos que demonstram que a cultura de morte está bem viva na nossa sociedade:


EXEMPLO 1)


"Uma pessoa que não se importe de abortar aos 6 meses por causa da falta de um membro acho que o deve fazer.

Se acha tão profundamente que uma criança sem um membro pode ser terminada por esse motivo acho que deve tentar de novo pois tenho dúvida que fosse aceitar aquele filho como seu ou como o melhor que poderia produzir, algo desse tipo.

Não vejo grandes problemas com uma certa selecção à partida, a ideia não é como no caso Nazi ser o estado a determinar o que é melhor para nós mas sim cada um poder fazer a sua selecção artificial.

Afinal esta é feita desde a mulher que eu escolho para ter filhos, passando pela altura da vida em que o faço etc etcEugenia seria se houvesse uma política a ser aplicada a todos e obrigatória, isto é apenas aceitarmos que ha pessoas que têm um entendimento diferente sobre o que seja um ser humano completo.

(...) Nada pode ser pior que se nascer com deficiências e para completar o ramalhete ser-se mal amado pelos pais."


Retirado da caixa de comentários daqui



EXEMPLO 2)


"Na Itália, foi ditada uma sentença – divulgada pela imprensa a 20 de junho passado [1] – segundo a qual um casal, afetado pela talassemia e que havia tido um filho portador da doença devido a um diagnóstico incorreto durante a gravidez, obteve ganho de causa contra o médico responsável pelo exame, condenado a pagar uma indenização no valor de 400 mil euros ao casal; segundo a sentença, teria sido violado “o direito do casal a uma procriação consciente e responsável”.


Acreditar no amor

Chegamos à vida sem tê-lo pedido. Cada um se encontra com uma realidade, não sempre agradável, nem fácil de levar: um país, uma cultura, uma família com umas características, uma identidade, e um projecto de vida pela frente.
Uns antes, outros depois, somos tocados pelo sofrimento, seja físico ou moral. Apresenta-se de forma imprevista, tem mil rostos diferentes: uma amizade traída, uma doença dolorosa, um fracasso profissional, o próprio carácter difícil de ultrapassar...
Mas não há sofrimento suficientemente grande que consiga arrancar do coração humano o desejo infinito de ser felizes. Por isso, cada dia empreende-se a aventura da vida com a esperança de alcançar um pequeno triunfo. Somos seres para triunfar. E ainda que experimentemos frequentemente o sabor amargo da derrota, o ser humano ambiciona ganhar.
O triunfo é a meta das acções humanas. Milionários afamados, modelos de beleza, há muitos, e parece ser que cada vez são mais, mas, são todos felizes?
Os seus olhares revelam muitas vezes frieza. Se triunfaram, porque é que só sorriem quando os vêm, e na solidão guardam silêncio e evitam o seu próprio olhar? Conquistaram triunfos vistosos: a fama, o poder, o dinheiro...
Mas essas coisas, assim como são vistosas, também deixam vazia a vida, e a alma seca. Isso é tudo na vida? Se estamos feitos para triunfar, qual é realmente o Triunfo, com maiúsculas, que todos ambicionamos? A felicidade é a recompensa esperada, e o caminho que a ela conduz é o mesmo para todos: aprender a amar e ser amados.
Não busquemos três patas ao gato. Caminhos há muitos, mas só um nos faz felizes. O amor, fundamentalmente, exercita-se quando se luta para que seja o outro quem triunfa. Então... também ganho eu. No esquema oposto a qualquer dialéctica barata. Ganhamos ambos, se eu te ajudo a ganhar, inclusive mais e melhor que eu.
A nossa sociedade necessita recuperar a fé no amor. De tanto vendermos uniões passageiras, divórcio, a eliminação do que estorva, a sexualidade fechada à vida, o prazer como meta da existência, a violência como meio de imposição... os homens e mulheres do nosso tempo estão a deixar de acreditar que o amor existe, que a fidelidade é possível, que ganha mais quem mais ama.
Triunfa-se na vida quando se ama. Temos que acreditar no amor para não morrermos de tristeza. Todos temos asas de águia para voar muito alto, ainda que nos façam crer que somos galinhas de capoeira. O voo empreende-se quando se aposta no bem do outro. Não são necessários actos heróicos, mas sim tornar heróico o quotidiano, concretamente amando. Ceder um assento no autocarro a alguém mais cansado que eu, sorrir ao dar os bons dias cada manhã no escritório, escutar com atenção quem me conta os seus problemas, convidar para um café a quem tem frio, ou oferecer com agrado o próprio tempo aos seres queridos, para fazer... o que eles quiserem. Amar não é complicado. Está ao alcance de todos.
Os meios de comunicação não falam de toda a realidade, mas existe muito amor no mundo, ainda que não se venda como noticia sensacionalista. Há casais apaixonados depois de 60 anos juntos, homens que apoiam a sua mulher na sua busca de um bom trabalho profissional, mulheres que elogiam o seu marido quando educa os seus filhos, e filhos que se levantam mais cedo para que os seus pais encontrem o pequeno-almoço preparado.
Às vezes, só é necessário que um comece, para que os demais deixem de viver o esquema de "eu ganho se tu perdes", e se decidam a escolher o "eu ganho só se tu ganhas". Quando se ama, ganha-se sempre e ganham todos. Pode ser que amar não seja rentável economicamente, que produza desgaste físico e emocional, que complique a vida e nos tire tempo, mas dá paz de consciência, faz-nos felizes, permite-nos viver num estado habitual de optimismo, desenha um sorriso sincero nos nossos lábios e ilumina o olhar com um brilho novo.
Um ditado hindu reza: "Tudo o que não se dá, perde-se". Triunfa na vida, quem derrota o eu, para que ganhe o tu. Triunfa na vida, quem crê no amor, e se atreve a vivê-lo, com todas as suas consequências.
Autor: Nieves García
Tradução, para a Aldeia, de Tânia Santana

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aborto, lei e factos


A nossa prática tem sido a de discutir os efeitos e as consequências dos fenómenos que vão ocorrendo nas sociedades sem qualquer valoração das respectivas causas, que permanecem ocultas ou num limbo. Como é da nossa natureza acreditar que compete ao legislador resolver essas questões. Liberalizar tornou- -se uma palavra de ordem e a invenção de uma agenda fracturante permitiu remeter para a via legislativa problemas incómodos e transformá-los em delirantes bandeiras ideológicas. Uma receita culturalmente manhosa para a dimensão das questões.
Eram já conhecidos indicadores preocupantes no que se refere ao aborto após a aprovação da lei, mas ficámos agora a saber, pela voz do presidente do Conselho Nacional de Ética, que os resultados vão no sentido oposto do que foi propagado pelos que promoveram a liberalização e viabilizaram a lei: 50% das mulheres que fazem aborto faltam à consulta de planeamento familiar obrigatória 15 dias depois; há mulheres que fazem, no Serviço Nacional de Saúde, dois ou três abortos por ano; o número de abortos aumentou de 12 mil para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009.
São os riscos de legislar num clima de contenda ideológica sobre questões que têm a ver com a vida e a morte, com o respeito e a dignidade, com a responsabilidade individual e colectiva, com princípios básicos de civilização. Este núcleo duro foi e é o âmago da questão e não devia ser varrido por argumentários que parecem ignorar o essencial da condição humana e o valor das vítimas, de todas as vítimas do aborto.
É também um exemplo de má fé legislativa: os adeptos do "sim" sabiam que esta lei não iria resolver nada e, pelo contrário, agravaria a situação. Ninguém com um mínimo de conhecimento da realidade, das causas que estão na origem do aborto, da heterogeneidade das situações, da desigualdade das condições podia, de boa-fé, acreditar na bondade da lei. Aceitaram-se como bons dados forjados, ouviram-se peritos escolhidos à la carte, criou-se um discurso ditatorial, explorou-se a compaixão das pessoas e apagou--se o histórico.
Volto por isso ao ponto onde sempre estive, com as mesmas preocupações que sempre senti e que agora parecem ser partilhadas pelo presidente da Comissão Nacional de Ética. Uma lei que liberaliza, que consagra o aborto a pedido sem necessidade de qualquer justificação, é uma lei que institui a violência pela consagração de medidas desproporcionais e banaliza um acto que, em qualquer circunstância, é sempre de extrema gravidade. Criou-se nesta, como em outras questões éticas, uma cultura desumana assente na exaltação do egoísmo e da irresponsabilidade: da mulher em relação a si própria, em relação a um terceiro cujo direito a nascer é preterido ao menor capricho, em relação à sociedade em geral que não se revê num desmazelo militante cuja factura não quer pagar, em relação aos profissionais de saúde que abraçaram uma vocação assente em valores que estes actos violentam, e que estão na primeira linha de um SNS de recursos escassos e necessidades crescentes.
E, tal como então previmos, confirma-se agora uma perversidade adicional desta lei que funcionou como analgésico das más consciências públicas e privadas quanto às causas do aborto que merecem ponderação: o combate à pobreza das mulheres, a criação de meios efectivos para orientar, informar e criar alternativas, apoios à maternidade, um planeamento familiar eficaz e acessível.
De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Ética é preciso coragem para rever aspectos negativos da actual lei. Que coragem e para quê? Para pôr de lado hipocrisias e oportunismos políticos e corrigir uma lei profundamente atingida por equívocos? Ou bastará a pequena coragem do remendo legislativo que dissolva a incomodidade das evidências e devolva a todos uma benévola sonolência?
Maria José Nogueira Pinto

Aborto e solidariedade


Quer se queira, quer não, um óvulo fecundado é já vida, com uma autonomia genética diferenciada e irrepetível.

A ideia de que essa autonomia genética não é passível de ser geradora do direito à vida pelo simples facto de ser dependente de outrem para se poder sustentar e desenvolver é um aberração.

Muitos seres humanos dependem de outros para se sustentar e desenvolver e não é por isso que devem perder o direito à vida ou a uma vida com a melhor qualidade possível.

Esse raciocínio é perigoso e assenta na mesma permissa de eugenismo que está subjacente ao regime Nazi.

A vida concebida é vida e é Pessoa Humana.

Mas, como tudo o que envolve a nossa existência, toda a vida pede amor, dádiva, sustentação por parte de 3ºs. Os filhos precisam do apoio dos pais, os idosos precisam do apoio dos filhos, os empregados precisam do emprego dos patrões, os patrões precisam da eficácia dos seus trabalhadores e por aí adiante.

A IVG é a 1ª cisão da solidariedade de muitas outras que, em diferentes estádios da vida adulta se vão repetindo.