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sexta-feira, 8 de março de 2013

Propostas de diálogo com adolescentes



Para que nuestra comunicación con nuestros hijos adolescentes sea más eficaz deberíamos tener en cuenta algunas consideraciones generales, como estas:

Afrontar con calma el conflicto. Un conflicto es una ocasión para educar. Si lo eludimos estamos validando lo que ha hecho o ha dicho; si lo silenciamos, lo damos por bueno.
Comenzar nuestro diálogo siempre con un comentario positivo, mirándole a los ojos y estableciendo un contacto físico.
Tratar un solo tema cada vez e inten...tar verlo desde su punto de vista. Abrumarle con muchas cuestiones, aunque sean importantes, no lleva más que a confundirle y a desanimarle. Ser específicos y breves.
No dramatizar ni perder el control. Si lo hacemos, estaremos cerrando puertas. Cuando estamos nerviosos decimos lo que no queríamos decir y tomamos decisiones poco razonables.
Nunca prejuzgar ni ponerle trampas. Debemos ir siempre con la verdad por delante, decir las cosas claras y no intentar engañarle. Evitar los dobles mensajes y las ambigüedades.
Respetar su intimidad. Aceptar las confidencias que nos quiera hacer, sin forzar, y no desvelarlas jamás.
Primero escuchar y entender, para después dialogar. No utilizar el monólogo disfrazado de diálogo, cuando sólo nos escuchamos a nosotros mismos.
Hablar de lo que observamos, no de lo que nos parece. Evitar las suspicacias.
No etiquetar. Si lo hacemos, habremos precintado la posibilidad de cambio.
Buscar las causas inmediatas, no las remotas. Olvidarnos de los errores del día anterior, centrarnos en las soluciones y llegar a un compromiso muy concreto, incluso ponerlo por escrito.
Dar oportunidades de que se desahogue, de que exprese sus sentimientos. También respetar sus silencios.
Nunca llevar a cabo acusaciones ni agresiones (físicas o verbales).
Ponerle ejemplos de nuestra propia experiencia sin caer en el “padre batallitas”.
No pretender tener la razón en todo. También los padres nos podemos equivocar.
Tener presente que la perfección no existe. No hemos de pretender la solución perfecta, sino ir consiguiendo pequeñas metas.
Llegar a establecer pactos. No caer en el “todo o nada”. Ser flexibles.
Hacerle ver que estamos en el mismo equipo.
Decirle que le queremos.
Probablemente estas pautas nos servirán para mejorar la comunicación. No se pierde nada por intentarlo y todo lo que se consiga será ganancia tanto para nosotros como para nuestros hijos.

Javier Calderon


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O retrato dos jovens em 2013


É notório um prolongamento da idade juvenil, que hoje se mostra de maneira precoce porque fortemente estimulada e, simultaneamente, dilata-se exageradamente dado que a saída do meio parental ocorre após a estabilidade afetiva e profissional, esta última perturbada pelo desemprego crescente.

A instabilidade, que atinge diversas dimensões essenciais da vida, da economia até à atividade profissional, da vertente educativa à política, faz dos jovens, neste tempo "líquido", a parte mais fraca e vulnerável da sociedade.

Os jovens são caixa de ressonância da crise da sociedade, com conotações culturais diversificadas em função das condições, contextos e formações.

O amadurecimento social não constitui uma aspiração determinante dos jovens. Eles vivem um "presentismo" sem futuro, onde a experiência tem valor em si mesma, passando-se de uma a outra sem finalidade e sem distinguir os limites entre objetivo e subjetivo, fazendo da experiência pessoal uma coisa pública, criando relações globais que confluem numa "ciberidentidade". com a possibilidade de aceder a outras visões do mundo e de produzir reflexões que vão para além de si próprio e dos seus horizontes.

A tecnologia é um traço central da identidade jovem, é uma força que dá centralidade à sua vida. O labirinto das redes oferece espaço para novas procuras. Apoderam-se do saber sem olhar para a autoridade. Os jovens tomam posição sem medo perante as informações, rompem os sistemas hierárquicos, escolhem os temas e problemas mais significativos segundo a própria subjetividade, guardam distância das lógicas das instituições e dos partidos.

A experiência da construção de si próprio assume contornos novos: as novas gerações tornam-se filhas de si próprias, distanciando-se dos adultos, desde que elas se tornem companheiros de uma vida partilhada e não obstáculos de autoridade de um processo de afirmação.

A afirmação da identidade no corpo é vivida muitas vezes com forte tensão. O modo de vestir, o look, as tatuagens ou os piercings fazem parte da construção da própria personalidade, afirmações do domínio sobre o corpo. O modo como se apresentam é uma linguagem, um distintivo. A relação com o corpo é um meio para marcar a individualidade, expressão de autoestima.

O desconforto de ser si próprio, as dúvidas sobre a própria identidade vivem-se e resolvem-se no grupo que oferece modelos e suporte. O olhar de quem está próximo é essencial para a autoestima.

As culturas juvenis são uma visão que nos ajudam a decifrar a vida em perspetiva do futuro. As tecnologias intervém na experiência das pessoas e permitem a ampliação das potencialidades humanas. O ambiente digital faz parte do quotidiano, é uma extensão do espaço real da vida do nativo digital. Procuro, encontro, desfruto quando preciso. Implica seleção, possibilidade de comentário e interação. Os jovens estão mais prontos para a interação do que para a interiorização. Mas estas duas dimensões devem ser conjugadas.

A dificuldade no desenvolvimento harmonioso das capacidades de relacionamento consigo próprio e com os outros, de gerir e interpretar as próprias emoções conduz à insatisfação e, por vezes, à depressão.

A ausência de uma conceção integrada do amor e a facilidade de paixões fortes, unida a uma vida sexual intensa constituem um desafio às comunidades educativas, a começar pela base familiar, tantas vezes inexistente.

O equilíbrio emotivo entre autonomia e dependência, entre escolha da felicidade e realidade sem saída, gera ansiedade e angústia. Esta cultura possui uma linguagem que é preciso entrar e que se exprime num género de música, de arte, com uma gramática própria.

Carlos Azevedo

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Contrariar os efeitos do "Flower Power"

 
 
Na vida normal de uma casa onde existe uma criança pequena, impulsiva, activa, exigente, curiosa, o não pode muito bem passar a ser a palavra mais usada - na casa da Maria é, garantidamente. Mas o adulto que a diz tem de acreditar que está a fazer o que está certo. "Se as respostas ao seu comportamento forem consistentes, a criança adquire uma boa ideia do que é permitido e do que é proibido, do que é seguro e perigoso."
Quando a criança rejeita relutantemente o não, Asha Phillips recomenda o recurso ao castigo ou mesmo uma "leve palmada ocasional" para deter uma escalada de conflito. "Não é o castigo em si que importa, mas aquilo que o seu comportamento transmite. Não é preciso uma marreta para partir uma noz". O excesso de autoridade tem, em geral, o efeito oposto ao desejado. O mesmo é verdade em relação a perder a calma, humilhar a criança e entrar numa batalha de vontades. "Mas se alguma vez um pai perder a cabeça e disser ou fizer algo de que se arrepende, não é o fim do mundo. Isso pode ajudar a criança a perceber que o pai ou a mãe também são humanos." A mãe, humana, de Maria suspira de alívio. Asha Phillips absolveu-a.
Porque é tão difícil dizer não?
Ao negarmos algo, ao contrariarmos uma vontade, somos impopulares e geramos conflitos. E fugimos disso. É uma herança do pós-guerra. As pessoas passaram a achar que tudo o que era rígido era fascista. Nós, os pais que viveram o flower power, tornámo-nos tão contra tudo isso que começámos a fazer o oposto. O legado negativo dos anos 60 foi deseducar. Essa geração educou outra que cresceu desamparada, com demasiada liberdade.
A estrutura actual de família, com pai e mãe a trabalhar, ou mesmo monoparental, não facilita a tarefa.Há uma enorme culpa, por parte das mães que trabalham, e que sentem que não se dedicam a tempo inteiro aos filhos. O facto de terem de os deixar faz com que pensem não estar a cumprir bem o seu papel. E como a maioria das mulheres ainda tem a exclusividade das tarefas domésticas mal chega a casa...
E diz-se sim para compensar os filhos e para amainar a culpa...
Não queremos discussões porque tivemos saudades deles o dia todo, queremos que nos achem amorosas. E por isso não dizemos "Chega de televisão" ou "Está na hora de ir para a cama".
Quando é que é demasiado tarde para se começar a ditar limites?
Nunca. Só que quanto mais tarde mais difícil. O ideal é começar quando os filhos são bebés. Chegar à idade escolar sem regras, por exemplo, pode ser muito complicado. A forma como os miúdos reagem ao "não" tem um enorme impacto na sua capacidade de se adaptarem, fazerem amigos e aprenderem na escola. Tentar impor regras a um adolescente que nunca as teve é quase uma impossibilidade.
Há erros práticos que se devem evitar?O maior é os pais quererem ser perfeitos. Por exemplo, com os bebés: custa-lhes ouvi-los chorar e por isso correm até eles ao mínimo ruído. Mas várias investigações recentes deixam-me descansada como mãe: concluíram que é bom não acertar sempre, que o ajuste perfeito não é benéfico. O que é bom para o desenvolvimento é existirem acertos, erros e reparos. E isso é que é a vida real.
Todos os pais querem ser perfeitos.
Mas isso é o que interessa aos pais. Não o que interessa ao filho.
Os filhos podem tomar decisões?
Claro que deixá-los decidir, de vez em quando, dá-lhes independência, iniciativa, criatividade. É maravilhoso ver o seu entusiasmo e energia. Mas não é benéfico dar-lhes demasiada escolha, porque depois torna-se uma responsabilidade deles e isso é de mais quando se é criança.
Podem, por exemplo, opinar sobre o que vão comer?
Ui. Não sei como é em Portugal, mas em Inglaterra a hora da refeição tornou-se terrível. Imagine-se que se tem três crianças, e uma quer comer massa, outra carne e a outra é vegetariana, e a mãe cozinha três refeições diferentes. Isso é de loucos. Deve-se dizer: "Esta é a refeição hoje, eu sou tua mãe e sei o que é bom para ti e por isso é isto que vamos comer." Se não quer, paciência. Porque se a nossa criança quer massa todos os dias e nós satisfazemos esse capricho, então quando vamos comer a casa de amigos ou na escola eles não vão querer comer porque não é massa. E aí a mãe tem um grande problema. É tudo uma questão de flexibilidade e de os pais fazerem o seu filho sentir que ele se consegue adaptar às coisas do mundo e que não é sempre o mundo que se adapta a ele.
E dormir na cama dos pais, é proibido?
Não há um não ou um sim claro. Se a criança dorme bem, se os pais dormem bem não há problema. Mas se isso é feito mais pelos pais do que pelas crianças, se é o pai que precisa de conforto, então está errado.
E o que fazer durante as birras no supermercado, com as crianças que esperneiam no chão?
Mais uma vez, não há uma regra mágica. Se acha que já está há demasiado tempo no shopping e que a criança está cansada, então a culpa é dos pais e é altura de ir para casa. Se, por outro lado, passam o tempo todo "eu quero, eu quero", é muito importante não ceder. E se a criança se atira para o chão, que isso não afecte os pais porque é quando nos preocupamos com o que os outros comentam que se tomam decisões erradas. Podemos deixá-la espernear por 5 ou 10 minutos, esperar que acabe e continuar o que se estava a fazer. Regras dão-lhes estrutura, um objectivo e, depois, o sentimento de vitória quando o alcançarem.
Mas como podem os pais saber quando devem dizer sim ou dizer não?
É muito difícil. O livro não encerra nenhuma fórmula secreta, porque ela simplesmente não existe. É importante não dizer sempre não, porque seria ridículo, temos que escolher os nossos 'nãos' com muito cuidado, os verdadeiramente importantes. E quando os escolhemos temos que os segurar, não ceder. O que realmente não é bom para as crianças é dizer não, não, não e depois dizer sim. Porque assim nunca saberão quais são os limites. E uma criança usará os nossos argumentos, a nossa linguagem, e vai lembrar-se sempre daquela vez em que dissemos sim - "Se naquele dia deixaste porque não deixas hoje?" São muito lógicos e encostam-nos a um canto com os seus argumentos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

20 anos depois

 
 
Carlos e Regina estavam eufóricos. Iriam, enfim, realizar o sonho que os acompanhava nos últimos anos. A igreja para o casamento tinha sido escolhida com carinho; os convites foram distribuídos a tempo e toda a festa estava preparada nos mínimos detalhes.
Não faltaram as brincadeiras dos amigos: “Até que enfim! Até que enfim!...” Sentiam que valera a pena terem namorado durante alguns anos, como também guardavam belas recordações dos meses de noivado. Podiam dizer que se conheciam bem. Diante do que era essencial, estavam plenamente de acordo. Só faltava mesmo dizerem mutuamente o “sim” diante de Deus e dos homens.
O “sim” – «Eu te recebo e te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida» – foi dito com alegria. Ela estava trémula, emocionada. Sua voz mal saiu. Ele estava mais sério do que de costume. Ali, diante do altar, até se lembrou da primeira vez que, logo que começou a estudar, foi obrigado a recitar uma poesia diante dos colegas: todos olhavam para ele e a poesia não saía. Parecia que alguém tapava sua boca...
Agora, no momento dos cumprimentos, os noivos perceberam a sinceridade dos amigos que lhes desejavam felicidades. Haveria, no mundo, um casal mais feliz? A vida abria um largo sorriso para eles. Eles, por sua vez, olhavam para o futuro com confiança e alegria.
Vinte anos depois do casamento, custava ao sacerdote convencer-se do que ouvia. Não tivesse motivos suficientes para acreditar em Luís António, filho de Carlos e Regina, poderia achar que estivesse exagerando. Fora o jovem que, livremente, o procurara. Ouvindo-o, era difícil convencer-se que aquele jovem tinha somente 18 anos. Em alguns momentos, o sacerdote tinha a impressão de estar diante de alguém que já tivesse vivido uns 40 ou 50 anos. Era-lhe doloroso ouvir uma história marcada por tanta dor e solidão. Nada faltava ao jovem: tinha bela casa, frequentava a faculdade e, para seu próximo aniversário, os pais haviam prometido um presente especial. Mas o jovem dizia não ser feliz.
O seu pai, ocupado demais com os negócios, não tinha tempo nem para ele, Luís António, nem para os outros filhos. Levava uma vida agitada, cheia de compromissos, mas certo de que trabalhava para a família, unicamente para o bem dos filhos. Afinal, dava-lhes o necessário e tudo o que podia. Estava convicto de que eles não tinham nada de que reclamar.
A sua mãe tinha a certeza de que era a melhor mãe do mundo. Porém, de tão ocupada, não percebia que, na verdade, pouco conhecia da vida deles, dos amigos que tinham e das preocupações dos filhos. Nem se lembrava da última conversa mais profunda que tivera com eles. Conhecia, tão somente, uma série de factos, fruto das conversas nas refeições.
Luís António não se sentia amado: era esse o seu drama. O drama dos seus pais era outro: conscientes de serem os melhores pais do mundo, não compreendiam por que o filho os agredia tanto. Como não eram capazes de se colocar no lugar do filho, não conseguiam avaliar a sua solidão. Também não percebiam que a educação que davam aos filhos sofria uma concorrência imensa: concorria com as idéias dos meios de comunicação social, dos professores, dos colegas; do mundo todo, enfim. Não poucas vezes, havia oposição total entre tais ideias.
Luís António, desorientado, precisava urgentemente da atenção, da presença e do amor dos pais. No momento essa era a única linguagem que poderia atingi-lo, a única que entenderia. No entanto, ilhados nos seus próprios problemas e assoberbados por inúmeras tarefas e preocupações, os pais não viam as barreiras que os distanciavam do filho.
Onde, afinal, ficaram os sonhos de vinte anos atrás? Em que lugar do mundo foram enterradas aquelas frases do noivado: «Carlos, vamos viver só para os nossos filhos!» e «Regina, nosso lar será o melhor do mundo! Vamos transmitir aos nossos filhos todo o amor que há em nós!...»?
Que estranha vida é essa que deforma e destrói tantos sonhos?...
 
D. Murilo Krieger

O mal propaga-se e adopta novas e mais sofisticadas formas



Jovens com idades entre os 13 e os 15 anos foram encontradas em “muito mau estado” após consumirem susbstâncias adquiridas numa smartshop. Loja já tinha sido encerrada pela ASAE.

Fonte: Público

As crianças necessitam estrutura


domingo, 20 de janeiro de 2013

O domínio dos jogos sobre os jovens



Passam horas a fio a jogar online. Não comem, não dormem, nem vão à casa de banho. Há crianças que vão com sono para as aulas, adolescentes que faltam à escola para jogar. Os pais chamam-nos para jantar e eles pedem sempre mais cinco minutos que se transformam numa hora. Por vezes os pais desesperam, desligam a ficha e os filhos reagem de forma agressiva. Há quem peça aos pais para lhes levarem o jantar num tabuleiro ao quarto e outros que não conseguem passar nem dez minutos sem ir ao telemóvel.
Estas são apenas algumas histórias relatadas ao PÚBLICO por psicólogos que estiveram no Simpósio Internacional sobre o impacto das novas tecnologias no desenvolvimento das crianças, nos jovens e nas famílias, promovido pelo CADIn – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil
(...)
O CADIn tem desenvolvido trabalho nesta área através do projecto CADInter@tivo e, entre outras actividades, promoveu sessões de sensibilização gratuitas nas escolas. Foi durante esses meses de “digressão” que Rosário Carmona e Costa se apercebeu como “estas questões estão, de facto, a afectar o dia-a-dia das crianças e jovens” e também dos pais que “parecem não saber o que fazer”.
 
Recolheu inúmeros testemunhos como o de um menino do 6.º ano que contou que o irmão, que não largava o computador, pediu ao pai que passasse a deixar o jantar num tabuleiro à porta do quarto – o pai acedeu. Ou crianças do 5.º ano com queixas de dores nos olhos, nas costas e na cabeça, sinais que podem ser de alerta para um uso abusivo do computador. Mas também há outras que contam que os pais lhes dizem para largar o computador, quando eles próprios estão no Ipad. Uma mãe “angustiada” ainda partilhou com Rosário Carmona e Costa que não conseguia que a filha guardasse o telemóvel no bolso das calças nem por dez minutos enquanto jantava.

(...)

Quanto às horas que as crianças e jovens passam diante do ecrã, o mais importante é perceber se está a roubar tempo a outras actividades: “Não é tanto estarmos no computador, mas o que deixamos de fazer. Senão estivesse no computador, estaria a fazer o quê?”, questiona Carlos Filipe, acrescentando que é nessas alternativas que os pais devem apostar. Ler, conversar, ir ao cinema, ao teatro, praticar desporto são actividades que devem fazer parte do vocabulário familiar.
 
(...)
 
Apesar de ser um tema ainda em estudo, Pedro Cabral acredita que crianças que passam muito tempo a ver televisão têm um tempo de concentração menor, porque se muda de cenário muito rapidamente. O mesmo vale para um ecrã de computador, porque a nossa atenção está exposta a “estímulos fragmentados”.
“Há cada vez mais pessoas a perguntarem se o nosso cérebro e a nossa atenção estão a mudar. Eu creio que a civilização da imagem e do audiovisual modificou a maneira como nos apropriamos da informação, e os miúdos também. Nos ecrãs, a leitura é muito mais rápida. Não tem o tempo de ler dos livros, é uma velocidade diferente. E, tal como os polegares que têm nesta geração mais representação, também pode haver mudanças no cérebro”, defende.
Tudo isto pode ter influência na forma como as crianças se portam na escola, como se concentram, ou não, a ler um livro ou a ouvir um professor falar uma hora seguida? “Penso que sim. É preciso criar essa disponibilidade para ouvir, criar hábitos de ouvir, de expor, de contar uma história”, diz o neuropediatra, notando que hoje, com as novas tecnologias, “as pessoas estão impacientes, à espera de uma resposta [que chega à distância de um clique]”.
 
Desligar tudo lá em casa – computadores, telemóveis, televisão – e conversar, é uma das “tarefas terapêuticas” que o psicólogo João Faria, que assistiu ao simpósio, propõe aos pais que têm em casa crianças e adolescentes que não dormem, não comem, faltam ou recusam ir à escola, que nem vão à casa de banho, fazendo as necessidades em frente ao computador, só para jogarem em rede. Diante desta “hora do apagão” não são só as crianças que ficam “aflitas”, os pais também.
Se nos adolescentes o absentismo chega a ser um problema, nas crianças o que acontece é os pais pensarem que estão no quarto a dormir quando, na realidade, estão a jogar: “Como é um jogo mundial, às vezes começam a jogar quando os miúdos nos Estados Unidos chegam a casa. Ficam com os padrões de sono perturbados, o que provoca fraco rendimento escolar”.
 
E a irritabilidade com que chegam às aulas pode dever-se não só à falta de sono, mas também aos conflitos em casa, porque os pais ralham, desligam as fichas ou proíbem os jogos. A solução está fora do ecrã: “O desporto, a música, a leitura devem ser alimentadas desde logo, até para ajudar a criança a conhecer-se a si própria. Muitos destes jovens dizem que querem ser programadoras de jogos informáticos, porque é o que conhecem. E depois apanham uma desilusão quando vão para os cursos profissionais de informática”, conclui o psicólogo.
Fonte: Público

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Educar para a literacia financeira



Nos tempos que correm, é fundamental não repetir os erros do passado.
Ter literacia financeira, saber gerir um orçamento, realizar uma despesa, planificar uma actividade é indispensável.
Para isso, o Plano Nacional de Formação Financeira lançou o projecto TODOS CONTAM, onde se podem encontrar multíplas informações sobre decisões pessoais, familiares ou comerciais que impliquem a realização de despesas e sobre qual a melhor forma de actuar e gerir o orçamento.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Educar, impondo limites

Os limites fazem parte da construção de todo indivíduo, e precisamos estar atentos para utilizá-los de forma assertiva com nossos filhos. O exemplo utilizado acima nos permite entender que, mesmo quando estão chegando ao fim da adolescência, eles ainda precisam de referências que lhe passem segurança. Cabem aos pais ouvir isso e entender, mesmo quando chegam como mensagens ocultas.

Os pais são os principais referenciais para os filhos. Quando eles são pequenos nossa palavra é o único referencial, mas em algum momento, isso pode começar a mudar, e, aí, vamos também ter que apreender a lidar com essa nova realidade.

Os limites ajudam a reforçar as noções que aprendemos em casa, frente às verdades alheias que encontramos mundo afora.

Durante a infância e a adolescência eles estão sob nossos cuidados, e, à medida que os soltamos para o mundo, eles terão várias experiências diferentes da vivência familiar. Vão conhecer pessoas fora do nosso círculo de amigos, ouvir opiniões e pontos de vista diferentes. Ao alongar o olhar sobre o mundo, eles constroem uma forma pessoal de entender a vida, contextualizando todo o conhecimento recebido na escola e na família.

Os jovens vivenciam muitos momentos conflituosos, mesmo nas famílias mais estruturadas. É necessário que estejamos próximos para amparar e entender que eles ainda estão tentando se firmar com a nova identidade de adultos.


Luciana Kotaka
Fonte: Minha Vida

sábado, 24 de novembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O que podem os jovens, hoje, fazer ?



Numa altura em que o desemprego jovem (identificado para os trabalhadores entre os 15 e os 24 anos) em Portugal está em redor dos 40% e em que as indefinições económicas subsistem, o que se pode dizer a um jovem, na flor da idade, sobre que passos dar? Obviamente que qualquer pessoa pode opinar sobre as razões ou sobre os efeitos perniciosos da situação política, mas as soluções passarão necessariamente por um desenvolvimento económico conjunto da economia mundial e, muito especificamente, europeia.
(...)
O pouco que posso escrever no presente artigo passa por tentar expressar um conjunto de conselhos para a juventude que, hoje, se vê um pouco (ou muito, nalguns casos) perdida. Assim, na situação actual, o que podem e devem fazer os jovens para se valorizarem pessoalmente e de forma visível face aos outros, mais adultos, possíveis parceiros, empregadores, sócios ou colegas?

Conselho nº 1: Autonomia
Os mais jovens têm de perceber que a protecção e controlo por parte dos seus tutores existem em níveis que não têm similitude com qualquer outro período da história da vida humana. A autonomia que muitas vezes os jovens afirmam ter é falsa, seja pelos mecanismos tecnológicos de controlo (os telefones móveis, por exemplo), seja porque o nível de dependência financeira é significativo, existindo muitos estímulos para que os jovens se mantenham na já famosa “zona de conforto” que a psicologia poderá explicar com maior acuidade. O mesmo se passa nas instituições escolares em que tudo está tutelado, regulado e controlado. Assim, são os jovens mais “confortáveis” que têm de perceber que essa situação lhes retira capacidade de empoderamento e que têm de se afirmar como indivíduos com capacidade empreendedora e criativa.

Conselho nº 2: Aprendizagem
A aprendizagem deverá decorrer ao longo da vida. E aprender não é só do ponto de vista escolar. Aprender passa por vivenciar experiências e por querer conhecer, seja viajando, seja trabalhando e assumindo sempre que se aprende com tudo e com todos. Aqui são importantes os processos de estágio em empresas, a participação em associações de índole laica ou religiosa, a participação em juventudes partidárias (valorizando o potencial das mesmas num Estado democrático), a colaboração em organizações de beneficência e a conveniente sistematização dos conhecimentos adquiridos - e.g. escrever tudo em “diários de bordo” é um bom exercício (não esquecer nunca o caderninho para registar as ideias que vão surgindo). E faço notar que, cada vez mais, as avaliações escolares estão a ser descartadas nas análises de currículos, se esses mesmos currículos apresentarem outras capacidades (as chamadas soft skills) adquiridas através das actividades desenvolvidas.

Conselho nº 3: Aventura
Ter vontade de conhecer, de empreender, de avançar para o desconhecido (sempre com backup, claro) é algo que existe na juventude e que tende a desaparecer com a falta de estímulos. Assim, ir estudar para o estrangeiro ou para outra cidade, aproveitar os projectos internacionais como Erasmus e Leonardo da Vinci para enriquecer os conhecimentos é uma obrigação. Dir-me-ão que para isso é necessário dinheiro e ter o apoio da família é fundamental. Nem sempre, digo. E por vezes há família ou amigos em lugares mais distantes! Mas as conquistas fazem-se com coragem. Ter um part-time aos 16 anos é também uma aventura!

Conselho nº 4: Ambição
Neste ponto faço uma remissão para os pontos anteriores e acrescento que é fundamental quereremos participar em actividades que nos fortaleçam física e mentalmente. Praticar um desporto é fonte de ambição, de desejo de superação das nossas limitações. Adquire-se respeito pelos nossos oponentes e capacidade de trabalho em grupo (mesmo em desportos individuais em que, muitas vezes, não se percebe todo o trabalho de equipa que existe por detrás). E não precisamos de querer ser sempre os melhores. Precisamos de ter gosto em participar, em criar valor e em nos tentarmos superar todos os dias. O mesmo se passa na estratégia de uma organização. As organizações precisam de colaboradores que tragam inovação, empreendedorismo, cultura de trabalho e de aprendizagem contínua. A crítica fácil, destrutiva e invejosa tem de sair das nossas mentes! A nossa vitória não deve vir simplesmente da derrota do nosso oponente!

Carlos Vieira
Gestor
Fonte: VER

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Seja amigo do seu filho no Facebook

Atualmente há cada vez mais pais de família alarmados com o tempo que seus filhos dedicam às redes sociais como o Facebook. Ao medo de que encontrem desconhecidos, soma-se agora um risco não menos nefasto: a perda do tempo.
Não se trata de nenhum medo descabido, se considerarmos a evidência de que ao maior tempo dedicado às redes sociais, corresponde um menor tempo dedicado à vida acadêmica. Ou seja, mais horas na internet, pior rendimento escolar.
Nos Estados Unidos foi lançado o livro “Facebook para os pais”, de Linda e B. J. Fogg, um “manual” para os pais se ajudarem e ajudarem os filhos a utilizar adequadamente as redes sociais, particularmente o Facebook. Uma das recomendações que o livro oferece é evitar espiar os filhos e procurar auxilia-los melhor. E a pergunta que vem como consequência é: como?
Psicóloga e mãe de oito filhos, Linda Fogg responde: “Vigiar não quer dizer julgar e menos ainda espiar, sobretudo porque uma vez perdida a confiança de uma criança, é mais difícil recupera-la”.
E acrescenta: “Ensinemos a nossos filhos que devem proteger a informação sensível – por exemplo, o endereço de casa, da escola, número do telefone - e expliquemos-lhes como fazer isso. Convençamo-los que tudo aquilo que colocam na web, inclusive fotos, é “incancelável” e que compartilhar a informação com “os amigos dos amigos” - em lugar de só escolher a opção “só amigos”- é como dar a informação a qualquer um”.
Um modo concreto de exercer esta vigilância é precisamente nos convertermos, desde cedo, em “amigos” digitais dos filhos na rede social, não só no Facebook mas em todas as que eles usam (Orkut, twitter, etc.).
E aqui começa o trabalho próximo e amoroso de um pai de família. Trabalho que significa fazer o filho entender que quando tiver uma dúvida ou problema, também no “mundo digital”, o pai e a mãe estarão também ali para ajuda-lo e cuidar dele.
Vocês poderão propor aos filhos mais arredios aceitar os próprios pais como amigos, até mesmo deixar os pais como “amigos” de segunda categoria, dando-lhes aceso a apenas a certo nível de informação.
Em 12 de setembro de 2010 o jornal “Il Corriere della Sera” publicou na seção de saúde 10 conselhos dirigidos aos pais:
  1. Elaborar, em conjunto com os filhos, regras para navegação na internet e sobre como e quais informações podem ser compartilhadas, de modo que os filhos se sintam participantes na elaboração e responsáveis em cumprir o que eles mesmos puderam propor razoavelmente.
  2. Em casa, colocar o computador num lugar visível, comum a todos. De preferência fora do quarto.
  3. Aos pais, aprender a usar a internet.
  4. Instalar no computador ferramentas e sistemas de proteção (não apenas ferramentas antivírus, mas também filtros de conteúdo).
  5. Falar habitualmente com os filhos sobre o uso que fazem da internet.
  6. Recomendar-lhes e recordar-lhes que na web não é recomendável dar ou deixar dados pessoais como endereço de residência ou telefone, nome da escola onde estudam, etc.
  7. Recomendar jamais pedir ou enviar fotos ou vídeos pessoais de forma online e menos ainda reparti-los com quem não se conhece pessoalmente.
  8. Ser claros nos riscos que se derivam do contato com desconhecidos na internet (pedofilia, sequestros, violência, etc.). Avisar que nem todo mundo é quem se diz ser.
  9. Evitar o uso da internet à noite. Habitua-los a sempre avisar os pais que irão usar a internet e, se estiverem num chat (sala de bate-papo na internet), com que estarão “chateando”.
  10. Navegar e “chatear” juntos com seus filhos, ao menos inicialmente, para orienta-los na prática sobre o que é a privacidade na internet e como se relacionarem nesse ambiente.
Ainda que redes sociais como Facebook especifiquem que são para maiores de 13 anos, a realidade é que cada vez mais crianças obtêm perfis nesta e em outras redes sociais. Um pai de família convertido em “amigo” é um recurso de proximidade e um apoio moral para todos estes adolescentes que estão formando sua personalidade.
Fonte: Mujer Nueva - www.mujernueva.org
Enrique Mujica
Publicado no Portal da Família em 09/07/2012
 
 
 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Construir o nós no namoro


Já faz alguns anos! Mas ainda vêm-me à memória os olhos brilhantes de tantas alunas e alunos meus de 7ª e 8ª séries, quando, aproveitando a comemoração do Dia dos Namorados, abríamos parênteses na programação de Língua Portuguesa para conversar, por alguns instantes, sobre namoro. O nível de interesse pela aula tornava-se inigualável! Explica-se: tocávamos em aspectos fundamentais das suas vidas; falávamos do amor. Mais: das exigências do amor.
Aos poucos, através de alguns exemplos e comparações, ia-se delineando a finalidade do namoro: elaborar um projeto de vida que se inicia numa comunidade a dois. Fase de preparação, portanto, em que cada um aprofunda no conhecimento próprio e do outro, exercitando a capacidade de se tornar um ser humano melhor, para o bem do outro. Tarefa, aliás, altamente prazerosa, para a qual nunca falta motivação. Fazia-lhes ver que a reciprocidade dessa atitude, desse empenho em buscar as afinidades, compreender as diferenças e as limitações e colaborar na superação das dificuldades, é que constrói a confiança mútua. Confiança mútua: um simples olhar capaz de dizer pode contar comigo. Talvez seja a descoberta mais importante para o crescimento no amor, e que fundamentará, em boa medida, a decisão que se há de tomar com total liberdade. Coincidíamos, afinal, em que toda escolha pressupõe renúncia e, nesse caso especificamente, é necessário ter muito em conta tal pressuposto: o homem, tendo encontrado a sua mulher, renuncia a todas as outras, e a mulher, tendo encontrado o seu homem... idem! Perde-se então a liberdade? Não! Entrega-se a liberdade em razão de um fim; assume-se um compromisso de lealdade: Pode contar comigo! Jamais vi assomar em seus lábios qualquer sorriso de ironia ou descaso. Eram jovens, afinal, com plena capacidade de sonhar.
De fato, o afã de grandes realizações é marca peculiar da juventude e, a tal ponto a nutre e robustece que, com o passar dos anos, aquele que consegue conservar essas aspirações mantém-se jovem em espírito. O jovem tem sempre um ímpeto de superação que, quando devidamente incentivado, encorajado, torna-se a base da sua alegria, uma alegria que nada nem ninguém consegue arrancar porque está enraizada na disposição de enfrentar, por um ideal, todos os sacrifícios.
Formam-se, assim, os grandes atletas, os profissionais talentosos. Quando da morte de Ayrton Senna, ouvi os especialistas dizerem que ele tivera meio segundo para brecar, tempo insuficiente para levar o pé ao freio (Ah! os cálculos dos especialistas!!!). No entanto, revelou-se depois, através da "caixa-preta", que o brilhante piloto freou meio segundo na intensidade máxima antes de bater. Incríveis capacidades revelam-se quando o homem aplica-se a uma façanha ou é exposto ao inesperado. E mais ainda quando as duas circunstâncias coincidem...
Excluindo-se o estrelismo que acompanha os grandes feitos e "massageia o ego" dos que se exercitam, perguntamos: por que a natureza humana, tão rica de possibilidades em tantas situações, revela-se tantas vezes incompetente no que diz respeito à família? Por que tanta tacanhice, futilidade, leviandade, inconseqüência, irresponsabilidade... e derrotismo desde o ponto de partida, uma vez que já não é incomum que, desde o namoro, o pressuposto seja tentar, quem sabe dá certo!? Ora, no namoro se estabelecem e se aceitam as regras, ditadas não tanto por diferenças de temperamento, como pelo sentido de compromisso e responsabilidade que se tenha. E se as regras não são reciprocamente aceitáveis, é hora de romper. Decisão difícil, sem dúvida... Mas, quem sabe, ajude a amadurecer, a reavaliar... Afinal, é melhor romper o namoro para não romper depois o casamento, episódio muito mais traumático e de conseqüências muito mais sérias. Ou pretenderá alguém consolar-se, dizendo: Tentamos tudo; até casamos! ?
Se poucos chegam ao estrelato das pistas, aos recordes atléticos, enfim, às façanhas contempladas pela imprensa, basta sermos pessoas para nos defrontarmos com as exigências de agir com altruísmo, dignidade, grandeza interior... Na vida a dois, não apenas suportar as alfinetadas das pequenas contrariedades, mas aprender a observar, reconhecer e apreciar, antes de tudo, os aspectos favoráveis do outro, interpretar benevolamente as suas faltas, socorrê-lo nas suas necessidades materiais, emocionais, espirituais... Saber ultrapassar as barreiras interiores do egoísmo, superar sentimentos de independência e de superioridade, crescer na paciência, paciência, paciência... No dizer de São Josemaría Escrivá:converter a prosa do teu dia em decassílabos, em poesia heróica. Chegamos, portanto, ao heroísmo. Os aplausos? Esses ficam por conta da vida, quem sabe passados quarenta anos...
O panorama geral, no entanto, é inquietante. Pode-se dizer que há uma maciça propaganda contra essa educação para o altruísmo, contra os ideais de pôr o outro, no caso do amor conjugal, ou os outros, no caso do amor ao próximo, no centro das nossas atenções. E, invertida a equação, somos arrastados pelo individualismo, pela mentalidade utilitarista, que encara o mundo e inclusive as pessoas como instrumentos, objetos a serem utilizados enquanto correspondem às nossas expectativas. Trata-se de uma sombra medonha a escurecer os horizontes da família, principalmente porque dá-se como inevitável que o relacionamento sexual (no sentido mais estrito do termo) esteja condicionado, simplesmente, à experimentação, justamente a esse "uso" do outro. Irresponsavelmente, incentiva-se o jovem a uma atitude dirigida à corporalidade, facilitando-lhe uma bebedeira sexual que pode levá-lo a encalhar na fase inicial, primitiva, do despertar da sexualidade. Num total desrespeito e miopia, ensina-se a não contrair o vírus HIV e a evitar gravidez - que a isso se resume a educação sexual nos nossos dias -, como se no físico não interviesse o psíquico, o emocional, e vice-versa.
Aqueles jovens que deveriam ser incentivados a grandes realizações, até porque é de ideais nobres que carecem, vão sendo levados pelo primitivismo de seus instintos mais elementares, expondo-se a perder de vista as possibilidades de um amor perene, substituído pela superficialidade e futilidade dos "casos passageiros", do mero contato animal entre duas epidermes, como dizia Voltaire. Ou seja, destituídos de uma meta ideal (difícil e trabalhosa, sem dúvida, mas ainda assim ideal), os casais desprezam as suas grandes possibilidades de se vivenciar na fronteira do total, do exclusivo, do definitivo, para se perder nas desilusões do banal e do medíocre, apesar do tão falado prazer, a cada dia mais exigente nos seus requintes. E, então, o que fazer com o sentimento de "só para ti, com todas as minhas forças e para sempre", tão latente nos desejos de entrega do coração humano, principalmente na afetividade feminina? Correm o risco de jamais descobrir a magia que envolve o prazer em uma relação verdadeiramente amorosa, sustentada pela consciência do bem-querer-se.
Se é verdade que a sexualidade feminina e a masculina buscam completar-se, é preciso ter presente o valor da pessoa na sua integridade. A sexualidade é apenas uma propriedade do ser, embora informe e caracterize substancialmente o modo masculino e feminino de ser. Em outras palavras, homem e mulher imprimem a sua sexualidade a tudo o que fazem, e o amor propriamente dito dirige-se à pessoa integral. Assim como é uma pessoa na sua totalidade quem se entrega ao amor. No dizer de Viktor Frankl: "o amor é aquela relação entre dois seres humanos, que os põe em condições de descobrir o outro em todo o seu caráter de algo único e irrepetível." Ou, no dizer poético de Mário Quintana: "Amar é mudar a alma de casa."
Namora-se para conhecer e dar-se a conhecer, para ter um tempo de reflexão, alimentar as expectativas mútuas... E crescer em ternura... Não resisto a copiar umas palavras: "A ternura é muito necessária no matrimônio, nessa vida comum, em que não só o "corpo" necessita do "corpo", mas sobretudo o ser humano necessita do outro ser humano. A ternura estreitamente unida ao genuíno amor da pessoa, desinteressado, será capaz de conduzir o amor através dos diversos perigos do egoísmo dos sentidos e da atitude de prazer. A ternura é a arte de sentir o homem todo, toda a sua pessoa, todas as vibrações da sua alma, até as mais profundas, pensando sempre no seu verdadeiro bem [...]. Tanto na mulher como no homem, a ternura cria a convicção de que não estão sozinhos e de que a própria vida é compartilhada pelo outro. Tal convicção ajuda enormemente e reforça a consciência da união." (Karol Wojtyla - que viria a ser João Paulo II - Amor e responsabilidade).
Eis que o "eu " capta um "tu". Criam-se vínculos. Constrói-se o "nós". O amor, alicerçado na ternura, supera os obstáculos... O utilitarismo apenas troca por outro o objeto que já não lhe serve. Porque nada sobra do caráter unitivo do ato conjugal nas vivências amorosas efêmeras... 
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Este pensamento de Saint-Exupèry em seu O Pequeno Príncipe fez as doçuras de muitas gerações. Indicava aos apaixonados um ideal elevado e os jovens entusiasmavam-se com a magnitude de um amor tão exigente. Não há de ser menor, hoje, a aspiração daqueles que, jovens ou menos jovens, procuram cativar-se para desfrutar das alegrias de doar-se numa sólida e fecunda união.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O que é namorar ?



O namoro é uma forma de convivência, onde duas pessoas que se gostam passam bastante tempo juntas. Não existe idade certa para começar a namorar, porque as pessoas são diferentes umas das outras e cada uma sente o momento certo para iniciar esta experiência. As razões para namorar podem ser diversas: amor, atração física, companheirismo, curiosidade, afinidades diversas, etc... Mas o fato é que, uma vez iniciado o namoro, surge uma boa oportunidade para conhecer melhor o outro, para fazer a descoberta do verdadeiro outro. Durante o tempo de namoro, o amor se desenvolve e se aperfeiçoa.
          Todos nós temos “duas facetas” de nosso ser. Uma é nosso o jeito que nos vestimos, o como parecemos.  A nossa  outra "faceta”, é o como somos, “de verdade”, o nosso “por  dentro" (nosso interior), que poucas pessoas conhecem ou enxergam e que não muda quando trocamos de roupa.
           É exatamente durante o namoro ou em uma amizade profunda e real que temos a oportunidade de conhecer o outro e de nos dar a conhecer “por dentro”. Como vocês podem lembrar, isto é justamente o assunto n°1 dastarefas da adolescência: “Desenvolver relacionamentos mais significativos com pessoas de ambos os sexos”. Portanto, faz parte do nosso desenvolvimento ter grandes amizades e namorar.
           Vocês podem se dar conta que para se conhecer o outro “por dentro”, é necessário tempo e esforço, não havendo possibilidade de enganos, pois o relacionamento entre duas pessoas que se querem bem não pode se basear em dados falsos, sob pena de se tornar um relacionamento mentiroso, que não dura muito tempo, pois “a mentira tem pernas curtas”. Tempo para conhecer o outro com profundidade (pode vir a se tornar o pai/mãe de meus filhos!!) e esforço de se dar a conhecer (às vezes não gostamos do modo como somos!!) , sem querer parecer melhor ou pior do que se é.
Impossível conseguir isto em uma noite!!
                 É preciso aproveitar bem o tempo que os namorados passam juntos, saindo, descobrindo coisas, praticando esportes, indo a teatros, cinemas, festivais, concertos de rock, viajando, conhecendo lugares e pessoas diferentes, enfim, criando oportunidades para observar o outro e para se deixar conhecer “por dentro”. Claro que durante o namoro, há também os tempos de maior intimidade, de demonstração de carinho, com beijos, abraços e carícias. Mesmo que muitos namorados achem “normal” ter relações sexuais durante o namoro, vamos conversar um pouco sobre isso. Como já falamos anteriormente, o ser humano, por ser dotado de razão, sabe escolher, decidir o que é importante para ele. Não age somente por instintos, como os animais que não têm liberdade.
                Fazemos muitas escolhas na nossa vida: nossa escola, nossos amigos, nossa profissão...nosso companheiro! Essa última é, talvez a mais importante escolha que fazemos. Por esse motivo, deve ser uma escolha muito bem pensada, amadurecida, pois dela vai depender a nossa felicidade futura.
O sexo é o cume do relacionamento entre duas pessoas que se amam. Para que este relacionamento intenso seja digno de duas pessoas racionais e livres é necessário que elas estejam totalmente comprometidas uma com a outra, compromisso que para ser verdadeiro tem que ser definitivo, pois não se pode falar em amor total durante certo tempo, sob pena de não ser total. Não se pode imaginar um amor verdadeiro sem compromisso.
"Quem faz do amor um passatempo,Descobre que com o tempo, passa o amor!"
                 Duas pessoas livres e racionais somente deveriam chegar ao cume de seu relacionamento quando, ao terem a certeza de que   "este é o único, a única" - assumissem um compromisso para sempre. Aliás, existem cada vez mais jovens que, conscientes dessas verdades esperam até o casamento para terem relações sexuais, respeitando-se mutuamente, como pessoas capazes de ter seus instintos sob o dominio da razão.
                 Todos sabemos que hoje em dia os adolescentes amadurecem mais cedo -do ponto de vista biológico- do que antes. Por exemplo, os jovens de hoje são mais altos do que os seus pais e estes mais do que os avós. As meninas tornam-se “mocinhas” (têm a primeira menstruação) mais cedo. vocês sabiam que no fim do século passado (imaginem, 100 anos atrás!) as meninas na Noruega se tornavam “mocinhas” em média aos 17 anos de idade? Não se sabe com que idade as mocinhas no Brasil tiveram a sua primeira menstruação naquela época, pois não há registros disponíveis, mas hoje em dia sabe-se que a média é de 12 anos a 12 anos e meio! É lógico que a “cabeça” das mocinhas norueguesas no século passado, aos 17 anos, provavelmente também era mais madura para tomar decisões importantes na sua vida, do que a cabeça das mocinhas brasileiras aos 12 anos. E decisão importante é aquela referente ao dia em que se deve iniciar uma vida sexual ativa. “Transar” é uma decisão que comporta maturidade e responsabilidade, pois todos e todas sabem que de um relacionamento sexual pode advir crianças, que necessitarão de pai e mãe para cuidá-las.

Daqui

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Como Educar os filhos

Educar os filhos é algo intransferível, pertence ao caráter de cada família. Não existem fórmulas mágicas para os “COMOS”.
Um dos vários caminhos que nos leva a educar melhor é o tradicional. Para a tomada de alguma decisão ou como fazer, quanto mais opiniões tivermos, melhores condições estaremos de acertar ou no mínimo de nos aproximarmos ao êxito.
O primeiro passo importante é: saber mais, aumentar conhecimentos – através de estudo de livros, cursos, seminários, programas de formação contínua, tudo para aplicá-los à família.
Outro passo importante é conhecer bem o cônjuge, a cada um dos filhos e filhas e também que eles o conheçam bem. E fazer isso sempre com uma boa comunicação familiar, escutando, doando-se e servindo com amor, carinho e entrega.
Os "comos"
- Como corrigir uma falta.
- Como resolver um problema pessoal.
- Como resolver um problema familiar.
- Como corrigir um vício.
- Como promover uma virtude.
- Como... como... ?
A pessoa deve mudar sua atitude ante os conhecimentos e mudará, se quiser, se tem motivos suficientes para mudar. É importante conhecer quais são os motivos que movem a vontade. As virtudes não são impostas, adquirem-se repetindo atos voluntários que apoiem as mesmas.

Os filhos precisam saber que são repreendidos quando seu comportamento não é correto e que isto se faz por seu bem.
Na repreensão ao filho, você deve:
1- Fazê-la o mais cedo possível.
2- Explicar o motivo concreto.
3- Dizer-lhe que se sente mal e triste.
4- Aproximar-se dele e acariciá-lo.
5- Diga-lhe que o aprecia e faça-lhe ver que vale como pessoa.
6- Fale que não lhe agrada o fato, mas sabe que ele é bom.
7- E termine com um forte abraço e um te quero !
LEMBRE-SE: O MELHOR MOTIVADOR PARA MUDANÇA 
É UM GRANDE IDEAL. O IDEAL DE SABER MAIS, DE SER MELHOR, 
DE SERVIR AOS DEMAIS, DE SER CONSIDERADO PELOS DEMAIS, ETC.
MAS SABER APENAS NÃO BASTA. É PRECISO PRATICAR.
Educando a vontade
O que nos motiva a fazer algo são as necessidades:
Necessidade de ter algo - possuir
Necessidade de saber - aprender
Necessidade de dar-nos - servir, amar
Os elementos que atuam na motivação pessoal são:
Positivos
• O amor
• A confiança
• A segurança
• A alegria
• A lealdade
Negativos
• O medo
• O ódio
• A insegurança
• A tibieza
• A vingança
O estado de ânimo pessoal e o ambiente que nos rodeia também influi na motivação.
Educamos nossos filhos quando ajudamos-lhes a adquirir virtudes, hábitos bons que lhes fazem ser pessoas mais livres e responsáveis, quando os ajudamos a atuarem bem e também quando lutam para melhorar seu comportamento, esforçando-se para adquirir virtudes.
Os problemas com os filhos surgem quando menos esperamos. Aproveitar essas ocasiões são oportunidades para conhecer melhor os filhos, ensinar-lhes a decidir e a ganhar responsabilidades.
Alguns passos que podemos dar são:
1 - Não ser apenas nós os que pensamos, propomos e decidimos a solução dos problemas.
2 - Escutar dos filhos o problema e suas causas – os porquês.
3 - Continuar perguntando para fazê-los refletir.
4 - Estabelecer nossa própria postura e pedir ao filho que dê sua solução.
5 - Se ele dá uma aceitável, a aceitamos por boa, ainda que não seja a melhor.
6 - Como é dele, é mais fácil que se responsabilize por ela.
7 - Vigiar seu cumprimento.
Os problemas podem ser uma grande oportunidade para criar uma conversa natural com os filhos, ajudar-lhes a tomar decisões e a responsabilizar-se por elas. Temos que conhecer como são nossos filhos, quais inquietudes e problemas se aproximam em função de idade e do ambiente em que vivem. Para isso, é questão de adiantar-se e dar-lhes a informação necessária para que quando se apresente o problema saibam decidir bem, usar sua liberdade responsavelmente.
É melhor chegar com a informação correta um ano antes do que um dia depois. Os filhos caem em muitos erros por ignorância, por não conhecer as conseqüências de uma decisão incorreta. Às vezes nem sequer sabem que é incorreta. Preparar-lhes com o tempo, informar-lhes, aconselhar-lhes é educar no futuro.
Os elogios
Os elogios fazem parte da educação em presente. Um elogio sobre algo bem feito é um prêmio. Uma parte do êxito é a satisfação de conseguir algo e o elogio reforça o êxito.
Assim, ações como: um trabalho bem feito, aprender algo novo ou realizar um ato bom, não necessitam prêmio, se autogratificam. Mas às vezes é necessário reforçar o ato feito para consolidar a satisfação de fazê-lo.
Fazer bem as coisas aumenta a confiança em si próprio. Os êxitos em  coisas pequenas nos animam a tentar as grandes.
OS ELOGIOS SÃO REFORÇOS QUE NOS ANIMAM A FAZER BEM AS COISAS
Não esquecer:
- Educar com elogios
- Surpreender os filhos fazendo algo bem feito.
- Os filhos também podem elogiar seus irmãos e seus pais.
- O elogio deve ser verdadeiro e sentido.
O fato de prestar atenção a uma ação, supõe um reforço que ajuda a repetir a ação mencionada. Se for uma ação boa, se chama reforço positivo. Pode-se fazer reforços positivos com amostras de: carinho, amor, ajuda, alegria, etc.
Como educamos no presente ?
- Quando os filhos cumprem cada dia as normas de convivência estabelecidas.
- Quando cooperam nos trabalhos de casa.
- Quando os maiores cuidam e ensinam os irmãos pequenos.
- Quando lhes elogiamos as coisas bem feitas.
- Quando criamos um ambiente alegre.
- Quando aproveitamos as oportunidades de fazer tertúlias (conversas informais em grupo).
- Quando conseguimos um tempo para falar com algum filho.
- Quando no lar há um ambiente de carinho, ordem, ajuda, confiança, etc.
UMA BOA EDUCAÇÃO NECESSITA, NOS PAIS,
TRÊS VIRTUDES PRINCIPAIS:
PACIÊNCIA, PERSEVERANÇA E FORTALEZA
pai, mãe e filha

Fonte: IDE - Instituto de Desenvolvimento da Educação

terça-feira, 17 de abril de 2012

Family and Media: Como é que a família deve reagir à influência dos Media nos seus filhos

A Universidade da Santa Cruz, em Roma, lançou um projeto, denominado Family & Media, dispõe de um site em três línguas (espanhol, inglês e italiano) com artigos muito variados sobre estas temáticas; desde a representação da família na imprensa, no cinema, ou na televisão, até às implicações educativas dos videojogos. O site contém também resumos de estudos especializados, artigos ou livros de interesse para as pessoas que trabalham na área da defesa da família ou da educação para o uso dos meios de comunicação no âmbito familiar. Pode visitar-se em: http://www.familyandmedia.eu/es/. Fazem também parte deste grupo de investigação professores das Universidades de Lugano (Suiça), Navarra (Espanha), Austral e Católica (Argentina), Conceição (Chile) e Sagrado Coração (Milán). Todos eles, além das atividades de assessoria a instituições em defesa da família, propõem artigos para o site, dirigem teses de doutoramento ou trabalhos de investigação. Alguns deles foram já publicados. Um exemplo é o recente volume com diversos estudos em italiano e castelhano intitulado “Famiglia e media. Associazioni familiari e comunicazione”

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A importância de brincar com os filhos




É necessário brincar para desfrutar da vida. Além disso aprende-se a ganhar e a perder, a usar a imaginação, a estar com os outros... e até mesmo a conviver com Deus.


Hoje em dia, em muitos países, o sistema educativo dá às crianças e jovens cada vez mais tempo livre, de modo que muitos pais são especialmente sensíveis à importância desses momentos para a educação dos seus filhos.


No entanto, por vezes, o principal temor é que “se perca o tempo” durante os períodos não letivos. Por isso, muitas famílias procuram atividades extra-escolares para os filhos; não é raro que estas possuam um certo recorte académico – um idioma ou um instrumento musical – que complete os seus estudos.

Sucede que o tempo livre possui virtualidades educativas específicas. 

Nessas horas diárias em que as obrigações académicas se interrompem, em maior ou menor medida, o jovem sente-se dono do seu próprio destino; pode fazer o que realmente quer: estar com os amigos ou com a família, cultivar hobbies, descansar e divertir-se do modo que mais o satisfaça.


Aí toma decisões que entende como próprias, porque se orientam para hierarquizar os seus interesses: o que me agradaria fazer, que tarefa deveria recomeçar ou qual poderia adiar... Pode aprender a conhecer-se melhor, descobrir novas responsabilidades e administrá-las. Em resumo, põe em jogo a sua própria liberdade de um modo mais consciente.


Por isso os pais e educadores devem valorizar o tempo livre dos que dependem deles. Porque educar é educar para ser livre e o tempo livre é, por definição, tempo de liberdade, tempo para a gratuidade, a beleza, o diálogo; tempo para todas essas coisas que não são “necessárias” mas sem as quais não se pode viver.


Este potencial educativo pode malograr-se, quer se os pais se desinteressam pelo lazer dos filhos – desde que cumpram as suas obrigações escolares – quer se apenas o encaram como uma oportunidade de “prolongar” a sua formação académica.


No primeiro caso, é fácil que os filhos se deixem levar pela comodidade ou pela preguiça e que descansem de um modo que lhes exija pouco esforço (por exemplo, com a televisão ou os videojogos).


No segundo, perde-se a especificidade educativa do tempo livre, pois este converte-se numa espécie de prolongamento da escola, organizada por iniciativa quase exclusiva dos pais. No final, infelizmente, a imagem de vida que se transmite é a de uma existência dividida entre obrigações e diversão.


Convém, portanto, que os pais avaliem, com frequência, como é que as atividades que realizam ao longo da semana contribuem para o crescimento integral dos filhos e se o seu conjunto contribui de modo equilibrado para o seu descanso e formação.


Um horário apertado significa que o filho fará muitas coisas, mas talvez não aprenda a administrar o tempo. Se se pretende que os filhos cresçam em virtudes, tem que se lhes permitir que experimentem a própria liberdade; se não se lhes dá a possibilidade de escolher as suas atividades favoritas, ou se são impedidos, na prática, de brincar ou estar com os amigos, corre-se o risco de que – quando cresçam – não saibam como divertir-se. Nessa situação, é fácil que acabem por se deixar levar pelo que a sociedade de consumo lhes oferece.


Educar no uso livre e responsável do tempo livre requer que os pais conheçam bem os filhos, porque convém propor-lhes formas de lazer que respondam aos seus interesses e capacidades, que os descansem e divirtam.


Os filhos, sobretudo quando são pequenos – e é o melhor momento para os formar neste aspeto – estão muito abertos ao que os pais lhes apresentam; e se isso os satisfaz, estão a lançar-se as bases para que descubram, por si próprios, o melhor modo de empregar os tempos de lazer.


Evidentemente, isto requer imaginação por parte dos pais e espírito de sacrifício. Por exemplo, convém moderar as atividades que consomem um tempo desproporcionado ou levem as crianças a isolar-se (como sucede quando passam horas frente ao televisor ou na internet). É melhor privilegiar aquelas que permitem cultivar relações de amizade e que o atraem espontaneamente (como costuma ser o desporto, as excursões, os jogos com outras crianças, etc).


Mas de todas as ocupações que se podem desempenhar no tempo livre, há uma que as crianças – e não só elas – preferem sobre todas as outras: brincar.

É natural, porque brincar associa-se espontaneamente à felicidade, a um lugar onde o tempo não é aborrecido, a uma vivência aberta à admiração e ao inesperado. A brincar cada um mostra a sua identidade mais própria: envolve-se com todo o seu ser, com frequência ainda mais do que em muitos dos seus trabalhos.


Brincar é, em primeiro lugar, uma prova do que será a vida: é um modo de aprender a utilizar as energias que temos à disposição, é uma avaliação de capacidades, do que podemos realizar. O animal também brinca, mas muito menos do que o homem, precisamente porque a sua aprendizagem estabiliza. As pessoas brincam durante toda a sua vida, pois podem continuar a crescer – como pessoas – sem limitação de idade.

A natureza humana serve-se da brincadeira para atingir o desenvolvimento e a maturidade. A brincar, as crianças aprendem a interpretar conhecimentos, a ensaiar as suas forças na competição, a integrar os diferentes aspetos da personalidade: brincar é um desafio contínuo.

Experimentam-se regras, que há que assumir livremente para brincar bem; fixam-se objetivos e exercitam-se na relativização das suas derrotas. Não pode haver brincadeira à margem da responsabilidade, de forma que a brincadeira contém um valor ético, ajuda-nos a ser sujeitos morais.

Por isso, o normal é brincar com outros, brincar “em sociedade”. Este caráter social está tão radicado, que mesmo quando as crianças brincam sozinhas, tendem a construir cenários fantásticos, histórias, outras personagens com quem dialogam e se relacionam. A brincar as crianças aprendem a conhecer-se e a conhecer os outros; sentem a alegria de estar e de se divertirem com outros; assimilam e imitam as atuações dos mais velhos.

Aprende-se a brincar, principalmente, na família. Viver é jogar, competir; mas viver é também cooperar, ajudar, conviver. É difícil compreender como se podem harmonizar ambos os aspetos – competir e conviver – à margem da instituição familiar. Brincar é uma das provas básicas para aprender a socializar.

Em resumo, o grande valor pedagógico de brincar reside em vincular os afetos à ação. Por isso, poucas coisas unem de um modo mais imediato pais e filhos que brincar juntos.


Os pais têm de ser amigos dos filhos, dedicando-lhes tempo. Certamente, à medida que os filhos crescem, haverá que se adaptar.

Mas isto só significa que o interesse dos pais pelo lazer dos filhos adotará novas formas.
Por exemplo, pode-se-lhes proporcionar que convidem amigos para casa, ou assistir a manifestações desportivas em que participam…
Iniciativas que, além do mais, permitem conhecer os seus amigos e as suas famílias sem dar a impressão errada de que se pretende controlá-los, ou de que se desconfia.

Pode-se também, com a ajuda de outros pais, criar ambientes lúdicos em que se organizem diversões sãs e cujas atividades se desenvolvam tendo em conta a formação integral dos participantes.

Em grego, educação (paideia) e jogo (paidiá) são termos do mesmo campo semântico. De facto, é aprendendo a jogar que se adquire, ao mesmo tempo, uma atitude muito útil para enfrentar a vida.

Embora pareça paradoxal, nem só as crianças têm necessidade de brincar. Pode até dizer-se que o homem deve brincar mais quanto mais velho for. Todos conhecemos pessoas a quem a velhice desconcertou; descobrem que não têm as forças que tinham antes e pensam que não podem enfrentar os desafios da vida.

Uma atitude que, de resto, podemos encontrar em muitos jovens, velhos prematuramente, que parecem carecer da flexibilidade necessária para enfrentar situações novas.

Pelo contrário, provavelmente já nos relacionámos com pessoas idosas que mantêm um espírito jovem: capacidade de se entusiasmar, de recomeçar, de enfrentar cada novo dia como se de um dia de estreia se tratasse. E isto apesar de, por vezes, terem limitações físicas notáveis.

Estes casos põem em evidência que, à medida que o homem cresce, tem cada vez mais importância encarar a vida com certo sentido lúdico.
Porque quem aprendeu a jogar sabe relativizar os resultados – êxitos ou fracassos – e descobrir o valor próprio do jogo; conhece a satisfação que dá experimentar novas soluções para ganhar; evita a mediocridade que procura o resultado, mas arruína a diversão. Disposições que podem aplicar-se às coisas “sérias” da vida, às tarefas habituais, às situações novas que, abordadas de outro modo, poderiam levar ao desânimo ou a um sentimento de incapacidade.

Trabalhar e brincar têm os seus tempos diversos; mas a atitude com que um e outro se planeiam não tem por que ser distinta, pois é a mesma pessoa que trabalha e que brinca.

As obras humanas são efémeras e por isso não merecem ser tomadas demasiado a sério.


J.M. Martín y J. Verdiá