quarta-feira, 10 de junho de 2009

Campanhas para prevenir gravidez são insuficientes


As plataformas anti-aborto e a Associação para o Planeamento da Família (APF) denunciam a falta campanhas sobre métodos contraceptivos, cujo consumo dispara nos meses de Verão. Os movimentos Pró-Vida vão mesmo mais longe e acusam o Governo de não cumprir a lei do aborto, nem as promessas feitas durante a aprovação. Dizem que falta acompanhamento médico no planeamento familiar e a apresentação de alternativas às mulheres que querem interromper uma gravidez.
Mas, pelo menos durante os meses quentes, época do ano em que mais se vendem preservativos e pílulas do dia seguinte, a Comissão de Luta Contra a Sida vai ter uma campanha de sensibilização para o uso do preservativo.Já a Direcção-geral da Saúde (DGS) tem iniciativas que se estendem ao longo do ano e não com carácter sazonal, segundo indicou fonte do Ministério da Saúde.
As falhas nesta estratégia são apontadas por Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, e por Luís Botelho Ribeiro do Movimento Portugal Pró-Vida. Este último esteve ontem no Parlamento para discutir a petição que pede a suspensão da actual lei da interrupção da gravidez (IVG), mas não acredita que a questão se resolva nesta legislatura.
O dirigente do Movimento Portugal Pró-Vida critica: "Ninguém é contra o aborto e ninguém o quer travar". Prova disso, diz, é "o aumento de cerca de 4000 abortos por ano e a falta de limitações ao número máximo permitido".
Também Isilda Pegado considera que "todo o planeamento está a falhar, não há campanhas de prevenção e nos hospitais chega-se a esperar sete meses por uma consulta de planeamento familiar".

A dirigente acrescenta que "o que é relevante é que o Serviço Nacional de Saúde apenas se preocupa em permitir o aborto e não em preveni-lo".
Apesar de considerar que "as campanhas são uma treta", Luís Botelho Ribeiro não esconde preocupação face ao aumento do número de IVG durante as férias e nos meses seguintes. Em Setembro do ano passado, por exemplo, registou-se um aumento de 152 abortos em relação ao mês anterior.


Pílula do dia seguinte: prejudicial e pouco eficaz

O Dr. Renzo Puccetti analisa um estudo apresentado ao congresso nacional de ginecologistas
ROMA, 9 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Entrevista com o Dr. Renzo Puccetti, membro do grupo de trabalho da European Medical Association, autor do livro «L’uomo indesiderato. Dalla pillola di Pincus alla Ru 486», que, junto a outros especialistas, apresentou ao congresso ginecológico de Turim um estudo sobre a pílula do dia seguinte.

Quais são os principais resultados do seu estudo?
Puccetti: Nós realizamos um modelo interpretativo capaz de explicar o que sabemos há bastante tempo, ou seja, que os resultados esperados da difusão da conhecida «pílula do dia seguinte» fracassaram em conjunto na hora de reduzir, no âmbito populacional, as gravidezes não-desejadas e os abortos. Mostramos, através de análises quantitativas, que, querendo negar o possível impedimento da implantação do embrião que este medicamento leva a cabo, deve-se admitir uma eficácia real significativamente inferior à que comumente se acredita.
Segundo os nossos cálculos, além disso, a dilação na hora de tomar o fármaco tem em conjunto um impacto muito escasso; numerosos estudos não evidenciaram correlação entre eficácia e assunção.
A suposta urgência prescritiva é, portanto, na prática, uma instância fundada em dados de escassa relevância. Não cabe esperar nenhum incremento significativo de eficácia da venda do fármaco como produto livre, como tampouco se demonstrou melhora alguma na distribuição às mulheres para ser usado em caso de emergência.
A associação dos ginecologistas italianos pôs em andamento, há alguns meses, uma campanha de sensibilização no uso dos anticoncepcionais, dirigida em particular aos jovens, afirmando que esta é a melhor maneira de prevenir as gravidezes não-desejadas e o aborto. Você concorda com isso?
Puccetti: Felizmente, nem todos os ginecologistas pensam assim. Contudo, é verdade que se trata do reflexo de uma postura difundida que pode ser resumida no slogan «mais contracepção, menos abortos». Os fatos demonstram que se trata de um slogan falso. Mais de 40 anos após a introdução da pílula anticoncepcional, o número de abortos cresceu de forma espetacular, freqüentemente em maior medida precisamente nos países onde a cultura contraceptiva está mais difundida. Está a ponto de ser publicado um estudo nosso no qual, com números, mostra-se de forma muito sólida o fracasso da estratégia contraceptiva. Trata-se de uma realidade da qual, ainda que timidamente, também no mundo científico se está tomando consciência, como demonstra a crescente aparição de estudos que o apóiam. A afirmação de que é necessário recorrer à contracepção para reduzir as gravidezes não-desejadas e os abortos reflete no mínimo um escasso conhecimento dos dados da literatura médica, ainda que é possível que seja uma expressão de certo obscurantismo ideológico.
Por que você acha que existem estas resistências?
Puccetti: Não quero pensar em interesses de tipo econômico. Acho que se trata fundamentalmente de um grave erro conceitual.
Qual?
Puccetti: O de reduzir o ser humano à sua dimensão biológica, aceitando assim a idéia de que a sexualidade humana se identifica unicamente com a dimensão genital. Esta postura alimentou uma fracassada campanha tecnológica dirigida a garantir a possibilidade de um sexo livre, esquecendo que a liberdade é verdadeira quando desenvolve sua dimensão de responsabilidade.
Por que fracassada?
Puccetti: Porque são as pessoas, primeiramente as mulheres, que se rebelam contra esta perspectiva. Elas já provaram tudo; a busca de produtos teoricamente mais tolerados, mais fáceis de tomar e administrar não surtiu nenhum efeito. As mulheres se resistem a submeter-se por muito tempo à ditadura farmacológica tendente a atrofiar sua potencial fertilidade. Há muitos estudos atuais que confirmam isso. Depois de apenas 3 meses, quase a metade das mulheres não renova a prescrição contraceptiva; em um ano, a porcentagem diminui 15%. As formulações hormonais teoricamente melhor toleradas não têm efeito.
Verifica-se uma grande porcentagem de abortos em mulheres que durante o mês da concepção estavam utilizando anticoncepcionais. Quando a contracepção é suspendida ou o método anticoncepcional é trocado, as pessoas não mudam seus hábitos sexuais, plasmadas no comportamento contraceptivo assumido antes. Estes são alguns dos fatores que contribuem para tornar inapropriada a opção de regular a natureza.

Para concluir, o que você sugere?
Puccetti: É preciso deixar de proceder de forma ideológica; deve haver uma abertura à realidade: compreendê-la, não se deixar tentar por atalhos que só trazem problemas; passar, como diz o professor Noia, «da informação ao conhecimento». O Nobel de Medicina, Alexis Carrel, afirmou certa vez que «muito raciocínio e pouca observação conduzem ao erro; pouco raciocínio e muita observação levam, no entanto, à verdade». Imagine qual seria o resultado quando se observa pouco e se raciocina mal.

A (in)eficácia das campanhas de saúde sexual


"(...) a publicidade mediática em torno da pílula do dia seguinte, dando a entender que sua singela ingestão “resolve o problema” de uma gravidez indesejada, fomenta o acréscimo do número de relações sexuais de risco, de sorte que o efeito final alcançado é inverso daquele previsto nas planilhas e relatórios dos burocratas de plantão.
Aliás, são os mesmos que, com o fito de dar um ar eufemistíco à linguagem adotada e oferecer uma embalagem atraente aos olhos do inocente útil, submeteram toda a estrovenga ao vocabulário politicamente correto. Assim, aborto se chama “interrupção gravidez”, máquina de preservativo mudou para “máquina dispensadora de camisa-de-vênus”, gravidez precoce, agora, atende pelo nome de “gravidez não-planejada” e o vulgar pênis de borracha foi substituído por “prótese peniana”.
Não se vislumbra cenário optimista neste tema, a prevalecer a actual política de redução de danos, fulcrada na idéia de “sexo seguro”.
Mas o cerne desta estratégia é muito claro: é do padrão que, ao perceber que determinado expediente dá um resultado contrário ao pretendido, decide radicalizar o erro para ver se, com ele, produz um acerto.
A contradição desta política de saúde é fétida e não há Chanel nº5 capaz de transformar um gambá num gato de estimação."

André Gonçalves Fernandes
In Portal da Família

terça-feira, 9 de junho de 2009

Educação para os valores na escola

O novo Arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, recentemente chamou à atenção da importância da transmissão de valores na escola:

“Today we live in a society that tends to instrumentalise everything.
In other words, everything is broken down to clear objectives and attainments and each is given a price.
Once this really takes hold then education has truly entered the market place. We are finding ourselves considered as nothing more than consumers and suppliers.”
(....)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Bella no Algarve, a 18 de Junho, Vilamoura

(Clique na imagem para aumentar)

SESSÃO ESPECIAL
Dia 18 de Junho, pelas 21.30, no cinema de Vilamoura, em Quarteira
Marcações prévias para
bella.portugal@yahoo.com ou via sms para o telemóvel 917138359

Petição e fiscalização do Tribunal Constitucional em banho maria

(...) na próxima 3ª feira, dia 9 de Junho - pelas 17h30, realiza-se na 1ª Comissão do Parlamento - consagrada a Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias - uma audição da Petição nº 551/X/4ª em que se Reivindica a suspensão imediata da Lei do Aborto e legislação conexa de forma a promover a sua revisão/revogação.
Inicialmente confiada à "Comissão de Saúde" - e após aviso da intenção de a levantar - a Petição foi, conforme pedíamos, re-agendada para a Comissão de Assuntos Constitucionais. É de saudar esta mudança, na medida em que a actual Lei não trata de um mero aspecto da "saúde da mulher", antes desprotege os Direitos do filho até às 10 semanas ante eventuais "direitos da mãe" que a Constituição Portuguesa não prevê.
Além disso, no tempo da sua vigência a Lei tem já contra si um lamentável registo de abusos que estão a transformar o aborto num "método contraceptivo" de facto e cada vez mais banalizado (ao contrário do que foi garantido), tendo já ceifado cerca de 32.900 vidas humanas!
Por esta e outras razões, a Lei 16/2007 violará flagrantemente o art.º 24 da Constituição, como se depreende da demora e presumível dificuldade do Tribunal Constitucional em dar resposta ao pedido de fiscalização por parte de c. de 30 deputados (pedido n.º 733/007), apresentado em 5 de Julho de 2007, ou seja, há quase dois anos!!!
Guimarães, 8 de Junho de 2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

“Mostrar a verdade - Imagens de aviso, salvam vidas"

A Federação Portuguesa pela Vida comunica que enviou um fax ao Sr. Primeiro-Ministro do seguinte teor.

1. A Organização Mundial de Saúde lançou uma campanha anti-tabagismo com o lema Mostrar a verdade - Imagens de aviso, salvam vidas, para impelir os fumadores a deixarem o vicio.

2. A Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo concorda com a colocação de imagens chocantes nos maços para combater o marketing e levar os fumadores a ter vergonha de exibir o seu vício;

3. A Sociedade Portuguesa de Pneumologia afirma que a prevenção do tabagismo está a falhar e que: “o tabaco deveria ser mais caro, deveria haver mais acções de fiscalização e campanhas de sensibilização, assim como o acesso universal a consultas de cessação tabágica e linhas telefónicas de apoio.”

4. Eis 3 instituições unânimes a dizer: para diminuir comportamentos errados é preciso desincentivá-los e fiscalizá-los, em ordem a mudar mentalidades.

5. A FPV recorda que tanto os opositores como os defensores da liberalização do aborto, incluindo o Sr. Primeiro-Ministro, disseram querer diminuir os abortos; e houve defensores do SIM a anunciar que a liberalização do aborto faria diminuir o seu número.

6. As organizações anti-tabagistas propõem um plano completo de combate, adequado a quem quer combater eficazmente uma prática social.

7. Convidamos o Sr. Primeiro-Ministro para, em conjunto, aplicarmos a mesma fórmula e cumprirmos o objectivo comum de acabar com o aborto.

8. Lancemos a campanha “ABORTO: Mostra a verdade- imagens de aviso salvam vidas”

9. O consentimento para o aborto deve ser assinado na ecografia da menina a abortar;

10. Vamos exibir imagens de abortos para combater o marketing e dissuadir os promotores do aborto de divulgarem essa prática;

11. O aborto tem de ser dissuadido por um preço social elevado e deve deixar de, como agora, ser totalmente grátis, e com direito a subsídio e licença de maternidade;

12. Haja consultas obrigatórias que dêem alternativas à mulher empurrada para o aborto, em vez da situação actual em que os médicos que oferecem alternativas são obrigados a assinar um papel que os proíbe de ajudar grávidas em dificuldades.

13. O Governo tem de apoiar as centenas de associações de todo o país de modo a criarem uma rede nacional de apoio a grávidas em dificuldades;

14. Seja criada uma linha paga pelo Governo e a funcionar 24h/dia apenas para aconselhamento que dissuada da prática do aborto, ou que assessore em lidar com as suas consequências físicas, psíquicas e sociais.

15. Lance o Governo uma campanha de sensibilização para os gravíssimos efeitos do aborto, quer para a criança morta, quer para a mãe, quer para o pai, quer para os irmãos, avós, etc.

Lisboa, 3 de Junho de 2009
Comunicado da Federação Portuguesa pela Vida

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Plataforma Resistência Nacional



COMUNICADO
IMPOSIÇÃO da inclusão OBRIGATÓRIA da educação sexual nas escolas!
[Projecto-Lei Projecto Lei 660/X (PS)]


Os cidadãos Portugueses, nomeadamente Pais com filhos em idade escolar, que em número significativo e em devido tempo fizeram chegar a sua voz à Assembleia da República colocam as questões abaixo às quais exigem respostas:

a) As escolas já fazem a explicação científica completa da reprodução humana. Mas aos políticos não basta. Agora o que querem é doutrinar os seus valores e a sua visão do homem;

b) Há mais de 300 modelos de educação sexual já testados, muito distintos nos objectivos e resultados. Não percebemos com que direito quer o parlamento português, entre os 300, impor 1 modelo único, uma espécie de “nacional-sexualismo” totalitário.

c) Queremos que nos dêem a prova científica de que “o” modelo “nacional-sexualista” já foi testado noutros países e deu os resultados pretendidos. Onde diminuiu o número de gravidezes adolescentes? Onde diminuiu o número de infecções sexuais?

d) Queremos ver as actas da Comissão parlamentar que debateu esta lei para saber quais foram as provas científicas apresentadas.

e) Exigimos que cada deputado nos responda a estas perguntas: acha que educou bem os seus filhos? Acha que foi tão exemplar que tem o direito de impor as suas convicções aos outros?

f) Queremos saber que “impacto ético” se prevê que este modelo “nacional-sexualista” venha a ter.

g) Há pessoas que querem esse modelo para os seus filhos, e estão no seu direito. Mas têm o direito ao modelo e ainda o direito à prova de que este modelo foi sujeito a um controle de qualidade cientificamente sólido.

h) Há pessoas que não querem este modelo, e também estão no seu direito.

i) Rejeitaremos, até ao limite das nossas energias, a interdisciplinaridade do modelo “nacional-sexualista” pois é a forma de o tornar compulsivo e anti-democrático, e por sexualizar de forma obsessiva todo o tempo escolar.

j) Se nós quiséssemos dar preservativos e contraceptivos aos nossos filhos não faltariam caixas nas nossas casas; sabemos muito bem onde os podemos ir buscar e de graça. Srs deputados: não finjam que não percebem!

k) Esta lei de educação sexual humilha de novo os professores: considera-os uns “pais indignos” de educar sexualmente os próprios filhos; mas uns “professores hiper-habilitados” para educar sexualmente os filhos dos outros;

l) Rejeitamos o ataque cobarde do Governo aos professores: primeiro ata-os de pés e mãos e atira-os à água para avaliar o seu mérito natatório; agora, obriga-os a leccionar matérias que não dominam e que, na maioria, não subscrevem.

m) Os nossos filhos não são da sociedade nem da comunidade escolar. A educação dos filhos é um direito/dever dos pais que é indisponível: nem os pais podem prescindir dele nem o Estado lho pode retirar.

n) Esta lei da educação sexual é uma tirania ilegítima e não científica imposta às crianças;

o) Esta lei da educação sexual é uma intromissão intolerável na esfera de liberdade das famílias;

p) A Plataforma vai lançar nos próximos dias um vasto conjunto de iniciativas para implantar a resistência a nível nacional.
ABAIXO A TIRANIA
PELA LIBERDADE DE EDUCAÇÃO
PELA LIBERDADE DE PENSAMENTO
CONTRA O “NACIONAL-SEXUALISMO”
VIVA A RESISTÊNCIA
VIVA PORTUGAL
Portugal, 3 de Junho de 2009
Pela Plataforma,
Artur Mesquita Guimarães – V. N. Famalicão
Fernanda Neves Mendes – Leiria
Miguel Reis Cunha - Algarve
Tlm. 963 408 216
info@plataforma-rn.com
http://www.plataforma-rn.com/

Médicos Católicos lançam delegação no Algarve

A respectiva Comissão Instaladora é constituída pelos médicos associados da AMCP Fernanda Nascimento, Arlindo Marques de Sousa e Maria Salomé Brito Pereira, dos serviços de Pneumologia, Medicina Interna e Cardiologia do Hospital de Faro, bem como por Maria José Pereira do Carmo (Centro de Saúde de Vila Real de Santo António), José dos Santos Matos (Ortopedia), Luísa Maria Serrano (Saúde Pública – Centro de Saúde de Faro) e Maria Helena Boavida (Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Faro).

O núcleo terá a sua sede num dos gabinetes dos Serviços Diocesanos da Pastoral, no largo da Sé, em Faro.

O objectivo é promover o debate e o esclarecimento sobre temas de saúde com implicações morais e éticas, nomeadamente planeamento familiar, a reprodução medicamente assistida, o aborto, a eutanásia, a educação sexual, os transplantes de órgãos ou até mesmo os Cuidados Paliativos, à luz dos princípios evangélicos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre o testamento vital

A favor da humanização da morte
Julgo importante haver testamento vital, cuidados paliativos e direitos conexos, no entanto vi-me agora em consciência obrigada a votar contra o Projecto de Lei nº 788/X (PS) – “Direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado” (cujo título é muito controverso em relação ao conteúdo), por três motivos básicos, os quais devo explicitar.

A minha primeira objecção é quanto ao modo de apresentar a lei. Como infelizmente tem acontecido também quanto a outros diplomas sensíveis e importantes, este não foi atempadamente referido, ou discutido, no GP/PS e na sociedade, e só depois da aprovação na generalidade vai ser objecto de escassa discussão pública, tendo pequena margem de alteração.


Este Projecto de Lei só deu entrada na Mesa da Assembleia da República há seis dias, 22 de Maio de 2009, (6ª feira) e só ontem foi anunciado pela Mesa, o que impediu que chegasse ao conhecimento, ou imprescindível análise, quer de deputados, quer de especialistas, apesar de ser assunto da maior relevância e de a sua discussão ser importantíssima.


Gostava que tantos anos depois do 25 de Abril, Portugal fosse uma melhor democracia, com maior participação dos deputados à Assembleia da República e da Comunidade.


A segunda objecção prende-se com o conteúdo do diploma. Apesar da surpresa com o diploma, ainda antes do debate, várias entidades apolíticas e laicas, como a Ordem dos Médicos, já se manifestaram contra “aspectos com relevância”, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) alerta para riscos, a Federação Portuguesa pela Vida aponta para princípios já ultrapassados nos EUA e adverte para cláusulas que podem abrir portas à eutanásia, o ex-Ministro da Saúde do PS Paulo Mendo diz que medidas destas devem ser feitas com calma e não em ano de crise e de eleições e que a Lei causa motivos de apreensão, podendo fazer com que o “doente viva no terror” e ser contra o próprio interesse do doente. Afinal, opiniões convergentes com as do cidadão comum e com as da Igreja Católica, que ao contrário do que às vezes se veicula, não é contra um testamento vital e defende-o há anos, só que alertou também para esta lei poder não respeitar a pessoa e abrir a porta à eutanásia.


Considero também extremamente preocupantes vários aspectos, sobretudo a possibilidade de abertura à eutanásia, prática que aliás o PS já anunciou ir colocar no programa eleitoral da próxima Legislatura e para a qual já tem feito campanhas de sensibilização a favor. É evidente que testamento vital e eutanásia são matérias diversas, mas é inseparável o debate substancial.




É também muitíssimo grave não haver neste Projecto de Lei devidas referências à primazia da dignidade da pessoa humana em que a Constituição da República Portuguesa insiste, nem à essencial e moderna prática dos cuidados paliativos, os quais evitam sofrimentos desnecessários, a eutanásia e o encarniçamento terapêutico, chamado distanásia.


Sejamos claros: os cuidados paliativos são mais caros do que a eutanásia, mas são muito mais humanos e urge fazer intensa pedagogia e dar meios para esta finalidade. De facto, os cuidados paliativos melhoram imenso a sociedade e a nossa morte, e todos nós merecemos uma morte digna e o mais feliz possível; todos, ricos e pobres temos esse direito.


Em 27 de Maio de 2009, véspera do debate em Plenário da Assembleia da República, a Lusa noticiava o Projecto de Lei poder ser melhorado, mas será sempre uma melhoria relativa, por já ter sido aprovado na generalidade, e vão-se gastar verbas que poderiam ter sido poupadas.


A minha terceira objecção tem por um lado um aspecto filosófico e por outro aspectos muito pragmáticos, relacionados com o que acabo de escrever.


Começo pelos aspectos pragmáticos. Ainda há dois dias, em 26 de Maio, a Assembleia da República organizou um Colóquio sob o tema “A qualidade da Legislação – Um desafio para o século XXI” no qual a directora do CEJUR (Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros) afirmou que a má qualidade legislativa custará ao Estado cerca de 7,5 mil milhões de euros por ano, ou seja, pelo menos 4,5 por cento do PIB, um valor acima da média europeia que ronda os 3,4%.


Considero estranho que Portugal, um país pobre e em grave crise económica, financeira e social, continue a desperdiçar dinheiro com leis a corrigir, que ainda por cima por vezes não são urgentes, nem faziam parte do Programa Eleitoral, como é também o caso desta, e aplique medidas economicistas em áreas sobretudo de vida e de morte, como está também agora a ser noticiado, revelando falta de respeito pela vida das pessoas.


Cito, como deputada eleita cabeça-de-lista por Coimbra, agora o caso dos conceituados Hospitais da Universidade de Coimbra, que se encontram em convulsão e onde, por exemplo, o Director do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica ameaça demitir-se, porque critica a redução de horas da sua equipa para empregar novos profissionais, trocando experiência por inexperiência e reduzindo em muito o número destas 750 cirurgias anuais urgentes, quando os argumentos invocados pela administração seriam uma poupança de cerca de 250 mil euros e o serviço tem saldo positivo anual de milhões de euros. Outras desumanizadas notícias da área da saúde, que terão também a ver com economicismo, são a de os hospitais privados não serem obrigados a concluir o tratamento dos seus doentes cancerosos quando se esgota a cobertura do seguro e de os hospitais públicos não os poderem acolher por falta de meios, e de terem duplicado, em relação a 2007, as queixas à Entidade Reguladora de Saúde (ERS), relacionando-se estas sobretudo com atrasos no atendimento e falta de atenção dos profissionais. Os cuidados de saúde melhoraram substancialmente com o SNS, mas devem ser aperfeiçoados, pois são essenciais à felicidade.


O aspecto filosófico da minha terceira objecção é a constatação indesmentível do facto de a morte infelizmente ser ainda o grande tabu do séc. XXI, como o sociólogo britânico Geoffrey Gorer foi o primeiro a denunciar, em 1955, em “The Pornography of Death”.


Sobre o exercício da Medicina e sobre testamento vital, é vital ler o livro do Coordenador da Comissão Nacional da Pastoral de Saúde, Padre Vitor Feytor Pinto “Saúde para Todos”. Para os crentes (e não só) anoto o texto do Testamento Vital que tem como referência uma declaração similar de um grupo americano e que foi assumido num Encontro Ibérico de Setembro de 1989 por um grupo de Bispos, Sacerdotes e Leigos da Religião Católica (pp 271-272). Na página 274 escreve Monsenhor Feytor Pinto: “são inúmeras as questões que se levantam. Subsiste porém em todas elas uma preocupação dominante, a de servir o homem em crise e de lhe dar a esperança de que ele é capaz. Todos somos homens terminais, todos temos diante de nós a certeza da morte como acontecimento universal. Mas o doente terminal tem mais próxima a morte. O importante é ajudá-lo a viver esse momento como a síntese de toda a vida, com o sentido que marcou todos os caminhos já percorridos. O grande convite que é feito ao técnico de saúde é que, perante o doente terminal, se aproxime, pare, aceite ter tempo para escutar e acompanhe esse homem que sofre e que, em última análise, apenas espera uma outra mão para segurar a sua própria mão. É que a presença de um amigo é sempre uma nova razão de esperança”.“Todos somos homens terminais”, quer sejamos politicamente de esquerda ou de direita, ateus, agnósticos, crentes. Certamente todos ficamos mais confortados se os nossos últimos momentos forem mais humanizados, tivermos, se necessário cuidados paliativos, presenças amigas, “sempre uma nova razão de esperança”. Para isso é essencial legislar bem.


Vários estudiosos, entre os quais me incluo, defendem que a presente centúria tem a máxima urgência em se distinguir pela afirmação dos Direitos Humanos, ser o verdadeiro Século dos Direitos Humanos. Portugal que, ao longo da História, tem sido pioneiro do Humanismo, devia aproveitar esta temática (como outras que venho apontando desde há anos, inclusivamente também através de Declarações de Voto), para ser pioneiro do Humanismo, sabendo educar para a morte como se educa para a vida, com a necessidade de ressocializar a morte, que foi dessocializada devido às características da sociedade industrial e urbana. A prática dos cuidados paliativos é essencial neste Humanismo, enquanto a eutanásia aprofunda a desumanização e a infelicidade da sociedade.


Matilde Sousa Franco,Deputada do Partido Socialista
Assembleia da República, 28 de Maio de 2009
(Imagem: fonte - aqui)

Relato de uma sobrevivente de aborto

Parte 1



Parte 2

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Aumento assustador dos abortos na Madeira

Nos primeiros quatro meses deste ano realizaram-se na Madeira 85 Interrupções Voluntárias de Gravidez (IVG), um "aumento assustador" face às 52 registadas no período homólogo de 2008, disse à Lusa o director clínico do Serviço de Saúde regional.

Fonte: Destak

ACEPS denuncia projecto de lei do PS

Li com atenção e transcrevo um excerto de um comunicado da Associação Cristã Evangélica de Profissionais de Saúde (ACEPS):
Testamento Vital e Eutanásia
O parlamento português aprovou ontem [28/05/2009], sem discusão pública, um projecto de lei do PS que legaliza a introdução do testamento vital ou declaração antecipada de vontade (advance directive) no nosso país. Trata-se de mais um passo no sentido da legalização da eutanásia, que o governo socialista tenciona fazer aprovar na próxima legislatura.
A Direcção da Associação Cristã Evangélica de Profissionais de Saúde (ACEPS-Portugal) defenderá sempre a vida humana, desde a concepção até à morte natural, pelo que tudo fará para que Portugal não seja incluído no grupo minoritário de países onde a eutanásia é legal. Estes temas serão abordados e amplamente discutidos no próximo Congresso Anual da ACEPS-Portugal, agendado para os dias 7 a 11 de Outubro.
Jorge Cruz - Presidente da Direcção - ACEPS-Portugal

Candidaturas a apoio financeiras para, entre outras, instituições de apoio à vida

Nos termos do disposto na alínea e) do n.º 2 do artigo 2º da Portaria n.º 418/2007, de 13 de Abril, faz-se público que se encontra aberto, até ao dia 03 de Junho de 2009, concurso para a atribuição de apoios financeiros pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) a pessoas colectivas privadas sem fins lucrativos.

Consultar o Aviso de Abertura de candidaturas a apoios financeiros.
Quaisquer dúvidas respeitantes a este concurso poderão ser esclarecidas junto da Direcção-Geral da Saúde, Divisão de Participação da Sociedade Civil, através do endereço de correio electrónico: mhtml:%7BB9782393-8799-43DA-AABF-F70EC9389D7C%7Dmid://00000093/!x-usc:mailto:atribuicao.subsidios@dgs.pt.

Advogados com licença de maternidade, paternidade e luto

Hoje foi publicado em Diário da República o Decreto-Lei que permite aos advogados e advogadas verem as suas diligências judiciais adiadas por motivo de paternidade, maternidade ou luto.

Trata-se de um direito fundamental que já devia ter sido consagrado há muito tempo.

Por outro lado, o decreto-lei em causa, a meu ver, está um pouco incompleto já que, por exemplo, não explica devidamente como conjugar as suas normas com as normas do código de processo civil que já abordam indirectamente este tema (Cfr. Artigo 155º, nº5 e 651º, nº1, alínea d)).

De qualquer forma, é de louvar, apesar de chegar tarde...

Juíz denuncia falhas no processo de adopção

JM - Os processos de adopção são comummente conhecidos por serem excessivamente lentos. Entre o momento de entrada até à decisão final, quanto tempo demora o Tribunal de Família e Menores a decidir?
MS - Os processos de adopção são constituídos em regra por duas fases: uma fase administrativa e uma fase judicial. A primeira inicia-se com a apresentação de uma candidatura à entidade competente, que no caso da Região Autónoma da Madeira é o Centro de Segurança Social da Madeira. Este procede ao estudo da pretensão do candidato a adoptante no prazo de seis meses o qual deverá incidir, nomeadamente sobre a personalidade, a saúde e a idoneidade para criar e educar o menor e a situação familiar e económica do candidato a adoptante e as razões determinantes do pedido de adopção. Concluído o estudo é emitida decisão sobre a candidatura.
O candidato, que tiver sido seleccionado, fica a aguardar que lhe seja apresentada proposta de criança a adoptar. Após apresentação desta proposta, segue-se um período que tem por objectivo o conhecimento e aceitação mútuos entre a criança e o candidato a adoptante. Concluída, favoravelmente, esta fase, a criança é confiada ao candidato a adoptante, ficando a situação de pré-adopção por um período não superior a seis meses, durante o qual a entidade competente procede ao acompanhamento e avaliação da situação.
Verificadas as condições para ser requerida a adopção é elaborado relatório que é remetido ao candidato. A segunda fase inicia-se com a apresentação da petição inicial na secretaria do Tribunal de Família e de Menores da área de residência do adoptando.
Recebida a petição inicial, acompanhada dos documentos previstos na lei, o juiz procede às diligências requeridas ou ordenadas oficiosamente. Após parecer do Ministério Público, o juiz profere decisão, decretando, ou não a adopção, conforme estejam ou não demonstrados os necessários pressupostos legais. A adopção tem carácter urgente e uma tramitação simplificada, pelo que na fase judicial é necessariamente célere.
(...)
JM - No processo de adopção, o que faz demorar mais o processo?
MS - Os principais problemas de ordem prática surgem na chamada fase instrumental da adopção em que se decide sobre a adoptabilidade da criança. Com vista a futura adopção, o tribunal pode confiar o menor a casal, a pessoa singular ou a instituição nas seguintes situações: se o menor for filho de pais incógnitos ou falecido; se tiver havido consentimento prévio para a adopção; se os pais tiveram abandonado o menor; se os pais, por omissão, mesmo que por manifestamente incapacidade devida a razões de doença mental, puseram em perigo grave a segurança, a saúde, a formação, a educação ou o desenvolvimento do menor; e se os pais do menor acolhido por um particular ou por uma instituição tiverem revelado manifesto desinteresse pelo filho, em termos de comprometer seriamente a qualidade e a continuidade daqueles vínculos, durante pelo menos, os três meses que precederam o pedido de confiança.
A confiança com fundamento nas situações previstas nas citadas alíneas anteriores não pode ser decidida se o menor se encontrar a viver com ascendente, colateral até ao 3º grau ou tutor e a seu cargo, salvo se aqueles familiares ou tutor puserem em perigo, de forma grave, a segurança, a saúde, a formação ou a educação do menor ou se o tribunal concluir que a situação não é adequada a assegurar suficientemente o interesse do menor.
Com excepção das situações de filhos de pais incógnitos ou falecidos, de prestação de consentimento prévio para a adopção e de abandono, as restantes situações implicam em regra a elaboração de informações, relatórios e inquéritos sociais; avaliações das competências parentais, avaliações pedopsiquiátricas, exames psiquiátricos, etc.
Ora, como os tribunais não dispõem de assessorias internas, estas solicitações têm de ser dirigidas a outras entidades, como a segurança social, os hospitais, o Instituto de Medicina Legal, os centros de Saúde, os centros de tratamento de toxicodependência e de alcoolismo, as instituições de acolhimento e as entidades com competência em matéria de atribuição de casas de habitação social, etc.
Há casos em que se torna também necessário a colaboração das autoridades policiais com vista a apurar as residências dos progenitores e a sua situação económica e profissional. Em suma, as decisões judiciais são o culminar de um longo processo de colaboração e articulação com entidades externas ao tribunal que necessariamente demoram tempo a responder às solicitações, pelo que posso afirmar com segurança que não é justo imputar em muitas situações a morosidade dos processos ao funcionamento interno dos tribunais.
Acresce dizer, que se verificam muitos casos de crianças em situação de adoptabilidade e que não são adoptadas porque não correspondem às características pretendidas pelos candidatos à adopção.
A este propósito não posso deixar de lamentar que a petição para instituir o Dia Nacional da Adopção com mais de 5.000 peticionários tenha sido rejeitado na sessão plenária da Assembleia da República de 15 de Abril de 2009. Tratava-se de uma iniciativa importante que iria dar uma outra visibilidade pública ao instituto da adopção.

Frade polaco fala de sexo

"No séc. XIX acreditava-se que o homem e a mulher eram sempre férteis – e ainda hoje se vai pensando o mesmo. Entretanto, a ciência desenvolveu-se e, por isso, sabemos que o acto sexual pode resultar numa gravidez apenas quando o casal tem relações sexuais nos sete dias antes da ovulação. É o tempo máximo para que o espermatozóide sobreviva no organismo da mulher e perdure até à ovulação. No resto do tempo, ela é estéril. Qual o sentido de tomar a pílula ou usar o preservativo se, no resto do tempo, a mulher é estéril? Só há que saber calendarizar esse período de tempo – o que é perfeitamente possível, na era em que se enviam sondas para Marte. "
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