quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Posts da concorrência

O Blog Farmácia Central tem estado na berra a propósito do último artigo do DN sobre o aborto pós-referendo.

Aqui ficam este e este post, ambos muito bons.

A propósito de dor...

A propósito de dor que a DGS de forma muito nobre e aceitável pretende atenuar ao máximo na mulher que realiza o aborto.
E a dor do feto ?

A questão é controvertida.

Sobre o assunto já agora deixo aqui excertos:


By 8 Weeks
By 8 weeks?

By this age the neuro-anatomic structures are present. What is needed is (1)
a sensory nerve to feel the pain and send a message to (2) the thalamus, a
part of the base of the brain, and (3) motor nerves that send a message to
that area. These are present at 8 weeks. The pain impulse goes to the
thalamus. It sends a signal down the motor nerves to pull away from the hurt.

In British Medical Journal, Jan. 26, 1980, pp. 233-234.

Ou ainda aqui

Circular pública que explica o aborto


A Direcção Geral de Saúde faz-nos o favor de explicar como é que os hospitais públicos devem realizar o aborto nas mulheres



Através da circular nº 10/SR, disponível on line no site da DGS, explica-se lá o seguinte:



"A possibilidade de recorrer, de modo fácil e sistemático a medicamentos seguros e eficazes para a interrupção da gravidez é ainda limitada no presente.


TÉCNICA RECOMENDADA


O método cirúrgico preferível para a interrupção da gravidez até às 10 semanas de gestação é a aspiração por vácuo, que tem vindo a substituir, na maioria dos países industrializados, a dilatação e curetagem.


A elevada eficácia da aspiração foi comprovada em vários estudos randomizados, sendo referidas taxas de sucesso entre 95% e 100%(1), quer com a utilização de vácuo manual, quer eléctrico(2).


A aspiração está indicada para gravidezes com mais de 6 semanas, dada a maior falha deste método antes dessa idade gestacional.


Recomenda-se, preferencialmente, o uso de equipamento de aspiração eléctrico e de cânulas de plástico, rígidas e curvas, cujos diâmetros disponíveis devem variar entre 4 e 12 mm.

Ainda que variável com o tempo de gestação, a intervenção dura cerca de 3 a 10 minutos, podendo ser utilizada analgesia e anestesia local, ou anestesia geral. Na gravidez muito precoce a cânula de aspiração pode ser inserida sem dilatação prévia do colo, mas habitualmente é necessário o recurso a dilatadores mecânicos ou a medicamentos.


A dilatação seguida de curetagem é menos segura que a aspiração, com taxas de complicações major duas a três vezes superiores, e é consideravelmente mais dolorosa para as mulheres. Nos locais onde a curetagem seja a prática corrente, devem ser feitos esforços para substituir esse procedimento por aspiração por vácuo eléctrico, no sentido de melhorar a segurança e a qualidade dos cuidados prestados."


A maioria das mulheres refere algum grau de dor associado a este tipo de intervenção quando se usa anestesia local. Os estudos evidenciam que a intensidade da dor varia com a idade, a paridade, o tempo de gestação, a número de dilatações cervicais e o grau de ansiedade(7).

(7) Smith GM, Stubblefield PG, Chirchirillo L and McCarthy MJ, 1979. Pain of first trimester abortion: its quantification and relations with other variables. American Journal of Obstetrics and Gynecology 133:489-498; Borgatta L and Nickinovich D, 1997. Pain during early abortion. Journal of Reproductive Medicine 42:287-293

O controlo adequado da dor não significa, necessariamente, um grande investimento em drogas ou equipamento. A informação realista e o bom atendimento são desde logo formas de diminuir a percepção de dor.
Descuidar este elemento importante aumenta a ansiedade e o mal-estar da mulher e compromete a qualidade dos cuidados.



P.S.1) Escolhi o destaque em vermelho por, dadas as circunstâncias ser a cor mais adequada.


P.S.2) Peço desculpa se o conteúdo do texto supra é chocante, mas está numa circular emitida por uma entidade pública, no âmbito de uma legislação aprovada pelas vias legais.


P.S.3) Afinal, a mulher abortista sempre sente dor e os Srs. Smith GM, Stubblefield PG, Chirchirillo L and McCarthy já o sabiam desde 1979. Afinal não é tudo higienizado e indolor...

Nova Newsletter da associação "In Família"


Já está disponível o nº1 da newsletter da associação minhota "In Família"
Aqui, para quem quiser.

ALDEIAS DE CRIANÇAS SOS: 40 anos a dar casa e família a crianças e jovens

É num conjunto de pequenas casas rodeadas de jardins e árvores em Bicesse, Cascais, que desde Outubro de 1967 crianças e jovens órfäos, abandonados, mal-tratados ou oriundos de famílias de risco encontram o lar que nunca conseguiram ter junto dos pais biológicos.

A Aldeia SOS de Bicesse, a primeira criada em Portugal, acolhe hoje 62 crianças e jovens e está a comemorar 40 anos de um projecto virado para dar um futuro àqueles que se viram privados dele.

"Aqui as crianças têm um ambiente que é familiar, têm uma mäe, os seus amigos, vivem também num ambiente externo à aldeia, nas escolas", "é como se estivessem em suas casas", afirma Armando Albuquerque, director da Aldeia SOS de Bicesse.

As casas, caiadas de várias cores, espalham-se pelo espaço aberto da aldeia. Bicicletas, brinquedos e crianças a jogarem à bola ilustram a vida comunitária. As "mäes" ocupam-se da preparaçäo dos lanches e das tarefas domésticas.

Armando Albuquerque diz que é "como um tio" para os jovens e salienta o "ambiente igual a qualquer outro tipo de família, apenas mais protegido, com outro tipo de atençäo", negando, contudo, que este espaço tenha qualquer similaridade com um orfanato.

O objectivo da instituiçäo passa por "criar um projecto de vida para estas crianças e jovens e fazer com que, ao sair daqui, levem os seus estudos concluídos e tenham o seu emprego", afirma Armando Albuquerque.

No entanto, näo existe idade limite para os residentes na aldeia. As crianças sabem desde logo que podem viver nas Aldeias o tempo que for necessário até que se casem ou tenham uma vida profissional que lhes permita tornarem-se independentes.

"O ambiente é o mais familiar possível, como uma família dita normal", confirma Martinha Sérgio, a assistente social da Aldeia SOS de Bicesse, que caracteriza todo o trabalho da instituiçäo como "muito virado para o conceito de família, para a casa".

"De manhä acordo, tomo o pequeno-almoço, depois ainda tenho tempo de ir brincar lá para fora e depois vou para a escola", diz "Joana", 11 anos, "filha" de Adalcinda desde os seis anos. "À tarde venho para casa, lancho, faço os trabalhos de casa e à noite janto, às vezes ouvimos histórias e depois vamos para a cama", conta com um brilho inocente no olhar.

Adalcinda Martins é uma das oito mäes sociais desta aldeia SOS. Tem actualmente em casa nove crianças, que lhe chamam mäe sem reservas, e até já tem netos, fruto de uma dedicaçäo à aldeia SOS que já tem 26 anos. A sua vida passou a ser a da aldeia, da casa e das crianças que säo a sua família, porque a "vida anterior" deixou de existir.

Como as outras mäes sociais, Adalcinda fica feliz em saber que oferece a estas crianças e jovens "ferramentas emocionais" e "boas lembranças" ao longo do seu crescimento. Em relaçäo aos seus "filhos", "saber que estäo bem" é a "recompensa absoluta" da sua total entrega a esta missäo. Com 47 anos, solteira - até porque "nem poderia pensar em ter uma vida matrimonial" -, quando pensa em projectos futuros confessa querer continuar a ser mäe social e querer "continuar a sonhar estas vidas novas", afirma.

Na Aldeia SOS de Bicesse há seis casas vazias que provam näo ser fácil encontrar alguém com a dedicaçäo necessária para ser mäe social. A Associaçäo das Aldeias de Crianças SOS, que actualmente acompanha cerca de 160 crianças e jovens, nasceu em Portugal há 40 anos com a criaçäo da primeira aldeia em Bicesse, Cascais, existindo outras duas, em Gulpilhares (Vila Nova de Gaia) e na Guarda.

As aldeias SOS recebem crianças, a maior parte com poucos anos de idade, órfäs, abandonadas ou pertencentes a famílias de risco que näo podem cuidar delas, e procuram, através de uma vivência em comunidade, dar-lhes um ambiente diferente de um orfanato, junto de uma família, organizada em torno da figura da mäe social, com a vida autónoma e a integraçäo plena na sociedade como horizonte.

O conceito Aldeias de Crianças SOS teve origem na åustria, para acolher crianças que ficaram órfäs durante a Segunda Guerra Mundial e abrange actualmente perto de 1.400 instituiçöes SOS, entre jardins de infância, lares de jovens e centros sociais e médicos, prestando auxílio a mais de 600 mil crianças em 132 países.

De acordo com números da Associaçäo das Aldeias SOS, existem em todo o mundo 452 aldeias que oferecem um lar a cerca de 47.400 crianças e jovens. Segundo o director da Aldeia SOS de Bicesse, o sucesso da ideia continua, relembrando que a instituiçäo tem novos projectos em desenvolvimento, nomeadamente a construçäo de novos Centros Sociais de acompanhamento aos jovens. A Aldeia SOS de Bicesse foi inaugurada em 29 de Outubro de 1967 mas comemorará o seu 40.º aniversário no Sábado com a presença do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e uma festa para todos os utentes, ex-utentes e amigos da instituiçäo.

Notícia daqui.

Portugal organiza Festival da Canção para Deficientes

Portugal organiza, pela primeira vez, o Festival Europeu da Canção para Pessoas com Deficiência Mental, que acontecerá no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, com a presença especial de Rui Veloso e a apresentação de Fernanda Freitas e João Fernando Ramos.

A RTP2 e a Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL) associam-se para a realização do evento, que decorre no próximo dia 9 de Novembro, com o objectivo de dar visibilidade às capacidades das pessoas com deficiência mental, melhorando a informação junto da opinião pública.

O Concurso Europeu, que se realiza de dois em dois anos, pretende também que as pessoas com deficiência participem em eventos com projecção pública que contrariem a exclusão social, contribuindo assim para a sua integração plena na sociedade.

A última edição decorreu na Áustria, onde Rita Joana e Márcio Reis venceram com o tema «Maior que o Mundo». A RTP2 assegura a gravação deste espectáculo, que emitirá ainda este ano.
Notícia daqui.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Internet Segura para crianças

INTERNET SEGURA PARA AS CRIANÇAS / THE INTERNET WATCH FOUNDATION / 24 DE OUTUBRO / REINO UNIDO


@ «Making the internet safer (23 October 2007).
How safe are you online?
The Internet Watch Foundation (new window http://www.iwf.org.uk/) has made Wednesday 24 October IWF Awareness Day, to focus attention on issues of child safety on the internet.
The Home Office supports the foundation's work to make the internet safer. The IWF offers the only UK hotline for the general public to report websites that host images of child sexual abuse, criminally obscene content, or words or images designed to incite racial hatred. (…).

Relatório Anual sobre desenvolvimento sustentável 2007


Relatório Anual sobre desenvolvimento sustentável 2007 emitido pela Comissão Europeia ao Conselho e Parlamento Europeus


Entre a esperança e o sofrimento

No âmbito da exposição " Entre o sofrimento e a esperança" patente no Hospital de Faro, o Serviço de Capelania promove no próximo dia 8 de Novembro, pelas 16 horas no auditório do Hospital, uma palestra sob o mesmo tema com o objectivo de reflectir sobre a necessidade da complementaridade das abordagens clínica e pastoral no acompanhamento do doente.

A iniciativa conta com as intervenções do Pe. Fernando Sampaio, Capelão do Hospital de Santa Maria, da Enfª. Françoise Lopes, Enfermeira Chefe do Serviço de Medicina I do Hospital de Faro, e do Dr. João Luz, Psicólogo no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de Faro. A moderação do painel fica a cargo do jornalista Jorge Santos.

Escolas privadas e públicas


Desde a publicação nos media do ranking das escolas, uma iniciativa do Jornal de Notícias vários foram os que "rasgaram as vestes", escandalizados com a liderança dos privados.


Muitos argumentam que nas escolas privadas há uma selecção dos melhores alunos e que as condições são outras precisamente por ser pago e há até ainda quem ache que o Estado deveria retirar os apoios às escolas privadas, etc...


Sabemos que as escolas públicas têm muitas dificuldades que uma escola privada não tem, mas também é injusto dizer que nas escolas privadas só andam os melhores.


Quem conhece escolas privadas sabe que, também aí há de tudo e que, inclusive, em algumas delas existem subsídios e bolsas para os alunos carenciados.


Considero indispensável que exista uma liberdade de escolha dos pais relativamente à escola onde pretendem que os seus filhos andem, que as escolas privadas concorram com as escolas públicas, que o Estado procure dar às escolas públicas as melhores condições possiveis mas também que as escolas privadas sejam apoiadas, de forma a possibilitar o seu acesso por crianças carenciadas.


Sabemos, por exemplo, que em alguns países nórdicos e em alguns estados dos EUA existe a figura do cheque-ensino que permite o acesso dos estudantes a escolas privadas, à semelhança, aliás, do que já acontece em Portugal com as cirurgias pagas pelo Estado no privado.

Em alguns países, esse cheque é reembolsado mais tarde pelo aluno quando ingressa na vida profissional e em outros casos é lhe até entregue a fundo perdido.


A discussão continua e é importante reflectir sobre a razão do sucesso de uns em relação aos outros, sem cair em raciocínios simplistas ou preconceituosos.


Aqui deixo já o meu contributo para a discussão:

Ontem encontrei uma amiga minha que é professora na escola primária pública, estava abatida e desanimada; perguntei-lhe o que se passava. Disse-me que para além de ter uma turma bastante indisciplinada passava a vida a preencher formulários e elaborar relatórios cuja utilidade ela própria duvidava e terminou lamentando o facto de ter pouco tempo para os alunos e para a preparação das aulas precisamente por andar muito ocupada com as burocracias do Ministério da Educação...

Hundreds of babies saved from abortion in Mexico by volunteers who counsel women outside hospital entrances

Six months after abortion was legalized in Mexico’s capital – the Federal District – abortion is being practiced regularly in only six of the 14 public hospitals of the city, according to Jorge Serrano Limón, longtime leader of the pro-life movement in Mexico.
In three other hospitals, medical personnel have performed only a few abortions because of resistance from doctors and nurses. And in another five hospitals, medical personnel have refused to perform any abortions at all. In addition to this “conscientious objection” by doctors and nurses, the pro-life movement is engaged in “hand to hand combat” at the entrances of the hospitals that do perform abortions in Mexico City, says Serrano. Pro-lifers have succeeded in “snatching away from death” hundreds of babies that otherwise would have been aborted, he said. Outside the hospitals, volunteers from Centro de Ayuda de la Mujer (Women’s Help Center), an organization dedicated to helping pregnant women who are thinking of having an abortion, have offered women various kinds of help, including ultrasounds, specialized pre-natal medical services, shelter during pregnancy if needed, economic help and job training, and counseling and psychological orientation and support. There are now 40 Women’s Help Centers across Mexico, an organization founded just 12 years ago. Since its founding, the Help Centers have succeeded in rescuing more that 15,000 boys and girls from abortion. In the last four months in Mexico City, the organization has established “mobile Help Centers,” units that bring counselors outside the hospitals where abortions are being performed. Volunteers place their light plastic tables at a hospital entrance, with a sign saying, “Have You Thought About Interrupting Your Pregnancy? The Law Requires That You Be Well-Informed!” Counselors at the mobile units try to persuade women to visit a Women’s Health Center, “then counselors and Providence do the rest,” said Serrano. Using this method, he said, more than 500 babies have been rescued from abortion in just four months. In addition to multiple locations in Mexico City, there are Women’s Help Centers in 23 other cities in the country. In Tijuana, in the first six moths of 2007, 602 women were served. Of them, only 92 aborted. There were 201 births -- 93 girls and 108 boys -- and seven adoptions were arranged. The most recently established Women’s Help Center is in Ensenada, which, in its first three months of operation, has secured the volunteer collaboration of various medical specialists. The center in Ensenada also has the support of a well-established women’s shelter -- Vida y Familia (Life and Family) -- in Mexicali, the state capital. At the shelter, women get a home and health care during and after pregnancy.
Notícia daqui.

Menino de três anos sofre com doença muito rara (cromossomas 13 e 14 juntos)

Afonso Fernandes completa quatro anos no dia 29 de Novembro. Não fala, não anda, usa fraldas e está num percentil muito abaixo do normal. Aos quatro meses foi-lhe diagnosticada hipotonia (diminuição da tonicidade muscular). “Era um bebé calminho, nasceu às 40 semanas, com 49 cm e 3,220 kg. Nunca suspeitámos de nada”, conta a mãe, Ana Fernandes.





Os médicos não têm respostas para o problema do Afonso, que também tem uma ataxia (tremores), e os pais querem levá-lo a Cuba.
O menino andou de médico em médico e de hospital em hospital até descobrirem que padecia de uma doença raríssima: “Tem os cromossomas 13 e 14 juntos. Os geneticistas dizem que há pouquíssimos casos no Mundo e que é uma doença ainda em estudo”, afirma Carlos Fernandes, pai de Afonso.Há cerca de dois anos a criança começou a fazer fisioterapia ocupacional em Alcoitão para estimular os músculos. Vai duas vezes por semana, mas é manifestamente insuficiente.
Carlos e Ana foram pais pela primeira vez há sete anos, de Inês, uma criança que ainda frequenta o jardim-de-infância porque tem um ligeiro atraso de desenvolvimento e é hiperactiva. “A Inês era pequenina quando percebemos que tinha problemas. Usa fraldas ainda e é medicada. Fizemos vários exames antes de termos o Afonso”, explicam, comovidos, os pais.Apesar de não existir qualquer incompatibilidade genética no casal, Afonso nasceu com um problema inexplicável. “Ele quer falar mas não consegue e quer andar, pôr-se em pé, mas não tem força”, diz a mãe, que deixou o emprego para acompanhar os filhos. “Queremos ir a Cuba. Ao nível da reabilitação eles têm métodos extraordinários”, dizem os pais, angustiados. “Mas o Estado não comparticipa nada disto, Um dia o Afonso vai saber que fizemos tudo por ele”, rematam.
TODO O TIPO DE EXAMES
Prestes a completar quatro anos, Afonso já foi submetido a uma série de exames, entre eles a ressonância magnética, electroencefalograma, ecotomografia transfontanelar. Os relatórios a que o CM teve acesso excluem a hipótese do síndroma X-frágil, mas falam em mutações raras. O Afonso vai também fazer um exame no Instituto de Paralisia Cerebral para tentar estimular a comunicação. Os médicos não sabem especificar que tipo de doença é esta e como se pode ajudar, uma vez que é rara e ainda está em estudo. Carlos e Ana Fernandes aceitaram que o filho fosse ‘objecto’ de estudo e investigação de um grupo de geneticistas europeus: “Primeiro que tirem alguma conclusão queremos que o Afonso já se consiga pôr em pé”, dizem. A família Fernandes sobrevive apenas com o ordenado do pai e recebe cerca de cem euros por mês de abono de família e subsídio de deficiência. “Vivemos com pouco, por isso é que pedimos ajuda. Que tipo de pais seriamos se não tentássemos ir a Cuba, onde existe esperança?”
SONHO DESFEITO
Carlos, 41 anos, é motorista da Carris e Ana, 33 anos, era escriturária. Quando casaram sonhavam construir uma família grande. Têm dois filhos, ambos com deficiências: Inês, com sete anos, tem um ligeiro atraso mental e é hiperactiva. Já o Afonso depende dos pais para tudo. Ana deixou o emprego para acompanhar 24 horas por dia o filho, já que Inês frequenta um jardim-de-infância. O casal não quer ouvir falar em mais filhos e sente que o sonho de uma família grande se desfez para sempre.
APONTAMENTOS
SOLIDARIEDADE
O Afonso tem uma conta de solidariedade na Caixa Geral de Depósitos cujo NIB é 003501810000620840091. O objectivo é recolher fundos para poder ser avaliado e fazer ciclos de tratamento em Cuba, onde existe esperança de melhoras.
APARELHOS
A criança tem aparelhos especiais: uma cadeira de transporte, uma cadeirinha para comer e ainda um aparelho que o ajuda a pôr-se em pé sozinho. Os pais trocaram de carro para o adaptar às necessidades e à cadeira do filho.
PERCENTIL
Com mais de três anos Afonso media apenas 92 cm e pesava cerca de dez quilos, estando num percentil abaixo do normal. Afonso, que é dependente dos pais para tudo, tenta comunicar através do movimento dos olhos.
Notícia daqui.

Farmacêuticos também devem ter o direito de não colaborar perante casos de aborto e de eutanásia

Bento XVI defendeu hoje no Vaticano que a objecção de consciência "é um direito que deve ser reconhecido" também aos farmacêuticos nos casos do aborto e da eutanásia.

Recebendo no Vaticano os participantes do Congresso Mundial "As novas fronteiras do acto farmacêutico", o Papa pediu que estes profissionais possam ter a opção de "não colaborar directa ou indirectamente no fornecimento de produtos que têm como objectivo escolhas claramente imorais".

Entre as preocupações apontadas estão as substâncias que impedem "a nidificação de um embrião" (a chamada pílula abortiva" e as que procuram "abreviar a vida de uma pessoa").

"A vida deve ser protegida desde a sua concepção até à sua morte natural", indicou Bento XVI, pedindo aos farmacêuticos que desempenhem "um papel educativo com o paciente, para um justo uso dos cuidados médicos e, sobretudo, para dar a conhecer as implicações éticas da utilização de determinado fármaco".

"A procura de um bem para toda a humanidade não se pode fazer em detrimento do bem das pessoas tratadas" sublinhou ainda.

Tendo em conta as "implicações éticas" destes temas, o Papa deixou votos em favor de uma mobilização dos que trabalham nas diferentes profissões ligadas à saúde, católicos e "pessoas de boa vontade", para que se aprofunde a formação, não só no plano ético, mas também no que diz respeito às questões bioéticas.

"O ser humano deve estar sempre no centro das opções biomédicas", indicou.

Bento XVI defendeu também "a solidariedade no domínio terapêutico, para permitir um acesso aos medicamentos de primeira necessidade de todas as camadas da população e em todos os países, nomeadamente para as pessoas mais pobres".

Notícia daqui.
Ver mais aqui1, aqui2, aqui3 e aqui4.

domingo, 28 de outubro de 2007

Terapêuticas no Fim da Vida e a Dignidade da Pessoa

Convidado a participar num debate sobre ‘Terapêuticas de Fim de Vida’, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, o sacerdote defendeu que o facto das pessoas pedirem para morrer “não quer dizer que queiram a eutanásia, mas que lhes dêem outro tipo de vida”.
No testamento que deixa para “a família, o médico, o confessor e o notário”, Feytor Pinto faz um pedido: “Que não se me mantenha a vida com tratamentos que apenas prolongarão o sofrimento.” Joaquim Gomes, desembargador do Tribunal da Relação do Porto, revelou, a este propósito, a existência de uma norma no sistema jurídico português onde está definido que a “vontade do utente será tomada em conta”.
O debate, muito participado, marcou o encerramento das Jornadas sobre Controvérsias em Medicina Intensiva. E centrou-se na distinção dos conceitos de eutanásia, a provocação da morte e distanásia, o prolongamento da vida por meios artificiais.
Paulo Maia, médico do Hospital de Santo António do Porto, revelou que “só em 0,5 por cento dos casos o doente participa da discussão sobre o que gostaria que acontecesse no final da sua vida”, quando a média mundial é de quatro por cento.
Notícia daqui.

sábado, 27 de outubro de 2007

Estudo algarvio revela: espiritualidade dá qualidade de vida a doentes oncológicos

Estudo algarvio revela: espiritualidade dá qualidade de vida a doentes oncológicos

Aqui

Amamentar


Excelente o novo site de promoção da amamentação, "Amamentar" com inúmeras informações, conselhos e dados interessantes.


Vale a pena explorar este novo site que tem uma perspectiva muito prática e realista.


Por um lado foca a importância da amamentação, mas por outro lado, tem os pés bem assentes na terra relativamente à forma de adaptar esse hábito importante às vicissitudes e problemas decorrentes de uma vida de trabalho e de stress vivida pelos pais.


Destaque particular para uma opção totalmente inovadora dedicada aos empregadores, incentivando-os à importância de uma melhor coordenação entre família e trabalho.


Site de 5 estrelas ou, à laia de Prof. Marcelo, merece 20 valores !

Aborto usado como meio contraceptivo e motivo de reflexão

Reino Unido: pai da lei do aborto diz que IVG é usada como meio contraceptivo

Tinha apenas 29 anos quando ficou conhecido por ter legislado sobre um dos temas mais quentes na política em todos os tempos: o aborto. Em 1969 David Steel, escocês, filho de um ministro da igreja, ficou conhecido como o pai do Abortion Act, o primeiro diploma da Europa democrática a regular a prática da interrupção da gravidez. Apesar do Reino Unido permitir, desde então a interrupção da gravidez primeiro até às 28 depois até às 24 semanas, Lord Steel afirma que se sente hoje triste e considera que a lei está a ser usada como uma forma de contracepção.

Democrata liberal, Steel confessa, numa entrevista dada esta semana ao britânico “The Guardian” que estava longe de pensar que a legalização do aborto faria com que os números de interrupções da gravidez disparassem de tal maneira no Reino Unido.
Em 2006 registaram-se 194 mil abortos no Reino Unido, números que superam os 200 mil se se quantificarem os casos vindos da Irlanda do Norte, onde o aborto é proibido e que acabam por ser feitos em Inglaterra. Isto significa um aumento de 4 por cento em relação ao ano anterior e o que preocupa mais as autoridades britânicas é que a prática está a aumentar especialmente entre as adolescentes.
“Todos concordamos que há abortos a mais”, disse, adiantando que se devia investir na educação sexual e no aconselhamento sobre a contracepção. “Há um sentimento geral de irresponsabilidade entre as mulheres que acham que podem recorrer ao aborto se as coisas correrem mal”. Isso, acrescenta, não era a intenção de uma lei, feita há 40 anos para parar com o flagelo da morte de mulheres em abortadeiras clandestinas e dos suicídios.
Numa altura em que o tema voltou a ser debatido no país, com uma reforma da lei na agenda, Steel adianta ainda que a actual posição da igreja em relação à contracepção é a principal culpada pelo facto de se encarar o aborto, ele próprio como um método contraceptivo.
Para Albino Aroso, o médico que inaugurou a primeira consulta pública e gratuita de planeamento familiar em Portugal, no Hospital de Santo António, no Porto, o caso inglês é muito particular: “Não me parece que esta afirmação seja justa. Inglaterra tem uma estrutura muito avançada de planeamento familiar montada”, afirma, justificando o crescendo de interrupções da gravidez com o “grande número de mulheres imigrantes que ocorre a Inglaterra de há 40 anos para cá”.
Para Albino Aroso as concepções sobre a interrupção voluntária da gravidez têm mudado muito ao longo dos anos e é natural que, passados 40 anos, no Reino Unido o debate também se instale, descartando a hipótese de, daqui a 40 anos, os autores da lei portuguesa estarem a pensar o mesmo que David Steel.
“Daqui a 40 anos tudo vai ser diferente. Será que a idade da fertilidade se prolongará por tanto tempo como hoje? A tendência é para que a mulher engravide quando quiser”, avança, sugerindo que, talvez, daqui a 40 anos a questão de uma gravidez não desejada não se coloque.
Notícia daqui.

1.ª Caminhada de Divulgação do Projecto SEMENTE


A Socialis – Associação de Solidariedade Social, em colaboração com a Câmara Municipal da Maia (Parceiro oficial do Projecto Semente), vai realizar no dia 28 de Outubro de 2007 pelas 10h30, a 1.ª CAMINHADA de Divulgação do Projecto.


O Projecto SEMENTE tem como objectivo a prevenção da gravidez precoce e o acompanhamento de grávidas e mães adolescentes.


O percurso será de aproximadamente 3 kms , com início na Praça do Município. Atendendo aos objectivos desta actividade e à importância do envolvimento da comunidade em projectos de cariz social que promovem o bem-estar da sociedade, a organização convida todos os cidadãos a participarem na caminhada.


Notícia daqui.

Conferencia de Estudos Medicos sobre a Vida Humana


Especialistas reúnem-se para revelar os efeitos do aborto na saúde da mulher:

- o aborto e a Perturbação Pós-Traumática na mulher;
- o aborto e o risco posterior de prematuridade;
- a relação entre o aborto e o cancro da mama e,
- os riscos da pílula abortiva.


Dia 8 de Novembro, no Hotel Villa Rica, em Lisboa.


Não deixe de se inscrever! *


http://www.lisbonmedicalconference.net/

* Os lugares são limitados.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O véu pintado ou "o que é o amor ?"


Vi recentemente o filme “O Véu Pintado”, baseado num romance de W. Somerset Maugham que aborda a temática do amor nas suas várias vertentes.


Trata-se de uma reflexão profunda que é feita ao compasso da história de um casal que vive um amor falhado, afectado pelo adultério e pelo desentendimento crónico.
Os protagonistas desta história que se passa na China dos anos 20, são um médico, Dr. Walter Fane (Edward Norton) e Kitty (Naomi Watts) uma jovem inglesa frívola, fútil,superficial e extremamente egocêntrica.


Confrontado com a traição, o marido aceita dar o divórcio à mulher mas antes como castigo leva-a para um centro de surto de cólera no interior da China profunda. Aí ambos são confrontados com a morte, a miséria, a pobreza, a doença, mas também o risco da revolução nacionalista.

Enquanto o mundo desaba à sua volta, ameaçados pela doença e pelos revolucionários nacionalistas, cultivam a indiferença e a agressividade mútua.
Porém, ao testemunharem as tribulações dos mais necessitados e, em particular, a entrega e generosidade de um conjunto de freiras que teimam em não abandonar os doentes, ambos são interpelados para zonas do amor que até aí desconheciam.
Aí, sobretudo Kitty, descobre que o amor não é só luxúria, sentimento ou paixão, mas também é sacrifício, entrega e dedicação e, assim, progressivamente, ambos vão, pela primeira vez, encontrar o sentido do verdadeiro amor.
Com essa apreensão do verdadeiro sentido do amor, nessa ascese platónica das sombras da caverna em direcção à luz, Kitty descobre também que o amor, numa fase mais madura, pode não ser sentimento e ser só entrega e fidelidade. É a própria Madre Superiora do Convento que, já no final do filme, lhe fala da sua paixão pela religião, desde os 17 anos e de como essa paixão se transformou em algo mais frio, mas ao mesmo tempo mais sólido.


Para si, o amor passou a ser um dever e daí a sua vontade em manter o seu posto, em manter o serviço aos outros.


A este propósito, lembro-me de um comentário do saudoso Prof. Morais Barbosa, catedrático de filosofia que, um dia, num programa de tv, teve a coragem de dizer que o amor não é um sentimento.


Num mundo onde as telenovelas, reality shows, revistas cor de rosa, etc.. nos transmitem que o amor é a mera paixão historicamente situada de cariz iminentemente físico e sentimental, este filme não deixa de ser uma forte interpelação a uma visão mais profunda do que é o verdadeiro sentido do amor.


Sem querer desvendar o fim do filme, apenas uma palavra para o tema musical que o encerra “A la claire Fointaine”, uma balada simples e pueril que fala do amor cantado por um rouxinol, verdadeiramente deslumbrante !

Aqui fica um excerto:





P.S.- Toda a vida pede amor, diz-se. O aborto é a negação do amor, a aceitação do sacrifício em prol de outro é custoso, sobretudo quando não há ninguém à volta para apoiar, mas a renúncia inerente abre sempre a porta das entranhas do amor com letra grande, desse amor que, talvez, só uma minoria provará.

Conferência: entradas gratuítas

A organização do I Encontro de Estudos Médicos sobre a Vida Humana muito gentilmente cedeu-nos 3 convites com entradas gratuítas (cada entrada normal custa 80,00 €) para as várias conferências que terão lugar no próximo dia 8 de Novembro.
Quem estiver interessado em participar, pode-me contactar ao meu mail pessoal mrc71@mail.telepac.pt.

Juntos pela Vida pedem demissão de Ministro da Saúde

Quando num país Democrático, um membro do poder executivo pretende invadir a esfera e o âmbito privado de uma organização profissional, alterando as regras de conduta que os seus próprios membros deliberaram adoptar, só há uma solução possível...


...para bem da nossa saúde democrática...


...obviamente, a demissão !

Bastonário da Ordem dos Médicos "arrasa" Ministro da Saúde

Via Paulo Marcelo, ouvi a crónica do Bastonário da Ordem dos Médicos sobre o último parecer da PGR e fartei-me de rir com o seu conteúdo.

Felizmente que ainda temos liberdade de expressão.

Aqui na TSF, vale a pena ouvir !

Aborto como método contraceptivo

Um dos responsáveis pela introdução do aborto livre no Reino Unido, Lord Steel, reconheceu muito recentemente que o aborto, nesse país, está a ser utilizado como método contraceptivo e disse mais:
Que nunca se poderá dizer que existe um número ideal de abortos. Ou seja, qualquer número (até por mais baixo que seja), será sempre algo objectivamente negativo.

Convenção contra Exploração e Abuso Sexual

Portugal e mais 23 países assinam Convenção contra Exploração e Abuso Sexual

Portugal e mais 23 países, dos quais 14 da União Europeia (UE), assinaram hoje uma Convenção do Conselho da Europa contra a Exploração e Abuso Sexual Crianças que visa criminalizar práticas como a pornografia infantil em alguns Estados.

Em declarações à agência Lusa, o ministro da Justiça português explicou que a convenção "serve para proteger melhor as crianças, criminalizando práticas que em certos Estados não estavam contempladas na lei penal".

De entre essas práticas, Alberto Costa destacou "a pornografia infantil, o recurso à pornografia infantil e a exploração sexual no ciberespaço", realçando que entre os 24 países assinantes, muitos dos que não fazem da UE "não tem a sua ordem jurídica-penal actualizada nestas matérias".

Quanto a Portugal, o ministro considera que "o trabalho de casa está feito com a entrada em vigor do novo Código Penal (CP), que contemplou todas estas novas necessidades de protecção das crianças".

Porém, adiantou que "quando esta convenção for aprovada pela Assembleia da República e promulgada pelo Presidente da República será necessário afinar a situação dos condenados por crimes sexuais contra crianças".

De entre estes "ajustes", Alberto Costa destacou a proibição de acesso dos condenados por crimes sexuais a certas actividades profissionais que sejam de contacto directo com as crianças, para evitar a reincidência".

A convenção deverá entrar em vigor em Portugal no próximo ano e servirá de base para o "desenvolvimento e aperfeiçoamento do direito à luz dos padrões internacionais".

A adopção deste texto integra-se no programa trienal "Construir uma Europa para e com as crianças", lançado há um ano pelo Conselho da Europa e integrado por 47 países que têm como objectivo a defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito.

Reunidos em Espanha, os ministros da Justiça dos 47 Estados do Conselho da Europa v��o hoje e sexta-feira analisar também uma aproximação comum no acesso à justiça por parte de grupos mais vulneráveis como é o caso dos imigrantes, nomeadamente os ilegais, candidatos a asilo e menores.

Alberto Costa, enquanto representante da presidência portuguesa da UE, explicou que pretende dar conta das medidas que têm sido impulsionadas pelos 27 estados-membros.

"Uma das nossas prioridades é a protecção das crianças. Pretendo falar da criação do portal europeu de Justiça com a inclusão de uma lista de crianças desaparecidas e a criação do sistema de alerta de rapto com ajuda da comunicação social".

Questionado sobre a proposta do ministro italiano das Comunicações para a criação de uma polícia europeia contra a pedofilia, assim como de uma lista negra de sítios na Internet com pornografia infantil, o ministro da Justiça defendeu "não tanto a multiplicação de organizações, mas sim, uma melhoria imediata da capacidade de intervenção e dos resultados da Europol".

"Há vários anos que estamos a trabalhar no sentido de dotar de condições a Europol. O problema está na articulação das polícias nacionais", concluiu.

Segundo dados apresentados em Maio, os crimes sexuais contra crianças e jovens triplicaram em Portugal nos últimos cinco anos, tendo a Polícia Judiciária registado 1.300 casos em 2006 contra menos de 400 em 2001.

Dos casos de abuso sexual registados em 2006, 81 por cento (quatro em cada cinco) foram cometidos por familiares próximos e 28 por cento por vizinhos.

A maioria dos crimes fora cometida em casa (60,45 por cento) e os restantes em locais ermos (7,69 por cento), escolas ou colégios (4,46 por cento) ou em meios de transporte (4,22 por cento).

Os dados referem ainda que 34 por cento das mães das crianças e dos jovens são as principais denunciadoras.

Estes crimes são também denunciados pelo pai (14 por cento), pelas comissões de protecção de menores (10 por cento), pelo tribunal (7 por cento) e pelas escolas (cinco por cento).

Em 96 por cento dos casos o agressor era do sexo masculino.
Notícia daqui.

Bella for Life


Fans of Quality, Ethical Movies Urged to Support Bella With Bulk Ticket Purchases and Theater Rentals


Bella release begins this Friday in 29 US Cities


For those who saw the premier of the movie "Bella" at last year's Toronto International Film festival it has been a much anticipated long wait for the movie's commercial release this weekend in the United States. Most were moved and inspired by that premier showing. They naturally hoped millions more would eventually be able to share their experience.


The "three amigos", as the Latino American producers of Bella are called, have been encouraging groups to adopt a theater and are promoting advance bulk ticket purchases to ensure the movie gets a solid start in the 800 movie theaters scheduled to screen it so far. Catholic New Agency reported today that "hundreds of the theaters showing the film have pre-sold all their seats to fans" and "Some individuals are buying 100 to 10,000 tickets for family, church groups, and total strangers."


There have been numerous positive reviews of "Bella" published in the past few months. See http://www.moviemails.com/moh/moviemail/view?buzzmailId=93664.; It's not an action flic or Hollywood spectacular. It has been described by one reviewer as "a romantic drama that is much deeper than romance".


The apparent simplicity of "Bella" has been found to be deceiving by many who have seen the movie. Eduardo Verastegui, the male star of the movie, in a lengthy interview with LifeSiteNews last year. prior to the Film Festival premier, described the movie plot. He said, "The film is about a man who had everything and lost it all. And in losing it all - he found everything that matters in life which is family and love, true love - sacrificial love. It shows that there is a time in everyone's life when a moment will change us forever and life will never be the same again, any more."


The acting, filming and music of "Bella" are first class Hollywood quality. Tammy Blanchard plays the main character who discovers and attempts to resolve her unplanned pregnancy with the help of the character played by Verastegui. She gives what some consider an academy award quality performance. The casting is superb. Many have found the movie unexpectedly sticks in their minds long after leaving the theater. There is much to ponder. Seeing it a second time is recommended because of the subtlety and depth of the various themes in "Bella" which become even clearer with a second viewing.


The producers have big plans beyond this movie. They want to produce many more films that are, says producer Leo Severino, "timeless and that engage and inspire people. Films that have that capacity to change peoples' hearts and minds."


To do that they need this one to be a commercial success and have therefore been intensely encouraging groups to help make the critical first few weeks, especially the first week of its release, a big success.


The "Bella" website lists all the theaters that are scheduled to show the movie to date and will continue to add more as screenings are scheduled. (See http://bellathemovie.com/theater/) . It opens in 29 major US cities this weekend and in 12 additional cities on November 9. Locations are not yet available for later screenings in Canada. Metanoia Films (the name of the production company) is assisting viewers in adopting a theater by providing a form on the "Bella" website (See http://www.bellathemovie.com/site/#/tickets/theater). They can also be called at (888) 880-8723. Many other aspects about the movie and its promotion can be seen on the "Bella" website at http://www.bellathemovie.com/site/#/home/


The in depth and fascinating LifeSiteNews.com interview with "Bella" producer Leo Severino and actor/producer Eduardo Verastegui last year has been held until this time when the movie has finally released. Eduardo relates many details about his very painful personal journey from being a soap opera star to a producer and actor for Metanoia Films. Leo and Eduardo also discuss the history of Metanoia, "Bella" and their hope for the future.** SEE THE COMPLETE LIFESITENEWS.COM


INTERVIEW WITH BELLA"S LEO SEVERINO AND EDUARDO VERASTEGUI athttp://www.lifesite.net/ldn/2007/oct/07102408.html

Uruguai na defesa da vida

A proposta da legalização do aborto neste país foi rejeitada no senado!
Recorde-se que o aborto no Uruguai está penalizado desde 1938.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Os pobres

Mais um excelente post do Pedro Picoito, agora, sobre a problemática da pobreza na sociedade e possíveis formas de a atenuar.

9º CONGRESSO NACIONAL DE DEFICIENTES

Congresso considera "pior momento" desde o 25 de Abril

Os cerca de 700 participantes no 9º Congresso Nacional de Deficientes (CNOD) concluíram que se está a viver o pior momento depois do 25 de Abril, acusando os "sucessivos governos" de silenciar e discriminar os deficientes. No congresso, que decorreu no dia 20 de Outubro, na Moita, foram delineadas várias reivindicaçöes que väo constituir as linhas orientadoras dos trabalhos a desenvolver por associaçöes e organizaçöes de deficientes.

"Definimos várias acçöes concretas e objectivas, sendo muitas as frentes de esclarecimento e trabalho, divididas ao longo de quatro capítulos. As intervençöes e análises permitiram chegar a algumas conclusöes num congresso que decorreu a muito bom ritmo", disse Calos Costa, presidente do CNOD. Ao nível dos direitos humanos e igualdade de oportunidades, o CNOD pretende a criaçäo da Convençäo Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência e, consequentemente, a adaptaçäo de toda a legislaçäo aos princípios nela consagrados. Na mesma área o CNOD considera também importante o fim da "política autoritária e repressiva", que exclui os deficientes, que "unicamente aspiram ao trabalho com direitos e a uma vida digna" e exige a participaçäo das organizaçöes representativas do Movimento Associativo nas decisöes políticas referentes à área da deficiência. Em relaçäo à saúde, emprego e reabilitaçäo, o organismo pretende um serviço Nacional de Saúde geral, universal e gratuito, que tenha em conta as particulares dificuldades e necessidades dos cidadäos com deficiência. "Os cidadäos com deficiência exigem do Estado a tomada de medidas adequadas à criaçäo de condiçöes de integraçäo profissional dos cidadäos com deficiência e a adaptaçäo dos postos de trabalho em razäo da deficiência do trabalhador considerado", referem nas conclusöes do congresso. Quanto aos transportes e acessibilidades, o CNOD quer que sejam criadas condiçöes físicas e de aprendizagem em todas as escolas, além de um aumento no número dos transportes adaptados. "Defendemos a implementaçäo do Plano Nacional de Acessibilidade de 17 de Fevereiro de 2004, a todos os Municípios Nacionais e a eliminaçäo de barreiras nos transportes públicos ou serviços da administraçäo pública", salienta o mesmo documento. Na área da educaçäo e cultura, o CNOD, que considera a mulher deficiente mais discriminada, defende a reduçäo do número de alunos numa turma que tenha alunos deficiência e o apoio às Instituiçöes de Educaçäo Especial (Rede Solidária) que cumpram funçäo supletiva relativamente à Escola Pública. O CNOD refere ainda que a cultura e o desporto devem áreas onde se deve ter em conta as necessidades dos deficientes, de modo a que lhes sejam dadas as mesmas oportunidades de participar nas actividades. O presidente Carlos Costa estava muito satisfeito com o trabalho realizado em um dia de congresso, confessando que este "foi talvez o congresso mais produtivo dos últimos anos".
* Com Lusa
Notícia daqui.

«Juntos pela Vida» faz balanço da aplicação da lei do aborto


1. No passado dia 11 de Fevereiro, 1 em cada 4 portugueses votaram a favor da despenalização do aborto até às 10 semanas, depois de uma campanha em que foi dito e repetido que não se faria a promoção do aborto e não estaria em causa a sua legalização, mas apenas o fim da perseguição penal às mulheres que pretendem eliminar a vida dos seus filhos até às 10 semanas de gestação;


2. Foi produzida uma lei ampla, das mais permissivas da Europa, não atendendo às preocupações expressas por muitas vozes, que apelaram à moderação, à observação de outros sistemas europeus no que respeita a esta matéria, com sejam a lei alemã, que resguarda – ainda que limitadamente – a vida intra-uterina;


3. O aborto é legal, permitido e promovido pelo Ministério da Saúde que não mais cessou de efectivar todos os procedimentos necessário à colocação desta prática no pedestal das conquistas legislativas, trazendo para a vida de muitas mulheres um drama evitável pela proibição do aborto. Espantosamente o único comentário do Governo à aplicação da lei é que esta “decorre com normalidade”, manifestando o seu contentamento com o facto sem uma nota sequer de preocupação em perceber como se pode evitar este drama!


4. A meio do mês de Setembro, a Direcção Geral de Saúde deu notícia de 1435 abortos realizados desde o dia 15 de Julho: representam cerca de 24 abortos por dia. Um aborto por hora.


5. Conforme documentado pela Comunicação Social ao longo desta última semana, o aborto clandestino não acabou – nem infelizmente acabará – em Portugal. Mais uma vez com pretexto de resolver um problema, o Governo veio acrescentar outros, porque não atacou as causas do problema pela sua raiz.


6. No entanto existem outros caminhos. Desde o referendo do passado mês de Fevereiro nasceram pelo país fora diversos centros de apoio à Vida onde as mulheres com uma gravidez de crise podem encontrar apoio e sustento e o seu filho nascer. Entre outros referimos Portalegre, Faro, Viseu, Évora, Caldas da Rainha, Setúbal, etc. Em diversos outros centros têm crescido os pedidos de ajuda: muitos vindos de mulheres a quem a existência do aborto legal veio colocá-las numa situação de possível recurso a este que antes não se lhe colocava. Mas para estes o Governo não tem uma palavra, uma medida, uma preocupação.


7. Seguiremos atentos a evolução da situação e não renunciamos a recordar que o aborto é um mal no qual perdem a vida uma criança, os seus pais e a sociedade no seu todo. Continuaremos a testemunhar com a nossa Vida e empenho que o aborto nunca é uma solução e que existem alternativas mais humanas. Não desistiremos de reclamar do Governo que ajude a sociedade civil a socorrer quem precisa e a tornar-se mais justa e solidária.


Notícia daqui.

Para o aborto há sempre solução... (e dá dinheiro!)

Clínica dos Arcos realiza aborto de açorianas


As mulheres que pretendem realizar a interrupção voluntária da gravidez nos Hospitais de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada estão a ser transferidas para a Clínica dos Arcos, em Lisboa, que negociou protocolos com as unidades de saúde referidas, depois dos médicos terem invocado objecção de consciência para realizar a interrupção da gravidez.
Notícia daqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Babysitting especial


Via entrevista hoje no Rádio Clube, fiquei a saber da existência de uma empresa que faz baby sitting a crianças com deficiências físicas ou mentais, de forma a que os pais possam fazer um programa a sós por umas horas.




Muito interessante

Portugal lá fora

Portuguese Government Orders Doctors to Remove Anti-Abortion Restrictions from Code of Ethics
Portuguese Bar Association denounces decision as "arrogant and overbearing"

PORTUGAL, October 18, 2007 (LifeSiteNews.com) - The Portuguese Health Minister has ordered the Portuguese Medical Association to eliminate its ethical prohibition on performing abortions, sparking protests from physicians and legal experts.Minister Antonio Correia de Campos, a socialist, is basing his directive on the fact that Portugal recently decriminalized all abortions during the twelve weeks of pregnancy. With the support of Portugal's attorney general, he has declared that the Medical Association's code conflicts with the new law, and has given them thirty days to eliminate the restriction.The Association's current ethical code states that "doctors must maintain respect for human life from its beginning", and "the practice of abortion constitutes a grave ethical failure". The decision appears to follow a recent strategy used by the abortion lobby and pro-abortion politicians in Latin America, which equates decriminalization of abortion with a legal "right" to an abortion. Although criminal penalties have been eliminated from the Portuguese legal code, the Constitution of Portugal still states that "human life shall be inviolable" and "the death penalty shall not exist under any circumstances." The decision to force the changes drew a sharp denunciation from Daniel Serrao, a doctor who previously headed the Ethical Commission of the Portuguese Medical Association, who stated that "any type of interference is completely unacceptable, from whomever it comes outside of the profession, regarding the way that doctors think they should relate to each other." The Portuguese Bar Association also issued a statement denouncing the decision as "arrogant and overbearing".

Descubra as diferenças


Encontrei isto no blog do "Fora de Estrutura", um excerto de uma carta ao director remetida por um cidadão consciente e preocupado:


«Recurso a aborto ilegal continua»

Este título encabeça um artigo no «Diário de Notícias» de ontem (22 de Outubro de 2007, da autoria de Fernanda Câncio, defensora do sim ao aborto).

O artigo não se estende em estatísticas mas, de facto, os números são aterradores. A quantidade de crianças abortadas, em Portugal, disparou.

O Ministério da Saúde divulgou as primeiras estatísticas de abortos pagos pelo Governo e qualquer pessoa sensata sente um calafrio. E, obviamente, como diz a articulista, o aborto clandestino continua.

Por que não havia de continuar? Desde há anos, em Portugal, aborto «clandestino» não significa inseguro, mas com mais privacidade. Fernanda Câncio cita médicos e enfermeiras que praticam abortos clandestinos e surpreende-se de que a clientela deles prefira desfazer-se do filho sem passar pela burocracia do sistema oficial de saúde.

Afinal, porquê tanta paixão pela burocracia? Para que serve o sistema burocrático, além de fazer o contribuinte pagar a despesa do aborto?

O drama não é que as pessoas prefiram pagar um pouco mais para fugir à burocracia. O problema é que a sociedade incentive uma decisão tão errada, cuja simples recordação pode arruinar para sempre toda a vida da mãe, em vez de lhe oferecer alternativas.

Última observação, de passagem. Mesmo que a maioria dos abortos escape às malhas do controlo burocrático, fica claro que as estimativas apresentadas pela APF e pelo Governo antes do referendo estavam totalmente erradas. Apesar de o aborto ter disparado, ainda está longe das estimativas apresentadas pelo «sim».
Infelizmente, a este ritmo, dentro de poucas décadas chegaremos lá.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O OVO DA SERPENTE

Na passada segunda-feira, o título principal do Diário de Notícias era: "Rastreio pré-natal falha em 60% das grávidas." O texto alertava de que a maioria das futuras mães não faz testes para despistar a trissomia 21 e outros problemas cromossomáticos. As causas identificadas para a omissão são o custo do exame, não comparticipação do Estado, falta de laboratórios capacitados e de critérios definidos, além de "mulheres com baixa escolaridade e fracos recursos económicos" (DN, 15/10/2007).
À primeira vista trata-se de mais um problema de saúde pública onde o atraso e pobreza do País criam graves efeitos sociais. Mas há um pequeno detalhe que o artigo não refere: a trissomia 21 e os problemas cromossomáticos não têm cura. Alguns tratamentos precoces ajudam, mas pouco há a fazer à criança quando se detecta esse tipo de males. Além do aborto, claro. A única forma, como diz o texto, de tornar os "casos de trissomia evitáveis nos fetos de jovens grávidas" é matar a criança. Porquê então fazer esta divulgação, se não é para promover o aborto?
Ninguém imagina o pavoroso sofrimento dos pais que descobrem no seu filho esta terrível doença. Mas a maior parte das distorções de cromossomas é inevitável e incontrolável. Pior ainda, como a amniocentese e outros testes recomendados têm graves riscos para a saúde da mãe e, sobretudo, da criança, a sua promoção pode tornar-se um real perigo para a saúde pública. Dado que, ainda por cima, existem "muitos falsos positivos (um em 20)", esta acaba por ser uma forma de suscitar a morte de crianças saudáveis, por mera precaução dos pais.
O incentivo ao aborto é evidente. E aberto: o procurador-geral da República e o ministro da Saúde tentam agora forçar a Ordem dos Médicos a mudar o seu código deontológico nesse tema por ser ilegal (DN, 18/10/2007).
Este ano, o País aprovou a liberalização do aborto. Hoje calaram-se os argumentos, discussões, elaborações ideológicas. Mas coisas destas nunca se vão embora. Quando fechamos os olhos à violação dos direitos humanos ela cresce sempre mais. Vive-se a lenta degradação de carácter, a terrível descida na infâmia.
Há 30 anos, nos fins de 1977, o genial Ingmar Bergman, falecido no passado 30 de Julho, apresentou o filme O Ovo da Serpente. A acção passa-se na Berlim de Novembro de 1923 que vive a euforia do fim da guerra. Nesse ambiente de liberdade, um médico, aparentemente apostado na cura, contribui com as suas experiências pseudo-científicas para destruir seres humanos. Faltava ainda muito para surgir o nazismo, mas já se entreviam os traços do monstro em gestação. Como através da membrana transparente do ovo da cobra.
Que semelhança entre os horrores nazis e a situação actual do aborto em Portugal? As diferenças são abissais, mas um ponto é comum. Precisamente o de Bergman. Na Berlim de 1923, como hoje em Lisboa, proclamavam-se os direitos humanos, elaborava-se a filosofia política, defendia-se a liberdade e a democracia. Ao mesmo tempo tolerava-se a gestação de um monstro. Foi assim que a sofisticada Alemanha, a terra de Goethe e Beethoven, caiu na decadência máxima da civilização.
Ouvir a elevação das nossas afirmações actuais contra a pobreza, das manifestações a favor da dignidade humana, da firmeza na justiça e solidariedade é ficar orgulhoso dos nossos valores. Desde que não se note o montinho de cadáveres minúsculos que sai pelas traseiras das clínicas. Como na democracia alemã de 1923, é essa porta por onde entra o monstro.
Este paralelo entre o aborto e o nazismo é feito num livro que acaba de sair. O volume Ao Gólgota! - A Liberalização do Aborto e o Nazismo (Editora Crucifixus, 2007) reúne os artigos que o franciscano padre Nuno Serras Pereira publicou na Internet no último ano e meio.
Como pode alguém comparar a nossa situação com o horror do nazismo? Passa pela cabeça essa semelhança? Se pensa assim, por favor não se esqueça que esse era precisamente o sentimento que tinha a despreocupada Berlim de 1923. Esse é o enigma do ovo da serpente.
João César das Neves, professor universitário, D.N. 07-10-22

"Carta Aberta aos Deputados à Assembleia da República"

Exmos Senhores
Deputados à Assembleia da República

Como é do conhecimento de V. Exas, por iniciativa de um grupo de Associações de Família, sob a designação genérica de Fórum da Família, foi entregue na Assembleia da República uma "Petição contra a discriminação dos pais casados ou viúvos em sede de IRS", cuja subscrição continuará aberta aos cidadãos até ao dia da aprovação do OE 2008.

As associações subscritoras viram-se obrigadas a recorrer a este meio porque as constantes chamadas de atenção para a política dirigida contra as famílias formalmente constituídas, quer em reuniões com governantes e grupos parlamentares, quer nas Comissões da Família e de Concertação Social na última dezena de anos, não têm tido qualquer eco por parte dos governantes, mantendo-se, ainda por cima, cegos aos cada vez piores indicadores do estado destas, conduzindo a uma cada vez maior incidência de comportamento de risco, desviante e mesmo criminal por parte de jovens e crianças.

Esta política dirigida contra as famílias formalmente constituídas é bastante visível no sistema fiscal (em particular o Código do IRS), verdadeiro hino contra a família, particularmente nas seguintes disposições:
Aceitação das situações informais não comprováveis de "União de facto" e "Separação de facto", a par dos "estados civis", de registo obrigatório e perfeitamente caracterizados, comprováveis e controláveis;
Fortes benefícios fiscais à dissolução formal ou informal do casamento, tanto maiores quanto maior o número de filhos.
Além disso, o Fórum da Família gostaria de recordar a V. Exas que, para efeitos da declaração de IRS, à excepção dos viúvos, considera-se apenas o estado/situação em que o contribuinte se encontrava no dia 31 de Dezembro do ano a que dizem respeito os rendimentos, ou seja, no fundo como passou o réveillon, podendo, perfeitamente, mudar de situação ou estado civil segundos depois das 12 badaladas.
Para além da injustiça e falta de senso que esta política revela, conduz a possíveis situações que consideramos caricatas, como seja a de até uma pessoa com o estado civil de casada poder fazer a sua declaração de rendimentos como "unido de facto" com um irmão seu, desde que este seja maior de 16 anos...
A fim de bem poder quantificar o forte investimento que o Estado tem feito na instabilidade familiar, o Fórum da Família sugere que seja perguntado ao Sr. Ministro das Finanças, aquando da sua deslocação no próximo dia 25 à Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças:
Quanto é que o Estado pouparia, considerando apenas a colecta de IRS, se todos os pais fossem casados?
Em quanto se reduziriam/reduzirão as receitas fiscais de 2007 se todos os pais se declarassem/declararem como separados, o que ainda estão muito a tempo de o fazer?
Pelo exposto, consideramos que o proposto na petição é justo e razoável, embora, como V. Exas bem sabem, os pais casados têm outras formas de deixarem de ser vítimas desta discriminação, como tantos já o fizeram, e considerando que, para o Estado, o estado civil não tem qualquer importância, conforme referido em Março passado pelo chefe de gabinete da Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa, que criou o Cartão do Cidadão, não tendo sido desmentido.

Solicitamos, portanto, a V. Exas a maior atenção para este assunto, durante o debate que vai decorrer no próximo dia 25 na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças.

Aproveitamos para informar que, a partir de 28 de Outubro, o Fórum da Família iniciará uma campanha de informação aos contribuintes de como poderão utilizar o disposto no código do IRS para recuperarem a totalidade ou grande parte dos descontos efectuados durante o ano de 2007. Esta campanha tem apenas carácter informativo, seguindo o espírito que tem animado outras campanhas promovidas pelo Governo, e, como se verá, poderá conduzir à desejável entrada no sistema contributivo de pessoas que, até agora, tenham estado fora.


21 de Outubro de 2007

Pelo Fórum da família

Subscreva a petição em http://www.forumdafamilia.com/peticao.

A Ordem dos Médicos deve ser obrigada a adaptar o seu Código Deontológico à nova lei do aborto?

A pergunta, feita na edição «online» do jornal «Público», chama a atenção para os riscos de legalizar injustiças.

Coisa bem diferente de legalizar uma injustiça é aceitar que um comportamento errado tenha atenuantes: nesse caso, não se legaliza a injustiça, apenas se introduz um certo grau de compreensão por pessoas colocadas em situação difícil.

O problema é que a lei do aborto não expressa compreensão pela situação difícil de algumas mães, reconhecendo que uma decisão errada pode ter atenuantes.
O que a lei do aborto traduz é o oposto: ver-se livre do filho não seria uma atitude errada, mas uma boa decisão e inclusivamente um direito. Mais ainda, considera-se uma decisão louvável, que o Estado apoia com subsídios, que não dá às mães que decidem ter o filho.

A pergunta do «Público» mostra como o risco de legalizar uma injustiça é desencadear uma escalada aberrante de outras injustiças.

A história da humanidade é farta em exemplos. Depois de estabelecer o direito a cometer uma injustiça, rapidamente se passa a condenar quem não a cometer e rapidamente se impõe a outros a obrigação de colaborar activamente com a injustiça.

Não são só os médicos que vão sofrer as consequências de se ter legalizado o aborto em Portugal, mas dado o empenho do actual Ministério da Saúde em promover o aborto a todo o custo, e dado que os médicos estão sob a alçada deste Ministério, era óbvio que seriam as primeiras vítimas deste processo. Têm-no sido de várias formas, por exemplo, na indicação legal de os hospitais do Estado (que são a maioria) passarem a só contratar médicos abortistas, ou no teor inaceitável da «objecção de consciência» que se pede aos médicos.

Agora, o Ministro e o Procurador-Geral querem ir mais longe, obrigando a Ordem dos Médicos a declarar como deontologicamente correcto o assassínio de crianças ainda não nascidas. Essa exigência não tem quaisquer implicações para a população em geral, não facilita ou dificulta a prática do aborto, porque só compromete os médicos perante a sua própria consciência. Por isso mesmo, a atitude do Ministro e do Procurador-Geral é um exemplo eloquente de como, depois de legalizar uma injustiça, se cometem outras: neste caso, calando a voz de quem declara que a vida humana deve ser sempre respeitada.

Hoje os médicos estão na primeira linha da luta pela liberdade e pela justiça. A seguir, virão outros funcionários públicos, os órgãos de informação, as empresas e toda a sociedade.

Quando se legaliza uma injustiça, a cadeia de consequências injustas não pára. Legalizar a injustiça acaba sempre por ilegalizar a justiça e no limite (é questão de tempo), conduz à ditadura e à guerra.

É bom que a opinião pública perceba o que está em causa.

O inquérito electrónico está ultrapassado. O «Público» já substituiu o tema por outro com menos relevância. Ignoro o resultado final da pergunta acerca do código deontológico dos médicos e, de qualquer modo, esse resultado acaba por ser estatisticamente pouco significativo, porque, como o inquérito esteve no ar durante pouco tempo, é fácil que um grupo se tenha mobilizado para distorcer a votação.

O que é urgente é que a sociedade portuguesa dê sinais de que não está adormecida, de que não quer continuar a deslizar pela estrada da morte. Não vale a pena preocuparmo-nos com inquéritos que já passaram, o que vale a pena é não esquecer a pergunta.

José Maria André

domingo, 21 de outubro de 2007

A “deontologia” do Estado

O Governo quer ter uma palavra a dizer no Código Deontológico dos Médicos em matéria de aborto. Uma intromissão intolerável.


O poder político tem manifestado tendência para regulamentar um número crescente de actividades em Portugal.


As intervenções regulamentadoras do Estado podem ser necessárias para garantir o bem comum.


Mas, quando há exageros, a liberdade das pessoas e da sociedade civil fica lesada pela prepotência dos governantes.


Ora, com o Ministério da Saúde a impor à Ordem dos Médicos alterações ao seu Código Deontológico em matéria de aborto, atingiu-se um novo patamar de exagero na fúria regulamentadora governamental.


Claro que as leis da República têm de ser cumpridas, agradem-nos elas ou não.


Mas, uma coisa são as leis… outra a ética.


Se o Estado se arroga o direito de ditar a sua deontologia à sociedade civil e às suas instituições, algo vai mal na nossa vida pública.


É uma intromissão intolerável de quem parece querer ser dono da consciência dos portugueses.


Fonte: Nota de abertura da RR, 07-10-19

Confusão surpreendente e homologação inaceitável

O Código Deontológico da Ordem dos Médicos não deve ser alterado nos seus artigos respeitantes ao aborto e à eutanásia



A homologação do surpreendente Parecer da Procuradoria-Geral da República em relação ao Código Deontológico da Ordem dos Médicos, emitido após solicitação expressa do senhor ministro da Saúde, é um acto tão reprovável como inaceitável. Só numa feroz ditadura se poderia perceber a imposição da ética do Estado a uma classe profissional: lembremo-nos do uso da psiquiatria para o controlo dos dissidentes, utilizada na antiga União Soviética.


Mas o mais grave é confundir ética, a primeira universal e perene nos seus princípios fundamentais e na defesa da dignidade humana, e a segunda, conjuntural, e dependente de políticas habitualmente transitórias. Porque terá sido elaborada a Declaração Universal dos Direitos do Homem?


Antes da revolução de Abril de 1974, tanto o Código Disciplinar como o Código Deontológico eram diplomas legais. Contudo isso só é verdade, neste momento, apenas em relação ao Código Disciplinar.


Foi na ocasião em que presidíamos à Ordem dos Médicos que foram aprovados pela classe os Códigos Deontológicos de 1981 e 1984, que agora o senhor ministro da Saúde tenta, errada e abusivamente, pôr em causa. Isto, sobretudo, em relação a alguns dos seus princípios básicos, já claramente consagrados no Juramento de Hipócrates, há mais de 2500 anos!...


Foi justamente por pensarmos que um Código Ético não devia estar condicionado às conjunturas políticas que ele se manteve, não como Lei, mas como "Orientação Ética" para os médicos. É óbvio que se, cumprindo a lei em vigor, houver médicos que o não respeitem, nunca poderão ser punidos legalmente. Ficarão, então, apenas, sujeitos à sanção moral que a sua consciência lhes ditar. Mas a Ética não mudou!


Será que a escravatura, legal em séculos passados, primeiro na Europa e depois nos Estados Unidos, foi, alguma vez, eticamente correcta? Será que matar o é? E os prisioneiros serem exsanguinados, na guerra Irão-Iraque, quando era necessário dar sangue aos soldados feridos, terá sido lícito? E o que pensar da pena de morte, que Portugal foi o primeiro país a abolir e cuja abolição agora, correctamente, se pretende estender às leis do resto do mundo? Será que alguém pode entender que a vida, no seu início, no seu meio ou no seu fim, não tem valor e dela se poderá dispor? E que dizer da interpretação que pretende transformar a Objecção de Consciência dos Médicos em relação ao aborto numa violação da liberdade individual? Qual é o conceito de "liberdade de consciência"? Deverá o Estado, ou mesmo apenas uma classe profissional, abdicar da defesa dos Valores Universais e tudo deixar ao livre-arbítrio de cada um? Nenhuma sociedade organizada o tem feito, ou poderá fazer.


Esperamos que o Governo não subscreva a posição do seu ministro da Saúde, pois poderá, desde já, contar com a frontal oposição da esmagadora maioria da classe médica, o que ninguém, de bom senso, certamente deseja.


Lutaremos sempre ao lado daqueles para quem o Código Deontológico da Ordem dos Médicos não deve ser alterado nos seus artigos respeitantes ao aborto e à eutanásia e repudiamos frontalmente as ameaças de sanções à Ordem dos Médicos feitas pelo senhor ministro, com base no parecer da PGR, caso o Código Deontológico não seja alterado. Será este um novo conceito, mais progressista e "verdadeiro" (?) de Estado democrático?


"Público", 20.10.2007, António Gentil Martins, Ex-presidente da Ordem dos Médicos e da Associação Médica Mundial e do seu Conselho de Ética

sábado, 20 de outubro de 2007

Plano Nacional de Acção para a Inclusão

Foi recentemente publicado o PNAI (Plano Nacional de Acção para a Inclusão) que pode ser consultado aqui

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Lançamento do livro HISTÓRIAS RARÍSSIMAS


No próximo dia 24 realiza-se, na FNAC CHIADO, em Lisboa, o lançamento do livro "Histórias Raríssimas". Conta com o alto patrocínio de Maria Cavaco Silva. Todas as receitas revertem a favor da Raríssimas, Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras.
O lançamento está previsto para as 15h00, e conta também com a presença de Idália Moniz, Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação.

ArborVitae


Encontrei mais um site de apoio à mulher grávida com o título original de ArborVitae que está mais vocacionado para o apoio a estudantes universitárias, neste caso da Universidade de Michigan.

Os desafios do casamento

Hoje, no meu dia de trabalho, cruzei-me com uma pessoa que contou estar em processo de pré-divórcio. Dizia uma frase curiosa, mas muitas vezes, verdadeira que no tempo de namoro os defeitos do outro são virtudes e que uns anos depois já as virtudes do outro são defeitos.

O sucesso da vida a dois é um verdadeiro desafio. É raro encontrar o casal perfeito que se dá plenamente com o outro sem quaisquer discussões ou divergências.

A isto acresce o viver permanentemente um ao lado do outro, aturando as manias, defeitos e má disposições de cada um.

Por fim, com o aumento do stress motivado pelo trabalho, a falta de tempo ou a dedicação aos filhos, por vezes, vão-se levantando barreiras entre o casal que a dada altura limita-se só a partilhar a casa, as despesas comuns e pouco mais.

Infelizmente, muitas vezes, confude-se “erro de casting” como disse uma vez o Prof. Fernando Rosas com “crises passageiras” e não há dúvida que existe um efeito multiplicador do divórcio quando se começam a ver mais casos de divórcio do que de casamentos duradouros.

É muito importante que hajam sinais de alerta para o casal e sobretudo que procurem arranjar um tempo para estarem a sós, sem trabalho ou mesmo sem os filhos.

É claro que a partilha do tempo com os filhos é importante, mas, é indispensável também de tempos a tempos o estar sós, fazer um programa social a sós, etc..


A este propósito sei de um casal que, pelo menos uma vez à semana, tenta trabalhar menos, aproveitando folgas e gerindo agendas de forma a poder estar a sós, sem os filhos, a passear, a ir ao cinema, às compras, etc..

É importante que o casal se dê bem e esteja refrescado e rejuvenescido pois só assim é que os filhos poderão beneficiar da sua boa disposição.

A sinceridade, a compreensão, o diálogo, as cedências mútuas, o perdão são também outros dos remédios que ajudam a manter mais tempo um relacionamento a dois.

Lembro-me de ter ido ver com a minha mulher, há muitos anos atrás, um filme chamado “A Story of us” que fala de um casal que sofre o desgaste de 15 anos de uma relação, atravessa uma crise que passa por uma separação momentânea mas que, por fim, retomando a memória dos princípios, volta com novo ânimo e desejos de felicidade.




Por fim, queria dizer que, muitas vezes, a nossa arrogância intelectual concluí que só temos que estudar ou reflectir sobre assuntos directa ou indirectamente relacionados com a nossa actividade profissional e esquecemo-nos de que ser pai, ser mulher, ser marido são coisas que, apesar de terem algo de inato, também exigem muito a nossa aprendizagem.

Nesse sentido, organizações como o cenofa procuram realizar sessões ligeiras e informais sobre paternidade, casamento, relacionamento conjugal, etc.. que são muito úteis.

Bella for life


Novo site de promoção do filme "Bella", intitulado "Bella for Life" que pode ser consultado em http://www.bellaforlife.org/


O filme será lançado no próximo dia 26 de Outubro.


O trailer pode ser visto aqui

Aldeias de Crianças SOS - Procuram-se mães para os orfãos da solidariedade

Procuram-se mães para os orfãos da solidariedade


As casas espalham-se pela colina. Ao todo são nove… São pequenas, mas muito confortáveis, caiadas de várias cores e todas baptizadas por um benfeitor. Relva, jardins com flores, bicicletas num ou noutro canto. O conjunto parece uma pequena aldeia só que esta tem um muro branco e alto a ladeá-la. Lá dentro habitam 41 crianças. A mais pequena tem nove anos e a mais velha, já é adulta, e tem 27. A Aldeia SOS de Gulpilhares, em Vila Nova de Gaia, é um dos três pólos da associação com o mesmo nome. O conceito nasceu na Áustria, fruto do sonho de um homem. Hermann Gmeiner, médico e órfão de mãe desde tenra idade, queria dar uma mãe, irmãos, irmãs, uma família e um lar às crianças órfãs e abandonadas da Segunda Guerra Mundial. Em 1949, em Imst, nasceu a primeira destas aldeias familiares. A ideia rapidamente se espalhou por todo o mundo sendo que, actualmente, existem 452 Aldeias de Crianças SOS, que oferecem um lar a 46.700 crianças. Um conjunto de 1.240 instituições SOS (jardins de infância, lares de jovens, centros sociais e médicos) presta auxílio a mais de 600.000 beneficiários em 132 países.
No nosso país, a Associação das Aldeias de Crianças SOS Portugal foi fundada em 1964 com o estatuto legal de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). A primeira Aldeia de Portugal foi inaugurada em 1967 em Bicesse, Cascais. Hoje existem três: Bicesse (Cascais), Gulpilhares (V.N.Gaia) e na Guarda, acolhendo no total cerca de 160 crianças. Desde Outubro de 2006 também está em funcionamento uma residência para jovens das Aldeias, em Rio Maior e um centro social em Bicesse, que dá apoio às mães reformadas e a pessoas idosas da comunidade.


As Aldeias de Crianças SOS distinguem-se de outras instituições com o mesmo fim pelo facto de acolherem essencialmente grupos de irmãos. Deste modo, desde que foi fundada em 1980, a Aldeia de Gulpilhares junta na mesma casa rapazes e raparigas que convivem como se fossem irmãos de sangue. A acompanhá-los está uma “mãe social” que zela por eles 365 dias por ano e 24 horas por dia. “No essencial é uma família”, conclui o director da Aldeia, Rui Dantas. Cada criança dispõe do seu quarto, do seu espaço e dos seus objectos. Neste projecto foram suprimidos os refeitórios e os dormitórios para que, segundo o director, “cada criança tenha um tratamento muito personalizado”. Cabe ao Estado assegurar a grande fatia do bolo do financiamento necessário ao dia-a-dia da Aldeia. O resto do montante é disponibilizado por sócios, benfeitores e pela Kinderdorf Internacional, uma organização internacional sem fins lucrativos de ajuda à criança.


O conceito de modelo familiar de cuidados a longo prazo assenta em quatro princípios: a mãe, os irmãos, a casa e a aldeia. Fátima Fraga é mãe social há 27 anos. Da soleira da porta da sua casa, convida-nos a entrar. Lá dentro, na sala, um jovem está estirado no sofá a ver televisão. São muitas as molduras com fotografias espalhadas por toda a divisão. Fátima, não é de cerimónias e convida-nos logo a sentar. Com 57 anos de idade confessa-se “cansada” da função. “Isto é uma missão, não é um trabalho. Todos os dias tentamos fazer pequenos milagres que nem os pais verdadeiros fizeram com os filhos”. Fátima é uma das cinco mães sociais que vivem em Gulpilhares. A aldeia tem nove casas e precisava de nove mães, mas é cada vez mais difícil encontrá-las. “Temos aqui 41 crianças, mas há capacidade para 80. Isto acontece porque não há mães para abrir mais casas”, lamenta o director. “No início era mais fácil o recrutamento, pois havia mais mulheres mais disponíveis. Agora é mais difícil. A sociedade mudou muito. Para virem trabalhar aqui, as mães SOS têm de se desligar da sua família de origem para se poderem dedicar totalmente a estas crianças”, explica.


As mães são quase sempre mulheres solteiras ou divorciadas que decidiram dedicar a sua vida à instituição. Não são aceites mães solteiras com filhos porque, explica Rui Dantas, “é muito difícil gerir a diferença entre filhos legítimos e adoptivos. Há sempre ciúmes e desconfianças”.


Na aldeia existe uma equipa educativa constituída pelo director, assistente social, psicólogo, auxiliares, educadores e voluntários que apoiam as mães SOS na sua missão. As crianças e jovens levam uma vida normal, vão à escola, aos centros de formação profissional, à paróquia, praticam desporto, convivem com as crianças e jovens da sua comunidade. A interacção das crianças e jovens com a comunidade exterior é muito importante “para ajudá-las a crescer e a lidar com a sociedade”, explica Rui Dantas. A recuperação do equilíbrio psicológico das crianças e jovens quando chegam maltratados é uma conquista morosa e na qual os obstáculos e recuos são frequentes.


Fátima Fraga conhece bem esse dilema, afinal já ajudou a criar duas dezenas de “filhos”. “São quase sempre miúdos revoltados com a vida e demora algum tempo até ganharem confiança e aprenderem a respeitarem-nos”, explica a mãe social. Para além da “mãe”, cada criança é apadrinhada por alguém que financia ou apoia os seus estudos, que lhe escreve cartas e envia fotografias, que a convida para passar férias, que lhe destina uma conta poupança. A vida da criança é planeada a longo prazo e vista como “um investimento” por parte da organização, explica o director da Aldeia. Desde que entra (o que pode acontecer apenas com dias de vida) até que sai (já em idade adulta), a criança será educada e formada para que venha a ser “um indivíduo responsável, independente e autónomo na sociedade”.


Em Julho passado, a instituição foi galardoada com o prémio Gulbenkian Beneficência, no valor de 50 mil euros, pela missão e pelo trabalho desenvolvido em Portugal ao longo de 43 anos de existência em prol das crianças mais vulneráveis e desprotegidas, “um prémio que muito nos honrou e que ainda nos dá alento para fazer mais e melhor”, afirma Rui Dantas.


Fátima Fraga vem à rua despedir-se de nós. Diz que tem muito que fazer, pois são quase horas de almoço e é preciso preparar a refeição para os nove filhos adoptivos. Dá de comer aos gatos no jardim e vai para dentro de casa. Nós descemos a rua e voltamos ao portão principal. Dois miúdos, com 10 ou 11 anos, passam de mochila às costas e a conversar. Os portões estão sempre abertos e cada um faz a sua vida. Afinal, aqui, o conceito tradicional de instituição de acolhimento esbate-se por detrás das portas das várias casas e da “mãe” de cada um, que acolhe nos braços os filhos dos outros, tentando proporcionar-lhes uma vida o mais normal possível.


Notícia daqui.