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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Viver é aprender a abdicar



Na vida humana nada está determinado à partida senão a liberdade com que nos é aberto um universo infinito de possibilidades. A sublime beleza e o absoluto valor da nossa existência residem na radical autonomia em que nos é dado elegermo-nos.
Não há destino, mas escolher é sempre preferir uma opção em desfavor de todas as outras. Cada homem escreve o seu próprio fado. Um só. Do princípio ao fim.
A existência humana é uma viagem feita de escolhas. A vida implica a necessidade de, a cada momento, decidirmos sempre cada um dos nossos passos. Podemos ir em qualquer direção, podemos até decidir não nos mover, seguir num rumo e depois noutro, até para trás... passos mais largos ou mais prudentes... podemos escolher tudo, menos deixar de escolher.
É sempre possível recomeçar. Sempre. Mas nunca do exato ponto onde já escolhemos e fomos. Seremos sempre novos a cada instante e ninguém se demora mais numa hora que noutra, nem pode vivê-la mais do que uma vez...
O tempo faz-nos voar e a trajetória revela a nossa identidade... na separação que introduz entre aquilo que preferimos e aquilo de que abdicamos.
Podemos conhecer o coração de alguém pelas suas afeições... mas talvez lá se consiga chegar melhor através de uma análise àquilo de que desistiu, o que decidiu não querer... afinal, o que é, e que valor tem, aquilo que abandonou para cumprir o que escolheu?
Tudo se complica muito mais porque as escolhas não são sempre feitas entre o bem e o mal... boa parte das vezes a vida exige-nos que escolhamos um de entre dois bens ou um de entre dois males... o erro e o arrependimento são fáceis e quase  garantidos... a felicidade parece impossível... ao homem nunca cabe o lugar de Deus, mas, ainda assim, sem saber distinguir essências de aparências, é possível escolher (o) bem!
A responsabilidade é a capacidade de assumirmos as razões e emoções que são ou foram causa de um ato nosso. Podemos revelar a nossa grandeza mesmo quando erramos e o assumimos de forma refletida. Somos tudo quanto preferimos e preterimos, somos as nossas faltas mas também a capacidade que temos de aprender com elas.
Podemos conhecer o coração de alguém pelas suas afeições... mas talvez lá se consiga chegar melhor através de uma análise àquilo de que desistiu, o que decidiu não querer...
Há quem nunca ceda à tentação suprema de considerar tudo absurdo e a felicidade impossível, há quem nunca desista de aceitar que tudo tem sentido ainda que a ele se possa aceder já... há quem faça o seu caminho daqui para o céu na certeza íntima de que este mundo não é o seu.
São muitos os que querem conhecer as modas para nunca se afastar do caminho da multidão, entram no comboio só por ver os outros a fazê-lo... mas há também quem escolha fazer um caminho por onde nunca ninguém foi... nenhuma das opções é certa, nenhuma é errada... só quem desiste de si é que nunca se encontrará.
Quem se aproxima de um destino, afasta-se da sua origem... troca o valor do que elege pelo valor do que resigna. Mas, o que move alguém que se encontra no caminho entre A e B? Será a vontade de B? ou o medo de A? Se o amor é um excelente motor das nossas ações, o medo também o é... o que resulta numa tremenda confusão: há quem finja amar com medo da solidão e quem viva na verdadeira solidão com medo do amor... há quem tema tudo... e quem ame sem medo de nada.
No amor, há quem encontre o sentido último da existência.
Por amor, há quem entregue a própria vida.
José Luís Nunes Martins
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Casar ou juntar-se ?

O aumento do número de casais que coabitam pode fazer-nos pensar que casar ou não casar é indiferente. Porém, esta suposição não é corroborada por alguns estudos recentes sobre casais. Recentemente, a Rand Corporation lançou um estudo intitulado “Intensidade da Coabitação e do Casamento: Consolidação, Intimidade e Compromisso”, de Michael Pollard e Kathleen M. Harris. Os dois pesquisadores estudaram várias fontes de dados sobre os casais unidos em matrimónio e sobre os que coabitam sem estar casados.


No que toca à consolidação, o estudo revela que apenas 16,1% das mulheres que coabitam afirmam ter contas bancárias conjuntas com o parceiro, em contraste com 68,5% das mulheres que coabitaram antes de se casar e com 72,1% das mulheres casadas que não coabitaram antes do casamento.

Apenas 40,1% das mulheres que coabitam afirmam ter adquirido em conjunto com o parceiro bens ou serviços superiores a 500 dólares (400 euros), contra mais de 80% das mulheres casadas (com ou sem coabitação precedente).

No âmbito da intimidade, o relatório encontra resultados semelhantes: os parceiros que coabitam relatam níveis significativamente mais baixos de intimidade em comparação com os casais unidos em matrimónio. Em relação ao compromisso, os parceiros que coabitam também atingem níveis mais baixos que os casados. Nas uniões livres, há muito menos certeza sobre a duração do relacionamento e, portanto, o nível de compromisso é menor, em particular por parte dos homens. "Vistos em conjunto, os resultados indicam uma nítida diferença de intensidade da relação entre a coabitação e o casamento", conclui o estudo.

A Fundação Inglesa do Casamento (England’s Marriage Foundation) também observa uma diferença substancial entre os parceiros casados e os que apenas coabitam. No estudo de Harry Benson publicado em 22 de maio, chamado “O Mito das Relações Estáveis ​​de Longo Prazo Fora do Casamento”, a Fundação demonstra que os parceiros não casados raramente conseguem garantir um lar sólido e estável para os filhos.

O relatório afirma que 45% dos adolescentes entre 13 e 15 anos não vivem com ambos os pais. Dos adolescentes que ainda vivem numa família unida, 93% têm os pais casados. "De acordo com o que é mostrado pelo relatório, o governo tem ignorado a forte correlação entre o estado marital e a ruptura familiar. O governo dá prioridade as ‘relações estáveis ​​e duradouras’ ao desenvolver documentos de política familiar", declara a Fundação em comunicado de imprensa.

"A desagregação da família custa mais que o orçamento de Defesa inteiro, além de causar um dano social imensurável. Deveria ser claramente do interesse do Governo e de quem paga impostos fazer um esforço para reduzir esta tendência devastadora", ressalta o autor do estudo.

A remoção do casamento dos documentos do programa de Governo é incompatível com as evidências, diz o relatório. "Um grande número de factores mostra que os pais casados ​​tendem a ser mais estáveis ​​que os pais solteiros", prossegue o estudo. Um relatório posterior, feito pela mesma Fundação, mostra que os índices de divórcio não são condicionados pela situação económica.

Alguns analistas argumentam que há mais rupturas matrimoniais durante as crises económicas, devido às pressões financeiras. Outros, observa o relatório, afirmam que a crise económica provoca menos divórcios, porque os casais evitam os custos de separar-se e ter que comprar uma segunda casa. De acordo com a pesquisa “Não É Questão de Economia: Outro Mito sobre o Divórcio Cai por Terra”, nenhuma das duas posições é confirmada pelos acontecimentos dos últimos anos.

Desde os anos 1970, os índices de divórcio sempre giraram em torno de 10% do padrão dos anos anteriores. Em três períodos de crise económica, desde 1979, os números do divórcio aumentaram em dois casos e diminuíram no outro, diz o estudo, permitindo crer que o casamento é mais forte que o dinheiro.


John Flynn, LC in Zenit

sábado, 13 de julho de 2013

Estabilidade ou intensidade ?

Só há vida quando há amor e o amor é intensidade. O amor é aditivo, nunca subtrativo. Amar é ser mais, nunca ser menos. 

 
Quantas vezes o desejo de estabilidade nos conduz à mediocridade? A quantos sacrifícios nos obrigamos tendo a segurança como horizonte? Como pode alguém julgar que é abdicando de ser quem é que conseguirá chegar à felicidade?
O que queremos, no fundo, é paz ou felicidade?
Muitos são os homens que, com medo das impermanências, se refugiam nos níveis baixos das suas escolhas. Ficam com uma previsibilidade a que chamam paz, mas que é, na verdade, uma sólida e pesada fraqueza.
A existência humana é, na sua essência, instável. Ser homem passa por viver ativamente. Assumir riscos. Saltar. Cair. Magoar-se. Sorrir. Voltar a arriscar. Enfrentar feras e esperas. Sem nunca abdicar de ser mais.
Quem não corre riscos, não vive. Ou melhor, tem uma vida estável mas que não tem valor algum... quantas preguiças e inércias se escondem por detrás de uma alegada necessidade de sossego?
A única estabilidade que interessa é a firme convicção de que a nossa vida implica um esforço constante para que nos mantenhamos de pé e... um pé diante do outro, a andar para diante... mesmo quando não se vê chão.
Nos piores momentos, há que ser capaz da esperança que garante que tudo muda... nos melhores, a lucidez da certeza que garante que tudo muda... uma espécie de constância interior perante inconstância exterior. Tudo muda.
É preciso nascer de novo a cada dia. Não há nesta vida tempo para grandes previsões. Viver é ser cada hoje.
É nas tempestades que se atesta a firmeza da nossa fé, pela determinação com que nos agarramos à vontade de ser felizes.
Só há vida quando há amor e o amor é intensidade.
O amor é aditivo, nunca subtrativo. Amar é ser mais, nunca ser menos.
É preciso largar tudo, começar do zero, vezes sem conta... esquecer os sossegos, pois que ser feliz é suportar inúmeras tragédias, rir de outras tantas comédias... mas nunca ficar quieto, como que à espera que algo ou alguém chegue para nos resgatar da lama onde estamos deitados... a morrer sossegadamente. Viver é sair destes sofás. É sorrir mesmo quando chove, ou melhor, sorrir também porque chove!
Equilíbrio, ordem, ritmo e harmonia são qualidades que podem esconder a suprema cobardia: a recusa da fé.
Longe do amor é o marasmo que até pode parecer paz, mas não é.
A excelência da vida é a sua intensidade e a coragem com que cada dia deve ser enfrentado implica que cada um de nós saiba que esta vida é, toda ela, tempo de luta intensa... ora em tristezas fundas, ora em alegrias transbordantes... uma navegação rumo ao melhor de nós... e do mundo.
Há quem não perceba que não há dois dias iguais, duas flores iguais, duas brisas iguais... vivem numa estabilidade estranha, longe da verdade, como se não percebessem que o tempo aqui gasta-se; como não se dessem conta que cada respiração é uma dádiva... que nos deixa sempre mais próximos da morte.
De que vale sonhar um paraíso se não se percebeu que é preciso conquistá-lo, na suprema bravura de entregar a isso a própria vida?
Qualquer felicidade faz-se inferno assim que nos contentamos com ela.
Não é pois a estabilidade que devemos desejar, mas a intensidade de uma vida plena.
Os caminhos estáveis e direitos não levam a lado nenhum. À felicidade chega-se pelo mais duro... onde só o amor consegue dar-nos força às pernas e fé à alma que nos segura os pés.
 
José Luis Nunes Martins
Jornal "i"

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A beleza dos amores de cada dia



«Há uma beleza singular no trabalhador que regressa a casa sujo e desarranjado, mas com a alegria de ter ganho o pão dos seus filhos.

Há uma beleza extraordinária na comunhão da família à mesa e o pão partilhado com generosidade, mesmo que a mesa seja muito pobre.

Há beleza na esposa descomposta e quase anciã que continua a cuidar do seu marido doente para além das suas forças e da sua própria saúde.

Ainda que tenha passado a primavera do enamoramento na juventude, há uma beleza extraordinária na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida, esses velhinhos que andam de mãos dadas. (…)

Descobrir, mostrar e realçar essa beleza é alicerçar uma cultura da solidariedade e da amizade social»

domingo, 7 de outubro de 2012

Mais generosos, mais satisfeitos com o seu casamento

 
 
Um casal generoso tem mais possibilidades de ser feliz. Foi a esta conclusão que chegaram dois investigadores dos Estados Unidos num ensaio (1) publicado por The Family Watch. As suas conclusões permitem compreender como é que pequenos atos de serviço, frequentes demonstrações de afeto e de perdão tendem a melhorar a convivência entre os esposos.
Nalgumas colunas dedicadas a relações de casais é frequente que, por um lado, se exaltem as emoções intensas e, por outro, se faça um elogio dos vínculos frágeis. Cada um deles teria direito a viver romances apaixonados, sempre que se reserve ao mesmo tempo a possibilidade de os desfazer e evitar assim a sensação de estar submetido a compromissos demasiado asfixiantes.
 
Tal e como é descrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman no seu livro Amor líquido, a nova norma que estes conselheiros recomendam aos seus leitores é "que prestem mais atenção à sua capacidade interior para a satisfação e prazer, e estejam menos ‘dependentes' dos outros, e menos atentos às exigências dos outros, com maior distanciamento e frieza na altura de avaliar perdas e ganhos".
Esta norma liga-se ao modelo individualista de casamento que, segundo os autores do estudo (1), parece estar a introduzir-se entre muitos norte-americanos. Foi a partir dos anos setenta do século passado que "o casamento começou a ver-se como um instrumento para satisfazer necessidades pessoais, mais do que ser uma oportunidade para servir o outro cônjuge na vida quotidiana, o que é bom para ambos", explica W. Bradford Wilcox, professor de sociologia da Universidad da Virginia, autor da investigação conjunta com Jeffrey Dew.
Uma contrapartida desta visão é constituída pelos hábitos de generosidade e sacrifício, que requerem que ambos os cônjuges ponham as necessidades do outro à frente das próprias. Sem essa renúncia de ambas as partes, quebra-se o equilíbrio e desmorona-se a estabilidade matrimonial.
Para estudar o modo como estes hábitos influem na satisfação dos esposos no seu casamento, os autores basearam-se na Survey of Marital Generosity. Trata-se de um inquérito feito com uma amostra nacional representativa de indivíduos casados (1705 homens e 1745 mulheres; dos quais, 1630 estavam casados entre si) que foram entrevistados entre 2010 e 2011. Os inquiridos tinham entre 18 e 45 anos, embora os cônjuges do participante principal pudessem ter até 55 anos.
 
No estudo em questão a generosidade é definida como a virtude que leva a dar coisas boas ao outro cônjuge, livremente, e em abundância". Valorizam-se três comportamentos concretos: os pequenos atos de serviço (por ejemplo, fazer o pequeno almoço); as frequentes demonstrações de afeto; e o perdão. Nenhum destes três atos é uma obrigação estritas do casamento, como são a fidelidade, a ajuda mútua e o apoio económico.
Segundo os autores, o comportamento generoso é tão decisivo na vida conjugal porque "envia ao outro a mensagem de que se quer manter a relação". No caso dos atos de serviço, por exemplo, pressupõe conhecer as preferências do cônjuge; além disso, são ocasião para fazer novas surpresas e "tendem a provocar um sentido de gratidão no cônjuge que os recebe; gratidão que, por sua vez, está vinculada a emoções positivas" como a felicidade.
Por seu lado, as frequentes demonstrações de afeto favorecem a empatia e a comunicação. Pode parecer evidente, mas geralmente estas manifestações passam-se por alto quando as pessoas andam muito ocupadas com outros assuntos. Às vezes acontece que, ao chegarem a casa, os esposos se entretêm com as redes sociais ou com a televisão. Ou então entregam-se aos filhos com tal dedicação que ficam com pouco tempo para cultivar o seu casamento.
Perdoar é um ato especial de generosidade porque, sem que possa ser exigido, absolve a culpa do cônjuge pela ofensa recibida ou por não ter estado à altura das circunstâncias.
Cuidar o que é pequeno
O estudo destaca, como primeira conclusão, que a generosidade de um dos cônjuges favorece que ambos os esposos - tanto o que dá como o que recebe - se sintam melhor no casamento, o que por sua vez afasta a probabilidade de divórcio.
Um casal generoso dá lugar a un "círculo virtuoso", de modo que a entrega de um dos cônjuges acaba por atrair a entrega do outro. O estudo destaca como pequenos sacrifícios podem aumentar os sentimentos de auto-estima do membro do casal que deles beneficia, assim como avivar o seu sentido de gratidão e apreço pelo que os realiza.
Ora bem, como os próprios autores realçam na discussão das conclusões, o comportamento generoso não deve ser visto como um anzol para conquistar o favor do marido ou da mulher. De fato, "a generosidade costuma estar motivada pelo desejo de beneficiar o outro, e não pelo facto de receber algo em troca. Uma conduta baseada no esquema ‘dou para que me dês' não parece compatível com a ideia da generosidade".
Outra conclusão interessante é que para melhorar a convivência entre os esposos não é preciso recorrer a grandes gestos de generosidade, mas frequentemente bastarão pequenas ações positivas que geram mais novidade no casamento.
Juan Meseguer

Notas
(1) Jeffrey Dew e W. Bradford Wilcox. "¿Da y recibirás? Generosidad, sacrificio y calidad conyugal". 1 septiembre 2012. IFFD PAPERS nº 12. Produzido por The Family Watch.
 
Fonte. Aceprensa

sábado, 29 de setembro de 2012

Medo de casar ?



Medo de que o casamento não corra bem?… O amor e o medo não podem andar juntos.
Quem tem medo não entende nada de amor. Amar é, precisamente, não ter medo. É acreditar que se possui uma força imensa.
Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que, por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos gelos, dos salpicos das ondas, das pedras aguçadas.
Vai por cima de um mundo muito pequeno, nas asas de um fogo, em mãos de fadas. Possui outra dimensão. Parece-lhe que quem não ama é um morto-vivo…


Paulo Geraldo

domingo, 29 de julho de 2012

Fundamentos do divórcio



A Lei nº 61/2008 de 31 de Outubro veio, como se sabe, liberalizar o acesso ao divórcio conferindo uma nova redacção à alínea d) dos artigo 1781º e 1785º, nº1 do Código Civil.


O acórdão de 9 de Fevereiro de 2012 do Supremo Tribunal de Justiça, na sequência dessa alteração, veio a adoptar uma visão individualista e quase egoísta do casamento, segundo a qual este passou a ser apenas uma mera ocasião de auto-satisfação que, esgotada a sua finalidade de obtenção de felicidade pessoal, deixa também ele de ter razão de ser.





Esta última, opta antes pela perspectiva de que o divórcio apenas sucederá, antes e tão somente como uma   ruptura que "surge como desfecho limite para uma situação sentida como intolerável"
Entretanto, apesar de ter baixado no último ano, o divórcio continua a apresentar-se como um país que tem praticamente trêz vezes mais divórcios do que a Itália e quase quatros mais do que a Irlanda.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Construir o nós no namoro


Já faz alguns anos! Mas ainda vêm-me à memória os olhos brilhantes de tantas alunas e alunos meus de 7ª e 8ª séries, quando, aproveitando a comemoração do Dia dos Namorados, abríamos parênteses na programação de Língua Portuguesa para conversar, por alguns instantes, sobre namoro. O nível de interesse pela aula tornava-se inigualável! Explica-se: tocávamos em aspectos fundamentais das suas vidas; falávamos do amor. Mais: das exigências do amor.
Aos poucos, através de alguns exemplos e comparações, ia-se delineando a finalidade do namoro: elaborar um projeto de vida que se inicia numa comunidade a dois. Fase de preparação, portanto, em que cada um aprofunda no conhecimento próprio e do outro, exercitando a capacidade de se tornar um ser humano melhor, para o bem do outro. Tarefa, aliás, altamente prazerosa, para a qual nunca falta motivação. Fazia-lhes ver que a reciprocidade dessa atitude, desse empenho em buscar as afinidades, compreender as diferenças e as limitações e colaborar na superação das dificuldades, é que constrói a confiança mútua. Confiança mútua: um simples olhar capaz de dizer pode contar comigo. Talvez seja a descoberta mais importante para o crescimento no amor, e que fundamentará, em boa medida, a decisão que se há de tomar com total liberdade. Coincidíamos, afinal, em que toda escolha pressupõe renúncia e, nesse caso especificamente, é necessário ter muito em conta tal pressuposto: o homem, tendo encontrado a sua mulher, renuncia a todas as outras, e a mulher, tendo encontrado o seu homem... idem! Perde-se então a liberdade? Não! Entrega-se a liberdade em razão de um fim; assume-se um compromisso de lealdade: Pode contar comigo! Jamais vi assomar em seus lábios qualquer sorriso de ironia ou descaso. Eram jovens, afinal, com plena capacidade de sonhar.
De fato, o afã de grandes realizações é marca peculiar da juventude e, a tal ponto a nutre e robustece que, com o passar dos anos, aquele que consegue conservar essas aspirações mantém-se jovem em espírito. O jovem tem sempre um ímpeto de superação que, quando devidamente incentivado, encorajado, torna-se a base da sua alegria, uma alegria que nada nem ninguém consegue arrancar porque está enraizada na disposição de enfrentar, por um ideal, todos os sacrifícios.
Formam-se, assim, os grandes atletas, os profissionais talentosos. Quando da morte de Ayrton Senna, ouvi os especialistas dizerem que ele tivera meio segundo para brecar, tempo insuficiente para levar o pé ao freio (Ah! os cálculos dos especialistas!!!). No entanto, revelou-se depois, através da "caixa-preta", que o brilhante piloto freou meio segundo na intensidade máxima antes de bater. Incríveis capacidades revelam-se quando o homem aplica-se a uma façanha ou é exposto ao inesperado. E mais ainda quando as duas circunstâncias coincidem...
Excluindo-se o estrelismo que acompanha os grandes feitos e "massageia o ego" dos que se exercitam, perguntamos: por que a natureza humana, tão rica de possibilidades em tantas situações, revela-se tantas vezes incompetente no que diz respeito à família? Por que tanta tacanhice, futilidade, leviandade, inconseqüência, irresponsabilidade... e derrotismo desde o ponto de partida, uma vez que já não é incomum que, desde o namoro, o pressuposto seja tentar, quem sabe dá certo!? Ora, no namoro se estabelecem e se aceitam as regras, ditadas não tanto por diferenças de temperamento, como pelo sentido de compromisso e responsabilidade que se tenha. E se as regras não são reciprocamente aceitáveis, é hora de romper. Decisão difícil, sem dúvida... Mas, quem sabe, ajude a amadurecer, a reavaliar... Afinal, é melhor romper o namoro para não romper depois o casamento, episódio muito mais traumático e de conseqüências muito mais sérias. Ou pretenderá alguém consolar-se, dizendo: Tentamos tudo; até casamos! ?
Se poucos chegam ao estrelato das pistas, aos recordes atléticos, enfim, às façanhas contempladas pela imprensa, basta sermos pessoas para nos defrontarmos com as exigências de agir com altruísmo, dignidade, grandeza interior... Na vida a dois, não apenas suportar as alfinetadas das pequenas contrariedades, mas aprender a observar, reconhecer e apreciar, antes de tudo, os aspectos favoráveis do outro, interpretar benevolamente as suas faltas, socorrê-lo nas suas necessidades materiais, emocionais, espirituais... Saber ultrapassar as barreiras interiores do egoísmo, superar sentimentos de independência e de superioridade, crescer na paciência, paciência, paciência... No dizer de São Josemaría Escrivá:converter a prosa do teu dia em decassílabos, em poesia heróica. Chegamos, portanto, ao heroísmo. Os aplausos? Esses ficam por conta da vida, quem sabe passados quarenta anos...
O panorama geral, no entanto, é inquietante. Pode-se dizer que há uma maciça propaganda contra essa educação para o altruísmo, contra os ideais de pôr o outro, no caso do amor conjugal, ou os outros, no caso do amor ao próximo, no centro das nossas atenções. E, invertida a equação, somos arrastados pelo individualismo, pela mentalidade utilitarista, que encara o mundo e inclusive as pessoas como instrumentos, objetos a serem utilizados enquanto correspondem às nossas expectativas. Trata-se de uma sombra medonha a escurecer os horizontes da família, principalmente porque dá-se como inevitável que o relacionamento sexual (no sentido mais estrito do termo) esteja condicionado, simplesmente, à experimentação, justamente a esse "uso" do outro. Irresponsavelmente, incentiva-se o jovem a uma atitude dirigida à corporalidade, facilitando-lhe uma bebedeira sexual que pode levá-lo a encalhar na fase inicial, primitiva, do despertar da sexualidade. Num total desrespeito e miopia, ensina-se a não contrair o vírus HIV e a evitar gravidez - que a isso se resume a educação sexual nos nossos dias -, como se no físico não interviesse o psíquico, o emocional, e vice-versa.
Aqueles jovens que deveriam ser incentivados a grandes realizações, até porque é de ideais nobres que carecem, vão sendo levados pelo primitivismo de seus instintos mais elementares, expondo-se a perder de vista as possibilidades de um amor perene, substituído pela superficialidade e futilidade dos "casos passageiros", do mero contato animal entre duas epidermes, como dizia Voltaire. Ou seja, destituídos de uma meta ideal (difícil e trabalhosa, sem dúvida, mas ainda assim ideal), os casais desprezam as suas grandes possibilidades de se vivenciar na fronteira do total, do exclusivo, do definitivo, para se perder nas desilusões do banal e do medíocre, apesar do tão falado prazer, a cada dia mais exigente nos seus requintes. E, então, o que fazer com o sentimento de "só para ti, com todas as minhas forças e para sempre", tão latente nos desejos de entrega do coração humano, principalmente na afetividade feminina? Correm o risco de jamais descobrir a magia que envolve o prazer em uma relação verdadeiramente amorosa, sustentada pela consciência do bem-querer-se.
Se é verdade que a sexualidade feminina e a masculina buscam completar-se, é preciso ter presente o valor da pessoa na sua integridade. A sexualidade é apenas uma propriedade do ser, embora informe e caracterize substancialmente o modo masculino e feminino de ser. Em outras palavras, homem e mulher imprimem a sua sexualidade a tudo o que fazem, e o amor propriamente dito dirige-se à pessoa integral. Assim como é uma pessoa na sua totalidade quem se entrega ao amor. No dizer de Viktor Frankl: "o amor é aquela relação entre dois seres humanos, que os põe em condições de descobrir o outro em todo o seu caráter de algo único e irrepetível." Ou, no dizer poético de Mário Quintana: "Amar é mudar a alma de casa."
Namora-se para conhecer e dar-se a conhecer, para ter um tempo de reflexão, alimentar as expectativas mútuas... E crescer em ternura... Não resisto a copiar umas palavras: "A ternura é muito necessária no matrimônio, nessa vida comum, em que não só o "corpo" necessita do "corpo", mas sobretudo o ser humano necessita do outro ser humano. A ternura estreitamente unida ao genuíno amor da pessoa, desinteressado, será capaz de conduzir o amor através dos diversos perigos do egoísmo dos sentidos e da atitude de prazer. A ternura é a arte de sentir o homem todo, toda a sua pessoa, todas as vibrações da sua alma, até as mais profundas, pensando sempre no seu verdadeiro bem [...]. Tanto na mulher como no homem, a ternura cria a convicção de que não estão sozinhos e de que a própria vida é compartilhada pelo outro. Tal convicção ajuda enormemente e reforça a consciência da união." (Karol Wojtyla - que viria a ser João Paulo II - Amor e responsabilidade).
Eis que o "eu " capta um "tu". Criam-se vínculos. Constrói-se o "nós". O amor, alicerçado na ternura, supera os obstáculos... O utilitarismo apenas troca por outro o objeto que já não lhe serve. Porque nada sobra do caráter unitivo do ato conjugal nas vivências amorosas efêmeras... 
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Este pensamento de Saint-Exupèry em seu O Pequeno Príncipe fez as doçuras de muitas gerações. Indicava aos apaixonados um ideal elevado e os jovens entusiasmavam-se com a magnitude de um amor tão exigente. Não há de ser menor, hoje, a aspiração daqueles que, jovens ou menos jovens, procuram cativar-se para desfrutar das alegrias de doar-se numa sólida e fecunda união.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Casamento, para sempre ?


Pergunta ao Papa Bento XVI no encontro Mundial das Famílias:
Somos Fara e Serge, vimos de Madagascar.
Falando do casamento,
há uma palavra que nos
atrai mais do que nenhuma outra e ao mesmo nos assusta:
o "para sempre"



R. - Na Europa, até ao sec. XIX havia um matrimónio dominante:
muitas vezes o casamento era no fundo um contrato entre clãs,
com que se procurava conservar um clã, abrir o futuro, defender
as propriedades, etc. Procurava-se um para o outro em nome do
clã, esperando que se adaptassem um ou outro.


Depois, a partir do século XIX, veio a emancipação do indivíduo,
a liberdade da pessoa, e o casamento deixou de se basear na
vontade dos outros, e passou a assentar na decisão pessoal.
Antes vem o namoro, que depois se converte em noivado,
e posteriormente em casamento.

Nessa época
todos estávamos convencidos de que este era
o único modelo justo e que o amor garantia, por si mesmo,
o "sempre",
porque o amor é absoluto, quer tudo e,
em consequência, também a totalidade do tempo
é "para sempre".

Infelizmente, a realidade não é assim: vê-se que apaixonar-se
é belo, mas talvez nem sempre seja perpétuo,
tal como o sentimento:
não permanece para sempre.


É belo este sentimento de amor, mas deve ser purificado,
deve avançar por um caminho de discernimento, isto é,
nele deve tornar-se presente também a razão e a vontade,
devem unir-se razão, sentimento e vontade.


No rito do matrimónio a Igreja não diz: "estás apaixonado?",
mas "queres?", "estás decidido?". Isto é, o namoro deve
converter-se num amor verdadeiro, envolvendo a vontade
e a razão num caminho que é o do compromisso
, da purificação,
de maior aprofundamento, de tal modo que realmente todo o homem,
com todas as suas capacidades, com o discernimento da razão
e da força de vontade diz: "Sim, esta é a minha vida".

Fonte: Newsletter "É o Carteiro"

terça-feira, 27 de março de 2012

O amor não (se) cansa

terça-feira, 6 de março de 2012

Casamento: pessoas debaixo do mesmo jugo




"(...) não só o marido deve amar a mulher, mas também a mulher o marido; não só a mulher deve estar submetida ao marido, mas o marido à mulher. A submissão não é então senão um aspecto e uma exigência do amor. Para quem ama, submeter-se ao objeto do próprio amor não humilha, ao contrário, faz feliz.

Submeter-se significa, neste caso, ter em conta a vontade do cônjuge, seu parecer e sua sensibilidade…
Dialogar, não decidir por si só; saber às vezes renunciar o próprio ponto de vista
. Enfim, lembrar-se de que se converteram em “cônjuges”, isto é, literalmente, pessoas que estão debaixo do mesmo jugo
(…)
Os esposos estão de frente, o um ao outro, como um “eu” e um “tu”, e estão frente a todo o resto do mundo, começando pelos próprios filhos, como um “nós”, como se se tratasse de uma só pessoa, mas já não singular, senão plural. “Nós”, isto é, “tua mãe e eu”, “teu pai e eu”.
Bem sabemos que este é o ideal e que, como em todas as coisas, a realidade é freqüentemente diferente, mais humilde e mais complexa, às vezes até trágica. Mas estamos tão bombardeados de casos de fracasso que talvez, por uma vez, não está mal voltar a propor o ideal do casal
(…)
Os jovens têm direito a ver que se lhes transmite, pelos mais velhos, ideais e não só ceticismo. Nada tem a força da atração que o ideal possui".

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O amor é um sentimento ?



Na encíclica "Deus caritas est", Bento XVI explica que os sentimentos vão e vêm.
Podem ser uma maravilhosa chispa inicial, mas não são a totalidade do amor.
Devem purificar-se, conseguindo que amadureçam através da abnegação.
Só assim o sentimento se converte em amor, no pleno sentido da palavra.
Cfr.Bento XVI, Carta Encíclica Deus caritas est, 25-XII-2005, n. 17 citado em Carta Pastoral de Fevereiro de 2012 de D. Javier Echevarria.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Reconquistar os "votos" do casamento

E se a tua mulher/marido, de repente, perdesse a memória e, olhando para ti, tu já nada representasses para si e se, pelo contrário, o ex-namorado voltasse às redondezas.
O que fazer ?
Na véspera do dia de S.Valentim, eis um filme sobre "voltar a conquistar" a pessoa com quem nos comprometemos a viver até ao resto da nossa vida.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O que é o casamento, segundo a ICAR ?


Uma parte significativa dos casamentos celebrados em Portugal, são-no sob a forma religiosa, e em particular, sob a forma de casamento católico.

Infelizmente também, uma parte significativa dos casamentos católicos são celebrados sem que os nubentes tenham efectivamente uma verdadeira percepção do seu significado e isso, muitas vezes, resulta em crises matrimoniais, quando não mesmo divórcios.

No caso do casamento católico latino, ele exprime-se através de um sacramento que é um sinal exterior no qual o ministro que o confere NÃO É O SACERDOTE, mas sim OS PRÓPRIOS CÔNJUGES (Ponto 1623 do Catecismo da Igreja Católica).

Ora, o facto de serem os próprios cônjuges os autores e sacerdotes do seu próprio sacramento tem consequências práticas no dia-a-dia muito importantes.

Senão vejamos:

Cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI, diz o seguinte o que constitui o matrimônio é o amor pessoal dos cônjuges”, é o sinal do que foi prometido no altar. Mesmo porque “o rito é realizado uma só vez, no entanto o sacramento realiza-se no dia-a-dia, em cada momento da existência conjugal, em cada gesto de doação, de entrega, de modo especial no ato conjugal que é a mais intensa expressão do dom mutuo” (Fr. Raniero Cantalamessa, ofm, cap. apud revista “Orar” nº 32,Out-Dez, 2003, pág. 54).

Daí que se trata de um sacramento que não se esgota num acto, praticado algures atrás no tempo, no dia do casamento. Antes é algo de permanente, porquanto “permanece com eles” toda a vida, como ensinou o Vaticano II, seguindo o que Pio XI ensinara na “Casti Conubii” (nº 68; GS 48/351; Cat. Ig. Cat. 1642).
"Ora, o amor conjugal não é algo abstrato, puramente teórico, sem concretude.
Ao contrario é bem definido, bem particularizado, manifestando-se através de palavras, gestos e atos amorosos.
E cada palavra de carinho, gesto de apreço, ato de dedicação e entrega é manifestação do amor que une marido e mulher
" (Cfr. "Coerência com a arte do Matrimónio. Grupos de Estudo sobre a Espiritualidade Conjugal).
Portanto, o casamento concretiza-se, o sacramento realiza-se no dia a dia, em cada momento, em cada segundo de vida a 2.
Por isso, o argumento de que um casamento acaba quando acaba o amor, resulta desde logo de um ponto de partida errado.
Porque o casamento é e alimenta-se em si mesmo de amor. Sem amor não há sacramento e o amor, por sua vez, precisa de ser alimentado em todos os momentos da vida, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença,
Quem assume a vontade de se casar enquanto exteriorização e manifestação de um casamento, fá-lo (ou devia fazê-lo) na convicção de que se trata de um amor que tem de ser ganho no dia a dia e não de que um dia esse amor se poderá perder.


Em resumo:
Ao assumir o casamento como um sacramento, os cônjuges assumem também que esse sacramento precisa de se manifestar e de se vivificar de forma permanente até à morte, em atos diários e concretos.
Por outras palavras, quando realizo as lides domésticas, quando troco as fraldas do meu filho, quando dou um beijo de boa noite ou de boas vindas, quando desculpo uma má disposição ou um comentário mais desagradável, etc, etc, etc estou, de novo e de forma permanente, a casar-me.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A relação amorosa dos pais em primeiro lugar

"Sempre que namoramos mais um bocadinho, casamo-nos mais um pouco e sempre que deixamos de namorar, divorciamo-nos em suaves prestações”, concretizou a provocação, considerando o casamento tão sagrado como frágil.
“É uma experiência sagrada porque duas pessoas que decidem comungar-se é uma experiência tão preciosa que é sagrada, mas é frágil porque, às vezes, os pais estão tão preocupados com a educação dos filhos que se esquecem de namorar todos os dias”, lamentou, lembrando que “pais mal-amados tornam-se piores pais”. “É fundamental que a relação amorosa dos pais esteja em primeiro lugar, antes da relação dos pais com as crianças”"


Eduardo Sá
Faro, 13 de Janeiro de 2012
in Folha de Domingo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre os casais que estão tão unidos que morrem, um, pouco tempo depois do outro


Aqui, um excelente texto sobre casais que desenvolvem uma relação tão visceralmente íntima que morrem um pouco tempo depois do outro

Os 2, tornam-se 1, 1 só corpo e 1 só carne:

The parties in a couple become to intertwined into each others’ lives that life without the other would be fundamentally different. Routines are gone. The simple presence of the beloved other is gone. The one who listened to your concerns and shared your joys is gone. The one who trusted you and whom you trusted more than anyone else is gone. The one who touched you just so is gone. The one who tapped into your spirit, brought you out of yourself, and saw with love into the depths of your being is gone. The one whom you would have done anything for is gone.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O amor é um Êxtase de libertação

"(...) o amor é «êxtase»; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo".
Bento XVI
"Deus Caritas est". Ponto 6, último parágrafo

sábado, 26 de novembro de 2011

A comunicação entre o casal


A comunicação no matrimônio é manter uma disposição pessoal de ajuda ao outro, de confiança em suas possibilidades, de interesse por sua melhora. Se a comunicação conjugal é satisfatória toda a relação é vista com otimismo, visando o bem e o equilíbrio. Uma comunicação familiar plena é a base da felicidade familiar. A harmonia conjugal permite uma adequada educação dos filhos na medida em que estes se vêem livres dos problemas e dificuldades dos pais, e se sentem guiados e amados por pais que caminham juntos.

A comunicação entre marido mulher necessita de naturalidade para dizer-se as coisas como são, com sinceridade. Requer espontaneidade, para fazê-lo com graça, sem carga dramática. Deve ser simples, para evitar duplas interpretações. Dentro desse grande universo que compõe a comunicação conjugal, podem distinguir-se sete pilares fundamentais. Todos e cada um devem ocupar um tempo e um lugar na convivência diária do casal e em sua comunicação.

OS SETE PILARES DA COMUNICAÇÃO DO CASAL

1- Os valores: compartilha-se o íntimo e pessoal, as convicções profundas.
2- Os sentimentos e os afetos: todas essas “pequenas grandes coisas” que se contam os que se amam
3- Os filhos e o lar: os filhos e o próprio lar, são temas obrigatórios de conversação entre os esposos
4- O trabalho profissional: esse interesse pela atividade do outro
5- A sexualidade: caminhará bem quando a vida de comunicação e relação funciona
6- A família política (parentes): com boa diplomacia se garante a comunicação e se impedem atritos desnecessários entre os esposos
7- O dinheiro e a economia doméstica: deve-se compartilhar tanto a escassez como a abundância.

A crise no matrimônio pode originar-se às vezes por uma comunicação defeituosa. A própria crise em si supõe uma ruptura da comunicação. Esta ruptura se manifesta de forma aberta quando o trato e o diálogo deixam de existir. Ou pode aparecer de forma velada quando se continua a relação a base de monossílabos. Em todo caso o que se pretende é que estes momentos de desacordo conjugal sejam transitórios e leves, graças à boa vontade dos cônjuges.

IDE - Instituto de Desenvolvimento da Educação


Publicado no Portal da Família em 25/11/2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Estudo americano alerta para os efeitos negativos do divórcio


Efeitos negativos do divórcio:
- Existem evidências claras de que os pais são menos propensos a ter relacionamentos de alta qualidade com seus filhos.
- Crianças com pais divorciados ou não casados são mais susceptíveis a serem pobres.
- A mortalidade infantil é maior e, em média, as crianças têm pior estado de saúde em comparação aos colegas que têm pais casados.
- Adolescentes de famílias com pais divorciados são mais propensos ao abuso de drogas ou álcool, de entrar em conflito com a lei, e viver uma gravidez na adolescência.
- Crianças que vivem em lares com homens sem laços familiares correm maior risco de abuso físico ou sexual.
- Divórcios aumentam o risco de fracasso escolar e diminui a possibilidade de obter um bom emprego.
-Filhos de pais divorciados têm 50% a mais de chance de um dia terem seus casamentos fracassados.
-Nenhuma estabilidade.
Além disso, a expectativa de que após o divórcio o ex-cônjuge será livre para casar com outra pessoa, com quem será feliz, proporcionando aos seus filhos maior estabilidade, não é um resultado comum, apontou o relatório. A taxa de divórcios no primeiro casamento é de 40% a 50%, e para a segunda união é de 60%. Isso significa que as crianças passam por muitas transições familiares, aumentando cada vez mais as consequências negativas.
Em recente estudo tendo por base um modelo econômico muito cauteloso, foi estimado que divórcios e gravidez fora do casamento custa aos contribuintes dos Estados Unidos no mínimo $12 bilhões por ano.
Analisando como este imenso dano social e econômico pode ser reduzido, o relatório alegou que é errado supor, que uma vez feita a petição de divórcio pelos casais, não há como voltar atrás.
Em recente pesquisa foi demonstrado que 40% dos casais americanos já decididos pelo divórcio dizem que, um ou ambos, estão interessados na possibilidade de uma reconciliação.
Infelizmente, afirmam os autores, os juízes e advogados de divórcios, normalmente, não fazem qualquer tentativa para promover a reconciliação, concentrando-se em uma resolução rápida para o processo.
Entre as evidências contidas no relatório, estava o resultado de uma amostra de 2.484 pais divorciados. A mesma demonstrava que cerca de um em cada quatro pais acredita que seu casamento ainda poderia ser salvo. O processo de divórcio dos pais envolvidos estava quase no final.
Para casais que procuram o divórcio o percentual de abertura à reconciliação poderia ser bem maior, adicionaram os autores.
O relatório sugeriu um período mínimo de um ano a partir da data de apresentação do divórcio até que ele entre em vigor.Este adiamento poderia dar tempo ao casal para reconsiderar a decisão de se separar.
Afinal de contas, muitos estados têm um período de espera para se casar, a fim de desencorajar as decisões impulsivas.
Além disso, às vezes, a decisão de divorciar é feita em um momento de crise emocional, e uma pessoa em tal estado não pode pensar sobre as consequências do divórcio a longo prazo.
Junto com um período de espera é fundamental oferecer serviços para promover a reconciliação. Atualmente, afirmaram os autores do relatório, a qualidade dos aconselhamentos matrimoniais disponíveis em muitas comunidades é insuficiente.Em muitos casos, os conselheiros matrimoniais não são adequadamente formados. Além disso, muitos conselheiros sentem que devem manter a neutralidade quanto à possibilidade do casamento terminar em divórcio ou não, o que não estimula a esperança para um casal à beira do divórcio.Programas de educação para o aprimoramento do matrimônio, especialmente para aqueles em maior risco de divórcio, foi outra recomendação. Avaliações de alguns dos melhores programas têm mostrado que estes são bastante eficazes.


Sobre técnicas de promoção da reconciliação ver mais aqui

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Abraçados podemos voar



Tenho tido nestes anos, como padre, a gratíssima alegria de casar dezenas de amigos. Sei por eles, e da forma mais pura, a verdade daquele verso de Dante que diz: «o amor move o sol e as outras estrelas». Ao olhar para o interior das suas vidas, para dentro dos seus sonhos e até dos seus temores é esse incomparável mistério que se deteta: o modo como o amor, como a frágil força do amor é capaz de mover, de transfigurar e de unir, até ao fim, cada fragmento do corpo e cada filamento da alma.

Um outro autor italiano escreveu: «Somos anjos de uma asa apenas. Só permanecendo abraçados podemos voar». O casamento é a serena e criativa conjugação destes dois sentimentos que, fora dele, pareciam destinados a existir unicamente em contraste: a solidão e a comunhão. O amor agudiza a consciência de sermos um; descobre, aos nossos próprios olhos, a irresolúvel incompletude que individualmente nos caracteriza, a nossa insuperável carência; e ensina-nos o sabor de uma, até aí desconhecida, solidão: aquela que se sente por estar privados do ser amado. No bíblico livro de Rute isso vem assim explicitado: «a vida tratar-me-á com duros rigores se outra coisa, a não ser a morte, me impedir de olhar diariamente o teu rosto» (Rt 1,17). A solidão incandescente com que o amor fere os que se amam é, porém, o que faz dele uma prática de desejo e de caminho, um exercício de mendicância (na verdade, o amor é sempre uma conversa entre mendigos) e de busca, uma forma de entrega e de súplica. Por alguma razão a experiência religiosa da mística recorre a uma linguagem próxima desta amorosa. Os enamorados percebem o estado dos grandes orantes e vice-versa, creio.

Mas o amor é sobretudo milagre da comunhão. Uma comunhão construída também com esforço, é claro, conquistada continuamente ao território muito defendido do egoísmo, traduzida em decisões quotidianas e vigilantes. Porém, não é propiamente de uma conquista que se trata, mas do arrebatamento comum pelo dom, do espanto inesgotável, de uma hospitalidade radical. «Se me tapares os olhos: ainda poderei ver-te. Se me tapares os ouvidos: ainda poderei ouvir-te. E mesmo sem pés poderei ir para ti. E mesmo sem boca poderei invocar-te». O fundamental é vislumbrado e servido em completa dádiva, acontece sem porquês, no âmbito de uma gratuidade infatigável, numa geografia sem condições nem reservas. O amor não se explica: implica-se. É uma voluntária hipoteca, um sigilo de sangue, entrelaçamento vital. Os enamorados conspiram com o milagre e, por isso, tornam-se, de forma tão íntima, cúmplices de Deus.

Compreendo o aviso meio irónico que Auden faz contra as festas de casamento. Ele diz que os noivos deviam ser humildes e não fazer logo no primeiro do seu casamento uma festa colossal, quando, no fundo, está ainda tudo por construir. Mas também acho impossível não celebrar a alegria do casamento, e fazê-lo com uma simbólica desmesura. Poucos momentos dão a ver assim a vida na sua transparência.

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias da Madeira
14.09.11