segunda-feira, 30 de junho de 2014

Aborto em Portugal 2014 Análise da Federação Portuguesa pela Vida


 
style=" margin: 12px auto 6px auto; font-family: Helvetica,Arial,Sans-serif; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 14px; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none; display: block;">    
style="text-decoration: underline;" >FPV - Aborto - Factos e Números 2014MAI Sumário

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Deixa emprego milionário para ser pai a 100%

O líder de uma empresa de Relações Públicas, que representa personalidades como o Dalai Lama ou o Príncipe de Inglaterra, vai renunciar à liderança da empresa, que está avaliada em mais de 1 milhão de euros, para ser pai a tempo inteiro.

De acordo com a BBC, Simon Cohen quer centrar-se na família e andar pelo mundo em trabalho não era compatível com esse objetivo.
Assim, o empresário vai dispensar 95% da companhia, após dez anos de serviço. Este manter-se-á, no entanto, durante o próximo ano, como mentor do novo chefe da companhia.
“Estou a renunciar a muito dinheiro. É assustador. Mas encaro a riqueza de um ponto de vista diferente”, afirma.
Cohen vai agora dedicar-se a escrever um livro onde contará a experiência de como é ser pai a tempo inteiro.

Daqui

Empresas obrigam mulheres a não engravidar: outro tipo de aborto

 
Há empresas que estão a obrigar as suas funcionárias a assinar por escrito o compromisso de que não vão engravidar nos próximos cinco anos. A denúncia foi feita por Joaquim Azevedo, o líder da comissão multidisciplinar que o PSD encarregou de apresentar um plano de promoção da natalidade e cujas propostas deverão ser conhecidas no final deste mês. O professor universitário da Católica não revelou, no entanto, o nome de nenhuma das empresas que praticam este ilícito.
“É preciso criar condições aos empresários para que aqueles pelo menos se vão consciencializando que isto [promoção da natalidade] é importante e, sobretudo, para que os outros não coloquem obstáculos de monta, nomeadamente obrigando mulheres a assinar declarações de que não vão engravidar nos próximos cinco ou seis anos”, denunciou Joaquim Azevedo, numa entrevista à Antena 1. Questionado pela mesma rádio, um responsável da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego confirmou ter conhecimento de situações deste tipo mas alega não ter recebido quaisquer queixas formais.
As declarações do professor universitário surgem no mesmo dia da reunião dos grupos de trabalho da Comissão Permanente de Concertação Social sobre natalidade e conciliação da vida profissional e familiar que se realiza hoje, em Lisboa.
Também esta quarta-feira, no Parlamento, os Verdes vão apresentar um projecto de resolução em que recomenda ao Governo que garanta “com minucioso rigor que nenhuma mulher é despedida, estando grávida ou sendo puérpera”. A reposição dos níveis salariais, o reforço do abono de família e uma política que “gere gratuitidade de acesso para as crianças e jovens” na educação, saúde e transportes são outras das propostas dos Verdes.
Por seu turno, o projecto-lei do PCP que também será discutido esta tarde no Parlamento propõe igualmente a consagração na lei “e na contratação colectiva da salvaguarda de direitos laborais de trabalhadoras grávidas, puérperas e lactantes e a proibição de discriminações e penalizações laborais”.
No mesmo projecto, os comunistas propõem que a licença de parentalidade seja sempre paga a 100% da remuneração de referência, independentemente de a opção dos pais recair nos 150 ou nos 180 dias. Ao mesmo tempo, o PCP recomenda a criação de uma licença específica de prematuridade, com duração do período de internamento hospitalar do nasciturno, e que aos dez dias de licença obrigatória dos pais se somem 20 dias facultativos, em vez dos actuais dez. Tal faria com que o pai pudesse passar em casa o mês que se segue ao nascimento do filho.
Numa outra proposta que também vai ser discutida hoje, o PCP alarga as condições de acesso e atribuição do abono de família, recordando que em 2010, por causa das alterações então efectuadas nos escalões, cerca de 650 mil crianças perderam aquele subsídio e cerca de um milhão e 75 mil beneficiários sofreram um corte de 25%. Os comunistas recordam ainda que, no ano passado, 54,5% das crianças viviam em famílias com rendimentos agregados inferiores a 628 euros e mais de 13 mil crianças estavam sinalizadas nas escolas com carências alimentares graves.
Portugal insustentável
Estes números adquirem nova relevância, se nos lembrarmos que, no inquérito à fecundidade divulgado há meses pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses apontavam as dificuldades económicas como principal razão para não terem os filhos que desejariam.  
Numa altura em que as projecções do INE apontam o risco de Portugal chegar a 2060 reduzido a 6,3 milhões de habitantes, bastando para isso que a natalidade se mantenha nos níveis actuais e que os saldos migratórios continuem negativos, Joaquim Azevedo é taxativo quando afirma que “Portugal vai ser insustentável daqui a 40 ou 50 anos”, se nada for feito para inverter a actual situação.
Nas estimativas da população residente divulgadas segunda-feira, o INE admitiu que no ano passado a população portuguesa se tenha reduzido em cerca de 60 mil habitantes. Na base desta diminuição está um saldo natural negativo em menos 23.756 pessoas. É que, apesar de ter morrido menos gente ao longo dos 12 meses de 2013, nasceram ainda menos bebés: 82.787 (menos 7,9% do que em 2012), o que baixou o número médio de filhos por mulher para 1,21. Para garantir a substituição das gerações, cada mulher teria de ter 2,1 filhos em média.
O saldo migratório, também negativo em menos 36.232 pessoas, que se explica pelo facto de haver muitos mais portugueses a sair lá para fora do que estrangeiros a entrar, é outro dos factores que ajudam a explicar aquilo que é, no entender de muitos especialistas, a “grave crise demográfica” em que o país mergulhou.
 
 
Fonte: Público

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Especialistas afirmam "vício da pornografia é tão grave como o vício das drogas"

 
 
A recent article in The Telegraph reports that a former lawyer, Chris Sevier, recently sought a marriage license to marry his Mac-book computer.  In trying to argue his case, Sevier explained that he had become addicted to pornography via his computer, and so, “over time, [he] began preferring sex with [his] computer over sex with real women.”

The Telegraph reports Sevier as trying to make a case against the legalization of gay “marriage.”  Sevier stated in court: “If there is a risk that is posed to traditional marriage and children, both man-man couples and man-machine couples pose it equally.”  And he went on to say that “[in] considering the equal protection clause, there are no fewer policy reasons for preventing man-machine couples from marrying than there are for same-sex couples.”

While it might not be clear whether Sevier really wanted to marry his computer, or was just trying to prove a legalistic point, Sevier cites other cases where people succeeded in marrying inanimate objects or animals: One case where a woman “married” a dolphin, and another where a Chinese man “married” a cardboard cut-out of himself.

In addition to Sevier’s use of gay “marriage” to motivate legalizing machine “marriage,” recent research tells us how pornography can make romantic relationships with others less satisfying.  Given what habitual pornography viewing can do to one’s brain, it shouldn’t be surprising that porn-addicted men like Sevier prefer to be sexually stimulated by his computer over women.
The New Research - Porn: like taking drugs
It is time to start thinking about addiction to pornography—a destroyer of marriages—the same way we think about addiction to illegal drugs. So argue two neurosurgeons from the University of Texas Health Science Center at San Antonio.
In surveying “the medical implications of pornography” in light of “current evidence supporting an addictive model,” the two Texas scholars report that, like other addicts, those addicted to pornography suffer from “various manifestations of cerebral dysfunction collectively labeled hypofrontal syndromes. In these syndromes, the underlying defect, reduced to its simplest description, is damage to the ‘braking system’ of the brain.” Thus, like other addicts, pornography addicts suffer “a dysfunction of the mesolimbic reward centers of the brain.” More particularly, these addicts experience “reduced cellular activity in the orbitofrontal cortex, a brain area . . . [relied upon] . . . to make strategic, rather than impulsive, decisions.” The pornography addict may, in fact, manifest “decreased interest in pursuing goal-directed activities central to survival.”

Nor is it just a matter of medical science when pornography disrupts normal brain functions. The two scholars adduce evidence indicating that pornography use affects “sexual behavior in adolescents” and “does indeed cause harm in humans with regard to pair-bonding.” What is more, researchers have uncovered evidence that pornography may prime users for “actual sexual relations with children” and may foster “violent attitudes toward women.”

 (Source: Bryce J. Christensen and Robert W. Patterson, “New Research,”  The Family in America Vol 25 Number 1, Spring 2011. Study: Donald L. Hilton Jr. and Clark Watts, “Pornography Addiction: A Neuroscience Perspective,” Surgical Neurology International 2.1 [February 21, 2011]: 19.)
This article has been republished with permission from The Family in America, a publication of The Howard Center. The Howard Center is a MercatorNet partner site.
- See more at: http://www.mercatornet.com/family_edge/view/14288#sthash.glMde7yZ.dpuf

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Socialistas católicos apoiam Guterres para presidenciais de 2016




"Apoiamos António Guterres porque como ele defendemos a esquerda humanista", diz o movimento. Guterres ainda não anunciou se vai ser candidato, mas deixou a questão em aberto.

O Movimento de Socialistas Católicos lançou uma página de apoio a uma eventual candidatura de António Guterres à Presidência da República nas próximas eleições, em 2016. 

A página na rede social Facebook reúne, por enquanto, recortes de imprensa e mensagens de apoio ao ex-primeiro-ministro, que desempenha agora as funções de alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados.

Cláudio Anaia, coordenador do Movimento de Socialistas Católicos, justifica o apoio a António Guterres com o facto de se tratar de uma figura histórica do Partido Socialista, conhecido também pela sua fé católica que o levou, por exemplo, a tomar posição pública contra a liberalização do aborto das três vezes que a questão foi a votação (primeiro só no Parlamento, e duas vezes em referendo).

“Apoiamos António Guterres porque como ele defendemos a esquerda humanista”, pode ler-se num documento enviado à Renascença. O texto prossegue, dizendo que esta esquerda humanista, “cuja tradição é precisamente a defesa dos mais débeis e vulneráveis, deveria estar na primeira linha na promoção desse valor, em vez de contribuir para a banalização do aborto.” 

A oposição à liberalização do aborto é precisamente a razão invocada por outra socialista, Isabel Moreira, para rejeitar a candidatura de Guterres, conforme a mesma escreveu numa mensagem também publicada na sua página do Facebook esta quarta-feira. 

António Guterres ainda não anunciou se vai ser candidato à presidência em 2016, mas deixou a questão em aberto quando disse, respondendo directamente a essa questão, que “há sempre uma possibilidade, mesmo que mínima, de isso acontecer”. 

O Movimento de Socialistas Católicos é composto actualmente por algumas dezenas de membros, por todo o país, e é reconhecido pelo partido.

Veja a noticia aqui :
 http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=152612#.U6G2T8PWUok.facebook

terça-feira, 17 de junho de 2014

domingo, 15 de junho de 2014

Textos de Junho da rubrica "Algarve pela Vida" na Rádio Costa D'Oiro



Dia 27 de Maio 2014- Terça Feira

 

Um recente acórdão do Supremo Tribunal de Justiça confirmou o que já há muito tempo sabemos sobre a importância e dignidade da vida intrauterina e do nascituro, isto é, o bébé em fase de gestação, já concebido, mas ainda não nascido.

O Supremo Tribunal de Justiça entendeu (e passamos a citar) que  “o reconhecimento da personalidade de seres humanos está fora do alcance e da competência da lei”, qualquer que seja a sua natureza, não sendo o nascituro “uma simples massa orgânica, uma parte do organismo da mãe (…), mas um ser humano, com dignidade de pessoa humana, independentemente de as ordens jurídicas de cada Estado lhe reconhecerem ou não personificação jurídica”.

Afasta-se, pois, o douto tribunal da conceção que toma o nascituro como matéria orgânica equivalente a quaisquer vísceras da mãe, entendimento que autoriza argumentos do tipo “o corpo é meu” ou “aqui mando eu” para justificar o aborto livre

Mais de sete anos volvidos, nos quais terão sido feitos cerca de cem mil abortos (legais), vamos mais do que a tempo para, retificar o erro legislativo e reabrir a discussão acerca de um tema que não pode deixar ninguém indiferente.

 

Dia 28 de Maio de 2014- Quarta Feira

 

Uma das músicas que, nos últimos meses, tem tido grande sucesso mundial fala sobre a exaltação da natureza em detrimento da ditadura do dinheiro e da necessidade de contraíarmos o que, por vezes, nos dizem para fazer, como forma de libertação.

Trata-se da música dos One Republic “counting stars” isto é contando as estrelas.

Diz a letra o seguinte,

“Ultimamente, eu tenho perdido o sono
Sonhando com as coisas que poderíamos ser
Mas eu tenho, eu tenho rezado muito
Eu sinto algo tão certo
Fazendo a coisa errada
Eu sinto algo tão errado
Fazendo a coisa certa
E digo  não mais contaremos dólares
Mas antes contaremos estrelas”

 

 

Dia 29 de Maio de 2014- Quinta Feira

 

O Planeamento familiar Natural torna o casal apto a reconhecer, pela auto-observação, em que momentos é fértil ou infértil, de modo a orientar as suas relações conjugais conforme deseja conseguir ou adiar a gravidez.

Estes métodos são totalmente inócuos pois não interferem no normal funcionamento do aparelho reprodutor da mulher ou do homem e, ao contrário dos contracetivos artificiais, vulgo pílula, não têm efeitos secundários para a saúde.

A eficácia do Método Billings e do Método Sintotérmico, quando utilizados corretamente é, aliás, comparável à eficácia da pílula.

As vantagens dos métodos naturais de contraceção reside no fato de não serem difíceis de aprender, serem seguros, não implicam quaisquer despesas, fortalecem a relação do casal e estão a alcance de todos.

A Felicidade e Harmonia conjugal estão relacionadas com opções que o casal faz no campo da Regulação da Fertilidade

Em Portugal, entre outros, a associação Família e Sociedade, de Lisboa, desenvolve cursos destinados a casais sobre estes métodos, ainda pouco conhecidos.

 

Dia 30 de Maio de 2014- Sexta Feira

Em 2013 nasceram pouco mais de 83 mil crianças em Portugal – o número mais baixo desde que há registo – e morreram quase 107 mil pessoas, o que faz com que o número de óbitos tenha ultrapassado o de nascimentos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados, agora publicados no Boletim Mensal de Estatística de Fevereiro, mostram que Portugal tem vindo, desde 2007, a reforçar a tendência para apresentar saldos naturais negativos,

Porém, a diferença nunca tinha sido tão elevada.

De acordo com o pior cenário, se a natalidade não aumentar, Portugal poderá baixar  dos actuais 10,5 milhões para os 6,3 milhões, o que significa uma redução de cerca de 40% da sua população.

 

 

Dia 2 de Junho de 2014- Segunda Feira

 

Poema de Vasco Graça Moura

 

No amor, regras que contém,
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã

E eu num fado que isso guarde
Também acrescentaria
Amo-te mais cada tarde
Do que amei nascendo o dia

E cada vez muito mais
Do que antes, mas tais requintes
São muito menos, ver vais
Do que nos dias seguintes

Com resultados tão plenos
Como somar dois e dois:
Muito mais e muito menos
Conforme "antes" e "depois"

No amor, regras que contem
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã

 

 

Dia 3 de Junho de 2014- Terça Feira

 

Em Portugal, verifica-se ainda uma grave lacuna na prevenção da pobreza e na estratégia a seguir com vista a garantir a inclusão de famílias que, geração após geração, vivem problemas de insucesso escolar, desemprego, fome, alcóol ou toxicodependência.

Em muitos casos, é necessário garantir o acompanhamento por parte de um perceptor ou assistente social das famílias e jovens em dificuldade de maneira a que possam habilitar-se com as competências básicas, sociais e profissionais necessárias à sua autonomização.

Se continuar a inexistir um plano integrado de combate à pobreza que envolva, de forma concertada o Instituto de Emprego, a Segurança Social e as Escolas, Portugal continuará a sofrer as consequências que resulta do fato de ter  uma parte significativa da sua população sem habilitações, fora do mercado de trabalho e em crise pessoal e familiar permanente.

 

 

Dia 4 de Junho de 2014- Quarta Feira

 

O Decálogo da quotidianeidade segundo S. João XXIII

i - Procurarei viver a pensar apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

ii - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.

iii - Hoje, apenas hoje, serei feliz.

iv - Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.

v - Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura,

vi - Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi a ninguém.

vii - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer

viii - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão.

ix - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.

x - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor

 

 

Dia 5 de Junho de 2014- Quinta Feira

 

Verifica-se em muitas famílias em situação de exclusão social  uma carência gritante de competências básicas e sociais que as tornam incapazes (a si e aos seus filhos) de sair do poço em que se encontram.

O CPCJ, o sistema de Segurança Social, Educativo e Judicial funcionam apenas como um "apaga-fogos" só atuando em casos de produção de efeitos ou risco iminente.

Esquece-se a formação, a prevenção, a monitorização, a integração, por exemplo, das crianças em ocupações dos tempos livres saudáveis.

As famílias em exclusão social encontram-se social e fisicamente imobilizadas e, na sua maioria, "fisicamente imobilizadas" mesmo do ponto de vista literal, sem possibilidade de transportar os seus filhos para uma escola melhor, sem a possibilidade de se deslocarem à praia, sem a possibilidade de irem a uma entrevista de emprego, sem a possibilidade de irem a uma consulta, etc.etc. Isto são coisas que acontecem no dia a dia.
Bastava uma carrinha de 9 lugares para fazer muitas famílias saírem do poço da pobreza, do insucesso escolar, do desemprego e da exclusão social

 

Dia 6 de Junho de 2014- Sexta Feira

Não deveria haver outro objetivo na educação que os pais promovem que não seja a de buscar a felicidade dos filhos. Essa, como sabemos, não se obtém num caminho fácil e sempre prazeroso. Exige esforços, renúncias e sacrifício. A busca do bem dos nossos filhos deveria ser a razão mais fundamental das nossas ações educativas e da forma de os corrigirmos.

Quando quiser corrigir um defeito ou fomentar uma virtude, fale com paciência, dando as razões pelas quais se espera determinado comportamento. Mas, sobretudo, tente você mesmo agir da maneira que espera que eles ajam. É que quando empreendemos um caminho que se espera que os outros também empreendam, estaremos mais capacitados para guiar. E, sobretudo, seremos mais compreensivos, pois quando as dificuldades surgirem, nós próprios as teremos experimentado em nosso caminhar.

 

 

Dia 9 de Junho de 2014- Segunda Feira

 

Como manter forte e bem disposta a vontade?

É essencial exercitar-se em pequenas vitórias diárias naqueles aspectos que custa a todo o ser humano, ainda que não se sinta nenhum benefício imediato.

Nesses vencimentos deverá existir luta, treino, aprendizagem, tanto na família quanto na escola, para superar a preguiça, a apatia, o orgulho, a busca desordenada de comodidades, o apego ao bens materiais, o egoísmos, etc.

Já podemos concluir que promover as virtudes da temperança e fortaleza durante os primeiros anos da criança é a grande estratégia para facilitar a descoberta da própria identidade e para conseguir a maturidade no amor. Facilitando o vencimento nessas duas “frentes de batalha” da adolescência, indiretamente também se estará favorecendo o vencimento na terceira: a conquista da liberdade humana.

Para conseguir a terceira frente, a autêntica liberdade, deve-se educar no amor à verdade e no amor ao sacrifício da e pela verdade.

 

Dia 10 de Junho de 2014- Terça Feira

 

Em entrevista a um jornal, a coordenadora do Programa da Família das Nações Unidas, Renata Kaczmarska, questionada sobre se ela considera o divórcio um problema, respondeu :

É um problema na medida em que tem impacto sobre as crianças. Um dado comprovado é que os filhos de um casal que se divorciou também têm grandes chances de se divorcia  E o divórcio também afeta a estabilidade, porque há mais chances de pobreza quando há só um provedor no lar.

Muitos pais atualmente enfrentam a dificuldade de conciliar a necessária dedicação à família com o trabalho profissional.

E com os pais divorciados a situação ainda se tornar pior pois obriga a uma dispersão e divisão dos esforços económicos e financeiros, com a necessidade de obter e sustentar uma 2ª casa. Além disso, a própria situação de separação dos pais limita o tempo que se passa com os filhos, especialmente daquele que não tem a guarda.

Por outro lado, um trabalhador abalado emocionalmente pelo divorcio é um trabalhador que em geral produz pouco e mal. Por tudo isto, há que fortalecer o casamento e a família e evitar e prevenir o divórcio.

 

Dia 11 de Junho de 2014- Quarta Feira

 

Em casa o Dr José Gonçalves é tão simplesmente só o Zé.

Lá fora, o Dr. José Gonçalves é valorizado de acordo com aquilo que produz, de acordo com a sua maneira de funcionar. Pode descer ou subir na hierarquia da empresa, pode ser despedido ou promovido, ter um vencimento maior ou menor.

Mas, em casa, gostam do Zé assim como ele é. A família é o único lugar onde gostam do Zé por ele ser quem é: o filho, o marido, o pai, o irmão; aquela pessoa, com tudo o que faz parte dela, independentemente das suas qualidades e dos seus defeitos e daquilo que possa produzir.

Na família, aquilo que os une está num plano imensamente superior a tudo aquilo que os possa afastar.

Podem as ondas enfurecidas de um mar de inverno salpicar as estrelas? Alguém ligou aquelas vidas com um nó, e a vida de um é a vida dos outros. E o sorriso de um é a alegria dos outros. E a dor de um é a dor dos outros.

Dia 12 de Junho de 2014- Quinta Feira

O que poderíamos dizer a respeito da realidade que está por trás de afirmações como “o amor acabou ”?

O que diríamos é que o desaparecimento do amor seria verdade se o amor fosse um mero sentimento. De fato, o sentimento é uma realidade muito instável e pode crescer ou diminuir, aparecer ou desaparecer.

Mas não podemos nos esquecer de que o amor é muito mais do que um sentimento.

O amor humano é fruto da sensibilidade, e, antes de mais nada, é fruto da inteligência e da vontade. O amor é fruto sobretudo da vontade: de uma entrega, de uma doação.

Sendo fruto sobretudo da vontade, ele pode crescer cada vez mais e cresce à medida que vamos nos doando, vamos nos entregando à pessoa amada.

E aqui deixamos alguns exemplos de doação ao cônjuge
- pensar cada vez mais na pessoa amada;
- fazer-lhe elogios;
- fazer-lhe surpresas agradáveis;
- escrevermos-lhe mensagens;
- a enchemos cada vez mais de alegria;
- procuramos agradá-la;
- lutarmos contra o nosso egoísmo


 

Dia 13 de Junho de 2014- Sexta Feira

Um cônjuge é muito mais do que seus defeitos.

Um cônjuge é alguém que “com minha inteligência” escolhi para ser meu companheiro durante a vida e alguém a quem, “com minha vontade”, vou me entregando cada vez mais, vou me doando a cada dia, fazendo esse amor crescer com solidez.

E a doação não pode parar!!!

Como diz aquele famoso refrão que gosto de repetir: “o fogo do amor mantém-se vivo quando se queimam coisas novas”.

A doação da vontade faz também despertar o sentimento, e não deixa que ele esmoreça, apesar de percebermos coisas que nos desagradam no outro cônjuge.

E, se a doação não pára, não só o amor não pára como cresce cada vez mais.


Dia 16 de Junho de 2014- Segunda Feira 

Para que o amor no casamento cresça, o outro tem de tornar-se cada vez mais amável. E ele (ou ela) só se tornará mais amável se progredir, se efetivamente se for convertendo numa pessoa melhor.

Quem ama deve ser capaz de sacrificar-se pela pessoa amada, se quiser ele próprio tornar-se mais amável. Os filhos podem e realmente costumam exigir dos pais um grau de sacrifício que nenhum dos cônjuges seria capaz de inspirar. “Um homem supera-se a si mesmo mais facilmente por causa dos filhos.

É bom que marido e mulher se sacrifiquem um pelo outro; mas é melhor que se sacrifiquem juntos pelos seus filhos. O sacrifício compartilhado é um dos melhores laços do amor.

 
 
Dia 17 de Junho 2014- Terça-Feira
 
  O passado dia 09 de Junho foi um dia histórico que oxalá tenha brevemente as suas consequências positivas: O Papa Francisco juntou os presidentes de Israel e Palestina.
   A paz é fruto da guerra. Esperemos que este gesto seja o fim da guerra e o início da paz.
   Disse o Papa Francisco nesse dia: "Para fazer a paz é preciso coragem, muito mais do que para fazer a guerra."
    Não há dúvida que este Papa teve essa coragem e está a mudar o modo de ver e viver muitos aspetos da vida quotidiana corrente. Um Papa que age, que diz e faz, que dá exemplo. Que tem feito mais do que muitos políticos e governantes já ousaram.
   Rezemos todos pela paz como o Papa tanto nos impele.
  Façamos a paz também no pequenino mundo que nos rodeia: família, em casa, na rua, no trabalho, na escola. Que sejamos portadores de paz e não de discórdia. Para mudar o mundo e preciso o contributo de cada um.
 
Dia 18 de Junho de 2014- Quarta-Feira
 
Finalmente chegou ao fim o ano letivo.
As crianças estão de férias. Os pais nem todos mas mesmo que alguns já estejam não estarão os 3 meses de férias que os filhos têm.
 Muitas vezes pode ser uma dor de cabeça ter onde deixar os filhos nas férias.
Pense as férias dos seus filhos com calma e não os “despeje” apenas numa atividade qualquer apenas para ficar ocupado. Poupe-o a horários excessivos e aposte em algo que lhe seja do agrado.
A quem possa é sempre bom recorrer aos avós. O convívio entre várias gerações é de extrema importância e enriquecedor tanto para avós como para netos.
Cuidado com as companhias, com a vigilância. Fale com o seu filho conforme a idade que atravesse e avise dos perigos da vida, ensine-o e prepare-o para ser responsável e consequente com os seus atos.
E quando os pais estiverem de férias, não queiram apenas descansar sem que os filhos os chateiem, mas aproveitem a companhia e conversem em família e também a sós com cada filho. Saber dúvidas, esperanças, receios, curiosidades. Responda a todas as perguntas. Torne-se o melhor amigo do seu filho.
Dia 19 de Junho de 2014- Quinta-Feira
 
  Ainda em tempo dos santos populares não deixe de dar uma escapadela a Lisboa onde os bairros como Alfama, Bairro Alto, Mouraria e tantos outros se revestem de festa e tradição indescritíveis.
 Os santos populares são celebrados um pouco por todo o país mas não há dúvida de que em Lisboa ,e não desfazendo de outras cidades,  têm um sabor especial.
 Que encanto ver as ruas decoradas com os balões , grinaldas e manjericos. Ouvir um fado num ou noutro recanto, canções populares noutro e claro, sardinhas, sangria e um bom convívio entre amigos ou família.
 Aproveitar o que temos de bom no país, na tradição portuguesa, no que a vida nos dá.
 
Dia 20 de Junho de 2014- Sexta-Feira
 
 E quando o amor é uma forma de vida? Há pessoas mesquinhas que só estão bem se souberem tudo sobre a vida do vizinho para ir contar a terceiros e estes a outros. E se o olhar fosse um pouco mais positivo e mais além? E se o amor fosse uma forma de vida? Uma forma de ver os outros, de tratar os outros, de surpreender os outros com simples gestos simplesmente porque sim? Um filme de “Amélie Poulain” tornado realidade.
Amar é possível, manifestar amor é possível.
  E mais, não por nós próprios, não pela gratificação ou para que nos agradeçam mas simplesmente por se saber e querer amar. Mudar o mundo depende de cada um de nós e de pequenos gestos e palavras lisonjeosas e amigas.
 
Dia 23 de Junho de 2014- Segunda-Feira
 
  Na china a política do filho única está a destruir as famílias e a sociedade.
Há rapazes jovens que nunca irão casar dado não haver raparigas. O aborto seletivo continua a matar milhares de meninas. As famílias de 2 e 3 gerações que viviam no mesmo teto está a desaparecer.
Os idosos são cada vez mais e vivem cada vez mais sozinhos e isolados.
Os jovens tentam vidas noutros países.
  Na Europa e em Portugal o inverno demográfico não é tao grave mas também não é muito melhor. Por cada ano morrem milhares de bebés em abortos praticados. São poucas as famílias que se aventuram no terceiro filho e as que têm mais do que três já são olhadas como uma raridade.
Há que lembrar à sociedade que a Vida é o que dá sentido à vida. Se não houver novas vidas, acaba-se a vida. Parece um jogo de palavras mas tem o seu significado é de facto profundo. Urge agir, urge levantar vozes e braços. Como dizia o Papa João Paulo II: Não tenham medo aos filhos!
 
 
 
 Dia 24 de Junho de 2014- Terça-Feira
 
   Pablo Picasso disse uma vez que “ A Morte não é maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos..”
  Esta afirmação pode ter varias interpretações e dar para uma discussão filosófica sem fim.
  Poderia ser aplicada por exemplo á esperança por uma vida melhor que muitos perdem ao evoluir da vida, em tempos de crise como a que vivemos e parece não ter fim; à perda de valores que nos faz perder o rumo da existência e morrer para a verdadeira vida.
 Esta chamada de atenção impele-nos a continuar a ter esperança mesmo que contra toda a esperança, a continuar a acreditar que a vida tem coisas boas que há muito para agradecer e não apenas para lamentar.
Enquanto vivemos há que aproveitar a vida, viver a vida e transmitir alegria à nossa volta.
Dia 25 de Junho de 2013- Quarta-Feira
 
  Nas últimas semanas a comunicação social voltaram-se para o caso desta jovem sudanesa grávida de oito meses, condenada à morte por estar casada com um cristão.
 Não renunciou à sua fé apesar de todas as ameaças. Foi educada cristãmente e por Cristo estaria disposta a dar a sua vida e a do seu filho ainda não nascido.
 A pressão internacional e os apelos que estão a surgir para que não se aplique a pena máxima poderão valer a vida a esta sudanesa.
 Vivemos em Portugal, país relativamente pacato e uma história destas nos nossos dias, deixa qualquer um incrédulo. Como pode ser verídica?
 Numa sociedade supostamente evoluída onde deveria reinar a tolerância que tanta gente apregoa, o relativismo que tanto está de moda, como é possível acontecerem dramas destes?
 Deus queira que esta história tenha um final feliz e que a sociedade e o mundo respeitem de facto a tolerância e a fé de cada um.
    
Dia 26 de Junho de 2014- Quinta-Feira
 
 Em Espanha reabriu-se o debate sobre o aborto. Médicos e cientistas pró vida alertam para o facto de que o aborto não é um ato médico. Um ato médico cura e salva vidas, não as tira. A gravidez não é uma doença mas um dom enorme!
 Tantos casais que querem ter filhos e não conseguem, e ao contrário também tanta gente que engravida e não quer os seus filhos. Tanta injustiça como se o mundo estivesse ao contrário. Poderia aplicar-se o ditado popular “Dá Deus nozes a quem não tem dentes.”
 Como é possível uma mãe querer rejeitar o seu filho seja ele fruto de que tipo de relação seja. Porque não incentivar mais a adoção?
 A medicina é uma ciência voltada para a vida e não para a morte. Tantos e tantos esforços para por um lado se encontrar curas para doenças como o cancro, e por outro lado tentativas de tornar legais leis que matam como o aborto e a eutanásia. Inexplicável, insólito e absurdo!
 
Dia 27 de Maio de 2014- Sexta-Feira
Nunca é demais chamar a atenção para os cuidados a ter com a publicação de vídeos e fotos pessoais. Não esqueça que hoje em dia em qualquer procura de emprego, a primeira coisa que provavelmente a entidade patronal fará será tentar informação sobre os candidatos a emprego ao facebook, youtube etc..
 Se estas ferramentas podem ser úteis e amigas por um lado, podem tornar-se inimigas por outro. Não “poste” nada que um dia mais tarde o possa comprometer.
 Neste sentido, o Tribunal de Justiça da União Europeia declarou a obrigatoriedade dos motores de busca da internet serem obrigados a retirar links publicados no passado quando estes são danosos para uma pessoa. É consagrado assim o “direito ao esquecimento”, um como que apagar, “deletar”, fazer reset à informação disponível.
  
Dia 30 de Junho de 2013- Segunda-Feira
 
Contos de fadas. Quem já não acreditou, brincou ou sonhou com uma vida como nos contos de fadas?
 Deixe as crianças sonharem. A vida real nem sempre é um conto de fadas é certo, mas não proíba nem desanime as crianças de sonhar e brincar aos contos de fadas.
 Na vida temos de ter o gosto de aprender brincando e sonhando e não fomentar o medo da realidade da vida, de fazer algo mal, de errar, de brincar só baseado na realismo da vida.
 Os contos de fadas são até muito didáticos porque deles se pode sempre tirar uma lição. Nos contos de fadas, há fadas, princesas e bruxas. É bom que assim seja para cedo a criança começar a perceber que também na vida há princesas e bruxas. Há pessoas boas e outras menos boas. É bom a criança ter o desejo de ser uma princesa seja no modo de vestir, de agir, de falar e é bom que perceba que as bruxas acabam por perder sempre e ter um final não tão feliz.
 São das histórias mais básicas mas das mais didáticas. Leia-as para os seus filhos e deixe-os fantasiar e imaginar à sua boa vontade.


Olhar para a vida

 
 
A dada altura percebemos que o mais importante não é saber se a vida é bela ou trágica, se, feitas as contas, ela não passa de uma paixão irrisória ou se a cada momento se revela uma empresa sublime. Certamente está-nos reservada a possibilidade de a tornar em cada um desses modos, só distantes e contraditórios na aparência.
A mistura de verdade e sofrimento, de pura alegria e cansaço, de amor e solidão que no seu fundo misterioso a vida é, há de aparecer-nos nas suas diversas faces. Se as soubermos acolher, com a força interior que pudermos, essas representarão para nós o privilégio de outros tantos caminhos. Mas o mais importante nem é isso, aprendemos depois. Importante mesmo é saber, com uma daquelas certezas que brotam inegociáveis do fundo da própria alma, se estamos dispostos a amar a vida como esta se apresenta.
A dada altura compreendemos que falar sobre o ar, como faz o poeta Tonino Guerra, não tem de ser uma deriva, mas um chamamento à construção concreta que a vida é, confirmada (ou não) pelo nosso sim: «O ar é esta coisa ligeira/ que te gira em torno à cabeça/ e torna-se mais clara/ quando ris». Ou que quando Simone Weil repete que «a atenção é uma prece», ela mais não faz do que mobilizar-nos para a aliança com o agora, porque se não formos prudentes e generosos para manter os olhos maximamente abertos sobre o presente, que ciência poderá o futuro constituir para nós?
O viver tem esta simplicidade, que precisamos de redescobrir, despojando-nos do muito que nos atravanca, relançando-nos no seu obstinado fluxo. Estamos muitas vezes alienados da vida, separados dela, por uma muralha de discursos, de angústias, de confusas esperanças. Precisamos de perfurar esse muro até ao fim.
É necessário decidir, portanto, entre o amor ilusório à vida, que nos faz adiá-la perenemente, e o amor real, mesmo que ferido, com que a assumimos. Entre amar a vida hipoteticamente pelo que dela se espera ou amá-la incondicionalmente pelo que ela é, muitas vezes em completa impotência, em pura perda, em irresolúvel carência. Condicionar o júbilo pela vida a uma felicidade sonhada é já renunciar a ele, porque a vida é dececionante (não temamos a palavra).
Com aquela profunda lucidez espiritual que por vezes só os homens frívolos atingem, Bernard Shaw dizia que na existência há duas catástrofes: a primeira, quando não vemos os nossos desejos realizarem-se de forma alguma; a segunda, quando se realizam completamente. Há um trabalho a fazer para passar do apego narcisista a uma idealização da vida, à hospitalidade da vida como ela nos assoma, sem mentira e sem ilusão, o que requer de nós um amor muito mais rico e difícil. Esse que é, em grande medida, um trabalho de luto, um caminho de depuração, sem renunciar à complexidade da própria existência, mas aceitando que não se pode demonstrá-la inteiramente.
A vida é o que permanece, apesar de tudo: a vida embaciada, minúscula, imprecisa e preciosa como nenhuma outra coisa. A sabedoria é a vida mesma: o real do viver, a existência não como trégua, mas como pacto, conhecido e aceite na sua fascinante e dolorosa totalidade.
Não se trata apenas de viver o instante, tarefa inútil, pois a vida é duração. Aquilo que nos é dado dura, e nós dentro dele, com ele, por ele. Não é a flor do instante que nos perfuma, mas o presente eterno do que dura e passa, do que dura e não passa.
E quando é que chega a hora da felicidade?, perguntamo-nos. Chega nesses momentos de graça em que não esperamos nada. Como ensina o magnífico dito de Angelus Silesius, o místico alemão do século XVII: «A rosa é sem porquê, floresce por florescer/ Não se preocupa consigo, não pretende nada ser vista».
 
José Tolentino Mendonça
In Expresso, 13.6.2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Portugal perdeu 936 mil crianças em 30 anos



O peso das crianças na população residente em Portugal caiu para metade em meio século, sendo essa redução mais acentuada nos últimos 30 anos, período em que o país «perdeu» cerca de 936 mil crianças, revelam dados do INE.

«Em 50 anos, a percentagem de crianças na população residente passou de 29,2%, em 1960, para 14,9%, em 2011, ano em que residiam em Portugal 1.572.329 crianças», adiantam os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para assinalar o Dia Mundial da Criança, que se comemora no domingo.

Esta diminuição foi «mais evidente» a partir da década de 80, refere o INE, precisando que, entre 1981 e 2011, registaram-se menos cerca de 936 mil crianças, representando uma quebra de 37,3%.

«Consequentemente, o peso das crianças na população tem vindo a recuar de forma acentuada, tendo em conta que, nos últimos 30 anos, a população total aumentou», observa.

A diminuição da população infantil incidiu em todos os grupos etários entre os zero e os 14 anos, sendo de 39% no grupo das crianças até aos nove anos e de 34% no grupo etário 10-14.

Estes números são justificados pelo INE com a quebra da natalidade: em 2013, o número de nados vivos de mães residentes em Portugal foi de 82.787, o valor mais baixo desde que há registos e que representa menos 7,9% do que em 2012.

De acordo com os cenários da população residente elaborados pelo instituto para o período 2012-2060, o número de crianças em Portugal poderá sofrer uma quebra que variará entre 25% e 62%, sendo da ordem de 36% no cenário central.

Os dados, baseados nos resultados dos Censos 2001, referem também que nascem mais meninos do que meninas, respetivamente, 51,1% e 48,9% em 2011.

No total da população verifica-se uma distribuição inversa, uma vez que a percentagem de mulheres (52,2%) era superior à dos homens (47,8%), o que se deve à maior esperança de vida das mulheres.

Nos últimos 50 anos, a taxa de mortalidade infantil «reduziu-se drasticamente», situando-se em 2,95 óbitos de crianças com menos de um ano por mil nados vivos em 2013 - em 1960 este valor era de 77,5 -, colocando «Portugal no grupo de países do mundo em que este indicador atinge os valores mais baixos».

Sobre o número de crianças estrangeiras em Portugal, o INE refere que totalizavam 49.994 em 2011, representando cerca de 3,2% do total.

A sua distribuição por nacionalidades acompanhava, de um modo geral, o peso das comunidades estrangeiras residentes em Portugal: 30,1% de origem brasileira e 9,1% de origem ucraniana, seguindo-se as de origem cabo-verdiana e romena, ambas com 8,0%, e angolana, com 5,5%.

Segundo os dados, «cerca de 28% das crianças com nacionalidade estrangeira (13.983 crianças) tem naturalidade portuguesa, facto relacionado com as características demográficas da população estrangeira, mais jovem e com índices de fecundidade mais elevados».

Observam que é na comunidade chinesa que se verifica a percentagem mais elevada de crianças com naturalidade portuguesa (58,8%), seguindo-se a ucraniana (41,6%), a angolana (33,2%) e a romena (30,3%).

Já 1,9% das crianças com nacionalidade portuguesa nasceu fora de Portugal (29.251). Suíça, com 16,4%, e França, com 14,6%, eram os países mais representados, seguidos do Reino Unido, Brasil e Alemanha.

«Estes indicadores sugerem uma relação entre a naturalidade das crianças e os tradicionais destinos de emigração da população portuguesa», adianta o INE.

Fonte: TVI.IOL

domingo, 8 de junho de 2014

Saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008).
As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante estes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso. In "Público"
Médico psiquiatra